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História His Bright Smile and Dark Eyes - Capítulo 1


Escrita por: e AMN_Project


Notas do Autor


Irra, oi! :D

Vou colocar meus agradecimentos nas notas finais, aqui só queria dizer que a narração é feita pelo Itachi <3

Eu revisei, porém, pode ser que algum errinho tenha passado, peço desculpas já, hehe

Capítulo 1 - Capítulo Único


Nunca fui uma pessoa muito sociável, principalmente depois do que aconteceu, eu preferia a solidão. Depois de quase um mês no hospital após a tentativa falha de suicídio há poucos anos atrás, troquei de escola, me mudei de casa com meus pais, e até agora ainda era obrigado a frequentar uma psicóloga, mesmo que a odiasse, e no fundo soubesse que não precisava mais dela. Não sentia mais vontade de fazer isso, eu havia aprendido que não valia a pena, e agora não me importava mais em ter que viver.

Todos os dias na escola eu observava o mesmo garoto, sempre sentado na mesma mesa, com um livro, tinha cabelos loiros compridos, era pequeno e tinha um corpo delicado, quase feminino. Ele estava sempre sozinho, apesar de ser da mesma sala que eu, a única coisa que sabia a seu respeito era o nome, Deidara. Estávamos no último ano do ensino médio, por meses eu queria falar com o garoto, mas nunca tive realmente coragem, até que um dia, resolvi me aproximar, sem saber o que esperar dele.

Meu pai costumava me buscar na escola mais tarde, no horário que levava meu irmãozinho Sasuke pra escola, então eu ficava o esperando lá, assim como Deidara parecia esperar alguém também, porque estava sempre lá. Foi o horário perfeito para sentar ao lado dele, que não parecia se importar muito, até guardar o livro que lia.

– Oi, Itachi. – ele falou baixo.

– Oi…

Agora de perto, podia notar que sob os olhos azuis brilhantes haviam olheiras fundas, como se ele não dormisse há dias, ou passasse a noite toda chorando por motivos que ele não sabia bem ao certo, e eu entendia bem essa situação. Seus olhos demonstravam o mesmo semblante dos meus antes da tentativa.

– Tá tudo bem? – perguntei.

– Claro. Porque não estaria?

Ele riu baixo, encarando os tênis pretos. E naquele olhar, toda a verdade que ele não me falava. Ele sorria, mas a dor estava estampada ali.

– Não tá tudo bem com você, Deidara.

– Porque acha isso?

– Seus olhos são tristes. Mesmo quando você sorri.

Ele respirou fundo, colocando as mãos nos bolsos, mordendo os lábios com força, as lágrimas enchiam seus olhos, mas ele não as deixava cair.

– Como sabe?

– Porque eu também já vivi assim. Perdido, procurando um fim, só pra fazer essa dor passar. Consigo perceber que você também sofre como eu. Sabe, talvez você se pergunte porque eu fico tanto tempo sozinho. Eu tentei me matar há dois anos atrás, mas não consegui. Cheguei nessa escola conhecido como o depressivo, o suicida, e ninguém nunca quis se aproximar. Mas entenda que você só é capaz de entender a dor de alguém se já passou por ela, e eu já passei pela sua. Eu sei o que você pensa. Não devia fazer isso. Você tem uma vida pela frente, por mais que pense o contrário.

– É que… Eu só... Sinto como se não pertencesse mais a esse mundo. Nada mais faz sentido. As coisas em casa estão cada vez piores, o mundo todo parece contra mim, eu sei que estou cada dia mais perto de dar um fim nessa vida. Acabar com o sofrimento de uma vez.

– Você pode pensar que sua família não se importa com você, mas na verdade, eles te amam mais do que você imagina. Não iriam suportar uma vida sem sua presença.

– Minha mãe tem uma filha. Ela pode ficar com ela, não vai se importar muito quando eu morrer.

– Um filho não substituiu o outro. Eu também tenho um irmão mais novo, e meus pais choraram quando eu tentei me matar. Também pensava assim antes, até ver que não é desse jeito.

Ele não conseguiu mais segurar, me encarou por breves instantes antes de deixar o seu corpo cair sobre o meu, chorando baixo, enquanto eu o segurava em meus braços, sussurrando que tudo aquilo ia passar. Eu lembrava de quando também passava por isso, não tinha ninguém, não conseguia contar nada, e me fechava ainda mais, preso nos meus próprios sentimentos. Ele logo se afastou, no exato momento que vi o carro preto de meu pai estacionar, com Sasuke gritando meu nome pela janela de trás.

– Preciso ir embora, meu pai chegou. Tchau, Dei. – falei, me levantando pronto para andar até o carro.

– Espera. – ele falou, segurando minha mão. – Você pode ficar comigo amanhã?

– Claro.

Sorri, então entrei no carro, e ele permaneceu na calçada, olhando na direção do veículo que se afastava. Não parei de pensar nele naquela noite, porém, mesmo buscando o seu nome em todos os lugares possíveis, não encontrava nada, aparentemente, Deidara não tinha nenhuma rede social, ou simplesmente usava outro nome. Eu sabia que ele costumava chegar na escola mais cedo, então, naquela manhã, cheguei antes do habitual, e o encontrei lá, sentado no mesmo lugar, com um livro aberto.

Imediatamente corri até lá, joguei minha mochila ao lado da sua e sentei ao seu lado, sei que ele percebeu minha presença ali, mas mesmo assim não desviou os olhos das páginas do livro, o que me deixava um pouco desesperado.

– Não tô a fim de ir pra aula hoje. – falei, cruzando as pernas, apoiando-as sobre a mesa.

– Nem eu.

– Então não vamos.

– Ahn? Itachi, você sabe que o porteiro não deixa a gente sair mais!

– E quem disse que vamos sair? Me segue.

Peguei minha mochila e corri até os fundos da escola, empurrando a pesada porta da sala do zelador, sendo seguido por Deidara. Lá dentro era escuro, mas eu conhecia aquele lugar como ninguém, mesmo estudando aqui a pouco tempo, acendi a lanterna do celular para mostrar a ele a pequena escada no canto, que subia até o último andar, subimos todos os lances de escadas correndo, e no fim, havia uma última porta, que dava acesso a parte de cima da escola, ninguém além de mim subia aqui, nem mesmos sabiam.

Era apenas um lugar com folhas secas e poças de água, que dava uma vista privilegiada de toda a cidade de cima, e eu sabia que ninguém jamais me encontraria ali, por isso, se tornou meu lugar favorito nessa escola, e mesmo jurando nunca trazer outra pessoa aqui, no momento estava com Deidara. Ele parecia fascinado, jogou sua mochila ao lado da minha, e caminhava por todas as partes, olhando tudo lá embaixo.

– Gostou?

– Sim… Você vem aqui sempre?

– É, as vezes. Quando não tô a fim de aparecer nas aulas. Mas você é o primeiro que trago aqui.

Peguei meu celular e coloquei uma música baixa, era o que sempre fazia aqui, e ele aparentava gostar disso também, sentou ao meu lado em um canto, sobre dois tijolos, protegidos do vento forte. Conversamos sobre a escola por pouco tempo, Deidara odiava aquele lugar tanto quanto eu, depois ficamos em silêncio, apenas ouvindo a música que tocava, até que ele se levantou, apoiando os braços no pequeno muro, parecendo não querer me encarar diretamente.

– Como foi? Sabe, quando você tentou.

– Foi com remédios. Eu não queria sentir dor. Nem dar trabalho pra limpar o chão. Mas acredite, você acordar no hospital é a pior sensação que existe. E a sua família te olha de um jeito estranho.

– Porque eles se importavam com você. No meu caso, provavelmente acordaria sozinho mesmo.

– Tenho certeza que não. Eles podem não demonstrar, mas te amam.

– Não. Eles não ligam mesmo.

Deidara voltou a sentar e puxou as mangas da blusa, revelando seus pulsos com diversas cicatrizes de cortes, misturadas a antigas, recentes, algumas marcas quase se fechando, e outras ainda vermelhas, que pareciam ser da noite anterior. Mas eu sabia que aquelas marcas não eram nada comparado as da alma, onde ninguém poderia ver, e eram as que mais doíam e nunca fechavam realmente.

– Nunca fiz forte o suficiente. Antes eu não fazia pra morrer. Era só pra me aliviar um pouco, e funcionava.

– Pra tirar a própria vida, você precisa de coragem. E a coragem você pode usar pra seguir. O sofrimento que te leva ao chão pode te levantar um dia.

– Mas eu não vejo outro modo pra matar a dor que me mata todos os dias.

Não soube o que dizer, eu entendia exatamente aquele sentimento, estava recitando as frases que minha psicóloga falava, há quase três anos atrás, esses eram os únicos sentimentos que passavam pela minha mente, como uma tortura da qual eu não podia me livrar mais. Fiquei em silêncio, ele também não disse nada, vi lágrimas silenciosas escorrerem por seu rosto, e a única coisa que fiz foi seca-las, deixando Deidara com sua própria dor.

Próximo ao horário do sinal que anunciava o fim das aulas tocar, eu e ele descemos novamente as escadas, esperando nos fundos até que pudéssemos sair como se tivéssemos passado a manhã na sala, como qualquer outro aluno ali. Deidara perguntou se eu podia ficar com ele em outro lugar, porque ele costumava ficar sozinho pela rua até quase a noite, quando voltava pra casa, porque segundo ele, quanto menos tempo lá, melhor.

Mandei mensagem para meu pai, dizendo que ele não precisava me buscar hoje, porque iria passar a tarde com um amigo. Ele não recusou, porque na verdade, desde que entrei nessa escola, nunca tive um amigo de verdade, e isso preocupava um pouco meus pais, e era uma surpresa de qualquer forma, porque ontem eu sequer contei sobre Deidara. Saí da escola com ele, fazia um bom tempo que não andava na rua com alguém que não fosse meus pais ou meu irmão, eu e ele comemos juntos em uma cafeteria, e sentamos em um dos bancos da pracinha, eu costumava frequentar muito aquele lugar quando era mais novo, de um dos lados havia uma igreja, do outro, um parquinho, e entre eles alguns bancos com árvores, junto de uma torre com um relógio no centro.

– Costumo ficar lendo aqui todas as tardes depois da escola. Eu não vejo mais motivos pra ficar em casa, nem pra viver.

– Vai melhorar. Não existe nada que você não seja forte o bastante pra vencer. – falei, me virando para o encarar.

Ele ficou em silêncio, olhando as crianças brincando no parquinho, eu pensava nele, pensava no quanto ele devia estar infeliz na sua casa, por preferir ficar sentado em uma praça comigo em plena sexta a tarde.

– Deidara, olha pra mim. – falei depois de um tempo, segurando seu rosto entre as mãos. – Eu não vou te deixar. Você sabe que nunca está sozinho.

–Obrigado.

O silêncio voltou por mais algum tempo, o vento ficava cada vez mais frio, ele tremia um pouco, mas eu não tinha coragem de abraça-lo, mesmo querendo muito. Conversamos mais sobre assuntos fúteis, eu queria que ele se distraísse, mas também não era bom com conversas aleatórias que não envolvessem nossas vidas, tampouco sabia do que ele gostava.

– Itachi. – ele chamou baixo.

– Hum?

Deidara puxou meus ombros, aproximando seu rosto do meu, encostando sua boca na minha com suavidade. Senti os seus lábios macios contra os meus, e coloquei as mãos em seus cabelos, aprofundando o beijo. Empurrei minha língua para dentro de sua boca, era um beijo calmo, como poucas vezes havia feito, eu não queira mais parar, queria viver naquilo pra sempre, mas logo o ar faltou e ele se separou de mim com os lábios vermelhos e levemente inchados.

Não tive tempo de dizer nada, ele apenas se levantou do banco, com as bochechas ainda coradas e olhou o horário no relógio da torre central, entre os bancos. Ele então se inclinou e beijou minha bochecha de forma suave, falando com a voz baixa e calma próximo ao meu ouvido.

– Preciso ir pra casa. Tchau, Itachi.

Vi Deidara se afastar, os cabelos loiros voando no vento, realçados pelas luzes dos postes que acabavam de se acender, até virar a esquina no fim da rua. Também me vi sem outra alternativa senão ir para minha própria casa, sabendo que teria que ajudar Sasuke com as coisas da escola e aguentar ele contando seu dia inteiro, fingir um falso interesse enquanto pensava em Deidara, como estaria, o que estaria fazendo, se pensava em mim também, contava as horas para que pudesse vê-lo novamente.

Por maior que fosse minha saudade, preferia não ir a sua casa, ele não falava muito sobre a família, nem sei com quem ele realmente morava. Gostaria de poder conversar mais com ele, porém, Deidara se recusava a ter qualquer rede social, e nosso único contato eram nos dias de escola, sem finais de semana, sem feriados, sem férias, sem noites, apenas as manhãs e tardes tendo um ao outro como companhia. Eu falava com ele, tantas vezes o impedia de fazer o que tanto pensava, tinha medo de deixá-lo, porque sabia que depois que ele saía, só voltaria a vê-lo no dia seguinte.

Mas por mais que tentasse, eu não consegui proteger ele de tudo pra sempre. O tempo passou e um dia, aquilo acabou. Recebi a notícia na escola, cheguei na segunda feira pela manhã e não o vi lá, imediatamente, soube que nada estava bem, foi então que a diretora me chamou e disse que sua mãe havia acabado de ligar. Ele tirou a própria vida durante a noite, eu não pude impedir nem ao menos dizer-lhe adeus.

Tudo acabou tão rápido quanto começou, eu não veria mais os olhos azuis que me deram um novo sentido na vida, não sentiria seu beijo outra vez. Eu sabia que mesmo não demonstrando, cada dia pra ele era mais difícil, e agora ele finalmente não conseguiu mais suportar toda aquela dor, e decidiu acabar com ela. Não consegui impedi-lo como gostaria, meus dias naquela escola já não seriam mais iguais, eu só queria poder tê-lo outra vez comigo.

As tardes antes na rua, agora eram no cemitério, eu deixava flores em seu túmulo diariamente, olhava para a pequena foto do mármore claro que mostrava Deidara alguns anos mais novo, com um sorriso que não já não era verdadeiro, que indicava a imagem do garoto de sorriso brilhante e olhos tristes, que eu não pude salvar, mas estaria pra sempre no meu coração, o amor rápido, porém verdadeiro de dois garotos que não se encaixavam no mundo onde foram obrigados a viver.


Notas Finais


Espero que tenham gostado, hehe

Queria agradecer muito ao @AMN_Project pela oportunidade de participar. Também a @Noromuwa orla capa maravilhosa, e a @DudaMidoriya_02 pela ajuda com o título (não usei as sugestões, mas me inspirei nelas, hehe). <3

Obrigado a todos vocês, são pessoas incríveis de um projeto maravilhoso! *-*

Logo logo tem mais, hehe


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