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História Histórias que eu talvez conclua - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Concurso


- Treze anos!

 

Brian deu um pulo da cadeira, assustado pelo grito de Lennon.  Os outros meninos pareciam ter aceitado relativamente bem o acordo que fizeram com a Coca-Cola, eles pareceram transtornados, mas era apenas uma semana e com garotas! Ora o que poderia vir de errado em chamar quatro fãs para ficar uma semana vivendo com eles, teriam até mesmo que mudar o cronograma com atividades mais divertidas, e bem se dessem sorte elas seriam lindas.

 

Infelizmente, John não pensava assim. Havia ficado extremamente ofendido com a ideia e sequer dito o porquê e Epstein se perguntava se John simplesmente decidiu que todos os outros seguiam a mesma linha de pensamento que ele ou se era um motivo tonto e Lennon preferia não o admitir.  Seja qual fosse o motivo mesmo depois de ter sido convencido (coagido com histórias constrangedoras) a assinar o maldito contrato, Lennon ainda fazia indiretas negativas na mídia e dizia claramente para qualquer um no estúdio que quisesse (ou não) ouvir o quão detestava esse concurso. 

 

No entanto, na última entrevista antes da eletiva, John havia tido uma conversa com Martin – que também não estava muito feliz com o concurso, mas entendia que era um contrato importante e que Brian seria maluco se não insistisse nele – e parecia mais animado com isso. Até saírem as vencedoras, ou quase, já que houve um empate em quarto lugar..., mas era melhor Lennon não saber desse detalhe até escolherem a garota, afinal uma delas tinha onze anos e treze já parecia ser o suficiente para levar o guitarrista a loucura.

 

- Ela acertou as perguntas e teve autorização dos pais. – Brian disse se esforçando para soar o mais profissional possível.

 

- Ela precisou de uma autorização dos pais. – John disse como se isso fosse por si só um absurdo completo.  – Uma. Maldita. Autorização. Brian! Como se fosse um maldito passeio de colégio. Até você tem que ter percebido que tem algo errado com isso.

 

- Jesus Cristo, relaxe garoto, é apenas uma publicidade. Por que você não se junta aos outros e vai ler os arquivos das meninas, hn? Talvez tenha algo lá que te faça mudar de ideia.

 

- Duvido. – John disse mal-humorado.

 

Brian deu um suspiro derrotado.

 

- Se você se comportar durante essa semana, assim que acabar te dou dois dias de folga, sem entrevista, sem publicidade, sem câmeras, nadinha, que tal?

 

- Três dias, dois para banda toda e um só para mim e serei um anjinho.

 

Brian o encarou, teria muito trabalho se concordasse com aquilo, mas sua outra opção era corrigir um escândalo causado por Lennon destratando as garrotas ou tendo alguma atitude que devia ficar longe dos olhos da mídia.

 

- Fechado. Mas você vai se comportar tão perfeitamente que até a Rainha vai ficar impressionada e me obedecer essa semana ou em vez de folga vai ter é ainda mais trabalho. Entendeu?

 

- Sim, senhor. – disse debochado enquanto batia continência, Brian riu, tinha o coração mole demais quando o assunto era aqueles moleques. – Soldado Lennon pronto para o serviço, mas alguma ordem, capitão?

 

- Vai olhar as fichas, John. – ele disse tentando não dar outra risada.

 

John o lançou um olhar vitorioso.

 

- Missão recebida.

 

Disse engrossando a voz e batendo uma segunda continência, antes de sair marchando em direção a porta.  Típico.

 

...

- Olha só quem decidiu aparecer.

 

Paul brincou, embora houvesse sim um certo tom de repreensão em sua voz.  O suficiente para Lennon debochar com um revirar olhos, enquanto os outros dois membros da banda viravam os olhares para John.

 

- Eu sei.  É impossível não querer olhar para alguém tão incrível. – disse em um tom convencido, não que realmente pensasse assim, mas era o que o momento pedia. – Mas temos três perfis para analisar, em breve quatro, e um cronograma para montar com base nisso.  Adiantem, rapazes, ou vamos perder o almoço.

 

- Nem comece. – George reclamou. – Você se atrasou, você fica na hora do almoço, eu preciso de comida para viver.

 

- Uau que característica única. – John disse arrancando risadas dos outros dois.

 

- Não zombe da minha fome.

 

- É agora que começa um pornô estranho? – Paul perguntou atraindo olhares confusos.

 

- Que tipo de filme você anda vendo, Paullie? – Ringo debochou. - Aliais isso tudo é muito feio de se dizer.

 

Paul ficou vermelho.

 

- Eu não ando vendo filme nenhum, Ringo.  É só que confundi um daqueles filmes de terror estranhos do John com um filme adulto que tava na recepção do hotel e...

 

- Lembranças reprimidas, lembranças reprimidas...  Por favor, Macca não desreprima elas. – John interrompeu com uma careta.

 

- Pera então vocês assistiram um pornô estranho juntos? – Ringo disse rindo, e George o acompanhou, deixando Paul ainda mais vermelho e John claramente desconfortável.

 

- Não foi bem assim, no início parecia mesmo um filme de terror... aí depois começou a ficar estranho e aí a fita emperrou! – John começou a dizer.

 

Era incrível como aquele tipo de mal-entendido só acontecia consigo.  Nem fazia sentido, quando realmente estava escondendo alguma de suas “tendências duvidosas” sempre fazia com perfeição, mas quando estava querendo fazer coisas normais como assistir um filme com um amigo ou viajar com Brian, aí essas coisas aconteciam.  Se tivesse uma entidade superior em algum lugar, John tinha certeza que ela adorava rir da sua cara.

 

- Era só ter saído da sala. – George disse como se os dois fossem estúpidos.

 

- Eu fiquei curioso. – John disse na defensiva.

 

- Curioso uma ova, você começou a vomitar e não quis te deixar sozinho lá. – Paul respondeu acusatório.

 

- Sobre o que era esse filme afinal? – George perguntou finalmente cedendo a curiosidade.

 

- Não queira saber. – a dupla respondeu em uníssono, trocando um soquinho amigável em seguida, era uma coisa idiota, mas os dois sempre faziam quando estavam em sincronia.

 

- Mas...

 

- Chega, temos trabalho a fazer. – John disse agarrando uma das fichas e tentando fingir que tinha ao menos o mínimo de interesse naquelas meninas, teria que viver com elas afinal, embora a ideia o deixasse desconfortável.  – Primeira vencedora, que diabos de nome é esse?

 

- É miopia. – Paul debochou, antes de pegar o papel da mão do amigo. – Melinda Taylor, tem dezessete anos, e é linda. – deu uma pausa. – Pena que é burrinha.

 

- Ué, por quê? – Ringo perguntou curioso.

 

- O favorito dela é o George.

 

Os dois Beatles mais velhos riram, enquanto o caçula lançou um olhar irritado para Paul. Não que tenha durado muito, logo se virou para analisar a garota da foto e tinha que concordar ela era muito bonita.   E sorriu, talvez até fosse a mais bonita, e por mais idiota que fosse contou como uma pequena vitória em relação a Paul.

 

- Tá, tem mais alguma coisa aí? – John disse quando conseguiu conter o riso. – Gostos ou algo do tipo? Temos que montar um cronograma só para agradar essas meninas, então espero que tenha algo bom.

 

- Aqui diz que ela listou como principais gostos, assistir filmes de romance, nós, bolo de chocolate e cozinhar.

 

John revirou os olhos, enquanto George soltou um “ela sabe cozinhar? ” feliz.   Era uma menina de dezessete anos e tinha listado gostos tão superficiais, mas afinal o que esperava era um questionário vazio sobre a banda, um cupom que vinha na coca e um sorteio, quem mais veria algo assim? E provavelmente ele só estava pensando demais.  Nenhuma novidade realmente.

 

- Certo, escolhemos um dia qualquer para ser dela, assistimos a comédia romântica que está em cartaz e o George diz que soube que ela gosta de cozinhar e pede um bolo de chocolate.

 

- Yay. – George disse de forma meio infantil. – Vou ganhar bolo e de uma garota bonita. Uhuu.

 

- Podemos assistir Beija-me Idiota? – Ringo perguntou ignorando a comemoração do mais novo. – Quero muito ver.

 

- Sim. – Paul disse entusiasmando para a alegria do baterista.  – Tem a Kim Novak, acho ela linda.

 

Por mais que houvesse um estigma sobre isso, os dois eram grandes fãs de comédias românticas e normalmente usavam encontros ou atrizes bonitas para parecem menos “duas bichinhas”.  No fim, George e John simplesmente fingiam acreditar nessas desculpas, até porque mesmo não sendo fãs, nenhum dos dois realmente entendia o que havia de errado em um homem gostar desse tipo de filme, só sabiam que as pessoas viam assim.  E era apenas por esse estigma idiota que John decidiu não fazer uma piada sobre como Paul havia discutido com Martin por meia hora tentando explicar porque não via graça em Novak.  Não iria chamar seu amigo de bicha. Não iria nem tocar naquela área especifica das coisas.

 

- Beija-me Idiota, então. – John disse com uma quase reverência debochada. – Próxima, Paul.

 

McCartney revirou os olhos, mas puxou o segundo papel da mesa.

 

- Elisabeth Dallas, tem vinte e três anos, é quase tão linda quanto a outra e eu sou o favorito. – disse a última parte com orgulho, sempre gostou de ser popular entre as meninas. – Essa disse que suas coisas favoritas são passear no parque, ler poemas, nós e tricotar.

 

- Poemas, hm? Se não tivesse um gosto duvidoso seria minha favorita. – Lennon debochou. – Essa é fácil, tiramos um dia todo para conhecer o famoso Central Park, aproveitamos e fazemos algum ensaio de fotos ou algo assim por lá, depois tocamos alguma música nova para as meninas e se ela trouxer alguma coisa tricotada de presente todo mundo tem que fingir que gostou, principalmente o Macca.

 

Paul bufou. Era responsável o suficiente para entender onde John estava indo e não reclamar, tinham que agradar essas meninas se quisessem a mídia longe dos quatro por um tempo.  Mas tinha que admitir que preferia não ter que usar um suéter ridículo ou algo do tipo.  Digam asneiras o quão quiserem, mas ele se importava sim com sua aparência, estar bonito é o primeiro passo de confiança e autoestima e todos deviam tentar.

 

- Certo, a terceira tem treze anos, ou melhor, tem doze, vai completar treze anos no último dia do concurso, ou seja, seja lá quem for o favorito dela, nada de beijos.  Se chama Alexia Clark e o favorito é o John, parabéns Johnny ela é adorável.

 

- Só o que faltava. – murmurou. – Continue.

 

- As preferências dela são ler, filmes ruins que são tão ruins que são engraçados, doces, I’m a loser e Little Richards.

 

John piscou, aquela criança havia realmente citado uma música, nada de Beatles ou quero casar com vocês?  Isso era um nível completamente diferente de qualquer outra coisa.  Ainda assim era uma criança.

 

- Podemos ir numa doceteria, é um bom lugar para levar uma criança e tem uma livraria perto, ela pode escolher algo depois e damos de presente. 

 

- Bom, só falta a do Ringo. – Paul disse com um sorriso.  No fim, todos imaginavam que Epstein ia fazer questão de mover os dados para cada um ser o favorito de uma das meninas, era uma boa jogada, afinal não pareceria que um era o mais popular e, portanto, a mídia não teria espaço para suas intrigas.

 

- Espero que ela seja legal.

 

- Olhe pelo lado bom, dificilmente vai ser tão ruim quanto a do John. – George debochou. – Pelo menos um de nós vai realmente cumprir a regra de não se relacionar com as garotas.  Parabéns, Lennon.

John realmente tentou não demonstrar sua irritação com a ideia de ficar de babá, afinal sendo o favorito a pirralha ficaria muito mais tempo orbitando ao seu redor e ele tinha concordado com Brian sobre se comportar.  Ah, se ao menos ele soubesse lidar com crianças!

 

- Eu estou é com pena dessa criança. Eu e o Geo estaremos paquerando meninas lindas e ela vai estar ouvindo o John tentar descobrir o que diabos uma pré-adolescente gosta e falhar miseravelmente. – Paul disse com um sorriso debochado, sabia sim que aquilo seria um desafio para Lennon, mas não seria tão ruim. E embora não fosse admitir havia uma parte dele realmente feliz que John não pudesse ter um caso com alguém do concurso.

 

- Será que a minha garota gosta de baralho?  - Ringo disse distraidamente, diferente dos outros realmente via uma boa chance de fazer novos amigos daquela confusão toda.



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