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História High School Sucks - Capítulo 16


Escrita por: e GbMr


Capítulo 16 - As Trix


Fanfic / Fanfiction High School Sucks - Capítulo 16 - As Trix

Icy observou a silhueta da garota entrar no quarto 101, e logo franziu a testa.

— Achei que era proibido invadir o quarto de outras pessoas. — Darcy murmurou, os olhos estreitos.

É proibido, Darcy. — Icy rosnou. — Seja lá o que essa vadia esteja fazendo, é melhor contarmos para os outros. Pode ser que tenhamos nossa doce vingança logo logo. — Um sorriso peverso moldou os lábios da garota grisalha.

Não, Icy não era velha. Ela, na verdade, era estilosa. Como as aulas tinham acabado, usava um cropped azul tão escuro que quase se confundia com o preto, uma calça skinny acima da cintura com alguns rasgos em seu comprimento, um cinto de correntes na cintura. Seu pescoço estava envolto de uma gargantilha preta e exibia uma pulseira prateada com suas iniciais no pulso, um presente de seus pais à sua princesa favorita.

Mas o que encantaria os meninos se não fosse seu jeito tão durão e gótico de ser eram seus cabelos. Eram brancos, tão brancos que brilhavam como prata. Não era natural, claro, mas o pintava dessa cor a tanto tempo que nem se recordava a cor natural de seus cabelos mais. Esse era o original dela: os cabelos grisalhos. Até suas sobrancelhas participavam do processo, combinando perfeitamente com suas mechas prateadas. Seus olhos faziam parte do conjunto inédito: eram preenchidos com sua cor favorita, azul. Eram azuis e frios, como se uma olhada pudesse congelar uma pessoa por inteiro. Sua pele pálida como a neve poderia a fazer ser confundida com a Branca de Neve, isso se a Branca de Neve fosse uma princesa gótica, rebelde e que gostasse de azul.

Sim, Icy era uma princesa. Não gostava de ficar lembrando disso. Era filha do príncipe William, a mais velha neta da Rainha Elizabeth. Mas isso não importava, até porque estava longe o suficiente da sucessão do trono, e pensava em outras coisas além de governar a Inglaterra.

— Como você pretende vingar o que fizeram com a gente? — Sua amiga arqueou a sobrancelha.

Darcy era diferente da gótica Icy. Também tinha um quê gótico, mas era mais hippie. Vegana, amante da natureza e da escuridão. Detestava o sol. Sempre usava roupas mais folgadas, como agora: estava usando seus óculos redondos estilo John Lennon que sempre combinavam com a regata roxa e a calça de mesmo tecido. Apesar do frio de Manchester, usava o  par de chinelos descolados que ganhara de uma artesã alemã, que faziam seus pés respirararem confortavelmente. Não se importava tanto com o frio. Além dos óculos, um brinco de chamas negras pendia em suas orelhas, mas eram discretos e seu cabelo castanho claro quase os fazia desaparecer. Os olhos castanhos escuros eram tão penetrantes que poderia hipnotizar as pessoas – algo que ela realmente sabia fazer.

Mas era muito mais perigosa do que aparentava ser. Era muito mais perturbadora que seu rosto hippie jovial aparentava ser.

— Vamos andando. Conseguiu uma boa foto? — A platinada perguntou. Darcy assentiu.

— Quero mostrar pros outros antes do jantar.

— Onde vamos nos encontrar?

— Na ala Norte do pátio, perto da quadra gramada.

— Cara, eu amo esses lugares que a gente encontra pra conversar. — Icy sorriu e saiu daquela área do corredor, seguida de Darcy.

.   .   .

Uma regata cavada num rosa choque berrante. Saia preta plissada curta, belos coturnos de couro vinho nos pés, cinto de correntes similar ao de Icy, os cabelos curtos fariam um Chanel em volta do rosto maduro, se não fosse os volumosos cachos lilases. Não eram lilases, inicialmente, mas com as várias misturas de tinta em seu cabelo, acabou por ficarem dessa cor mesmo.

Brincos em forma de raios prateados prendiam em suas orelhas. Estava encostada na parede com um pirulito na boca, observando os dois meninos à sua frente: um deles era Valtor, que você já bem conhece, e que exalava um certo charme sombrio, e o outro era Dante, mas todos o chamavam de Darkar.

O motivo era que os olhos de Dante eram tão escuros que podiam se confundir com carvão, com a matéria escura do Universo. Dante era um menino agitado, mas tão sombrio quanto Valtor. A pele azeitonada o fazia lembrar os belos príncipes árabes, enquanto seus cabelos, um ninho de cachos escuros bem desgrenhados, o fazia lembrar um belo garoto das ruas que gosta de causar confusão. Darkar, na realidade, não parecia tão ruim assim. Não parecia mal.

Mas era tão mal quanto os olhos profundos dele aparentavam ser.

Mas não era mal com qualquer pessoa.

Apenas com as que mereciam.

Era amigo das Trix, as três belas meninas góticas – na verdade, duas, já que Darcy usava roupas um pouco mais alegres – e de Valtor, o menino misterioso filho do conde da Transilvânia, que parecia irônico demais por sua aparência se assimilar ao Drácula.

— Onde elas estão? — Valtor estreitou os olhos e conferiu as horas no relógio analógico em seu pulso. — Eu tenho um compromisso e…

— Compromisso com quem? — Stormy arqueou a sobrancelha, tirando o pirulito de cereja da boca. Valtor era como um sarcófago. Era difícil saber o que estava pensando ou o que andava fazendo. Ele, por exemplo, não contou a seus amigos que estava ficando com Bloom, a garota ruiva americana. Ele não sentia nada por ela, apenas ficava porque sentia necessidade. Claro, todos os adolescentes sentem necessidade quando seus hormônios estão à flor da pele.

— Não te interessa. — Ele resmungou, encarando a grama sobre suas botas de escalada, que eles nunca entenderam o porquê de ele sempre as usar.

— Você precisa falar mais, Valt. — Darkar deu um leve sorriso. — Parece até que não somos seus amigos.

— Não são meus amigos.

Darkar revirou os olhos. — Aí está você com esse papinho ridículo de novo.

— Finalmente! — Stormy exclamou ao ver suas duas amigas se aproximando. Icy e Darcy possuíam sorrisos perversos nos lábios.

— Encontramos algo que possa ajudar. — Darcy sacudiu o Note20 em suas mãos.

— Finalmente. Podemos prosseguir logo com isso? Estou começando a sentir frio. — Stormy resmungou.

— Por isso uso sobretudo. — Valtor permanecia encarando o chão.

— Você tá sempre de sobretudo. — Darkar bufou.

— Podemos ir direto ao assunto? — Stormy franziu a testa.

Icy suspirou. — Enfim, aparentemente elas estão intrigadas com o novo grupinho da escola.

— As Wings. — Darkar lembrou.

— Winkisses. — Valtor corrigiu.

— Winx! Caralho, qual a dificuldade?! — Stormy rangeu os dentes. — Por acaso nos Emirados Árabes e na Romênia não conseguem pronunciar o X?!

Valtor e Darkar coraram, desviando o olhar. A garota explosiva bufou e depositou seus olhos azuis elétricos como nuvens de tempestade em suas amigas. — Vamos. Contem mais.

Ao invés de falar, Darcy estendeu o celular para os três amigos verem. Darkar arregalou os olhos com a imagem.

— Uou… isso dá uns bons processinhos. — Ele refletiu.

— Não é suficiente. — Stormy coçou o queixo. — Mas já é alguma coisa.

— Tudo para por aquelas vadias pra correr. — Icy resmungou.

— Olha, temos uma imagem. Ok. — Valtor levantou o olhar. — Mas o que elas fizeram para fazermos isso com elas?

Icy deu um sorriso maldoso. — Você quer mesmo saber, Conde Drácula? — Ela olhou para cima, gotas de chuva começando a desabar no céu nublado. — Vamos encontrar um bom lugar para conversar, aí você vai entender o motivo dessa história.

.    .    .

Diaspro sacudia os pés, agitada, observando o piso impecável do laboratório de citologia. Não estava nem um pouco preocupada com a hora, com a possível repreensão de Knut ou alguém de sua equipe de limpeza, mas estava ansiosa para revelar seus feitos dessa tarde.

— Di… você tomou café? — Chimera arqueou a sobrancelha, entrando na sala com as outras duas Nebulosas a acompanhando.

— Não é isso o que interessa. — Diaspro desceu da bancada em que estava e sorriu, caminhando até o quadro negro nos fundos da sala.

— Hm… Pelo jeito que você está, acho que temos alguém bem encrencado. — Mitzi sorriu perigosamente, sentando na mesa onde o técnico sentaria.

— Então é coisa boa. — Krystal sentou-se na cadeira de rodinhas, passeando pela sala.

— Bem, descobri a quem pertence o brinco. — Diaspro sorriu, de costas, desenhando alguma coisa no quadro.

Os olhos das meninas se arregalaram quando leram o nome no quadro negro, escrito perfeitamente em letra cursiva:

 

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— A garota que roubou seu ficante. — Chimera sussurrou para si mesma.

— Exatamente. — Ela sorriu, cruzando os braços sobre o peito. — Sabemos o que fazer, certo?

Mitzi piscou um pouco. — Claro… — Ela desceu da bancada e tirou de sua bolsa tiracolo o MacBook Air onde pesquisava coisas para destruir a vida das pessoas.

— Ótimo. Vamos cair de cabeça nessa. — Diaspro sorriu. — Aproveite para tirar informações das outras também, principalmente da Flora. Aposto que ela quem as fez ter conhecimento sobre meu caderno de anotações.

— Seu diário. — Krystal corrigiu.

— Tanto faz.

.    .    .

Sky secava os cabelos enquanto caminhava de volta para seu quarto. Havia sido um bom banho, talvez um pouco sôfrego, porque sentia-se culpado por ter se masturbado pensando numa menina tão bonita como Bloom era.

— Fala aí! — Riven bagunçou os cabelos dele. — Bora jogar uma sinuca com o Nex? Ele tá lá embaixo nos esperando!

Sky assentiu com a cabeça, afastando os pensamentos criminosos que vieram à cabeça. — Vou só pegar meu celular.

Em um segundo, o loiro juntou-se a Riven no corredor. Os dois desceram as escadas.

Quando se direcionaram para o corredor da sala de jogos, Sky viu Bloom entrar numa sala. Ele piscou um pouco e olhou para Riven, esperando ele fazer algum comentário, mas ele continuou a tagarelar sobre as meninas do boxe.

Ele parou ao ver a porta da sala. Olhou para a maçaneta, uma curiosidade imensa por girá-la e ver o que acontecia lá dentro. Sua mão hesitou em levantar-se e tocar o metal gelado, mas seus pensamentos se desviaram quando Riven estalou os dedos na frente dele.

— Mano! Vamos! — Ele franziu a testa. — O que há de errado com você? Parece que é um Sherlock Holmes e que precisa solucionar um mistério.

Cheque-mate, Riven. Ele pensou. — Nada… o que dizia? Sobre a Ourahmoune?

— Ah, meu pai quer me levar numa partida dela! Dá pra acreditar?! — Sky sabia o como Riven era apaixonado por pugilismo. Não porquê seu pai era Conor McGregor, um campeão europeu do mundo das Artes Marciais, mas sim porque simplesmente era.

Eles entraram na sala de sinuca. Nex e Helia jogavam um contra o outro, o ruído das bolas de bilhar preenchendo o ambiente com o som de Jimi Hendrix.

— Quem pôs um americano pra cantar? — Riven arqueou a sobrancelha, se jogando no sofá. Pegou o controle e começou a caçar uma música para ouvir.

— Se por rock, coloca Paperback Writer. — Helia pediu, enquanto planejava uma tacada.

— Eca, Beatles não! Isso não é rock de verdade! — Black Sabbath invadiu as caixas de som, um sorriso feliz nos lábios de Riven. — Isso sim é música de verdade!

Helia revirou os olhos e Nex riu. Sky ainda estava atordoado demais com a cena que acabara de ver.

Por que estava tão preocupado com o que Bloom pudesse estar fazendo? Por que sentia medo de que ela iria machucá-lo? Não fazia sentido. Ele dormia com garotas há séculos. Fazia coisas que ninguém mais ousaria repetir senão em quatro paredes. Mas de todas as garotas, por que ela roubou sua atenção?

— Sky! Puta merda cara! — Riven jogou um papel de bala nele. — Você tá voadasso! Acorda! Que isso?!

— Deve tá apaixonado. — Helia deu um sorriso malicioso, segurando o taco pacientemente, esperando Nex prosseguir com seu lance.

— Para com isso. — Sky sentiu as bochechas corarem e desviou o olhar.

— Diaspro conseguiu te conquistar, é? — Riven brincou.

— Eca! Não… não… — Ele suspirou. — Não estou pensando dela.

— Uh… então você tá mesmo pensando em alguém! — Nex provocou.

Sky revirou os olhos e foi até o freezer pegar uma lata de refrigerante. Ouviu o estalo do lacre antes de virar o líquido gaseificado garganta abaixo.

Que porra era essa? Por que sentia-se atraído pela ruiva de repente? Mas que droga!

— Aí, meninos. A escola vai organizar um baile de outono! — Riven exclamou, sacudindo o celular no ar. — Dá pra acreditar?

— Bobeiras de ensino médio. — Nex revirou os olhos e deu um último suspirou ao ser derrotado por Helia. — Bom jogo, poeta. Bom jogo.

— Ah, qual é! A gente vai beijar garotas, ficar doidão e se pá descabelar o palhaço um pouco. — Riven deu uma risada maliciosa.

— Cara, que nojo. — Helia fez uma careta.

— Nojo? É porque você não viu aquele cara ali em ação. Conta pra eles, Sky! — Riven olhou para o amigo, de ponta cabeça, deitado no sofá. — Sky?

Ele terminou o último gole de refrigerante de cola antes de jogar a lata na lixeira. Sem nenhuma pressa, olhou para Riven. — Não sei do que está falando.

— Aff! — Ele revirou os olhos. — De qualquer maneira, vamos beijar umas meninas essa noite.

— Você tem um nome em mente? — Nex arqueou a sobrancelha.

— Ah… não sei. Não ainda. — Riven deu de ombros.

— Talvez você queira fazer a japa te dar uns tapas pra largar de ser sonso. — Sky murmurou, mas alto o suficiente para os outros rirem. Pegou o taco e passou a amolar sua ponta com o cubo de gesso.

— Mané. — Riven desviou o olhar.

— Quem você vai chamar, Sky? — Helia olhou para ele.

Boa pergunta. Não iria chamar Bloom, com certeza. Também não chamaria Diaspro.

Encarou o veludo verde e suspirou. — Não tô afim de ir.

— Ih, começou esse draminha bobo de adolescente. — Riven revirou os olhos, tirando o vape do bolso.

— Você também é um adolescente. — Sky rangeu os dentes.

— Bem mais resolvido que você.

Nex pôs a mão no ombro do loiro, a fim de fazê-lo ignorar as bobagens de Riven. — Fica frio, cara. O que tá havendo? Você não é assim.

Sky bufou e encarou a mesa de bilhar. — Nada. Vamos logo jogar, quero dar uma surra em vocês. 


Notas Finais


Pode ser que eu demore um pouco mais para atualizar aqui. Estou fazendo parte do Winx Project (https://www.spiritfanfiction.com/perfil/pjctwinx) e escrevi duas histórias lá. Também há diversas outras de minhas queridas amigas autoras e que são divinas, e que valem a pena uma olhadinha ;).

Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!

Beijos, GbMr ~


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