História Histórias Cruzadas - Capítulo 4


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Categorias EXO
Personagens Byun Baek-hyun (Baekhyun), Do Kyung-soo (D.O), Kim Jong-in (Kai), Kim Jun-myeon (Suho), Lu Han (Luhan), Oh Se-hun (Sehun), Park Chan-yeol (Chanyeol), Personagens Originais, Wu Yifan (Kris Wu)
Tags Baekho, Chankai, Kaihun, Menção Hunhan, Menção Krisoo, Sekai, Slow, Sparkqueen, Subaek
Visualizações 27
Palavras 4.217
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Editando as notas* Bem, eu de fato estava caindo de sono. Agradeço por quem tem lido Histórias Cruzadas, eu amo essa história e até aqui tenho adorado escrevê-la, mesmo que algumas coisas me desanimem. O tempo vai ser mais curto e a disposição de escrever diminuiu junto, portanto, não sei quando volto. Espero ser em breve, ok? Espero, também, que gostem de verdade. ♡

boa leitura!

Capítulo 4 - 3 - Dark Paradise


 Uma lágrima solitária escorreu desde o olho direito até cair e manchar o jeans da bermuda de Baekhyun. Era alegria o que estava sentindo enquanto apertava mais uma vez Sehun em seus braços, após uma longa e esclarecedora conversa, múltiplos pedidos de perdão e a promessa de deixar o passado no passado, junto dele toda mágoa e ressentimentos. 


 O cheiro do cabelo úmido de Baekhyun era doce e incrivelmente bom, Sehun poderia fungar para sempre.


— Céus, como você ficou ainda mais gostoso com o tempo — Byun brincou, soltando o maior do aperto, não sem antes apertar a carne da bunda com força moderada. —, se eu não fosse casado com o Junmyeon… 


— Nem nos seus sonhos mais quentes eu te daria a bunda, Baekhyun, não viaja, um? — Riram em conjunto, Sehun se afastando para se apoiar no veículo do cantor. — Um A3, vejo que fui o único que ficou estagnado no passado. 


— Não se iluda, estou pagando  essa belezinha há quase três anos. O Junmyeon quase enlouquece dentro da concessionária quando escolhi, mesmo depois de passarmos um mês discutindo isso em casa. 


— Ele ainda permanece com o mesmo? — Baekhyun assentiu, sentando na calçada do bar, de frente para vaga onde o carro estava estacionado. — Pelo menos aprendi dirigir — Disse por fim, fazendo o mais velho sorrir. —, na semana passada ainda peguei o carro do sobrinho da Luna. Jongin, conhece? 


— O moreno gostoso que estava com você na praia mais cedo? — Sehun assentiu, a maneira lasciva como o amigo falou o fazendo pensar no moreno de cabelo azul. — Que Junmyeon não ouça isso, mas aquele garoto tem um puta jeito de quem fode muitíssimo bem. 


 Sorriu, achando graça do jeito despudorada de falar do amigo.


— Bom, ele é uma pessoa bem legal. 


— E você solteiro, né? 


 Sehun olhou para um ponto específico no letreiro néon, um inseto atraído pela luz brincava por lá, e demorou até de fato entender as entrelinhas, abrindo a boca em surpresa quando o fez. 


— Ele é seis mais novo e se quer saber sequer o olhei com segundas intenções até você mencionar o fato dele ser gostoso. 


— Qual o problema em ele ser mais novo? Desde que seja maior de idade está tudo correto — Insistiu, um sorriso malicioso moldando os lábios. 


— Eu não estou interessado em ficar com alguém, de verdade. Quero apenas organizar minha vida de agora em diante. Fiquei muitos anos parado no tempo, nunca fiz faculdade e nem tenho curso algum no meu currículo, trabalhei por alguns anos em dois empregos diferentes e sai com as mãos abanando de ambos. Sabe, Baekhyun, eu sinto que desde que perdi meus pais eu parei de viver para mim. 


 Oh desviou o olhar quando seus olhos encheram-se de lágrimas, de repente muito consciente de tudo que perdeu e envergonhado por estar quase chorando diante de um amigo que acabara de reencontrar. Ao mesmo tempo, era Byun Baekhyun ali, alguém conhecia sua história e desde que o conheceu fez o possível para ajudá-lo, a pessoa que quando partiu sofreu com sua ausência; um amigo. Seu melhor amigo. 


 Enxugou a lágrima que ousou escorrer, no entanto inútil, porque outras vieram, em abundância. 


— Nem preciso dizer tudo que o Lu Han significava para mim, você já sabe, certo? — Byun assentiu. — Eu refiz uma vida dolorosa com ele, superei junto a ele toda dor e deixei que o Han preenchesse o vazio em meu peito, então quando ele partiu… — Soluçou, não aguentando o peso de finalmente externar tudo aquilo. — A minha vida acabou pela segunda vez quando ele se foi, Baekhyun, desde então eu não sei o que é viver por mim. 

 

 Baekhyun rapidamente levantou de sua posição, andando em direção de seu carro, e, consequentemente de Sehun. O abraçou sem aviso prévio, deixando ele enterrar o rosto em seu peito e desabafar ali. 


— Ei, você teve muitas perdas dolorosas, precisava de um tempo para respirar e está tudo bem não ter feito nada nesse período, cara. — Falou baixinho, incerto de eram as palavras corretas. — Não se culpe por não conseguir seguir em frente. Você é o homem mais forte e incrível que eu conheço, Sehun. O Lu Han e seus pais estariam orgulhosos do quanto você já suportou e ainda sim não desistiu. 


— Um covarde é o que sou. Fugir na primeira oportunidade sem dizer nada a ninguém. 


— Shii… — Pediu o Byun. — Combinamos não falar dessa parte do passado. — Pontuou, erguendo a cabeça do mais novo para encará-lo olho a olho. — Eu tenho que ir agora, um show em um bar onde tenho que vestir roupas de couro justas. Mas prometo voltar amanhã pra te buscar. Você vai almoçar comigo e o Junmyeon, tenho ideias para você. 


— Obrigado por ter vindo hoje, foi muito importante te ver, Baekhyun. — Sussurrou, enxugando as lágrimas quando o mais velho se afastou. 


— Eu adorei saber que estava de volta e que queria me ver. Foi o momento mais feliz da minha vida, em meses. Sinto muito que o tempo tenha sido tão curto, mais ainda por te deixar nesse estado. 


— Sem problemas — Exibiu um sorrisinho. — Vai lá vestir suas roupas de couro. 


— Te envio uma foto como cortesia, minha bunda fica incrível dentro daquela calça. 


— Acho que o Junmyeon não gostaria muito de saber que anda dando em cima de um cara alto e bonito como eu. 


— Céus, você ficou mesmo convencido com o tempo — Apontou, a voz divertida. — Tchau, Sehun, até amanhã. 


— Até, Byun — Sussurrou quando o outro já estava dentro do carro. 


 Suspirou, muito aliviado por ter finalmente encontrado o amigo, conversado e esclarecido as coisas. Mas também pelo desabafo de tudo que ainda o machucava.  



 — Que demora dos infernos, Baekhyun! 


 Junmyeon gritou da porta de casa, respondendo a pessoa por trás do aplicativo que agendava a mesa para dali dez minutos, levariam quinze para chegar até Sehun e mais sete até o restaurante. Sabendo disso, Baekhyun ainda achou de perder a própria carteira na noite anterior e como teve de ir ao bar resolver a situação, acabou atrasando  o banho. 


— Quantas vezes terei de pedir para não mexer na minha caixinha de jóias? Você tem as suas próprias, não sei porque insiste em perder logo os meus brincos que são mais caros. 


 Um Byun estressado surgiu na porta, pedindo ajuda para colocar um colar de cruz simples banhado a ouro, combinando com o brinco na orelha direita. 


— A recepcionista avisou sobre atrasados, existe uma taxa depois de exceder meia hora. 


— Não vamos demorar isso tudo — Murmurou, agradecendo a ajuda. — E se estamos tão atrasados assim, porque não foi na frente e buscou o Sehun. 


— Foi você quem o convidou. E faz muito tempo, nem sei como vou falar com ele, cara. 


— Como qualquer pessoa normal, ué. O Sehun não estava vivendo em marte, ele ainda fala da mesma língua que você. 


— Amor, às vezes você é tão irritante que a vontade que tenho é assinar o divórcio, mas aí lembro quão mais vantajoso seria te envenenar e herdar seu carro. 


 Era evidente aos dois que tratava-se apenas de uma brincadeira inofensiva, contudo, Junmyeon logo pediu desculpas, julgando muito errado o que acabara de dizer em voz alta.  Baekhyun, por outro lado, decidiu continuar a provocação, para evitar uma possível quebra de clima. 


— Vou gravar isso e deixar nas mãos de alguém de confiança, se algo me acontecer já temos um culpado. — Ditou, sentenciando com um beijo nos lábios cheinhos do marido. — Somente perfume e sapatos, já volto. 


 Quarenta e cinco minutos depois, mais uma pequena taxa, estavam almoçando e conversando animadamente sobre os tempos da banda. Junmyeon quem estava receoso quanto ao reencontro, ficou extremamente confortável com Sehun desde o início e eram os que mais estavam falando desde o bar de letreiro néon. 


 Havia algo muito bom em estar entre amigos, uma sensação distinta de qualquer outra no melhor dos sentidos. Sehun gostava do conforto, de falar sem medo, rir sem censura, do quão bom era entender piadinhas que, às vezes, sequer possuíam graça, mais ainda das de duplo sentido. Fora que relembrar as coisas do passado, com pessoas que também viveram a mesma época, não tinha preço. 


 Olhou com certo orgulho para o casal à sua frente, tantos anos naquele relacionamento, lutando e zelando um pelo outro, depois de tantos obstáculos lá no início da relação. Certamente, tiveram muita mais sorte que o destino de sua própria relação. 


 Conversaram por quase duas horas, mesmo quando o almoço e a sobremesa já havia findado continuaram sentados, entretidos demais para levantar e ir embora sem antes dar cabo de todos assuntos pendentes. Foi somente  ao toque do telefone celular de Junmyeon, a gráfica avisando sobre as provas estarem prontas, que Baekhyun chamou o garçom, dando seu cartão para passar o valor final. 


— Foi um prazer te ver, Sehun — Junmyeon disse quando alcançaram o térreo, entregando ao esposo a chave do veículo, depois de já ter solicitado uma corrida pelo aplicativo. 


— O prazer foi todo meu — Apertou a mão alheia, oferecendo um sorriso. —, e não precisam se preocupar comigo, eu pego um táxi. 


— Nada disso, eu te levo em casa. — Junmyeon concordou com um aceno de cabeça bem em tempo do táxi estacionar na frente do prédio do restaurante. — Vejo-te mais tarde, amor. 

 

 O Kim piscou cínico, ia curva-se para deixar um beijo no loiro quando, parecendo perceber que seria indelicado o fazer na frente de Sehun, corrigiu a postura e somente selou a pele da bochecha. Teria feito o mesmo com Sehun, contudo, não conseguia ser espontâneo como o Byun e já não sentia-se tão próximo do outro depois de tanto tempo. 


 Depois de o assistir partir, Baekhyun silenciosamente os guiou até o carro estacionado na vaga para clientes do restaurante, destravando o veículo branco com um click. O carro ainda permanecia quase tão imaculado do quando foi adquirido, quase seis anos atrás. Ressentia à zelo,  e era perceptível o carinho que o dono possuía por ele, pois o ambiente limpo e perfumado não deixava espaço para reclamações, exceto pelo fato de que o ar não estava funcionando. 


— Em alguma coisa ele tinha de ser organizado — Byun brincou, baixando ambos os vidros frontais. — Está precisando de alguma coisa pessoal? Desodorante, creme dental, algum lanche… — Então se fez uma pausa dramática, olhou Sehun de alto a baixo e piscou atônito. — Diz que você tem um celular?


 Sehun sorriu nervoso porque, veja bem, havia vendido seu aparelho antes de voltar à Long Beach, por motivos de: precisava do dinheiro para gastos básicos. 


— Eu não tenho um aparelho celular. — Murmurou, umedecendo os lábios. 


 Byun esticou a mão, tocando o bolso direito da bermuda que ele vestia, conferindo o estranho fato. Após negar dramaticamente com a cabeça, deu partida, avisando que iriam passar no atacadão antes de chegarem ao bar. Sehun estava definitivamente constrangido, sabia quais as intenções do amigo em dirigir até o mercado depois da pergunta impessoal. 


 Sendo sincero, não o fez falta. Não era exatamente o que chamam de fã da tecnologia, afinal. Tinha um celular com o modelo de dois anos atrás que comprou com algum custo e insistência de colegas do trabalho. E quando foi embora, quis desapegar de tudo que desse brechas, pior, ligasse ao passado. 


 Uma ou outra ia precisar e sentir falta, principalmente em momentos de tédio, entretanto, ainda não tinha condições de pagar por um novo, não até se estabilizar. Porém Baekhyun era incisivo o suficiente para o convencer, quando já estavam fora do veículo novamente, a escolher um bom modelo. 


— Não se preocupa com o valor — Ditou, mostrando quais mais o interessava. — Eu vou te presentear. E se precisar de mais alguma coisa, pode usar o meu cartão. A data de pagamento está longe, e mesmo que não tenha o dinheiro na data, eu me viro, entendeu? Sabe que dinheiro é a última coisa que eu guardo. 


— É sério, Baekhyun, não precisa. — Insistiu, corrigindo a postura. — Luna também já ofereceu o cartão dela e qualquer dinheiro adiantado que eu precisar. 


— Então apenas escolha o celular — Gesticulou, impaciente. — Vai logo, antes que eu escolha por você.  


 No final, Sehun saiu com um modelo de cor azul degradê, simplesmente muito bonito e relativamente barato, segundo Baekhyun.


— Agora que tem um celular, podemos fofocar à qualquer hora do dia. 


 Na despedida, depois de passarem a tarde com Luna conversando enquanto bebiam uma cerveja barata, Baekhyun optando por algo mais forte. Sehun levou o mais velho até a saída do bar, abraçando-o e agradecendo outra vez mais pelo presente. E Oh entrou em seguida, oferecendo-se para limpar o bar antes de abrirem. 


  Sentado no colo do eterno namorado, no sofá de sua casa, Baekhyun gemeu de forma ininterrupta ao ouvido alheio, baixo e manhoso, enquanto o segurava pelo cabelo por cortar com força. E não demorou em sentir do líquido quente de Junmyeon também preencher seu interior, em orgasmo arrebatador, que o fez tremer de alto a baixo, desmanchando-se contra o abdômen levemente definido; fazendo uma verdadeira bagunça de porra.


— Meu Deus — O cantor puxou o ar com força, olhos fechados e a boca grudada a cartilagem do mais velho. —, isso foi incrível! Tipo, muito incrível. 


 Junmyeon concordou, arrematando mais duas ou três vezes antes de sair por completo do Byun. Mais calmo,  beijou-o, lento e preguiçoso. 


— Você é sempre tão gostoso, amor — Sussurrou, a pele envolta de suor começando a incomodar. — Muito delicioso. É uma pena que tenhamos que brigar para termos um bom sexo. 


 Baekhyun o olhou entediado, murmurando coisas desconexas enquanto abandonava o colo e calor alheio. 


— O que é Baekhyun? — Pediu, já sentindo o sangue começar a esquentar. — Prometemos conversar na terça sobre o assunto, já é quinta, será que não podemos simplesmente sentar e falar sobre nossa relação por dez minutinhos. 


— Vou tocar na Luna mais tarde e não quero conversar sobre isso agora, vai estragar totalmente o clima. 


— Sabe que é loucura transar todos os dias, quase sempre depois de brigar.  


 Pontuou de uma vez, já esperando pela reação imatura que viria a seguir: Baekhyun recolhendo suas roupas e dando as costas, em seguida, abandonaria seus lábios uma frase já conhecida e irresponsável demais para um relacionamento.


— Você não reclama — Byun deu de ombros. 


— E nem você. — Revidou no mesmo tom de deboche misturado ao desespero. — O que não quer dizer que isso seja saudável. Não deixa de ser uma coisa ruim para nossa relação. 


— Com exceção das agressões mútuas, já falei não ver problema algum em discutir para transar. Isso me excita. Além de que já tentamos parar com isso outrora, mas não deu muito certo, lembra? — Sim, Junmyeon lembrava. — Ótimo, tópico discutido e resolvido. Posso tomar meu banho agora? 


 Junmyeon suspirou, cansado. Após, corrigiu a postura para melhor encarar o esposo loiro e gostoso, vestido de nudez e beleza. O amava demais e sabia o quanto ele possuía medo de conversas com teor sério e responsável, no entanto, era necessário. 


— Baekhyun eu te amo muito, nosso casamento sempre foi a melhor escolha e a coisa mais bonita que me aconteceu. E a gente sempre se deu muito bem na cama, o que estávamos enfrentando ano passado não passou de uma crise, como qualquer outro casal. Foi uma má época pra nossa relação, mas já passou, e tenho medo de que, se continuarmos assim, as coisas não terminem muito bem entre nós dois. 


— Não é um problema continuarmos à este modo, não por mim.  As coisas estão ótimas, Junmyeon, nunca estiveram melhor, nem no começo do namoro estávamos tão ativos quanto agora… — Nervoso, umedeceu os lábios secos, jogando o cabelo para trás com auxílio da canhota. — Eu amo fazer sexo, gosto de como fazemos e amo que seja com você  Meu maior medo é acabando com isso foder com todo resto. Não quero que fiquemos entediado, que nossa relação caia na rotina. Estamos ficando velhos, Jun, e se um dos dois acabar enjoando e achar de encontrar inovação em outros braços? 


 O professor desistiu de sua posição, levantando e caminhando até o loiro, puxando-o para um abraço. 


— Nada do seu medo vai acontecer, bebê. 


— Eu odeia a ideia de você me traindo — Reafirmou baixinho. — Por favor não estraga isso. 


— Tudo bem, então — Falou, o apertando ainda mais entre os braços. 



 Sehun já estava quarenta e quatro minutos atrasado. Não que Jongin estivesse checando constantemente o relógio dourado em seu pulso, de maneira alguma. Mas depois de observar pessoas entrarem e saírem do restaurante, percebeu ser o único a continuar sozinho, em uma mesa para dois. 


 Esperar não foi a pior parte, a princípio. Atrasos, apesar de chatinhos, são relativamente suportáveis quando não se sabe o motivo pelo mesmo. Entretanto, depois de algum tempo e o fato de não possuir meio de contato direto, para questionar a razão pela demora, ou, se ele ao menos iria comparecer, quem sabe avisar a Sehun que já estava de partida.  


 E quando o relógio marcou uma e meia, foi inevitável começar culpar a si próprio e sua imensa boca grande, por ter revelado algo tão íntimo a alguém que praticamente acabara de conhecer. Provavelmente, Sehun estava assustado e tentando o ignorar. Embora estivesse muito claro não passar de um encontro entre duas pessoas querendo conhecer um ao outro, fortalecer uma possível amizade. Ainda sim, ele não devia estar familiarizado com esse tipo de situação e acabado por desistir. E Jongin sabia que não devia esperar isso dele, era pedir muito depois de tudo que ele passou, aparentemente tinha sido o suficiente, Oh não precisava de mais um fardo, tal como um amigo com… 


— Garçom — Levantou a mão, balançando a cabeça negativamente para afastar os pensamentos. —, pode trazer a conta. Acho que a outra pessoa… Bom, estou de saída. 


 Decidido a não ficar se martirizando, depositou a quantia pela garrafa de vinho – que esvaziou sozinho por sinal – e agradeceu, pedindo desculpa pelo tempo gasto sem quase consumir. E foi só quando já estava na porta do restaurante, na espera do rapaz trazer seu carro, que o celular vibrou no bolso; o número desconhecido brilhando na tela insistente. 


— Alô, quem é?  — Pediu, o coração palpitando um pouco. 


Jongin, sinto muito pelo atraso! — A voz soou grogue do outro lado da linha, meio desesperada, tão pesada quanto a tensão nos ombros de Kim. — Eu não esqueci de você, na verdade só dormi demais no dia errado. A Luna enviou seu número por mensagem. Eu… Me desculpa!?


— Tudo bem, Sehun. De qualquer forma, já estou de saída. — Proferiu bem ao tempo do recepcionista entregar-lhe a chave do veículo. 


Você esperou por muito tempo, eu realmente sinto muito. Posso te recompensar com uma bebida mais tarde? 


— Eu meio que preciso estudar uma papelada do trabalho hoje a noite. 


Hoje é sábado, JonginInsistiu. — Por favor, não quero que pense que te ignorei de propósito ou por qualquer outro motivo.


— Tudo bem — Suspirou, desistindo de ficar empurrado por algo tão bobo e que já havia sido justificado. — Onde? 


Tem um ótimo quiosque aqui na praia, com um coquetel divino e os petiscos são realmente deliciosos. 


— Oito e meia? — Questionou, sentindo-se minimamente mais seguro outra vez. 


Oito e meia. — Reafirmou antes de desligar. 


 Em todo tempo que esteve doente, Jongin nunca sentiu falta do contato com o mundo, sobretudo pessoas. Sendo sincero, as conversas pareciam complicados como jamais foram, e, imaginar o contato causava  repulsa. Portanto, evitou, por um longo período, amizades e o sexo.


 Foi bem depois de iniciar o tratamento e atingir a maioridade que, por fim, decidiu se dar outra chance. O resultado desastroso, no entanto, tirou qualquer esperança de um dia voltar a ter uma vida minimamente digna, quiçá normal. Mas ainda tentou novamente, teorizando que, quem sabe, da terceira vez pudesse ser menos humilhante. 


 Aparentemente, o único propósito de suas  frustrada tentativas de relacionamentos foi descobrir que não nasceu para ter uma vida sexual ativa, nem lidar com pessoas. Elas o assombravam de maneira inexplicável, não conseguia se enxergar em um relacionamento, não depois de tudo, da doença e do medo que ela causava nas pessoas, ainda Jongin não sendo um transmissor. 


 Decidiu, um dia, que não estava disposto a encarar o desprezo, receio e a falta de empatia no olhar de alguém – e nem fazer terceiros passar pelo menos susto que passou. No final, não valia a pena se desgastar tanto assim. Não seria tão difícil continuar solteiro, não enxergava problemas nisso, mas somente se sua mãe não continuasse a insinuar moças para si.


 Por isso, quando Sehun ofereceu-se para almoçar no lugar de uma possível pretendente, ficou realmente feliz e sentiu-se encorajada a rejeitar a imposição de seus pais quanto a sua vida amorosa. Mas quando ele não compareceu, o incentivo de enfrentar-los e recusar um próximo encontro arranjado morreu um pouco, de certa forma. 


 Contudo, a ligação reanimou-o por dentro. Ele tinha razões e tivera a decência de ligar. Parecia suficiente.


 A risada de Sehun era uma melodia realmente engraçada e gostosa de se ouvir, constatou Jongin. Depois de uma ou outra bebida, ele parecia alto suficiente para algumas gargalhadas. E vê-lo sorrir deixava o coração meio quentinho.


 Já nem importava mais o fato dele não ter comparecido no almoço, uma vez que de fato fora recompensando com um bom coquetel e a comida de fato era gostosa. 

  

 Sequer lembrava do que estavam rindo quando o outro enxugou uma lágrima, cessando o riso, recompondo-se. Ele o encarou, uma mecha das madeixas negra desalinhada, o vento que trazia consigo a maresia fazendo uma bagunça na cabeleira alheia. 


 Sehun era incrivelmente bonito, pensou. 


— Mais cedo, quando você não apareceu, eu pensei ser algo pessoal. Talvez pelo que te  contei outro dia. 


— Bobagem — Murmurou, meio sério, meio risonho. — De maneira alguma, Jongin. Não existem motivos para ignorar suas condições, nem mesmo se estivéssemos, sei lá, juntos. Eu não sou esse tipo de pessoa, você pensar desta forma me ofende, um pouco. 


— Não foi minha intenção. — Prontamente se justificou, sentindo-se um completo idiota. 


— Nem a minha te causar essa impressão. Eu sinto muito não ter aparecido, Jongin. — Deu de ombros. — Mas não nego que tem algo sobre o que me disse tirando minha paz. 


— Você pode perguntar qualquer coisa. 


— Tem certeza? — O de cabelo azul assentiu. — É sobre quem te transmitiu… Quando disse que foi corrompido, o quis dizer? 


— Ah — Exclamou, meio boquiaberto, o sinal de um sorrisinho nascendo. — Não é o que está pensando. Eu ainda era menor de idade, mas foi totalmente consensual. Nós dois queríamos. Nem mesmo sei porque usei essa palavra, talvez porque ele tenha sido minha primeira relação sexual e a que me transmitiu o vírus.


 Sehun quase suspirou de alívio pela notícia. Mas conteve o ímpeto a tempo de não parecer um babaca. Ainda assim, sentia-se mais relaxado em saber que o outro não tinha sido vítima de um sexo forçado, ou qualquer outra coisa ruim neste sentido.


— Eu também estou curioso sobre algo. — Jongin tomou sua atenção, o canudo brincando entre os lábios, sugando a bebida. — Não pretende voltar com a banda? 


 Sehun sorriu, meio que sem querer. 


— Estou falando sério. — Disse sério. 


— Eu não… Não parei para pensar nessa possibilidade, na verdade. Acho que era algo pessoal da época que éramos jovens. Agora todos têm ocupações, uma vida a parte, e bem, a maioria já está  quase na casa dos trinta. 


— E desde quando uma banda está limitada a idade? — Era uma pergunta retórica, pelo menos Sehun interpretá-la assim, já que sequer respondeu. — Acho uma ideia bacana. Você podia, sei lá, falar com os antigos membros, reunir sua turma. Quem sabe abrir audições para novas pessoas. 


— E você seria candidato? — Questionou divertido.


— Talvez sim — Respondeu. — Sou bom na guitarra. E também tocava baixo na banda da igreja, quando eu ainda tinha uns treze ou quatorze anos.


— O Lu Han era baixista da banda — Comentou, sem deixar o sorriso morrer. Não queria pensar demais e matar o clima ameno. — O Baekhyun com certeza toparia, mas os outros…


— Então você considerou a ideia? 


— Eu preciso de uma ocupação até reorganizar minha vida. E a Luna com certeza aprovaria uma banda fixa para o bar outra vez. Talvez seja impessoal de início, sabe, pela nossa perda em comum. Mas sim, posso considerar, desde que você, como dono da ideia, me ajude. 


 Jongin abriu um imenso sorriso, animado com a possibilidade. 


— Ótimo — Sussurrou. — Agora que tem um celular, poderia começar a ligar para seus amigos. 




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