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História High School Sucks - Capítulo 37


Escrita por: e GbMr


Notas do Autor


Estou revisando esse capítulo pela TERCEIRA VEZ porque eu postei ele em Bloom Peters e Os Olimpianos sem querer ;-;

Peço desculpas se houver erros.

Bom capítulo!

Capítulo 37 - Começando o Esquema Maldito


Fanfic / Fanfiction High School Sucks - Capítulo 37 - Começando o Esquema Maldito

Chimera tentou avisar Tecna.

Ela jura que tentou.

Ao vê-la comendo torradas amanteigadas tranquilamente no café da manhã, via como não seria justo com ela expô-la desse jeito. Se Diaspro tinha algum problema com Bloom, ela deveria tratar diretamente com ela, e apenas ela. Não deveria atingir pessoas puras e doces como Tecna.

Mas depois olhou para as três meninas que sempre foram suas companheiras. Olhou para Krystal, que era a mais bobinha das quatro, e que sempre a fazia revirar os olhos com loucuras estúpidas – que no fundo, ela amava – e desviou o olhar. Mitzi sentava-se ao seu lado, a garota sabichona que a ajudou diversas vezes a se safar da recuperação da prova de Álgebra. Também tinha Diaspro. Aquela garota chegou a cometer crimes para o bem-estar de Chimera.

Não sentiu muita fome. Desviou o olhar de suas panquecas para a comoção ao longe. Afinal, Sky tinha voltado, e seus amigos faziam o café da manhã de uma série de alunos irritados pela falta de sono parecer uma discoteca. 

— Cara, você precisa ver o que Wizgiz fez… — Ela viu Riven bagunçar o cabelo dele com o golpe favorito de irmãos. Ela se segurou para não revirar os olhos.

— Então é verdade? — Brandon olhou para o amigo e para a mesa das Nebulosas. Chimera desviou o olhar imediatamente. — Você está afim da ruiva? 

— Muito afim. Eu diria… — Chimera não pôde ouvir o resto da conversa porque eles já se afastaram o suficiente.

Ela não podia fazer isso com suas amigas. Não em troca de alguém que ela sabia que jamais olharia para ela com segundas intenções, não para uma paixão platônica.

E assim que possível, ia ter uma palavrinha com quem originou toda essa história. 

Sky. Claro.

A primeira aula seguiu normalmente. Chimera teria que suportar as lições de Aurora, a professora de Matemática III, mais especificamente, a professora de álgebra. Os cachos loiros, os gélidos olhos azuis e a pele pálida a lembravam da Elsa do Frozen. Aurora era tão fria quanto, parecia gostar de ver seus alunos sofrerem com tantas letras e sinais.

Diaspro sentou na carteira a sua frente, como de costume. Parecia impecável, clemente e imaculada, como se nada de errado estivesse acontecendo em sua vida, mas Chimera sabia que no fundo, ela estava prestes a jogar gasolina para depois pôr fogo no circo. Aqueles cachinhos dourados e olhos cor de âmbar não enganavam ninguém. 

A aula de Aurora pareceu durar eternamente. Aquela mulher parecia congelar o tempo. Enquanto Chimera ainda pensava na reação da cabeça magenta, foi surpreendida pela mão pálida de sua professora na frente dela, uma caneta de quadro na mão.

— Vá resolver a questão no quadro. — Os olhos de Aurora pareciam desafiá-la.

Chimera olhou para o quadro e quase pôs seus bacon e ovos para fora.

Ela odiava achar determinante de matrizes.

•        •        •

De início, Tecna não entendeu a razão de tantos olhares sobre ela.

Quando a ficha caiu, quis esfolar cada umas das quatro meninas das Nebulosas vivas.

Ela estava esperando sua sopa de carne esfriar, enquanto ouvia Stella contar sobre a vez que seu time jogara vôlei em Riccione e ganhara o primeiro lugar. A loira parecia bem otimista para enfrentar o grupo da Regal Academy nas municipais. Musa brincava com a iguaria do cardápio de hoje: yakisoba de camarão. A japonesa parecia estar nas nuvens deliciando o macarrão suculento com os hashis.

De repente, o celular de todas receberam uma notificação. Não apenas elas, mas de todo mundo no refeitório. Um burburinho soou, preocupado.

— Como que as pessoas conseguem enviar mensagens tão rápido assim para um número absurdo de gente? — Stella murmurou, sem parecer perceber o que de fato estava acontecendo.

— Hm… gente… — Aisha arregalou os olhos ao ver o que tinha no celular.

— O quê… ah puta merda… — Musa sentiu o coração disparar.

As outras verificaram a mensagem, e Tecna logo soube o motivo de tanta agitação.


Vocês sentiram nossa falta? Estamos bem aqui. Trouxemos uma notícia fresquinha para vocês e esperemos que fiquem espertos quando nos desafiarem. 
Tecna Sverre Årud. Ah, que norueguesa ridícula. É a garota de cabelo roxo que você provavelmente já ouviu os professores bajularem. 
O segredo dela não e nada muito aterrorizante. Digamos que é apenas uma falta de empatia. 
Ela tinha um irmãozinho, sabiam? Maverick. E é tinham no passado mesmo. Ele morreu. Uma pena que foi vítima da Angelman (se quiser saber o que e isso, pesquise no Google. não somos fonte de pesquisa) e morreu aos nove anos. 
Ela não foi no enterro. Decidiu ficar em casa enquanto seus pais choravam pela morte do único homem herdeiro que tinham. 
Ela prefere não lembrar da época que a chavamam de leprosa, quando ela era apenas um bicho do mato de luto arrependida. 
Agora vocês sabem um pouquinho da Tecna. 
E logo vão saber mais sobre outras pessoas também. 
Não se meta no nosso caminho.
xoxo, nbls 


Tecna sentiu vertigem. A sopa deliciosa que apreciava não parecia mais tão apetitosa. Na verdade, parecia prestes a voltar por seu esôfago.

— Tecna… — Bloom tocou seu braço, mas a garota magenta recuou.

Ela se pôs de pé e saiu correndo dali. Seus olhos ardiam em lágrimas. Por que isso estava acontecendo com ela? Por que ela? Será que era pedir demais ter deixado Maverick no passado, de forma que ninguém a insultasse ou a encarasse com pena?

Pena era a última coisa que queria que as pessoas tivessem dela. E sabia que isso agora seria um fator recorrente.

Cerrou os punhos com força quando entrou no laboratório de informática, completamente vazio. Se aconchegou no fundo da sala, observando a poeira dos móveis, enquanto tentava se tranquilizar.

Ela precisava se acalmar. Tecna mais como ninguém sabia que raiva não era algo racional. A faria fazer coisas terríveis e que com certeza se arrependeria depois que o acesso passasse. 

Ela não soube dizer quanto tempo passou ali, a luz do dia que invadia das janelas empoeiradas sendo irrelevante para indicar as horas, mas se assustou quando ouviu a porta abrir.

— Tecna? É você? — A voz melodiosa de Musa ecoou no cômodo. A garota magenta suspirou de alívio.

— Talvez.

Logo a japonesa estava ao lado dela.

— Estávamos procurando você por toda parte. — Ela sentou-se ao lado de Tecna. — Aquelas garotas foram longe demais.

— Vai piorar. — Tecna não consegui evitar um soluço. — Não lembra do que estava escrito? Eu fui apenas a primeira.

— Deveríamos ter previsto o ataque antes. — Tecna ficou mais satisfeita por Musa não demonstrar pena em seu olhar, apenas desgosto pelas agressoras. Talvez ela já tivesse passado por isso também. — Não podemos deixar isso acontecer de novo.

— Elas não vão parar só porque a gente quer. — Tecna secou o rosto. — Elas só vão parar quando conseguirem o que querem.

— E o que elas querem? — Musa arqueou a sobrancelha.

— Sky, Brandon, Helia, a soberania e o medo de todos. — Ela olhou para a amiga.

Uma pausa irrompeu no ar. Musa pegou a mão de Tecna, que estava fria.

— Sabe… pode conversar comigo se quiser. Prometo ser uma boa ouvinte.

— Não gosto de falar sobre isso…

— Eu sei, você deixou claro no dia que contamos nossos segredos. Mas desabafar faz bem pra gente, Tec.

Tecna umideceu o lábio. — Como você se viciou em heroína?

Musa sorriu, como se aguardasse pela pergunta. A japonesa ajeitou-se com disciplina no chão de linóleo da sala, seus cabelos curtos moveram quando ela moveu-se e respirou fundo. — Foi quando minha mãe morreu. Meu pai ficou devastado. Foi na época que voltamos para Tóquio. Embalamos tudo o que era dela e enfrentamos diversos ataques de outros funcionários da gravadora, acusando meu pai de nepotismo por manter os direitos autorais da minha mãe para si.

— Mas ele era o marido dela… isso não faz sentido.

Musa deu de ombros. — A indústria da música é ácida. Não liga pros seus sentimentos. Nesse período, meu pai ficou bem mau. Mal parava em casa, era meio distante, parecia querer pôr um fim na vida dele. Ele evitava olhar para mim… — Musa desviou o olhar, tentando não chorar. Lágrimas não eram uma coisa muito recomendável para demonstrar no Japão. — …porque eu o lembrava da minha mãe. Ele passava dias sem falar comigo direito. É claro que eu sabia o motivo, e eu não o culpo por isso.

Tecna entrelaçou os dedos com o de Musa, observando a mão de sua melhor amiga. As unhas simples, curtas, delicadas e bem feitas, sem esmalte e a mão macia eram sinais de como ela cuidava bem de si mesma.

— Era muita pressão. Meu pai tenta acobertar a morte dela do jeito que pode porque não quer paparazzis a nossa volta. Eu precisava esconder isso até mesmo dos meus amigos, e era bem difícil. Um dia, eles me levaram numa balada burguesa famosa de Tóquio… foi lá a minha primeira dose.

— Como você se sentia quando estava sob efeito da droga?

— Eu me sentia parte do Universo, sabe? — Musa olhou para o teto, os olhos azuis cintilando num brilho sonhador. — Eu só injetei duas vezes, e foi suficiente para eu me viciar. Meus amigos não me levaram mais na balada depois que um conhecido deles pegou aids, e tudo indicava que foi pelas agulhas. Eu insitia para me levaram ou para pelo menos me dizerem um bom traficante, mas eles se recusavam. Brigamos e… — Musa desviou o olhar. — Nunca mais falei com eles.

— Nossa…

— É. Eu… eu consigo lidar bem com tudo isso hoje em dia, tenho vontade de voltar a falar com eles e… dizer que está tudo bem, que eu sabia que eles só queriam me proteger. Quando vim para Manchester, eu sabia que a primeira coisa que eu não teria era droga. E foi meio que assustador e libertador ao mesmo tempo. Hoje eu não sinto vontade nem de levar uma agulhada de injeção no braço.

Tecna deu um pequeno sorriso. — Fico feliz por você, Musa.

— Sua vez agora. — A japonesa olhou com vigor para a amiga. A norueguesa suspirou.

 — Maverick era o amor da minha vida, sabe? — Ela sorriu levemente. — Ele… ele sorria para mim sempre que eu lhe contava uma história, fatos sobre o universo. Antes dele fazer um ano, de foi diagnosticado com a síndrome. Ele nunca iria ser uma criança normal.

Tecna parou quando a voz dela embargou. Ela respirou fundo para prosseguir.

— Meus pais fizeram tudo o que podiam para estender o tempo de vida dele e torná-la a melhor possível, que era curto demais. Viajamos para a Disney, para Hong Kong, até para um arquipélago brasileiro famoso pelas praias. O médico nem sabia como que ele não tinha sido abortado quando era um feto… — Tecna apertou a mão de Musa um pouco forte demais. — Passou por cirurgias, adaptações… Ele até foi para a escola nos primeiros anos, meus pais acharam que seria bom para ele se enturmar mas… ele e eu ganhamos a aculnha de ETs, leprosos e vários nomes horríveis por causa da condição de Maverick.

— Crianças são tão insensíveis…

Tecna suspirou. — Ô se são. Até hoje eu não tenho amigos da minha idade na Noruega porque no período em que fiquei lá, me chamavam de esquisitona e estranha, diziam que eu tinha matado meu próprio irmão por ciúme e… — Lágrimas caíram do rosto de Tecna.

— Não precisa continuar. — Musa a abraçou. — Você já sofre demais Tec. Não precisa mais ter medo. Amamos você.

— Ele tinha nove anos, Musa… — Ela soluçou. — Ele… ele queria ser cartunista.

Musa sentiu os próprios olhos encherem de água. Afagou as costas da amiga que chorava em seus braços.

— Ah céus… eu odeio chorar… — A norueguesa soluçou.

— Eu te entendo, mas faz bem às vezes, Tec.

— Não gosto… não quero…

Musa a afastou por um momento e tirou o headphone dourado de seu pescoço. O conectou em seu celular e ajeitou o aparelho nos ouvidos de Tecna.

— Feche os olhos. — Musa pediu, limpando as lágrimas no rosto dela. Tecna fungou e obedeceu, fechando as íris esverdeadas que agora estavam no meio de um mar vermelho. — Sinta-se parte da música.

Musa deu play.


I love it when we play 1950
It's so cold that your stare's 'bout to kill me
I'm surprised when you kiss me


A música de King Princess soou nos fones. Os batimentos cardíacos de Tecna logo acompanharam o ritmo da música. A norueguesa parou de chorar. Com os olhos fechados, Tecna sentia-se como Musa falou para ela sentir: parte da música. Apesar de se tratar de uma música de amor e ela não ter ninguém em mente sem ser Maverick, a letra a fez ter esperança para seguir de cabeça erguida para o futuro.

— Musa… obrigada… — Tecna começou a dizer, mas a garota pôs o indicador em seus lábios.

— Ouça. — A garota magenta leu seus lábios.


Fuck this shit I'm out (No thanks)
Don't mind me
I'ma just grab my stuff and leave
Excuse me please
Fuck this shit I'm out (Nope)
Fuck this shit I'm out (Alright then)
I don't know what the fuck just happened
But I don't really care
I'ma get the fuck up outta here


Tecna gargalhou ao ouvir a próxima música. Não tinha como não achar aquela música genial. Musa sorriu ao ver que seu plano havia funcionado e acompanhou a amiga na risada.

— Ok, ok. — Tecna tirou os headphones e suspirou após recuperar fôlego. — Obrigada, Musa.

— Não agradeça. Amigas servem para levantar seu astral nos momentos tristes. — Ela sorriu.

A norueguesa se pôs de pé e olhou para frente, um ar determinado penetrando seus olhos. — Vamos conversar com o resto das meninas. Precisamos discutir o que houve conosco hoje. 


Notas Finais


Você pode encontrar as músicas desse capítulo abaixo:

1950 - https://youtu.be/LNxWTS25Tbk

Fuck This Shit, I'm Out - https://youtu.be/Zf-A1d4hU3k

Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!!!

Beijos, GbMr ~


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