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História HiggsField - Capítulo 1


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Notas do Autor


Isso aqui é uma adaptação original de uma história que comecei a escrever em 2018. Levou um tempo mas eh isto, sci-fi queer pra galera.
e esse capítulo é só uma rápida introdução que eu escrevi meio que agorinha.

boa leituraaa

Capítulo 1 - Prólogo


[...] É de entendimento holístico que para toda nova experiência, para todo grande passo da humanidade, há riscos que precisam ser tomados. Falhas são naturais e elas nos levam aos acertos, posteriormente, ao sucesso. Mas... o que é um abismo psíquico, afinal? Veja bem, sua mente está cheia de informações, memórias que coletou durante seus anos de vida que estão armazenadas e você tem acesso à uma certa porcentagem. Um abismo psíquico consiste em uma falha no sistema conectado ao seu subconsciente, porque, nesta situação hipotética, ele não apenas cria simulações a partir dessas memórias, mas as revive intensamente. Em poucas palavras, é sobre sua... conexão emocional com algumas dessas memórias. Elas podem ser tão tragicamente intensas que arrastam você para um abismo, um abismo profundo e [não compreensível], onde muitas vezes, não tem sem saída. Você se torna parte disso, talvez para sempre.” 

— Anash?  

Aniko chamou ao desligar a tevê, se curvando dolorosamente com seus saltos de dez centímetros para pressionar o botão. Ela era alta, cabelos verdes e amarrados, um rosto fino e cansado, apesar de jovial. Segurava uma caixa de rosquinhas nas mãos, molhada pela chuva. 

— Anash?!  

Nenhuma reposta.  

O apartamento era pequeno, com quatro cômodos. Não precisou dar mais que quatro passos para saber que Anash não estava lá. Mas Anash não saia de casa, não em qualquer dia que não fosse sexta e que não fosse à tarde. O relógio marcava 8h30 da manhã.  

Largou a caixa na mesa de centro e removeu o casaco de plástico púrpuro, percebendo o vizinho desocupado a observava no prédio ao lado. Não era nenhuma novidade, ao menos dessa vez ele não tinha as mãos enfiadas nas calças.  

Ela foi até a janela e ergueu o dedo do meio, depois a fechou. Então a abriu novamente. 

— Ei, saco de bosta. Você viu o Anash? – Perguntou. 

— Ele deu uma saída. – Respondeu, dando um gole na xícara de vodka. – É bom pra ele.  

Aniko franziu o cenho e bufou, mas não disse nada. Ela ergueu o tronco, concentrada no silêncio incomum ao redor, enquanto um pressentimento ruim crescia e o ambiente se tornava tenso.  

O gato resmungou no sofá ao mesmo tempo em que o micro-ondas martelou um bip. Anash não estava em casa, mas alguém estava. Aniko prendeu a respiração por um, dois, três segundos, e se virou. Se deparou com um homem alto, não mais que ela, expressão pacifica e barba rala, não exatamente o que esperava. Estava parado, apontando uma arma a um metro de distância. 

— Vamos conversar. — Ele disse. 

Ao lado de Aniko havia uma escrivaninha cuja parte da superfície era uma tela digital. Na metade feita de madeira, havia um cinzeiro, um copo vazio e algumas ferramentas de Anash. Ela puxou um objeto de lâmina e lançou o cinzeiro na direção do sujeito, que atirou enquanto ela corria para o próximo cômodo.  

Por um momento, tudo se quietou. O intruso guardou a arma e foi até a cozinha, trotando com impaciência. Aniko se pressionava contra a mesa, apontando a lâmina para ele.  

Apesar de uma válida e útil experiência de combate corporal, que rendeu uma luta por cinco ou seis minutos envolvendo muitos móveis quebrados e a ferramenta de Anash plantada no braço do homem, Aniko teve a cabeça fincada contra a parede num momento de descuido. Ela gemeu de dor antes de tombar sobre o corpo do sujeito, mas não chegou a desmaiar.

Ele a sacudiu e puxou seu cabelo para mantê-la acordada, e ela gemeu novamente, grogue, murmurando palavras sem sentido.  

— Onde está Anash? 

— Eu não sei.  

Puxou rabo-de-cavalo com mais força. 

— Eu juro que não sei, acabei de chegar do trabalho. Estava procurando por ele. 

Outra martelada com o rosto na parede. Aniko cuspiu sangue e choramingou: 

— Eu divido um apartamento com ele. Ele não sai de casa sem que seja pra ir no mercado ou na lanchonete da esquina, e nunca durante o dia. Eu não faço a mínima ideia de onde ele esteja.  

O indivíduo puxou uma cadeira e a sentou. Foi até o micro-ondas e tirou um dos sanduíches industriais congelados de Aniko e deu uma mordida. Eles se encararam por uns dois segundos. Jun era o nome do cara, algo que Aniko não chegaria a saber.  

O sanduíche ainda estava frio e ele fez uma cara azeda, depois o largou sobre a mesa para arrancar a lâmina penetrada em seu braço. 

— Vadiazinha escrota. — Murmurou com um sotaque que ela não conhecia.  — Eu não tenho o dia todo. 

Uma foto foi jogada sobre a mesa, para Aniko, estampando um rosto andrógino, de olhos grandes e cinzentos, inexpressivos. Cabelos e sobrancelhas sem pigmento, como a pele pálida. Abaixo, fora da foto, o gerador automático do sistema pelo o qual a foto foi impressa nomeava a pessoa como “Nicki G. Williams”. Aniko piscou para longe, sabendo que aquele nome não era real. 

— Esse não é o nome dele. — Ele alertou, dando outra mordida no sanduíche requentado. A garota fitou a arma apontada para ela com a outra mão. 

— Não conheço essa pessoa.  

Jun riu, cínico.   

— Escuta, você pode não saber onde diabos Anash está, mas com certeza deve conhecer esse cara.  

— Desculpa te desapontar. — Ele destravou a arma. — Olha, eu conheci Anash há um ano na porra de um boteco meia-boca no inferno do lado oeste. Ele não tinha casa e mal conseguia lembrar o próprio nome, eu ofereci um espaço com a condição de que ele arrumasse um emprego e ele fez isso sem nem precisar sair do apartamento. Seja lá quem for essa pessoa, e o que ela tem a ver com Anash, não é da porra da minha conta. 

Jun assentiu, desviando o olhar para baixo, algo que dizia: tudo bem, você venceu. Mas nada é tão simples. O sanduíche havia acabado, e ele caminhou até ela. Aniko se encolheu na cadeira.  

— Pessoas sem passado costumam ter um bem feio. — Pôs a mão no seu ombro antes caminhar até a porta, e a mulher o seguiu com o olhar trêmulo. 

— Só... — Jun disse, sacando a arma mais uma vez e a acertando com um tiro na garganta. — dá esse recardo pra ele por mim. 

 



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