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História História de um grande amor (Jikook;ver) - Capítulo 2


Escrita por: Moon_Sukuna

Notas do Autor


Boa leitura!

Capítulo 2 - 0.1


Visconde Jeon, mais conhecido como Jungkook entre todos que queriam agrada-lo, sabia muitas coisas.


Sabia ler em latim e em grego, e sabia seduzir ômegas e betas em francês e em italiano.


Sabia atirar em um alvo móvel estando no lombo de um cavalo em movimento, e sabia exatamente quantas doses podia beber antes de começar a perder a dignidade.


Era capaz de boxear ou esgrimir contra um mestre, tudo isso enquanto recitava Shakespeare ou Donne.


Em suma, sabia tudo que um alfa deveria saber e, sob todos os aspectos, só acumulava triunfos em cada área.


As pessoas sempre o observavam.
As pessoas sempre o admiravam.
Mas nada, nem um segundo de sua vida proeminente e privilegiada, o preparara para aquela momento. E ele nunca sentira o peso de um olhar como naquele momento - o momento em que dava um passo á frente e despejava um monte de terra sobre o caixão da esposa.


" Sinto muito ", repetiam as pessoas. " Sinto muito. Sentimos muito. "


E o tempo todo Jungkook ficava se perguntando se Deus iria castiga-lo, porque tudo o que conseguia pensar era...


Eu não sinto


Ah, Jenny... Tinha muito a agradecer a ela.


Vejamos, por onde começar? Primeiro, é claro, a perda da reputação dele. Só o diabo sabia quantas pessoas estavam cientes de que ele fora traído. Diversas vezes.


Depois, a perda da inocência. Ele mal lembrava, mas houve um tempo em que dera um voto de confiança á humanidade. Jungkook costumava acreditar no melhor das pessoas; acreditar que, se as tratasse com honra e respeito, receberia a mesma deferência.


E, por fim, a perda de sua alma.
Porque, ao dar um passo para trás, cruzando as mãos com força ás costas enquanto ouvia o padre devolver à terra o corpo de Jenny, Jungkook não conseguia deixar de pensar em como ansiara por aquele momento, como desejara se livrar dela.


Tampouco iria guardar luto - não estava de luto por ela.


- É uma lastimá - sussurrou alguém atrás dele.


Jungkook trincou o maxilar. Não era uma lastimá. Era uma farsa. E agora ele teria que passar um ano inteiro vestindo preto por uma ômega que viera até ele com o filhote de outro alfa no ventre. Ela o enfeitiçara, o provocara a ponto de ele não conseguir pensar em nada além de possui-la. Ela tinha dito que o amava, sorrindo com doçura, inocência e alegria quando Jungkook jurou devoção e prometeu a alma a ela.
Ela era tudo o que ele sempre sonhara.


Até se transformar em seu maior pesadelo.


Jenny perdera o filhote, o motivo por trás do casamento deles. Era fruto da relação com um Conde italiano, ou pelo menos foi isso que ela alegou.
Mas o tal conde era casado, ou inadequado, ou talvez as duas coisas. Jungkook estava disposto a perdoa-la; todos cometiam erros, e ele próprio não havia desejado possuí-la antes da noite de núpcias?


Mas não era amor que Jenny queria. Ele não sabia o que diabo ela desejava - por, talvez, a inebriante satisfação se saber que mais um alfa caíra em suas garras, enfeitiçado.


Jungkook se perguntava se era isso que ela sentira quando ele se rendeu aos encantos dela. Ou talvez fosse só alívio. Quando se casaram, Jenny já estava com três meses de gestação. Não havia tempo a perder.


E agora ali estava ela. Ou melhor, lá embaixo. Jungkook não sabia muito bem qual advérbio de lugar seria mais apropriado para situar um corpo sem vida que acabara de ser enterrado.
Não importava. Mas Jungkook lamentava muito saber que ela passaria a eternidade no solo dele, repousando em meio a todos os Jeon's de outrora. A lápide daquela ômega  ostentaria o nome dele e, em cem anos, alguém olharia os entalhes no granito e pensaria que ali devia jazer uma dama, lamentando-se pela tragédia de sua morte tão precoce.


Jungkook se virou para o padre. Era um sujeito jovem, novo na paróquia e inexperiente na vida, ainda acreditando ser capaz de transformar o mundo em um lugar melhor.


- Do pó ao pó - disse o padre, erguendo o olhar para o alfa que devia ser o viúvo desconsolado.


Ah, sim, pensou Jungkook com amargura. Acho que sou eu.


- Do pó ao pó.


Atrás dele, alguém chegou a fungar.
E o padre, com os olhos azuis cheios de compaixão absurdamente deslocado, continuou falando...


- Na certeza e na esperança da Ressurreição...


Ó, céus.


- ... para a vida eterna.


O padre olhou para Jungkook e nitidamente se encolheu. Jungkook ficou se perguntando o que ele teria visto em seu rosto. Nada de bom, isso estava claro.


Ouviu-se um coro de "Amém", e então estava terminada a cerimônia. Todos olharam do padre para Jungkook e de novo para o padre, quando este tomou a mão do viúvo e disse:


- Deixará saudades.


Jungkook não se conteve e emendou:


- Não para mim. 


Notas Finais


Desculpe pelos erros com os pronomes de alguns personagens. O livro é um romance de época hetero e não homossexual e muito menos ABO.


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