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História Highway to hell - KaiSoo - Capítulo 10


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Notas do Autor


O solo do Jongin tá vindo akkakaka eu não tô pronta 😳

Capítulo 10 - Chop Suey


Para KyungSoo nunca foi tão difícil pegar no sono. Pensar que a poucos metros de distância dormia o anjo pelo qual estava se apegando de maneira rápida e errada lhe deixava reflexivo quanto a sua relação com o mais novo. Estava certo de que não podia simplesmente continuar admirando o garoto tão minuciosamente quanto fazia, mesmo que na maioria das vezes sequer percebesse que estava lhe cortejando em silêncio. A pele, os olhos, a boca... Tudo era chamativo demais, perigoso demais. Principalmente para o  treinador que vivia a mercê de esconder para todos o seu passado, quando ainda era capaz de sentir todos aqueles bons sentimentos com clareza e intensidade. Em certa época aquilo tinha lhe feito bem e adorava cada borboleta que voava em seu estômago, entretanto as suas recordações não eram as melhores que poderia se ter de um amor antigo.


A paixão era um sentimento traiçoeiro e não iria sucumbir a ele novamente.

Se terminasse se deixando levar por uma atração imatura acabaria com sua reputação de demônio sério, rude e inflexível que tanto suou para conquistar, mesmo que em seu interior aquilo não fosse total realidade. Estava tão acostumado a viver sua persona diariamente, incorporando a máscara assim que vestia sua farda e botas, que isso tornava ainda mais assustador pensar que talvez seu eu pudesse estar vindo a tona cada vez mais com a presença daquele anjinho curioso e enxerido, que muito provavelmente estava completamente enrolado em suas cobertas, deixando seu cheiro bom impregnar nos tecidos limpos. Aquilo seria um problema para KyungSoo mais tarde, já que teria que lava-los enquanto mantinha seus pensamentos longe do anjinho. 

Não sabia aonde estava com a cabeça quando convidou o garoto pra passar a noite consigo, quem sabe estivesse envolvido demais na áurea maliciosa em que ambos passaram o dia, cheios de provocações correspondidas um para o outro, e tinha certeza que não iria gostar que outras pessoas na rua pudessem se deliciar com a cena de Jongin naquelas calças de couro chamativas enquanto ele voltava para o centro, ainda mais se algum demônio pervertido ousasse tocá-lo ou fazê-lo mal de alguma forma. Preferiu deixá-lo ali, aonde seria fácil velar seu sono todas as vezes que se levantava com a desculpa de que iria beber água em mente, acabando por bebericar o copo devagar para poder apreciar o maior jogado em seu sofá de qualquer jeito. Tinha oferecido a sua cama pois, mesmo que generosidade não fosse o seu forte, queria ser hospitaleiro como Kim. Contudo, o garoto achou que seria incômodo demais de sua parte e ficou no sofá sem problemas.  O Do não se opôs a isso já que o anjo lhe livrou de uma bela dor nas costas e também não gostava do pensamento de largar sua cama quentinha e seu amado travesseiro para trás, ainda que a ideia de ter Jongin em sua cama soasse deveras tentadora, principalmente em outras determinadas situações.

Jongin acabou por pegar roupas de dormir emprestadas do mais velho, que eram as calças de moletom que usava e também uma regata branca simples. De início duvidou que alguma roupa de KyungSoo pudesse caber em seu corpo musculoso, mas não foi complicado encontrar algo que coubesse entre as roupas que o treinador dissera ser de alguns ex trainees que passaram por sua casa anteriormente. KyungSoo não se demorou no assunto ou lhe explicou o desconhecido motivo por trás daquelas visitas, talvez convites. Resolveu ignorar, afinal, apesar de ter uma vontade absurda de saber sobre o assunto, toda a aura misteriosa que circundava o assunto “KyungSoo e ex trainees” faziam o general parecer ainda mais intrigante para o Kim, deixando o anjo ansioso para quando finalmente pudesse descobrir. Além disso, estava bastante confortável na calça moletom de  Yifan e na regata de um tal Hyunsik, e  sono já havia começado a lhe consumir aos poucos. Não tardou em dormecer ali mesmo. O dia posterior seria cheio.

KyungSoo pegou no sono decidido a controlar-se da melhor maneira possível e repreender-se sempre que ficasse tempo demais com os olhos em Jongin. Dali em diante só iria direcionar ao maior seus olhares de superioridade no centro de treinamento, e também os maliciosos que estavam se acostumando a trocar, para  que assim não perdesse a oportunidade de admirar a bela obra de arte que era aquele corpo sempre que podia. Esperava ter autocontrole suficiente para manter-se apenas nisso, pois se notasse que mais uma vez estava observando o sorriso de Jongin, sobraria para Kris ouvir as suas lamentações.

{•••} 

O dia teria começado perfeitamente se seus planos não tivessem sidos arruinados logo cedo por anjinho de cabelos bagunçados e carinha sonolenta lhe encarando do batente da porta com o olhinhos confusos. Percebeu de imediato que não estava o observando com nenhum dos olhares que se permitia olhá-lo, então logo voltou sua atenção ao café da manhã que estava fazendo, preparando-se psicologicamente para resistir a todas as tentações daquele dia e já anotando mentalmente que deveria ir ao bar antes do horário de serviço de seu amigo acabar.

Seria mais fácil não reparar em Jongin se ele não ficasse tão bonito até mesmo com o rosto amassado.

- Bom dia hyung- Sua voz soou mais rouca do que o normal e aquilo era uma baita tentação - Por que não me chamou para ajudar a colocar o café na mesa?

- Bom dia, Jongin- Forçou um sorriso- Tudo bem, eu estou acostumado a fazer sozinho- Deu de ombros- Você quer ir tomar um banho antes de irmos? Eu já estou pronto, então nós podemos sair assim que comermos- Viu um acenar de cabeça e logo suspirou aliviado ao finalmente estar sozinho de novo.

O café da manhã passou rápido e Kyung tentava ao máximo não olhar para Jongin em momento algum, se entretendo com qualquer outra coisa na mesa, tendo tempo até de ler os ingredientes dos produtos que estavam comendo,  acabando por decidir diminuir a ingestão daquele monte de porcaria. Demônios não precisavam comer muito de qualquer forma, e poderiam até não fazê-lo por dias, mas como resistir a algo tão bom como comer? Seu único problema quanto ao Kim era que o mesmo tinha decidido usar a maldita calça de couro outra vez e seus olhos não sabiam fugir daquela cena. Talvez estivesse um pouco arrependido de ter insistido para ele levá-la mas sua mente lhe dizia exatamente o contrário disto. Sua atenção era atraída ao anjo como um ímã sempre que ele ousava levantar um mínimo centímetro.

Não demorou até ambos estarem andando em direção ao centro, que não ficava longe dali. Mantiveram um silêncio confortável durante o caminho, onde o mais velho se preocupava em retomar sua postura de líder enquanto o outro mantinha sua ansiedade para a prova em equilíbrio. As pessoas na rua observavam e comentavam o fato do treinador estar acompanhado naquela manhã, o que era algo raro de se ver pois o demônio baixinho não gostava muito de conviver com outros seres, incluindo demônios, e não era nem um pouco paciente com pessoas desconhecidas. A figura de Jongin, mesmo estando fantasiada de forma uma rebelde, ainda deixava claro que ele era um novato ali no inferno, o que tornava tudo ainda mais estranho. Por mais que odiasse que falassem de si por suas costas, o Do ignorou com facilidade e tentou prestar atenção na tarefa que passaria para os anjos dentro de poucos minutos. Para si não era complicado fingir não notar aquelas críticas que a muito tempo convivia diariamente, mas Jongin parecia um pouco incomodado com tamanha atenção que recebiam. Por sorte do general, o Kim não notou que o maior motivo de estranheza dos demais era ver o KyungSoo fardado.

- Eu não acho que essa seja uma missão complicada para vocês e espero que todos sobrevivam a isso- Disse já em frente aos trainees que sobreviveram a última prova. Ali ainda estavam todos, exceto Soberba e Ira. Também estava tentando manter sua atenção focada em qualquer coisa que não fosse as coxas grossas de Jongin ou a recepcionista chata que tentava lhe encher perguntando como foi sua noite com o anjinho. Não tinha paciência para aquela mulher logo cedo.

- Onde está o Ira?- O anjo da preguiça perguntou depois de coçar os olhos para tentar se manter acordado. Estavam treinando bem mais cedo naquele dia e quase não tinham almas vivas por aquele lugar.

- Trate de acordar antes de vir ou é melhor nem sair da cama - Disse mantendo sua postura- Ele foi cortado. Não conseguiu trazer nada até mim antes do pôr do sol e foi mandado embora durante a madrugada. Fui informado de que ele conseguiu roubar mas não trouxe no horário devido. Se tiver sorte vão deixá-lo ecarnar como um humano, se é que podemos chamar isso de sorte - Explicou. Para si ficar preso em sua mente era bem mais interessante do que viver naquele mundo podre. Encarnar parecia um real pesadelo.

- Ele deve estar feliz com isso...- Jongin murmurou para si mesmo. Não conseguia pensar em nada mais desejável do que ser um humano e ter a liberdade que os mesmos tinham. Talvez coisa mais próxima disto fosse ver KyungSoo com carinha de sono como tinha visto naquela manhã. Era incrível como o general mudava completamente apenas por tirar a farda, e o Kim se sentia estranhamente bem por poder ver um outro lado de KyungSoo. Um lado que achava mais fofo, por mais que pensar isso do seu superior lhe soasse errado.

- Eu não ficaria se fosse ele- o Do respondeu friamente, fazendo o anjo levar um pequeno susto ao perceber que foi ouvido.

Jongin abaixou a cabeça e mordeu os lábios, claramente envergonhado. Não sabia exatamente o porquê, mas a resposta seca do treinador tinha lhe feito sentir uma pontada ruim no peito. Não gostava quando o mais velho lhe tratava assim, por mais que soubesse que aquele tipo de tratamento era o que todos os outros recebiam. Já tinha certa intimidade com o mais velho, e ainda que fosse pequena, já não gostava quando ele lhe tratava igual aos demais. Sua versão favorita do Do era aquela que tinha um sorriso fácil quando estava consigo, que lhe apresentava bebidas legais e perdia a vergonha de lhe provocar depois de alguns drinques. Gostava também de como o mais velho tinha lhe pedido ajuda com os olhos quando não soube o que fazer para fugir da loja. Foi a primeira vez que pode, de fato, retribuir KyungSoo por todas as vezes que ele lhe protegeu. O mais velho notou a mudança súbita no estado de Jongin, quase se rendendo a dar uma explicação, mas infelizmente o Kim teria que entender que ali ele era seu subordinado e qualquer problema resolveriam depois.

- A tarefa de hoje é talvez a mais fácil, mas tem um propósito muito grande por trás dela. Vocês irão ter que sair comigo para isso, então saibam se comportar pois eu não sou babá de ninguém.

- Sim general Do!- O coro disse.

- Vocês vão vandalizar. Eu tenho algumas bombas, sirenes com barulhos altos e tinta para pichação. O propósito é fazer vocês se desvencilharem da ideia de que tudo é de todos e saírem do lugar comum, e também compreenderem um pouco como um demônio deve se portar caso trabalhe na terra. Vocês terão que deixar sua educação aqui e serem o mais ruim que puderem, caso contrário, vão sofrer a punição maior. Podem quebrar o que quiserem, pintar ou até bater nas pessoas. Só não matem ninguém, pelo menos por enquanto.

Não houveram respostas audíveis, apenas o calafrio subindo pela espinha de todos os anjos. E assim, quietos, se puseram a caminhar atrás das costas de KyungSoo, entrando em um veículo camuflado que estava à disposição. O Kim mal acreditava que a tarefa era algo tão simples de fazer, principalmente porque estavam em uma linha crescente de tarefas cruéis. No entanto, para seus amigos anjos parecia bem ruim a ideia de riscar paredes e acordar velhinhos.

- As coisas estão na mala. Vocês podem escolher enquanto vamos- Falou breve. Agradeceu em mente por ser Jongin a sentar a seu lado, pois ainda que ele coubesse no banco traseiro tranquilamente, tinha decidido sentar ao seu lado e ignorar os anjos que transbordavam nervosismo. A caixa tinha muitas coisas inusitadas como luvas de boxe e armas de choque, mas a maioria dos anjos se satisfez com sirenes e porretes. Já Jongin pegou várias tintas spray, sem ter ideia do que fazer. 

O caminho foi breve já que o Do não estava com paciência para dirigir em uma velocidade normal, por isso chegaram até o lugar meio abandonado tendo dois anjos de pernas trêmulas e peles pálidas pela velocidade. O Kim, por sua vez, achou extremamente divertido correr daquela forma. A sensação de adrenalina correndo por suas veias era cada dia mais comum e estava começando a gostar muito dela, e também da facilidade que KyungSoo tinha pra lhe fazer atingir aquele pico de emoções.

- Existem casas próximas daqui aonde vocês podem fazer barulhos, ou foquem apenas em pichar pelas redondezas. Só não se percam- Ouviu murmúrios consentindo e logo estavam somente ele e Jongin ali.

O anjo da preguiça voltou para o carro murmurando algo sobre ainda estar cedo e querer dormir um pouco, e logo percebeu o mesmo roncando no fundo do veículo. Não iria chamar a atenção dele, tanto fazia para si se ele nunca mais acordasse ou não, mas seria cômico se o anjo dormisse durante toda a tarefa e acabasse eliminado por isso. Voltou a realidade vendo um Jongin ainda estático em sua frente, com uma carinha pensativa e suas tintas de picho em mãos. Uma cena completamente sexy ao seu ver, acentuada pelas calças apertadas e blusão preto que haviam roubado no dia anterior. A mudança não tinha sido muita, mas mesmo assim era notável como o anjo tinha se adequado bem a imagem de badboy só por estar vestido daquela forma. Aquele estilo combinava com Jongin e o anjo parecia confortável com ele. Decidiu que era a hora certa para tentar melhorar o clima entre eles.

- Deixa eu ajeitar uma coisinha? - Puxou o Kim para mais perto, levantando um pouco os pés até ter altura para passar as mãos em seus fios de cabelo, bagunçando-os. Não se importava mais com a proximidade visto que estavam sozinhos.

- O que está fazendo? - Perguntou achando muito bonitinha a forma que o mais velho se equilibrava na ponta dos pés. Não o parou, ainda que aquele cafuné estranho não fosse tão agradável.

- Seu cabelo penteado tão certinho não estava combinando com as roupas novas - Justificou-se, terminando de desarrumar o cabelo e segurando um suspiro surpreso. Jongin conseguiu ficar ainda mais atraente daquela forma.

O anjo se olhou no reflexo do vidro por alguns segundos tentando se acostumar à sua nova imagem. Tinha sido fácil aceitar as roupas que KyungSoo propunha já que também adorava todas elas e a forma como pareciam ser feitas sob medida para valorizar o seu corpo. O cabelo não era algo que pensou mudar, mas ele havia ficado incrivelmente mais bonito com os fios desordenados. Era ilógico ter ficado melhor bagunçado, mas tudo que o Do tocava parecia ficar mais belo. Tinha sido assim com as roupas, e agora, com seu cabelo.

- Você não gostou? - O General perguntou depois de ver o anjo se encarando com tanta atenção- Eu devo estar lhe perturbando pedindo por tantas mudanças, não é? Não precisa ficar assim se não quiser. Não quero que pense que eu estou lhe forçando a um padrão de beleza. Na verdade, você já é bonito de qualquer jeito... - Disse dando de ombros e se afastando, ficando um pouco envergonhado de suas palavras mas sabendo que melhorariam o ânimo do Kim depois de ter sido rude com ele. Apesar de tão subversivo, o anjo tinha um coração mole e já tinha notado o quão fácil se machucava.

- Na verdade eu estava sem palavras - Se explicou- Está bem melhor assim. Obrigado hyung - Disse sorridente, principalmente pelo elogio do outro, logo notando sua frase e se corrigindo - Digo, obrigado general Do.

- Não precisa se preocupar. Nós não estamos no centro e não tem ninguém aqui além de nós e do dorminhoco - Tranquilizou - Já decidiu o que vai fazer na paredes?

- Ainda não, não tenho muitas ideias. O que eu devo pichar, hyung? 

- Eu não sei, Jongin-ah. Eu nunca pichei - Revelou. Nunca tinha tentado nem pintar nada em sua vida, por isso nunca de arriscou a estragar uma parede perfeita- Deixe sua criatividade tomar conta de si e então comece a fazer o que achar melhor. Eu sei que anjos guardam muitos sentimentos e você ainda não se desfez da maioria deles. Essa é uma forma bonita de dar adeus a eles antes de aprender a ignorá-los - Aconselhou. Como num estalo tudo fez sentido na cabeça do Kim. Ele iria tentar transpor seus sentimentos confusos.

Decidiu fechar os olhos, mas apesar da falta do sentido as suas linhas incrivelmente não tremiam e a distância em que começou a pintar era perfeita para que nenhuma gota escorresse e manchasse a sua obra de arte. Decidiu abrir seu coração naquela parede e seguir o conselho de Kyung ao deixar a criatividade reinar em si. Estava levemente nervoso mas incrivelmente imerso, e a cada linha que se transformava no seu desenho desejado lhe dava mais força e inspiração para continuar a sua ideia. Seguiu seu roteiro com o desenho finalizado em sua mente, não controlando o sorriso largo que tinha ao pichar, nem mesmo se sentindo incomodado com o cheiro forte daquela tinta. Naquele momento só existia o Kim e a tela em branco em sua frente, onde deixaria para trás tudo que lhe sufocava.

Kyung observou o anjo sorridente por alguns segundos, tentando gravar em mente cada detalhe daquela cena. Jongin pichava com atenção e calma o muro branco e liso, imerso o bastante para KyungSoo duvidar sobre o Kim estar alerta ao seu redor. A cena do anjo com spray na mão, calças de couro e de costas era algo muito tentador, ainda que o desenho que ele fizesse não parecesse ter sentido algum na visão do general. Não deixou sua mente se prender demais aquilo ou passaria mais uma noite praticamente em claro pensando no mais novo.

Passou cerca de uma hora entediado, sentado na grama próxima e tratando de não perturbar os anjos que pareciam, pela primeira vez, se divertir no treinamento. O anjo da Avareza ria sempre que ligava o alarme em alguma casa e assustava as pessoas, tendo que correr a léguas de distância para não apanhar. KyungSoo não o ajudaria caso isso acontecesse, era mais provável que o demônio risse enquanto o Avareza apanhava. Quando cansou o mesmo anjo se juntou a Jongin na tarefa de pintar, desenhando algo rápido, mas muito bonito, e o general não deixou de elogiar audivelmente. Jongin estava feliz como uma criança, pintando todo o muro com algo que o mais velho não se importou em desvendar o que era. Diferente do Alvareza, seu desenho era grande e um pouco mais confuso apesar do traço mais bonito, e o mais velho aguardava o final do desenho interessado no que o emaranhado de linhas podiam se tornar.

O Kim olhava encantado para o que fizera, pensando até que tinha descoberto um novo talento seu. Era algo muito bonito para quem estava pintando com sprays pela primeira vez. Não imaginava ser tão habilidoso com isso, porém o desenho grandioso em sua frente dizia-lhe exatamente o contrário, e nem parecia que a obra tinha sido feita em pouco mais de uma hora. Estava orgulhoso de si mesmo como a tempos não ficava, vendo o desenho pintar a parede com cores fortes e vibrantes que variavam entre os tons frios e quentes. Era bonito, e por mais egóico que fosse admirar sua própria obra, a modéstia não era uma opção interessante e nem a mais conveniente estando no inferno. O Kim enxugou o suor satisfeito e realizado, vendo como aquele anjo que pintou se assemelhava a KyungSoo em alguns detalhes. Quem sabe observar demais os cabelos negros e os lábios desenhados tivesse lhe dado a inspiração que precisava para desenhar. Esperava que seu hyung gostasse também.

O anjo do desenho na parede estava vendado e ajoelhado no chão. Suas mãos estavam presas para trás por correntes de ferro que terminavam em algemas presas em seus pulsos. Ele tinha uma expressão de alívio e gritava com os lábios bem abertos enquanto duas secções de suas correntes estavam rompidas, demonstrando que o anjo se livrou daquilo que o prendia dolorosamente. Seu tronco estava nu e as calças eram de um tecido branco e sujo, semelhante ao que usou no dia de seu julgamento. A venda azul nos olhos compunham a obra com graciosidade e mistério, e ela também estava próxima a cair. As asas grandes tomavam boa parte da parede e estavam preparadas para alçar voo com suas penas brancas ricas em detalhes. O desenho era completado com uma frase escrita em letras vazadas e grandes: System of a down. Uma mensagem bem simples, clara, objetiva e, assim como Jongin, subversiva. E aquele era o grande problema do seu desenho. 

O Do congelou ao olhar para o muro quase todo preenchido por algo extremamente incriminador, sabendo que cada letra tinha um significado grande e nobre para o Kim, mas aquilo não podia simplesmente ser gritado daquela forma descarada. Sentiu vontade de rasgar aquele muro como se fosse um papel ao ver o anjo desenhado conquistando a liberdade de sua prisão torturante, entendendo o significado de cada traço daquela pintura e suando frio ao pensar em outras pessoas se deparando com aquilo. O que mais lhe chocava era ver o quanto o anjo era semelhante a si, sendo essa a única parte que teve medo de saber o significado. Era assim que Jongin lhe enxergava? Era isso que ele achava que era? Havia se distraído a ponto de não se atentar ao Kim a tempo de impedi-lo de concluir a obra, e agora tinham que fugir o maia rápido possível para não serem incriminados por subversão.

Jongin não entendeu nada ao sentir sua mão ser puxada de forma bruta por um KyungSoo raivoso que tentava lhe levar até o carro sem motivo aparente. Parou e não se deixou ser levado, em um pedido mudo para que o outro lhe explicasse a situação. Se arrependeu ao ver o rosto do general completamente vermelho e seu olhar de ódio direcionado a si quase em chamas. KyungSoo estava furioso.

- Você está louco?!- quase gritou, vendo o Kim se assustar com sua reação e se contendo para não acordar a redondeza.

- Você não gostou, hyung?- Perguntou tentando ignorar o aperto em seu peito. Não queria que Kyung não tivesse gostado do desenho que fizera, principalmente por ser ele a sua maior inspiração.

- Nós temos que conversar sobre essa... Essa... Rebeldia!- Dessa vez, gritou- O quão burro você acha que nós demônios somos? Acha que não somos capazes de conseguir interpretar o seu desenhozinho idiota?

- E-eu não queria que ficasse bravo - Abaixou a cabeça triste ao ouvir o outro diminuir algo que tinha feito com tanto gosto. Seja lá o que tivesse feito, o general não estava medindo as palavras- Eu fiz justamente para que todos entendessem. Não queria que a mensagem passasse despercebida.

- Você sabe o quão perigoso é o que você fez?- Bradou olhando para o outro com fúria e vendo-o balançar a cabeça negativamente. Sequer lembrava de chamar pouca atenção da rua. - Você não pode simplesmente pichar um anjo com correntes quebradas junto a um gigante grito de guerra e achar que está tudo bem.

- Mas hyung, é dessa forma que eu me sinto. Eu só queria poder mostrar e-

- Mostrar?! Você deve estar completamente louco!- Puxou seus próprios cabelos, estressado- Você não pode reclamar de como as coisas funcionam estando aqui, Jongin. Você tem que se adaptar ou ir embora! Esse é o nosso lema.

- Tudo bem, me desculpe - Abraçou seu próprio corpo. Não queria continuar com aquilo, sentia que estava perdendo toda a amizade que conquistou com KyungSoo. 

- Suas desculpas não vão apagar a pichação e agora nós temos que ir embora antes que alguém veja quem foi que fez isso. Se nos denunciarem você estará fodido, Kim Jongin! E eu também- andou pisando firme, nem ligando para as bochechas rubras do anjo ao ouvir seu palavrão.

- Hyung, me desculpe mesmo. Eu não quero lhe causar problemas- Se alarmou ao ouvir aquilo. Nunca tinha se arrependido tanto por dar tudo de si em algo. Seus sentimentos todos estavam ali, mas eles pouco importavam para KyungSoo é até podiam gerar problemas para o mais velho.

- Olha só anjinho, eu vou te explicar como as coisas aqui funcionam- Falou encurralando o outro no carro e vendo ele lhe olhar arrependido e assustado. Usou o apelido infame que  já tinha  abandonado a  um tempo pois sabia que aquilo afetaria Jongin -  Ele diz e você faz, ele manda e você obedece, ele decide e você concorda. Está me entendendo?

- S-sim...

- Independente de tudo você tem que dançar conforme a porra da música, e não é permitido sair por aí fazendo críticas não-veladas em paredes do subúrbio. Estamos entendidos?

- Eu não sabia que era tudo assim tão... Censurado.

- É sim, e eles censuram a sua língua com uma faca se não obedecer- Se estressou mais, vendo que estavam perdendo o tempo que não tinham.

Quando soltou o Kim notou o anjo voltar a respirar. Estavam muito próximos, mas sua raiva suplantou qualquer outra sensação que pudesse ter no momento. O maior tinha lágrima nos olhos mas não as deixava cair por nada. Não sabia o porquê de o sermão de KyungSoo lhe afetar tanto, no final das contas, tudo que queria do general era ouvir um elogio. Queria que o Do tivesse algo para admirar em si, mas tudo que conseguiu foi deixá-lo com raiva.

- Ei, você. Cai fora!- Acordou o Preguiça lhe jogando para fora do veículo. Não estava a fim de ceder carona a ninguém exceto Jongin. Ouviu alguns lamentos baixos do outro e logo tratou de respondê-los- Saiba que você foi cortado, anjinho. Não cumpriu nada da missão e ainda dormiu em horário de treinamento. Sua preguiça vai lhe expulsar mais uma vez de um lugar, meus parabéns- Soou irônico e esperou o maior finalmente colocar o cinto. Partiu sem olhar para trás, respirando fundo para se acalmar e não tendo pena de pisar no acelerador.

- Hyung, onde estão os outros?- Disse com os olhos saltados, observando os outros anjos ficarem menores a medida que se afastavam.

- Eles se viram sozinhos. Foi você quem fez a merda e é você quem eu tenho que salvar dos supervisores. Espero que seus amigos corram rápido ou serão culpados pelo seu erro, anjinho - Jongin engoliu em seco. Se sentiria culpado pelo resto da vida se alguém fosse mandado para o vazio por culpa sua.

- E o Preguiça, ele está mesmo fora?- Tentou puxar assunto calmamente, vendo que o general já estava quase soltando fogo por  todos os seus poros.

- É típico dos anjos da preguiça perderem em provas ridículas como essas- Rosnou baixinho, nervoso ao encontrar outros carros militares lotando na rua mesmo estando tão cedo.

- hyung, para onde vamos?- Perguntou com receio ao ver-se seguindo um caminho completamente diferente do costumeiro.

- Nós vamos ter uma conversa séria, Kim Jongin. Eu vou te explicar mais sobre essa droga de lugar e como sobreviver nele. Agora cale a boca e fique quieto. Eu estou dirigindo. - Falou se sentindo aliviado ao ver o anjo se encolher e finalmente calar a boca. Seria uma longa viagem.

{•••}


Notas Finais


As coisas estavam indo bem demais então eu dei uma esquentadinha kakak

Música do capítulo: Chop Suey - System of a dawn

Até mais ❤


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