1. Spirit Fanfics >
  2. High - Embriaguez Inerente. >
  3. Capítulo X - Às vezes, o que começa mal...

História High - Embriaguez Inerente. - Capítulo 11


Escrita por: FoxyP

Notas do Autor


Oiii! Demorei? Demorei. Mas o capítulo ficou grandão. Nesse capítulo, na verdade, eram para acontecer mais coisas. Porém, como já estava muito longo, resolvi quebrá-lo em dois. Enfim, não é um dos meus melhores, e pretendo reescreve-lo, mas prometi postar algo nesse fim de semana, e aqui está! Muito obrigada pelos votos e comentários, isso me incentiva muito! Espero que gostem, boa leitura!

Capítulo 11 - Capítulo X - Às vezes, o que começa mal...


Fanfic / Fanfiction High - Embriaguez Inerente. - Capítulo 11 - Capítulo X - Às vezes, o que começa mal...

CAPÍTULO X — Às vezes, o que começa mal...

 

Condado de Oxford, Inglaterra.

Município de Pinewood*.

04/06 - Quinta-feira.

23:45 P.M.*

 

Alevi White era contra rivalidades, de qualquer natureza. Ingenuamente, torcia para que os Jogos funcionassem como porta de entrada para uma possível reconciliação entre o Instituto Ólympus e Pinewood High School. Afinal, sequer conhecia o motivo dos colégios se odiarem tanto, o que fazia todas aquelas farpas trocadas soarem mais desnecessárias ainda. Sabia que os alunos de ambas as escolas apareceriam na festa, para a qual tinha sido, pela primeira vez, convidado. Nesse contexto, desejava, apenas, que nenhuma confusão ou briga rolasse durante o evento.

Era tarde da noite, e seu colega de quarto, Stuart, já dormia. Portanto, as luzes do cômodo tinham de ficar apagadas. No escuro, e evitando fazer barulho, White escolheu um modelito simples para vestir (tênis, jeans claros e camiseta amarela). A cada segundo, o calor juvenil da sensação de que estava prestes a quebrar uma série de regras do internato, para se divertir com seus amigos, aumentava. Acima de tudo, finalmente, teria a chance de explorar a floresta, a qual admirava por tantos anos. Ansioso, foi até a sacada do dormitório, sentindo a brisa de verão noturna soprar-lhe o rosto.

O combinado, era de que se encontraria com Thomas no jardim, dali alguns minutos, para que, então, seguissem até o lago. Antes disso, primeiro, tinha de encontrar uma forma de deixar seu quarto, sem usar a porta de entrada. O cômodo ficava no segundo andar do Instituto e, portanto, saltar pela janela não era uma opção. Olhou em volta, com dificuldade em imaginar maneiras de chegar até o solo, suspirando. Sem querer, distraiu-se com a lua cheia, muito bonita, pairando no céu limpo. Primeiro, fez uma nota mental de que, um dia desses, precisava fazer uma pintura dela. Depois disso, Green protagonizou seus devaneios.

"Poucas coisas são tão bonitas assim, que me fazem lembrar de você." — Recordou dele dizendo, no topo do carvalho. Agora, observando o luar, entendeu o que significava. Diante da visão, tão bela, também pensou no cacheado. Caiu em si, como poucas vezes fazia, para o quanto gostava dos carinhos que trocavam. Aconteciam sempre nos melhores momentos, inocentes, sem nenhum pingo de malícia. Não sabia como definir seu relacionamento com o melhor amigo, só sentia que, de alguma forma, a relação fazia sentido. Que estar com ele, era certo.

Sua distração foi interrompida quando, como se seus pensamentos se materializassem, ouviu uma voz familiar:
 

—Ei, Levi! — Thomas apareceu, logo abaixo da sacada. Não falava alto, usando um tom que podia ser escutado por White, mas que não chamava atenção dos seguranças que possivelmente estivessem nos arredores.
 

Alevi apoiou-se no parapeito, inclinando o corpo para frente. Ao deparar-se com o melhor amigo, abriu um sorriso de orelha à orelha, extasiado.
 

—Oi, Tommy! — Falou, feliz por vê-lo. —O que está fazendo aqui? Pensei que fosse te encontrar no jardim!

—Enquanto me arrumava, me dei conta de que você nunca tinha saído do seu quarto a noite antes, então, imaginei que talvez pudesse ter alguma dificuldade com isso. — Contou, também sorrindo. —Vim te ajudar!
 

Muito atraente, os cachos do rapaz haviam sido domados por um creme masculino, fazendo-o parecer mais maduro. Vestia-se despojadamente, com jeans escuros, camiseta branca, e uma camisa xadrez vermelha, com as mangas dobradas até a altura dos cotovelos. Calçava All Stars pretos, e tinha um cordão, com pingente em forma de triângulo, atado ao pescoço.

Alevi ficou imensamente grato pela presença do amigo. Sem ele, provavelmente, acabaria não conseguindo sair.

Green, então, instruiu que o mais novo usasse a escada de incêndio, posicionada ao lado da sacada, para descer. Sendo feita para uso apenas em situações de risco, esta ficava compacta, atada à parede. Porém, Thomas explicou que bastava acionar uma pequena alavanca, e ela se desenrolava, mecanicamente, até o chão. White se lembrou de ter ouvido sobre a mesma nos treinamentos de emergência. Usando-a, com a supervisão do rapaz, chegou até o solo.

Alevi foi de encontro ao seu melhor amigo, que segurou-o firmemente pela cintura, e o cumprimentou com um beijo na bochecha. O mais velho tirou um momento para apreciar o outro, notando seus cabelos castanhos penteados, mas bagunçadinhos, de forma fofa. Sorriu, agraciado com o que via, e disse:
 

—Você está lindo... — Ao vê-lo corar com o elogio, sentiu-se ainda mais encantado. —Vamos?
 

White assentiu, devolvendo o sorriso, animado. Então, os dois correram, juntos, atravessando o campus. No caminho, mantiveram-se atentos para a presença de seguranças, mesmo que Mackenzie houvesse assegurado que alguns deles tinham sido subornados para fazer vista grossa perante a presença de alunos fujões.

Não podiam deixar de soltar algumas risadas de vez em quando, completamente preenchidos por aquele calor juvenil do momento. Logo, chegaram até o jardim.

O lugar se tratava de um amontoado de arbustos, com flores das mais diversas, e uma fonte no centro. Alevi o adorava, e gostou de ver como as cores das diferentes pétalas se comportavam à luz noturna. O buraco na parede, o qual deveriam atravessar, ficava escondido atrás de algumas roseiras, e já existia fazia algum tempo, sem ser notado, ou sendo ignorado, pela administração do colégio. Ao terem encontrado-o, a dupla parou, lado a lado.
 

—Ainda dá tempo de voltar, viu? — Começou Thomas. —Se não estiver confortável em fazer isso, a gente volta.

—Eu quero ir. — Assegurou Alevi, e sorriu, ansioso pela sua "aventura".
 

Green sorriu de volta, extasiado por tê-lo consigo. Já havia participado de algumas festas antes, mas nunca na companhia do mais novo. Mal podia esperar para passar aquele tempo com ele.

O cacheado estendeu a mão para o melhor amigo. White a segurou, sentindo-se mais confiante com o toque. E então, atravessaram a passagem, indo direto para o meio da floresta.
 

[...]

 

Mackenzie White estava exuberantemente linda, como sempre. Usava um vestido rosa salmão curto, justo, de textura aveludada, e um tênis marrom (sim, teve de abrir mão dos saltos, pois o solo da floresta já havia estragado mais de um par deles no passado). Tinha consigo seus acessórios habituais, brincos e colares cintilantes, e deixou soltas as madeixas loiras, que desciam, em ondas, até suas escápulas. Mesmo sabendo que esta não duraria muito, não deixou de também aplicar uma maquiagem, muito sutil, nas pálpebras e lábios.

A melhor amiga, Vanessa Flores, lhe fazia companhia. Vanessa, uma latina muito bonita, também era intercambista (Mexicana). Sendo uma garota gorda, seu corpo exibia curvas acentuadas, seios fartos, e braços grossos. Os cabelos cor de chocolate, alisados, batiam na altura das clavículas. A pele, em um tom de marrom claro, remetia à sua descendência indígena, assim como as suas principais características faciais: olhos escuros ligeiramente puxados, o rosto redondo, e o nariz achatado. Usava um cropped de gola alta preto, brincos de argola, e um shorts jeans curto.

As duas, no momento, comentavam sobre como sempre inventavam de se vestir com roupas curtas para aquelas festas, mesmo que, toda vez, se arrependessem disso, devido às inevitáveis picadas de pernilongos e outros machucados causados pela floresta. E então riam, sabendo que, de qualquer forma, fariam a mesma coisa de novo no evento seguinte.

Às margens do lago, a festa começava a se agitar. O lugar tinha um ar misterioso, e empolgante ao mesmo tempo. Ficava a cerca de 400 metros do Instituto, com mata, em sua grande maioria fechada (com exceção de algumas trilhas, como a que tinha os levado até ali), cercando-o de todos os lados. Com a água pacífica, vários adolescentes, bebendo e conversando, começavam a se juntar no entorno dela. A lua cheia trazia uma luz confortável ao local, deixando-o menos sombrio. Além disso, existiam algumas lanternas, posicionadas aqui e ali, mas poucas, já que não podiam chamar atenção. Toda cautela era necessária pois, mesmo tendo subornado alguns seguranças para tornar o evento viável, ainda existiam outros deles, que poderiam pegá-los. Por esse mesmo motivo, a música no ambiente existia, porém baixa.

Mackenzie prestou atenção em volta, percebendo muitos rostos desconhecidos. Provavelmente, alunos do Pinewood High School. Ela não tinha uma opinião formada sobre eles, mas não gostava da ideia de ter de passar todo o verão na companhia de pessoas que fossem desagradáveis consigo. Por isso, se esforçaria muito para ser amigável, com o intuito de diminuir aquele atrito. Assim, teria uma chance de, pelo menos, conseguir não desenvolver nenhuma inimizade pessoal durante os três meses de convivência que se seguiriam. Ademais, compreendia a discrepância de classes sociais entre os Olimpianos e seus convidados, imaginando que tal fator poderia ser o motivo de os estudantes do PHS julgarem-os, logo de cara, como "riquinhos metidos à besta". A loira não podia negar que existiam muitos daquele tipo no internato, gente esnobe e sem noção, mas não eram a maioria.
 

—Eu não me lembro de ter convidado tanta gente do PHS... —Comentou com uma risadinha, se abaixando, e tirando uma cerveja de um cooler próximo a si. Não era sua bebida preferida, mas serviria por hora.

—Pega uma pra mim também? — Pediu Vanessa, antes de responder. A amiga lhe entregou a garrafa de vidro. —Obrigada. Então, né... —Continuou ela, também notando muitas pessoas que nunca havia visto. —...Acho que a notícia acabou se espalhando. — Deu de ombros. —Normalmente, eu diria "quando mais gente, melhor", mas, pra ser sincera, não tenho muita certeza de que podemos confiar nesse pessoal...
 

A latina namorava um garoto chamado John, que costumava ser um pouco esquentadinho. Ele já havia se metido em um milhão de discussões na internet contra os alunos do Pinewood High School, e, por consequência, ela também comprou a briga. Não gostava da presença dos estranhos ali, e não fazia questão de esconder. O casal tentou de tudo para não ter que convidá-los, mas o restante do pessoal que organizou a festa achou que isso seria, no mínimo, "interessante". Então, acabaram tendo de ceder'às vontades da maioria.

White visualizou, a alguns metros, o único grupo que tinha de fato convidado para a festa. Todos usavam as mesmas roupas de antes, mantendo os uniformes, quase como se quisessem gritar "olha só, somos do seu colégio inimigo, e estamos aqui". Eles mantinham-se em pé, com algumas bebidas em mãos (que, por sinal, não eram de nenhuma das marcas disponíveis nos coolers), e lançavam olhares venenosos à sua volta.
 

—Aqueles ali eu convidei. — A loira indicou o grupo com a cabeça, dando um gole na cerveja. —Não acredito que realmente vieram.

—Lógico que viriam... — Vanessa resmungou. —E estão cheirando a problema. Acho que devíamos ir lá, dar as "boas-vindas"... — Falou, com um pouco de sarcasmo. —...Só pra garantir que não resolvam causar nenhuma confusão.
 

Mackenzie assentiu, meio incerta, mas achando que talvez fosse uma boa ideia. Elas se aproximaram, sendo notadas de imediato, e recepcionadas com expressões de desprezo.
 

—Vocês vieram! — Mackenzie constatou, simpática.

—É o que parece... — Adele Jones se pôs a frente, revirando os olhos.

—Espero que gostem do lugar. — A loira sorriu, ignorando sua atitude. —Deixamos alguns coolers com bebida espalhados por aí, fiquem à vontade pra se servirem.

—Trouxemos nossas próprias coisas, Barbie. — Jones continuava com a sua atitude de afronta.
 

Vanessa, que até então, calada, só escutava a tudo, odiou aquele diálogo. Como se não bastasse serem escrotos online com seu namorado, agora, estavam destratando sua melhor amiga. E pior, fazendo isso numa festa em a qual ela fez a gentileza de convidá-los.
 

—Olha, na real mesmo, só queremos pedir pra vocês não inventarem de fazer nada estúpido. Vão acabar se ferrando, e ferrando a gente também. — Flores disse, indo direto ao ponto.

—Pode deixar. — Adele abriu um sorrisinho debochado.
 

Vanessa não queria mais, e não via motivos para, ficar ali. Seu recado estava dado, então apenas lançou a todos um olhar de ódio, e deu as costas para o grupo.

Mackenzie, por outro lado, permaneceu no mesmo lugar. Não gostava de como as coisas estavam indo, e não se sentia confortável em deixar de tentar fazer algo a respeito.
 

—Olha, eu entendo que vocês talvez não quisessem ter que vir aqui pro Instituto... — Começou ela. —...E eu sei que existe essa rivalidade entre os nossos colégios, mas, sinceramente, não entendo qual é a briga que vocês estão tentando comprar. Muitos de nós não conhecemos nenhum de vocês, e vocês não conhecem a gente. Tem pessoas aqui, como eu, por exemplo, que nunca fizeram nada contra a sua escola.

—Você só pode estar brincando, né? — Uma garota cuspiu, antes de rir com desdém. Os outros também começaram dar risada.

—O que você sugere, Barbie?! Que mesmo com essa merda toda, todo mundo dê as mãos, e passe três meses brincando de ser rico com vocês?! — Outro cara jogou no ar, arrancando mais gargalhadas.
 

"Essa merda toda"? O que aquilo queria dizer? Estavam falando dos Jogos?
 

—Tu tem alguma coisa nessa cabeça, além de um milhão de clareadores pra cabelo loiro? — Esse último comentário fez o nível do riso se elevar muito, e, pouco a pouco, uma porção de ofensas começou a ser atirada sobre a adolescente, que já não conseguia mais entender nada, devido ao volume do falatório.
 

White franziu o cenho, confusa. De onde estaria vindo aquele ódio todo?

A garota, estática, tentava compreender a situação. Um ataque daqueles, do nada, simplesmente não fazia sentido. Sua única defesa foi, portanto, não demonstrar reação alguma perante à agressão. Curvou os lábios em um sorriso, sem mostrar os dentes, e sustentou a postura "simpática".

Repentinamente, um garoto veio em sua direção. Os demais caram-se, observando-o com espectativa.

Mackenzie o reconheceu. Era o rapaz negro que, mais cedo, no campus, havia lhe jogado um comentário desagradável. O cara ainda usava a mesma bermuda, calça justa esportiva, e a camiseta do uniforme, como anteriormente. Ali, a loira pôde reparar na forma atlética do seu físico. Provavelmente, tratava-se de um dos esportistas titulares. Fumando, ele tragou, pausadamente, antes de começar a falar:
 

—Olha, garota, você não está vendo a gente ir até vocês encher o saco, está? — Seu semblante demonstrava um extremo desinteresse, como se a presença da Olimpiana lhe fosse entediante. —Quer que eles parem de te insultar? — Indicou os próprios amigos, usando a mão que segurava o cigarro. —É só parar de vir aqui falar merda. Simples.

—Boa, Blake. — Alguém o incentivou, sendo seguido por um murmúrio de concordância geral.
 

Mackenzie encarou-o firme, direto nos olhos, com a confiança inabalável de sempre. Blake, que não esperava por essa reação, arqueou uma sobrancelha.
 

—Quer saber, tudo bem. — Ela deu de ombros, sem quebrar o contato visual. —Se não mudarem de ideia, boa sorte tentando se divertir pelos próximos três meses. — Apenas para provocá-lo, antes de ir embora, deu um passo à frente e, estando bem próxima ao seu rosto, beijou a própria mão, soprando o beijo na direção do rapaz.
 

[...]

 

Jacob White havia chegado ao lago já faziam alguns minutos. Assim como os demais, não teve dificuldade para encontrar o caminho. Usava seu típico visual mauricinho: bermuda bege, camisa azul escuro, tênis brancos (agora não mais tão brancos, devido ao percurso até ali), e suas inseparáveis pulseiras de couro sintético.

Parado, com uma mão no bolso e a outra segurando um copo de vodka e refrigerante, White chamava muita atenção. Primeiramente, pois todos o tinham visto discursar, naquele mesmo dia, sobre "não sair da linha", entre outras baboseiras do tipo, e agora estava lá, no meio do mato, quebrando regras. Segundo, porque não dava para negar o quanto o castanho era gostoso. Sua aparência, misturada ao fato de que se tratava de um presidente do Grêmio certinho bebendo em um evento clandestino, formavam um contraste, no mínimo, sexy.

O rapaz procurava Mackenzie pelos arredores, ansioso para ter sua presença notada por ela. Após a cerimônia de abertura oficial dos Jogos, tomado pela ansiedade ao antecipar os estresses pelos quais passaria nos meses seguintes, se convenceu de que já estava tão ferrado, que fugir no meio da noite para esfriar a cabeça em uma festa não teria como piorar sua situação.

Quase instintivamente, assim como fez no gramado do internato, o castanho procurou Bullet pelos arredores. Não o encontrou e, satisfeito, deu um gole em sua bebida.

Finalmente, localizou a irmã, ao longe. Acompanha por sua melhor amiga, Vanessa, a loira interagia com um grupo, aparentemente não muito simpático, de estudantes  uniformizados do Pinewood High School. De alguma maneira, sabia que eles causariam problemas. Mesmo assim, ainda não sentia-se tentado a ir embora, torcendo para não se arrepender dessa decisão no futuro.

Enquanto observava-os, decidindo se devia ou não se aproximar, uma voz preencheu seus ouvidos, assustando-o:
 

—Quer um autógrafo deles?
 

O castanho se virou, deparando-se com um garoto, desconhecido, que o encarava, apoiado de lado em uma árvore, com um energético em mãos. O estranho sustentava uma expressão mal intencionada e, em meio à sombra escura dos galhos acima da própria cabeça, apenas seus acusadores olhos azuis se destacavam, brilhando.
 

—Caramba, você me assustou. — Jacob confessou, rindo de leve, tentando ser amigável. Tentava continuar vigiando a irmã, certificando-se de que ela estava bem.
 

O dono do olhar azulado, era Jesse Evans. Um adolescente pálido, mais baixo do que White, e menos musculoso. Seu cabelo castanho descia liso até as pontas, na nuca, onde se curvava. Tinha um rosto pálido, curiosamente bonito, com lábios pequenos e nariz empinado. Vestia uma bermuda preta, o uniforme do PHS, e tênis esportivos.

O semblante travesso, estampado na cara de Evans, denunciou-o de imediato. Jacob, logo pressentiu que o desconhecido poderia aprontar algo, também notando que, antes de voltar a falar, o mesmo parecia fazer uma série de cálculos e análises evasivas sobre si.
 

—O que você tanto olha? — Jesse começou. —Parece bem interessado nos meus amigos... — Acusou, referindo-se ao grupo com o qual Mackenzie dialogava.

—Sinceramente, nada. — Respondeu Jacob, dando de ombros. —Mas você, pelo jeito, parece bem interessado em mim. — Arqueou uma sobrancelha. —O que você tanto olha?

—Touché. — Sorriu maliciosamente. —Pra falar a verdade, confesso que estou, no mínimo, intrigado, por ver o presidentezinho do Grêmio em um lugar como esse...
 

White, que já desconfiava do garoto, não gostou do tom de desdém usado por ele. Então, limitou-se a não responder nada, e apenas tomar um último gole da própria bebida, esvaziando o copo de papel. Evans fez o mesmo, sentindo o energético aguçar seus sentidos, e notou que o outro estava de olho em uma patricinha. Logo, reconheceu-a: foi ela quem havia convidado ele e seus amigos para a festa.
 

—A Barbie é sua namorada? — Continuava encarando-o com afinco.

—Barbie? — Franziu o cenho, confuso, alternando olhar entre ele e Mackenzie. —Você está falando da minha irmã?

—Se for a loira metida a besta, sim. — Deu uma risadinha.
 

Jacob sentiu uma pontada de raiva. Odiava que falassem dos seus irmãos, e nunca estava disposto a deixar isso passar batido.
 

—Vem cá, qual é a sua?! — Se aproximou do desconhecido, confrontando-o.

—Já falei... — Sacudiu os ombros. —Só estou curioso por te ver numa festa como essa, depois de todo aquele discurso de "ninguém pode fazer merda enquanto estiver aqui, pros professores não encherem o meu saco depois". Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço, é? Justo... — Bebeu mais, provocando-o.

—Eu não disse isso. — Fechou uma carranca. Obviamente, odiava que distorcessem suas falas.

—E precisou? — Riu de novo. —Todo mundo sabe que é o que você quis dizer. Depois, ainda veio com aquela conversa de "vamos deixar as diferenças de lado, e só fingir demência sobre a desgraça que vocês vão viver"...

—Do que é que você está falando?! — Chegou mais perto, irritado. —Quer parar de colocar palavras na minha boca?!

—Eu não estou colocando nada na sua boca... — Arqueou uma sobrancelha, sorrindo maliciosamente.
 

Os lábios de White, inconscientemente, se separarem, em um momento de perplexidade. Aquele cara, definitivamente, estava tentando testá-lo. Talvez fosse algum tipo de aposta, "com certeza consigo tirar o presidente do Grêmio deles do sério", ou algo estúpido do gênero. De qualquer maneira, não ia se deixar explodir por pouco. Arrumou a postura, e deu um passo para trás, se afastando, enquanto dizia:
 

—Escuta, eu não sei o que você, ou o resto dos seus amigos, estão querendo, mas...

—Não sabe? — Jesse desencostou da árvore, com um tom de voz cínico, e bem mais acusador do que antes. —Não sabe, é?!

—Não. — Continuou, firme. —Mas nem eu, nem ninguém aqui, viemos pra cá pra ficar entrando em brigas idiotas. Então, para de...

—É claro que não vieram... — Interrompeu-o, mais uma vez. —Vieram pra beber, fumar... Se drogar... O que vocês, riquinhos, usam? Pó?

—Quer parar de me interromper?!

—Heroína?

—O que?! Não!

—Caramba, vocês pegam pesado mesmo! O que é, então? Pedra? LSD? Ecstasy? — Falava muito rápido, quase sem dar chance de Jacob responder, testando sua paciência cada vez mais.

—Qual é o seu problema?!

—Quetamina? Calma, vamos por eliminação: vocês preferem injetar ou inalar? Sua irmã também usa essas coisas?

—CHEGA! — Esbravejou, esmagando o copo de papel, que usou para beber anteriormente. Mais uma vez, mencionar Mackenzie (ou Alevi) sempre acabava sendo a gota d'água.
 

Seu coração estava acelerado, e soltava o ar com força, bufando. O cenho franzido, o maxilar trincado, e a postura tensa, denunciavam que chegou ao seu limite. Com o copo esmagado em uma das mãos, os punhos fortemente cerrados faziam veias grossas saltarem do seu antebraço. Jesse, por sua vez, permanecia com um sorrisinho travesso, parecendo saborear a visão à sua frente. Jacob, então, notando o energético degustado pelo estranho, reclamou:
 

—Cacete, você não para de falar! — Passou a mão livre pelos cabelos, frustrado. —Quantos dessa merda você tomou?!

—Sei lá. — Deu de ombros. —E a sua camarada, a diretora dessa espelunca, ela sabe que você está aqui? — Desviou totalmente o assunto, tentando continuar a atentá-lo.
 

White, genuinamente, nunca tinha sido tirado do sério com tamanha velocidade. Aquele imbecil, era uma espécie de talento nato em ser irritante. 
 

—Quem você pensa que é?! — Jogou seu copo no chão, bruscamente, e se aproximou de súbito do desconhecido, tentando intimidá-lo.

—Jesse Evans. — Estendeu a mão, dando um sorriso largo, sem mostrar um pingo de medo. —Mas pode me chamar de Herói.
 

Herói? Que tipo de apelido era aquele?!

Antes que Jacob pudesse fazer qualquer coisa, ainda com o sangue fervendo nas veias, algumas vozes masculinas, regadas à gargalhadas, começaram a chamar:
 

—Ei Herói, vem aqui!

—Precisamos de você, cara!
 

Imediatamente, Jesse recolheu sua mão, antes que White tivesse tempo de apertá-la (o que este não iria fazer, de qualquer forma). Em seguida, apontou com o polegar na direção do som, dizendo:
 

—Opa, o dever me chama! — Continuava sorrindo, inabalável. —Te vejo por aí, estressadinho. E pode ficar tranquilo, da próxima vez, vou ser mais criativo do que só ficar "colocando coisas na sua boca"... — Deu uma piscadinha mal intencionada, girou nos calcanhares, e se afastou.


Notas Finais


*P.M. = Depois do meio-dia. Exemplo:

07:00 A.M. = Sete horas antes do meio dia, ou seja, sete horas da manhã.

07:00 P.M. = Sete horas depois do meio dia, ou seja, sete horas da noite.

*Pinewood = Cidade fictícia inventada por mim.

*PHS = Pinewood High School.


Desculpem por qualquer erro de ortografia, repetição, ou mal entendimento! Como disse, pretendo reescrever o capítulo, mas espero que tenham gostado! Beijos!


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...