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História High School Sucks - Capítulo 13


Escrita por: e GbMr


Capítulo 13 - Os Segredos das Nebulosas


Fanfic / Fanfiction High School Sucks - Capítulo 13 - Os Segredos das Nebulosas

Diaspro observava atentamente o pequeno caderno de capa de couro que tinha em mãos. Ela sabia que alguém havia pego, e tinha suas suspeitas.

Tinha consciência da proximidade de Bloom com seu ficante, e tinha muito ciúme por isso mas… será que ela seria capaz? Aquela menina americana não parecia à altura de pensar em entrar em seu quarto sem ela perceber, a não ser que…

— Chimera. — Diaspro chamou, observando o chão.

— Que foi loira? — Ela respondeu, focada em seu jogo no Switch.

— Me ajude a encontrar um fio de cabelo.

Chimera pausou o jogo e olhou para a companheira de quarto, tentando encontrar o sarcasmo. Mas a expressão de Diaspro permaneceu séria e determinada. — Di… Você comeu algo estragado?

— Me ajuda logo, Chimera! — Ela implorou. — Alguém pegou meu diário e não sei quem foi! Se você que é minha melhor amiga e companheira de quarto nem sequer mexe nas minhas coisas sem me pedir, quem teria a capacidade de fazer algo assim?!

— Talvez o grupinho das fadas sensatas? — Ela arqueou a sobrancelha.

— Se for, eu quero saber! — Ela se pôs de pé.

Chimera fechou os olhos e pôs a cabeça entre as mãos. O sol adentrava pelas janelas do quarto 120, o último do corredor, colorindo os cabelos intensamente escuros de Chimera, os fazendo parecer a Zona Hadal¹ de um oceano de tão azuis. Ela respirou fundo e voltou a encarar a loira na cama do outro lado do quarto.

— Diaspro, você tem noção da possibilidade de acharmos um fio de cabelo nesse chão de madeira escura? — Ela arqueou a sobrancelha.

— Por favor! Pode ser que nosso grupo das Nebulosas esteja em risco! A minha reputação! Ou… ou a de Sky…

Chimera piscou. — Espera, você anota coisas sobre o Sky no seu diário?

Ela assentiu com a cabeça.

— Coisas comprometedoras?

Diaspro concordou com um choro. — Os pais dele o matariam se chegasse neles!

Chimera suspirou. Sendo ou não uma loucura completamente absurda tentar encontrar um fio de cabelo no chão, faria isso pelo cara que Diaspro tanto amava e por sua amiga, claro. Ela finalizou o console e se pôs de pé em suas roupas góticas folgadas: camisão quase preto até os joelhos, meias pretas e cinzas, Vans preto nos pés e uma porção pulseiras, gargantilhas e colares.

— Onde procurar?

Diaspro e Chimera se abaixaram, usando a lanterna do celular para iluminar horizontalmente o chão, em busca de algo perdido.

— E se a equipe de Knut varreu nosso quarto?

— Não. Ele só varre a cada um mês.

Ela piscou. — Como você sabe?

— Sei das coisas nessa escola. — Ela continuou procurando. — Onde está?!

— Espera, você sabe disso desde quando?

— Desde o sétimo ano, claro, Chimera. Você acha que estou aqui nesse tempo todo à toa?

— Espera, você estava aqui quando ainda existia Ensino Fundamental?

Diaspro bufou. — Podemos focar no que realmente importa?

As duas voltaram a prestar atenção no orvalho que compunha o chão. Diaspro franziu a testa ao ver, ao lado do pé de sua cama, um brinco em forma de fogueira.

— Isso não é meu… — Ela analisou o objeto com a lanterna do iPhone. — E você não tem cara de quem usa isso.

Chimera levantou o olhar e observou o acessório na mão de Diaspro. — É fofo, e eu odeio coisas fofas.

— Esqueça o fio de cabelo. — Diaspro levantou do chão, ainda observando os detalhes do pequeno brinco em suas mãos. Parecia ter cerca de cinco milímetros, composta por uma camada tricolor de cores: amarela no centro, laranja no entorno e vermelha no exterior. — Acho que já temos o que precisamos.

. . . 

— Hm… é muito difícil dizer de quem é. — Mitzi analisou o objeto no microscópio. Diaspro havia convocado as Nebulosas no laboratório de citologia, onde possuía microscópios bons o suficiente para aumentar substancialmente pequenas coisas como aquela.

— Olha, é mesmo necessário procurar a dona desse treco pela escola toda? — Krystal reclamou, observando seus pés com um exemplar exclusivo de um scarpin da Louboutin.

— Se você não quiser que saibam que você pagou um boquete pro antigo professor de latim pra poder passar na matéria dele… — Diaspro desdenhou.

— Espera, você escreveu sobre isso?! — Krystal arregalou os olhos.

— Eu escrevo sobre coisas relevantes na minha vida! — Ela protestou. — E isso de fato foi relevante!

— Como que eu chupar o pau de um professor é relevante pra você?! — Krystal rangeu os dentes.

— Olha só, acho melhor vocês pararem com essa palhaçada, porque isso não vai ajudar em nada. — Mitzi de afastou do microscópio. — Diaspro está certa, florzinha. — Ela olhou para Krystal. — Mesmo que você tivesse feito um boquete numa banana, ainda assim teríamos que nos preocupar.

— Por que, exatamente?

— Porque lá tem, inclusive, o motivo de estarmos nos mesmos quartos uma perto da outra durante todo esse tempo. — Chimera levantou o olhar. — Não sei se você se esqueceu…

Mas Krystal não poderia esquecer. Os responsáveis de cada uma delas pagou uma quantia bem alta para manter o luxo das filhas de se manterem juntas, no mesmo dormitório uma da outra, e próximos também. Por isso Diaspro e Chimera ficavam no mesmo quarto, assim como Mitzi e Krystal. Não era por acaso.

— Ferraria a reputação dos nossos pais. — Krystal murmurou.

— Minha mãe provavelmente seria deserdada de seu cargo de condessa! — Chimera rosnou. — Vocês acham que aqueles caipiras de Yorkshire são tão burros quanto parecem?! Eles com certeza a acusariam, e com razão, de corrupção!

— E o motivo de Icy, Darcy e Stormy terem se retirado do nosso grupo… de terem se mantido em silêncio… — Mitzi murmurou. — Todos os podres viriam à tona.

— A não ser que divulgássemos o podre da dona do brinco primeiro. — Diaspro disse com um ar faminto, como se se alimentasse do sofrimento psicológico que causava em suas vítimas. — Vamos começar a observar as meninas que usam brincos desse tamanho.

— Acho que sei por quem podemos começar. — Krystal posicionou os pés no chão com delicadeza. — Flora Fernández.

— Eu concordo. Ela e suas novas amiguinhas ridículas. — Chimera rangeu os dentes.

— Tá, vamos fazer isso. Mas antes… — Diaspro conferiu as horas no celular. — Tá na hora do treino dos meninos.

. . .

Dois times de meninos suados e com a maioria sem camisa corriam pela quadra gramada. O treinador, Codatorta, gritava com sua voz robusta com os atletas.

— Vocês querem entrar na final assim?! Parecem um bando de maricas! — Berrava ele. — Vamos, Williams, mostre a sua força interior seu verme!

— Codatorta pode falar assim com os alunos? — Krystal murmurou para Diaspro, ao seu lado.

— Ele sempre falou assim. Dizem que atiça o "espírito masculino de competição". — Chimera fez aspas com os dedos.

— Se Maville falasse assim com a gente, eu ia mandar ela tomar no cu. — Mitzi murmurou.

As quatro sentaram nas arquibancadas. Diaspro prestou atenção no menino loiro deitado na grama úmida de sereno. Sky estava sem camisa, o corpo suado. O peito subia e descia, seu corpo musculoso brilhando nas luzes do fim da tarde.

— Céus… olha só o Brandon… — Disse Mitzi, em ar sonhador. O moreno corria, o torso à mostra. Possuía mais músculos que seu amigo loiro, e um charme nos olhos chocolate que a tiravam o fôlego.

— Ele tá namorando agora. Não sei se a mina dele ia gostar disso. — Chimera provocou.

— Ah cala a boca. — Mitzi revirou os olhos. — Acha que eu me importo com aquela loira oxigenada ridícula?

Krystal encarava Helia, os olhos cheios de raiva. — Você não é a única que está com um obstáculo no caminho.

— Assim que descobrirmos o paradeiro do brinco, iremos nos vingar. — Diaspro prometeu. — Vocês verão elas sofrerem por tirarem o que é de vocês por direito.

— Treino encerrado! Espero que façam melhor no próximo! — Gritou Codatorta. Os meninos passaram a beber água e caminhar de volta para o instituto.

— Eu já volto. — Diaspro desceu da arquibancada e foi até Sky. A expressão do loiro mudou quase instantaneamente. — Oi gatinho… — Ela tocou seu peito. — Como você está?

Sky olhou para o horizonte. Viu Brandon gesticular, e ele sabia o que seu amigo queria dizer. Ele respirou fundo e voltou a olhar para a menina em sua frente.

— Diaspro, precisamos conversar.

— Eu estou aqui pra isso. — Ela sorriu. — Seja lá o que seja, eu vou acei…

— Quero terminar. — Ele disse ríspido. — Não quero continuar essa… relação que nós temos. — Ele olhou para seus olhos cor de âmbar.

A expressão dela endureceu. — O quê?!

— É isso. Eu… eu não quero mais ficar nesse relacionamento, Diaspro. Não faz o menor sentido pra mim.

— Não faz… sentido?

Ele mordeu lábio por dentro da boca.

— É aquela vadia americana, não é? — Ela rangeu os dentes. — Você esqueceu de mim completamente quando aquela visão do inferno surgiu!

— Diaspro, isso não tem nada a ver!

— Ah mas é claro que tem a ver! — Ela rangeu os dentes. — Você prefere carne nova, não é? — Ela riu, se afastando. Passou a mão pelos cachos loiros e voltou a olhar para ele. — Você é um hipócrita. Não reclame comigo se seus pais vierem encher a porra do seu saco por minha causa.

Ela começou a se afastar, mas logo se virou. — E a garota ruiva também vai ter o que merece. — Ela estreitou os olhos e seguiu andando.

Sky engoliu em seco e passou a mão pelos cabelos. Teria colocado Bloom em perigo agora?

____________________________________

A ruiva dormia sozinha no quarto 101. A noite caía do lado de fora com sua leve brisa fresca e pesada de um país temperado.

De repente, o telefone de Bloom tocou. Ela piscou um pouco e sentou-se na cama. Pegou o iPhone e verificou o visor.

Franziu a testa e atendeu. — Sky?

— Me encontre no terraço. Agora.

— Espera… nós temos um terraço?

. . .

Bloom esfregou os braços quando passou pela portinha. Sky estava na beira, próximo do rebaixamento de tijolos, observando o horizonte. Bloom se pôs ao lado dele e pôde ver o que ele tanto encarava.

A cidade de Manchester era vista ao longe. A roda gigante da cidade brilhava em cores faiscantes. Os prédios e arranha-céus coloriam o céu. Aviões passavam ao longe, o som da cidade com suas particularidades preenchendo o ar frio da noite.

Bloom observou a expressão de Sky. Se alguém conseguia ser suave e severo ao mesmo tempo, seria ele. O cabelo loiro que atingia o pescoço estava ligeiramente bagunçado e arrumado ao mesmo tempo. Os olhos azuis expressavam energia e cansaço. Ele estava em com uma blusa branca, um casaco azul aberto e calças pretas de moletom esportivo, os pés preenchidos com meias e… Crocs.

— Você usa Crocs? — Bloom riu.

— Por favor cenoura, eu tô tentando parecer sério aqui. — Ele deu uma risadinha e olhou para ela. A admirou momentaneamente por sua naturalidade: uma calça fina de estampa branca com uma porção de cactos, uma regata não tão justa e não tão larga do mesmo estilo, o chupão deixado por ele na última vez que as coisas esquentaram, os cabelos ruivos um pouco amassados, as maçãs do rosto ligeiramente rosadas e marcadas, os olhos azuis despertos. Estava radiante.

Estava linda.

— Então você quer ser levado a sério. — A ruiva se virou para vê-lo melhor. Quando ele virou para ela, ela percebeu que as coisas não eram assim tão simples quanto seu ar despojado demonstrava ser.

— Eu… eu conversei com a Diaspro hoje à tarde. — Ele encarou os próprios pés.

— E…

— Eu terminei o que tinha com ela… seja lá o que aquilo fosse. — Ele olhou para o horizonte.

Bloom corou e sentiu o coração disparar. Não sabia o motivo. — Eu… hm… fico feliz por você.

— Mas eu não.

— Por quê? Você gostava dela?

— De forma alguma. — Seus olhos azuis safira encontraram com os azuis piscina dela. — Ela ficou bem brava.

— Imagino.

— E deve vir atrás de você.

— Ah…

— Ela vai querer te atingir de alguma forma. Ou com um segredo, ou com algo pior.

Bloom desviou o olhar. — Não tenho nada a esconder. — Ela murmurou.

— Sim, Bloom, você tem. — Ela sentiu-se um pouco incomodada pela ausência do uso de seu apelido um tanto peculiar. — Ela vai pesquisar nas entranhas do inferno se for preciso, mas vai usar algo contra você. — Ele fechou os olhos.

— E o que vamos fazer? — Ela deu de ombros.

— Melhor… darmos um tempo. — Seus olhos voltaram a observar o horizonte.

— Espera… — Ela riu. — Você tá me dispensando?

Ele corou. — N-não é isso. Eu… eu acho melhor nós evitarmos… bem… contato desnecessário. Que não seja para o trabalho do Wizgiz, entende? Ela… ela pode fazer loucuras com você por minha causa.

— Ui… que poderosa. — Ela brincou.

— Bloom, é sério. — E ela parou de rir quando seu nome foi dito por ele novamente. — Ela… ela é louca. Eu não quero que nada aconteça com você por minha causa. — Ele olhou para ela.

Ela desviou o olhar. — Também não quero que nada aconteça com você. Imagino que seus pais não ficariam muito felizes se algumas informações que ela tenha vazassem por… hm… Vingança.

Ele assentiu com a cabeça, como se aquilo não importasse. — Bem… Hm… Foi bom enquanto… durou, seja lá o que fosse.

Ela sorriu timidamente. — Nem um último beijo?

Ele abraçou sua cintura com um dos braços e levou a mão livre em sua nuca. Bloom se chocou quando seus lábios quentes encontraram os dela, mas retribuiu imediatamente, acariciando sua nuca, sentindo o coração disparar.

O que estava acontecendo? Por que parecia que havia acabado de correr uma maratona?

Sky não era diferente. Sua pulsação poderia ser facilmente confundida com a de um beija-flor.

Eles se afastaram um pouco relutantes, os rostos ainda próximos, a mão dele em sua nuca e cintura ainda. Ela mordeu o lábio, sentido sua respiração em sua pele.

— Bem… acho melhor eu voltar pra cama… — Ela conseguiu dizer, o rosto quente.

— Eu… eu vou logo atrás de você. — Ele ofegou.

Ela se afastou, encarando seus olhos uma última vez antes de se afastar e sair pela portinha de onde viera, deixando Sky sozinho com uma bela vista de Manchester.


Notas Finais


¹) Parte mais profunda do oceano, abaixo de 11.000m.

Espero poder atualizar logo. Preciso escrever minhas outras histórias e estudar para o semestre.

Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!

Beijos, GbMr ~


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