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História High School Sucks - Capítulo 5


Escrita por: e GbMr


Capítulo 5 - Dia de Cinema


Fanfic / Fanfiction High School Sucks - Capítulo 5 - Dia de Cinema

— Sente-se, Bloom. Eu sou Avalon Martin, o psicólogo da escola.

Puta merda… será que descobriram mesmo sobre Valtor? E agora queriam lhe ensinar boas maneiras?

— Srta. Peters, seus pais estão no telefone. Querem muito falar com você. — Saladin a fitou, a voz séria. Ele estendeu o telefone para ela, que encarou o dispositivo antigo por um momento antes de levá-lo a orelha.

— Alô? — Ela disse, sem vontade, os olhares dos três funcionários vidrados nela.

— Bloom! O que esteve fazendo nesse meio tempo?! Não respondeu nossas mensagens! — A voz de sua mãe atravessou seus tímpanos como flechas afiadas.

— Eu… estive ocupada.

— Ocupada?! Bloom Peters, você não pode ir pro outro lado do mundo e fingir que o seu celular não existe!

Ah, claro que posso, vocês que me mandaram para cá. — Ela respondeu mentalmente, mas tudo o que conseguiu dizer foi: — Hm.

Hm? Bloom, você está me ouvindo?!… Deixe-me falar com ela! — A voz de seu pai falava no fundo. — Oritel, eu ainda não terminei! Anda logo, Marion!

Bloom sentiu-se um pouco incomodada com os três pares de olhos grudados nela e o silêncio da sala, ouvindo apenas a discussão de seus pais no outro lado da linha.

— Bloom! — Ouviu a voz de seu pai lotada de advertências. — Por que não avisou que tinha chegado?! Eu queria mandar a você um arquivo para passar para Saladin, a premiere da Fate Saga, que estamos produzindo pra Netflix.

Claro. Eles nunca se importavam com ela. Sempre havia um interesse no fundo.

— É, querida. — Ouviu a voz de sua mãe. — Ele gostaria de passar o filme para vocês, porque se passa em Manchester e tudo mais.

Bloom não respondeu, apenas encarou os próprios pés.

— Enfim, tenha um bom dia. Daphne lhe mandou abraços! — Ouviu a voz de seu pai dizer antes da ligação se encerrar. Ela demorou um tempo para afastar o telefone do rosto, refletindo sobre basicamente tudo, como se sua vida passasse diante de seus olhos.

— Senhorita Peters. — Saladin chamou. — Poderia me explicar o porquê não atendeu o celular?

Bloom cerrou os punhos. — Eu não ouvi.

— Vocês jovens, acham que me enganam? — Griselda disse ríspida. — Vocês estão sempre com o rosto grudado na tela, como não ouviu a ligação?!

Bloom baixou os olhos.

— Olhe, o que eles estão tentando dizer, é que seus pais ligaram desesperados para saber se você estava bem, porque não conseguiram entrar em contato com você. — Avalon disse calmamente. — Tente se colocar no lugar deles.

Se colocar no lugar deles? Que nunca se importaram com ela?

— Era só isso? Posso ir agora? — Bloom levantou o olhar novamente.

Saladin e Avalon trocaram olhares. — Srta. Peters, eu gostaria que você viesse até a minha sala, por favor. — O homem em terno creme se pôs de pé.

Bloom suspirou. — Claro, senhor. — E o psicólogo a guiou para fora dali, deixando Griselda e Saladin conversando sobre algo que não podia distinguir.

A porta da sala do psicólogo era comum, a mesma das outras. Dentro, as janelas estavam cobertas por cortinas de seda branca. As paredes nada possuíam, apenas o seu desgaste e beleza antiquada. No centro da sala, havia duas poltronas de veludo, uma mesa e um caderno de anotações, além do tapete circular de quatro metros de raio no chão.

E só isso.

Avalon sentou-se em uma das poltronas e pegou o caderno. Tirou uma caneta de um bolso interno de seu terno cor de creme e observou Bloom, que ainda se mantinha em pé, perto da porta.

— Venha, Bloom. Não irei machucar você. Eu só… quero te conhecer.

Bloom poderia muito bem conotar o sentido que ele queria conhecê-la, mas ainda estava pensativa sobre o que seus pais fizeram. Como ousavam ligar para a escola, fingir se preocupar com ela para depois pedir algo do próprio interesse?

Ela sabia dessa tática. Eles adoravam se fazer de vítima, e ela odiava isso.

A ruiva sentou-se na poltrona em frente ao homem de meia idade. Esfregou seus braços sob o suéter de lã rosa e olhou para ele.

— Então… Bloom. Você já havia estudado assim? Longe de casa?

Ela negou com a cabeça e olhou para suas mãos, que anotavam no papel pautado.

— Você já fez amigos?

Ela assentiu com a cabeça.

— Bem… — Ele olhou intensamente para ela. Ela sentiu a garganta de fechar num nó. — Há algo seríssimo que eu preciso conversar com você, e seria excelente que compreendesse o que quero dizer.

Puta que pariu… eles sabiam de Valtor? Por isso a mandaram para o psicólogo? Quão ferrada poderia estar com isso? Seria detida? Expulsa???

Bloom estava prestes a abrir a boca para se defender quando Avalon prosseguiu: — Você tem língua, certo? Por que não fala?

Isso fez a jovem estudante abrir um sorriso numa risadinha. Avalon sorriu e abaixou o caderno. — Você parece estar se escondendo de mim. Por quê?

— Porque você é um funcionário da escola e está com um caderno na mão.

— Como eu suspeitei. — Avalon levantou-se e fez algo que surpreendeu a jovem americana: ele abriu a janela, mostrou o caderno e o jogou para fora do edifício.

Bloom arregalou os olhos. — O-o caderno… você jogou… o caderno…

— Bloom Peters. Eu sou Avalon Martin. Doutor em psicologia por Oxford. E eu não preciso de anotações para me lembrar dos meus… amigos.

Ela piscou, ainda atordoada com o homem a sua frente.

— Olhe, nessas quase meia hora que estivemos juntos, eu já tenho um bom histórico sobre você. — Ele pousou os braços na poltrona onde antes estava sentado.

— Tipo… o quê?

— Tipo que você não tem um bom relacionamento com seus pais. — Ela empertigou-se. — Que não queria falar com eles por algum motivo que ainda estou tentando desvendar. Que parece se sentir melhor aqui do que em casa.

Ela corou, sem saber o motivo, piscando um pouco. Como ele sabia? — Eu… eu…

— Não precisa me contar se não quiser. Acabou de me conhecer. — Avalon deu uma volta na sala e sentou-se novamente em sua poltrona acolchoada. — Saiba que estarei aqui se precisar falar com alguém… Hm… mais profissional, digamos.

Bloom sorriu. Sentiu que ia gostar daquele homem, que o carregaria para todos os cantos. — Obrigada senhor Martin. Eu prefiro falar sobre isso outro dia.

— Ótimo. Pelo menos você já me deu uma certeza que voltarei a te ter aqui. — Ela sorriu.

— Sim. — Ela se levantou. — Bem… Hm… Posso ir?

Ele assentiu com a cabeça. Observou a ruiva sair de sua sala, ainda pensativo por ter a visto nos corredores no dia anterior.

Flora, Stella, Musa e Aisha estavam sentadas na escada dos dormitórios quando Bloom chegou. Ela estava encharcada. Não teve Griselda do seu lado para atravessá-la entre os dois prédios.

— Você levou bronca? — Aisha perguntou.

— Uma suspensão? — Flora piscou.

— Detenção? — Musa suspeitou.

— Expulsão?! — Todas olharam para Stella.

Bloom riu uma gargalhada encantadora. — Não meninas, está tudo bem. Eram meus pais. — Ela deu de ombros.

— Ah… devem ter ficado preocupados com você. — Flora encostou a cabeça na grade de pedra da escada.

— Na verdade, não. — Ela deu de ombros. — Mas eu já suspeitava. Agora eu acho melhor eu tomar um banho.

— Podemos ir pra sala de cinema depois. Ver uns filmes, sei lá.

— Se ninguém estiver lá. — Musa deu de ombros. — Eu não ia querer ficar no mesmo ambiente que aquelas escrotas da Nebulosa.

Todas riram.

— Você é uma comédia. — Aisha sorriu.

Ouviram vozes masculinas no corredor. Dali, Sky, Brandon, Riven e um menino de pele alva e cabelos escuros se puseram a vista.

— Olá gatinhas. — Riven cumprimentou quando passou por elas. — Olha só, alguém tomou um banho gelado. — Ele riu ao olhar para Bloom.

— Bom dia pra você também. — A ruiva resmungou.

— Hey Stella… — Brandon disse baixinho. — Podemos… hm… Conversar mais tarde?

Stella sorriu. — Claro. Por que não? — Mas no fundo estava nervosa.

— Por que não vão com a gente pra sala de cinema daqui a pouco? — Aisha perguntou, se colocando de pé.

— Ótimo. Eu chamo o Nabu também. — Sky sorriu e pegou o celular.

— Opa, calma… — Aisha corou.

— Até parede que você não quer. — Ele implicou.

Flora prestou atenção no menino que Bloom ainda não conhecia. Ele parecia ser menos agitado que os outros. Ele lançou um sorriso dócil para a latina, que corou e sorriu de volta.

— Bem, nos vemos daqui a pouco então. — Eles terminaram de descer as escadas. Sky passou por Bloom, lhe deu uma olhadela e sorriu.

— Olá, Peters. — E saiu, seguindo com os meninos para o corredor do refeitório.

— Olá, Peters. — Stella imitou, a voz fanha. As cinco riram.

— Ele só estava sendo gentil.

— Cuidado com ele, Bloom. — Musa se pôs de pé. — Na verdade, não com ele. — Ela parou para pensar. — Tome cuidado com Diaspro.

— Ela já ficou brava por termos nos apresentado ontem.

— Pois é. — Aisha suspirou. — Sky é um cara bacana. Não sei como ele de sujeita a tamanha…

— Imundice. — Stella resmungou.

— Ela era apaixonada por ele. — Flora se pôs de pé. As meninas fizeram o mesmo e passaram a fazer seu caminho para o corredor. — Famílias amigas e tudo mais. Com o tempo, se tornou desgastante, ela vive reclamando que ele não dá atenção pra ela e tudo o mais.

— Então ela não gosta mais dele? — Bloom arqueou a sobrancelha.

— Eu não diria isso. Diria que… está brava com ele. Há tempo. — Flora suspirou. — Ela é carente com… meninos. Não que falte opção, mas ela sempre quer ele o tempo todo.

— E ele não é um cara que parece gostar de ficar preso. — Musa murmurou.

— Exatamente. Acho que ele só não pôs um fim nessa relação sem pé nem cabeça porque tem pena dela.

— Eles são o que, afinal? — Stella perguntou.

— Ficantes.

— Tá mais pra amigos coloridos.

— Não, ficantes mesmo. — Flora reforçou. — Não acho que ele a considere uma garota que pode se contar todas as coisas.

A boca das meninas fez um "o". — Uau… ela deve ser insuportável mesmo. — Aisha riu.

— Você não faz ideia.

— Vamos Bloom, vou ficar no banheiro com você. — Stella sorriu.

— Ah, vocês podem me esperar? Eu também vou toma banho, só preciso pegar minhas coisas. — Musa pediu.

— Vai rápido. Quero ver você subir e descer essas escadas assim. — Aisha estalou os dedos e Musa deu língua, se virando e saindo correndo para o andar superior.

— Vou pegar minhas coisas também. — Flora sorriu. — Nos vemos em cinco minutos.

— Então, Bloom, você disse que teve que falar com seus pais, certo? — Aisha sentou-se no chão, as costas sobre a parede. — Como foi?

A ruiva suspirou. — Foi mais pra uma chamada interesseira que emotiva.

— Hm… Te pediram alguma coisa? — Stella perguntou.

— Algo a ver com uma série que estão fazendo, para eu dar um arquivo pro Saladin… sei lá. Só sei que não vou fazer. — A ruiva suspirou e destrancou a porta do 101, entrando para pegar sua muda de roupas.

— Então… o que você vai fazer com isso? — Aisha questinou, ainda no corredor.

— Ignorar. Eles têm o contato de Saladin. Querem que eu mande pra ele pra parecer que eu me importo com o trabalho que fazem! — Ela rangeu os dentes.

— Bloom, talvez você devesse conversar com Avalon sobre isso. Você é muito jovem pra guardar tanta mágoa. — A voz de Stella soou suave. Bloom apenas suspirou e virou-se.

— Vamos tomar banho. Chega de falar sobre mim. — A ruiva saiu do quarto.

. . .

— Não quero assistir a um filme de romance! — Aisha reclamou.

As cinco jovens agora estavam espalhadas pela sala de cinema, que não era assim tão grande, e nem tão pequena. Havia vários puffs espalhados, dois sofás em L, uma televisão que cobria uma parede, caixas de som nas paredes e auto-falantes nas extremidades. A cor escura da parede, um tom de indigo. Também havia uma pipoqueira, que parecia não ser usada há um tempo, e uma máquina de refrigerante similar as encontradas nas franquias do Burger King.

— E eu não quero assistir um de ação! — Stella protestou.

— Vamos assistir um musical! — Musa pareceu feliz e esperançosa com a ideia.

— NÃO! — Gritaram todas em uníssono, a japonesa apenas cruzou os braços.

— Pelo menos eu tentei. — Ela murmurou.

— Vamos assistir um suspense! Um drama! — Flora sugeriu.

— Eu não quero chorar! — Stella fez careta.

— Opa, parece que chegamos na hora certa. — A voz de um dos meninos ribombou no cômodo, e Bloom logo viu Sky. Seus olhos se encontraram por um momento, e ele sorriu. — Já decidiram o que vão assistir?

— Que pergunta mais idiota, cara. — Helia riu. — Não viu que elas acabaram de falar sobre os filmes de suspense? Que até seria uma boa pedida. — O olhar do sobrinho de Saladin pousou na garota que sugeriu o tema, e Flora corou instantaneamente, como extrato de tomate.

— Tá, e eu não quero ver filme com beijinho e essas merdas não. — Riven se jogou em um sofá, tirando um vape do bolso.

Bloom arregalou os olhos. — Isso aí é permitido aqui?

— Não. — Ele deu de ombros e pôs a haste na boca.

— Enfim, ninguém sugeriu uma comédia não? — Nabu sentou-se no sofá, do lado de Aisha, que corou violentamente por notar a quantidade de lugares vagos, e ele querer sentar-se junto dela.

— Ah cara, essas comédias de hoje são péssimas. — Brandon sentou-se no mesmo puff que Stella. Ele estava atrás dela, de forma que ela se encontrava envolta de seus braços.

— Você está querendo terminar, não é? — Ela murmurou, olhando para ele. — Por isso quer conversar.

— Não! Não! Stella… — Ele falava baixo, de forma que apenas ela pudesse ouvir. — Eu quero… não quero mais ser eu ficante, isso è fato. Mas eu quero ser muito mais do que isso. — Ele encarou seus olhos. — Gostaria de… ser seu namorado, Stella.

A loira piscou um pouco. — O… o quê?

— Eu… olha, eu não podia esperar mais. Estamos nessa há sei lá, uns dois anos, e eu sinto muito mais por você do que imagina.

Stella não conseguia falar. Sentia que ia derreter-se ali mesmo. O cara mais gato do terceiro ano, capitão do time de Lacrosse e que fazia o coração de pelo menos três das Nebulosas baterem mais forte pedindo sua mão?

Stella respondeu com um selinho seguido de um sorriso. — Você tá pedindo pra ser meu namorado? Por que se sim, eu aceito.

Brandon sorriu e beijou Stella, um sorriso feliz no rosto.

Sky sorriu, observando os dois amigos. Sempre achara que faziam um casal perfeito. Ele suspirou e se jogou num puff, impensavelmente ao lado de Bloom.

O loiro olhou para ela por um momento: pele alva e sardas salpicando o nariz e bochechas, olhos aqua, os cabelos ruivos naturais como a lua, os seios invejáveis, o corpo curvilíneo, sem exageros. Aquilo o impressionou. Não vira muitas meninas ruivas naturais em sua vida, muito menos teve o prazer de falar com elas.

— Então… — Ela olhou para ele. — Você tem pais que trabalham no cinema. Por que não escolhe o filme você mesma?

Bloom cruzou os braços e desviou o olhar. — Ouvi falar que seu pai é banqueiro. Por que você não cuida das minhas economias?

Ele piscou, surpreso com a resposta e um tanto intrigado. — Touché.

— Já chega! — Musa se pôs de pé. — Vamos assistir um filme de terror! Foi a única de todas as categorias que sequer discutimos!

— Ah não… terror não… — Stella fez um muxoxo. Seu novo namorado sorriu.

— Você está com medo? Eu estou aqui pra proteger você. — Ele sussurrou numa voz rouca em sua orelha, o que a fez morder o lábio.

— Pode ser pra mim. — Aisha deu de ombros.

— Err… tem certeza, meninas? Por que não um filme de… sei lá, heróis? — Flora parecia nervosa.

— Bloom não gosta. — Aisha disse imediatamente, sabendo o porquê dos Peters serem tão famosos.

— Aff… tá. Mas não me culpem se eu for pro quarto de algum de vocês durante a noite! — Todos riram.

— E você, novata? — Riven guardou o cigarro eletrônico no bolso. — Você não vai ficar com medinho? — Um tom de gozação brincava com sua voz.

Bloom lançou um olhar frio à ele. — Eu já fui no MotelX e no festival de Sitges. Creio que filme de terror não vai ser um problema pra mim. — Ela retrucou. Parte dela pareceu surpresa por usar algo que adquira do trabalho dos pais, outra porque conseguiu responder o valentão do grupo.

Riven resmugou algo inaudível antes de relaxar em seu assento.

— Ok, então, qual que assistiremos?

— Um do Stephen King seria ótimo. — Bloom sorriu.

— Concordo com a cenoura aqui. — Sky esticou os braços, espreguiçando-se.

Bloom piscou um pouco. — Do que é que você me chamou?

— Cenoura. — Ele olhou para ela, um travesso sorriso ladino nos lábios. — Se não gostar, posso te chamar de beterraba, salsicha…

— Ah, tá. Você seria o Scooby-Doo. — Ela deu língua e ele riu.

— Cenoura. Pegar ou largar.

— Onde que eu concordei em você me apelidar assim?

Stella e Aisha se entreolharam. Sentiam que aquela discussão iria para além de insultos. — Bem… Stephen King então. Que tal Carrie, A Estranha?

Musa levantou os dois polegares para cima. Helia e Flora assentiram juntos com a cabeça, o que fez os dois corarem juntos e, em seguida, rirem juntos.

— Ótimo. Alexa! — Stella falou mais alto.

— No que posso ajudar? — A voz da inteligência artificial a respondeu.

— Quero assistir Carrie, A Estranha!

— Abrindo aplicativo.

As luzes da sala diminuíram sozinha. Bloom sorriu. Por um momento, sentiu-se em sua casa na Califórnia, onde controlava tudo com a voz. Talvez estivesse errada sobre Manchester Hall. Talvez não fosse assim tão velha quanto parecia.

. . .

— Eu não vou conseguir dormir! — Flora agarrava os cabelos. Haviam acabado de assistir o filme justo na hora do jantar. Caminhavam pelo extenso corredor até a outra ala do primeiro andar, onde o refeitório estava localizado.

— Ah, qual é, Flora! Não foi tão ruim assim. — Aisha arqueou a sobrancelha.

— Ela matou um passarinho! — Flora gritou. — Ela esmagou-o com uma pedra! Ela podia tê-lo salvado!

— Ô veggie, aciona o freio aí! — Riven levantou os braços. — Foi. Só. Um. Filme.

— Eu entendo como se sente, Flora. — Helia murmurou ao lado dela. — Gosto de desenhar pássaros, e essa cena me perturbou um pouco também.

Eles trocaram olhares e Flora esqueceu de estar perturbada, os olhos negros dele sendo suficientes para acalmar o coração dela.

— Se você está assustada com esse filme, não vai querer assitir Suspiria. — Bloom olhou para o chão.

— Espera, você já ouviu falar nesse filme?! — Riven piscou para ela, atônito.

— Querido, eu vivo cercada por filmes. — Ela revirou os olhos.

— Cacete… — Os olhos de Riven pareceram se iluminar um pouco. — Achei que você fosse mais uma tocha humana, mas parece que você é legal.

Ela deu de ombros e sorriu levemente. Sky a observava andar. Era tão simples, e tão… graciosa. Como podia transformar calças de moletom surradas, uma regata justa e um cardigã desbotado em algo tão lindo de se ver?

Brandon notou o olhar dele. Por mais que Sky fosse um de seus melhores amigos, apesar de mais novo, não poderia fazê-la se sujeitar a isso.

E esse isso não é uma atitude, não é uma ação.

É um nome.

Blooon recebeu mais uma notificação no celular. Pegou-o e leu:

Número desconhecido: Ainda aguardo você na sala de música. Não precisa ficar com medo. Ass: PI

Ela engoliu em seco. Parou de andar.

— Bloom, o que houve? — Musa olhou para ela.

— Eu… Hm… esqueci minha carteira! — Por que ela mentiu sobre onde estava indo? Parecia estar prestes a fazer algo errado.

— Ah… podemos esperar você. — Nabu deu de ombros, um dos braços atravessados na cintura de Aisha, que parecia estar prestes a desmaiar a qualquer momento.

— Não, eu estou bem. Podem ir, guardem um lugar pra mim na mesa. — E com essa deixa, ela se afastou nos corredores.

Sky a observou partir, os fios rubros colorindo o corredor monocromático da escola.

— Cara… não. — Brandon pôs a mão no ombro dele. Lembrava-se de ter a visto com Valtor no dia anterior, mas não era isso que o incomodava.

— Não o quê? — O loiro olhou para ele.

— Não pense em fazer isso. Você quer se aproximar dela.

Sky piscou um pouco, confuso. Como ele sabia no que ele estava pensando?

— Primeiro que você deu um apelido completamente único pra ela. Segundo que não para de olhar pra ela desse jeito.

— Olhar pra ela de que jeito?

Brandon passou a mão no rosto e suspirou. Puxou-o para trás, enquanto o grupo seguia na frente para o refeitório.

— Cara, escuta: você tá envolvido com a Diaspro. Eu sei que você não sente nada por ela mas ela é louca. Pode fazer a Bloom sofrer. — Brandon olhava em seus olhos azuis, suas esferas castanhas em tom de alerta.

— Você fala isso como se Diaspro fosse matá-la. — O loiro riu, mas o moreno não o acompanhou na piada.

— Stella pode ter a conhecido há pouco tempo, mas já tem uma consideração colossal por ela. Se você quiser se aproximar da Peters, precisa saber as consequências que podem vir à ela.

Sky pensou um pouco sobre as palavras que Brandon dizia. Ele desviou o olhar. — Não é como se eu fosse namorá-la ou algo assim.

Brandon suspirou e levantou as mãos. — Você quem sabe. — E voltou a andar em direção ao refeitório. Sky foi logo atrás, dando uma corrida ligeira para alcançá-lo.

Enquanto isso, Bloom entrou na sala de música. A sala estava escura. A parede de vidro ao fundo permitia que a luz dos postes e da lua iluminasse a escuridão.

Havia uma sombra próxima do piano, encostada no instrumento. Ao ouvir os passos, ela se virou para sua convidada.

— Diaspro?… — Bloom piscou um pouco. Não entendia o porquê Diaspro a chamara ali, o porquê de estar com o alterego PI ou o porquê de estar usando roupas tão… estranhas. Ela usava preto. Tudo preto. Capuz sobre os cachos loiros.

— Bloom Peters. — Ela se aproximou dela, observando as piscinas em seus olhos. — Deixe-me avisar uma coisa apenas.

Ela parou de andar quando havia poucos centímetros para tocarem uma na outra. Bloom podia sentir a respiração tranquila e regulada da loira, que parecia fazer isso regularmente. Não aparentava medo, ou choque, ou qualquer outro sentimento, apenas indiferença.

De súbito, os olhos de Diaspro deram um brilho peverso, suas íris âmbar se colorindo para um matriz avermelhado. — Escute bem o que vou lhe dizer: se você tentar tirar o Sky de mim, acontecerão coisas tão ruins que você vai desejar não ter nascido.

Bloom riu. Ela amava quando meninas mimadas se faziam de perigosas. Mas aí sua mente projetara em Flora chorando mais cedo, afirmando sobre o Manual do Escárnio e sobre a loira a sua frente conhecer todos os segredos de todos.

Mas Bloom não de mostrou abalada. Manteve a postura, apesar de intimidada. — Até onde eu saiba, escravidão é crime, então você não pode revogar uma pessoa como sua.

Ela sentiu Diaspro ranger os dentes, a boca fechada. — Você é tão engraçadinha, Peters. Vamos ver se vai continuar assim quando coisas ruins acontecerem. — Ela passou a caminhar para a porta.

— Você é louca! — Bloom rangeu os dentes. — Acha que eu vou ficar com medinho de você?

E então, Bloom se arrependeu de sua pergunta. Ainda tinha mil perguntas para fazer, do tipo por que a chamou? Qual a relação dela com Sky? O por que do codinome estranho. Diaspro olhou para ela, mas não disse uma única palavra, seu olhar com um milhão de significados diferentes. E então, deu um sorriso delicado e saiu da sala de música, deixando Bloom atordoada, preocupada e agora com a certeza de que teria que ajudar Flora a acabar com a irmandade de Nebulosa. 


Notas Finais


Muito obrigada por sua audiência, por sua paciência e por ser essa pessoa maravilhosa!

Beijos, GbMr ~


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