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História High School Sucks - Capítulo 30


Escrita por: e GbMr


Capítulo 30 - Olhares Tenebrosos


Fanfic / Fanfiction High School Sucks - Capítulo 30 - Olhares Tenebrosos

Bloom tentava odiar Roxy, de verdade, mas a garota era muito gente boa.

Não a leve a mal. Ela não queria ser o tipo de pessoa que espalha ódio de graça, mas simplesmente não suportava a chamar ou ouvir seu nome sem que sofresse por uma onda arrebatadora de sofrimento.

A garota de cabelos cor de rosa estava sentada a mesa dela no almoço. As Winx estavam completas novamente, ouvindo as histórias de Roxy sobre suas experiências com aranhas da Austrália.

Ela soava como um Sansão do Outback. Bloom não sabia ao certo se Roxy vivia próximo do deserto, mas decidiu não se importar com isso.

— Então… sobre o treino. Você vem com a gente? — Tecna questionou.

— Bem, talvez Mavilla me faça ser uma reserva do time, não é? — Roxy sorriu.

— Não acho que tenha vaga no voleibol. — Bloom soltou, um pouco mais grosseira do que gostaria.

Aisha deu uma risada um pouco nervosa e desviou o olhar da amiga. — O que ela quis dizer é que pode ser que precisem de você em outros times, como o de futebol…

— Lacrosse. — Flora acrescentou rapidamente, sugando o macarrão de abobrinha com um molho extremamente saboroso e perfumado de legumes.

— Lacrosse! — Aisha sorriu, empolgada com a ideia. — Posso te ajudar a treinar nas horas livres!

— Muito obrigada, meninas. — Roxy sorriu. — Fico feliz de se esforçarem por mim desse jeito.

Bloom teve uma vontade imensa de revirar os olhos mas se conteve. Não queria dar motivos para ser repreendida e chamada de grossa depois pelas Winx.

Diaspro fez uma careta desdenhosa e desviou o olhar da mesa das fadas sensatas. Cerrou os punhos e encarou seu prato inacabado de Shepherd’s Pie¹.

Pegou o celular por baixo da mesa, ignorando a história que Krystal contava para elas, lendo a conversa que tiveram com Sky uns dias atrás.


Sky! Como assim você sumiu e nem me avisou?

01:24pm

Sky♥️


não lhe devo satisfações.

01:33pm


O fato de pôr um ponto final em suas conversas com ela a irritava profundamente, porque ela sabia muito bem o motivo do ponto final. Ele queria encerrar aquilo.


Claro que deve! Ainda sou sua garota, você esqueceu?

01:34pm


diaspro, eu não sou de ninguém.

01:40pm


sou de mim mesmo.

01:40pm


Dá pra parar de ser tão seco?!

01:43pm


seria melhor se você me fizesse o favor de me bloquear.

01:48pm


Eu me importo com você!

01:50pm


você se importa com status. no mínimo que você se importa comigo é pra satisfazer na hora h.

02:10pm


Diaspro rosnou. Sky podia ser bem irritante e petulante quando queria. Mas já havia passado por momentos assim várias vezes durante sua vida e em seu relacionamento com ele, se é que ele gostaria de chamar aquilo de relacionamento.

Sky e Diaspro cresceram juntos. Sutherland e Prince, duas famílias tão próximas e amistosas. Claro que ter duas crianças da mesma idade era um bom presságio, era sinal de fortuna e fertilidade na cultura deles. Isso era o oráculo fazendo que Sky e Diaspro fossem destinados um para o outro.

Ele, claro, não acreditava nisso. Fora uma boa amiga para ele, mas depois de se beijarem e desenvolverem isso… Diaspro sentia falta de deitar sobre o peito dele depois de uma transa apaixonante, mas não saberia dizer se sentia falta de fato dele.

Mas precisava. Era o seu destino e o destino se sua família, afinal.

— Diaspro, tá fazendo aquilo de novo. — Chimera disse baixo, apenas para que as garotas da mesa pudessem ouvir.

— Ah puta merda. — Ela rangeu os dentes.

— Uau… pra você xingar assim é porque as coisas não estão muito boas. É o loiro? — Krystal perguntou, mas logo se arrependeu quando Diaspro lhe lançou um olhar mortal.

— Então… — Mitzi deu uma risada nervosa. — Vocês viram os novos alunos? Quatro! Quatro meninos lindos e fortes. Claro que não são nem um pouco comparáveis com Brandon e…

— Lindos? — Chimera arqueou a sobrancelha. — Mitz, você com certeza tem um senso de beleza muito estranho.

— Ah qual é! Eles são meninos bonitinhos!

— Concordo com Chimera. Seu conceito de beleza é beeeem estranho. — Krystal murmurou. Chimera sorriu e fez um hi-five com ela.

— Aff, ninguém merece. — Ela revirou os olhos.

— Parem com essa palhaçada. — Diaspro rosnou.

— O loiro continua te ignorando? — Mitzi perguntou e se arrependeu imediatamente.

— Idiotas. — Diaspro se levantou e saiu do refeitório, o prato de escondidinho inglês inacabado.

— Adoro ver uma boa tensão. — Stormy sorriu, o pirulito de cereja passeando por sua boca.

— Cara, você vai ficar diabética. — Darkar provocou. Os olhos azuis dela se assemelhando a tempestades fizeram o sorriso travesso dele sumir momentaneamente.

— Vamos chamar eles pro nosso grupo. — Darcy observava o prato de espaguete de abrobrinha.

— Acha que eles vão se misturar com a gente? — Darkar arqueou a sobrancelha.

— Parecem ser inteligentes o suficiente para entenderem os nossos motivos. — Icy brincou com o garfo em seu prato, errando o Beef Wellington propositalmente e emitindo um ruído execrável.

— Acha que eles contaminariam o grupo de quatro moços sombrios assim? — Valtor deu uma risada sarcástica. — Vocês não sabem o que está para vir.

— E você sabe? — Stormy questinou.

— Pés no chão Senhorita Weather! Tenha respeito! — Griselda a repreendeu ao passar por sua mesa, fiscalizando os alunos.

Stormy revirou os olhos, mas obedeceu.

— Espera, seu sobrenome é Weather? Você é tipo Tempo Tempestuoso? — Darkar riu. Stormy rangeu os dentes. Se seus olhos faiscassem, pareceriam fios elétricos soltos numa queda de água.

— Vai tomar no seu cu.

— Olha, eles estão vindo. — Darcy murmurou, olhando atentamente para quatro meninos se aproximando.

— Espero que possamos sentar aqui. — O mais tenebroso deles, Gantlos, anunciou.

— À vontade. — Darkar se segurou para não fazer uma piadinha.

Os quatro sentaram-se. Duman sentou-se ao lado de Darcy e abriu um sorriso para ela. — Você é bonita.

Ela piscou. — Oi?

— Duman! — Ogron repreendeu.

— Então vocês são novos. — Valtor brincou com a faca em mãos, o que seria assustador se não fosse uma faca de serrinha. — Ogron, Duman, Gantlos e Anagan.

— Sim. — Disse Ogron, completamente descontraído. Se Valtor estava tentando intimidá-lo, fracassou.

Valtor fez uma careta. — Você não parece ser um Circle Black.

Os olhos de Ogron se tornaram sombrios, mas sua aparência permaneceu calma. Valtor não era de se assustar com qualquer coisa, mas os olhos dele o fizeram desviar o olhar quase que imediatamente.

— Você tem cara de vampiro. — Ogron deu de ombros.

— Eu quero saber seu nome. — Duman olhou para Darcy, que não sabia como agir com toda aquela intimidade.

Ela sinceramente achava que Duman seria sombrio e gótico como seus irmãos, mas ele parecia apenas se esforçar para parecer um deles. Não aparentava semelhanças em nada, a não ser pela pele cor de leite.

— Hm… Darcy. Você tem deficiência de vitamina D?

Duman franziu a testa. — O quê?

— Você poderia ser facilmente confundido com um bezerro albino.

— Darcy! — Icy arregalou os olhos. A platinada se esforçava para não rir, mas para futuros aliados, precisava parecer séria.

Ao invés de protestar, um sorriso surgiu nos lábios de Duman. — Hm, por que a pergunta? — Ele apoiou o rosto na mão cujo o braço estava apoiado na mesa, olhando para ela como se a admirasse.

— Porque você parece não tomar um belo banho de sol há séculos.

— Na Irlanda o sol queima. Não posso ficar desprotegido.

Darcy estreitou os olhos. — Queima?

Duman sorriu. — Nunca ouviu falar sobre albedo? A cor branca absorve pouca luz e reflete ela praticamente por completo. Se eu saísse andando por aí sem roupas de frio e o óculos, eu provavelmente ficaria cego e com sérias queimaduras na pele.

— Chega, Duman! — Gantlos rosnou.

— Uau… você é… — Darcy sentiu as bochechas esquentarem.

— Inteligente? Eu sei.

Ele deu uma risada, que fez Darcy o acompanhar timidamente.

— Puta que pariu. — Anagan resmungou. — Nem mesmo com dois dias de aula esse cara consegue não flertar.

Duman revirou os olhos. — Não estou flertando. Só não gosto de ser um lobisomem quando na verdade eu sou um Husky muito fofinho.

.    .    .

Na hora do jantar, Roxy contou para todos como que dominou um dragão de komodo, o que fez todos rirem, exceto Bloom, que achou um estrelismo desnecessário.

Sentiu o celular vibrar em seu colo e desviou o olhar de sua sopa de lentinha.


Sky


alguém pode tirar o telefone da mão de diaspro?

07:01pm


santa cenoura que menina irritante

07:01pm


Bloom riu da irritação do loiro. Podia imagina-lo falando aquilo ao lado dela, a testa franzida expondo irritação e o lábio curvado num beicinho adorável.


ninguém mandou se apaixonar por ela🤭

07:02pm


se eu me apaixonar por ela pode apostar que vai cair um dilúvio na terra

07:03pm


— Por que está sorrindo feito uma idiota? — Stella sussurrou para ela e olhou para o celular sem querer. Viu a foto do amigo e o nome. Arregalou os olhos. — Bloom…

Ela escondeu o celular rapidamente, as bochechas coradas. Aparentemente ninguém mais pareceu perceber o impasse da ruiva, todos prestando atenção na história surreal da australiana.

— Não é nada demais.

— Você tá sorrindo como se estivesse vendo um vale feito de chocolate. — Stella piscou. — Está apaixonada.

Bloom franziu a testa, tentando raciocinar se aquilo fora uma pergunta indireta ou uma afirmação. — Nem pensar. Eu não me apaixonaria por esse loiro padrãozinho.

Brandon percebeu a conversa e engoliu em seco seu Chicken Tikka Masala. Lembrou-se da primeira conversa que teve com Sky a respeito de Bloom.

"Não pense em fazer isso. Você quer se aproximar dela. Você tá envolvido com a Diaspro. Ela é louca."

Ele suspirou. Sabia que seu amigo ficava radiante quando falava da ruiva. Dava para ver pelos olhos dele que nada mais importava desde que tivesse ela ao seu lado. Sky era um menino triste, ele sabia, e sempre tentava esconder aquilo com seu humor peculiar. Não é a toa que Brandon já o viu chorar silenciosamente várias madrugadas, quando o loiro tinha a certeza de que o moreno estava dormindo.

A verdade era que Sky era como seu irmãozinho mais novo. Criados juntos, mandados para Manchester juntos. Sky merecia muito mais do que a vida de príncipe que tinha, sobretudo porque ela era triste. Brandon não precisava ser um vidente para ver como a família dele o intoxicava a cada reunião. Os piores dias desde que viera para Manchester Hall era aos sábados quando precisava jantar com seus pais. Ele voltava com uma expressão extremamente séria e ignorante, como quem diz "Conversamos amanhã. Não quero papo hoje."

Bloom estava quebrando esse gelo aos pouquinhos, como uma lareira aquecendo o ar glacial. Ele sentia-se mais confortável e muito mais interessado em prosseguir com seus compromissos diariamente. Não vivia mais à mercê das ameaças silenciosas de Diaspro ou dos pais.

Brandon ficava feliz de ver o progresso, mas tinha medo também. Aquela garota loira de Londres não era alguém que brincava em serviço. Quantas vítimas ele a viu fazer nesse tempo que estava ali?

Havia Lucy e Lazuli. Apenas duas pessoas apaixonadas que tiveram um triste fim porque não fizeram o que Diaspro pedira. Também tinha as Trix, onde foi revelado os podres mais temíveis que fizeram. Com certeza ela tinha informações de todo mundo sobre qualquer coisa. Se você tivesse peidado no meio de uma reunião de emprego, ela revelaria.

O que Brandon não entendia era o porquê de estar demorando tanto. Pelo o que sabia, Sky havia posto um fim no relacionamento estranho deles. Bloom havia chegado e a feito ser castigada, limpando as arquibancadas depois da educação física – o que ele duvidava que tivesse feito, pois deveria ter ameaçado alguém para fazê-lo – e as Winx fazendo certa influência no ambiente da escola. As meninas não andavam mais com medo. Os meninos pareciam se divertir mais. Mas por que Diaspro estava deixando aquilo acontecer?

Engoliu em seco. As Nebulosas não eram fáceis de decifrar. Talvez tivessem um plano tão ruim quanto quase por sua ex-professora na cadeia.

— Brandon? — Stella sussurrou. — O que houve?

Brandon acordou do transe, percebendo que estava encarando o horizonte por tempo demais, deixando Tecna – sentada à sua frente – um pouco desconfortável. — Perdão, Hm… o que estava dizendo?

— Roxy contou sobre o dia que surfou com golfinhos. — Aisha lembrou.

— Ah… maneiro. — Ele olhou para seu jantar, já frio com o tempo que ponderava. Não estava mais com fome.

Ouviram o sinal, anunciando o fim do jantar.

— Alunos, façam suas necessidades. – Griselda disse ao megafone, como sempre fazia.

Têm uma hora antes do toque de recolher. — Stella repetiu, numa voz nasal calamitosa, o que fez Brandon sorrir.

— Ótimo. Temos um bobo da corte. — Griselda rosnou, olhando na direção deles, tentando adivinhar quem havia debochado dela.

Ninguém se pronunciou, e Stella e seus amigos seguravam o riso.

Nesse meio tempo, Brandon olhou na direção de Diaspro. Ela olhava assustadoramente para ele, diretamente em seus olhos, como se enxergasse sua alma. Ele desviou o olhar imediatamente, apavorado mas sem demonstrar.

Precisava arranjar uma forma de pôr um fim em suas ameaças, e ia precisar de ajuda. Sky merecia uma vida feliz, e todos de Manchester Hall também. 


Notas Finais


¹) Ou Cottage Pie, é uma torta típica do Reino Unido, mais precisamente da Inglaterra. A camada de baixo é de carne moída, sendo que na Shepherd’s Pie usa-se carne de cordeiro e na Cottage Pie, usa-se carne de boi. A carne moída é dourada na cebola, e alguns vegetais como cenoura e ervilhas dão mais consistência ao prato. Cobre-se a carne com purê de batatas e queijo ralado por cima.

Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!!!

Beijos, GbMr ~


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