História Highlight Reel: The bridge - Capítulo 1


Escrita por: e daeguwars

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin)
Tags Bangtan, Bts, Debut, Hightlightreel, Namjin, Whp
Visualizações 48
Palavras 5.533
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Fluffy, LGBT, Musical (Songfic)
Avisos: Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Bem, a Highlight Reel é a primeira namjin que eu escrevi e tenho um amor tão grande por ela ao ponto de ficar feiz demais por ser a minha história de debut no projeto! Como vocês já viram pelo nome, a one está relacionada ao highlight reel e para aqueles que sabem as frases/falas do Jin durante os vídeos, podem entender rápido as referências... Diferente das outras, a highlight não tem bem uma ""letra"" para seguir, então o plot para ela foi mais """"livre"""" e eu amei poder realizá-lo como queria, utilizando fragmentos das frases e vídeos que contém neles.

Eu não tenho palavras para agradecer a pessoa maravilhosa que fez a capa para mim, vulgo a @baepsae_w, pode entrar fada com seu portfólio impecável! Foi impossível não escolher ela para fazer a capa da minha one e fiquei mais que satisfeita com o resultado dela! E a beta galero? Ela foi fundamental para a Highlight ficar ""boa"" de verdade. A @ParkEunsoo teve uma paciência de monge para arrumar direitinho a highlight e eu apenas sei agradecer pelo trabalho incrível que ela fez.

É isto!

Capítulo 1 - Disagreements


 

Alguns momentos tornam-se mais vividos com a passagem do tempo, muitos encontros e despedidas existiram por esse momento. Cada beco e cruzamento que passei, foram destinados a me levar a este lugar, onde, consequentemente, eu o vi pela primeira vez.

Este tipo de momento é o que eu quero dizer, aquele se tornou uma parte da minha rotina após a chegada dele. As constantes pausa para o almoço em que passava meus trinta minutos em uma ponte vendo milhares de rostos desconhecidos passarem por mim.

Eu gostava de ir até aquela ponte observar as pessoas perambulando sobre o chão de concreto com pressa, como se sempre estivessem atrasadas. Era fascinante ficar examinando cuidadosamente cada indivíduo, criando fantasias de como eles estariam vivendo suas vidas, de como estariam vivendo aquela passagem de tempo.

Eu nunca tinha reparado nos rostos dos cidadãos que passavam por mim, entretanto, naquela manhã foi diferente.

Entre tantos rostos, havia um que me cativou entre a multidão.

Não era qualquer rosto, era o rosto dele.

O rapaz ajudava uma moça a recolher os papéis que voaram ao serem atingidos pelo vento, e ele tinha sido tão educado de interromper seu trajeto para ajudá-la, que eu posso ter ficado alguns minutos observando a cena, o suficiente para aquele rosto ser fixado em minhas lembranças.

Nunca houve um propósito certo para aquelas idas à ponte, porém após este dia, havia um motivo no topo da lista.

Assim que os ponteiros do relógio ficavam unidos no número doze, eu corria para ponte na falsa esperança de vê-lo novamente, e era frustrante não poder ver aquele rosto. Ele desapareceu por um mês e durante os trinta dias, eu continuava indo em meu horário de almoço até aquela ponte.

O hospital não ficava muito longe da ponte, mas eu precisava descer e passar entre a ferrovia para voltar ao emprego. Eu sorria, rindo da forma tola que estava agindo desde que o vi pela primeira vez. Havia se passado tantos dias que os traços do seu rosto começaram a desaparecer e agora eu já não lembrava de como era o formato dos seus olhos, embora lembrasse perfeitamente de como eram seus lábios bem preenchidos.

O trem passava rapidamente pelos trilhos, enquanto olhava distraidamente para os vagões passando por mim em alta velocidade, era quase impossível ver as janelas sem ser um completo borrão, e quando finalmente o último vagão passou, percebi que tinha alguém do outro lado da ferrovia.

Aqueles lábios eram familiares... E céus, eles estavam se aproximando de mim.

O rapaz estava atravessando a ferrovia e, agora, nossa distância não estava mais em metros. Fiquei estático enquanto ele passava por mim, tentando disfarçadamente ver melhor aquele rosto.

O rosto daquele rapaz tinha rondando minha cabeça durante trinta dias e agora novamente estava causando transtornos. Tentava não encará-lo muito, não queria assustá-lo. Ele parecia ter notado, pois ao passar por mim, virou seu rosto em minha direção e fez um cumprimento ao acenar com a cabeça. Eu paralisei novamente, tentava dizer algo, um mísero “olá” e nenhuma palavra saia.

Um rubor começou a querer entrar em cena, quando percebi que ele achou graça daquela reação tosca. Um sorriso tinha surgido entre aqueles lábios chamativos e tinha um novo tópico sobre o rosto daquele rapaz que eu gostava.

Respirei fundo, virando minha cabeça quando ele finalmente tinha passado por mim e ao ver que ele também olhava para trás, eu soube sorrir de uma maneira estranha. Aquele sorriso esquisito tinha feito ele deixar escapar uma risada adorável antes de prosseguir no seu trajeto.

Então eu o segui.

Havia uma parte minha que berrava, me questionando sobre o quão estúpido era aquela ação de seguir o rapaz pelas ruas como se fosse um pervertido mal intencionado.

Tinha sido apenas cinco quadras, um caminho totalmente distinto do trajeto para o hospital. Era negligente, mas eu estava preparando uma boa desculpa para o atraso. Minha atitude era tão primitiva, que pensei na possibilidade de estar agindo com um maníaco.

Os sinos da loja na esquina soaram quando ele entrou nela. Eu fiquei a poucos metros, escondido entre duas lixeiras e recebendo olhares questionadores dos idosos que vendiam flores do outro lado da rua.

Eu gostava de doces — especialmente pirulito —, e não havia sinal do doce entre meus lábios, nada mais justo do que ir comprar um na loja da esquina.

Bem, agora não é como se eu o estivesse seguindo.

Os sinos também anunciaram minha entrada e eu fui em direção ao corredor dos doces, tentando ver pelo vidro espelhado em que corredor ele estava. O rapaz estava no corredor ao lado do meu e tinha pegado alguns pacotinhos de salgadinhos, enquanto com a outra mão abria o zíper da mochila.

Espere, ele iria mesmo fazer aquilo?

Eu pago pelo o que tem na mochila. — Fui ágil ao dar a volta e pegar a mochila das mãos dele, que parecia incrivelmente surpreso com meu ato repentino.

— 20500 wons — o comerciante disse com uma expressão de poucos amigos, enquanto terminava de tirar os pacotes de dentro da mochila.

O rapaz do meu lado apenas observava a cena, não dizia nada, muito menos direcionava seu olhar para mim. Ele parecia estar envergonhado, já que estava cabisbaixo, mas soube que estava enganado a respeito disso quando chegamos na rua.

— Por que fez isso? — ouvi a voz dele soar baixa ao meu lado, enquanto pegava a mochila da minhas mãos com brutalidade.

— Não acho correto roubar — respondi de imediato, me sentindo intimidado pela forma intensa que ele me encarava.

— 20500 wons, certo? — ele indagou ao retirar uma carteira do bolso traseiro, pegar algumas notas e estender a mão para me entregar o dinheiro.

— Se podia pagar, porque roubaria?

— Em nenhum momento eu disse que não tinha condições de pagar, quem deduziu isso foi você... Só min? — ele começou a dizer e assim que seus olhos foram direcionados ao meu crachá, ele se permitiu rir, ignorando totalmente o clima tenso entre nós dois.

— É Namjoon! — eu disse olhando para o meu crachá, sorrindo timidamente para o rapaz que balançou a cabeça demonstrando compreensão. — Comecei a trabalhar no Hospital e não tinha uniformes o suficiente para os novos enfermeiros.

— Namjoon — ele repetiu minha fala baixinho.

— Qual é seu nome?

— Dizem que se você desejar muito algo, irá acontecer — ele contentou, me deixando totalmente atordoado com sua resposta enigmática.

— O que você quer dizer com isso? — indaguei sem entender onde ele queria chegar.

— Não é a primeira vez que eu te vejo — ele respondeu pensativo, mordendo o lábio inferior durante o ato —, mas é a primeira vez que eu sou seguido por alguém, Namjoon.

— E-eu… — aquela fala tinha me pegado de surpresa, não tinha argumentos para me defender, dado que a tonalidade vermelha já estavam em minhas bochechas, denunciando que havia alguém envergonhado.

— Seria fácil demais dizer meu nome agora — ele disse com um sorriso sacana, possivelmente se divertindo com minha exposição. — Deseje me ver novamente e quem sabe no nosso próximo encontro você descubra meu nome!

 

{...}

 

Havia se passado quinze dias desde o acaso na loja e não teve um dia se quer que eu não desejei vê-lo novamente. Enquanto ele parecia estar em uma espécie de jogo comigo, já que durante esses dias, ele não apareceu na ponte, muito menos esteve do outro lado da ferrovia quando o trem passava.

O expediente no hospital aumentou com a chegada do novo paciente, assim mudando meu horário de almoço. Era frustrante ver os ponteiros juntinhos no número doze e precisar ficar naquele lugar até o menor chegar ao seis. Os trinta minutos a mais que eu ficava no hospital eram suficiente para Jungkook me contar fragmentos de sua vida. Entre os inúmeros pacientes do Doutor Park, ele era um dos mais amigáveis e as horas passavam rapidamente se eu estava em sua companhia.

Jungkook me contou do fato de ter um irmão mais velho, que apesar de estar beirando os vinte e seis anos, era inconsequente como uma criança. Ele gostava de falar sobre Jin, este era o nome do seu irmão mais velho. Inclusive, Jin jamais foi visitar Jungkook durante o período de internação e não demorou muito para ele me dizer o motivo de sua ausência. Jin tinha causado o acidente que fez o irmão virar paraplégico e sua culpa o impedia de ir ver o caçula.

Jungkook também me contou sobre ser filho do segundo casamento de sua mãe, anteriormente ela tinha apenas Jin. A senhora Jeon passou por momentos difíceis quando seu primeiro marido faleceu, o mundo dela cedeu completamente e ela adoeceu durante o processo. Mas, ela soube encontrar forças no pai de Jungkook para se reerguer.

O problema era que, enquanto todos estava sendo curados, Jin parecia adoecer. Jungkook dizia que a relação dele com sua mãe era péssima e que ele não lembrava de vê-la sendo carinhosa com ele.

Jungkook se sentia culpado pelos problemas do seu irmão, mas ouvindo sua história, não era como se ele fosse o pivô da autodestruição do irmão.

Jin parecia ser alguém dilacerado, fazia coisas inconsequentes para chamar a atenção da mãe, que visivelmente não se importava com o primogênito.

Então, pensei no garoto da ponte, talvez ele fosse como Jin e apenas estava querendo que alguém verdadeiramente se importasse com ele.

E eu poderia ser facilmente este alguém em sua vida.

No final do meu expediente, resolvi pegar um ônibus para chegar mais cedo em casa. Enquanto pousava minha cabeça contra o vidro, notei o momento que o veículo estacionou em uma parada, dois idosos entraram e por fim, ele. Não havia dúvidas que era ele, mesmo usando o boné que cobria seu rosto com uma sombra indesejada, era ele.

O rapaz cumprimentou alguns conhecidos, sentando a três bancos em minha frente e eu pensei na possibilidade dele não ter me visto, chamar sua atenção foi o estopim que me levou ir até ele.

— Qual é o seu nome? — perguntei assim que me sentei ao lado dele, percebi que ele abaixou a cabeça e se permitiu rir.

— Não esperou dez segundos para vir até mim, estou começando a ter medo de você — ele respondeu, pousando a cabeça contra o vidro, apenas me encarando pelo reflexo embaçado.

— A culpa é sua por fazer eu querer saber seu nome! — respondi, tentando não parecer intimidado com sua frase.

— Por que saber meu nome é tão importante para você, Namjoon? — Ele virou um pouco o rosto na minha direção, agora me fitando de lado.

— Quero finalizar frases como você — expliquei, tentando soar casual.

— Meu nome é com a letra S — ele disse, fazendo um gesto no ar, que possivelmente era o desenho da letra.

— Somin?

— Seokjin… — ele respondeu com um sorriso grandioso. — Kim Seokjin.

— Kim... Seokjin — disse satisfeito ao descobrir o nome do rapaz. — É um nome bonito — deixei escapar o pensamento, fazendo ele rir nasalado.

— É uma pessoa bonita… — Seokjin sussurrou ao me encarar.

— Quem?

— Você, Namjoon, você — ele respondeu com um leve rubor em suas bochechas. — Eu percebi elas assim que você sorriu para mim na ferrovia — sussurrou aproximando o dedo das minhas covinhas, mas em nenhum momento tocou nelas.

— Você está me deixando constrangido — eu disse ao ficar cabisbaixo, pois sentia olhares questionadores vindo dos demais passageiros.

— Nunca foi elogiado por outro homem antes? — Seokjin parecia não ligar para as pessoas que nos olhavam e eu apenas balancei a cabeça negativamente, sem ter coragem o suficiente para encará-lo ou respondê-lo. — Pensei que não.

—  E você já foi? — questionei com curiosidade, percebendo o instante que ele tombou a cabeça no meu ombro para rir.

— Que tipo de pergunta é essa? Faça a que você realmente quer fazer! — ele disse franzindo o cenho. — A resposta é sim — respondeu de imediato, impedindo que eu pudesse fazer qualquer pergunta a ele.

— O que?

— Se eu gosto de garotos, a resposta é sim — Jin disse, virando novamente seu rosto para a janela e mentalmente eu o agradecia por isso, já que agora podia ouvir burburinhos de alguns passageiros que ouviam a conversa.

— Minha parada! Até qualquer dia, Namjoon… — ele disse ao se levantar e antes de sair, teve o prazer de se aproximar de mim e depositar um beijo na minha bochecha esquerda.

Assim ele partiu, me deixando totalmente desconfortável com os olhares maldosos que estavam sendo direcionados para nós dois.
 

{...}

 

O som das cigarras que chiavam como um chuveiro termina em um instante, mas o da chuva continuava a soar em Seul. Estava chovendo há dias, naquele dia eu estava dispensado das minhas atividades, mas recebi uma ligação de Jungkook falando sobre seu irmão ter passado no hospital, aparentando estar alegre com algo, porém ele também ressaltou que o irmão não quis dizer o motivo de sua felicidade.

Eu também estava mais feliz desde que soube o nome do rapaz. Seokjin era realmente um nome bonito e se adequava ao dono dele. Durante o dia de folga, eu pensei sobre Seokjin, tentei procurar suas rede sociais com inúmeras combinações diferentes com seu nome, mas nenhum dos rostos estampados nas fotografias eram o seu.

Kim Seokjin aparecia facilmente, da mesma forma que desaparecia com a mesma frequência.

Desde o encontro no ônibus eu não tinha mais visto Seokjin, e mesmo debaixo de chuva, fui até a ponte e fiquei nos arredores até escurecer, e ao voltar para casa, peguei um caminho diferente, tentando evitar as ruas empoçadas.

E ao entrar em uma rua deserta, avistei de longe que tinha alguém utilizando um spray para pichar uma frase no muro descascado. Pensei na possibilidade de dar meia volta e tentar achar outro atalho, não parecia seguro passar por ali, mas o alguém parecia concentrado demais para reparar que tinham pessoas passando por ele.

Meus passos eram sorrateiros, tentava não chamar atenção do rapaz encapuzado, embora que ele tenha chamado minha atenção ao deixar a lata de spray cair ao me ver, tirando lentamente o capuz e revelando seu rosto.

Aquela era a situação mais inusitada que eu poderia encontrá-lo.

— Nós temos que parar de nos encontrar toda vez que você faz vandalismo — comentei, demonstrando nervosismo, mas ao mesmo tempo estava aliviado de ser alguém conhecido naquela rua macabra.

— Vai precisar se esforçar bastante — Seokjin respondeu ao largar os spray e se aproximar de mim, ficando debaixo do meu guarda chuva, assim deixando nossos rostos bem próximos.

— O que está fazendo? — disse surpreso com sua atitude, e ao mesmo tempo estava ficando tímido com a proximidade.

— Está chovendo, não está vendo? — Jin respondeu sarcástico ao colocar sua mão para fora do guarda chuva, deixando alguns pingos molharem sua mão e mostrando-a para mim.

— Há dois segundos atrás você não parecia se importar com isso — contestei, arqueando uma das sobrancelha. Era minha vez de deixá-lo constrangido.

— Eu não tinha um guarda chuva, mas você tem — ele respondeu normalmente, não aparentava estar encabulado. — Pensei que não se importaria com a proximidade — Jin sussurrou provocante.

— E-então é spray q-que tem na sua mochila quando não são doces roubados? — disse tentando aliviar a tensão e ele pareceu notar já que soltou uma risada, sem desviar sua atenção de mim.

— Na verdade, latas roubadas!

— O que?

— Estou brincando! — ele soltou uma risada descontraída. — Da mesma forma que eu tenho dinheiro para doces, tenho para tintas...

— Onde você mora? — perguntei ao perceber que a chuva estava ficando mais forte.

— Por que quer saber?

— Está chovendo, não está vendo? — respondi o imitando, e ele apenas mordeu os lábios parecendo pensar sobre.

— Ou nós podemos ir para sua casa, não deve ser longe daqui — ele sugeriu timidamente, talvez temia que eu distorcesse suas intenções.

— Não acho seguro levar um delinquente para minha casa — disse em um falso tom de preocupação.

— É só você esconder seus doces amanteigados de mim — Seokjin disse sorrindo docemente.

— Hey, vocês dois será que… — Fomos surpreendido por um Policial, que parecia amigável até perceber as latas de spray e a frase contra o sistema no muro. — Vejam só...

— Merda, Namjoon!

Seokjin apenas pegou minha mão, puxando com força ao começar a correr. Assustado e emaranhado com a situação, acabei soltando o guarda chuva e agora nós dois corríamos do policial na chuva. Não havia tempo para se importar com os pés molhando, não havia tempo para se preocupar com a roupa encharcada e cabelos grudados na testa. Enquanto corríamos, ele ria alto ao olhar para atrás e ver o homem robusto tentando nos alcançar, ficando irritado toda vez que pisava em uma poça.

— Acha que ele vai nos achar? — Jin sussurrou ofegante assim que entramos em um beco, nos escondendo atrás de uma escada.

— Não sei… — disse tentando me recompor, não era mais um garoto para correr daquela maneira.
A chuva estava cada vez mais forte, sem guarda chuva, fomos vítimas na certa dos pingos e em uma fração de tempo, estávamos ainda mais encharcados e respiração acelerada devido a correria.

— Você está bem? — Seokjin perguntou, parando em minha frente. A distância entre nós dois era considerável, mas meus olhos estavam o analisando por completo. Aquele corpo molhado, as roupas grudando nele e deixando que minha mente vagasse ao notar cada detalhe daquele rapaz.

Era excitante vê-lo molhado, com os lábios entreabertos e com o avermelhado natural se esvaindo pelo frio da chuva.

Minhas mãos tocaram seu rosto timidamente e ele pareceu surpreso, embora não tivesse tentado se afastar. Éramos nós dois, não haviam ninguém naquele beco e se tivesse testemunha do que estava prestes a acontecer, seria apenas a lua.

Quando meus lábios gélidos tocaram os dele, ele se estremeceu, colocando as mãos em minha cintura enquanto eu segurava seu rosto, havia um receio que ele fugisse e segurar seu rosto com minhas mãos pareceu uma alternativa para evitar isso. Foi arriscado a tentativa de aprofundar aquela troca de carinho, mas minha língua havia sido tão bem recebida pela boca dele, que não pareceu ruim quando a língua dele passou a acariciar a minha em um ritmo único.

Era insano a forma como estávamos no beijando na chuva, era delicada a forma com ele chupava minha língua e era curiosa a forma como suas mãos percorriam partes do meu corpo, apertando de leve algumas, apenas sentido sem muito contato outras. Eu estava queimando por dentro, não querendo que aquele momento acabasse.

Agora havia outro tópico que eu gostava nele.


{...}
 

Após o beijo, foi inevitável a situação embaraçosa em meios de sorrisos tímidos e rubor nas bochechas de ambos. Novamente estávamos ofegantes e nenhum era corajoso o suficiente para dizer algo sobre o ocorrido durante o percurso até minha casa, então, apenas fingimos que não tinha acontecido a troca de carícias, em uma tentativa de evitar o constrangimento simultâneo.

— Chamei um táxi para você — eu disse ao entrar no quarto após duas batidas na porta. — É um amigo meu, ele se chama Hoseok e como não sabia seu endereço, disse que você falaria quando ele chegasse — expliquei, me encostando na porta, apenas vendo ele colocar um dos meus moletons.

— Obrigado, Namjoon — Seokjin respondeu sorrindo fraco. — Se eu gostar desse moletom, saiba que não irei vê-lo em outro corpo ao não ser no meu — disse divertido.

Era nítido que ele queria aliviar a tensão entre nós dois, mas eu ainda não sabia lidar com ela e apenas cocei a nuca, incerto sobre o que responder, preferindo ficar em silêncio.

— Senta aqui. — ouvi ele dizer ao se sentar na cama, batendo com a mão do seu lado e eu apenas me aproximei, sentando no lugar indicado. — Eu prefiro seu rosto quando não está tendo uma batalha interna — Seokjin disse me analisando com um olhar crítico.

— Eu não sei como agir — confessei tentando não demonstrar nervosismo ou rubor na sua presença.

— Por que precisa ser assim? — ele disse ao esticar sua mão para tocar meu rosto, retirando a franja que cobria meus olhos e sorrindo quando pode vê-los.

Eu estava estático enquanto ele me analisava cuidadosamente, como se estivesse tentando desvendar algo, e eu soube que ele teve suas próprias respostas quando colocou suas mãos no meu rosto, me puxando para o encontro do seu.

Novamente nossas testas estavam se tocando, enquanto as respirações se misturavam e os lábios eram umedecidos em um reflexo simultaneamente. Seokjin foi quem tomou a iniciativa, ele me beijou em um ato de desespero, pois foi rude a forma como nossas bocas se chocaram — e, desta vez, o arfar veio da minha parte, assim como as mãos na cintura.

A língua dele já estava se enroscando na minha e aquilo já fazia a temperatura do meu corpo subir, me fazendo querer arrancar cada peça de roupa que cobria meu corpo e acredito que ele pensava da mesma maneira, já que ao subir em meu colo, suas mãos foram para a barra do moletom, o retirando de uma só vez. Enquanto nossas bocas buscavam por mais contato, nossas mãos já estavam fazendo o mesmo trabalho, seja quando ele descia suas mãos pelo meu pescoço, puxando meu cabelo, e era eu quando tocava a região do seu abdome por dentro da camiseta, sentindo a pele macia e morna com da ponta dos meus dedos.

Os lábios de Seokjin se desprenderam dos meus para ir ao encontro do meu pescoço, enquanto em uma reação automática, eu fechava novamente meus olhos ao apertar suas nádegas por cima da calça de moletom. Ele fazia um ótimo trabalho com os chupões e pareceu gostar quando eu deixei um palavrão escapar durante um gemido, fazendo ele morder de leve meu ombro.

Jin começou a movimentar seu quadril contra o meu, gemendo manhoso toda vez que nossas ereções se tocavam. No auge da insanidade, puxei seu cabelo, fazendo ele parar com as carícias. Sorri para Seokjin antes de tomar seus lábios maltratados novamente, era minha vez de fazê-lo gemer sobre meu colo.

Mas, fomos interrompidos pelo som da companhia, possivelmente era Hoseok para buscá-lo.

Jin quebrou o ósculo assustado ao ouvir a companhia, saindo imediatamente do meu colo, me fazendo gemer manhoso, protestando contra sua atitude.

— Acho que é minha carona! — disse com os lábios incrivelmente inchados e respiração desregulada.

— Jin… — Tentei argumentar algo, mas ele já pegava suas roupas apressado e antes de sair, olhou para mim uma última vez e sorriu pretensioso.

E novamente ele iria desaparecer.


{...}

 

As semanas passaram rapidamente e novamente não havia sinal de Seokjin. Desde nosso último encontro, houve progressão, visto que agora eu tinha o número do seu celular. Isto poderia significar uma aproximação instantânea, mas não era como se um mísero número fosse mudar o fato que ele estava desaparecido como de costume.

Era apenas um número de celular, que o dono jamais atendeu minhas ligações.

Atrevia-me a discar seu número, já tinha decorado a sequência de tantas vezes que liguei e como todas as vezes antecessoras desta, a chamada caia diretamente na caixa, mas havia algo questionável sobre sua caixa postal.

A mensagem de Seokjin mudava toda vez que eu ligava, era como se ele estivesse me ouvindo e tentava indiretamente dizer que estava lá. Isso me incentivou a deixar recados, muitas vezes duradouros em sua caixa de mensagem e eu realmente esperava que ele fosse ouvir cada um deles.

— Você? — exclamei surpreso ao encontrá-lo no corredor do hospital, e ao mesmo tempo tentava raciocinar, me questionando a realidade dos fatos.

— Está surpreso? — Seokjin perguntou sorrindo, era visível sua animação.

— Como é que... Você... Ah? — questionei ainda confuso com sua visita repentina.

— Você me disse onde trabalhava, Somin — ele respondeu olhando para meu crachá, mas desta vez o nome bordado no jaleco era o meu.

— Por que não atendeu minhas ligações? — perguntei voltando a andar, tentando parecer o mais imparcial possível.

— Eu ouvi os recados e pensei que você saberia que eu ouvi pela vezes que mudei a mensagem — respondeu ao me acompanhar, cumprimentando algumas enfermeiras durante o percurso.

— Jin, o que você esconde de mim? — perguntei assim que parei de andar, fazendo ele bater seu corpo no meu por estar distraído e não perceber a pausa.

— Nada que não esteja na frente dos seus olhos — Seokjin respondeu cruzando os braços e evitando de me encarar.

— Faltam dez minutos para meu horário de almoço, me espere aqui! — eu disse ao perceber que faltavam poucos minutos para meu horário de almoço.

Eu tinha voltado a andar, mas novamente parei e virei para trás, o encarando aflito.

— O que foi?

— Isso soa tão mal… — sussurrei incerto.

— O que soa mal? — Jin perguntou sem entender.

— Eu sentir medo de ir, pois penso que você irá desaparecer novamente — confessei apreensivo.

— De qualquer forma, eu sempre acabo voltando para você — ele respondeu simples, sem ao menos perceber o que suas palavras podiam me causar.


{...}

 

Por que os momentos mais felizes transformam-se em um medo súbito? Eu deveria estar feliz por vê-lo, não deveria estar sentindo essa sensação de ambiguidade, como se estivesse esperando algo ruim e olhado para trás, eu sabia desde o início que debaixo do mundo brilhante diante dos meus olhos, deitava minha decepção.

Que tudo estava a desmoronar com um sopro de vento. Eu me virei, me esquivei, simplesmente fechei meus olhos, com medo que fosse me machucar novamente, com medo de ser quem machuca.

— Você lembra que eu disse que sempre me encontra fazendo coisa ilegal? — Seokjin comentou aleatoriamente, enquanto caminhávamos lado a lado na ferrovia.

— Lembro — respondi balançando a cabeça positivamente.

— Estou fazendo uma neste exato momento — ele confessou parando de andar e direcionando sua atenção para mim. — Era para eu estar na clínica de reabilitação, mas eu preferi vir até você. Toda vez que eu desejo sentir liberdade, eu pulo o muro, fico vagando pela cidade e o trajeto sempre acaba em você.

— Jin, isso...

— Namjoon — Seokjin disse ao se aproximar de mim e novamente senti suas mãos tocarem meu rosto. — Desde a vez na ponte, toda vez que eu desejei te ver, você aparecia, o quão louco isso soa?

— É por isso que você toda vez desaparecia? — sussurrei me referindo a clínica, fechando meus olhos ao sentir as carícias que suas mãos faziam.

— Não posso fugir sempre… — Jin respondeu juntando nossas testas. — Mas, eu vou voltar para lá hoje a noite e quero passar o resto da minha liberdade com você.

— Por que eu? — perguntei abrindo meus olhos e encontrando os dele.

Aquela pergunta não era somente sobre o que ele dizia, era absolutamente sobre toda a atmosfera que nos unia.

Por que eu? Entre tantas pessoas em uma ponte, por que eu? Entre tantos rapazes, por que eu?

— Você me faz querer ficar melhor — Seokjin disse sorrindo fraco.

— Isso é loucura — disse baixo devido à proximidade que nossos rostos estavam. — Digo, nós dois...

— Você me esperaria? — Jin perguntou se afastando de mim.

— Por que está dizendo isso?

— Eu preciso voltar para lá hoje a noite e isso significa que novamente vou sumir e desta vez, eu não irei fugir de novo para te ver — disse com uma feição séria.

— Jin… — eu disse em um tom suplicante. Era egoísmo pedir para ele não ir e ficar comigo, mas esta possibilidade passou pela minha cabeça.

— Se você me esperar… — Ele novamente se aproximou com um sorriso esperançoso. — Namjoon, eu realmente quero ser importante para você.


{...}

 

Quando concordei em esperá-lo, acreditando que seria apenas um mês, me enganei, foram seis meses.

Cerca de seis vezes o tempo que eu suportaria. Nos primeiros dois meses, eu tentava não pensar muito sobre ele, tentava não ligar apenas para ouvir a mensagem da sua caixa postal, que jamais foi atualizada.

No quarto mês, meus amigos já estavam tentando me fazer esquecê-lo de todas as maneiras possíveis, me levavam para casa noturnas, onde eu apenas chorava no colo das strippers, me julgando por ser tão fraco e colocar a confiança de Jin a prova indo para lugares promíscuos como aquele.

No sexto mês eu já tentava não enlouquecer, em um surto havia deletado o número dele da minha agenda e esperei por ele enquanto as estações passavam.

Naquele meio ano, eu soube da ligação dele com Jungkook e foi como se tudo ganhasse um novo propósito. Jin era o irmão mais velho de Jungkook, eu sabia tanto sobre sua vida, andei em círculos quando as respostas estavam abaixo dos meus olhos.

Sentia-me um armador de não ter pesado sobre esta possibilidade, apenas soube quando o paciente me dizia alegre que o irmão o visitou novamente e que ele tinha feito um acordo com os pais para voltar para clínica, sem fugir como sempre fazia.

Haviam se passado os seis meses, as incertezas cresciam e sem notícias dele, era um verdadeiro estopim para as paranoias. Eu estava atrasando minha vida pela a falsa proposta de ficar ao lado dele quando voltasse e quem me garantia que ele voltaria para mim? Éramos desconhecidos, mas existia algo que me prendia nele e toda vez que eu desejava fugir de todos os sentimentos confusos, era novamente afogado por eles.

Eu sabia que ainda não o amava, existia um desejo carnal preso entre sensações confusas, assim como havia um sentimento que toda vez se sobressaia quando eu me perguntava se valia a pena.

Seokjin vale a pena, Seokjin vale os seis meses o aguardando e eu tive certeza disso quando recebi a ligação dele.

— Alguém já falou que preto é a sua cor? — ouvir aquela voz após tanto tempo fez meu coração disparar.

— Seokjin? — perguntei ainda incrédulo.

— Ainda lembra de mim? Oh, seria tão constrangedor se não lembrasse. Eu teria que lembrá-lo da nossa história — ele dizia descontraído. — Alguém já disse que vermelho também é a sua cor?

— Está me vendo? — questionei ao reparar na minha roupa, não era atoa que ele estava elogiando aquelas cores. — Onde você está? — perguntei olhando ao redor, mas apenas avistava rostos desconhecidos.

— Você fica bonito de costas, mas não é como se eu não fosse reconhecer esses ombros, já que eu lembro de ter mordido essa região sua — a voz maliciosa dele me deixou nervoso ao lembrar dos beijos trocados no meu apartamento.

— Jin, onde você está? — perguntei, mordendo os lábios de nervosismo por não estar o encontrando.

— Andou malhando?

— Pare de flertar comigo e me deixe te ver! Jin, eu senti sua falta — eu disse frustrado e fiquei ainda mais ao ouvir sua risada do outro lado da ligação. — Está se divertindo com isso? Não é justo! Você está me vendo e eu não estou te vendo. Seokjin você me fez esperar de mais e eu sinto que vou enlouquecer se tiver que esperar mais um pouco.

— É só você se virar para o outro lado da rua — esta foi a última vez que ouvi a voz dele.

Ao me virar para a região indicada, eu o vi com um sorriso grandioso nos lábios enquanto segurava o celular contra a orelha. Seokjin acenou sorridente para mim e meu coração novamente começou a bater desesperado, como se soubesse que finalmente ficaríamos juntos e estava tão ansioso para tê-lo.

Eu estava tão feliz de vê-lo e ele estava tão feliz em me ver, que nenhum de nós percebemos o instante que o automóvel se aproximava dele em alta velocidade, mas eu presenciei o minuto que ele se colidiu contra o corpo dele.

É injusto a forma como o destino gosta de colocar meteoros em nossos caminhos, como se soubessem que apesar da breve estadia pela nossas vidas, eles criam e deixam marcas, as que desejamos levar o resto da vida.

Seokjin foi como um meteoro em minha vida, surgiu como uma clarão em meio a escuridão, passando despercebido entre os satélites até se colidir em mim.

Pensei na possibilidade de tudo ser uma questão de tempo e me questionei na possibilidade de voltar no tempo, para onde deveria voltar? Talvez, eu deveria retroceder o relógio em alguns dias, voltando para o momento que aconteceu o atropelamento e mudar isso. Talvez, eu deveria retroceder, alguns meses e voltar para o dia do primeiro beijo, pedir para ele passasse a noite comigo, ignorando totalmente a falta de intimidade que tínhamos.

Talvez, eu devesse voltar no dia na ponte e jamais ir até ela.

O importante é que quando chegarmos a aquele lugar, o momento que se torna o fantasma da história, e mudar uma única parte, todos os erros poderiam ser desfeitos?

A resposta estava bem ali.

Seokjin já não estava mais aqui, mas eu ainda estava vivo e deveria seguir em frente, foi então que eu soube qual era a resposta daquela pergunta.

Foram tão poucos momentos, não haviam fotografias, nem meses de lembranças, mas havia vestígios, pequenos vestígios da sua presença, seja toda vez que eu era surpreendido por uma chuva, seja toda vez que eu via o trem passar por mim ou toda vez que eu lembrava dos seus toques.

Se pudesse voltar no tempo, eu não mudaria nada.

Meteoros acontecem, não são esperados, apenas sabemos que uma hora eles vão colidir. Não parece justo mudar tudo por um futuro incerto, não havia história após o encontro na rua.

E se houvesse, eu não saberia se ficaríamos juntos ou se teríamos o nosso felizes para sempre.

Alguns momentos tornam-se mais vividos com a passagem do tempo e muitos encontros e despedidas existiram por esse momento. Cada beco e cruzamento que passei foram destinado a me levar a este lugar, onde consequentemente eu soube dizer adeus.

 


Notas Finais


Este foi meu debut, espero que tenham gostado dela e que dêem muito amor para todas as histórias do projeto! Beijinhx


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