História Histórias macabras - Capítulo 2


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
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Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Bishoujo, Bishounen, Colegial, Crossover, Drabble, Drama (Tragédia), Droubble, Ecchi, Escolar, Esporte, Famí­lia, Fantasia, Festa, Ficção, Ficção Científica, Harem, Hentai, Luta, Magia, Mistério, Orange, Policial, Romance e Novela, Saga, Sci-Fi, Seinen, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Shoujo-Ai, Shounen, Slash, Sobrenatural, Steampunk, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Visual Novel, Yaoi, Yuri
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Canibalismo, Cross-dresser, Drogas, Estupro, Gravidez Masculina (MPreg), Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Intersexualidade (G!P), Linguagem Imprópria, Mutilação, Necrofilia, Nudez, Pansexualidade, Sadomasoquismo, Self Inserction, Sexo, Spoilers, Suicídio, Tortura, Transsexualidade, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 2 - Eu te amo, filha.


Uma palmada, duas palmadas, três, quatro, cinco... E então ele continuou batendo até se satisfazer por completo.

– Tudo bem filha, você sabe que o papai te ama, não é mesmo?! – Não respondi. Estava sem fôlego para falar qualquer coisa. Claro que me ama, seu doente mental. Desde que mamãe morreu, por culpa dele, ele bate em mim, para descontar suas frustrações e sua raiva na pessoa mais próxima a ele. Todas as vezes que ele fica bêbado, bate em mim com a desculpa de que me ama. Isso já se segue por quatro anos. Quatro malditos e longos anos aguentando calada, suprimindo minha raiva, escondendo os machucados, que estão sempre presentes em minha pele e em minha alma. Sim, ele me ama. A muito tempo deixei de acreditar nessa mentira. Mas o que posso fazer? Eu não aguento mais viver assim, incerta sobre o que vai acontecer hoje, se estarei viva amanhã ou até mesmo morta. Sim, morta acredito que as dores passariam, as feridas não se abririam mais e eu não sofreria nunca mais.

Ele me ama. Palavras tão doces faladas tão levianamente. Eu te amo, filha. Malditas três palavras que me perseguem até enquanto durmo, malditas três palavras que me fazem tremer ao ouvi-las. Maldito seja o meu pai que profere essas três palavras tão doces. 

Ele continua batendo e me ferindo cada vez mais. Eu o odeio tanto. Se ao menos pudesse fazer algo.

E então ele para e me abraça dizendo.

– Fico tão feliz que você ainda esteja aqui. Te amo tanto, meu tesouro. – Com a garganta seca e o corpo mole me deixo ser abraçada. Então ele finalmente me solta e vai para seu quarto chorando e repetindo as malditas três palavras. – Eu te amo pequena. – Deslizo no chão, meu corpo dormente, mole, fraco e finalmente me permito chorar. Choro compulsivamente até não haver mais lágrimas e então lentamente começo a levantar, sentindo meu corpo reclamar, a dormência passando aos poucos e dando lugar a dor e ao caos. Vou para meu quarto e tranco a porta, caso ele queira voltar. Entro no banheiro e cuidadosamente começo a tirar as roupas do meu corpo, me olho no espelho. Meu rosto está perfeito, sem hematomas ou arranhões, apenas inchado e avermelhado de tanto chorar. Entro embaixo do chuveiro, assim que a água morna bate em meus novos machucados arde, meu corpo treme por inteiro, mas continuo ali. Já virou um ritual fazer isso depois de cada surra que levava. Arde no começo, mas ajuda, a não me sentir tão suja, tão violada. Lágrimas voltaram a cair pelos meus olhos sem eu perceber.

E sim maldição, ele me ama. Ele me ama tanto que dói e eu tenho as marcas desse amor doentio impressas na pele. Sai do banheiro e ouvi o barulho da porta da frente se abrindo e fechando novamente. Respirei mais aliviada, estava sozinha. Tomei algum remédio para dor, vesti uma roupa confortável e finalmente pude deitar em minha cama, esperando o remédio fazer efeito e meu corpo voltar a ficar dormente. Por um milagre consegui dormir.

Acordei com a porta da frente sendo aberta e fechada brutalmente e levantei lentamente, ouvindo passos se aproximarem de minha porta. Era ele novamente.

Meu coração desacelerou quando ouviu sua voz alterada, estava pior que antes e me chamava. 

 – Filha, abre essa porta, papai te ama. – Sua voz estava ficando embargada, ele estava chorando? Que cretino. Me encostei na porta e fiquei ali, chorando em silêncio, esperando ele se cansar e ir dormir, como sempre fazia. A porta finalmente parou de bater e ouvi os passos se afastando. Estava salva por hoje.

Até quando iria aguentar essas humilhações, quando eu iria reagir e dar um basta nisso?

No outro dia ele estava bêbado novamente, batendo a porta da frente e gritando como um louco. Eu estava assistindo TV e fiquei em choque por ser pega desprevenida por dois dias seguidos. Me preparei para a dor e fiquei ali, quieta enquanto ele se aproximava cambaleante, lentamente. Desferiu uma tapa no meu rosto, senti o gosto de sangue invadindo minha boca e então tudo ficou dormente novamente. As únicas coisas que eu conseguia ouvir eram aquelas malditas três palavras que saiam novamente pela sua boca. 

Me soltou e por impulso corri para a porta, estava trancada. Fui para a cozinha, ouvindo seus gritos ficarem cada vez mais próximos. Peguei uma faca em cima da mesa e fiquei ali, parada, enquanto o via se aproximar de mim. Fechei os olhos e não vi mais nada, estava apavorada. Ergui a faca e esperei, esperei e nada. Abri meus olhos lentamente e então o vi. Meu pai me olhava com os olhos arregalados, em descrença, enquanto segurava seu pescoço sangrando. Tentou me segurar com a outra mão, mas foi inútil. Ele começou a cair, enquanto eu ficava olhando do corte em seu pescoço para a faca na minha mão. Abri um pequeno sorriso incrédulo. Estava acabado. Ele não voltaria a encostar um dedo em mim. Me abaixei de joelhos ao seu lado e o assisti agonizando, até seu último e quase inaudível suspiro. Passando a mão em seu cabelo sujo de sangue e sujando toda minha roupa, mas eu não me importava, eu me sentia leve, em paz comigo mesma. E sorrindo, lhe falei minhas últimas e talvez mais felizes palavras.

– Sim papai, eu també m amo você.  



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