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História Hishigata - Capítulo 20


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Capítulo 20 - Capítulo 20


Ele estava assustado, muito assustado. A mordida doia e ele não conseguia parar de tremer. Tudo passava em sua mente, como um filme.

A forma como ele foi segurado e mordido. Era igual ao passado, mas totalmente diferente. Ele havia sido bruto, mas Kazumi ainda pode sentir um toque de gentileza. Fuyuki Hiro o assustava.

Ele era um monstro e um assassino. Ele sorria como se não tivesse alma. Mas o azul daqueles olhos. Era um azul que possuía a profundidade de um oceano. Era repleto de segredos e do desconhecido.

E o violeta... Era repleto de dor. Kazumi olhava para aquela cor e se sentia em meio a uma tempestade de raios. Mortal e pronta para devastar. Em busca de alvos para descontar a dor.

E mesmo com tudo isso em seu olhar, Fuyuki Hiro ainda tinha uma aura de sofrimento. Medo, dor e arrependimento. E mesmo com tudo isso, ainda havia aquela ponta de gentileza. E isso era o que mais assustava Kazumi.

— Tome! — Disse o motorista, ele estava estendendo um lenço para Kazumi, que pegou e pressionou na mordida, a fim de estancar o sangue. — Não tenho os materiais necessários para fazer um curativo agora. Poderia me informar seu endereço?

— Poderia me informar o seu nome? — Kazumi não queria ser grosso, não era parte de sua personalidade, mas as palavras haviam escapado.

— Ah, claro! Eu me chamo Sasaski Takashi, me chame de Takashi, e aquele ali é o Watanabe.

Watanabe, que estava paralisado, pareceu despertar ao ouvir o nome.

— Ééé, você está bem? Está doendo muito? — Ele estendeu a mão, como se fosse avaliar a mordida, mas Kazumi se esquivou.

— Por favor, não me toque!

A ameaça que Hiro fez a Watanabe ecoava na mente de Kazumi.

— É melhor fazermos logo o que Haru mandou! E então qual o seu endereço? — Disse Takashi quebrando o silêncio que havia se formado.

Kazumi disse o lugar e então a van começou a andar. Mas havia algo que não saia de sua cabeça.

— Por que ele faria isso? — Ele não precisava explicar de quem estava falando.

— Não há como saber o que se passa na mente dele! — Foi a resposta que recebeu. — É estranho ele se importar com você, já que as únicas coisas em que ele pensa é no irmão e em se tornar Zero.

— Zero?

— Esqueça isso por agora! Tem mais alguma coisa que queira perguntar?

— O... O que tem no sangue? — Aquilo que havia acontecido não era normal, o corpo havia simplesmente desaparecido.

— Nós não sabemos. — Respondeu Takashi com pesar na voz. — A única pessoa que sabia foi morta há muito tempo. Foi morta por Haru!

— Quem era?

— Meu pai.

— Como? Como você consegue trabalhar pra ele? Você não...o culpa? — Kazumi não conseguia entender.

— Não, eu não o culpo! Na verdade sou grato a ele. Talvez um dia eu te conte a história inteira.

Ele não ofereceu maiores explicações e Kazumi não pediu por elas. Não tinha o direito de perguntar. Aos poucos o carro parou de andar e quando Kazumi olhou pela janela viu que estávam em seu bairro.

— Eu vou ser rápido! — Disse ele já abrindo a porta.

— Nós vamos com você. — Watanabe, que estava quieto até agora, falou por fim.

— Não é necessário. — Kazumi negou a oferta rapidamente. — Tenho pouca coisa e como já disse, vou ser rápido.

— Mas...

— Watanabe! — Cortou Takashi, em tom forte. — Leve o tempo que precisar, Kazumi.

Kazumi apenas acenou com a cabeça em agradecimento e saiu do veículo. Ele seguiu rapidamente até a sua casa. A única coisa que a diferenciava das outras do bairro era o pano preto pendurado na janela, simbolizando luto.

Kazumi pegou a chave reserva, escondida em um vazo de terra ao lado da entrada, e abriu a porta da frente. A casa estava fria como sempre, sem nenhuma alegria e sem nenhuma cor.

A falta de decorações não era algo novo. Não havia ninguém para dizer 'bem vindo' sempre que ele entrava por aquela porta. Ao menos o cheiro de carne morta e de cerveja já estava desaparecendo.

Ele se desprendeu das memórias e subiu até seu quarto. Pegando uma mochila, ele colocou algumas roupas decentes e o livro favorito. Ele parou por um momento, olhando pela janela, para o quintal. Mais especificamente para a extensão de terra remexida.

Mas não demorou a desviar o olhar. Não devia nada a ele. Kazumi desceu de volta ao primeiro andar, seguindo até a sala de estar. Só havia um sofá velho e o pequeno santuário. Ele se ajoelhou em frente ao mesmo. Encarando o retrato da mãe.

— Oi mamãe! Hoje eu estou deixando essa casa e eu não tenho idéia do que vai me acontecer. — Ele sentiu os olhos se encherem de lágrimas e precisou os esfregar para que pudesse enxergar o sorriso da mãe. — Eu espero que você esteja em paz e quero que não se preocupe comigo! Eu... Vou tentar ficar bem! Então me observe okay?

Ele derramou algumas lágrimas antes de pegar o retrato da mãe e colocar na mochila. Ao se levantar, a atenção dele foi para as manchas no tapete. Kazumi havia se esforçado para limpar. Mas toda vez que olhava podia ver claramente o vermelho vivo.

As lembranças daquela noite voltaram com força. O cinto, a garrafa e o sangue. Tudo se repetia novamente. A chuva, os gritos e a dor. Tudo era nítido. Ele encolheu os ombros, sentindo a fivela bater com força na carne e arrancar pele e sangue.

Ele se esforçava pra esquecer, mas as costas marcadas sempre iam estar ali. E o sangue nas mãos também não desaparecia, ele estava lá sempre que ele olhava. No final das contas, talvez não fosse tão diferente de Fuyuki Hiro. Os dois tinham sangue nas mãos.

Ele deu mais uma olhada ao redor. Se despedindo. E então voltou ao carro. Quando entrou Watanabe parecia que iria falar algo, mas ele foi calado por um olhar de Takashi.

Kazumi ficou olhando o asfalto passar enquanto a van acelerava. Pensando em como havia se livrado de um demônio apenas para cair nas garras do Diabo.



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