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História Hierarquia (Em revisão) - Capítulo 47


Escrita por: e girlseries


Capítulo 47 - Irresistíveis!


Fanfic / Fanfiction Hierarquia (Em revisão) - Capítulo 47 - Irresistíveis!

A semana que se passou tinha sido do mesmo jeito que as outras vinte e quatro que se passaram: uma merda nostálgica, com todas as letras. Seus dias eram cada um piores que os outros, parecia que não fazia mais sentido contar os dias, podia ser uma quinta-feira agitada, ou um domingo entediante, não fazia diferença alguma na situação em que se encontrava. Nesse período, suas únicas distrações eram a empresa e uma garrafa de vodca. Gina não poderia dizer que tinha chegado ao fundo do poço porque esses ainda eram os primeiros 6 meses, e não queria imaginar como estaria – estará – nos próximos seis anos, ou seja, não estava nem perto do fundo do poço. A sua única esperança, a final de contas, era ele não ter dado entrada no pedido de divórcio.

Harry não era o tipo de homem que pensava para fazer as coisas, normalmente agia por impulso, comandado pela emoção, atitude que muitas vezes era compartilhada por ambos, mas que dessa vez, Gina se ajoelharia no asfalto e ergueria as mãos para o céu por ele não ter feito nada, o que significava que ele sequer tinha pensado nisso. Era uma esperança, certo? Existia duas opções, surtar ou crer nisso.

Para tornar a sua tortura pior do que já era por natureza, Gina o via todos os dias, trabalhavam juntos na mesma empresa e ela é sócia do pai dele, era de se imaginar que mesmo os dois não trabalhando no mesmo setor, se veriam em alguma reunião, mais cedo ou mais tarde. Harry também não aparentava estar dando pulos de alegria, mas aparentemente, a separação dele com Gina não havia interferido tanto em sua vida como na dela. Na verdade, ele não esboçava nada quando a via, e na maioria das vezes, era obrigado a falar com ela para manter as aparências perante os clientes da Builders, ainda não era de conhecimento público que Harry e Gina não estavam mais juntos, se soubessem, a mídia já teria caído em cima em busca do porquê da separação tão repentina. Os Weasley’s, assim como Alvo, que como os de mais parentes não sabia do real motivo da separação dos dois, ficara surpreso e até mesmo estarrecido quando descobriu, não era a intenção de Gina contar, mas não haveria outro jeito.

A Ruiva estava sentada atrás de sua mesa com os braços debruçados sobre um de seus projetos, estava quase pronto e apresentaria a planta para o cliente no dia seguinte, se tratava de um grande terreno, no qual o novo dono desejava construir um centro comercial. Apesar do espaço não muito grande , conseguira aproveitar o suficiente para as lojas, e para a área aberta onde o cliente desejava uma cascata de pedras brutas bem no centro, com espreguiçadeira em volta para que os clientes pudessem apreciar a vista para a serra. Ah, e sem falar na piscina aquecida. Faltava apenas alguns detalhes e estaria pronto, se levantou e observou a planta de cima, não era um de seus melhores trabalhos, mas ficaria bom. Enrolou o papel em um rolo grosso e o colocou em uma outra mesa, junto dos outros projetos que entregaria ainda essa semana. Era terça, ainda, o que significava que existia uma longa semana pela frente, infelizmente.

- Alô? – disse Gina quando o celular tocou em cima de sua mesa, deixou-o cair entre sua orelha e seu ombro enquanto folheava a nova revista que uma das editoras parceiras haviam enviado hoje cedo.

- Sra. Potter? – perguntou a voz fina e feminina do outro lado da linha.

- Aham – concordou Gina sem prestar muita atenção, estava focada em um dos prédios que via na revista, era melhor isso do que pensar que provavelmente não seria mais chamada de tal forma.

- Bom dia! É a secretaria da Dra. Weston, creio que a senhora tenha uma consulta pendente. – Gina pressionou seus olhos e praguejou baixo, droga, tinha se esquecido completamente! Ela soltou a revista e ajeitou o celular.

- Sim – ela balançou a cabeça, mas só depois foi perceber que seu ato fora mero, já que o comentário da moça era sugestivo. – Eu...é... – ela coçou a cabeça com a ponta da unha descascada. – para quando é a consulta?

- Bom, – a mulher iniciou, meio incerta – da última vez que liguei a senhora adiou a consulta para a semana anterior, mas infelizmente tivemos alguns imprevistos e não conseguimos avisá-la – eu não quis atender vocês, pensou Gina – temos um encaixe para depois da hora do almoço, se a senhor quiser eu posso... – a ruiva a interrompeu.

- Eu vou, estarei aí, obrigada!

Soltou o celular sobre a mesa e passou as mãos agitadamente pelos cabelos, deixando-os mais bagunçado do que já estavam. O que estava fazendo com sua vida? Não era possível que tenha se tornado o tipo de mulher que enlouquece depois que o marido vai embora. A consulta com sua ginecologista era importante, assim como a conferência na Espanha, a visita rotineira ao túmulo de sua mãe, e a ida ao salão de cabeleireiro também. Era a sua vida. Quem visse Gina Potter há um ano, diria que não era a mesma pessoa que era agora. Não podia ser, não era compatível. Sempre se orgulhara de ser uma mulher vaidosa, bonita, elegante, sempre vestida com as melhores roupas e com uma maquiagem impecável, nessa ocasião estava uma bagunça, seus cabelos em um emaranhado amarrados com um elástico, suas unhas descascadas e sua blusa com uma manchinha de café na manga, que por sua sorte estava coberta pelo blazer preto.

Tinha que dar um jeito em sua vida, meu Deus, nunca pensou que estaria nessa situação, que Harry a deixaria nesse estado deplorável.

Puxou sua bolsa preta em formato de meia lua, a colocou no ombro e saiu de sua sala pisando duro. Passou por algumas pessoas conhecidas, mas apenas deu um aceno para cada um, seguindo seu caminho até o elevador. Era quase meio dia, então daria tempo de comer alguma coisa, ligar para Gui para lembrá-lo que ele teria de ir na conferência no lugar dela, e chegar há tempo no consultório da Dra. Weston.

Com pressa, abriu o zíper de sua bolsa e vasculhou em busca da chave do carro, ela sempre caia para o fundo da bolsa. As portas do elevador se abriram e seus saltos deslizaram pelo porcelanato do Hall de entrada, olhou para os lados para ver se havia alguém conhecido por perto, e acabou vislumbrando Sirius parado na recepção falando com um dos estagiários, por sua sorte, ele estava de costas então não pôde vê-la passar por ele.

Às 13:35 Gina parou o carro no estacionamento da clínica, estava alguns minutos atrasada, mas não o suficiente para que colocassem outra pessoa em seu lugar. Antes de entrar, soltou seus cabelos, pegou em sua frasqueira uma escova e penteio seus cabelos, tentando deixá-los o mais apresentável possível. Optou por jogá-los para o lado com os dedos, no momento, seria o melhor que conseguiria na tentativa de arruma-los.

A sala de espera do consultório estava vazia, o que era estranho, já que era a hora do almoço e nesse período costumava ficar cheio. Gina não reclamou, era melhor assim do que ter que esperar sua vez, e como era um encaixe, provavelmente devia haver outra depois dela. Justamente por isso que assim que chegou, a secretária da doutora, a mesma que tinha lhe telefonado, a recepcionou com um sorriso de orelha a orelha, do tipo que ela era treinada para dar para qualquer paciente que aparecesse ali. Gina a cumprimentou educadamente e ela a guiou até a sala, a Dra. Weston a esperava sentada atrás de sua mesa anotando algo em uma folha de papel, quando viu Gina, se levantou para cumprimentá-la.

- Sra. Potter, como está? – perguntou a médica toda animada estendendo sua mão para Gina. Ela apertou e retribuiu o sorriso que lhe foi dado.

- Estou in... bem, Dra. Weston, muito bem - Gina tentou sorrir para disfarçar o desconforto, a mulher não tinha conhecimento de seus problemas, então não poderia tratá-la como se soubesse.

- Fico feliz que esteja bem, certo, sente-se para que possamos começar.

A doutora indica a cadeira para que Gina possa se sentar e ela se senta. As perguntas se iniciam, começando pelas perguntas que haviam se tornado de praxe, conforme ia semestralmente ao ginecologista. Seu ciclo menstrual, mesmo com o uso da pílula para regula-la, nunca deixaria de ser uma bagunça. Para ela isso não fazia a mínima diferença, ficava agradecida por sua menstruação atrasar, assim a maldita tortura seria retardada, mas segundo a doutora, a descamação deveria ser feita, obrigatoriamente, todos os meses quando a mulher ainda é fértil. Não tinha muito conhecimento quando se tratava do corpo humano, mas ao menos sabia que se ela tinha parado de menstruar, ou ela está grávida, ou está na menopausa.

- A senhora pode estar grávida? – perguntou a médica, como se lesse seus pensamentos.

Gina negou com a cabeça antes de responder:

- Não. – respondeu, seca.

Se fosse em outra época, até que ela poderia considerar a possibilidade, porém, hoje não existia nem mesmo o mínimo resquício de haver uma gravidez. O último homem que havia estado era Harry, e os dois não transavam desde a noite em que ele descobriu que ela era uma vadia mentirosa e traidora.

- Hm – o grunhir da Dra. Weston fora tão baixo, que Gina só pôde escutá-la quando a mesma chamou seu nome, e lhe estendeu uma folha de papel – Pedirei um exame de urina para vermos se há algo de errado, caso eu não consiga detectar no Papanicolau.

Ah, merda! Tinha se esquecido desse pequeno detalhe, odiava esse exame.

- Pode se trocar ali, estarei aguardando-a – Gina abriu um meio sorriso e se dirigiu até a cabine para poder trocar de roupa.

Por sua sorte, a única peça realmente “apresentável” que usava era a lingerie preta com tiras de couro, não fazia sentido algum, pelos motivos óbvios, mas lingeries sempre a fizeram se sentir melhor quando estava com a autoestima baixa, sobretudo na gravidez dos gêmeos, que foi quando o seu corpo sofreu muito, então como estava em uma situação, digamos, delicada, vestia as peças mais ousadas que havia em sua gaveta, não importava que ninguém fosse ver, ela veria e isso era o que importava. Tirou a calcinha, a enrolou e colocou dentro da bolsa, depois vestiu a camisola horrenda e seguiu de volta para a sala, na parte clínica onde seria realizado o teste.

A médica pediu que ela se sentasse, e ela o fez, ficando na posição mais horrível que poderia existir. Gina respirou fundo, se preparando para o que viria em seguida.

O exame começa e ela faz algumas coletas, Gina desvia o olhar, focando-o na mesa de ferro próxima a janela, onde tinha alguns apetrechos.

- Pode se trocar, querida! – diz quando termina – e quando voltar, a gente conversa.

Ela se levanta, vai até o vestiário e se troca, quando volta, ela se senta na cadeira de frente para a doutora Weston, que está anotando algumas coisas em sua ficha.

- Sra. Potter, qual foi a última vez que a senhora fez sexo? – a médica perguntou com uma caneta nas mãos esperando sua resposta para que pudesse anota-la.

- Seis meses, acho. – ela acenou com a cabeça e rabiscou a resposta na folha.

- Não detectei nenhuma fissura genital, ou inflamação visível que possa se tornar uma infecção urinária. Internamente, a senhora está saudável, fiz uma ultrassonografia pélvica e – ela pegou o laudo da ultrassonografia e o folheou – não há nada de errado com o útero, você está produzindo óvulos normalmente para a sua idade, mas ainda não sei o motivo da falta da menstruação. Se me permite perguntar, tem se estressado ultimamente?

- De certa forma, estou com problemas – disse Gina, sem encará-la.

- Então deve ser isso, alterações de humor afetam o ciclo. Bem, como está o uso do anticoncepcional? Algum efeito indesejado?

- Nã... – Gina foi obrigada a se interromper, não tomava nenhum comprimido desde a noite em que fora até a casa de Tiago, primeiro por não ter tempo e estar preocupada demais para se lembrar de tomar o remédio na hora correta, e segundo, por simplesmente não se importar. – Eu não tenho tomado.

- Agora faz sentido – disse a médica – Faz tempo?

- O mesmo tempo em que não tenho relações sexuais. – respondeu Gina com rispidez. Sabia que era errado, mas estava farta daquela consulta, devia ter remarcado novamente. Hoje não era um bom dia para isso.

- Ah.

Esse “ah”, Gina sabia muito bem o que significava. Contudo, não quis dar importância, se continuasse desse jeito, acabaria ficando paranoica, e a mulher só estava fazendo o seu trabalho. Não era sua culpa se sua paciente tinha sido abandonada pelo marido (por culpa dela) e agora estava com uma crise de abstinência.

- Enfim, quando se toma o anticoncepcional por muito tempo, ele automaticamente regula o ciclo, só que quando se para de tomá-lo repentinamente, demora um pouco para ele voltar ao normal...

Ela continuou falando, explicando sobre o assunto, lhe perguntando coisas que respondia da forma mais prática possível, de preferência usando monosílabos. Ela lhe deu uma nova receita, e pediu para que só voltasse a tomá-lo quando um novo ciclo se iniciasse. Se despediu de Gina com um abraço e com um sorriso, a ruiva tentou retribuir da melhor maneira possível, lhe desejando uma ótima semana, antes de sair.

Tinha que voltar para a empresa, mas como todos os seus projetos estavam prontos e ela era a acionista majoritária, portanto fazia seus próprios horários, iria para casa, trocaria essa roupa, vestiria um robe de seda e se sentaria no sofá com dois sanduíches de Parma, e uma garrafa de vinho, sua melhor amiga junto da vodca nos últimos tempos. Deixaria para sair da fossa no dia seguinte.

Gina chegou em casa, tomou um longo banho de banheira para poder relaxar um pouco, serviu uma taça de vinho e apanhou na última gaveta do escritório uma caixa de bombons de licor de cereja, que foram comprados na última conferência, a gaveta trancada à chave era o esconderijo dela e de Harry desde que as crianças nasceram. James e Alvo eram viciados em doces, principalmente se tratando de barras de chocolates e balas de goma, ela e Harry nunca se importaram em deixá-los comer, jamais quiseram ser os tipos de pais que privam seus filhos do que realmente é bom, mas acabou chegando à um ponto que eles comiam todos os dias, o que resultou em muitas cáries. Portanto, sempre que Harry e Gina queriam comer algum doce que não estivesse incluso na sobremesa, eles se trancavam no escritório e comiam juntos. E continuou assim até hoje, mesmo com ambos os filhos adultos e não morando mais com eles.

Vestiu um pijama de seda com calças compridas e se sentou no sofá da sala com o seu Ipad apoiado nos joelhos dobrados, a garrafa de vinho, e os bombons. Ligou a televisão e zapeou pelo aplicativo de filmes até encontrar um bem meloso.

Quem diria, hein? Ginevra Weasley Potter assistindo comédia romântica em pleno dia de semana. É, o mundo está prestes a sofrer uma reviravolta ambulante.

Vampiros, lobisomens e fantasmas, isso sim faria o seu estilo, pensou Gina quando o filme estava quase no fim e a terceira garrafa de vinho também.

Para a sua surpresa, fora mais surpreendia ainda por uma visita de Alvo, aparentemente o filho ainda possuía a chave da casa, pois não ouvira a campainha tocar e repentinamente ele “surgira” em pé à sua frente, e com uma cara nada boa, que exalava pena e preocupação.

- Filho – disse Gina sem se levantar do sofá. Alvo negou com a cabeça e se sentou no braço do sofá, obrigando a mãe a se sentar também.

- Não acredito que continua assim - Alvo a acusou com um olhar reprovador. Ela ignorou e bebeu o restinho de vinho que continha na taça. O filho olhou para a mesa de centro e quase estourou com o olhar as três garrafas vazias sobre a mesinha. – Bebeu tudo isso?

- O que mais eu posso fazer? – ela rebateu, como se fosse óbvio.

- Reagir? Seguir a vida? Só não pode continuar nessa eterna negação.

- Não estou em negação, sei muito bem o que está acontecendo ao meu redor.

- Então não parece – diz Alvo, completamente descrente de qualquer coisa que a mãe viesse a tentar lhe convencer do contrário. – Você não me disse por que terminaram, essa história de tempo e falta de atração foi muito mal contada, vocês se amavam, todo mundo sabia disso. As pessoas estão comentando.

Gina deu de ombros, não dava a mínima para os outros e para o que eles pensavam do relacionamento dela.

- Inclusive a família. – completou Alvo com hesitação. Sua mãe não aparecia nos almoços e jantares da família, e como todos sabem, uma família reunida é pior do que um time de futebol inteiro para falar mal de algum membro, e durante todo esse tempo, seus pais eram o assunto principal em todas as reuniões, apenas intercalando um pouco entre eles e a internação de Rose.

- Continuo não me importando – falou Gina mastigando um bombom. – Mas..., me diga, o que tanto essa gentalha fala? – perguntou Gina com curiosidade e indiferença, levando em conta a quantidade de vinho que fora tomada.

- Tia Fleur diz que você deve ter aprontado alguma com o meu pai, Jorge fala que você foi procurar novos ares, e o tio Percy diz que papai se cansou de você e da “família perfeita” – ele fez aspas no ar, aquela família não tinha nem um pingo de perfeição.

Gina bufou e se levantou do sofá abruptamente, deixando a caixa e o Ipad caírem no chão, que por sorte era coberto por um tapete felpudo. Ela rosnou alto e se dirigiu a Alvo, que conhecendo o gênio da mãe, não se surpreendeu com sua reação.

- Vou falar somente uma vez, ouviu? – ela andava de um lado para o outro - Fleuma é uma vaca, eu sei que ela é sua sogra, mas é uma vaca! Jorge não tem nada na cabeça! E Percy é um desgraçado! – disse Gina entre os dentes, se não fosse por ele nada disso estaria acontecendo; ela nunca teria entrado no carro de Draco, nunca o teria beijado, quem sabe estivesse em casa e sua filha não fosse levada por sabe lá quem, e não teria motivos para mentir para Harry. A culpa era dele! 

- Sabe que isso foi só ladainha, né? Eles são uns...eles não sabem de nada. – Alvo tentou amenizar, porém Gina o ignorou por completo.

- Ah!! Pode dizer a sua sogrinha que fui ao médico hoje e que ainda não estou na menopausa, caso ela queria espalhar algum boato que Harry me deixou por eu estar “passada”. Odeio ela, antes mesmo de decidir casar com o meu irmão e se infiltrar na minha família! E como se não pudesse piorar, ela vai ser a outra avó do meu neto...Dá para acreditar?

Gina suspirou e se jogou no sofá, estava fervendo por dentro. Olhou para o lado, para o filho, e se irritou ainda mais ao ver a forma como ele a olhava, como se ela fosse uma adolescente tento um surto.

- Não me olha assim – ela esbravejou para ele.

Alvo negou com a cabeça e deu de ombros.

Bufando, Gina se remexeu no sofá e se aproximou de Alvo, cobrindo a mão dele com a sua.

- Brigamos por causa da Lílian. – disse Gina, com um olhar vago para ele. O mesmo se virou para ela com o rosto franzido.

- Por quê?

- O seu pai descobriu algo que eu fiz no passado, que envolve o desaparecimento da Lily.

- Como assim? O que você fez? – Alvo indagou, confuso.

- Eu estava no lugar errado, na hora errada, simples assim – disse Gina.

- Simples assim? – Alvo se levanta do sofá para encarar a mãe. – Isso não é simples, Gina. – ele xingou baixinho - Se não queria me contar, por que me disse isso?

- Porque eu precisava falar com alguém, por menor que que fosse a informação. Rony e Hermione ficam sempre do lado do Harry, e eu sou sempre a errada da história, então nem me atrevi a tentar falar com um deles, e o resto da família, bom, você mesmo me disse qual é a situação.

- Fale comigo, mãe, eu também quero saber, por dois motivos, o primeiro por estar extremamente preocupado com você, e o segundo por envolver a minha irmã. – diz Alvo com a voz calma.

- Agradeço a sua preocupação, meu amor, de verdade. Só que, é complicado, seu pai se separou de mim por causa disso e o seu irmão ficou bem confuso e decepcionado, então eu acho melhor que... – Alvo ergue um dedo em um pedido silencioso para que ela se calasse.

- James sabe? – questionou.

Gina desviou o seu olhar do dele, em um ato descarado de vergonha e confissão. Maldito seja o seu cérebro por não conseguir raciocinar direito sequer uma resposta para uma pergunta clara!

Alvo ri com deboche antes de falar:

- É claro que ele sabe, como não saberia? Eu que sou sempre o último a saber de tudo, né? E ele ainda teve a coragem de dizer que tinha inveja de mim. Ridículo. Ou melhor, eu sou.

- Não fala assim, eu não te conto porque não quero que você sofra, você é tão frágil, sempre sofreu tanto com as coisas, e agora que está feliz não quero trazer os meus problemas para você. Não é justo, Al, você é o meu menininho. Quero apenas lhe proteger.

- Não sou mais uma criança, mãe, não sou há tempos, então para de querer me privar, para de me proteger. Eu sou um homem! – exclamou Alvo, que mesmo estando nervoso, mantinha seu tom passivo.

- Eu sei. – respondeu Gina, baixo.

- Então por quê? Por que é sempre ele que você procura quando está com problemas? Por que não eu? – suplicou Alvo.

- Já disse, não quero trazer problemas, você já tem tantos com a Dominique, a Rose e o bebê. – retrucou Gina.

Alvo passou às mãos agitadamente pelos cabelos negros, gesto que fez Gina lembrar-se de Harry, os dois eram tão parecidos.

- Eu superei a Rose, ela não é um problema, Dominique e o meu filho muito menos. Até com James eu tentei me acertar, disse a ele que não me importava com o relacionamento dele com a Rose, e de fato não me importo. – Gina piscou os olhos ao ter conhecimento dessa informação, ela não sabia que o filho e a sobrinha estavam oficialmente juntos. - Estou aberto, mas se você não quer se abrir comigo, tudo bem.

- Essa não é a razão, entretanto, se você quer tanto saber, tá certo, eu vou contar, mesmo sabendo que você vai me odiar assim como o seu pai.

- Não sou ele. – replicou Alvo.

- Ok.

Contar a Alvo sobre os últimos acontecimentos não era uma ideia que tinha em mente, ele não tinha conhecimento de nada que acontecera no último ano, nem antes de seu nascimento, Gina e Harry fizeram isso apenas para evitar frustração ou algo pior, todavia, ele estava certo, ele era um homem adulto e teria um filho em breve, já estava na hora dele ter conhecimento da história de sua família, do mesmo modo que o irmão, a única diferença seria que ele ouviria de sua boca.

[...]

Rose deu uma última garfada em seu prato, seus pensamentos estavam longe, mais precisamente no moreno de olhos claros que ela não conseguia tirar da cabeça. Verificou seu celular pela oitava vez naquele dia e não havia nenhuma mensagem ou ligação de James.

- Rose – saiu de seus pensamentos com a voz de Lizzie, sua colega, a chamando.

Após o resultado da última prova que fizeram, algumas colegas de Rose resolveram convidá-la para um almoço de comemoração, afinal era quase final de trimestre e todos haviam ido bem nas provas.

- O que? – questionou irritada. Ela não tinha paciência com as colegas, nem sabia o porquê de aceitar almoçar com elas. Para não ficar sozinha, talvez.

- Queremos saber se vai pedir sobremesa – Rose notou que todas meninas da mesa a encaravam, esperando uma decisão.

- Na verdade, não. Já estou de saída – disse levantando-se e pegando sua bolsa, que estava pendurada na cadeira – Ah, e se eu fosse você, não comeria doce, Riley – falou para uma das garotas, que baixou a cabeça envergonhada – Andei reparando e você está um pouco acima do peso, e homens não gostam muito disso! Vai que seu namorado resolve te deixar – disse e viu todas meninas da mesa a encararem, pasmas.

Rose sabia que a morena tinha complexos com seu corpo que era fora do padrão, e os boatos no campus de que a relação dela com o namorado ia de mal a pior, não ajudava a menina em nada.

- Ok, Rose. Você passou de todos os limites! – Lizzie esbravejou levantando-se – Nós te convidamos porque achamos que você tinha mudado, mas pelo visto continua sendo uma grosseira ridícula.

- Lave essa boca para falar de mim – Rose rangeu os dentes.

- Dê o fora daqui, Weasley! – Maureen, outra menina do grupo levantou-se – E fique bem longe de nós – falou ameaçadora.

Rose deu uma risada cínica e saiu apressada do restaurante. Quem aquela garota pensava que era para falar com ela daquela maneira? Para Rose, ela era somente uma bolsista pobre que não sabia com quem estava se metendo.

Bufou irritada, a verdade é que Rose não sabia o porquê de ter sido grossa com a menina, ela só sentiu raiva e resolveu descontar em alguém, e ela gostou daquilo. Piscou atordoada. Ela sabia que era sua bipolaridade falando mais alto, mas não conseguia evitar, às vezes nem queria.

James, ela precisava falar com James.

Olhou seu celular novamente e não havia nenhum sinal dele. Os dois não se encontravam desde o dia em que ele a deixou na faculdade. Ele estava ocupado com o trabalho e ela concentrada em passar nas provas finais, então não havia sobrado muito tempo para que os dois ficassem juntos ou se encontrassem. Eles conversavam por mensagens e ligações, mas não era a mesma coisa, e por mais que Rose odiasse admitir, tinha saudades do moreno.

Atravessou a rua e mudou seu trajeto, indo diretamente para delegacia, que não era muito longe. Adentrou o local e foi direto na recepção.

- Olá. James está? – perguntou e o inspetor a encarou sem entender– James, James Potter.

- Ah, o Potter! Ele não está. Mas você pode aguardá-lo, se quiser – avisou e Rose afastou-se, irritada.

Sentou-se e resolveu verificar suas redes sociais. Havia uma publicação de Roxanne com algumas fotos dela juntos aos primos e amigos, revirou os olhos com um sorriso sarcástico no rosto. Desde que descobriram de sua doença seus primos tentavam reaproximá-la, a convidando para sair e passar o tempo com eles, mas Rose não precisava disso, não precisava da pena de ninguém, muito menos a de seus familiares.

Voltou sua atenção para a entrada da delegacia, onde James e mais três policiais entravam. Eles pareciam cansados e todos usavam coletes à prova de balas.

- James? – levantou-se preocupada, indo até o moreno.

- Ei! – ele falou se aproximando e a beijando rapidamente – Estava em uma operação para capturar um criminoso – Rose bufou.

- Você não respondeu minhas mensagens – falou – Está tudo bem? – questionou checando toda extensão do corpo do mesmo, certificando-se que não estava machucado.

- Tudo bem – ele a tranquilizou – Deu tudo certo e a operação foi um sucesso! – ele deu um sorriso cansado – Apenas um policial saiu ferido, mas já foi atendido e mandado para casa.

- Hum – ela resmungou.

- Me espere aqui, vou trocar de roupa e entregar o relatório da operação para o Sr. Burke, e depois podemos sair daqui.

- O que?!Você tem que fazer isso? Não tem, sei lá… Um estagiário para fazer isso? – perguntou irritada.

- Eu tenho que fazer, é meu trabalho. Prometo que não demoro – deu um selinho nela e rumou o interior da delegacia.

Rose olhou em volta, ressentida. Naquele horário a delegacia não havia muitas pessoas na delegacia, apenas as que trabalhavam por lá, que andavam de um lado para o outro, atarefadas. Fitou seu relógio e bufou irritada, James estava demorando. Primeiro, ele não havia respondido suas mensagens e agora tinha a deixado ali, sozinha. Respirou fundo, controlando-se para não fazer um escândalo, tinha medo que James pensasse que ela estava tendo uma recaída, ou pior, usando alguma droga novamente.

Fitou o corredor e viu James vindo em sua direção, ele já usava suas roupas normais e checava o celular.

- Desculpe a demora, a conversa com o Sr. Burke foi mais longa do que eu esperava – falou passando a mão no cabelo.

- Vamos sair daqui – ela falou ignorando James – Para onde quer ir?

- Que tal meu apartamento? – ele questionou e Rose acenou animada. Ela não ia ao apartamento dele desde aquela semana após o casamento e estava ansiosa para voltar ao local.

Saíram da delegacia juntos e caminharam até o apartamento de James, que não era longe. Eles contavam como havia sido a semana e Rose narrava para ele, às gargalhadas, sobre a briga que teve em sua casa alguns dias antes, quando Hermione entrou no quarto de Hugo e o encontrou com uma garota.

- Eu nunca a vi tão furiosa– Rose deu uma risada, lembrando – Ela mandou a garota embora e ficou horas falando que era muito nova para ser avó.

- Não acredito – James gargalhou desacreditado – E o tio Rony?

- Acredite, o Hugo é o bebê de Hermione – ela revirou os olhos e eles entraram no prédio– Mas o meu pai só riu da cara de Hugo e fingiu que não era com ele.

- Acredite, se Hugo é o bebê de Hermione, você é a bebê de Rony – ele disse e Rose mandou o dedo do meio para ele, que riu.

Os dois pararam na frente do apartamento e James abriu a porta, dando espaço para os dois passarem. Ambos pararam de rir no momento em que depararam com um casal jogado no sofá, dando uns amassos. James coçou a garganta, envergonhado. Fitou Rose e viu que a ruiva olhava o casal e parecia estava furiosa. Pigarreou e os dois, ao verem Rose e James, separaram-se rapidamente, extremamente envergonhados.

- Acho que cheguei em má hora – James falou segurando um riso, ele estava dividido em fazer uma piada e ficar quieto, evitando mais constrangimento.

- Cale a boca, idiota – Rachel bufou, jogando uma almofada em James, que apenas desviou rindo.

Viu o olhar de Paul cair sobre Rose e se deu conta que nenhum dos dois a conhecia.

- Hum… Rose, esses são meus amigos e parceiros de trabalho, Rachel e Paul – apresentou e o casal, que mesmo envergonhado, acenou para Rose.

- Gente, essa é a Rose, minha… Ela é minha… - enrolou-se e Rose pareceu ficar ainda mais furiosa – Minha prima – suspirou apresentando-os e Rose o encarou, como se não acreditasse no que havia acabado de acontecer.

James não sabia exatamente o que ele e Rose eram, eles ficavam, transavam e gostavam da companhia um do outro, mas nunca haviam conversado sobre o que eram ou poderiam ser.

- Tanto faz – ela murmurou grossa, indo em direção a cozinha e abrindo a geladeira a procura de alguma bebida.

James encarou os passos da menina, atônito pela grosseria. Paul e Rachel se entreolharam num olhar silencioso para sair dali, o clima já não era um dos melhores.

-O que acha de dar uma volta? – Paul falou e Rachel acenou veemente.

- Vocês não precisam sair! Vou falar com Rose.

- Não se preocupe, cara – Paul disse – Nós vamos sair e mais tarde voltamos.

- Paul, esse é seu apartamento também! Você não tem que sair por causa das grosserias de Rose – disse e Paul revirou os olhos.

- Eu não estou saindo só por isso. Boa sorte aí – ele maneou a cabeça apontando para Rose.

- Paul… - tentou responder mas o amigo já havia sumido do seu campo de visão, junto com Rachel. Ele conhecia os amigos, principalmente Paul, e sabia que os dois não planejavam sair naquela noite.

Virou-se e viu Rose escorada na parede. Olhou para ela indignado, mas a mesma apenas deu de ombros, não era como se ela ligasse para os amigos de James, e na cabeça dela, eles que estavam atrapalhando. A fitou quando a ruiva sorriu e jogou-se no sofá.

- Vem! – exclamou e James bufou.

- Não, estou cansado. Vou tomar um banho.

- É sério isso?

- O que?

- Você vai mesmo ficar bravo comigo por causa dos seus amiguinhos? – falou e ele suspirou.

- Agora não, Rose. Vou tomar meu banho e depois conversamos. – falou indo em direção ao banheiro. Rose bufou, James estava conseguindo esgotar a pouca paciência que ela tinha.

Olhou a sua volta, entediada. O apartamento só não era exatamente igual da última vez por causa de uma nova poltrona, que ficava perto da televisão. Pegou o controle e procurou alguma coisa interessante na televisão, mas nada lhe agradou.

Levantou-se e resolveu bisbilhotar pelo apartamento. Passou rapidamente pelo quarto que ela deduziu ser de Paul, que estava com a porta fechada e depois pelo banheiro, aonde ouviu o barulho de água corrente. James já havia entrado no banho. Andou até o final do corredor e adentrou o quarto de James, que continuava o mesmo.

Abriu as primeiras gavetas da cômoda, mas só o que encontrou foi pertences pessoais. Desviou os olhos para a última gaveta e a abriu. Fitou o monte de papel e foi tirando um por um, lendo-os sem muita atenção, eram somente algumas contas, nada que chamasse a atenção. Continuou entretida com os papéis até ver uma pasta com o nome Mercilessly na capa. Arregalou os olhos, sabia que aquela máfia era perigosa e não fazia ideia que James estava investigando-a.

- O que você está fazendo aqui? – James questionou entrando no quarto e vendo a pasta nas mãos da ruiva.

- Você está investigando a Mercilessly? – ela questionou ignorando-o e James acenou – Eles são perigosos, James.

- Eu sei, mas esse é meu trabalho!

- Por que as investigações estão paradas? – questionou e James respirou fundo antes de responder.

- Por falta de informações– explicou. Ele não era burro, sabia que Rose podia ter informações sobre a máfia, principalmente por causa de Nicholas, que teve envolvimento direto com os mafiosos.

- O que você sabe sobre isso? – questionou sério – Digo, algo que possa me ajudar.

- Não sei muito– respondeu – Eu não era próxima dos mafiosos para ter informações importantes. Só conheço Scorpius, o filho de Draco.– disse e James sentiu sua respiração fraquejar.

- Malfoy? Draco Malfoy? – questionou para ter certeza. O ex-namorado de sua mãe, e para James, o principal suspeito do desaparecimento de Lílian.

- Sim, por quê? – falou percebendo o desconforto repentino de James.

- E de onde você conhece esse tal de Scorpius? -questionou tenso.

- Eu já o encontrei algumas vezes, três para ser mais exata – fez uma pausa – Na primeira foi em um bar no centro de Londres, nós conversamos e… - trancou a fala e James se deu conta do que viria a seguir.

- Continue! Mas pule essa parte, por favor – disse irônico.

- Na segunda vez eu o encontrei em Oxford.

“O que ele fazia em Oxford?” foi a pergunta que surgiu na cabeça de James, mas deixou Rose prosseguir

- E depois, naquele dia em que nos encontramos no hotel, eu o encontrei pela terceira vez, ele me puxou para um beco.

- Para um beco? – questionou levantando-se, preocupado – Ele…

- Não – Rose negou rapidamente – Ele só me mandou ficar longe da Lílian – falou, enfatizando o nome da ruiva com desdém.

- Lílian? – perguntou sentando-se novamente.

- Sim, Lílian. Aquela prostituta de quinta categoria! – falou enfurecida – Sinceramente, não sei o que as pessoas veem naquela garota – Rose falou, ela não gostava de Lily e não esquecera do tapa que a mesma lhe deu.

- Como assim?

- Os nossos primos adoram ela, principalmente o Alvo – ela disse pegando o celular e mostrando uma foto de Lily para James. O moreno deu suspiro, reconhecendo a ruiva pelo acontecido meses antes, mas resolveu não comentar nada com Rose. Era pessoal demais.

- Você acha que eles tem algum envolvimento?

- Lílian e Scorpius? Tenho quase certeza que sim.

- Acha que Lílian tem algum envolvimento com a máfia? – ele pergunta incomodado com a possibilidade.

- Acho que pode ter, mas por mais que eu não goste dela, não tenho certeza – respondeu e James fechou os olhos tentando organizar os pensamentos.

Qual era a chance de a menina que ele salvara ter envolvimento com o ex-namorado de sua mãe? Um mafioso..., o mesmo que ele estava investigando.

“ É muita coincidência em cima de uma só mulher” pensou para si mesmo

- Hm – Rose resmungou colocando os papéis de lado e envolvendo os braços no pescoço de James – Em vez de ficar falando daquela megera… Que tal aproveitar nosso tempo de outra maneira – falou maliciosa e James se afastou um pouco.

Era muita informação para uma noite, e informação importante.

- Acho melhor você ir – ele disse fechando os olhos e já imaginando o que viria.

- O que?! – ela gritou, separando-se dele bruscamente – Por quê?

- Daqui a pouco Rachel e Paul vão chegar, e você não pareceu querer a companhia deles.

- Eu não acredito que você vai ficar do deles, e não do meu!

- Eles são meus amigos, Rose! E Paul mora aqui também, eu não posso expulsá-lo do próprio apartamento só porque você quer – exclamou sem paciência – Escuta – ele disse tentando se aproximar dela, que deu um passo para trás, furiosa – E se nos encontrarmos amanhã?

- Inacreditável – ela disse indo até a sala e pegando suas coisas.

- Rose… - James tentou chamá-la, mas a ruiva já estava na porta.

- Já entendi, James! Você fez sua escolha– foi a única coisa que ela disse, antes de sair e bater a porta com força, fazendo James suspirar.

“Merda” pensou, as coisas estavam indo bem de mais para ser verdade.

[...]

- Noite das meninas, é claro que eu topo, vai ser incrível! – exclamou Lily com um sorriso animado nos lábios.

- Maravilha então, farei de tudo para que seja o mais divertido possível. Estava com medo que não pudesse vir, já que não vê mais os amigos. – falou sua amiga Dominique, em um tom acusatório, do outro lado da linha.

Lily riu ao imaginar a cara da amiga.

- Eu sei que ando ausente com vocês, mas é que a Narcisa está me enlouquecendo, ela quer que eu aprenda a falar francês, acredita? – Lily se abaixou para desamarrar seus tênis. Tinha acabado de chegar do programa de voluntários e ainda vestia o uniforme.

- Hahaha, acredito, pelo o que tem me falado, acredito. Essa sua sogra é uma megera. – disse Dominique, rindo.

- Não, ela é a avó dele – corrigiu Lily - o que não a deixa menos megera. – acrescentou com zombaria. – Por sorte Astoria é um amor de pessoa.

- Que bom, digo, no meio de tanta complicação.

- Pois é, está sendo difícil, mas vale a pena, Domi, eu o amo. – disse Lily com um sorriso de orelha a orelha. Há uns dois meses, tinha encontrado Dominique no shopping fazendo compras para o bebê e por um acaso Lily estava acompanhada de Scorpius, então não teve como mentir e dizer que ele não era nada seu, os dois estavam de mãos dadas como um casal. No dia seguinte, quando se encontraram na faculdade, Dominique a encurralou e Lily fora obrigada a contar a verdade. Não tudo, é óbvio, afinal como chegaria e diria a sua melhor amiga que seu namorado é um mafioso? Não seria possível uma coisa dessas, por isso, mudou essa parte e alguns detalhes sem importância.

Para seus amigos, Scorpius era um homem rico, que era seu cliente e que tinha a ajudado a sair da Prostituição, e em seguida ela se apaixonou por ele. Resultando em uma briga, pois a família dele não a aceitava.

- Estou vendo, está toda apaixonada pelo loiro gato. Juro que se eu não amasse o Alvo e estivesse grávida, iria roubar ele de você. – comentou Dominique, fazendo Lily gargalhar. - É sério, ele é lindo

Ela continua:

- Porém em uma coisa eu tenho sorte, a avó do Alvo é ótima e a minha sogra também, inclusive ela estará na nossa reunião. – contou Dominique.

- É mesmo? Então finalmente irei conhecer a tão falada Gina Potter? – sempre que podia Dominique falava sobre a sogra, assim como Alvo e os outros. Todos a ditavam como uma ótima pessoa. E Lily ficara curiosa.

- Vai sim, farei questão de apresentá-la pessoalmente. Mas... – Domi fez uma pausa antes de continuar: - ela não está passando por uma maré muito boa, ela e meu tio não estão em um momento muito bom.

- Humm, isso é ruim, imagino como ela deve estar.

- Sim, foi por isso que pedi para que o Alvo a convidasse exclusivamente, tia Gina é bem extrovertida e com uma alma novíssima em folha, minha mãe jamais aceitaria ir em uma festa como essa, apesar – ela acrescentou em um tom risonho – que não iremos fazer nada demais.

- Aliás, qual é o tema? – perguntou Lily, jogando os tênis para o lado e se deitando de costas na cama.

- Tudo, menos maternidade, já tivemos o chá de bebê para isso. Não quero perder minha feminilidade agora que vou ser mãe, sabe? Sou a favor do mais mulher e do menos mãe. Afinal tenho que ser primeiro um para depois ser o outro, certo?

- Certíssima, loira. Acho que já sei o que irei lhe dar de presente depois disso.

- Não precisa de presente, não é uma festa para isso, a intenção é nos reunirmos para nos divertir e nos ver livre dos homens.

As duas riram juntas, pois sabiam que adoravam os homens que as rodeavam.

- Levarei um presente sim, e fim de papo. – afirmou Lily, convicta.

- Tudo bem, tudo bem. – ria.

- Tenho que desligar agora, se não aquela megera virá até aqui me arrastar pelos cabelos. – pela hora, Narcisa comeria o fígado de Lily com ketchup, estava dez minutos atrasada e ainda teria de tomar banho.

- Tá bom, Ruiva. Ainda não decidi o dia que vai ser, mas quando decidir te envio uma mensagem, provavelmente será no final de semana. Beijos!

- Beijos! – e desligou.

Lily deslizou para fora da cama, pegou o seu carregador de celular dentro da mochila e colocou o aparelho para carregar. Caminhou até banheiro e deixou a porta entreaberta, o vapor do chuveiro sempre a deixava com uma sensação de sufocamento horrível. Se despiu e girou a chave para que a água atingisse suas costas em cheio. Uma das coisas que Lily mais gostava dessa sua “nova vida”, era o fato de não precisar catar os pingos do chuveiro com a cabeça. Nem se preocupar se estava usando sabonete demais, afinal teria de pagar no fim do mês o triplo do valor de uma barra. Isso entre inúmeras coisas rotineiras que para ela eram absurdas.

Ao fim do banho, se secou com uma toalha e vestiu a roupa que tinha deixado separado antes de entrar no banheiro. O conjunto de calcinha e sutiã branco era simples e confortável, o único que daria um bom caimento junto da blusa branca de linho e da calça Capri preta. Passou uma maquiagem leve, apenas com um delineado nos olhos e um gloss em tom pastel, calçou um salto meia taça também preto, e soltou seus cabelos, que caíram lisos em seus ombros.

Enquanto descia as escadas, deslizando suas mãos pelo corrimão de vidro, ela morria de medo daquelas escadas por dois motivos, os degraus eram flutuantes, então sempre que os descia tinha a sensação de que pisaria em falso e ficaria com sua perna presa entre os degraus, o outro era o fato de logo abaixo dos degraus, ter uma cascata de água corrente. Uma pergunta que Lily se fazia sempre que andava pela casa dos sogros, era o porquê de tanta água em um só lugar? Sem falar nos vidros e nas madeiras no qual a casa era formada, era uma bela junção, clássica e moderna ao mesmo tempo, mas não deixava de ser estranho.

Narcisa e Astoria a esperavam nos jardins, lhe disse o mordomo assim que ela terminou de descer as escadas.

Foi até onde elas estavam e se sentou junto delas.

- Atrasada – acusou Narcisa limpando o canto da boca com o guardanapo.

- Estava no telefone com uma amiga, e depois fui tomar banho, tive um longo dia hoje. – falou Lily servindo uma xícara de chá para si e mordendo um biscoito de canela.

- Como foi, querida? Está gostando da experiência? – perguntou Astoria com um sorriso gentil. Ela era sempre gentil.

- Muito, não que tenha muitas emoções, é claro – Lily riu - mas é bom poder ajudar às pessoas, mesmo que somente fazendo curativos. É incrível como elas se sentem gratas com um gesto tão pequeno.

- Bons gestos não são algo que fazem parte da rotina das pessoas hoje em dia, na verdade, acho que nunca fizeram, pelo menos não sem algum interesse por trás. – disse Astoria olhando para Lily, ela assenti, concordando.

- É lastimável. Porém nem tudo pode ser de graça nessa vida, tudo tem o seu preço. - diz Narcisa, bebericando seu chá.

Astoria revirou os olhos para a sogra e limpou a garganta em seguida, disfarçando uma bufada. A sogra olhou a nora pelo canto do olho, fuzilando-a.

- Lílian, como anda o seu aprendizado? Está entendendo bem o francês? – Narcisa questionou.

- O professor Jacques está fazendo um ótimo trabalho. – comentou Lily, engolindo em seco. Não tinha entendido nenhuma palavra que o homem de meio metro de altura tinha dito com um sotaque francês carregado.

- Imagino que sim, Jacques é ótimo, foi ele quem ensinou Astoria, mesmo ela tendo a cabeça meio limitada para certas culturas, ele conseguiu. Sem dúvida é um milagreiro. Fará o mesmo com você, fique tranquila que irá aprender. – os dentes de Astoria rangeram.

- Serei perseverante, Sra. Malfoy. Me sai bem no alemão, não foi? – Lily espetou um pedaço de mamão em sua salada de frutas.

- De forma surpreendente, mas ainda não está fluente, teremos que trabalhar nisso logo. E depois do francês tem o espanhol. Admito que me surpreendi com você, novamente, não é tão sem perspectivas quanto imaginei que seria. Tem uma astúcia e tanto...só tem que melhor esta postura, com os ombros curvados dessa maneira não irá à lugar nenhum.

Lily ergueu seus ombros e murmurou um pedido de desculpas. As três mulheres permaneceram em silêncio até a noite cair de vez, e serem obrigadas a se recolher. Lily foi à biblioteca fazer um trabalho da faculdade, Astoria foi para a cozinha para ver o que seria servido no jantar, e Narcisa se recolheu em seu quarto, alegando que queria ficar um pouco sozinha.

Scorpius e o pai chegaram umas duas horas depois, ambos tinham passado o dia no cartel. Scorpius perguntou por Lily e a mãe o contou de sua estada na biblioteca. Ele caminhou até lá depois de deixar suas coisas em seu quarto. Quando abriu a porta, ela estava sentada com o notebook no colo e com um caderno apoiado no braço da cadeira que estava sentada. Seus cabelos agora estavam presos em um coque bagunçado e ela usava seus óculos de leitura.

- Nerd Sexy – proferiu Scorpius ainda parado na porta. Lily ergueu a cabeça para ele, sorrindo ao vê-lo. – Ou seria Ruiva sexy? Fico em dúvida entre os dois, mas de uma coisa eu sei – ele se aproximou dela com passos lentos. Abaixou-se do lado da poltrona e sussurrou em seu ouvido - sexy estará sempre incluído. – ele lambeu a orelha dela e trilhou beijou molhados até a boca de Lily.

Ela olhou para ele com uma sobrancelha arqueada, o desafiando a fazer alguma coisa. Em resposta, Scorpius fechou o computador que estava em seu colo e o colocou sobre a mesa. Ele se levantou e puxou as mãos de Lily para que ela se levantasse junto com ele.

- O que está fazendo? – perguntou Lily quando ele inverteu as posições, se sentando em seu lugar.

- Você é muito ansiosa, Ruiva, só não mais do que eu. – Scorpius a puxou para se sentar em seu colo, juntando as pernas dela sobre as suas.

- Tá certo, eu que sou a ansiosa, né? Você mal falou comigo e já foi me atacando – replicou ela, passando seus dedos pelos cabelos loiros dele.

- Saudades, não posso? – falou ele desabotoando os botões da frente da blusa de Lily – A propósito, como você está? Minha avó pegou pesado hoje?

- Ela sempre pega pesado, mas não hoje, o que significa que ela vai compensar amanhã. Respondendo à sua pergunta, estou bem melhor agora com você aqui.

Lily se ajeitou no colo dele e levou sua mão até o rosto de Scorpius, acariciando o mesmo. Ela o olhava enquanto aproxima seus rostos, ele, extasiado com seu olhar penetrante e malicioso, passou um dos braços pela cintura dela, forçando uma aproximação maior. Os narizes se roçaram, causando uma leve cosquinha em Lily, que sorriu com o comichar. Scorpius enterrou suas mãos nos cabelos dela e a beijou, o ato se arrastou lentamente, porém com uma maestria questionável. Isso era uma das coisas que Lily mais gostava em seu relacionamento com Scorpius, os dois sabiam se entender. Mesmo que fosse apenas com o calor dos corpos. Ele queria mais, ela sabia disso, assim como sabia que aquele não era o lugar ideal, sobretudo com a porta entreaberta, correndo o risco de qualquer um entrar.

- Scorpius – ela sussurrou, tentando chamar-lhe a atenção. Ele não a ouviu, – ou pelo menos fingiu não ouvir, e continuou a beijá-la, intimando sua língua quente e macia à explorar o orifício delicioso que era a boca de Lily. – Scorpius! – chamou ela, mais alto dessa vez.

- O que é? – nada feliz ele estava por ser interrompido.

- Está quase na hora do jantar.

- E daí? – ele subiu uma das mãos pela lateral do corpo dela, apertando sua bunda com uma pegada forte. Lily tentou conter um gemido para fazê-lo parar, mas foi em vão. Scorpius sorriu, vitorioso.

- Não faz essa cara.! – Lily deu tapa na mão dele quando tentou expor um de seus seios. – Temos que ir agora. Aqui não é lugar para fazermos isso. – ralhou.

- Onde é o lugar ideal, então?

- Mais tarde, depois do jantar, no seu quarto. A biblioteca está fora de questão.

- O lugar não importava quando estávamos sozinhos. – ele teimou.

- So-zi-nhos, os seus pais e a sua avó estão nesse mesmo andar. Deixa de ser tarado. – murmurou Lily quando ele se levantou e a abraçou por trás.

- Ok, ok, parei, satisfeita? – ele colocou as mãos para cima em um sinal de rendição.

- Muito.

Lily seguiu até a porta e a abriu, estava saindo quando ouve Scorpius passar por ela e falar em um tom zombeteiro:

- Sua blusa está desabotoada. O que será que Narcisa Malfoy vai dizer sobre isso?

Lily se olhou no espelho do corredor e perante o seu estado – que era bem pior, teve que concordar com Dominique, uma noite longe dos homens faria um bem enorme a qualquer mulher. Eles eram uns cretinos irresistíveis.


Notas Finais


Nos digam o que estão achando! 💝💕💝


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