História Highway to hell - Capítulo 1


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Notas do Autor


Oiê! ^^

Essa fic é uma repostagem da minha outra conta, só que ela foi totalmente reescrita e readaptada, então não é exatamente a mesma história.

Espero que gostem ❤

Capítulo 1 - Capítulo 1 - War


"E então ele lhe disse "NÃO", feroz e audivelmente, renegando todo o amor e poder que o senhor dos céus havia lhe dado. Seus olhos pareciam sangrar, mas na verdade aquela era apenas a visão de sua profanidade lhe tomando. A ira era o pecado mais visível em si, mas ele também exalava a luxúria, a soberba, a avareza e todos os outros pecados mais detestados. Em especial a inveja. Inveja de nosso senhor, de sua criação e de suas ovelhas. Ele queria ter para si toda aquela atenção devota e subserviente, ele queria ter a nós como seus servos, escravos, por toda a eternidade. Porém, Lúcifer se esqueceu de sua medíocre posição na hierarquia celeste. Ele, assim como nós, era apenas mais uma das ovelhas no final das contas. Ele era fraco, patético, e o nosso mestre lhe deu oportunidades infindas de se converter novamente para o caminho iluminado de felicidade e amor eterno. No entanto ele era teimoso e infiel, e toda sua audácia impensada lhe fez sentir a fúria do ser mais poderoso de todo o universo.


Depois de sua expulsão, de ter suas asas de anjo apodrecidas até que cada uma de suas penas se tornasse tão escura quanto a sua alma, ele finalmente se deu por vencido. Foram séculos de paz aqueles onde o anjo caído não se manifestava. Ele havia sumido como por um milagre, e aquilo causou nos anjos uma ainda maior adoração ao ser que lhes protegia de forma tão rápida e eficaz, que lhes tinha sempre em primeiro plano. Mas para o infeliz anjo caído, ser usado como motivo de adoração do senhor celestial apenas lhe deu forças para que continuasse seu plano maligno.


Após descer até a parte mais quente e insalubre da criação, ele levantou das cinzas um exército de cópias suas. Não cópias em aparência, mas em ódio e heresia. Suas cópias iam se multiplicando como coelhos, se alimentando da luxúria em orgias e festejos diabólicos usados com pretexto de festejar a fertilidade, e em pouco tempo já havia um exército enorme a disposição do ex-anjo. Ele planejava se levantar contra a comunidade celeste, mas para isso precisaria não apenas de um exército grande, mas também que esse exército fosse poderoso e soubesse usar seus poucos poderes restantes para fazer o mal.


Eles os treinou para que aquela primeira geração de demônios usasse os poderes divinos da forma mais cruel possível. Tudo que fizeram para converter as energias responsáveis pelos nossos dons em algo mal não passou despercebido pelo senhor, que logo descobriu seu plano e, por algum motivo desconhecido, deixou que eles continuassem a explorar o lado obscuro dos dons divinos. Lúcifer alimentava seu ódio a cada dia e rompia com aquilo que era mais sagrado em seu novo reino profano. Eles adoravam a tudo que aqui era tido como pecaminoso e cruel, e se nutriam daquela fraternidade demoníaca e sombria. Quando o exército estava pronto e em posição, eles puseram em prática seu plano maligno, mas o que não sabiam era que todos do céu já estavam cientes e preparados para o que viria".


JunMyeon fechou o livro fazendo um barulho alto que assustou o anjinho, que pôs a mão em seu coração acelerado. A história ficava sangrenta a partir dali e o Kim não gostaria que seu pequeno filho fosse exposto a tamanha sangria. Aquilo era errado, já que era ordem celeste que todas as crianças soubessem da história da guerra de separação desde o momento em que conseguissem compreender o significado das palavras. Entretanto, JunMyeon iria com calma já que não queria traumatizar sua pequena cria. Jongin era só um anjinho curioso com o mundo e temia muito que seu pequeno pudesse se deparar com a parte sombria de tudo aquilo. Ele não precisava saber de tudo. Não agora. Não ainda.


–O que aconteceu depois, papai?– Jongin perguntou completamente coberto, como se aquilo afastasse qualquer entidade maligna. Seus olhinhos brilhando eram as únicas coisas à mostra. Era claro que ele estava com medo.  


–Muita coisa, Kai. É melhor deixarmos para outro dia– Disse, colocando o livro no criado-mudo. Jongin sequer sabia ler, mas estendeu os bracinhos para tentar alcançar o objeto. Ele queria saber o final da história. O final de Lúcifer–Amanhã, logo que o sol aparecer, vamos caminhar até o limite.


–É verdade?– O anjinho perguntou olhando para o seu pai Yixing, que estava encostado na porta do cômodo. Ele acenou positivamente e sorriu, deixando o anjinho boquiaberto– Eu adoro ver o limite, papais!


– Então vá dormir, Jonginie–  Yixing disse, segurando o marido em uma mão e o livro na outra– Amanhã, se você acordar cedo, pode levar o livro até lá. Nós deixamos– Jongin sorriu, adorava ouvir a história dos livros que contavam sobre a guerra e a separação, ainda que em sua cabecinha infantil tudo aquilo fosse um grande faz de conta.


– Boa noite, meu anjinho – JunMyeon deseja e sai, deixando um anjinho de olhos fechados e sorriso aberto para trás. Ele estava ansioso para o outro dia.


O anjo maior suspira assim que fecha a porta, puxando o marido para um abraço e escondendo o rosto em seu peito. Yixing retribui o afeto afagando os cabelos negros e acolhendo o menor, que provavelmente estava frustrado mais uma noite pelo mesmo motivo.


–Quatro parágrafos, JunMyeon?– Yixing suspira frustrado. Seu marido leva as mãos aos olhos, escondendo-os envergonhado– Amor, eu já te disse que se quiser, eu conto a história para ele. Não vou traumatizá-lo. Vai ser como uma história de ninar.


–Como, Yixing?! Não é um conto de fadas, não tem como tornar isso menos cruel. Eu não quero que ele pense mal sobre o nosso mestre. É só uma criança!– Falou angustiado.


A verdade era que, no início do embate, o senhor dos céus proibiu os anjos em batalha de revidar qualquer golpe ou investida. Os anjos inicialmente acharam que aquilo era uma estratégia, mas na verdade o senhor dos céus queria apenas conhecer o poder de fogo do seu inimigo. Ele também era estratégico afinal, e tinha que entender o quanto os dons divinos poderiam ser cruéis se usados de certa forma. Poderia parecer incompreensível, por isso somente os anjos da nobreza sabiam da verdadeira versão da história.


– Eu sei, meu amor – Puxou o outro novamente pela cintura. As asas recolhidas possibilitavam aquele abraço aconchegante. Yixing não gostava de ter JunMyeon tão longe de si, muito menos com aquela feição desamparada. Juntou seus lábios em um beijo doce e delicado, assim como seu marido– Eu te amo, sabia?


– Eu também te amo– Sussurou, como em um segredo– Muito.


{•••}


Jongin, deitado no chão, desenhava em rabiscos infantis o que via através da rachadura. A criação era tão bonita e colorida que o fazia desejar que no céu houvesse também essa quantidade de cores. Seus pezinhos balançavam de um lado para o outro e Yixing babava o filho lhe admirando e se encantando com os traços tortos e mal feitos, porém coloridos, do desenho. Aquele com certeza era o lugar favorito de Jongin no mundo. O limite era como uma fenda no céu grande o suficiente para que os anjos pudessem enxergar a criação de perto, cuidando de tudo que estava ao seu alcance.


Somente os anjos de maiores cargos no céu podiam frequentar aquele lugar, e Yixing e JunMyeon se sentiam orgulhosos por terem conseguido tamanho privilégio e poderem levar seu pequeno para lá. Ambos trabalhavam como querubins, o segundo maior encargo para anjos no céu. Eles eram responsáveis por dar aos homens a sabedoria e o conhecimento, responsáveis por ajudá-los em todas as ideias revolucionárias que fizeram a criação atingir tamanho patamar de evolução. O maior anjo dessa categoria, Raziel, era o chefe e o mais próximo do senhor celestial que representava os querubins. Por ordem divina os cargos no céu eram hereditários, então Jongin já tinha seu futuro garantido como um nobre querubim.


O Kim menor admirava o trabalho de seus pais, mas parecia mais interessado nos anjos que viviam lá embaixo, junto dos humanos. Eles os seguiam e protegiam, e além disso tinham o privilégio (na visão do pequeno anjo) de estar em um lugar tão legal e colorido. Em seu desenho ele se colocou no lugar dos anjos terrenos, ficando eufórico com a possibilidade de um dia também poder estar lá embaixo.


– Olha, papai– O anjinho apareceu de repente na frente de Yixing, segurando seu desenho todo orgulhoso.


– Uau, Jonginie. Esta lindo!– Disse movendo o desenho  em todas as direções em busca de achar algum sentido naquelas linhas bagunçadas– Explica pro papai?


– Mas está tão na cara, papai– O anjinho respondeu ofendido– Aqui é você e o papai Junmy. E aqui sou eu e um humano– Disse apontando para a bagunça no papel como se fosse a coisa mais óbvia do mundo.


– Ah, claro!– Yixing fingiu entender– Por que seu boneco está tão longe do nosso, bebê?– Perguntou ao filho.


– Porque eu sou que nem ele, papai– Apontou para a fenda, mostrando um anjo que andava silenciosamente atrás de um homem na terra– Eu quero ser como ele quando eu crescer, pra eu poder ir lá embaixo. Lá tem cores fortes e bichinhos.


– Ele é um anjo da guarda, meu amor. Quando você crescer será um querubim como eu e o seu pai. Nós também ficamos perto deles, só não tão perto quanto aqueles anjos. – Tentou explicar.


Os anjos da guarda eram o de menor encargo no céu. Trabalhar tão próximo aos humanos era perigoso e por isso os anjos da guarda eram os que corriam mais risco. Suas tarefas são proteger, orientar e influenciar os homens para o caminho da luz divina. No entanto, a criação era pecaminosa. Ela havia se encantada muito mais com o lado obscuro, e por isso era difícil ser um anjo na terra, já que se via exposto em um mundo de heresia e perdição. Definitivamente não queria aquilo para seu filho.


– Mas eu não quero ser um querubim, papai– Disse com um biquinho fofo, estendendo os bracinhos para o pai– Eu quero ver a terra!


– Mas amor…– Yixing tentou argumentar. Seu filho era apenas uma criança, então rezaria para que aquela vontade mudasse um dia. A graça divina lhe salvou quando olhou para o lado e viu seu marido chegar com uma caixa nova de giz de cera.


Mas para a infelicidade de Jongin, ainda eram somente cores frias.

{•••}


Notas Finais


É isso. Eu volto semana que vem com novo capítulo.

Assim como na antiga versão, cada capítulo tem uma música de rock como inspiração, a desse cap é War- SOAD.

É realmente boa, então ouçam se puderem.

Obrigada por ler ❤


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