1. Spirit Fanfics >
  2. High School Sucks >
  3. Confissões

História High School Sucks - Capítulo 18


Escrita por: e GbMr


Capítulo 18 - Confissões


Fanfic / Fanfiction High School Sucks - Capítulo 18 - Confissões

O ano era 2018.

Manchester Hall ainda possuía uma grade de Ensino Fundamental.

Icy não conhecia ninguém ali. Ser ou não da linhagem real pouco importava quando se estava em um espaço cheio de mentes ilustres e abastadas.

Ela só era mais uma de milhares.

Ficou nervosa quando tropeçou e sentou na carteira da sala de aula. Ouviu algumas risadinhas.

— Parem com isso! — Ouviu uma menina intervir.

Icy se virou para ela. Os cabelos eram loiros, encaracolados. Pareciam um conjunto de brinco de argolas douradas. Os olhos eram de um âmbar profundo, parecendo raivosa com a situação.

— Eles são insuportáveis mesmo. — Ela resmungou, e os meninos pararam de implicar, indo para seus lugares. — Por falar nisso, meu nome é Diaspro. — Ela estendeu a mão. — Eu sinto muito por isso.

A platinada apertou sua mão. — Acho que eu conheço você. Diaspro…

— Ah… Meu pai é político. Já falou de mim algumas vezes na televisão. — Ela sorriu.

— Seu pai tá candidatado para Primeiro Ministro. — Ela recordou.

Diaspro corou. — Ah… bem…

Ela não parecia muito confortável, mas Icy fazia isso. Sempre tivera o talento incrível de incomodar as pessoas, de intimidá-las e de arrancá-las seus piores segredos.

— Espera, eu também te conheço. — Os olhos cor de mel se estreitaram. — Icy… Icy…

A platinada deu um sorriso ladino e desviou o olhar. Imaginava que uma hora ou outra iria ser reconhecida. Não respeitada, mas reconhecida.

— Princesa Icy?! — Ela arregalou os olhos. A figura de quase quinze anos da princesa da Inglaterra apenas deu de ombros.

— Acontece nas melhores famílias.

Depois dessa primeira impressão, Icy e Diaspro viraram amigas. Na verdade, melhores amigas. Eram quase inseparáveis. Tanto que até mesmo o ciclo menstrual das suas se coincidiu.

Os anos passaram. As duas foram amadurecendo juntas na Manchester Hall, participando de jantares onde a Família Real e o futuro possível Primeiro Ministro construíam laços amigáveis.

Até… um dia.

Manchester Hall fechou as portas para o Ensino Fundamental após uma saraivana de reclamações de pais: coisas simples como "Por que você não cumpre os caprichos da minha filha?" ou "Custa quanto para poder passá-la de ano?"

Faragonda já teve que ouvir coisas como "Quais são os professores mais vulneráveis a cederem para uma jovem?" ou "Ouvi falar que vocês tem câmeras dentro do banheiro e estão lucrando com pornografia infantil!"

Pareciam coisas mínimas. Teorias conspiratórias tolas que nem uma das crianças tinha o intelecto para crer, mas seus pais ignorantes gostavam de formar tais imagens em suas cabeças, de ter acusações contra a escola que reprovava seus filhos. A gota d'água foi quando acusaram, quase judicialmente, um aluno do Ensino Médio de aliciar seu colega de quarto, um menino do sétimo ano.

A partir daí, Faragonda não via motivos para manter o ensino para todos. Achava injusto com seus alunos do Ensino Médio, que se empenhavam tanto para ganhar o mundo. A decisão de destituir o Ensino Fundamental chocou a todos, mas trouxe uma coisa boa no final:

Icy e Diaspro se tornaram colegas de quarto.

E foi aí que as coisas começaram a dar errado.

Darcy, Stormy e Chimera foram as primeiras alunas do novo ano da Manchester Hall. Diaspro e Icy as receberam enquanto os outros alunos debochavam do estilo hippie de Darcy.

Logo ficaram amigas.

Krystal foi a próxima. Sua mãe, uma bióloga renomadíssima que fora até mesmo digna da medalha Wiechert, por ter trago espécies praticamente extintas de volta ao Rio Tâmisa. Era conhecida pelo pai de Diaspro, que agora, à todo vapor, se dedicava ao cargo de Primeiro Ministro, a guerra política aflorando por toda a Europa.

Chimera começou a ficar mais apegada à Diaspro. E chegou o dia de uma conversa que talvez tenha estragado tudo.

— Icy? — Diaspro a chamou. A platinada observava a estrada no quarto 120. Seus cabelos estavam presos num coque, e era visível que em suas orelhas perfuradas com piercings – proibidos para uma princesa, mas não estava nem aí para as regras – estava com um EarPod.

A loira mordeu o lábio. Talvez fosse melhor deixar isso para lá.

Mas não conseguiu resistir.

Cutucou a menina, e a princesa logo olhou para ela.

— Ah… Di. Estava há muito tempo aí?

Ela negou com a cabeça. Icy desligou sua música no celular e olhou para ela.

— Então… — Diaspro remexeu o pé na madeira. Icy sentia que algo não muito agradável estava prestes a ser despejado sobre ela.

— O que você fez? — Ela estreitou os olhos.

— Eu estive conversando com Chimera. Nós… hã… bem. Como você sabe, nós somos muito próximas.

Icy não disse nada enquanto Diaspro fazia uma pausa. A loira continuou:

— Nós vamos ficar no mesmo quarto no próximo semestre.

Icy piscou e de uma risada. — Isso é pegadinha?

Mas sua expressão cômica sumiu quando Diaspro fez um não com a cabeça. A expressão da platinada endureceu.

— Está fazendo isso por alguém que nem conhece?

— Chimera é muito legal. Não sei por que você em ranço dela.

Estava claro o motivo. Desde que chegara, no nono ano, parecia plantar sementes do mal em seu relacionamento com Diaspro. Sempre estavam discutindo, coisas tão fúteis quanto um algodão de papel. Ela cerrou os punhos.

— Tanto faz. — Icy resmungou e voltou a encaixar seus EarPods no ouvido.

— Icy…

— Faça o que ter vontade. Não tenho nada a ver com isso.

Outra discórdia entre as duas veio quando Tritannus Pelay, primo de Aisha, veio de intercâmbio por um semestre em Manchester. Chimera e Icy tiveram interesse nele, mas ele teve olhos apenas para a princesa platinada, por quem ficou num relacionamento durante sua estadia na Inglaterra.

Diaspro, claro, apoiou Chimera. Disse que Icy estava sendo egoísta, e Darcy e Stormy entraram em confronto com ela. As duas começaram ali a de fato se afastar.

Icy não sentava mais com Diaspro nas aulas de química. Não gostava de seu lugar no anfiteatro nas aulas de DuFour. A relação entre as duas antes melhores amigas foi esfriando, até a descoberta do diário.

Um dia, num encontro com as Nebulosas, Diaspro deixou seu caderno de anotações sobre a mesa, o esquecendo completamente na hora que a reunião acabou. Icy o pegou para devolve-lo, mas logo leu algo que mudou o rumo das coisas.

 

 

 

 10 / 23

As eleições para Primeiro Ministro estão chegando. Quem diria que virar amiga da princesinha encantada faria meu pai crescer tanto assim em popularidade? Que bom que ela ainda está na nossa irmandade, mas sinto que logo vou convidá-la a se retirar. Sua energia não parece muito boa entre a gente. Se Sky não fosse tão distraído e se não tivesse olhos só para mim, com certeza também correria daquela carranca horrorosa.

Agora que meu pai está em primeiro lugar nas pesquisas, não preciso mais me manter tão próxima de alguém que eu não quero. Ele já conseguiu o que queria. Desde que vi ela entrar na sala de aula aquele dia, ele já teve o que queria quando eu falei com ela.

Eu não preciso me torturar mais com essa amizade ridícula. Ele já ganhou, praticamente sua vitória perfeitamente manipulada por sua filha maravilhosa e agora eu terei meu apartamento na Abbey Road como recompensa.

 

Icy cerrou os punhos com tanta força que suas unhas afiadas machucaram a pele da sua palma.

— Icy? — A voz da loira surgiu atrás dela. — Você viu meu ca…

Diaspro parou de falar quando percebeu a expressão da garota. Seus olhos estavam magoados, com raiva e com lágrimas brotando em suas córneas. Ela jogou o caderno pequeno de capa de couro na loira, que desviou.

— Você tá louca?! — Ela franziu a testa.

— Você é uma cuzona. — Ela rangeu os dentes. — Escrota!

— Do que você tá falando?

— Não se faça de sonsa! — Lágrimas escorreram pelos olhos da platinada. — Sobre seu pai… sobre você ter falado comigo aquele dia!

A cor dos olhos de Diaspro mudou. Pareceram mais obscuros. — Você acha que eu não aproveitei disso também?

— Você é uma megera! — Ela passou a manga da camisa pelos olhos, tirando o excesso de lágrimas. — Você é podre por dentro! Esqueça nossa amizade falsa. Esqueça de mim!

— Icy…

— Espere para todas verem o que você fez! O que você é! Aposto que não usou apenas a mim, não é? Deve ter usado Krystal, Chimera, as outras meninas…

Diaspro ficou séria. Um sorriso peverso surgiu em seus lábios. — Você não vai contar para todo mundo.

— Vou sim! Todos vão me ouvir! Vão descobri que a cachinhos dourados aqui é na verdade uma pessoa tão ruim quanto Hitler.

A comparação fez Diaspro rir. — Icy… Você sabe do incidente do Cairo?

Icy endureceu. — O quê?

— Ah, você sabe. — Os passos de Diaspro ecoaram pelo corredor vazio. — Várias menininhas sequestradas de suas famílias, usadas como…

— Pare! — Icy tremeu. — Você… você sabe que eu não tenho nada a ver com isso!

— Ah, mas é claro que tem. — A voz de Diaspro era perigosa. Ela agora estava cara a cara com a princesa. — Sua família tem a ver com isso. Você sabe que ninguém perdoa coisas assim. Muito menos àqueles que se mantém cúmplices.

— Você não entende…

— Ah, claro que entendo! — Ela riu. — Você simplesmente se mantém silenciada pra não ter um fim triste como de sua avó Diana, então fica desse jeito, quietinha, enquanto milhares de meninas são usadas como objetos todos os anos.

O olhar de Icy grudou o chão.

— Acho que você não vai contar sobre as eleições, Icy. — Diaspro agora voltou a ter sua voz meiga. — Espero que estejamos entendidas.

Somente Darcy e Stormy souberam desse acontecimento da Família Real. Icy achou que tal atrocidade iria magoá-las, afastá-las, mas…

— Diaspro é ridícula. — Stormy rosnou. — Ela tem medo de você e usa essas coisas que você não tem culpa para te assustar.

— Eu tenho culpa, de certa forma. — Icy manteve-se abraçada à sua pelúcia do Olaf. — Eu sei disso há anos…

— Mas você corre risco de vida de ousar falar sobre. — Darcy concluiu, e a platinada assentiu.

— Eu quero mudar isso. Eu… eu não quero que meninas tenham histórias terríveis só pra manter caras poderosos e escrotos satisfeitos consigo mesmos. — Ela levantou o olhar.

— Por isso você quer abdicar do seu título de princesa. — Stormy concluiu.

— E por isso ainda tem medo de abdicar. Tem medo de morrer igual sua avó morreu. — Darcy fechou.

Icy assentiu com a cabeça.

— Estamos com você. — Disse Stormy sem rodeios. — Esse grupo é tóxico. Se Diaspro usa informações desse tipo pra te manter calada, imagine o que saberá da gente.

— Eu já matei meu hamster. — Darcy encarou os pés. — Sem querer, mas ainda assim matei. Meus pais me internaram por um tempo, achando que eu era psicopata e que ia matar eles. — A hippie deu de ombros.

— Esse é o seu segredo? — Stormy arqueou a sobrancelha. — Eu fui mandada pra cá depois que pus fogo no meu quarto sem querer.

Icy e Darcy a encararam.

— O quê? Eu pensei que eu podia apagar o incêndio com o vidro de álcool!

— Álcool?! Sério, Stormy? — Icy segurou para não rir.

— Era álcool hidratado. 46. Achei que por ter mais água que álcool, apagaria. — Ela fez beicinho. — Fiz o segundo andar inteiro pegar fogo.

— Nossa… então… todas temos segredos. — A platinada encarou o boneco de neve sorridente.

— E eu já chupei meu primo. — Stormy acrescentou, fazendo as duas rirem.

— Então…

— Somos um grupo. — Darcy declarou. — Não precisamos delas.

— Vocês estão do meu lado nessa? — Icy corou.

— Ela foi uma escrota mesquinha interesseira filha da–

— Stormy! — Darcy repreendeu. — Sem baixarias, ok?

Icy piscou. — Só por curiosidade, como que você matou seu hamster?

Darcy riu e desviou o olhar. — Experiência de Schrödinger.

— Ah! — As duas outras disseram em uníssono.

.   .   .

— Então Diaspro usou Icy como um jogo pra política do pai. — Stella concluiu, com os pés sobre a mesa da biblioteca. — E isso as fez se divirtuarem das Nebulosas.

— Exatamente. — Tecna apagou a tela do iPad, pousando as duas mãos sobre a mesa.

— Diaspro é uma filha da puta. — Aisha rosnou. — Não me admira o Sky ficar com medo de terminar as coisas com ela.

Lá estava o nome dele de novo. Bloom sentiu o coração disparar, se irritando com isso. Era apenas um nome estranho de um garoto estranho. Nada demais.

— Então nós temos isso à nosso favor. — Musa brincou com suas pulseiras. — Ela usou Icy para fazer o pai dela subir ao poder.

— E sabemos dos segredos das outras. — Stella lembrou. — Tipo que Krystal usou métodos não ortodoxos pra passar em latim, que Mitzi usou seus recursos tecnológicos para alterar a nota de todas elas na aula de DuFour.

— Vamos com calma. — Flora encarou a mesa.

— Calma?! Flora, elas são escrotas! Construíram um monopólio próprio dentro da escola, onde todo mundo teme o poder delas! — Bloom protestou.

— E fora que nem encontramos o Manual do Escárnio! — Aisha concordou.

— Mas precisamos ter a consciência de que elas também sabem sobre nossos segredos. — Tecna olhou para todas as meninas. — Vocês gostariam que seu possível segredo obscuro se revelasse para todo mundo?

As meninas ficaram quietas. Musa suspirou. — Você tem razão.

— Mas o que vocês têm a esconder? — Bloom arqueou a sobrancelha. — O que poderia ser tão ruim a ponto de manchar até mesmo a carreira de seus pais?

Todas olharam para Bloom.

— Eu sinceramente não tenho nada a esconder. — Tecna declarou. — Mas eu ficaria incomodada se soubessem que tenho um irmão com Síndrome de Angelman. Na minha antiga escola, não me deixavam em paz, dizendo que meu irmão era um ET e essas coisas. — A magenta desviou o olhar.

— O que é Angelman? — Stella perguntou.

— E seu irmão? Como que ele está? — Bloom se preocupou.

O olhar de Tecna ficou frio de repente. — Sugiro que pesquise sobre isso depois, Stella. — Seus olhos pairaram em Bloom. — Ele está morto.

Uma camada de tensão circulou a mesa. Ninguém ousava falar nada, nem mesmo Bloom, a questionadora. Aisha limpou a garganta de repente.

— Eu sou ateia. — Aisha olhou para a mesa. — Se meus pais souberem, provavelmente serei extorquida da família, deserdada.

— Fala sério! — Stella arregalou os olhos, mas Aisha apenas suspirou. — Cadê a liberdade religiosa?!

— É meio complicado esse tendo no Brasil.

— Na América, no geral. — Flora murmurou.

— Meu segredo… — Musa respirou fundo. — Foi sobre o meu vício à heroína.

As meninas arregalaram os olhos, olhando para ela.

— Calma, eu não sou mais. — Ela mostrou os braços pálidos. — Eu… eu não me lembro como que comecei. Só sei que foi horrível terminar.

— Por isso você ficou duas semanas na enfermaria… — Flora lembrou.

— Exatamente. E vocês Nebulosas achando que eu estava grávida. — Musa revirou os olhos.

— Minha mãe participou do projeto da reconstrução do Rio Tâmisa. — Flora encarou a mesa.

— Isso é bom… não é? — Stella temeu a resposta.

— Minha mãe estava contra a reconstrução.

— Mas ela é mestre em Direito Ambiental. — Aisha franziu a testa.

— Sim, mas ela tem ressentimentos com quem fez a reconstituição. Ela foi uma das responsáveis pela maré vermelha que ocorreu lá.

Aisha piscou. — Flora…

— E eu quem dei a ideia. — A latina estava vermelha, a respiração parecia descontrolada. Musa pegou sua mão.

— Calma Flora… tá tudo bem.

— Eu não tenho o que esconder. — Stella refletiu. — Mas ninguém vai usar coisas para manipular minhas amigas!

— Exatamente! — Bloom se pôs de pé e esticou as mãos. — Somos as Winx, certo?!

Tecna deu um sorriso e se pôs de pé, esticando a mão. — Somos as Winx!

Aisha também se levantou e pôs a mão sobre as delas. — As Winx!

Musa sorriu e fez o mesmo. — Para sempre!

— Sempre! — Stella se pôs de pé e sorriu ao ver a pilha de mãos.

— Até o fim. — A última mão, a de Flora, se pôs no topo.

— Silêncio! — A voz de Barbatea gritou atrás delas. Elas fizeram uma careta ligeira.

— Aff. — Stella revirou os olhos. — Estragou o clima.

— Precisamos de um novo lugar pras reuniões. — Tecna murmurou.

O sinal do jantar soou pelos corredores.

— Vamos! Vamos jovens leitores! Vão alimentar suas mentes com o jantar para se manterem fortes! — Barbatea bateu palmas para espantar os alunos da biblioteca. Olhou para as meninas, com um certo desgosto no olhar.

— Acho que não. — Bloom sussurrou, com um sorriso. — Acho esse lugar perfeito.


Notas Finais


Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!

Beijos, GbMr ~


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...