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História High School Sucks - Capítulo 22


Escrita por: e GbMr


Capítulo 22 - As Estrelas de Manchester


Fanfic / Fanfiction High School Sucks - Capítulo 22 - As Estrelas de Manchester

Uma vida de príncipe, eles lhe disseram.

Só se fosse de príncipe da puta que pariu.

Sky simplesmente não conseguia se encaixar. A família dos Sutherland era tão tradicional que poderia ser confundida com toda uma cultura de Londres.

Quase cento e cinquenta e seis anos de império. Era assim como ele chamava a transnacional que seu tatarata… enfim, que um de seus parentes antepassados fundara. Sua família regia uma Casa, quase uma Casa Real, que mantinha relações indiretas com os Windsor.

Mas ele não ligava para isso.

Não ligava de ter nascido num berço de diamante. Não ligava de ter as melhores roupas à sua disposição.

Sky não queria relações com os Sutherland, e esperava ansiosamente seus dezoito anos para mudar seu nome.

Ele foi, ou deveria ter sido, uma criança feliz, se não fosse tão regulada e ensinada com cabrestos. Erendor, seu pai, o fez estudar em casa por praticamente quinze de seus quase dezessete anos de vida. Dizia que as escolas tornavam os jovens rebeldes e ignorantes com suas obrigações.

Bem, talvez aprender façam os jovens mais sábios e os velhos mais ignorantes.

Claro que Sky nunca falava isso.

Ele era o filho perfeito, herdeiro da Dinastia de Sutherland. Como sua vida já era muito estressante desde que aprendeu a falar, Sky sempre tendia a agir de acordo como seus pais bem queriam. Ele quase não era ele mesmo quando estava nos domínios deles.

Quase

Sky tinha uma avó incrível. Eldora era uma mulher doce, mãe de seu pai, que ele jurava de pés juntos que não era seu filho. Como uma mulher tão doce podia ter criado um filho tão ranzinza?

Eldora tinha os cabelos grisalhos que um dia foram loiros como os dele. Seus olhos castanhos pareciam uma doce xícara de chocolate quente numa noite fria de inverno. Sky amava sua avó como nunca amou ninguém, nem mesmo seus pais. Talvez isso pudesse ser um pouco pesado, mas amar pessoas que lhe impõe regras o tempo inteiro era algo extremamente broxante para qualquer tipo de relacionamento, seja ele amoroso ou familiar.

O fato é que com Eldora, Sky podia ser ele mesmo. Ele não prestava atenção nas palavras que dizia, só dizia. Ele não ligava para suas roupas, seu par de pijamas azuis desbotados que ele amava, um presente de sua avó, que quando ela disse que faria um novo para ele, ele negou e disse que nenhum poderia substituí-lo. Eldora era o porto seguro de seu neto, era a única esperança que ele tinha para não perder sua própria essência.

Mesmo sendo prometido para duas pessoas: a princesa de Windsor e a filha do Primeiro Ministro – que Sky pouco se lixava –, mesmo tendo sempre que fingir ser quem não era e seguir ordens restritas por segurança de sua vida, nada disso parecia ser mais que um sonho quando estava nos braços de sua avó.

Eldora brincava com suas mechas loiras, dizia que seus fios eram a ligação das estrelas, que eram eles que formavam constelações. Com ela, passava as noites de verão recitando as histórias das estrelas, as constelações que podiam ser vistas de sua mansão em Londres. Faziam bolo de cenoura com calda de chocolate todos os fins de semana – algo que ele era proibido de comer segundo sua dieta maluca – se deliciando num piquinque sobre o céu estrelado. Sky amava tudo aquilo.

Num dia, Sky contrariou seu pai. Disse que não ia fazer o que ele havia pedido porque não havia nascido para isso. Esse ato de coragem e rebeldia desencadeou uma raiva que Sky nunca vira de seu pai.

Aquele foi o dia que ele ganhou o chaveiro de cenoura de sua avó.

Erendor o castigou. O castigou como os povos antigos faziam com seus escravos. Sky ficou marcado com cicatrizes que hoje só existem em seu coração. Samara, sua mãe, era um pouco mais misericordiosa, pedia para que o marido parasse.

Quando Sky pôde finalmente não sentir o chicote queimando sua pele, se arrastou para fora dali, ouvindo seus pais tendo uma briga.

Ele o odiava. Isso era uma nota mental que reproduzira durante toda a vida. Quando desabou em sua cama, acordou com o carinho e o aroma doce de canela de sua avó.

— Querido… eu soube o que… meu filho fez. — Ela parecia estar prestes a dizer "seu pai", mas mudou de atitude. — Eu sinto muito por isso. Queria poder ir para longe e que você viesse comigo.

Sky chorou. Por que uma mulher tão doce como ela tinha posto o homem que mais o odiava no mundo? Ela sentou-se na cama e puxou o menino loiro de doze anos para seus braços. Acariciava as constelações de seus cabelos e dizia que tudo ia se acertar.

— Farei um bolo de cenoura só para você. — Eldora sussurrou. — Você vai se sentir melhor.

— Vou… vovó.

Eldora remexeu no bolso de seu lustroso vestido rosa bebê. Tirou de lá uma pequena figura de uma cenoura sorridente. Um chaveiro.

— Tome. Irá te proteger. — Ela sorriu. — Enquanto estiver com ele, terá sorte. Ok?

Um chaveiro de cenoura. Sky sabia que o legume favorito de sua avó era aquele, e que ela fazia milagres com aquilo. Ele sorriu e o pegou, o colocando sobre o peito. — Obrigado, vovó.

Com o passar dos anos, o vínculo que eles tinham se manteve intacto. Ainda era a mulher que ele mais amava.

Sky descobriu que queria ser médico. Ou ter uma profissão que ajudasse as pessoas. Ele observou a biblioteca de sua avó, alguns livros de patologia e anatomia dispostos em uma prateleira, esquecidos em um canto. Ele se pegou lendo eles, devorando as palavras e conceitos com seus olhos e sua curiosidade de menino.

— Anatomia, é? — Ouviu a voz de Eldora. A mulher idosa estava pairada na soleira da porta, seu sorriso contagiante como sempre. — Eram os livros de meu irmão. Ele foi médico na Guerra.

Sky piscou. — Meu tio-avô Tom foi médico da Guerra?!

— Sim. — Ela fechou a porta atrás de si e desviou o olhar. Na hora, Sky percebeu que aquele assunto era delicado para ela. Sua avó sentou-se numa das poltronas ali dispostas e observou a figura do neto.

— Ele era bem superticioso. — Ela sorriu. — Dizia que se morresse, ele ia se materializar em uma estrela, em uma constelação para aqueles que serviram a nação. Ele acreditava que Deus faria isso por amor à Inglaterra.

Sky se manteve calado. Não era muito crente na existência de um Deus, do Céu e do Inferno, sobretudo porque sua vida já era um inferno.

— Ele morreu na guerra. — Eldora observou a chuva pelos janelões da biblioteca. — Morreu fazendo o que ele amava.

— E agora é uma estrela. — Sky observou o livro em suas mãos, aberto numa página com formas anatômicas do fígado humano.

— Fique com esses livros. — Eldora se levantou e caminhou até a janela. — Seja um médico. Livre-se dessa Dinastia, Sky. Ela já está a ruir há muito tempo.

Sky observou sua avó. Eldora não parecia mais a senhora doce que o acolhia em seu colo. Parecia uma anciã que sabia de coisas além de seu tempo.

— Não posso ser médico.

— Claro que pode. — Ela se virou para ele, um sorriso sereno porém triste. Sky queria ter decifrado naquela época o que estava prestes a vir. — Você pode ser o que você quiser.

Quando Brandon e ele conversaram sobre Manchester com seus pais, depois de um pouco de relutância, Erendor permitiu que Sky fosse. Seria bom para um líder aprender a trabalhar em equipe, o Príncipe de Sutherland a postos para negócios. Obviamente, Sky vira isso como uma oportunidade de se aproximar de figuras como Joseph Lister, que passaram por Manchester Hall antes de ganhar o mundo da Medicina. Disse a si mesmo que se sua avó estivesse certa, que se ele pudesse ser quem ele quisesse, faria um templo somente para Eldora. Aquela mulher merecia muito mais do que um simples enterro à moda Sutherland.

A cenoura sempre estava em seu bolso. Não abria mão dela nem mesmo na hora de dormir. Apesar de não crente, acreditou que sua sorte havia melhorado bastante depois que adquiriu aquele chaveiro. As conversas com seus pais durante o jantar não eram mais tão difíceis de ouvir. Aprender esgrima ou tiro ao alvo – coisas que ele simplesmente odiava – não pareciam mais tão desgastantes.

Foi para Manchester, fez novos amigos, encontrou a si mesmo. Bebeu, transou, fez coisas que todos os jovens adolescentes despreocupados podiam fazer.

E conheceu Bloom, que ele ainda não sabia se a mantinha por perto, como seu coração queria, ou se a mantinha longe, porque sentia que sua história a despedaçaria…

Sobretudo quando sua avó ficou doente.

Na última vez que foi para casa, de férias, Sky não encontrou sua avó alegre e contagiante. Não encontrou um bolo de cenoura com calda de chocolate à sua espera. Encontrou a mansão sem vida, como se estivesse literalemnte prestes a ruir.

— Cadê a vovó? — Perguntou para uma das governantas. Whilhermina deu um sorriso triste.

— Em seu quarto, repousando.

— Repousando? Ela se machucou?!

Os olhos de Whilhermina brilharam de tristeza. — Talvez seja melhor tu mesmo ir vê-la.

Eldora estava com câncer. Começou em seu intestino, agora estava em metástase. Com o tratamento que os médicos estavam fazendo, restava-lhe alguns meses, talvez um ano de vida. A doce senhora estava em sua cama, a cabeça calva coberta por um lenço rosa que combinava com suas cobertas. Estava mais pálida e mais magra do que Sky se lembrava.

Ele teve sua primeira desilusão amorosa. Percebeu que a situação era mais séria do que parecia. Queria poder salvar sua avó, se transformar num médico e descobrir a cura do câncer, mas sabia que não teria tempo para isso.

Seu coração se partiu quando os olhos castanhos de sua avó olharam para ele. Não pareciam mais com doces xícaras de chocolate quente. Pareciam duas rochas secas sujas de terra.

— Sky… — Ela sorriu. — Eu…

— O que aconteceu?… Você estava tão bem da última vez… — Ele se aproximou, tocando o rosto de sua avó, que se aconchegou em sua mão quente.

Ela lhe contou sobre o que ocorreu. Quando ele começou o ano letivo, ela caiu da escada. Foi levada ao médico e lá recebeu o diagnóstico. Os pais de Sky esconderam as informações desde então para não preocupá-lo, a pedido de sua avó.

— Isso não é justo! — Os olhos azuis dele derramavam lágrimas incessantes. — De todas as pessoas… por que você?! Por que não meu pai ou…

Ele parou de falar quando percebeu que nada daquilo faria sentido. Ele não ia poder mudar as coisas do passado pelo simples fato de sua avó ter perecido a uma enfermidade. Ele escondeu o rosto em seu peito, chorando. Não queira perder a única pessoa que ele amava, a única mulher que ele se apaixonou, por quem ele morreria e mataria se fosse preciso.

Seus sentimentos começaram a se confundir quando encontrou Bloom. Ele não queria voltar para casa, não queria ver a vó naquele estado, piorando a cada dia que passava, e ela entendia muito bem. Ele tinha livros de medicina, tinha desenhos que fizera com ela.

E antes tinha o chaveiro de cenoura.

Mas ele não tinha trago sorte para ele.

Ele achou que sua sorte havia acabado porque sua avó ficara doente. Achou que ter conseguido melhorar o relacionamento regular com seus pais e ter sido admitido em Manchester Hall era tudo mérito do chaveiro. Mas no final, o chaveiro tirara a pessoa mais importante de sua vida. Talvez fosse hora de passar sua sorte adiante, porque não voltaria a ver a estrela que lhe fazia ter esperanças.

Quando ele encontrou Bloom pela primeira vez, sentiu uma sensação estranha no peito. Ela não se parecia em nada com Eldora, mas o seu jeito explosivo e nem um pouco "glamouroso" o prendia. Quando ela jogou a mochila Jansport na mesa no dia em que descobriram que seriam colegas de bancada, Sky pôde admirá-la um pouco mais do que havia admirado antes. Seus cabelos ruivos não se pareciam com os loiros – posteriormente grisalhos – de sua avó. Seus olhos azuis em nada lembravam uma doce xícara de chocolate quente, mas ela tinha um humor e um jeito que ele não conseguia explicar.

Talvez ele estivesse começando a transferir aquele sentimento que sentia por sua avó e mais ninguém. Talvez, depois de transar e beijar muitas garotas, agora ele tenha achado o que de fato ele procurava todo esse tempo. A busca por si mesmo o levou até ela, e isso não podia ser só coincidência.

Quando beijou-a pela última vez, naquele dia no terraço, Sky sentiu como se estivesse se separando de uma parte do corpo, e em como aquilo era doloroso. Com quem ele havia aprendido a proteger as pessoas que ama se ele sequer podia ajudar Eldora a melhorar?

Estou ficando louco, pensou. Parecia uma das supertições de seu tio-avô Tom. Ele não conseguia acreditar num Deus que tiraria a única fonte de alegria que ele tinha em seu berço: sua avó, mas acreditava que ela sim viraria uma constelação em breve, e ele teria algo muito mais memorável que o chaveiro de cenoura, ou os desenhos que fizeram juntos.

Ele teria um céu inteiro para explorar.


Notas Finais


Um episódio mais simples e que eu achei tão bom na hora que eu escrevi. Espero que tenha gostado!

Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!!!

Beijos, GbMr ~


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