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História High School Sucks - Capítulo 25


Escrita por: e GbMr


Capítulo 25 - Descanse, Eldora


Fanfic / Fanfiction High School Sucks - Capítulo 25 - Descanse, Eldora

Apesar da tarde nublada, as Winx passaram sua tarde livre juntas no pátio gramado do campus. Musa falava sobre seus planos na carreira musical, sobre o porquê escolheu ir para Manchester Hall e tudo o mais. As outras meninas a acompanhavam, mas uma em particular estava voando nos pensamentos.

— Bloom, tá pensando na morte da bezerra. — Aisha brincou.

Tecna arqueou a sobrancelha. — O que é morte da bezerra?

— Não importa. — Flora interveio, preocupada com a quietude da amiga. — O que ouve, ruiva? Você não é assim.

— Como assim?

— Você é enérgica. — Musa gesticulou. — É tagarela, uma…

— Já entendi. — Bloom abaixou o olhar. Entre suas pernas em posição indiana, encontrava-se seu celular, que agora pendia um novo acessório. Olhar para o chaveiro de cenoura o fazia ficar com o coração apertado.

— Tá preocupada com ele, não é? — Stella pôs a mão no ombro da ruiva.

— Flor, relaxa. Sky sempre é chamado na direção por fazer várias merdas. Talvez ele tenha sido chamado por ter… sei lá… envolvido o carro de Codatorta com papel higiênico? — Aisha riu, e as meninas a acompanharam, com excessão de Bloom. Ela manteve a expressão neutra.

— O olhar de Faragonda não era de raiva ou repreensão… parecia ser… pena. Falou sobre a avó dele.

As meninas se entreolharam. — Bem… talvez ela tenha vindo o visitar. — Disse Musa, sem muito entusiasmo.

— Por que você não vai falar com ele? — Stella sugeriu.

Bloom corou. — Eu… não. Tipo, hoje é o único dia que temos a tarde sem aulas e que passamos juntas… seria… injusto.

— Ele é seu amigo. — Aisha interveio. — E dá pra ver que você se preocupa com ele. Talvez ele precise de alguém do lado dele agora caso a avó dele… bem…

Aisha não precisava dizer. Todas elas sabiam que a ordem natural das coisas eliminava os mais velhos primeiro.

— Vai falar com ele! O que você tá esperando?! — Tecna instigou, com um sorriso solidário.

— Quê?! Não! E se ele estiver na aula?!

— Esse horário é o intervalo da tarde. — Stella conferiu a hora no relógio. — Talvez ele esteja no quarto dele ou no refeitório. Procura. Manda mensagem, sei lá.

Depois de relutar um pouco, Bloom saiu atrás de Sky. Seja lá onde ele estivesse, não o viu na hora do almoço e não teve a oportunidade de conversar com ele.

Procurou-o pela escola inteira. Nada de aparecer no prédio principal. Foi até os dormitórios e furtivamente se espreitou no corredor masculino. Ignorou os olhares dos meninos, alguns confusos, outros divertidos, e identificou a porta do quarto que Stella dissera ser de Sky e Brandon.

Bateu freneticamente na porta, torcendo para que ele abrisse.

— Ah! É a Bloom. — Riven deu um sorriso malicioso ao recebê-la. — Tá a procura de quem?

Ela piscou. — Pensei que o quarto do Sky fosse aqui…

Brandon se moveu atrás e Riven e o empurrou. — E é. Riven tá aqui de sacanagem. Entra ruiva.

Ela entrou rapidamente, temendo ser repreendida por Brafilius ou Griselda. — Eu só passei para perguntar se vocês viram Sky.

Brandon e Riven se entreolharam, negando com a cabeça.

— Não o vejo desde aquela hora que Faragonda o chamou. — O menino de cabelos cor de vinho voltou a se jogar na cama que parecia ser de Sky.

Bloom contemplou o quarto por um tempo. Para um quarto de meninos, até que parecia bem organizado. A cama de Brandon estava bem arrumada em uma colcha verde oliva, enquanto a de Sky – salvo pelos amassos causados por Riven – possuía uma colcha azul steel. Havia estantes com troféus, medalhas e livros. Uma caixa estava em cima da cama do loiro, alguns consoles ali jogados. Ela percebeu que era aquilo que Riven estava fazendo ali, jogando um jogo do amigo.

— Bem… Hm… Não tem ideia de onde ele possa estar, Brandon?

— Acho que ele deve ter ido pra casa. — Ele suspirou. — Se algo aconteceu com a avó dele… bem, ele é apegado à ela e seria péssimo. Tem certeza que já foi na escola toda?

Ela franziu os lábios. Logo lembrou-se do lugar secreto que compartilhava com ele – e apenas com ele, ela esperava – o terraço.

— Bem… Hm… Acho que sei onde procurar. — Ela forçou um sorriso. — Obrigada meninos.

— Não fizemos nada. Agradeça quando eu…

Bloom não esperou Riven terminar a frase. Saiu correndo pelos corredores até chegar na ala mais vazia e misteriosa do segundo andar, onde uma escada estreita de ferro em espiral levava para o terraço da escola, praticamente abandonado.

Como esperado, Sky estava lá. O ângulo não era muito favorável. A ausência do sol deixou seu cabelo cinzento, sua pele mais pálida. Ele estava de pé na mureta que impedia que acidentes acontecessem, onde sentaram na última vez que ela estivera ali.

Ela arregalou os olhos e correu até ele, sentindo o coração quase saltar pela boca. — Sky! Desce daí!

Ele virou-se para ela, com um sorriso. Os olhos dele estavam vermelhos, como no dia que o vira na fila da simulação de incêndio. O sorriso não era bem um sorriso, estava mais para uma curva irônica feita por sua boca.

— Você tem medo de morrer, Bloom?

Ouvir seu nome ser dito por ele daquele jeito a causou arrepios nada agradáveis. Ela odiava ser chamada de Bloom por ele, apenas quando a situação estava caótica seu nome era usado.

— Não!… Mas eu tenho medo que você se machuque!

Ele bufou e voltou a olhar o horizonte.

— Sky!

Ele fingiu não a ouvir.

— Se você não descer daí, eu vou subir! — Dizer aquilo foi mais desafiador para ela do que para ele. A verdade era que ela tinha um certo pânico de altura, e vê-lo daquele jeito… qualquer escorregão ou vento forte o transformaria em patê.

— Bobagem.

Ela rangeu os dentes e cerrou os punhos. Ela engoliu em seco e escalou a mureta, ficando de pé ao lado dele.

Por mais que não fosse tão alto assim do chão, Bloom podia sentir o ar mais frio. Um certo pânico percorreu sua espinha. Como Sky conseguia ficar em pé ali sem sentir vertigem?

— Bloom! — Ele repreendeu.

— Você pode subir e eu não? — Apesar de ter soado corajosa, sua pele ficou num tom de verde. Ela se ajeitou sobre a mureta e escorregou.

Sky a pegou e se jogou no chão. Ele gemeu quando sentiu o piso de concreto salpicar seus braços. Bloom estava sobre ele. Ela corou e saiu de cima. O loiro logo se pôs de pé e começou a andar pelo terraço.

— Você perdeu o juízo?!

— Por que você estava fazendo aquilo?! — Ela quase gritou.

Ele se agachou, o rosto escondido entre as mãos. O que ele fez destruiu o coração de Bloom.

Ele soluçou.

— Sky… — Ela se aproximou, hesitante. Se ele iria ou não se jogar da amurada, poderia ela não se machucar com isso? — O que… o que houve?

Ela sentou-se ao lado dele e depois de ponderar, tocou suas costas. Percebeu que ele tremia. Ela acariciou-o, tentando fazer o possível para ajudar.

Ele levantou o olhar. O rosto dele estava úmido com a água salgada das lágrimas. Os olhos estavam vermelhos. — Ela morreu, Bloom.

A forma como ele disse piorou o estado dela. Ela se forçou a abraça-lo, ele nada fez para impedir.

Ele chorou silenciosamente em seu peito. Bloom acariciava seus fios loiros, sem vida. Sky estava mesmo tentando o suicídio? Será que ela chegou à tempo?

Nunca ela havia presenciado algo do tipo. Ela não sabia se outras pessoas sabiam da existência do terraço. Se não, será que ela era a única pessoa em toda a escola a ter a chance de salvá-lo? Será que ele teria mesmo a coragem de pular? 

Ela preferia não descobrir.

— Sua avó…? — Ela ficou tentada a continuar.

— Tantas pessoas… — Sua voz era rouca e cansada. Seu hálito a lembrava de uma floresta de eucaliptos. — Sete bilhões… uma família de hipócritas… e de todos, quem teve que partir foi ela.

E ele a surpreendeu contando a história dele. Bloom ficaria mais tranquila se ele terminasse e dissesse que era apenas uma pegadinha, mas ele não o fez. Ela sentiu os olhos se encherem de lágrimas. Como que o garoto mais bobo e que tanto a fazia rir no fundo era alguém tão triste?

— Sky… — Ela o apertou em seus braços. — Eu sinto muito.

E ela corou ao perceber que o apelido que ele lhe dera não era apenas por ela ser ruiva: era porque era importante para ele. Talvez não tanto quanto sua avó, mas com certeza mais do que seus pais.

— Não sinta. — Ele se afastou, passado a mão no rosto. — Eu… eu não quero ir pra casa.

— Eu entendo mas… não vai se despedir dela uma última vez?

Ele respirou fundo e deitou no chão de concreto. O céu nublado parecia mais escuro. Ela o acompanhou. Eles deitaram de forma que suas cabeças estivessem ao lado um do outro, os corpos em direções opostas.

— Você é mais forte do que eu imaginava. — Ela conseguiu dizer.

— Me sinto um fraco.

— Você não é.

— Eu não podia fazer nada pra ajudá-la. Eu…

— Não foi sua culpa. — Ela cerrou os punhos. Sabia o que era ter problemas com os pais, mas não sabia a gravidade dos dele. Ele poderia ainda estar omitindo informações. Agressões verbais e físicas para uma criança, isso era demais. Ela odiava abuso de autoridade, e era isso que ele sempre sofria em sua família, com a excessão de sua avó, que era o refúgio dele.  — Não se culpe por ações e atitudes de outras pessoas, nem pelo acaso da natureza.

— Acaso da natureza. — Ele riu ironicamente. — O acaso da natureza serve pra tirar de nós o que nos faz bem.

— Sky… sua avó viveu feliz. — Ela tentou escolher as palavras. — A vida só é preciosa porque termina. Você deveria ficar aliviado por ela ter abandonado esse mundo cheio de injustiças.

Sky ponderou sobre aquilo. O que ela falava fazia sentido, mas agora ele estava sozinho.

— Você não está sozinho. — Ela falou, como se lesse seus pensamentos. — Você tem seus amigos. Você tem… a mim.

Ele sentiu-a hesitar nessa última parte. A chuva começou a cair, molhando ambos, mas eles nem se moveram. Sky pouco se importava.

— Você se preocupa comigo. — Ela não sabia se era uma pergunta ou uma afirmação.

— Sim… — Ela pegou o celular. Esticou-o sobre ela, o chaveiro de cenoura pendurado.

— Você é a primeira pessoa que eu conto esse tipo de coisa. — Aquilo fez o coração dela disparar. Sentiu-se importante. — Nem Brandon… bem… sabe dessa história por completo. Espero que–

— Vai ficar entre a gente. Não se preocupe. — Ela se apoiou nos braços, de forma que podia olhar para ele. Seus cabelos já estavam pingando por causa da chuva, mas ela não se importou nem um pouco. Observou os olhos azuis dele, parecendo brilhar mais do que antes, como se tivesse tirado o peso de carregar o mundo das costas. — Você pode confiar em mim, Sky. Não precisava se afogar em mágoas quando alguém pode lhe jogar uma bóia.

Ele já confiava. Ela estava linda daquele jeito. Ela não usava maquiagem, os cílios compridos sendo bem visíveis agora que estavam molhados. Ele ficaria tentado em ver seu corpo grudado no uniforme da escola se não estivesse tão desanimado.

— Obrigado, cenoura. — Ele esboçou um sorriso fraco. Ela corou e lhe deu um beijo na testa.

— Não deixe de ver sua avó uma última vez. — Ela murmurou. — Pode se arrepender se não o fizer.

Ele não respondeu. 

Bloom sentia-se mais íntima dele agora. Pelo menos ela sabia o motivo de ele querer ser médico, de ele saber tanto sobre doenças, de ele ser divertido e alegre: para esconder os motivos de sua tristeza. Viu como Manchester era um verdadeiro lar para ele, por mais que existissem pessoas como Diaspro, Wizgiz ou Griselda. Ele se sentia bem.

Ela voltou a deitar-se ao seu lado, os dois deixando a chuva cair sobre eles.


Notas Finais


Episódio mais específico que outros, mas era necessário. Espero escrever e postar logo o próximo.

Se você se identificou com o ocorrido com Sky, não se sinta sozinho. Para tudo há uma solução. Fale como se sente, fale com as pessoas. Busque-se e não tenha medo <3

Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!!

Beijos, GbMr ~


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