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História História da Goiaba e Comunas - Capítulo 1


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Notas do Autor


Inspirada em a história da goiaba.
Tenho uma outra dessa mesma música só q é Jiang Cheng dessa vez e menor.
N demoro postar a de "Oudri Kanda Larrai" kkkk
Ainda n foi revisada.
Esta história aqui é pra uma pessoa q já sabe q é pra ela. Tá mais q óbvio viu filha!
Alias: lá no "mais um tanto acabrunhado", e "mais" mesmo viu, não é 'mas'.

Capítulo 1 - Goiabas e O Capital


Eram três da Tarde no Bairro Joriscleides Francisco Raimundo de Sá Coroa Jucelino Pinto Barbosa, vinha perambulando pela rua um menino; caderno de quinze matérias da Moranguinho com cheiro nos adesivos apoiado no topo cabeça; uniforme escolar da Rede Estadual, largo feito um saco de batatas; calça azul escuro maculado; blusão do pior tecido possível, o qual ainda era transparente e adornado com mais de vinte bandeiras do Maranhão nos tênis, bolsos da calça, mangas do blusão, meias, extremidade da camisa, lateral da farda e mais. Quanto patriotismo com alunos que nem sabiam cantar a segunda parte do Hino Nacional. Só batiam a boca na Formação.

No caso, XiChen, o menino andarilho, só sabia cantar porque seu tio colocava no máximo em épocas de Eleição. Tanto quanto aquele lá que dizia: ou ficar a patria livre ou morrer pelo Brasil. Que ninguém se importava. Claro, todo mundo cantava sem um pingo de sinceridade. Quem quer morrer pelo Brasil, não é mesmo? Talvez nem quem escreveu o hino.

Naquele momento, o estômago do garoto roncava. Nem teve chance de comer o lanche esquisito da Escola. Uma mistura de Macarrão, queijo, arroz e ovo. Não parecia nem saudável, nem apetitoso. Os muros pinchados por símbolos de facções, algumas frases cheias de erros ortográficos, números de politicos pintados em tinta vermelha, azul e o fundo branco, propagandas, cartazes e rostos de Flávio Dino e Roseana Sarney eram deixados para trás.

Do asfalto subia o calor em ondas oscilantes. Por conta dos horários vagos e avaliações, XiChen saiu mais cedo. Saiu apenas pra sabregar no Sol maranhense. Ele conseguia sentir a Linha do Equador cortar seu lombo como um punho quente. Nesse momento, não parecia tão imaginária assim. E ao redor não havia uma árvore sequer. Maldito desmatamento Capitalista!

Apenas a face encimentada das moradias. O nome do Bairro por si só já resumia a vida das pessoas. Bairro da Classe Alta era: Recanto dos Vinhais, Renascença, Cohama. Nomes elegantes e simples. Fala era um nível de nomeclatura para bairro difícil de classificar. A calçada era estreita, baixa, quase colada no chão. Até os vira-latas olhavam desconfiados para o garoto enquanto mordiam as minúsculas moscas rodeando seus fucinhos úmidos. Sua casa não estava tão longe quanto a escola que ficou para trás, mas ainda faltavam umas duzentas ruas para trilhar.

No caminho, alguns motoqueiros erguiam o pneu frontal de suas motos e XiChen apenas pensava: Cai. Cai. E de fato, um menino de seis anos foi empinar o pneu da magrela e se esparramou no asfalto quente bem na frente de XiChen. Este conteve o riso apenas para se acabar quando virasse a curva. O pecado mais difícil de evitar era rir de alguém caído. O estômago ainda roncava.

De repente surgiu no fim um homem. XiChen pareceu ver um divindade num cavalo branco acompanhado por bandeiras e sinos, mas era um velho senhor numa barraca de madeira. Cheia de frutas e de quebra algumas moscas. Naquela época, um e cinquenta ainda valia alguma coisa, então XiChen se aproximou rapidamente.

Haviam inúmeras goiabas ali, e outras frutas. Mas as de aparência melhor eram apenas as goiabas. XiChen leu o preço e comprou uma goiaba. Há anos, um e cinquenta dava para comprar até um ônibus, hoje é item de colecionador. XiChen agarrou feliz sua aquisição e perambulou pela rua outra vez. Talvez fosse a fome, mas a goiaba até era bonita. Lembrava o rosto de Jiang Cheng, aluno do primeiro ano do Vespertino.

Antes de XiChen saborear a fruta, feito uma lambisgoia na area da Litoranea as duas da Tarde, um garoto chegou perto do rapaz distraído. "Oh!", forçou a interjeição. XiChen ergueu os olhos e se assustou ao encontrar WuXian ali. Paixonite do seu caçula. "O que temos aqui! Cunhado! Camarada!"

Não, eles não eram cunhados. Wangji só babava por WuXian de longe, afinal, eram de turnos diferentes e o caçula tinha pouca coragem de falar seus sentimentos. WuXian chamava a cidade de São Luís todinha de Cunhado e Cunhada. Camarada e Camarada. Até parecia ser tão rodado quanto Maite Perroni nos acidentes das telenovelas. "Como anda? Como vai seu irmão?"

"Acho que bem", XiChen olhou com desconfiança. "O que faz aqui?"

"Eu? Só andando, camarada", XiChen desceu os olhos pela aparencia de WuXian. O garoto trajava uma camisa vermelha estampada com o rosto icônico do Che Guevara olhando pr'o infinito. No seu pescoço o colar da foice e do martelo. "Visando a Revolução…"

Era irônico a forma como Wangji se apaixonou. Foi em mais um protesto da Universidade Federal, WuXian estava com um cartaz do Lula e falava em como o amigo devia votar em Lula, afinal, ele o representava. O amigo era Xue Yang, que também tinha nove dedos. O carro do Tio teve que parar para o povo passar na frente. Ele xingava mentalmente. De repente, cheio até o cabelo de simbolos comunistas, WuXian estava perto do carro. Wangji olhava-o pelo vidro da janela. De repente WuXian gritou: "Viva Lênin!", quase deixando Wangji surdo. Mas foi amor a primeira raiva. Wangji até fazia aula de russo e começou a estudar revoluções.

"Ah, bom", XiChen disse. De repente veio uma questão em sua mente. "Jiang Cheng não foi hoje. Ele tá bem?"

"Esse daí? Matando aula. Tá comendo manga verde ali no terreno com HuaiSang".

"Ah…"

"O que é isso? Camarada.", WuXian desceu os olhos até a goiaba nas mãos de XiChen.

Um tanto receoso, XiChen falou: "Uma goiaba. Minha goiaba", tentou reforçar. Mais um tanto acabrunhado.

"Deixe disso, companheiro", WuXian envolveu seu braço ao redor do ombro de XiChen e se achegou a ele. "Não é sua, é nossa". Em pouco tempo, WuXian surrupiou a goiaba de XiChen. Em seguida, já estava mordendo a fruta, após se afastar um pouco de XiChen. "Hum! O fruto da terra, que pertence a nossa gente, claro, é maravilhoso", WuXian exclamou.

Nisso, XiChen ainda tinha esperança de WuXian devolver sua goiaba. Não queria ofendê-lo por dois motivos: um, era paixonite do irmão, dois, era irmão de consideração de Jiang Cheng. "Aliás!", WuXian disse enquanto comia a goiaba, "Diga ao seu irmão que tenho o livro que ele pediu já em mãos, vou entregar assim que possível para ele".

"Que livro?", XiChen perguntou.

"O Capital! Oras. Seu irmão parece alguém muito inteligente se afastando do Liberalismo". O garoto proferiu, "Hasta Siempre, Camarada". WuXian pinoteou para a rua e levou consigo a goiaba. Deixando para trás um XiChen faminto e com sede.

XiChen olhou para o céu e suspirou. Da próxima vez, ele iria comer o lanche de WuXian todo bem frente aqueles olhos comunistas. Já que não era dele, e sim deles, iria comer as goiabas da goiabeira de WuXian todinhas, num dia, até as verdes, até as folhas, até os brotos. Ah, quando ele tiver a oportunidade. Mas por hora, XiChen tinha umas duzentas ruas esburacadas pra percorrer enquanto pensava na goiaba roubada de seus artelhos protetores. Wangji lhe devia uma goiaba. E ele iria cobrar. 


Notas Finais


Não é uma fic nem um conto, é só uma coisa nada a ver .kkkk


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