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História High School Sucks - Capítulo 38


Escrita por: e GbMr


Capítulo 38 - Cacofonia


Fanfic / Fanfiction High School Sucks - Capítulo 38 - Cacofonia

— Espere, o que é que vocês vão fazer?! — Sky franziu a testa, chocado.

Quando Tecna e Musa encontraram as Winx, elas estavam juntas dos meninos na biblioteca. Não só Timmy como também os outros ficaram preocupados e enraivecidos com a situação.

— Elas foram longe demais, mas eu tô com o Sky nessa, meninas. — Brandon dedilhava na mesa, as grossas sobrancelhas chocolate franzidas.

— Não podemos cuidar delas como elas cuidam dos problemas! — Sky rebateu.

— Espera aí, você tá defendendo elas?! — Aisha franziu a testa com raiva. Bloom cerrou os punhos. Será que no fundo ele tinha sentimentos pela Diaspro?

— Você tá preocupado em como a Mitzi vai se sentir, é? — Stella rangeu os dentes, fuzilando o namorado com o olhar.

— É claro que não estamos defendendo elas! — Sky revidou e bufou, passando a mão no rosto. Odiava ser mal interpretado.

— Olha, acho que sei o que eles estão tentando dizer… — Helia coçou a nuca.

— Eu sinceramente acho que fazer isso não vai tornar vocês melhores, só iguais a elas. — Riven pôs os pés sobre a mesa.

— É disso que estou falando! — Sky apontou para o amigo. — Vocês querem vingança, não justiça. Espalhar do jeito que elas espalham só vai fazer vocês parecerem com elas…

— E serem as novas Nebulosas. — Brandon cruzou os braços. — As pessoas vão passar a temer vocês ao invés de temer aquelas quatro, isso se elas não forem expulsas.

— Tentem ser racionais. Não conseguiram pensar mesmo em outra possibilidade? — Riven arqueou a sobrancelha.

As meninas se entreolharam. Flora sentou-se com tudo na cadeira, as mãos a repuxando freneticamente os cachos castanhos. — Nós… céus… — Ela passou a mão no rosto. — Eu que sou pacifista… como eu não pensei nisso antes?!

Bloom coçou a nuca. — Mas se vocês acham que fazendo o que elas fazem seria injusto, o que seria justo para garotas como elas?

Os meninos se entreolharam.

— Acho que eu tenho uma ideia. — Timmy anunciou. — Vocês podem concordar ou não com ela.

•         •         •

Enquanto observava o teto de seu dormitório, tentando dormir, Tecna refletiu sobre a próxima das Winx a ser atingida pelas injustiças das Nebulosas.

Aisha era o nome mais certo. A brasileira não tinha muito o que esconder, então ela seria a garota perfeita para o próximo alvo.

Ela pegou rapidamente o celular e mandou mensagem no grupo com as meninas.


Tenho uma ideia de quem possa ser a próxima vítima.

11:34pm


Bloom

quem?? O.o

11:34pm


Aisha, tome cuidado.

11:35pm


E com isso, ela desligou o dispositivo e voltou a encarar o teto.

A única vez que alguém encarou-a com pena foi na aula de Palladium.

Tecna e Bloom faziam parte dessa aula. As duas sentavam perto uma da outra e demonstravam apoio caso necessário. Fora ali que Bloom ouvira o melhor conselho sobre seu relacionamento com seus pais.

Pais são complicados. Não nego que depois que Mav se foi, tivemos vários altos e baixos. Mas no fundo, de alguma forma, eles não podem viver sem você, seja por amor ou por necessidade.

Bloom passou a reclamar menos sobre sua relação conturbada.

Quando o professor de Biologia entrou na sala, tinha um olhar pesaroso. Sua pele perfeita estava com leves olheiras em torno dos olhos. Os cabelos castanhos ainda brilhavam com vivacidade, mas ele parecia mais murcho. Bloom e Tecna se entreolharam, pensativas.

— Bom dia, querides alunes. — Tá aí uma coisa que Tecna amava em Palladium: sua luta contra a lgbtfobia. — Tecna… eu sinto muito.

Tecna cerrou os punhos e tentou parecer calma. — Perdão?

— Seu irmão… bem… — Ele olhou para o resto dos alunos em sala, que olharam para ela com certa angústia.

Bloom pigarreou. — Palladium, será que podemos…

— Por favor, Bloom! — O professor interrompeu, parecendo chocado com a audácia da jovem. — Tenha misericórdia! Sua amiga perdeu alguém especial e–

— Professor Palladium… — A voz de Tecna era severa, porém calma. Os olhos num mix de azul e verde encarando atentamente o professor de Biologia. — Podemos pular essa parte? Tenho minhas dúvidas sobre o sistema cardiovascular dos répteis.

Palladium piscou, em transe, mas seus ombros logo relaxaram. Ele parecia prestes a protestar, mas respirou fundo e disse: — Claro. Diga-me o que quer saber.

Após inventar uma dúvida, Tecna encarou Bloom com os olhos agradecidos por tentar interferir. A ruiva deu um sorriso mínimo e voltou a atenção ao chaveiro de cenoura que tinha. Tecna franziu a testa. Ela sempre teve aquele acessório peculiar?

Antes que a norueguesa pudesse perguntar sobre, Palladium chamou sua atenção para o esclarecimento de sua dúvida.

•       •       •

Aisha ficou confusa ao analisar a suspeita de Tecna.

Sobretudo por causa da problemática entre Nabu e Nex.

Gostaria muito que eles não fossem envolvidos, mas do jeito que as Nebulosas eram, temia que no fim, os dois soubessem do relacionamento que tem com ela.

E isso não seria nada agradável.

Ela observou o vaso de begônias na janela. Como pôde ser tão burra? É claro que as Nebulosas saberiam de seu relacionamento duplo, e que usariam o ódio dos dois meninos a favor delas.

— Senhorita Pelay-Montes? — Diana arqueou a sobrancelha. Aisha desviou o olhar das flores coloridas e olhou para a professora.

Diana era professora de Filosofia. Não parecia muito das Humanas, na realidade, parecia alguém prestes a te meter um soco na cara. A pele caramelada e os cabelos num tom peculiar de ruivo faziam Diana uma criatura única, os olhos verde floresta a assemelhando com Flora, porém exalando um ar de austeridade.

— Sim, Diana? — Aisha pigarreou e tentou relembrar os detalhes da aula. Falavam de… Platão… certo?

— Poderia me explicar por que é comum dizer que o “amor platônico” refere-se a uma relação na qual aquele que ama idealiza o outro: a pessoa amada é ideal e, portanto, inatingível? Por que leva o nome de Platão?

Aquilo só podia ser uma piadinha de mal gosto. Ela olhou para o quadro atrás de si, o nome e o período de vida de Platão sendo as únicas coisas escritas.

Não que seu amor não fosse correspondido. O problema era canalizar esse amor, simplifica-lo.

Escolhe-lo.

Aisha sabia que as pessoas não a encarariam com bons olhos se soubessem sobre sua paixão por duas pessoas completamente diferentes. Iriam pedi-la ou para escolher um ou para viver a vida adoidado. Aisha não queria magoá-los, mas sentia que a verdade precisava ser dita.

— Platão… ele… — Aisha fechou os olhos e se concentrou. — Amor é uma doença mental. 

A julgar pelo sorrisinho de Diana, a brasileira concluiu que ela estava satisfeita com a resposta.

— Amo quando vocês resumem coisas complexas em poucas palavras. — A filósofa se virou e seguiu pela sala. — Como Pelay bem disse, Os estoicos se inspiravam em Platão, pois consideravam…

E Aisha estava imersa em seus pensamentos novamente.

Ponderou sobre os argumentos dos meninos para de fato serem justas com pessoas tão injustas. Talvez ela não precisasse se remoer tanto por seus segredos. Talvez precisasse apenas encontrar uma solução para detê-las, para que continuassem sendo segredos.

Nenhum ser humano é humano se este não comete erros…, ela pensou. E segredos fazem parte da nossa privacidade.

Aisha deu um pequeno sorriso. Desde quando aprendera a formular frases esse jeito?

Voltou a focar em sua inspiração do momento, entendo as diferenças e as citações famosas do filósofo da antiguidade.

•      •      •

Bloom não esperava aquilo na aula de Química.

Quando chegou na sala, vira Sky sentado em sua bancada de costume, remexendo na gravata frouxa enquanto parecia tentar manter uma conversa passiva com o novo companheiro da ruiva, Ogron, que parecia não estar muito satisfeito com a interferência.

Ela se aproximou e sentou-se ao lado dele.

— Você não senta mais aqui. Não tem o direito de se autoproclamar merecedor desse lugar.

Sky deu uma risada rápida de deboche. — Por que você quer sentar aqui, afinal? Por acaso essa linda garota ao meu lado tem algo a ver com suas motivações?

Bloom podia ter corado se não estivesse pensando em duas coisas: na discussão que tiveram com Sky depois do acontecimento da noite passada e, claro, o porquê do garoto despojado e brincalhão estar usando palavras tão formais e isento de piadinhas.

Ogron parecia prestes a explodir. — O quadro. O ar condicionado. Tudo fica perfeito nesse local! — Ogron olhou para Bloom, os olhos injetados de desgosto. — Você vai ficar apenas observando ou vai me ajudar?!

— Teoricamente, você roubou o lugar do meu companheiro aqui. — Ela murmurou, não conseguindo evitar uma risadinha em seguida.

Só perceberam que Wizgiz entrou na sala quando ouviram o resmungar do ruivo de meia idade: — O que está acontecendo? Vá se sentar, Senhor Circle Black.

— O quê? — Ogron se virou para o professor. 

O homem barrigudo não parecia afim de discussão, a mão guiando um palito de dente em sua boca. — Vá sentar-se, Ogron. Quero começar as lições de hoje.

— Esse loiro imbecil está sentado no meu lugar! — Ele protestou, apontando para Sky. Bloom corou um pouco ao perceber que todos na sala olhavam para eles, os olhos um tanto intrigados.

— Você pode sentar em outro lugar. — Wizgiz deu de ombros e olhou para a sala, mas não conseguiu avistar duplas desfeitas, ou pelo menos, não se esforçou para isso. — Bem…

— Senhor! — Politea levantou a mão. Bloom cerrou os punhos ligeiramente. A garota era linda, e linda de um jeito que fazia Bloom querer esconder-se. Os cabelos cor de chocolate pareciam ter sido feitos para embriagar as pessoas com seu explendor, os olhos num tom peculiar de roxo como se fossem jacintos na primavera. Não a surpreendia o motivo de Sky já ter dormido com ela, e ver que ele tinha se rebaixado a alguém como ela… Bloom desviou o olhar imediatamente, uma sensação absurda de querer desaparecer dali. — Sky pode sentar comigo.

Wizgiz olhou para a garota e franziu a testa. — Senhorita Abyss, onde está Trevor?

Politea suspirou de forma graciosa. — O senhor sabe. Trevor dificilmente aparece em suas aulas. Não liga muito para química… — O olhar dela pousou em Sky e ela piscou para ele discretamente. — Você sabe como gosto de sua matéria. Não é justo eu ter uma dupla como ele. Sky é dedicado. Seria perfeito!

Wizgiz pareceu ponderar sobre a situação. Analisou o jovem loiro por alguns instantes.

— Espere… — Sky riu nervosamente. — Você não está considerando isso, está, Wizgiz? Não pode me mudar de lugar assim!

— E por que não? Você não parece prestar muita atenção ao lado da ruiva aí. — Ele deu um olhar repreensivo para Bloom.

Agora sim sumir seria uma boa ideia, pensou ela. Não bastava ser ridicularizada por uma deusa menor da sua sala, agora precisava ouvir as repreensões de Wizgiz. Mas será que era verdade? Bloom atrapalhava Sky, de certa forma?

Ela olhou de relance para Musa, que parecia entretida com algo em seu caderno e com os sussurros de Riven próximos a seu ouvido. Se estavam planejando algo… Bloom sentiu certa esperança. Talvez ela tenha dado uma chance para ele, afinal.

— Wizgiz, Bloom e eu fizemos um projeto de Química incrível! — Sky protestou.

— Confesso, mas ela terminou sozinha porque–

Sky não esperou o professor terminar. — Não pode me mudar de lugar porque eu e ela já sabemos trabalhar com harmonia própria, como uma molécula de hidrogênio. Se nos separar, vai causar um estrago na sala!

Politea riu desdenhosa. — Agora você faz trocadilhos de química também?

— A questão é: deixe-me com minha companheira e coloque Ogron com Politea. Se Trevor está tão sumido, vai ser bom para ela lidar com uma nova dupla ao invés de fazer duas ficarem confusas. — Sky cruzou os braços.

— Você só pode estar de brincadeira. — Politea falou mais baixo, diretamente para Sky.

— Você vai ver. — Ele murmurou de volta, o olhar desafiador. Voltou a olhar para Wizgiz, que parecia atordoado.

— Sutherland… — Ele aparentava ter saído do transe. — Você me interrompeu e fez uma piada de química.

Os olhos azuis de Sky olharam de relance para os outros alunos, e ele sentiu-se ligeiramente envergonhado. Gostava de fazer piadas, mas não de ser reconhecido por um professor. Isso podia causar… problemas familiares para ele.

— Ogron, sente-se junto de Politea. — Decretou o professor. Ogron analisou o novo lugar da sala e pareceu não reclamar, sentando-se. Não era tão longe da bancada de Bloom, então usufruía das mesmas vantagens que tinha.

Mas Politea não pareceu satisfeita. — Senhor, mas…

Wizgiz levantou a mão, os olhos verdes grudados atentamente em Sky. — Sky me deu argumentos suficientes para comprovar que Peters é a melhor dupla que ele poderia ter. — Ele abaixou a mão e estreitou os olhos. — Espero que não me decepcione.

Apesar da sala inteira ter ouvido, aquilo atingiu o loiro como uma pontada na boca do estômago. Estava fazendo um bom trabalho com Bloom, mas o que havia acabado de fazer…

— Wizgiz… — Ele chamou. O professor voltou a virar para ele. — E Mark?

— Mark?

— Mark Trevor, senhor. — Sky evitou soltar um suspiro. Wizgiz gravava sobrenomes, não nomes.

— Ah… bem, levarei a situação dele até Faragonda. Faz um tempo que não o vejo nas minhas aulas. — Wizgiz pôs os óculos. — Discutiremos a dupla dele depois. Vocês já tomaram muito tempo da minha aula. — Ele lançou um olhar ameaçador para Bloom e Ogron. — Espero que não se repita.

— Não, senhor. — Bloom murmurou.

— Ótimo. Vamos falar sobre estereoisomeria hoje.

Alguns alunos soltaram um suspiro de tédio.

— Ah, parem com isso! É uma matéria linda!

E os olhares sobre a dupla amarela e vermelha se dispersaram. Bloom olhou de canto de olho para Sky, que mexia freneticamente o lápis que tinha em mãos.

— Eu… — Ela começou, mas de repente imaginou como seria se ele estivesse sentado com Politea. Sentiu sua expressão murchar.

— O que foi? — Ele murmurou.

— Por que decidiu ficar sentado comigo? — Talvez fosse uma pergunta óbvia para ele, mas a sensação de impotência agora reinava sobre o cérebro de Bloom. — Tipo… Politea é bem mais inteligente e atraente.

— Espera, você acha que eu trocaria você por… ela? — Ele arqueou a sobrancelha, os lábios se curvando levemente em um sorriso sarcástico.

Mas dessa vez seu sorriso não teve o mesmo impacto em Bloom.

— Eu só… não entendo. — Ela desviou o olhar para o caderno.

Sky pegou a mão dela por baixo da bancada e acariciou-a de forma carinhosa. — Isso é sobre ontem a noite, não é?

Bloom sentiu que ia vomitar.

— Wizgiz, posso pegar o passe? — Ela disse rapidamente, puxando a mão da dele.

Sky piscou, atônito. — Bloom…

— Pegue. — Wizgiz disse sem desviar o olhar do quadro.

— Eu prometo conversar sobre isso quando eu voltar. — Ela saiu da bancada rapidamente, pegou o pedaço de papelão e sumiu nos corredores.

Ela chegou no banheiro como se estivesse com uma crise de asma. Por que estava acontecendo aquilo ali, justo naquele momento? Ela não podia simplesmente ter uma leva de pensamentos obscuros durante uma aula de química, e sobretudo ao lado de alguém que faria uma série de perguntas sobre aquilo.

— Cérebro idiota… — Bloom mergulhou o rosto na água fria.

Essa sensação de impotência.

Ela ficou mais forte quando soube de Andy e Roxy.

Não que Bloom não se esforçasse por sua aparência. Ela gostava de ser ela, com as particularidades dela. Se amava. Mas quando ficava perto de alguém bonita o suficiente para duvidar de seu amor próprio, ela começava a ter sérios pensamentos. Sabia que não prenderia as pessoas a ponto de viver uma vida inteira ao lado delas, mas sentia que perto de pessoas como Politea, se tornava menos interessante, menos atraente.

Menos Bloom.

Ela se esforçou para levar ar para seus pulmões. Lágrimas se misturaram no meio das gotas de água em seu rosto. Precisava se acalmar. Alguém poderia chegar a qualquer momento.

Bloom tentou tirar Roxy de seu pensamento. Não Roxanne, e sim sua prima Roxette. Loira, o "físico perfeito", a pele imaculada. Não era à toa que modelava para rue21 e marcas parecidas. Politea se comparava com esse tipo de beleza, enquanto Bloom colocava a si mesma no patamar de tia das sardinhas.

Tentou focar na tarde que passaram no terraço com Sky, no dia que sentiu-se a pessoa mais importante do mundo para alguém. A sensação dos lábios dele e de seu carinho tinham que valer como argumento para tudo aquilo.

Mas os carinhos de Andy também valeram. E a irmandade de Daphne também.

A porta do banheiro se abriu, e não podia ser ninguém mais ninguém menos que seu pesadelo loiro.

— Está tudo bem, americanah? — Diaspro debochou, arqueando a sobrancelha. — Cuidado para não perder o ar. Seria uma pena ficar sem você pra me alegrar.

Bloom sentiu seus sentimentos mudarem de impotência para raiva. Ela cerrou os punhos com tanta força que podia jurar que suas unhas perfuraram a palma de sua mão.

— Você… Tecna… — Ela tentou formular frases, mas parecia que estava num sonho: querendo gritar mas nada saía.

— O quê? Acha que eu tenho algo a ver com isso? — Ela deu um sorriso debochado, os olhos brilhando de uma alegria doentia. — Ah, Bloom, você é tão insolente.

Sem pensar, Bloom pegou-a pelo colarinho da camisa polo engomada. Diaspro não demonstrava medo, apenas diversão saltitando em suas íris cor de âmbar, parecendo esperar para ver a violência iminente da ruiva.

— Tecna não tinha feito nada pra você. — Ela rangeu os dentes. — Nenhuma amiga minha merece ter segredos revelados daquele jeito, sua psicopata de merda!

— Ui! Ela sabe xingar! — Diaspro provocou, uma das sobrancelhas perfeitas se arqueando sobre a testa. — Se eu fosse você, teria cuidado com as unhas. Talvez seja um dos motivos pela qual aquele seu namoradinho te trocou por sua prima.

Bloom sentiu os ombros caírem. Ela soltou Diaspro por instinto. A loira ajeitou a gravata no pescoço. — Cuidado com suas ameaças, Bloom. — Ela lançou um olhar iconizante para ela. — Eu não ia querer estar na sua pele se soubesse o que está por vir.

E com essa deixa nem um pouco apetitosa, Bloom deixou o banheiro feminino, sentindo-se mais impotente que nunca.

•         •         •

— Vai me dizer o que houve? — Sky perguntou assim que Bloom sentiu-se ao seu lado. De imediato, percebeu que ela estava trêmula e que os olhos estavam ligeiramente inchados. A pele alva e corada de seu rosto parecia pálida, até mesmo esverdeada.

— Não… não precisa se preocupar. — Ela pareceu limpar a mão na saia, sem motivo aparente. — Eu não tô brava por ontem.

— Ontem não parece mais o assunto que te fez ficar assim. — Ele pôs a mão em sua coxa, fazendo o tremor dela reduzir um pouco. — Parece que você viu uma coisa horrível, que presenciou um assassinato.

— Não aconteceu nada, Sky.

— Aconteceu sim.

— Tá, mas não quero falar sobre isso. — Ela olhou para o quadro de Wizgiz, cheio de desenhos e lotado de uma série de T's, C's, Z's e E's.

— Cenoura… — Ele pegou sua mão e a acariciou. — Estarei esperando quando quiser conversar.

A forma como ele disse aquilo fez Bloom sentir-se mais culpada ainda por desconfiar que ele podia fazer alguma coisa contra ela. Ela mordeu o lábio com força para não chorar.

Sky olhou de relance para Wizgiz. O ruivo não parecia prestar atenção no que acontecia na sala, vide o falatório moderado que soava entre os alunos. O iPad e a caneta de quadro em suas mãos pareciam mais interessantes.

Então ele fez algo que a surpreendeu: passou os braços por sua cintura e a puxou para mais perto, de forma que ela pudesse encostar o rosto em seu peito. Foi um tanto chocante para ela o ato, ainda mais porque fora no meio da sala toda, e sobretudo porque apenas Stella e Brandon tinham de fato ciência da relação sem pé nem cabeça dos dois.

— Se é por causa do que aconteceu aqui… — Ele murmurou. — Eu vi o olhar que você deu à Politea.

Bloom não disse nada.

— Eu não preciso de alguém como ela, cenoura. Eu não chamaria ela pelo nome se precisasse.

Bloom conseguiu dar um sorriso e sua tremedeira parou. Diaspro pareceu um problema distante em sua mente.

— Você é uma cenoura com uma baixa autoestima. — Ele murmurou. — Mas saiba que ela não chega nem aos seus pés. Sobretudo porque não tem aquelas sardas espalhadas do pescoço para baixo que eu gosto tanto.

— Sky…

— Eu tô falando sério. Odeio pessoas perfeitinhas demais. — Ele fez uma careta. — Gosto quando são só… elas. Quando não são falsas ou quando não dão a entender que estão perto de você por interesse ou obrigação. — Ele olhou para ela. — Você é bem mais profunda e interessante que isso Bloom. Você é uma linda cenoura.

Ela conseguiu dar uma risadinha enquanto ele beijou sutilmente o topo de sua cabeça e se afastou, no momento exato em que as conversas cessaram e Wizgiz se virou.

— Quero que dois voluntários venham resolver essas questões da APIS aqui no quadro. E por favor, não me façam escolher.


Notas Finais


Fico feliz de ver que estão gostando da história, é gratificante receber o carinho de vocês. Às vezes dá vontade de jogar tudo para o ar, mas vocês nunca me deixam na mão, e saibam que se não fossem vocês, essa história não teria nem ultrapassado do capítulo 5.

Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!

Beijos, GbMr ~


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