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História High School Sucks - Capítulo 29


Escrita por: e GbMr


Capítulo 29 - A Canção de Musa


Fanfic / Fanfiction High School Sucks - Capítulo 29 - A Canção de Musa

Riven realmente tentava ser tão bom em Matemática quanto era em História.

Mas isso estava fora de questão.

Darcy sempre o ajudava. Era talvez a única pessoa que considerava mais que uma colega em sua sala de Álgebra. Apesar de ser uma mistura estranha de hippie gótica, tinha um humor peculiar e era extremamente calculista. Ele com certeza não gostaria de fazer parte da lista negra da garota.

— Você pode me encontrar no campus se quiser ajuda com isso aí. — Ela arqueou a sobrancelha, olhando para o conjunto de matrizes mal feita pelo rapaz.

— Eu agradeço. — Ele assentiu.

E encontraram-se lá mais tarde. Darcy estava melhor, mas não entrou em detalhes em relação a sua experiência no hospital. Ele achou melhor não perguntar.

— Primeiro você precisa saber sobre a formação geral: linhas, em i e colunas, em j. — Ela desenhava as formas no caderno.

Riven viu Musa passar num vislumbre que se distraiu. Sentia que a japonesa olhava diretamente para ele com a raiva inflamando de seus olhos antes de desviar o olhar e prosseguir.

A partir daí, se perdeu completamente das ideias de Darcy.

Riven sempre observou o Japão como um país de disciplina e excelência, mas via que tudo não passava de esteriótipos quando Musa apareceu em sua vida. Ela era a garota que dançava sobre a mesa mas festas, virava garrafas de tequila e jogavam a verdade na sua cara sem ao menos você ter tempo de protestar.

Essa era Musa Watanabe.

Por que não conseguia parar de pensar nela? O que será que ela estava pensando quando beijou sua bochecha? Será que ela estava brava porque Darcy estava com ele? Eram muitos questionamentos e poucas respostas.

— Riven! — O grito de Darcy o trouxe de volta para a realidade. — Matrizes! Cacete, é assim que você fica nas aulas de Matemática?!

Ele bufou. — Tá mais pras de Química. — Ele murmurou.

— O quê?

— Esquece.

Darcy franziu a testa, mas ignorou a viagem do amigo. Prosseguiu com as explicações de álgebra.

.    .    

Musa cerrou os punhos com força e fechou a porta atrás de si ao entrar na sala de música.

O que diabos Riven estava fazendo com aquela garota? E por que ela pensava nele assim?! Ele a irritava de todas as formas possíveis e impossíveis. Riven era um idiota. Musa não deveria se apaixonar por idiotas.

Espera, ela realmente pensou nessa palavra?

Ela sacudiu a cabeça e guiou-se para o piano.

Ali era onde se encontrava com sua mãe, um anjo que descia do céu para vê-la tocar. Sentia que ela segurava sua mão, lhe guiando sobre as teclas do instrumento.

Sua boca começou a cantar sua canção, em japonês.

Eu gostaria que você estivesse aqui

Encarar seu sorriso, me ver sorrir

Sempre sendo tão dócil ignorando assim

Toda a raiva do mundo

Tão moribundo… 

Fez uma pausa, o piano preenchendo o local que sua voz deveria cantar. 

O tempo todo isso foi uma febre

Uma pessoa crédula, impulsiva como uma lebre

Pedi que me mostrasse algo relevante

Algo que deixaria minha vida num completo sentido

Num sentimento de pertencimento absoluto

Um casulo profundo

E senti suas mãos sobre mim 

Nesse piano que preenche meus dias assim

Sem mais nem menos, apenas com a melodia

Sua voz ecoando pela minha, direto pela minha alma

Não tenho muita certeza de como me sentir quanto a isso

Algo no modo como você se mexe

Me faz sentir como se não pudesse viver sem você

Isso me leva ao tempo do começo ao fim

Queria poder te ver uma última vez, mamãe

Saber se ficaria orgulhosa de mim 

Se me tornei a garota que você almejara

Ou se seria só alguém sem saída…

Musa parou de tocar quando sentiu outra presença. E não era de sua mãe.

Ela olhou para a direção da porta, e viu Riven parado ali, aparentando estar emocionado.

Ela não sabia o que fazer, o que sentir, o que dizer. Desviou o olhar e encarou as teclas. Suas amigas ainda não a tinham ouvido tocar sobre sua mãe. Nem sequer visto sua letra. Será que Riven entendia o que ela dizia? Não. Se aquele idiota soubesse japonês, ela seria a Virgem Maria.

— O que… você…

— Você é melhor do que todos os artistas que eu ouço. — O elogio pareceu arrebatá-la como uma xícara quente e doce do chá de sua terra natal. Ela não o impediu quando ele se aproximou e sentou-se ao lado dela.

— Não gosto que as pessoas fiquem bisbilhotando. — Ela murmurou, encarando as teclas brancas. Ela não sabia se poderia se segurar se olhasse diretamente para ele.

— Creio que pelo seu tom de voz, você não está tão brava.

Musa rangeu os dentes, mas não respondeu.

Riven fez algo que por impulso poderia o ter matado. Sua mão foi até a dela, seus dedos se encontrando.

Ele esperava que ela fosse gritar, batê-lo e xingá-lo de todos os piores nomes possíveis, mas ela apenas entrelaçou seus dedos, o que o deixou muito chocado e fez suas bochechas queimarem.

— Não sei, Riven. — Ela olhou para ele. — Eu sinto vontade de te matar, mas também não sinto.

— Acho que alguns sentimentos podem se confundir com o ódio. — Ele deu um pequeno sorriso. Musa olhou para ele e arqueou a sobrancelha.

— Filosofando?

— Na Grécia Antiga, eles acreditavam em Afrodite. Ela era a deusa do amor. Ela dizia que a guerra e o amor andavam juntos, porque eram coisas imutáveis. Todas as guerras foram causadas pelo amor.

Musa riu sarcasticamente. — Está me dizendo que Hitler causou a Segunda Guerra Mundial por amor?

— Sim. Ele tinha motivações diferentes, como amor a pátria e a si mesmo. Não podia se mostrar um fraco.

Musa piscou. Não esperava ouvir coisas inteligentes de Riven. Ela corou e abaixou a cabeça, olhando para suas mãos. — Você é mais interessante do que pensei.

Então ela olhou para ele. Percebeu o quão estavam próximos. Ela podia sentir seu perfume, que se assimilava a avelãs. Seus olhos azuis brilhavam num tom estranho. Pareciam roxos, apesar de ser impossível olhos naturais serem daquela cor. Seus cabelos estavam desgrenhados, a mistura de vinhas debaixo de um gorro escuro na cabeça. Sua jaqueta de brim o fazia parecer um jovem do Polo Norte, não um cara irritante e terrivelmente bonito.

— Musa… não sei o que está acontecendo. — Ele levou sua mão até seu peito, Musa pôde sentir seu coração disparado.

— Eu também não sei. — Ela engoliu em seco. Parte dela queria se afastar dele e parte queria encerrar o espaço entre os dois.

— Posso–

Ela foi tomada pelo instinto. Seus lábios se encontraram. Musa se surpreendeu ao perceber que os lábios dele tinham gosto de canela.

Ele retribuiu, um pouco hesitante. Talvez com medo de Musa arrancar sua língua ou de esmagar seus testículos, mas logo a sensação de medo desapareceu ao sentir suas mãos abraçaram seu pescoço.

Riven desceu as mãos para sua cintura, a mantendo perto. Seus lábios passaram a trabalhar em harmonia, como uma nota musical.

Musa terminou o beijo, as bochechas pálidas vermelhas. Ela pensou em empurrá-lo por tamanha audácia, mas lembrou-se que quem o beijou foi ela. Ela ofegou e desviou o olhar para as teclas bicolores.

— Acho… melhor eu ir. — Ela engoliu em seco e se pôs de pé rapidamente, ajeitando a saia do uniforme.

— Musa! Ei! Espere…

Mas ela já tinha sumido.

.    .    .

— Fala sério?! — Bloom não pôde evitar de abrir um sorriso.

Musa encontrara Aisha e a ruiva nas escadas do prédio do dormitório. Estava nervosa, trêmula e vermelha. Contara o que havia acontecido, morrendo de medo.

— Mas isso é incrível! — Aisha piscou. — Foi seu primeiro beijo?

— Não é isso!

— Então foi.

Musa rosnou e agarrou os cabelos.

— Você está confusa com o que sente. — Bloom concluiu.

— Você parece entender bastante do assunto. — Aisha arqueou a sobrancelha.

— Musa está confusa. Ela quer odiá-lo mas seu coração diz outra coisa. — A japonesa parou de andar e encarou a ruiva. — Estou certa?

— O que preciso fazer pra dar um fim nesse sentimento?! — Ela se jogou na escada, aos pés de Bloom, como se implorasse por uma cura, como se Riven fosse uma enfermidade letal.

— Musa… é difícil. Quanto mais você negar esse sentimento, pior ele tende a ficar.

Ela rangeu os dentes e se afastou, voltando a andar pelo local. — Não posso gostar de um cara que dá mole pra Darcy!

— Ela é legal. — Bloom interveio. Aisha lhe lançou um olhar um pouco intimidador. — Quero dizer… ela é legal mas não acho que tenha essas preferências.

— Não, Bloom, você não entende. — Ela olhou para ela, os olhos azuis parecendo brilhar em fúria.

— Hm… — Bloom tentou buscar apoio de Aisha, mas a brasileira parecia tão perdida quanto ela.

— Ela é a ex dele! Não sei se só ficaram ou namoraram, mas já vi ele a beijar numa festa. — Musa desviou o olhar. Parecia estar arrancando um band-aid de uma ferida ainda não cicatrizada.

— Musa, talvez ele não olhe pra ela da mesma forma. — Aisha interveio.

— Claro que deve olhar! Passaram a tarde juntos no pátio! — Ela bateu o pé, seu sapato de salto baixo fazendo um toc ecoar pelo prédio mal movimentado naquela hora do dia.

— Musa…

Ela não parou para ouvir Bloom. Sumiu escada acima, deixando as duas americanas sentadas ali.

Os olhos da ruiva se encheram de pena. — Eu vou atrás dela.

— Não. — Aisha pôs a mão no braço dela. — Ela precisa ficar sozinha.

Bloom suspirou e abraçou o corpo. — Espero que as outras estejam bem.

— Flora com certeza. — Aisha pôs as pernas sobre o corrimão de estilo clássico da escadaria. Deitou-se no chão. Bloom se perguntou se era saudável deitar no chão assim. — Está com o príncipe dela. Tecna, não sei. Já Stella…

— Almoçando com a mãe. — Bloom encarou o celular em seu colo. Sempre que olhava para o dispositivo, a cenoura estava ali, sorrindo fofamente para ela.

Aisha acompanhou seu olhar. — Vocês são fofos juntos.

Bloom corou. — O que?

— Você sabe. Você e o loiro surfista. — Ela riu. — Ele é legal, às vezes é meio idiotinha, como a maioria dos meninos, mas é legal.

Bloom não conseguia responder.

— Eu sei que você está preocupada com ele e tal. Deve ser um touché. Ele quase teve um treco quando você ficou desmaiada no dia da bolada.

Ela piscou. — Um treco?

— Sim. Assim que você caiu, ele correu da arquibancada até você. Atropelou até Chimera, que ganhou uma marca roxa na perna. Ele te levou para a enfermaria com todo cuidado e pressa do mundo.

Bloom parecia estar concorrendo num concurso de cosplay. No caso, ela estaria representando uma cesta de pimentas e com a vitória a um micrômetro de distância.

— Eu?… Ele…

— Putz, você já tá apaixonada.

Bloom queria protestar, mas não queria reprimir os sentimentos. Afinal tinha acabado de aconselhar Musa justamente o contrário. — Eu… não sei.

— Ele é um amorzinho com você. — Aisha provocou.

Bloom achou melhor não falar sobre o chaveiro de cenoura e a profunda conversa que os dois tiveram no telhado.

— Fico com medo de me apegar demais e…

— Depois ter que voltar pra América? É, eu também me sentia assim.

Bloom olhou para Aisha, esquecendo que a níger era quase um ano mais velha que ela. Já estava em Manchester Hall um ano a mais que a ruiva. Conhecia tudo assim como Stella, talvez até melhor que ela.

— Não tenha medo, Bloom. — Aisha se pôs de pé. — Viva o momento. O resto é resto. — Ela lhe deu um sorriso encorajador.

A ruiva sentiu-se grata por ter Aisha como amiga. A brasileira se levantou e passou a mão pelos cabelos. — Vou para a academia. Você vem?

Bloom sorriu, assentindo, sem ter desculpas para negar. 


Notas Finais


Eu sei o que eu disse ontem mas… bem. Parece que assim que eu reclamo, as coisas começam a fluir na minha cabeça. Espero que gostem.

Caso eu desapareça às vezes, você já sabe o porquê :)

Mais uma coisa: as Winx não são "fadas sensatas" por causa da Manu Gavassi, ok? PELO AMOR DA CENOURA DIVINA NÃO TEM NADA A VER COM ELA OU O TWITTER EM SI.

Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!!!

Beijos, GbMr ~


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