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História H(L)Ove - Capítulo 12


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Notas do Autor


e aí, galero? não esperavam me ver tão cedo, né? pois é, eu também não, vou ser bem sincera. porém, eu tinha que terminar essa estação logo para podermos passar para a primavera de uma vez. que se vá o inverno!

a partir do próximo capítulo as coisas ficam um pouco mais interessantes. a primavera vai trazer confissões, explicações e a introdução ao nosso drama principal... serasi vocês já têm teorias montadas??? quero ver, hein!

boa leitura!

Capítulo 12 - L'hiver; end of season (part 3)


Eu tinha gastado boa parte da minha economia em um presente decente para a avó de Chaewon, como um agradecimento por nos chamar — Yerim, Yeojin e a mim — para passarmos o Natal em sua residência, uma vez que JinSoul, sua mãe e sua madrasta haviam viajado assim que as férias de Inverno começaram e Hyejoo e sua família fizeram o mesmo, levando Soyeon e Becky para a casa da família Jeon, no interior da cidade de Napa. 

Chaewon, supostamente, também era para estar longe de Loonaville, em uma ilha tropical do Brasil com seus pais, mas ambos eram pessoas de negócios e adiaram seu voo e de sua avó por conta de uma parceria que estava prestes a ser confirmada, forçando ambas a permanecerem na cidade durante o feriado.

Nossa amiga estava claramente incomodada com o imprevisto — Yerim comentou coisa ou outra sobre ela reclamar do quanto seus pais a negligenciavam com frequência —, porém vinha tentando esconder, como a boa membro da corte de Loonaville que era, com sorrisos falsos e frases curtas que não entregassem o seu mau humor. Não deixou de nos incluir em seus planos, todavia. 

Seu motorista nos buscou pouco antes das oito da noite e nos deixou na porta de sua casa dezessete minutos depois. Era a primeira vez que eu e Yerim conhecíamos a sua residência, e esta era quase tão grande quanto a de JinSoul, e definitivamente maior que de Hyejoo, apesar de ser mais luxuosa que as outras duas combinadas. 

Somente a calçada tinha colunas e enfeites e detalhes dourados, e em seu interior tudo o que encontrei foram objetos de ouro e decoração cristalizada que, com toda a certeza do mundo, custavam mais do que a minha vida. Céus, a família Park conseguia ser mais exibicionista que a diretora Ha. E olha que ela andava exibindo uma BMW cinza pelas ruas. 

Com a casa surpreendentemente repleta de empregados, Chaewon nos recebeu em sua sala de jantar, que mais parecia a fábrica de brinquedos do Noel no filme A Origem dos Guardiões com a decoração fiel, trajando um vestido vermelho sangue com detalhes em branco que a fazia parecer a princesa do Natal, ao tempo em que sua avó, Grace Park, era definitivamente a personificação da mamãe Noel, nada parecido com as calças jeans que vestíamos ou até com o vestido azul com que Yeojin estava arrumada. Porém, a roupa da mulher mais velha fez a criança entre nós pular e gritar e correr para abraçá-la antes mesmo de desejar boa noite. 

A senhora Park sorriu graciosamente a afastou com cuidado, seus movimentos lentos pela idade. — Feliz Natal, querida, — ela desejou, as maçãs do rosto se espremendo com seus olhos.

— Espero que vocês estejam com fome, — comentou Chaewon, como se ela não soubesse que em nenhuma situação eu rejeitaria comida. — Eu fiz questão de que não faltasse nenhum prato tradicional para podermos aproveitar essa noite como deve de ser. 

Seu sorriso forçado apenas serviu para me evidenciar o quão em crise sua mente estava. Ela era alucinada por controle e toda essa situação com os pais a devia estar levando à loucura. Sabendo disso, Choerry a abraçou pelo dobro do tempo esperado, soltando-a somente quando a loira sentiu-se tão desconfortável com o aperto que começou a dar palmadinhas em suas costas. 

Sem mais delongas, uma vez que nossos estômagos estavam sendo provocados pelos aromas diversos do ambiente, nós sentamos e comemos, e eu tive a oportunidade de experimentar comidas que jamais tinha sequer ouvido falar. 

— Minha família materna é brasileira, — Chaewon explicou quando eu perguntei sobre o peru em pleno Natal. 

Grace Park sorriu em concordância e tomou a voz. — Nós juntamos muito da cultura brasileira com a coreana e a americana, querida, como forma de representar todas as nacionalidades em nosso sangue. Sem falar que Chae gosta muito da comida do Brasil! 

Elogios para cá, elogios para lá, tomamos nosso tempo e, ao ver que todas tínhamos terminado a refeição — meu estômago não conseguiria receber mais comida nem se minha vida dependesse disso —, Grace ofereceu nos mostrar fotos antigas de família e eu jamais perderia a chance de encontrar algo de Chaewon para zoá-la com e, portanto, seguimos para a sala de estar, onde uma grande árvore de estendia próxima a um canto da parede, decorada com enfeites, luzes piscantes e uma enorme estrela brilhante no topo. Alguns presentes estavam debaixo da árvore e pude ver o que comprei para nossas anfitriãs sob um galho que piscava em azul. 

Yeojin se encantou com a decoração natalina e nos deixou para brincar com o trenzinho de brinquedo no chão enquanto eu e Yerim tomávamos espaço no longo sofá de veludo e esperávamos Chaewon retornar do andar superior com sua avó. 

— Quando crescer, quero ter uma casa assim, — murmurou Yerim em tom sonhador, profetizando todos os meus medos em relação a ela e nossas amizades. 

Por mais que tivéssemos oportunidades na vida, vindas depois de todo o esforço que pessoas como JinSoul e Chaewon jamais teriam que fazer, fosse qualquer a área que escolhessem trabalhar, não havia chance de ganharmos o suficiente para comprarmos uma casa daquelas, e Yerim — ou pior, Yeojin — acostumarem-se com aquela realidade era meu pior pesadelo, porque eu seria obrigada a vê-las sofrerem posteriormente com a mudança de ambiente e, ainda mais ruim que isso, teria que puxá-las para a realidade, já que não seria capaz de lhes dar algo assim. 

— Você está pensando alto demais, Yerim, — comentei ao notar sua expressão intensa. Ela fitava a grande placa de carvalho branco que ambas sabíamos que escondia uma televisão enorme. — O que é? 

Ela balançou a cabeça em negação. — Relaxa aí, Lippie. 

Eu teria insistido ao menos uma vez mais se Grace Park não tivesse entrado na sala com um álbum grosso de fotos, seguida de uma Chaewon que carregava uma caixa de chocolates que só foi aceita por Yeojin, a única de nós que ainda conseguia pôr alguma coisa no estômago, como a boa formiga que era. Ela demoraria séculos para dormir graças a todo aquele açúcar.

— E aqui é a Chae com seis anos. Ainda estávamos na Coréia nessa época, — Grace sorria como se estivesse revivendo cada um dos momentos capturados nas fotografias que nos apresentava. 

Era realmente frustrante ver que Park Chaewon não tivera sequer uma fase ruim em sua vida, tendo sido sempre um bebê angelical, para então formar uma criança adorável e uma pré-adolescente com carisma o suficiente para ser modelo infantil, florescendo como a jovem extremamente bonita que era nos dias de hoje.  

— Gosto do seu cabelo preto, Park, — comentei ao alcançar uma foto sua de, talvez, cinco anos atrás, em seu primeiro ano em Loonaville. 

Ela era a única em nosso grupo que não crescera na cidade, tendo nascido na Coréia e somente saído aos nove anos, quando mudou-se para o Brasil por três anos graças às empresas de sua família e, finalmente, chegou em Loonaville, uma vez que sua avó tinha se cansado de acompanhar a vida agitada dos filhos e se ofereceu para cuidar da neta em um lugar mais tranquilo, como nossa pequena cidade dentro da Califórnia, tão esquecida que nem mesmo turistas se interessavam por ela. Todavia, como sua origem derivava de uma imigração grande de coreanos, esta era famosa entre os amigos de longa data de Grace. 

— Oh, querida, eu também! — Grace concordou. — Mas minha Chae queria se parecer com as meninas daqui, e eu não iria privá-la de um pedido tão singelo. 

As palavras saíram de sua boca com amor; todavia, a menina não pareceu gostar, endurecendo a feição e pedindo licença ao retirar o álbum do colo da avó, abandonando-o em cima de um dos armários.

— Eu o prefiro assim, — ela murmurou, suas mãos automaticamente acariciando uma mecha aleatória dos fios claros.

— É o seu cabelo, Chae, — lembrou Yerim, que vinha estado estranhamente calada. — Só você decide o que fazer com ele. 

Não quis me meter naquele drama, principalmente porque eu só havia levantado um comentário inocente que era nada mais que um elogio, e estava mais do que explícito que questões pessoais se escondiam ali. Se a escolha da loira era ignorar, assim seria a minha. 

Como se sentisse as interrogações em nós, Chaewon pigarreou e apalpou a saia do vestido, como se houvesse algo lá para limpar. Ela se moveu sobre os saltos altos e buscou pelo relógio de madeira que decorava a parede acima de sua lareira.

— Vovó, já é meia noite, — anunciou, e sua avó pulou de excitação do sofá, levantando-se e alcançando a árvore a passos lentos. 

— Pegue para mim, querida, quero entregá-los agora mesmo, — ela pediu e, em seguida, a neta estava agachada no chão recolhendo os presentes e entregando à mais velha. 

Minhas sobrancelhas se arquearam em surpresa porque não estávamos esperando presentes, e eu, se estivesse sendo sincera, não me sentia confortável de recebê-los de Grace. Mas quando aquela mulher velha e fofa me direcionava um sorriso, eu sabia que não conseguiria desfazer sua noite feita de Natal nem se quisesse muito. 

— Presentes? — A audição superpoderosa de Yeojin se fez presente e ela gritou, abandonando o trenzinho do chão e correndo até Grace. — Há algum para mim? 

— Yeojin, — chamei-lhe atenção. Ela corou, envergonhando-se, e se refugiou em meu colo. 

— Não faça isso, querida. Está tudo bem, — a mais velha me garantiu.

Chaewon sorriu. — Temos presentes para todas vocês. 

Senti Choerry ficar inquieta ao meu lado, repetindo incessantemente que não era necessário, mas nada convenceria as Park a desistirem e, de qualquer forma, elas já tinham comprado o que quer que fosse; logo, era nosso dever aproveitar. 

— Yeojin, estes são para você, — minha amiga entregou-lhe não um, mas três embrulhos coloridos. 

— Três presentes? — Ela tratou de abandonar meu colo e pulou em excitação, os pequenos olhos arregalados pela surpresa. Pegou-os com pressa e teria sentado ali mesmo onde estava para abrí-los se Yerim não lhe tivesse chamado atenção e a forçado a sentar ao seu lado. Quando vi, a pequena já os estava desembalando. 

— Bem, eu e JinSoul decidimos te dar uma coisa e Hyejoo pensou em algo diferente, — explicou Chaewon. — Vovó, é claro, jamais aceitaria não ter um presente em seu nome, apenas, e cá estamos. 

Grace se aproximou de Yeojin para ajudá-la e, coincidentemente, a primeira caixa vinha dela. 

— É um tênis patins, querida. Minha irmã disse que está muito na moda entre as crianças de Seul, — disse, energética como nunca. — Quando Chae me disse que uma criança viria, foi tudo no que consegui pensar! 

Yeojin não esperou conseguir ver o modelo do tênis para atirar-se contra a mulher e abraçá-la. — Obrigada, senhora Park! 

Sorri com a cena e assisti a pequena terminar sua tarefa, ganhando um patinete de Chaewon e JinSoul e a coleção de bonecas da turma da Hello Kitty. Seu rosto se iluminou tanto ao ver sua personagem preferida como brinquedo que eu até esqueci de Chaewon, que ainda estava de pé esperando a atenção voltar a ela. 

Ela entregou dois pacotes a mim e dois pacotes a Yerim, e, aparentemente, havíamos ganhado a mesma coisa porque os formatos eram iguais. O primeiro que abri se mostrou ser peças de roupa de marcas de luxo. Vivendo no meu bairro, eu jamais poderia exibir coisas assim pela rua, ainda mais quando me movimentava a pé, então deduzi que este vinha de Grace, e lhe agradeci sem nem mesmo saber se o conjunto trava-se de calça, saia ou short. Yerim, pelo que consegui ver, apaixonou-se por seu vestido roxo. 

O segundo presente, uma caixa pequena e retangular, fez-me quase desmaiar e minha colega de quarto começou a gritar de emoção. Era um celular, o modelo mais novo, assim como o das meninas, já vindo com chip e capinha decorativa.

— É meu, de Hyejoo e de JinSoul, — Chaewon disse, um sorriso gentil e quase inexistente nos lábios pintados. — Queríamos entregá-los juntas, mas não achamos uma boa ideia já que ambas estão fora da cidade até o retorno das aulas e eu estarei fora do país daqui três dias.

Levantei-me para abraçá-la e minha ação a surpreendeu. Pois é, surpreendeu a mim também, uma vez que aquela fora a única vez em que abracei Park Chaewon sem estar acompanhada das meninas, e ela sorriu. Choerry imitou meu gesto em questões de segundos.

— Pelo menos agora eu não tenho que te ouvir reclamar por não poder ouvir música, — Yerim tinha um ponto e, pensando sobre o assunto, ela estava mais do que certa. 

— Pelo menos agora eu posso parar de fingir não te ouvir e passar a realmente não te ouvir, — alfinetei, mas ela riu, aproveitando meu momento sensível para me roubar um abraço também. 

Depois disso, pusemos os aparelhos eletrônicos para carregar e as duas horas que ainda ficamos na residência dos Park passou rapidamente. Nó comemos mais um pouco assim que se fez espaço em nossas barrigas e jogamos uma partida de Banco Imobiliário após os pedidos insistentes da anfitriã mais nova. O jogo mostrou-se não ser tão ruim ou entediante, como eu pensava, e eu enriqueci e comprei uma parte considerável das propriedades do tabuleiro, ao tempo em que Grace e Yerim faliram; Chawon escolhera ser o banco e Yeojin estava ocupada demais brincando no chão para prestar atenção em nós. Quando paramos para olhar as horas, já eram três da manhã. 

— Foi um prazer ter vocês conosco nesse feriado, querida, — disse Grace ao me abraçar em um gesto de despedida. Estávamos na porta de sua casa e seu motorista nos esperava. — Façam mais visitas!

— Tentaremos, senhora Park, — prometeu Choerry, deixando um beijo em sua mão e se afastando para abraçar Chaewon mais uma vez antes de lhes desejar boa noite e entrar no carro. 

Imitei suas ações e direcionei-lhes um aceno de mão, agradecendo de novo pela noite, e fechei a porta do carro. Teríamos chegado mais cedo em casa graças à falta de congestionamento se não fosse pela necessidade de abastecer o carro, e meu celular — que eu vinha segurando na mão depois de quase esquecê-lo na casa de Chaewon, já que não estava acostumada possuí-lo — apitou.

Era uma mensagem de um número já gravado, pelo que a barra de notificação mostrava. Coloquei-o em modo de vibração e abri o aplicativo.

 

Minha Namorada

Já está em casa? (03h23)

Chae me disse que vocês saíram de lá há dez minutos (03h23)

Jungeun

(03h24) você salvou o seu número no meu celular?

Minha Namorada

Sim, é claro (03h24)

Favor não mudar o nome do contato (03h24)

Jungeun

(03h24) agora que você falou...

Minha Namorada 

YAH! (03h25)

KIM JUNGEUN! (03h25)

Jungeun

(03h26) tarde demais

Princesa de Loonaville

O que você colocou? (03h26)

Como você colocou?* (03h26)

Jungeun 

(03h26) você vai ver quando voltar

Princesa de Loonaville

Eu juro que você me odeia (03h27)

Jungeun 

(03h27) é, alguma coisa assim

(03h31) obrigada pelo presente

Princesa de Loonaville

Foi por motivos totalmente egoístas! (03h32)

Dormir sem ouvir a sua voz estava me deixando maluca (03h32)

Jungeun

(03h32) sei, acredito

(03h33) esse é o seu jeito de dizer que quer uma ligação?

Princesa de Loonaville

Uma só não… (03h33)

Você vai ligar? (03h33)

Jungeun

(03h34) quando eu chegar em casa

(03h34) vê se não dorme antes de aceitar a ligação, ao menos

Princesa de Loonaville

Kimberly, isso só aconteceu UMA VEZ (03h34)

E foi porque você estava jogando com a Hyejoo (03h34)

Jungeun

(03h34) tá

 

Quando o carro parou em frente ao orfanato, Yeojin estava dormindo com a cabeça apoiada no ombro de Yerim, e por isso tive de carregá-la enquanto Yerim desejava boa noite ao motorista e abria o maldito portão que eu nunca conseguia fechar direito. 

Esperei-a entrar e trancar as portas para rumar em direção ao nosso quarto, deixando Yeojin em sua cama e aconchegando-me na minha logo em seguida. Como prometido, busquei pelo nome de JinSoul na minha lista não tão extensa de contatos assim que me livrei das roupas que me apertavam o corpo e, pela primeira vez, eu dormi em ligação com Jung JinSol.

 

(...)

 

Faltavam cerca de vinte minutos para a meia noite — isso se o relógio da Hello Kitty de Yeojin ainda estivesse marcando as horas certas — e nós estávamos no Miradouro de Santa Olívia, que estava longe de estar tão arrumado quanto na noite de nosso pequeno baile improvisado. Pelo contrário, ele exalava o vazio e o silêncio. Mas era um espaço somente nosso durante aquela noite e apenas isso importava.

A brisa fria batia em nossos corpos e, como as calças de moletom e os suéteres não nos aqueciam o suficiente — o Miradouro era no alto da colina, afinal, e na frente da praia —, havíamos trazido cobertores com os quais nos cobríamos naquela noite. 

Costumávamos passar o Ano Novo em um lugar diferente todos os anos, e me pareceu condizente este ano que assistíssemos as queimas de fogos de artifício ali, já que o pátio havia sido palco de um evento memorável para nós três, e adicionar mais uma lembrança a ele não faria mal.

Eu tinha levado barras de chocolate, pacotes de salgadinhos industrializados, latas de refrigerante e uma lanterna para cada uma de nós, tudo proporcionado por Jung JinSol e sua animação para com qualquer evento que seja, e nossos quadris já esquentavam as pedras do chão de tanto tempo que estávamos sentadas; nossos olhares fixos no céu e os corpos se tocando.

A sensação de estar passando algum tempo sozinha com elas, isto é, fora do orfanato, era-me boa.

— Vocês acham que eu ficaria bonita se pintasse o cabelo de roxo? — Perguntou Choerry. 

— Não inventa, Yerim, — neguei sua ideia, sequer querendo imaginar sua idealização na minha cabeça. 

— Se a Yeriminie pintar o cabelo, eu também quero! — Yeojin anunciou. Ela vinha adquirindo esse tom de ordem em sua fala e nossa outra companheira de quarto me acusava de direcioná-la a esse caminho. — Eu quero ficar loira!

Bem, antes seguir o meu exemplo — só as partes boas, é claro — do que o de Yerim.

— Ninguém vai pintar coisa alguma! — Revoltei-me e joguei uma das barras de chocolate no colo de Yeojin para que ela se distraísse. Doce sempre fazia o serviço. — Nada dessas palhaçadas. Podem tirar essa ideia da cabeça. As duas

A criança entre nós resmungou algo que não consegui identificar, enquanto Yerim sustentou o biquinho nos lábios por alguns segundos, antes de dar de ombros e fixar o olhar em um ponto qualquer, a feição tão pensativa quanto vazia, de modo que me impossibilitava de captar alguma pista do que quer que estivesse acontecendo em seu interior.

— No que está pensando? — Perguntei depois de desistir de adivinhar. 

Ela me olhou e sorriu. — Em ter que fazer todo o caminho de volta ao orfanato mais tarde. 

— Você sabe que a volta é sempre menos dolorosa que a vinda, — acompanhei seu humor, ainda que soubesse que este era seu jeito de fugir do assunto. — E temos sorte por Chaewon nos ter emprestado as bicicletas ou teríamos que subir a colina andando, que nem no ano passado. Minhas pernas ainda doem só de lembrar o quanto caminhamos da praia até o orfanato.

— É, temos mesmo sorte. 

Eu podia sentir que ela ia me dizer alguma coisa apenas pela facilidade com que seus olhos mudavam de foco, mas sua cabeça não se movia, e seus lábios continuavam abertos mesmo depois de terminar sua fala. Entretanto, Yeojin começou a gritar em animação, avisando-nos de que já estava na hora, e ambas levantamos nossos olhares. 

Nós três demos as mãos sob o cobertor e sorrimos quando o barulho começou, as explosões colorindo o céu e brilhando contra nossos olhos. Toda Loonaville — os que não tinham dinheiro o suficiente para sair da cidade para viajar, ao menos — estava compartilhando nosso sentimento ao ver os fogos marcando o início de um novo ano. 

— Um novo começo, — disse Yerim, e eu não podia concordar mais.

Esse novo ano seria um novo começo para nós, mesmo que as principais pessoas responsáveis pela mudança em nossas vidas tivessem chegado, agora, no ano anterior. Aqueles fogos significavam que faltavam meses para o fim do último ano no ensino médio para mim e Yerim, e teríamos que resolver nossa vida adulta em breve e assumir tantas outras responsabilidades.

Todas as decisões nos esperavam.

Em meu colo, meu celular vibrou.

 

Princesa de Loonaville 

Feliz ano novo, Lippie! (00h00)

Jungeun

(00h00) feliz ano novo, Soulie

 

+++ 

 

Às quatro da manhã, meu celular vibrou contra o colchão em um alarme silencioso e eu acordei, levantando da cama lentamente para não fazer barulho. 

Como vinha se tornando um hábito, Yerim havia dormido com os fones no ouvido e eu andei até sua cama para tirá-los e pausar sua música, deixando seu aparelho dentro da gaveta da escrivaninha. Deixávamos nossas coisas escondidas agora, por conta de Grimes, que parecia estar prestando o dobro de atenção na gente e no que quer que fosse que trouxéssemos para casa.

Aproveitei o sono profundo de ambas minhas colegas de quarto para vestir a jaqueta preta e abrir a janela, subindo na cama para sair por ela e aterrissar no jardim após um pulo mal planejado que fez meu joelho doer por mais de um minuto. 

Recuperada da sensação, escalei o muro de arame do orfanato e segui meu caminho na rua, o sol bem próximo a se pôr no céu e o frio do Inverno que nos dava adeus ainda presente. Vi-me em frente ao campo de grama — um bloco de terra que os vizinhos do bairro mais usavam para jogar entulho — e aproveitei as ruas vazias para subir nos tubos de concreto, entrando no interior do mais alto deles. 

Ela já estava lá, como em todos os anos, e segurava um cigarro nas mãos enquanto me olhava com os lábios separados, permitindo que a fumaça deixasse seu corpo. 

— Achei que não viesse, — ela disse.

— Quando é que eu não venho? — Engatinhei até estar sentada ao seu lado, nossos corpos paralelos um ao outro de forma que meus pés encostavam em seu quadril e os seus se empurravam contra o concreto ao lado da minha cabeça. 

— Sei lá, — levantou os ombros, tragando mais uma vez antes de continuar. — Você ‘tá diferente agora. Não pensei que fosse lembrar de mim. 

Revirei os olhos e peguei a bituca de sua mão, imitando sua ação quando ela eliminava a fumaça mais uma vez. — Não seja sentimental, Haseul. Não é para tanto.

Acabei o cigarro e esfreguei as cinzas acesas contra o material dura em que estávamos em cima, jogando-o para fora do tubo em seguida. 

— Obrigada por não me deixar sozinha hoje, — Haseul agradeceu. 

— É uma tradição. E pare com isso, você está parecendo uma criança emotiva!

Rindo e negando com a cabeça, ela levantou o quadril para tirar algo do bolso traseiro de sua calça e o ofereceu a mim. Era uma pulseira vermelha, daquelas de tecido grosso e trançado.

— Eu que fiz. Fiquei entediada no Natal, — explicou. Seus olhos evitavam os meus. — Feliz Ano Novo, príncipe.

Respirei fundo enquanto mirava o acessório, hesitante. — Haseul... 

— É uma pulseira, Jungeun. Não um anel de casamento, — ela revirou os olhos, e seu argumento me fez suspirar e entregar-lhe meu pulso, observando-a amarrar o fio vermelho ao redor da minha pele branca. — Viu? 

— Você continua sendo uma idiota. 

— Idiota? — Ela repetiu em gozação. — Eu sou é uma espécie rara da humanidade por te aturar por tanto tempo. Você se olhava quando era menor? Parecia um extraterrestre.

Neguei com a cabeça enquanto ria, aceitando seu argumento provocativo já que, de fato, eu não fui uma criança bonita. 

Todavia, as palavras de Haseul estavam certas: ela deveria, sim, ganhar um prêmio por permanecer comigo por tanto tempo. Eu a conhecia há menos tempo que Yerim, é claro, mas era questão de poucos anos de diferença, e tudo o que ela fez e ainda fazia por mim… Eu jamais poderia retribuí-la o suficiente. 

Levantei o braço direito, o braço com a pulseira, e lhe ofereci o dedo mindinho. — Eu te ajudo a dormir se você me ajudar a viver. 

Ela sorriu lindamente ao reconhecer nosso antigo lema e entrelaçou meu dedo com o seu próprio. — Eu te ajudo a viver se você me ajudar a dormir. 

E eu podia sentir que nós sempre iríamos. 

 


Notas Finais


queria dizer que não betei porque tava com mo pressa de postar de um vez, então ne, já sabem, ignorem qualquer erro ou palavra aleatória que está onde não deveria. eu vou corrigir tudo depois porque já são quatro da manhã aqui.

mas HEY elas FINALMENTE têm um celular, ne galero????? abençoada seja a jungeun, vai poder ouvir os rocks dela em paz agora coitada.

gays, vocês vão ver que a amizade de lipseul vai ser TUDO (sempre foi ne)

queria agradecer pelos quase 150 favs, gente!!! fiquei mesmo emocionada quando vi o número, é muito legal que vocês tenham dado uma chancezinha à minha história. obrigada, de verdade! (notei que temos leitores novos por aqui... bem vindos!!!)

ALSO, pesquisa de campo: o que vocês acham de uma chuuves hannibal au?


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