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História High School Sucks - Capítulo 14


Escrita por: e GbMr


Capítulo 14 - Uma Viagem à Milão


Fanfic / Fanfiction High School Sucks - Capítulo 14 - Uma Viagem à Milão

Milão permanecia com suas particularidades imbatíveis: a Catedral, o Teatro Scala, a comida dos Luini trazendo multidões em uma área da cidade, a La Rinascente, mas Stella não se importava nem um pouco com isso.

Já havia sido difícil pousar em Milão sem responsáveis e sendo menor de idade, pois seu passaporte não estava atualizado. Se não pedisse à Eleanor, sua governanta, para buscá-la, provavelmente seria denunciada para as autoridades locais.

Eleanor tentava levantar o humor da loira, mas a jovem Gabbana só observava a paisagem indiferente, pensando em todas as palavras que jogaria na cara de seu pai por destruir sua família daquela forma. Como poderia fazer isso com o mulherão que era sua mãe?

E, de repente, recordou-se da história de Bloom com seu ex-namorado americano. E se seu pai também estivesse a traindo ainda durante o casamento?

Os olhos de Stella se encheram de lágrimas raivosas. Será que conseguiria encarar seu pai nos olhos?

— Chegamos. — Atar, o motorista, alardou. Eleanor saiu do carro e abriu a porta para a jovem, que saiu em seguida. Stella ajeitou a mochila que carregava nas costas enquanto, ao longe, avistava seu pai descer os degraus da Mansão Moola em direção à ela.

— Você está louca, Stella?! — Ele gritou. — Poderia ter sido presa, mandada para um orfanato e… espera, Faragonda sabe que você está aqui?!

— Oi pra você também, pai. — A voz de Stella era severa. — E se eu fosse jogada num orfanato, sairia de lá em dois dias.

Radius piscou um pouco. — Stella…

Seu pai continuava com o bronzeado permanente do sol de Milão. Os olhos de Stella foram herdados dele: duas colmeias de mel. Os cabelos de seu pai a eram ruivos, mas não tão intensos quanto os de Bloom, quase podia se confundir como loiro. Rugas levianas marcavam a área em volta dos olhos e da boca, a camisa florida e a bermuda combinando o fazendo parecer mais um turista do que o organizador da marca Dolce & Gabbana.

— Vou ser rápida. Não pretendo ficar mais que um dia. — Ela olhou para ele. — Por que você e a mamãe estão se separando?

Os olhos cor de mel de seu pai piscaram atordoados. Ela não lhe deu tempo de responder.

— Quem é a minha nova "futura" madrasta? Hm? Quem é que vai acompanhar o sobrenome Gabbana conosco agora?!

Radius não respondeu. Ao invés disso, olhou para trás. Stella rangeu os dentes. Estava prestes a gritar com ele quando sentiu uma mão em seu ombro.

Ela se empertigou. Olhou para a mão, viu que tinha traços femininos. Estreitou os olhos e se virou.

Uma mulher extremamente jovem, os cabelos pretos como a noite e olhos azuis como gelo estava em pé diante dela. Sua pele pálida dizia que ela não tomava sol há séculos, o vestido azul curto agregando um pouco menos no juízo de valor de Stella.

— Você deve ser a filha do Radius. — O sorriso da mulher não pareceu muito convidativo. — Eu sou Liliss, sua nova mamãe.

. . . 

Stella cerrava os punhos com tanta força que sentia o sangue molhar suas mãos. Como aquela garota que tinha a idade mais próxima da dela do que a do próprio pai dela poderia a chamar assim?

— Stella, querida… — Eleanor pôs a mão em seus ombros, o que trouxe um lampejo de calma para a loira. — Por que não vamos para o seu quarto? Você descansa e… fala com seu pai no jantar?

A loira não se conformou muito com aquilo, mas sabia que não adiantaria muito discutir com Eleanor. Subiu os degraus da entrada e sumiu no salão principal de sua mansão.

Subiu de elevador até chegar em seu quarto. Continuava do mesmo jeito que do último verão: as cortinas abertas para deixar o sol entrar, a cama queen size redonda no centro da parede cor de creme, um tapete cor de rosa felpudo, as portas de madeira branca para o closet e outra para o banheiro. Jogou a mochila na direção de sua cama e caminhou até os janelões de seus aposentos.

Podia ver claramente o viveiro de seus pais. As piscinas fazendo desenhos sinuosos no meio do deck colossal. O jardim-labirinto e a capela em seu centro, o local que sua mãe tanto amava.

Agora ela estava em Londres. Não podia mais frequentar seu lugar favorito no mundo.

Stella rangeu os dentes e se afastou da vista. Encaminhou-se para o banheiro, para um banho relaxante, ou, pelo menos, tentou fazer com que fosse.

Essência de lavanda encheu a banheira com espumas e água quente. A loira despiu-se e imergiu entre o líquido aromatizado.

Pegou seu celular e verificou alguns aplicativos, começando pelo WhatsApp.

Ruiva🔥

Ei Stella!

Como vai? Chegou bem?

Me liga quando puder!




Pãozinho de Queijo🌊

Ô loira

Como c ta?

Qlq coisa tô aq




Mensagem em Grupo — Winx🧚‍♀️


Uma das 9 Musas🎸

Stellaaaaaa Você chegou bem?? fala pra gente estamos surtando!


Tecnerd🧠

Musa, por favor use a vírgula. Está me dando nos nervos.

E por favor, após o ponto, letra maiúscula.

E Stella, mande notícias.


Ruiva🔥

Pqp Tec


Tecnerd🧠

O que é "pqp"? o.O


Rosa dos Ventos (e do Helia)🌹

Stella, por favor estamos surtando 🥺

Stella sorriu e finalmente respondeu suas amigas.


estou bem

quase fui deportada no aeroporto mas… agora estou tomando um bom ganho

*banho

espero que esteja tudo bem com vcs aí


Pãozinho de Queijo 🌊

Finalmente notícias da Stella!!!😱😱😱

Pensei que seu avião tinha caído!


Rosa dos Ventos (e do Helia)🌹

Credo Aisha!

ela ainda tem que voltar sabia?



Amor❤️

Ei…

Aisha me falou o que houve

Se quiser me ligar mais tarde

Te amo❤️




Mensagem em Grupo — 0s Chegados


Rivoso🔥

Ô douradinha, tô sabendo que tu fugiu da escola


Uma das 9 Musas🎸

🙄🙄🙄


Kurt Cobain 🧑🏼

Dps quero q me mostre como fugiu, estrelinha


Tecnerd🧠

Você chamou ela de douradinha, Riven?


Uma das 9 Musas🎸

Ele tem probleminha


Nabo🧅

Isso eu posso concordar :P


Rivoso🔥

Ah clb¹ nabu


Ela sorriu e deixou o celular de lado. Pelo menos um sorriso pôde surgir em seu rosto com amigos tão incríveis que tinha. Ela deixou o celular de lado e respirou fundo, sentindo o calor entranhar em si.

— Stella? — Ouviu a voz de Eleanor do lado de fora. — Você prefere comer risoto ou polenta?

A loira mordeu o lábio. — Risoto de quê?

— Filé mignon com muçarela de búfala.

— Eu quero. — Ela ouviu passos se afastando. Voltou a observar as bolhas, pensativa.

Liliss. Liliss era agora a namorada de seu pai, e que os deuses a livre, jamais a chamaria de mamãe, ou de mãe, ou de qualquer outro apelido íntimo.

De repente, seu banho relaxante se tornou estressante. Imaginar sua "nova mamãe" a deixava nauseada. Stella terminou o banho e saiu da banheira.

Penteou os cabelos e se equipou de uma camisa branca lisa, um vestido jeans e uma série de pulseiras e colares.

Saiu do banheiro com seu celular em mãos no exato instante que Eleonor a chamou para o jantar. A cara da loira amargou ao sentar-se junto de Liliss e Radius.

O janta foi servido à francesa. O risoto de Eleanor emanava o cheiro mais precioso que já sentiu. Vinho tinto foi servido para contrastar com o prato. Liliss falava algo sobre personalizar uma joia quando Stella chegou.

— Você é tão cego que não pode ver ela querendo usar o nosso dinheiro? — A loira disse ríspida, enquanto sentava em seu lugar.

— Stella, por favor! — Radius repreendeu. — Pare de ser tão mesquinha! E Liliss não precisa disso!

— Ah jura? — Os olhos cor de mel dela pairaram na mulher, que possuía um sorriso cético no rosto.

— Stella, querida, não se preocupe com o dinheiro. — Ela manteve o sorriso.

— Não dê ouvidos à ela. — Seu pai protestou.

— Radius, eu entendo como ela deve estar se sentindo. Eu cheguei aqui invadindo seu território, ela deve se sentir ameaçada.

Ameaçada pelo território? Com certeza não. Como aquela mulher ousava fazer aquilo com sua família?

— Você me deve uma explicação. — Stella ignorou Liliss, seu olhar desviando para seu pai.

— Stella, eu…

— Não quero meias palavras. — Ela estreitou os olhos. — Diga de uma vez por todas. Me conte tudo e não me esconda nada. — Ela deu uma garfada no prato de arroz.

Radius observou sem fome os talheres. Começou a despejar informações: de ter conhecido Liliss num desfile, de sua mãe ter ficado com ciúmes, de brigarem quase todos os dias, e de chegarem ao cúmulo quando quebraram uma taça de cristal que acompanhava a família há séculos. O divórcio veio logo no dia seguinte do ocorrido, o mesmo dia em que Liliss desfilaria em Milão.

Stella cerrou os punhos com força e encarou o prato. — Ok. — Ela não comentou mais sobre o assunto. Terminou o jantar em silêncio, ouvindo Liliss tagarelar sobre a moda praia da Dolce & Gabbana.

Ao terminar o jantar, Stella subiu para seu quarto e arrumou sua mochila. Não passaria mais nenhum dia naquela casa com uma mulher horrenda como sua provável futura madrasta. Ela juntou suas coisas rapidamente e logo desceu as escadas.

— Filha… — A voz de Radius surgiu atrás dela. — Pensei que ia pela manhã…

— Não estou a fim de perder as aulas de Palladium. — Ela não o encarou.

— Stella… olhe… — Ele se aproximou dela. — Eu… eu espero que não esteja com tanta raiva.

O olhar dela o fez entender que já era tarde demais para tal declaração.

— Pelo menos leve em consideração o que eu fiz… uma coleção de moda praia feita por você! Usei seus desenhos. Esperei que ficasse feliz com isso e–

— E relevasse a troca que você fez? — Ela encarou seus olhos cor de mel, iguais aos dela. — Pai, você está muito enganado se acha que coisas fúteis como uma coleção de roupas com meu nome podem diminuir o que você causou na família.

— Eu não causei nada! Você quem não quer aceitar isso!

— Eu não quero aceitar porque isso não é certo! — Ela bateu o pé. — Você ama a mamãe! Você não deixou de amá-la! Agora ela tá vivendo naquela cidade podre que se chama Londres porque você tá fazendo esse joguinho com seus sentimentos!

— Stella!

— Não! Chega. — Ela voltou a seguir até a porta. — Só… se ainda tiver consideração por ela, e sobretudo por mim, não deixe que Liliss desfile com minhas roupas. Se o fizer, não espere me ver no verão.

— Stella! Vol–

Ela não permaneceu na mansão para ouvir o resto.

Seguiu até o carro, onde o motorista estava cochilando no banco. Ela bateu no vidro e ele logo despertou, assustado. Seu olhar encontrou o dela e ele se empertigou, limpando a garganta.

— Senhorita! — Ele saiu do carro e fez uma continência, que Stella riria se não estivesse tão triste.

— Me leve para o aeroporto, por favor.

— Stella! Atar, nem pense em levá-la daqui!

O motorista piscou, atônito. Seguiria as ordens de quem? De seu patrão, ou de sua jovem amiga?

— Atar, não ouça-o. Me leve daqui. — Stella pediu.

— E-eu…

— Atar! — Berrou Radius, descendo as escadas da frente. Stella rangeu os dentes.

— Ótimo! Eu cuido disso. — Stella pegou as chaves da mão dele e entrou no carro.

— Espera, senhorita Gabbana!

Stella não esperou mais. Ligou o motor e deu partida, arrombando os portões de entrada da Mansão Moole. Pelo retrovisor, pôde ver Atar, Radius e Eleonor, confusos e com raiva, particulamente seu pai. Ela pisou no acelerador.

Chegou no aeroporto em alguns minutos. Sabia que seu pai ligaria para a polícia, então abandonou o carro num terreno baldio próximo do aeródromo. Correu até a fila para comprar sua passagem.

Dez minutos se passaram quando sua vez chegou.

— Uma passagem para o próximo avião para Manchester. — Ela tentou soar superior, o que funcionou. A atendente apenas confirmou o vôo e lhe deu o ticket. Stella passou o cartão de crédito que tinha e logo foi para o local de embarque.

O próximo vôo seria dali a duas horas. Teria tempo o suficiente para passar nas lojas de free shop disponíveis no caminho, ou pedir uma bela de uma banana split na lanchonete cinco estrelas que tinha ali.

Mas estava desanimada demais para isso. Sentia que iria desabar em lágrimas a qualquer momento.

Sentou-se num banco e pegou o celular. Encarou seus contatos, até observar o nome de uma pessoa em específico, e discar seu número.

Alô? — Uma voz masculina respondeu do outro lado da linha, a voz cansada.

— B-Brandon… desculpe se te acordei, eu ligo mais–

Não! Stella! — A voz dele mudou imediatamente. — Eu… eu estava preocupado! Como você está? Chegou bem?

Ela sorriu tristemente. — Eu estou voltando para Manchester. Meu vôo é daqui a duas horas.

Eu te busco no aeroporto.

— Não precisa, você iria se ferrar por mim.

Eu não ligo nem um pouco. Eu… eu deveria ter ido com você. — A voz de Brandon soou culpada. — Eu devia estar do seu lado nesse momento, eu não deveria estar me preocupando mais com um jogo de Lacrosse do que com você.

— Brandon…

Deixe eu falar, Stella! Eu… eu amo você. Eu não quero te ver sofrer e… me sinto meio que responsável por isso.

Os olhos dela se encheram de lágrimas. — Você não tem culpa pela relação dos meus pais.

Mas eu deveria estar aí.

— Você está, Brandon. Eu sinto você comigo o tempo todo.

Ela pôde sentir um sorriso em seus lábios. — Ok… bem, eu irei te buscar no aeroporto. Não fez nenhuma loucura, né?

Ela ficou quieta.

Stella…

— Atravessar a cidade num carro que não é seu conta?

Você ATRAVESSOU a cidade?! Você estava dirigindo?!

— Sim?…

Stella!

— Meu pai não queria me deixar ir!

Ele suspirou. — Ok… bem… se você está falando comigo, imagino que não tenha sofrido um acidente.

— Exatamente. — Stella observou o aeroporto e viu uma mulher familiar se aproximando. — Brandon, eu tenho que ir. Conversamos mais tarde.

Mas…

Ela desligou.

— Querida, você deu um susto e tanto na gente! — Eleanor sentou ao lado dela. — Seu pai chamou a polícia para ir atrás do carro e… Ah querida, não chore!

Mas Stella já estava chorando. Lágrimas desesperadas caíam por seus olhos. Ela soluçou quando sua governanta a abraçou, a aconchegando como sua mãe, os braços fortes a mantendo perto.

E ficaram assim, até o vôo de Stella Gabbana para Manchester chegar. 


Notas Finais


¹) Abreviatura informal de "cala a boca".

Tentarei postar o capítulo assim que puder, não prometo que sairá amanhã.

Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!

Beijos, GbMr ~


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