História Hipnosis - Capítulo 17


Escrita por: ~

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jungkook, V
Tags Bangtan Boys, Bts, Hipnose, Jungkook, Taehyung, Taekook, Vkook
Visualizações 1.544
Palavras 4.186
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, Romance e Novela, Yaoi (Gay)
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá leitores amoress <3
Coisas que eu amo:
1. Compensar minha demora na atualização com capítulos bem grandes!
2. Melhorar a segunda feira de todo mundo (inclusive a minha)
Desculpa o atraso! Fui viajar no feriado, então me esforcei pra terminar o capítulo hoje e por isso estou postando meio tarde. Não está revisado! Fiquei ansiosa pra publicar logo ~como sempre~
Enfim, sem mais delongas,

Boa leitura!

Capítulo 17 - A cruz e a espada


Fanfic / Fanfiction Hipnosis - Capítulo 17 - A cruz e a espada

Dahyun estava terrivelmente chateada por ter perdido a parte boa da festa, a polêmica confusão de mais cedo: Taehyung e Jungkook, saindo do camarim com os cabelos em pé, bochechas vermelhas e camisas amarrotadas.

Como pôde perder o espetáculo? Teve que saber de tudo pela boca de Namjoon, que não estava nada satisfeito ao notificar o caso. Oh, se fosse ela lá! Teria dado pulinhos de alegria, mas infelizmente passou a noite ocupada com afazeres cansativos de problemas incômodos com buffet, limpeza e a chatice de alguns convidados que se achavam mais importantes que os outros e não estavam satisfeitos com sua mesa ou a localização de suas cadeiras.

Nunca mais tentaria organizar outro evento sozinha! Pensou que a coisa não era para si.

Só foi conseguir ter uma folga no coquetel, depois que o desfile acabou. Felizmente tinha sido um sucesso, e Dahyun foi até o bar e pediu uma taça de vinho. O líquido desceu quente e doce, e ela se permitiu um sorriso satisfeito. Nunca mais faria a coisa, mas era inegável que a garota de cabelos coloridos era muito boa nisso também.

Pegou o celular, ansiosa para dar uma espiada no Twitter.

Como esperado, algumas fotos do fanservice já tinham vazado. Dahyun ficou incontáveis minutos feito adolescente, sorrindo sozinha para imagens de Taehyung acarinhando a orelha de Jungkook, ou de Jungkook com a mão firmemente apoiada na coxa de Taehyung. Ah, aquilo ia ser melhor do que o esperado, e Dahyun torcia para que o fanservice fosse uma desculpa para que os dois se acertassem de uma vez. Queria ver seu melhor amigo feliz de novo. Queria de volta ao rosto de Taehyung o sorriso fácil e o brilho nos olhos que haviam ido embora junto com Jungkook.

- Você não deveria estar assim tão felizinha.

Levou um susto ao ouvir a voz baixa e áspera ao pé do ouvido. Virou-se de súbito e sentiu o coração se acelerar ao dar de cara com Yoongi, espiando o conteúdo de seu celular por cima do ombro.

- Aish! Quer me matar de susto, é? – Ele deu uma risada soprada e desviou os olhos dela, pedindo uma dose de uísque ao barman. Dahyun o olhou desconfiada. – Por que não deveria estar feliz? Você também não quer que eles fiquem juntos logo?

Yoongi deu um gole no uísque e apoiou o cotovelo sobre o balcão de madeira do bar, encarando o semblante curioso da garota.

- Não assim. Eles estão se destruindo, maluca, e isso não vai dar nada certo a não ser que sejam sinceros. Mas você sabe como é o Taehyung, e se depender dele isso não vai acontecer.

Yoongi estava certo, Dahyun pensou. Não era da personalidade de Taehyung dar o braço a torcer.

- Mas se o Jungkook…

- Ele não vai. – Yoongi interrompeu. – Eu já falei trocentas vezes, mas tem alguma peça do quebra-cabeças faltando, e ele não me conta qual é. Mas sei que é o que está impedindo que ele abra logo a droga da boca e converse com o Tae.

- Só que eles estão melhor, não estão? Namjoon me falou sobre o que aconteceu mais cedo, no camarim. Pensei que tivesse ficado juntos.

Yoongi sorriu de canto e deu outra golada no copo de uísque, espiando a garota de cabelos coloridos e sobrancelhas franzidas. Dahyun tinha boas intenções, Yoongi pensou, mas não estava entendendo nada.

- Eu sei lá o que eles fizeram lá dentro, mas sei que não foi conversa. Se continuarem assim vão acabar mais despedaçados do que já estão, acredite. Jungkook está tão mal quanto há quase dois anos atrás, quando saiu em turnê. Essas fotos aí, que você estava vendo… – Ele apontou para o celular, ainda nas mãos de Dahyun. – Isso vai piorar tudo. A gente não devia ter deixado essa merda de fanservice acontecer.

Dahyun encarou as fotos no celular com um olhar triste. Poxa, estivera tão feliz. Pensara mesmo que os dois estariam resolvendo as coisas, e só queria encontrar um jeito de ajudar.

- Eu vou falar com o Tae. – Ela disse, e Yoongi soltou uma risada descrente. – É sério, ele vai me escutar.

O garoto de cabelos negros e pele de porcelana balançou a cabeça, decidido a deixar esse assunto de lado. Já tinha se estressado demais por causa daqueles dois inconsequentes. Deu uma bela olhada em Kim Dahyun, dos pés a cabeça. Ela parecia uma boneca enfiada num vestidinho branco, com os cabelos coloridos arrumados.

- Você até que não está mal, maluca. – Riu quando Dahyun o encarou com as sobrancelhas erguidas e olhos arregalados. – Está bonita.

 

Capítulo 16 – A cruz e a espada

 

Eu estava entre a cruz e a espada. A cruz era o meu orgulho, e provavelmente seria o motivo da minha ruína, como já havia sido muitas vezes antes. Dessa vez, no entanto, meu orgulho tinha uma motivação bastante justa, já que seria idiota da minha parte concordar com aquela bobagem de ficar com ele sem a gente se beijar. Eu não era muito contrário a ideia de carregar essa cruz, mas ela era tão pesada quanto uma sacola enorme de tijolos e não ia ser nada fácil de arrastar a porcaria por aí.

Do outro lado, a espada. A espada sim, parecia bem mais tentadora. A espada de Jungkook, pressionada contra a minha virilha.

Oh, merda.

Minha vontade era, claro, deixar a merda da cruz pra lá e me render à espada. A ideia de ser atravessado e golpeado por aquela espada em questão não me soava nada mal, tenho que admitir. Mas a cruz, meu saco de tijolos, parecia estar amarrada ao meu tornozelo e fazia de mim prisioneiro do meu orgulho.

Então eu sabia que a minha situação não era das mais favoráveis, e durante o coquetel que se seguiu ao desfile eu fiquei pensando naquela proposta indecorosa de mais cedo: terminar o que comecei. Lembrei de Jungkook falando, os olhos dele pegando fogo, a ereção marcada deliciosamente na calça.

“Você vai ter que dar um jeito nisso depois, Taehyung”

Na hora eu fui felizmente despojado, mas não estava muito certo sobre o meu “na minha casa ou na sua” porque não queria mesmo ser feito de boneco sexual sem ganhar nem um beijinho em troca, mas caso Jungkook oferecesse de novo eu sabia que não ia conseguir negar.

Eu e Jungkook não nos falamos durante o coquetel. Fiquei andando de um lado para o outro, cansado, confuso e louco para ir pra casa – sozinho ou acompanhado – mas conversei com um bando de gente importante sobre assuntos amenos, como manda as regras da etiqueta entre a aristocracia. Também não conversei com Yoongi ou Namjoon, porque eles ficaram me olhando com uma baita de uma cara feia o resto da noite e eu não estava com ânimo para lidar com sermões ou o julgamento deles. Isso ia ter que ficar pra depois.

Jin hyung, por outro lado, veio com um sorrisinho cúmplice atrás de mim.

- Uma pena que você não tenha subido na passarela durante o discurso de abertura. – Disse num tom debochado, e eu soube que ele já fazia ideia do que tinha acontecido. – Não estava em condições, han?

- Hyung, a gente precisa conversar.

Seokjin parecia a única pessoa que realmente entendia pelo que eu estava passando e não julgava a minha estupidez, apesar de por vezes achar graça do meu sofrimento. Ele deu um gole na taça de champagne que segurava e confirmou com a cabeça, um sorriso brincando no canto dos lábios.

- Precisamos. É o momento ideal pra começar suas sessões, dá pra ver que está todo vulnerável.

Detestei aquela frase. Não gostava nadinha de transparecer minhas fraquezas, e bufei contrariado.

- Algum conselho? – Perguntei, propositalmente irônico, mas Seokjin fingiu que não percebeu meu tom zombeteiro.

- Se eu fosse você, o levaria pra casa. Pode ter uma surpresa agradável ou não, mas se voltar sozinho vai ficar olhando para o teto imaginando o que teria acontecido se o tivesse levado junto.

Parecia ler mentes, o desgraçado. Não costumo falar assim de Jin hyung, mas o sorrisinho sabido dele estava me irritando demais e por um segundo eu fiquei com vontade de estrangular aquele pescoço branquinho. Felizmente, ele saiu andando antes que eu tivesse a oportunidade.

- Amanhã, Taehyung. – Disse ao se despedir. – Espero muitas novidades.

 

Passei a maior parte da noite com Hoseok hyung e Jimin. Eram os dois únicos ali que pareciam não estar me julgando ou excessivamente preocupados com as fofocas. Se queriam saber sobre Jungkook, ou se notaram diferença na nossa relação, eles preferiram não comentar nada, pelo que eu me senti muito agradecido. Precisava tirar o coelhinho da cabeça de todo o jeito, mas não era muito fácil. Hoseok e Jimin devem ter percebido isso, porque não tocaram no assunto Jungkook nem em coisas do passado, e só me contaram o que haviam feito nesses últimos anos, depois que a gente tinha se afastado. Aparentemente, trabalhavam com a SUGA, e outras empresas de entretenimento, bolando coreografias. Pareciam felizes, e foi muito bom colocar o papo em dia. Juro que quase me esqueci da presença bem próxima de Jungkook, e de que apenas algumas horas atrás eu tinha me desfeito deliciosamente bem na palma de sua mão.

Mas infelizmente não durou tanto quanto eu gostaria, e os meninos foram para casa, me deixando sozinho de novo com a sombra daquela questão odiosa: a cruz ou a espada?

Depois de mais voltas a esmo e conversas sem sentido, notei que as pessoas já estavam indo embora. De pé ao lado do bar, avistei Yoongi hyung, Jungkook e Dahyun, com olhos cansados e copos alcoólicos nas mãos. Me aproximei meio de fininho, o coração se apertando no peito, e parei entre Dahyun e Jungkook.

Yoongi olhou para mim e depois para Jungkook com uma cara apática de quem já esgotou a cota de paciência. Ele não conseguia mesmo manter suas impressões escondidas, e dava pra ver que não estava nada satisfeito com que tinha acontecido mais cedo. Mas eu ignorei solenemente. O que Yoongi tinha a ver com o caso, afinal? Aquilo era entre eu e Jungkook, e eu sempre detestei pessoas tentando dar pitaco na minha vida – vide toda a situação de alguns anos atrás com a minha mãe. Não sou muito bom em aceitar julgamentos, e geralmente tendo a ser ainda mais rebelde quando me sinto atacado. O olhar de Yoongi só serviu pra me dar coragem e avançar nas minhas intenções de levar Jungkook embora comigo. Eu preciso parar com essa mania horrível de afrontar as pessoas.

- Dahyun, já podemos ir pra casa? – Perguntei.

Minha querida ex, por outro lado, não parecia impaciente ou irritada. Na verdade, ela estava mais inquieta que o habitual – habitual este que já é acima da média das pessoas normais – e se remexeu de um jeito desconfortável. Eu não estava esperando isso dela. Esperava mesmo um olhar brilhante e curioso, uma Dahyun louca para saber de todos os detalhes sórdidos do que eu e Jungkook havíamos feito naqueles minutos dentro do camarim. Não foi o que aconteceu e  por algum motivo ela me pareceu constrangida.

- Uhum. – Confirmou, os olhos perdidos na taça de vinho, e notei que ela não estava conseguindo me encarar. – Eu ainda tenho que ajeitar as coisas aqui, dispensar o pessoal da cozinha… Mas se vocês quiserem, podem ir.

Todo mundo estava agindo muito esquisito, e eu comecei a ficar ansioso. Jungkook encarava os próprios pés, Yoongi continuava mal humorado e Dahyun parecia querer sair correndo dali. Eu entendo que a situação do meu relacionamento conturbado com Jungkook possa deixar as coisas meio estranhas, mas pra chegar naquele ponto? Tinha algo errado.

- Eu vou ficar e ajudar a Dahyun. – Yoongi disse, sério.

Confirmei com a cabeça. Achei fofinho que ele ficaria pra ajudar e, mais do que isso, ótimo que ele estava deixando Jungkook livre e desimpedido pra mim. Mesmo assim, senti que devia me oferecer pra ficar também. Não estava nem um pouco com vontade de arrumar coisa nenhuma, mas Dahyun é minha melhor amiga e – por mais que eu esperasse que ela fosse negar minha ajuda pra poder passar um tempo sozinha com o Yoongi – as regras da boa educação me  encorajaram a oferecer uma mão.

- Hm, ainda tem muita coisa pra ajeitar? Eu posso ficar também.

Yoongi hyung revirou os olhos. A boca da Dahyun se abriu, como se ela fosse responder alguma coisa, mas nenhum som saiu de lá. Para minha surpresa, nem deu tempo de esperar demais por alguma reação, porque Jungkook finalmente resolveu abrir a boca.

- Não precisa dessa ladainha. – Ele levantou os olhos negros até os meus. Senti um arrepio percorrer a espinha ao notar que os olhos dele cintilavam, aflitos e apressados, mas sua expressão era séria. – Anda, Taehyung. Vamos embora.

Ah, o Jungkook mandão. Eu gostava muito dessa versão, e mordi os lábios ao vê-lo virar as costas sem nem se despedir. Mas além disso, também foi desconcertante.

Aquela reação foi muito inesperada, e eu fiquei meio sem graça. Olhei pra ele e logo em seguida para Dahyun e Yoongi, à procura, talvez, de alguma confirmação ou explicação. Minha ex continuava encarando a taça de vinho feito uma boba, e Yoongi hyung bufou com impaciência.

- Vá logo.

Aceitei de bom grado a sugestão de Yoongi hyung. Me curvei em despedida e coloquei as mãos nos bolsos, seguindo Jungkook para fora do salão de festas meio de longe. Ainda tinham fotógrafos ao redor, e eu não queria que eles nos vissem saindo juntos, porque aquilo seria passar bastante da coisa do fanservice e nós já tínhamos feito bem mais do que o suficiente para a primeira noite. Tinha pensado um bocado nisso durante o coquetel, em como faria para sair com Jungkook sem ser percebido, mas na hora a coisa mal passou pela minha cabeça. Ele tinha sido tão sério, tão óbvio, como se o assunto já tivesse sido discutido e eu me senti tolo e impotente. Ainda assim, me deixei levar e o segui até o estacionamento.

Pensei que algum motorista estivesse esperando por ele, mas Jungkook parou ao lado de um carro preto esportivo e se sentou ao volante. Entrei no banco do carona.

- Você bebeu. Não devia dirigir.

Ele nem olhou pra mim. O clima estava tão tenso dentro daquele carro que fez eu me sentir como se estivesse comprimido contra o assento de couro.

- Qual o seu endereço? – Ele perguntou, ignorando meu aviso e ligando o carro. Juro que até a forma como ele segurou a marcha me pareceu meio sexual, os dedos fortes apertando enquanto ele passava a primeira e a segunda, saindo do estacionamento e seguindo minhas instruções até o apartamento. Fiquei vidrado nas mãos dele, na forma como ele virava o volante, no relógio de prata grande demais, nas veias salientes e convidativas.

Precisei conter o impulso de saltar em cima dele até chegarmos ao nosso destino. Já estava prevendo que não ia ser nada fácil negar qualquer coisa que ele me mandasse fazer.

- É aqui. – Apontei pro meu prédio pelo painel do carro. – Pode entrar no estacionamento, eu tenho uma vaga sobrando.

Notei que Jungkook hesitou, e pensei que ele deve ter ponderado a opção por um segundo. Mas por fim entrou, com certeza ciente de que parar na rua seria correr o risco desnecessário de sermos vistos por alguém e ter nossas fotos – discretamente entrando no meu apartamento no meio da madrugada – espalhadas pela internet.

Quando entramos no elevador, eu percebi que não tinha como o clima não ser estanho. Nós dois, ex-namorados, ex-amantes, ex-apaixonados, apertados naquele cubículo de ferro feito sardinhas numa lata, indo de encontro à uma cama de casal pra fazer não sei o quê. Sexo sem compromisso? Não dava pra gente fazer isso, esse navio já tinha partido há muito tempo.

Mesmo assim, meu desejo por Jungkook falou mais alto que a minha razão, e eu girei a chave do apartamento, deixando que ele entrasse na frente. Ele tirou os sapatos e deu dois passos, e eu tentei fingir que a situação era normal enquanto ele dava uma olhada ao redor, mas obviamente não era.

Meu Jungkook, um estranho na minha própria casa depois de termos morado juntos por tantos anos.

Não sei se é bom ou ruim, mas acho que Jungkook devia estar pensando na mesma coisa que eu, porque assim que eu terminei de trancar a porta ele veio pra cima de mim e me deu um motivo muito bom pra ignorar o incômodo entre nós.

Jungkook me espremeu contra a parede, feito um desesperado que não quer perder tempo. Nem pude ver seus olhos faiscantes ou sua expressão de desejo, porque ele logo enfiou o rosto na curva do meu pescoço, deslizando a língua quente sobre a minha pele. Por um lado, uma vozinha racional e irritante berrava dentro da minha cabeça que aquilo era uma forma de ele evitar olhar para mim. Por outro, eu estava derretendo. Eu estava tempo demais em abstinência e não ia conseguir pará-lo.

Ele friccionou seu quadril contra a minha virilha, ao lado da porta de entrada e dos sapatos que tínhamos acabado de descalçar. As mãos fortes e branquinhas que eu tanto tinha espiado durante nossa viagem de carro agilmente encontraram o caminho até minhas coxas e ele me puxou pra cima, me instigando a enrolar as pernas na sua cintura. Foi instintivo, como minhas mãos encontraram os fios de cabelo da sua nuca, como minhas pernas se cruzaram nas suas costas e o jeito que ele me carregou através da sala. Parecia familiar demais, uma cena deslocada no tempo e no espaço, como voltássemos para dois anos atrás e tivéssemos entrado no apartamento errado por engano.

- Onde fica o quarto? – Jungkook perguntou no meu ouvido, me carregando às cegas pelo corredor, sua língua degustando da minha orelha.

- Segunda à esquerda.

Cada frase parecia mais deslocada que a anterior, e eu tive a sensação de que a gente estava indo pelo caminho errado. Ah, mas o errado era tão tentador e apetitoso! Eu não tinha a força de vontade para voltar atrás agora.

Entramos no quarto e ele me jogou contra a cama, se livrando do paletó, gravata e camisa. Dei uma boa olhada nele antes de fazer o mesmo, e realmente, quando se está assim de frente à um Jeon Jungkook com o torso nu e o rosto alucinado de tesão, não dá pra resistir. Eu fui burro pensando que tinha todo o autocontrole do mundo e na hora cheguei à conclusão que mesmo sem beijo ia acabar me rendendo.

- Tira a calça. – Feito um idiota, desafivelei o cinto e fiz como ele mandou, ficando só de boxers. Jungkook me engoliu com os olhos e lambeu os beiços depois. – Garoto obediente.

O edredom verde de cetim ficou todo bagunçado em questão de alguns minutos. Jungkook subiu no colchão e ficou de joelhos, me virando de costas e me privando da satisfação de ver a expressão flamejante no rosto dele. Eu não reclamei nadinha, esse é o quão ridículo eu sou quando estou com um coelhinho excitado e mandão. Jungkook abaixou as calças e as cuecas até os joelhos e se pressionou às minhas costas, acariciando minha ereção sobre o tecido com uma das mãos.

- Você fica mesmo uma delícia loiro, hyung.

É um desgraçado mesmo. Ele consegue fazer com que eu me renda na velocidade da luz, e eu sabia que provavelmente ia me sentir um idiota subordinado no dia seguinte, mas não pude evitar. Quando vi, já estava com o peito deitado sobre a cama, e Jungkook segurava meus punhos contra o colchão, se incitando e esfregando em mim com cada vez mais afinco.

Eu estava excitado e desnorteado, louco pra ver a carinha de desejo dele, a boca entreaberta e a testa franzida e suada. Comecei a tentar me virar, mas Jungkook não permitia, e aquilo me deixou irritado feito o demônio. Eu queria ver o ato, tocar e lamber ele todo do jeito que eu quisesse, mas meu coelhinho raivoso continuava dificultando a coisa pro meu lado. O negócio do beijo também não parava de martelar na minha cabeça.

- Me solta, Jungkook. Você está pegando pesado.

Funcionou. Na mesma hora ele largou meus punhos e eu me virei rápido sobre a cama, aproveitando a oportunidade de finalmente poder observá-lo. Jungkook me pareceu distraído por um segundo, e eu pensei que ele devia estar se sentindo mal por ter me apertado forte demais. Afinal de contas, no fundo ele devia continuar o meu coelhinho, e por mais que estivesse no auge do tesão incontrolável, Jungkook nunca ousaria me machucar.

Aproveitando o descuido, enlacei a cintura dele com as minhas pernas, colando nossas ereções. Jungkook caiu em cima de mim, o suor pingando da sua testa nas minhas clavículas, e ele apoiou os dois cotovelos ao lado do meu rosto.

- Hyung. – Gemeu, ainda desatento, mas logo em seguida deu um jeito de escapar do meu plano e abocanhou a minha orelha. Eu, já cansado de ser feito de bobo, fiz a mesma coisa, mordiscando a pele branquinha e Jungkook chiou prazerosamente no meu ouvido.

- Olha pra mim. – Mandei.

Eu sabia que meus olhos continuavam a causar aquele mesmo efeito inebriante nele, coisa que nunca foi segredo na nossa relação e o próprio Jungkook gostava de ficar ressaltando de vez em quando. Talvez fosse por isso que ele estivesse evitando me olhar direito, escolhendo posições em que não teríamos que ficar cara a cara. Eu estiquei minha mão e segurei com força os fios de cabelo na sua nuca, o obrigando a me encarar, e o efeito foi imediato.

Vi o lampejo de desejo perder sua força. O preto dos olhos dele perdeu o brilho, e Jungkook pareceu perdido. A respiração descompassada e ofegante se acalmou num suspiro tranquilo, e eu não parei de encará-lo nos olhos, da mesma forma como costumava fazer antes, quando estávamos bem. Quando eu queria instigá-lo a tomar uma atitude.

Dessa vez, a consequência foi quase que contrário. Eu vi de perto, de forma translúcida, o negro incendiado de tesão se tornar opaco e vazio, pra logo depois um brilho muito familiar surgir. Meu coração parou. Aquele olhar transbordava carinho, afeto e – eu juro por tudo – amor. Encarei os olhos apaixonados e bobos do universitário que me amava e foi como se eu tivesse voltado no tempo. Era um olhar incerto, inseguro e inocente. Puro e meu.

Me senti ao mesmo tempo completo e anestesiado. Sem conseguir formar nenhum tipo de pensamento lógico, aproveitei aquele fantasma agradável do passado e fechei os olhos um milésimo de segundo antes de avançar com os lábios sobre os dele, capturando finalmente aquela pintinha no queixo que eu há tanto desejava e provando do sabor nostálgico de sua saliva. Meu coração pegou fogo dentro do peito, e minha mente ficou completamente entorpecida, concentrada demais em degustá-lo, vibrando de euforia.

Jungkook não se afastou.

Ele ficou paralisado. Não retribuiu o beijo, mas deixou que eu investigasse os lábios pequenos com minha língua, que eu matasse aquela sede que me consumia por dentro desde que ele tinha me deixado. E eu estiquei aquele beijo sem retribuição o mais que eu pude, como um estúpido, temendo que assim que ele acabasse não houvesse mais outro. Me deixei preencher pela textura dele, pelo seu sabor e toda a saudade insana que eu estava sentindo de tê-lo daquela forma, só meu, entregue e apaixonado.

Jungkook não moveu um músculo até que eu saciasse minha sede. Abri os olhos para dar de cara com a visão frágil de sua expressão vulnerável, as sobrancelhas levemente franzidas e as pálpebras cerradas, os lábios ainda entreabertos e a respiração suave e macia como a de um bebê.

Meu coelhinho, outra vez.

Ele piscou os cílios escuros e me engoliu com os olhos negros e úmidos. Só então fui dar falta do volume de seu membro duro entre as minhas pernas, e percebi que aquele beijo não-retribuído fora puro e casto demais e não tinha nada a ver com sexo ou tesão. Jungkook amoleceu.

Então ele se afastou, e eu fiquei olhando abobalhado feito um idiota impotente enquanto ele se vestia.

- É melhor eu ir.

- Jungkookie…

O nome escapou dos meus lábios feito um pedido tonto. Um pedido para que ele ficasse.

- Isso foi uma péssima ideia.

Minha cruz, meu saco de tijolos, meu orgulho. Foi o que me prendeu no colchão, calado, enquanto eu assistia Jungkook juntar suas coisas e ir embora. Ele saiu a passos largos do quarto e não olhou para trás, me deixando desolado e despido, nu de corpo e alma.

Uma péssima ideia, era a isso que eu fora reduzido. Me senti pequeno. Consegui quebrar as muralhas de Jungkook, estourar a bomba, provar dos seus lábios macios e vislumbrar o olhar apaixonado e adolescente. Mas pra quê? Jungkook não queria ter mais nada a ver comigo.

Não éramos mais adolescentes.

E pela segunda vez desde que Jungkook havia voltado para a minha vida, eu chorei.

 


Notas Finais


E aí, o que acharam? Olha eu, depois daquela coisa fofa no dia dos namorados, "No Escolar", venho logo com um capítulo desses pra Hipnosis... Acho até bom dar uma variada nas escritas hahaha.
(Aliás, quem não leu No Escolar - a taekook que eu publiquei no dia dos namorados - acho que deveria. Bem, se você gosta de fluffy, então com certeza deveria) <3

Enfim, não vou me alongar muito. Sempre penso em mil coisas que preciso colocar nas Notas Finais e na hora H me esqueço de tudo.
Muito obrigada a todos os leitores, aos que favoritaram e principalmente os comentários. Vocês me motivam demais, e tenho certeza que sem os comentários eu já tinha desistido de todas as minhas fanfics, obrigada de coração!

Então não se esqueçam de comentar! :)
Nos vemos em breve.
Beijocas amoras,

~BtsNoona


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