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História High School Sucks - Capítulo 45


Escrita por: e GbMr


Capítulo 45 - Sob Pressão


Fanfic / Fanfiction High School Sucks - Capítulo 45 - Sob Pressão

"Diaspro não conseguia dormir quando seus pais estavam discutindo.

Por maior que a casa fosse grande, a voz dos dois entoava pelos corredores e a atingiam em cheio. Nenhuma criança conseguia dormir abraçada em seu ursinho de pelúcia enquanto… pratos quebravam?

Ela desceu da cama e se arrastou pela casa. Desceu as escadas e encontrou a fonte da confusão. 

O rosto de seu pai estava vermelho. A mesa de vidro da sala agora estava reduzida em cacos. Chloe estava encostada na parede, os olhos azuis totalmente chocados com o que possivelmente acabara de acontecer.

— Você não vai pra Nova York! Você não precisa! — Ele rangeu os dentes e cerrou os punhos. Ele passou a se aproximar da mulher loira. 

Uma criança talvez não saberia assimilar aquilo, mas Diaspro sentiu o coração vir na boca. Seu pai podia ser manipulador e disso ela sabia, mas jamais achou que ele poderia perder a razão a ponto de agredir sua mãe. 

Antes que ele pudesse alcançá-la, os olhos de Chloe pousaram na filha e ela piscou, tentando afastar as lágrimas de alívio, ou de medo. 

— Diaspro! O que estava fazendo aqui? — Ao dizer, Johnson parou de andar e olhou para trás. Sua expressão se suavizou ao ver a menina loira agarrada na pelúcia do Ursinho Pooh. 

— Eu… vocês estavam… falando muito alto. — Ela franziu os lábios. Chloe não perdeu a deixa e correu até sua filha, a pegando no colo. 

— Vou te fazer dormir, está bem? Está tarde para uma criança estar acordada.

— E um adulto? Vocês podem?

Chloe conseguiu sorrir. Ela subiu as escadas o mais rápido que podia com Diaspro nos braços.

— Obrigada por me livrar dessa. — Ela sussurrou."

Diaspro não se importou nem um pouco de se estava ou não atrasada para o café da manhã. Chimera ainda estava deitada em sua cama, então possivelmente ainda não era hora de levantar.. O sonho já não tinha sido muito aprazível, pois odiava ter que se lembrar de sua mãe, sobretudo porque ela a abandonou com… seu pai. 

Ela pegou o iPhone e pesquisou por Chloe Bourgeois na internet. De primeira, várias fotos do site da Victoria Secret. Depois, Off White e Balenciaga. 

Ela fez uma careta, segurando a vontade de vomitar. Sua mãe que antes era uma franco-inglesa agora estava muito mais americana para o seu gosto.

E ela não gostava muito de americanas.

Visitou sua página no LinkedIn, depois no Twitter (que só tinha postagens relacionadas ao trabalho, então ela apenas ignorou) e no Facebook. Ela não sabia que sua mãe tinha uma conta, sobretudo porque ela nunca teve, ou porque Diaspro nunca pesquisou. 

Chloe sorria feliz com um cara muito bonito na foto de capa. Tinha dentes brancos perfeitos, olhos verdes cintilantes e um cabelo castanho num corte estilo militar que em combinação com a barba por fazer o dava a impressão de ser um cara muito charmoso. 

Rodou mais abaixo, onde as fotos se encontravam. 

Chloe segurava um bebê. Não dava muito para ver o que estava acontecendo, porque ele estava bem embalado. Os olhinhos estavam fechados, mas Diaspro pôde sentir que eram azuis como os dela. Na legenda da foto, o nome Jade aparecia com vários corações.

Ela desligou o celular e pôs o dispositivo de lado. Sentou-se na cama com violência, agarrando os cachos loiros e tentando manter a calma. 

Ela… tem outra filha. Uma filha que tinha um nome de pedra preciosa. Uma filha que talvez não tivesse sido fruto de um abuso.

— Di… tá tudo bem? — Chimera observou a amiga, ainda deitada em sua cama. — Parece que você presenciou… sei lá, uma traição ou algo assim.

Malditos sejam aqueles olhos inteligentes de Chimera. Diaspro desviou o olhar e engoliu suas emoções. Era algo simples de fazer. 

— Sim. Eu só tive um sonho. — Ela observou a janela, onde a única parte iluminada por elas era o chão, onde as cortinas não podiam alcançar. 

— Hm… Você estava no celular e…

— Vou levantar mais cedo. — Ela deixou o dispositivo na cama e pegou sua muda de roupas. Ela odiava se mostrar fraca, falar sobre seus sentimentos e suas emoções. 

O banheiro estava vazio e ainda escuro. Ela respirou fundo e se despiu, observando seu corpo nu e bronzeado no espelho. Ela era linda, e disso ela sabia e precisava ter em mente. Ela assentiu para si mesma em uma conversa visual particular e entrou em uma das cabines, deixando a água morna cair sobre seu corpo. 

A loira fechou os olhos e se atualizou da sua situação: não tinha par para o baile. Não tinha um vestido. Não tinha ao menos vontade de expor as piores coisas relacionadas as suas rivais. Isso era ruim, muito ruim.

Algo a dizia que queria fazer algo contra seu pai. 

Como ele a fez usar Icy… aquilo foi o cúmulo. Aquilo foi como ela tornou-se a garota mais temível da escola.

A verdade era que Icy era de verdade sua melhor amiga, mesmo que seu pai a tivesse convencido que não fosse. 

Chimera era um amor, mas sentia falta de Icy. Não podia encará-la todos os dias sem sentir a culpa que brotava em seu inconsciente, mas Johnson tinha feito um excelente trabalho em fazê-la ver Icy como sua inimiga. 

A loira fechou a torneira do chuveiro e saiu da cabine. Secou-se e vestiu-se imediatamente e sem rodeios. A camisa branca de Manchester Hall e a saia xadrez vermelha. Pôs as meias e as sapatilhas. 

Seus cabelos pareciam intactos. Uma sorte ela poder acordar e contemplar seu rosto sem muitas imperfeições: não tinha acne, não tinha cravos e nem frizz. Por que Sky poderia abrir mão dessa perfeição por aquela idiota americana?

Ela cerrou os punhos. Americana. Maldito sejam os Estados Unidos por terem tirado sua mãe dela, ou por ao menos a fazer nem sequer pensar em sua própria filha na hora de ir e deixá-la com um Primeiro Ministro psicologicamente abusivo.

— Você não vai ver sua mamãe mais. — Johnson tirava as fotos emolduradas de Chloe da parede do salão que chamam de sala de estar. — Ela não quer você porque você é perfeita demais para estar com ela.

— Ela não vai voltar? — Os olhos da criança se encheram de lágrimas.

— Não, Di. Agora, se quiser sobremesa após o jantar, vai ter que falar com a Senhora Benson que está tudo bem. — O olhar de seu pai lhe lançou uma ameaçadora verdade. — Senão ela vai chamar a polícia por achar que eu… bem, fiz coisas não muito legais com sua mãe. 

— Mas você já falou com ela. Por que ela não acredita?

Um sorriso medonho surgiu nos lábios de Johnson. — Se você falar, ela vai acreditar mais. Afinal, você é uma adorável criança. E crianças não mentem, certo?

Seu pai se ajoelhou e a encarou na altura dos olhos. Diaspro queria dizer que estava com preguiça e que não se importava de ficar sem sobremesa, mas os olhos cor de âmbar báltico a diziam que era melhor não protestar. Ela assentiu obedientemente e o homem sorriu, bagunçando seus cachinhos. 

— Boa garota. — Ele disse da mesma forma como se estivesse falando com seu animal de estimação após esfregar seu rosto no xixi que fez em locais proibidos e ter lhe dado uma bronca. 

Ela rangeu os dentes. Estava envelhecendo e tomando a consciência dos motivos que fizeram Chloe a deixar. Afinal, que mulher gostaria de carregar consigo a filha do homem que tanto a fez sofrer? 

Seus olhos… ah, mais um noivo para odiar a ruiva estadunidense. Aquela garota tinha olhos azuis piscina lindos como duas pérolas coloridas, enquanto ela tinha aqueles olhos da cor de rocha vulcânica que fizera sua mãe se esconder. 

Passos ecoaram pelo cômodo. Ao se virar, viu a garota ruiva que tanto odiava. Os olhos de Bloom despertaram em alerta ao ver a garota loira na frente do espelho. 

Mas Diaspro não tinha vontade de provocá-la. Era muito além disso. Queria poder fazê-la sofrer, implorar por perdão, pedir desculpas por ter invadido seu território e trago consigo todas as péssimas lembranças que a inglesa recordava. 

Bloom parecia querer fugir dali. Diaspro apenas a encarou, os olhos coloridos num tom perigoso e saiu, deixando a ruiva um tanto atordoada no banheiro.

Ela encarou as mãos e olhou para o ambiente, procurando câmeras ou armadilhas.

— Bloom! — Flora chegou logo depois dela, ofegante. — Eu vi Diaspro sair daqui… ela fez algo com você?

Bloom olhou para a amiga. — Por incrível que pareça, não. 

A porto-riquenha passou a mão na testa. — Ok… olha, vamos nos arrumar porque hoje o dia vai ser tenso. Amanhã é o baile e Stella não vai deixar a gente sem experimentar as roupas mais tarde.

•        •        •

Helia analisava os rabiscos que havia feito antes da aula de Aurora começar. 

Matemática com certeza não era seu forte. Além disso, não se importava de ter notas mais inferiores em álgebra. A única parte que talvez tivesse interesse era a geometria plana, onde podia estudar as formas que adorava usar em seus desenhos. 

Flora era a sua nova musa da inspiração. Duvidava que ela não fosse uma das Nove Musas da mitologia grega que caíra na Terra para dar uma voltinha por aí. 

Aurora aplicava logaritmo nas matrizes do quadro. Por que diabos alguém misturaria Matriz e Log? Helia não sabia e também não tinha interesse em saber. 

Encarando um de seus rabiscos, percebeu que Flora se assemelhava muito com sua mãe. Os cabelos castanhos cor de mel, olhos coloridos e um sorriso sereno e divertido. Mamãe era linda. Ele conseguia entender muito bem o porquê seu pai odiava a arte, o motivo de terem a tirado dele. Ele não conseguia mais pensar em como viveria sem Flora ao seu lado.

Fora que aquele dia na sala secreta fora… de tirar o fôlego. Há quanto tempo Helia não se masturbava pensando em alguma cena? E aquela foi…

Ele se pegou corando e preferiu parar de pensar sobre aquilo, antes que se animasse e tivesse sérios problemas com suas calças. Fechou o caderno de rabiscos e olhou para o quadro. 

O gosto de bile sujou da boca e ele fez uma careta. Olhou para Aisha e cutucou a colega. Ela olhou para o amigo.

— Você tá entendendo alguma coisa? — Ele sussurrou.

— Se eu conseguisse, estaria chorando de alegria. — A brasileira bufou ao responder. 

Ele riu baixinho.

— Silêncio! — A voz de Aurora gelou o ar. — O sobrinho do Saladin, huh? Você gostaria de explicar no meu lugar?

Helia não conseguiu responder, sentiu a boca cheia de algodão. Apenas negou com a cabeça e sentiu o sorriso peverso da loira.

— Como eu imaginei. Como eu ia dizendo, quando você troca para a base 10 dentro da matriz…

— Eu odeio essa professora. — Aisha murmurou. — Por que o primeiro ano fica com Nova e a gente fica com esse troço?

— Não é exclusivo, é mais uma disputa de sorte. Flora tem aula com ela. — Ele fez careta. 

— Uau. Que sortuda. — Aisha suspirou. 

•       •       •

Timmy tentava não prestar atenção em Anagan na hora do almoço. 

Mas quando o níger o chamou para conversar, todos os folículos capilares do ruivo se eriçaram.

— Você vai com alguém no baile amanhã? — Anagan arqueou a sobrancelha, cruzando os braços. 

Timmy sentiu uma vontade absurda de dizer que não e que aceitava o pedido de casamento dele, mas havia se precipitado. — Eu… na verdade vou com a Tecna. Por quê?

Anagan fez uma careta. — Ah, achei que a gente podia beber umas por aí. — Ele olhou para o janelão do refeitório. — Não sou muito de festas.

— Eu também não. — Ele coçou a nuca. — Tecna é minha amiga e… bem, acho que ela vai entender.

Ela vai entender porque estou apaixonado por você mas você não pode saber disso porque provavelmente me xingaria.

— Ok. Então… depois a gente se fala. — O níger acenou com a mão e se afastou de Timmy, se juntando a seus irmãos. 

Timmy observou o local por onde Anagan andou. O que estava fazendo? Ah céus. Será que…

— O que você queria com ele? — Duman cutucou o irmão quando ele sentou-se ao seu lado com um prato de enchiladas. — Espera, eles estão servindo enchiladas?!

— Não te interessa. — Anagan resmungou e ficou em sua refeição. Valtor observou os dois. 

— Timmy é um cara estranho. — Ele estreitou os olhos. — Que interesse você tem com ele?

Anagan segurou firme o garfo e olhou para o conde drácula. — Estou resolvendo umas coisas no meu computador. — Ele resmungou. 

— Aquela bugiganga velha? Você ainda tem esperanças? — Ogron arqueou a sobrancelha.

Anagan não respondeu, apenas deliciando seu prato exótico. 

— Ih, ele não te respondeu. — Glantos provocou. — Tá pensativo. 

— Não enche. — Anagan resmungou.

Estava ansioso para o dia do baile, que era amanhã, mas o baile era o último de seus problemas.  Ainda precisava… decidir do que gostava.


Notas Finais


Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!!!

Beijos, GbMr ~


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