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História Histórias que eu talvez conclua - Capítulo 6


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Notas do Autor


Essa é a última e a que tem mais chances de um dia virar uma fic de verdade com começo, meio e fim. É só o que tenho a dizer sobre ela.

P.S: o corona atrasou o lançamento da terceira temporada de Ducktales e tenho certeza que esse não será o único adiamento. Então valeu por estragar uma das poucas coisas que tava me mantendo okay com minha crise dos dezoito anos. E sim esse é um problema imbecil, mas eu tô com sono e me sentindo emo (help! eu realmente não sou emo) então tá tudo certo.

Capítulo 6 - Rebeldes


v

Ronnie,

 

Recebi sua carta. 

 

Okay, talvez não devesse fazer uma pausa dramática de uma linha, principalmente em um assunto tão sério, mas você me conhece, de qualquer maneira, eu concordo.  É ridículo que depois de tantas mensagens trocadas não conheçamos nada sobre a realidade um do outro!

 

Eu poderia perder ainda mais tempo explicando porque demorou tanto ou porque acho que esse é o momento certo.  Mas, você já sabe disso, não é mesmo? 

 

Seu mundo é estúpido (estou sendo leve aqui), e não se iluda pensando que nossa forma de governo é diferente. São só dois modos de ditadura.  E a minha é quase pior.  Posso ser suspeito de falar, mas ainda assim é horrível.  No mundo em que vivo as crianças são propriedades do governo e todo nosso destino é decidido por testes, do emprego que teremos as roupas que usamos. 

 

Livre arbítrio sequer pode ser considerado uma mentira. É só um pecado, um erro, um crime.  Somos privados até mesmo das menores decisões.  Não há escolhas.  Não há caminhos.  Só O Conselho.   

 

Amizades?  Você pode pensar que tem escolha aqui, mas se O Conselho discordar de sua escolha de amigos eles VÃO te afastar deles.   Amor? Isso é um crime, devemos amar apenas o nosso país e O Conselho.  Família?  Essa é a maior piada de todas. Pertencemos ao Conselho. E assim serão os nossos filhos e os filhos deles.

 

Temos uma coisa em comum, ao menos, seu mundo e o meu.  Morte é a punição por simplesmente ler um livro que não esteja na biblioteca central.  E por mais diferente que seja: estamos sempre em guerra.  Divertido, não? (lê-se sarcasmo).

 

Mas e se eu te contar que houve um tempo que tudo era diferente?  O mundo nunca foi perfeito, mas sei que já foi melhor.  Tudo que nos contam sobre isso é uma grande mentira! E no antigo mundo quando as coisas ficavam feias as pessoas lutavam.  Está na hora de começarmos nossa Revolução, não?

 

Me garanta New York, L.A e os dados de Washington. E eu prometo que te garantirei os postos de Liverpool, Londres, Hamburgo e Paris.  E se estiver conosco no dia combinado a nossa resistência silenciosa será reconhecida e teremos concluído a primeira fase! Justos iremos para o inimaginável.

The Wairus

P.S:  vocês têm alguma conduta de vestimenta por aí?   Porque David provavelmente vai quebra-la assim que souber que pode usar um disfarce.

...

 

John Lennon deu um pequeno sorriso enquanto terminava de dobrar a carta.  Faltava apenas quatro pontos de contato para que tudo fosse perfeito!  E ele tinha muita confiança de que Astrid conseguiria os países nórdicos e David e Ronnie abririam contato com a América do Sul.

 

- E é assim que fazemos história. – disse convencido, enquanto colocava o envelope no fundo falso de um livro chamado Guia de Missões Estrangeiras: Orgulhe seu País.  

 

Em seguida deslizou o livro em sua mochila, pequena e de um tom de verde desbotado, nada que ele escolheria se tivesse a chance.  Não pode evitar de olhar sua imagem no espelho.  Era decepcionante.  Usava uma camiseta verde de botões e uma calça bege – que ao menos vinha com um bolso para colocar pincéis – e sapatos brancos gastos.  Suspirou. Mesmo suas roupas eram deles.  Ao menos tinha o cabelo.  Num tom de castanho avermelhado, Lennon havia ficado maravilhado ao descobrir que por mais olhares curiosos e confusos que atraísse, cortar o cabelo não era obrigatório por lei! Entre escolher das duas únicas opções disponíveis e ser igual aos outros e deixar crescer e ser diferente. John não pode evitar sorrir com a ideia de um pequeno controle.

 

- Sabe que não vai mudar o mundo se chegar atrasado, né? – John quase deu um pulo assustado, desviando os olhos do espelho para encarar a figura de Elton John, seu colega de apartamento e um dos poucos membros de seu pequeno círculo de amizade. – David deve estar maluco te esperando naquele aeroporto sozinho!

 

-  Não se preocupe Elton, sei o que estou fazendo, - e tentando mostrar-se vitorioso completou com seu melhor sorriso. – E ainda falta tempo o voo só sai cinco horas.

 

- Cinco?? Já são quatro e quarenta, John!!

 

Ah, merda! John sequer disse qualquer coisa, apenas saiu correndo porta a fora, torcendo para que seu comportamento incomum não levantasse suspeitas, ou pior o fizesse ser tachado de louco, em ambos casos preferia sequer pensar nas consequências.  Em outras situações se esforçaria para manter a calma independente das circunstâncias, mas restava muito pouco tempo e ele simplesmente não podia perder uma oportunidade daquelas.  As viagens eram escolhidas e mandadas pelo Conselho e ir para um país de regime diferente era quase impossível, ainda mais se você não fosse um militar! E depois de todo o esforço para mexer os pauzinhos e fazer com que David tivesse seu “intercâmbio de graduação” em uma “missão civilizatória” nos Estados Unidos ele simplesmente não se perdoaria caso perdesse essa chance, ainda mais com um motivo tão bobo como ter se atrasado.  

 

Mais tarde John seria completamente incapaz de dizer como chegou a tempo na base da corrida.  Na verdade, não ia lembrar muita coisa.  Só o olhar chocado de David, o livro sendo entregue a Bowie, sussurros de revolução e sua visão escurecendo.  Havia corrido mais de um quilômetro em menos de vinte minutos, sob alta privação de sono e sem ter sequer tido um café da manhã! Sua mente estava girando.  Ah, teve mais uma lembrança.  Essa era de olhos verdes preocupados e braços fortes o impedindo de cair no chão.

 

Elton ainda riu muito enquanto contava como John chegou desmaiado carregado no estilo noiva por um estudante transferido de Manchester que disse que ele devia ter mais cuidado. Ele riu mais ainda quando percebeu que sendo John o “aluno de ouro” do instituto ele teria que apresentar o tal novato pelos lugares.  E não como John Lennon o revolucionário rebelde e seu melhor amigo idiota. Mas como o nerd certinho e extremamente orgulhoso que se sentia honrado em servir o Conselho e era quase adorável se não mantivesse um pouco do senso de humor. 

 

- Eu não consigo ver graça nisso. – John disse emburrado enquanto comida uma das várias barras de nutriente que ocupavam a dispensa (o governo escolhia sua alimentação também, uhuu!). – Esse troço é horrível!

 

- Conhecendo o seu ... nem sei se posso chamar de senso de humor... se a situação fosse com qualquer um de seus amigos você estaria morrendo de rir.  – Elton disse cético, propositalmente ignorando a reclamação do acobreado, afinal seria desnecessário concordar com um fato tão óbvio quanto à qualidade, ou mais especificamente a falta desta, das comidas oferecidas para a população. Na verdade, o mais novo até se sentia mal ao pensar que aquilo era o oferecido a elite, e não pensava só na comida. Se eles que tinha tratamento especial ainda tinha aquela vida de merda, temia o que estava reservado aos outros.

 

- Sinto falta de quando dividia apartamento com o Bowie.

 

- Honestamente como você consegue convencer Brian a sempre te deixar um amigo rebelde como seu colega de quarto? Ano passado eu peguei o Best! E a Yoko quase matou a Jane Asher.

 

- Eu tenho meus truques. – disse simplesmente, e soltou um pequeno risinho.  Nunca iria esquecer da briga de Yoko e Jane, a cena das duas no chão puxando o cabelo uma da outra sempre o fazia rir como um lunático.

 

Jamais admitiria que seu truque consistia em usar a faceta de bonzinho para inocentemente seduzir o coordenador que obviamente o olhava de maneira diferente desde o primeiro dia.  Em partes porque seria péssimo para a imagem forte e misteriosa que o grupo havia criado para seu líder e em partes porque Brian era um bom homem e tinha certeza que se não estivessem ambos corrompidos a sua maneira por esse mundo caótico os dois poderiam ter sido bons amigos.

 

- Viu! Seu senso de humor é cruel!

 

- Ainda não vejo graça no fato de que terei que auxiliar o cara que me pegou desmaiado no aeroporto.

 

- Bem, se você pudesse ser você, também não veria. – Elton disse e completou com um sorriso malvado. – Mas o John Lennon que eles conhecem, o garoto de ouro de Liverpool... ele é muito... digamos... passivo.  Já consigo imaginar você olhando para o chão e dando um obrigada todo tímido enquanto se mata por dentro porque queria ter uma conversa normal.

 

- Uau, muito divertido. O Elton Jon que eles conhecem corrige todos os erros gramaticais e fica se esnobando a cada cinco segundos e eu nunca disse nada!

 

- Eu não pareço uma criança de cinco anos tímida e carente!!! Você regride seis anos de idade.

 

- Você percebe que eu sou o líder, né? – Elton piscou confuso, John podia ser um bastardo, mas nunca antes tinha usado aquele fato específico para se fazer de superior ou ganhar um argumento. Nunca tinha se orgulhado de ser o líder da revolução, ao contrário já tinha deixado bem claro que só pegou o título porque ninguém mais queria fazê-lo e ele não podia esperar as coisas mudarem por si só. – Ou seja, quando você implica que tenho onze anos de idade, você está seguindo um pré-adolescente!

 

Elton sorriu. Feliz que isso não tivesse mudado, afinal.

 

- O governo está apaixonado por uma criança de maternal, estou na vantagem.

 

John riu.

 

- Deseje a essa criança de maternal sorte.  – disse lendo a mensagem que aparecera na tela de um pequeno aparelho que carregava no bolso. – Tenho que levar o novato Paul McCartney para um tour e nem posso agradecer com uma piadinha.  Eu odeio atuar.

 

- Eu amo sua atuação.

 

- Porque você pode mandar em mim enquanto eu tô sendo todo passivo! – John resmungou, embora estivesse feliz.   Novatos ou não, tinha conseguido mandar sua mensagem para Ronnie. E a Revolução estava dando mais um passo em direção a vitória.  Se enquanto isso ele teria que ser um estudante de artes sem opinião e extremamente passivo (assim como o estado o havia criado para ser) então era um preço válido a ser pago.

 

- E porque é hilário.

 

- Vai se foder, seu filho da puta!

 

Elton ergueu uma sobrancelha.

 

- Isso foi meio gratuito.

 

- Só queria poder falar uns palavrões antes de entrar no personagem e ficar: “não diga essas coisas”.

 

Os dois riram.

 

- Paul McCartney, lá vou eu.


Notas Finais


vou dormir, foda-se.

P.S: se por algum milagre você leu até aqui, obrigada mesmo, te amo.


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