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História Hocus Pocus - Jenkai - Capítulo 7


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Capítulo 7 - Ressaca do mar


JONGIN

— Você é um otário, Jongin! — Chanyeol gritou, antes de derrubar o copo de whisky que tinha em mãos no chão.

— E você é um bêbado, idiota — Rebati. Rolei os olhos pela multidão ao nosso redor, procurando por Jongdae e Sehun; que claramente tinham vazado e me largaram de babá. — Já chega. To fora.

— Fora do quê? — Perguntou, com uma expressão divertida. Era difícil suportar o Park sóbrio, bêbado então? Nem o cão iria querer.

— Vamos embora. Não vou ficar com você bêbado fazendo merda.

— Não to bêbado! — Gritou, parando em meio às pessoas. — Nem fazendo... merda.

— Tá, foda-se. Vamos logo. — O puxei pelo pulso, o arrastando para fora da casa. Não levou muito tempo para que Chanyeol se desvencilhasse do meu toque, parecendo incomodado. — O que foi agora?

— Eu sei que sou um drogado de merda — Ele tinha a voz rouca e um semblante triste. — E que eu estrago tudo...

É sério que ele quer ter essa conversa agora? Que merda...

— Chanyeol, tá tudo bem. Vai ficar tudo bem, ok? — O segurei pelos ombros, o encarando nos olhos. — Nós te entendemos...

— Não... — Ele fechou os olhos bruscamente, forçando os dentes contra os lábios. — Ela não entende...

O encarei por alguns segundos. Caralho, ele estava bêbado. No dia seguinte já teria esquecido nossa conversa. O que raios se fala para confortar um amigo bêbado?

— Tá bom, cara. — Bronqueei. — Vou te levar pra casa. Quando você estiver melhor, conversamos sobre isso.

— Jongin... — Ele murmurou algo inaudível. O puxei pelo pulso, e me sentei na beira da calçada.

— Você tá cansado.

— Sim. — Ele se sentou com dificuldade ao meu lado.

— Você precisa achar alguém que te faça melhor, Chanyeol — O olhei nos olhos, então fiz uma pausa. — E não mais um problema.

— Ela não é um problema...

— Você é, cara. — Ri nasalado. Era difícil conversar sobre isso. — Mas ainda dá tempo de mudar, né?

— Pode ser.

Ficamos em silêncio. Assim que me cansei de ficar encarando a rua esperando por uma manifestação de Chanyeol, me levantei e o chamei para irmos embora. Ele não parecia mais tão fora de si e se não fosse o caso não veria problemas em carregá-lo nas costas (mesmo que fosse dois metros maior do que eu).

— Acha que seu pai vai me barrar?

— Claro que não, porque você vai entrar sem fazer barulho nenhum e ele nem vai saber que sequer esteve por aqui. Entendeu? — Arqueei a sobrancelha, certo de que ele nem pensaria em me contrariar.

— Como quiser, papai Kim. — Respondeu com o mesmo deboche de sempre estampado em sua voz.

— Cala a boca ou você vai dormir na rua, Chanyeol. — O alertei, então abri a porta de casa. Devido ao silêncio e a escuridão presente, conclui que meus pais já estariam dormindo. Puxei Chanyeol pela ponta de sua blusa, tentando levá-lo até o quarto.

Assim que toquei na maçaneta da porta, as luzes do corredor se ascenderam. Olhei um pouco surpreso para trás, avistando meu pai recostado ao batente da porta.

— O Park bebeu de novo? — Perguntou com a voz grave. Chanyeol se manteve cabisbaixo, evitando encarar o mais velho.

— Um pouco. — Admiti por ele. — Mas ele já tá melhor.

— Sei. — Pigarreou. — Tudo bem então. Vão dormir.

— Não vai me chutar pra fora? — Chanyeol se pronunciou. Revirei os olhos, o acertando um tapa no topo da cabeça.

— Cala a boca, seu idiota. — Abri a porta do quarto, e o empurrei para dentro. — Boa noite, pai.

Ele assentiu e voltou para o quarto. Fechei a porta atrás de mim, encarando Chanyeol feio.

— Por que agiu como se estivesse sendo abordado pela polícia?

— Porque pareceu que eu estava sendo abordado. — Ele imitou uma sensação de arrepio. — Foi apavorante.

— Não exagera. — Me desencostei da porta, indo até o banheiro. — Tem uma escova de dentes nova no armário, se você quiser.

— Tá, valeu. — Mesmo aceitando, se jogou em minha cama. Nem um pouco folgado. — A gente podia ir pra praia amanhã. Tipo, todo mundo.

— Ah, claro. Jongdae e Sehun vão estar o pó da rabiola amanhã, Chanyeol.

— Foda-se.

— É, pode ser.

Sinceramente? Não queria ir pra praia. Não gostava do lugar tanto quanto antes, e preferia mil vezes passar o dia deitado na cama. Mas... Fazia muito tempo desde que não saíamos juntos com as meninas. Talvez não fosse uma ideia ruim.

— Vai ficar bem perto da Chae? — Perguntei, o afastando e me deitando ao seu lado.

— Vai ficar bem perto da Jennie? — Perguntou, com o mesmo sorriso sacana de sempre.

— Vai pra casa do caralho. — Rosnei, então me virei para o lado da parede.

— Para de ser um boiola, Jongin. — Ele riu baixinho. — Durma bem.

Não respondi. Fechei os olhos, tentando afastar os pensamentos que me enchiam a paciência e apenas dormir. Eu estava realmente preocupado com ele, já que parecia mais atordoado do que de costume.

— Você vai ficar bem? — Perguntei sem encará-lo.

— Não sei.

Resolvi ficar quieto. Chanyeol se ajeitaria no tempo dele, certo?

JENNIE

Acordei com os raios solares iluminando o meu rosto, e uma enorme sensação de paz; óbvio que é mentira. Quando que eu vou ter um momentinho de paz sequer sem esses meninos me enchendo o saco? Porra, não são nem 10h ainda.

Meu celular vibrava feito louco em cima da cômoda. O peguei irritada, abrindo o KakaoTalk e visualizando as mensagens do bando de insuportáveis que até tinham criado um grupo com todos nós.

Jongin: Chanyeol quer que todo mundo vá para a praia hoje.

Sehun: Então manda esse otário tomar no cu.

Jongdae: Eu to todo fodido, cara.

Chae: Não to no clima de ir pra praia.

Jongin: Ah, vai ser legal. Vamoooos.

Chanyeol: Vocês são um bando de pés na bunda.

Jongdae: O que essa porra significa?

Eu: Vão se foder.

Larguei o celular na cama, e me levantei para fazer minhas higienes. Assim que o fiz, fui para cozinha – que tinha cheiro de panquecas predominado por toda a parte. Como sempre, minha avó era demais.

— Bom dia.

— Bom dia, querida. — Ela sorriu, deixando um beijo em minha testa. — Seu pai já saiu.

— E minhas tias?

— Umas trabalham, outras namoram. Eu não sei de nada.

Ri nasalado.

— O dia tá lindo, você podia sair pra passear. — Ela colocou o prato com as panquecas encima da mesa, se sentando em uma das cadeiras.

— Já quer se livrar de mim? — Perguntei, fazendo drama.

— Não, boba. Mas é um dia muito bonito para você ficar presa dentro de casa.

— Acho que meus amigos querem ir pra praia. Será que devo ir com eles? — Perguntei sugestiva.

— Sim, você sempre gostou de ir pra praia.

— É, claro... — Concordei, e peguei uma panqueca para comer.

Assim que terminei, lavei alguns pratos e voltei para o quarto. Peguei meu celular e me esparramei na cama, então abri o chat de Chaeyoung.

Chae: Você vai pra praia com os meninos?

Chae: Só vou se você for.

Eu: Acho que vou.

Por um momento, achei que eles estavam apenas blefando e não iríamos sair coisa nenhuma. Mas assim que me dei conta, Sehun e Jongdae estavam largados de bermuda e camiseta na minha cama, esperando que eu me trocasse e pegasse o necessário.

— Já era pra você estar pronta, porra. — Sehun bronqueou, deitado de bruços como o folgado que era.

— Vocês falaram que não iriam, como eu ia saber? — O encarei feio.

— Para de reclamar, os outros nem estão prontos também. — Jongdae interveio, aproveitando para dar um tapa em suas costas.

— Acho que já peguei tudo, paspalhos.

— Vestiu o biquíni? — Sehun perguntou, se levantando da cama.

— Ah, me deixa pensar... — Fiz uma pausa, como se lembrasse de algo; então simplesmente o mostrei o dedo do meio. — Claro que eu vesti, merda.

— Vocês são crianças. — Jongdae rolou os olhos. — Vamos logo.

Me despedi de minha avó e entrei na picape da mãe de Jongdae. Se eu fosse ela, não confiaria em deixar o carro nas mãos do filho maluco; mas agradeço o bom coração, já que não precisamos ir de ônibus.

— A Chae disse que vai pra casa do Jongin. Bem melhor, assim já pegamos todo mundo de uma vez. — Sehun disse, depois de checar as mensagens em seu celular.

— Tá bom. — Jongdae assentiu, com os olhos fixos na estrada.

— Vocês tão de ressaca, né? — Perguntei zombeteira.

— Sim, não somos bebezinhos igual a dona Kim e já temos idade pra beber. — Sehun provocou.

— Vai se foder. — O dei um soco no ombro.

Durante o percurso, Sehun continuou me atazanando várias vezes; era sempre seguido por uma bronca de Jongdae e um peteleco na cabeça que eu fazia questão de dar.

Assim que chegamos, Chae abriu a porta do carro e me empurrou para o lado. Jongin e Chanyeol trocaram olhares confidentes, então Jongin entendeu que seria melhor se ele sentasse ao lado da Park.

— Vocês são uns fodidos né. Nos largaram ontem e agora querem ir pra praia! — Sehun bronqueou.

— Se a gente não fosse embora, o otário aqui vomitaria em alguém. — Jongin se defendeu de imediato, apontando para Chanyeol.

— Já mandei você parar de irritar os outros — Jongdae se pronunciou, encarando Sehun feio. — Fica quieto um pouquinho só, vai.

Sehun bufou então desistiu de argumentar. Jongdae começou a dirigir, e parecia que depois de cinco minutos Chaeyoung já estava dormindo tranquilamente, revezando entre deitar em meu ombro e no de Jongin.

Senti meu celular vibrar no bolso traseiro do short, então estiquei o braço para pegá-lo. Assim que o desbloqueei, notei que era uma mensagem de Jongin. O olhei de soslaio, então abri seu chat:

Jongin: Ela tá machucando meu ombro.

Eu: Para de ser rabugento.

Jongin: Não dá.

Eu: Por que não?

Jongin: Porque queria sentar do seu lado.

O encarei em silêncio. Chaeyoung estava com a cabeça apoiada em seu ombro, e ele manteve os olhos fixos no celular. Suspirei antes de respondê-lo:

Eu: ...

Eu: E por que não sentou?

Jongin: Porque Chanyeol e Chaeyoung cansaram de lamber o cu um do outro. Sobrou pra mim.

Após ler, ri alto. Sehun olhou pelo canto dos olhos para mim, com um sorriso de canto. Pigarreei, voltando minha atenção à tela.

Jongin: Pelo visto te fiz rir.

Eu: Só um pouquinho.

Eu: Eles vão se resolver, paciência.

Jongin: Quando voltarmos da praia a gente podia sentar na parte de trás da picape.

Eu: Você é doido.

Eu: E se chover?

Jongin: Vai ser uma aventura molhada.

Eu: Tá, tá. Pode ser.

Guardei o celular e o olhei. Desta vez, manteve os olhos me encarando, com um sorriso nítido nos lábios.

— Acelera aí, Jongdae — Chanyeol disse, de repente. — Não aguento mais a Jennie e o Jongin cheios de chamego.

— Eu te daria um soco se você não estivesse tão longe. — Admiti, o fuzilando com os olhos.

— Você não tá longe. — Jongin disse, o dando um soco no braço. O lancei um olhar agradecida, então me ajeitei no assento.

Depois de algum tempo, Jongdae finalmente estacionou o carro. Chaeyoung ficou emburrada quando Jongin a acordou, já o resto dos meninos pareciam empolgados e todos carregavam nossas coisas felizes da vida.

— Coloquem o guarda-sol aqui. É um bom lugar. — Chaeyoung disse, apontando para o lugar onde estava parada.

— Fica muito longe do mar. — Jongin retrucou.

— Mas aqui tá afastado das outras pessoas. Vamos ter mais privacidade! — Ela explicou, claramente perdendo a paciência só por ter sido contrariada.

— Tá, Chanyeol vai por aí então. — Jongdae concordou.

— Por que eu? — Chanyeol perguntou.

— Porque eu mandei. Anda logo!

Mesmo não gostando nada da ideia, obedeceu. Sehun e Jongin já estavam na beira do mar molhando os pés e rindo feito tontos. Chaeyoung tirava fotos em seu celular, e Jongdae estava escrevendo algo na areia com os dedos. Os observei, pensando no porque de eu ser a única deslocada sem saber o que fazer.

— Quer chupar picolé? — Chaeyoung perguntou, de repente.

— Pode ser. Mas só tenho uns trocados. — Um biquinho se formou em seus lábios. — Mas podemos pedir dinheiro ao Jongdae.

— Sim, podemos! — Ficou animada de repente, e me deixou falando sozinha. Quando a olhei de novo, tinha pulado nas costas do Kim agachado na areia, gritando e o implorando por alguns wons.

— Chae! Saia de cima de mim! — Pediu, com as mãos apoiadas na areia. Ele com certeza era mil vezes mais forte que a Park, mas o simples olhar de Chanyeol sobre si com certeza estava mais pesado que a garota. — Eu dou o dinheiro, saia logo de cima de mim.

Assim que saiu, estendeu a mão para ele. Jongdae nos deu 6.000 wons, e todos pediram por picolés também. Deixamos nossas coisas sob o guarda-sol, e nos afastamos dos meninos.

— Você tá bem? — Perguntei. — Tá na cara que você e Chanyeol estão com problemas.

— Pois é. — Manteve a expressão fechada, encarando os pés enquanto andava.

— Você tá triste, né? — De repente, sua cara de brava desapareceu. Seus olhos ficaram pequenininhos e abriu a boca, quase como se fosse chorar.

— Eu tô acabada. — Choramingou. — Só queria que ele fosse sincero. Eu entenderia ele!

— Tá, para de pensar nisso. Chupe seu picolé e aproveite o dia, ok?

Ela assentiu com a cabeça. Entramos na lojinha e compramos os picolés. Me lembrei que Jongin não havia pedido nada, então eu não sabia qual sabor ele gostaria. Não sei se seu gosto teria mudado nos últimos anos, mas peguei um picolé de limão para ele. Se não gostasse, eu gostava.

Enquanto voltávamos para onde os meninos estavam, Chaeyoung apontava para a roupa de banho de quase todo mundo na praia e fazia comentários; Isso era o de menos, ruim mesmo era ouvir seus comentários sobre o corpo de alguns garotos.

— Vou sentar aqui e tomar um sol. — Ela disse, se esticando na esteira.

— Tomar um sol na... sombra? — Perguntei, sem entender.

— Me deixa, vai brincar com os meninos na água, vai.

Dei risada, parecia que ela era nossa mãe. A deixei lá, e levei a sacola com o picolé dos garotos.

— Tudo por minha conta, de nada pessoal. — Jongdae disse, assim que cheguei perto deles.

— Chato. — Entreguei os picolés a eles. Nos sentamos na beira do mar, sentindo a água bater em nossas pernas enquanto chupávamos nossos sorvetes.

— Hoje o mar tá violento. — Jongin comentou. Mesmo as ondas enormes vindo, seu olhar admirado permanecia sobre a água.

— É, melhor não nos afastarmos muito da areia. — Chanyeol concordou.

— Ei, eu trouxe a bola. Vamos jogar vôlei? — Sehun perguntou. Invés de chupar, o garoto já havia engolido o picolé inteirinho enquanto nós conversávamos.

— Pode ser. — Assenti, lambendo os vestígios do picolé no palito.

— Vão vocês. Quero ficar um pouco na água. — Jongin se opôs, entregando seu palito na mão de Jongdae. Se levantou, e entrou no mar aos poucos.

— Cuidado pro mar não te levar! — Chanyeol brincou, estendendo a mão para me ajudar a levantar. Corremos para perto de Chaeyoung – que já dormia de novo – e pegamos a bola de vôlei.

Jogar vôlei na praia era algo sujo. A bola vivia caindo na areia, então batia em um de nós e nos sujava todinhos. O mimadinho do Sehun não aceitava que Jongdae e eu estávamos ganhando, e vivia jogando areia na gente; eu estava preparada pra meter um soco na fuça dele.

— Já se passaram horas. Vocês vão passar o dia brincando com uma bola suja? — Chaeyoung reclamou. Desde que havia acordado, ficou nos observando sem interesse.

— Nem percebemos que passou tanto tempo. — Jongdae confessou. Olhou ao redor por um momento, então olhou de volta para Chaeyoung. — Jongin ainda não saiu da água?

— Não. Pra falar a verdade, eu nem sabia que ele estava lá. — Ela bocejou, ainda sonolenta. — Não tem quase ninguém na água, ninguém é louco de entrar nessas ondas agitadas.

Rolei meus olhos pelo mar, procurando pela silhueta do Kim. Os garotos também pareceram fazer o mesmo, mas não avistamos o garoto de jeito nenhum.

— Ué, gente. Onde que ele foi sem nos avisar? — Sehun perguntou, estressado. — Vou quebrar ele na porrada.

O céu já estava cinza, indicando que choveria. Não víamos Jongin em lugar nenhum, e as ondas estavam exageradamente agressivas: como se pudessem engolir alguém.

— Liga aí pra ele, Chae. — Pedi.

Já que ela era a única limpa, pegou o celular e discou o número do Kim. Um celular começou a vibrar encima da esteira, com o nome dela brilhando no ecrã.

— Ele tava tomando banho de mar, óbvio que não tá com o celular. — Chanyeol bufou.

— Gente, e se... ele estiver no mar? — Jongdae perguntou de olhos arregalados.

— Ele não tá, não to enxergando. — Sehun disse como se fosse óbvio.

— Sei lá, o mar tá tão violento e... se o pior tiver acontecido? — Jongdae insistiu na sua hipótese. O encarei raciocinando o que dizia, então senti meu corpo todo gelar. Não sabia se era o vento frio que batia contra minha pele úmida, ou o pânico que me invadiu.

— Vamos lá procurá-lo. — Eu disse, correndo pela areia. Senti Jongdae me puxar fortemente, me agarrando pelos ombros. — O que foi, porra?

— O mar tá perigoso, Jennie. Entrar lá não vai ajudar em nada!

— A gente precisa achar ele. — Rosnei. Uma leve garoa começou a cair, e as poucas pessoas ao nosso redor passaram a guardar seus pertences.

— O Dae tá certo, Jennie. — Chaeyoung parou ao meu lado. — Vamos esperar um pouco por ele, gente. Tipo, tá chovendo. Se ele estiver por aí, vai voltar para podermos ir para casa.

— E se ele não voltar? — Chanyeol a perguntou, pela primeira vez trocando uma palavra com a Park.

— Aí nós... ligamos para seus pais. — Chaeyoung respondeu, visivelmente abalada. Nós todos estávamos preocupados com a ideia de Jongin não aparecer.

Nos sentamos na areia, encarando o mar. Não demorou muito para chover, mas continuamos sentados sob a chuva, esperando por Jongin. Acho que esse foi o momento em que mais nos unimos. Encharcados, sujos, e tristes, evitando nos olhar para que não entrássemos em desespero.

UM ANO DEPOIS

— Ei, agora você pode beber. — Chaeyoung comemorou, sorridente.

— Eu não quero beber. Deus que me livre ficar de ressaca igual você. — Ri, acompanhando sua animação.

— Estamos na varanda do hotel quando podíamos estar ali, em carne e osso na areia. Por que não descemos e vamos tomar um banho no mar?

— Você só fica deitada, Chae. — Dei risada. — Pode ir, se quiser. Eu to de boa aqui.

— Tá uma noite linda. Mas acho que prefiro beber e dormir. — Ela ergueu a garrafa que segurava, como se significasse algo. Apenas dei risada, encarando a vista.

— Tá. Acho que vou dormir também. Já tá tarde. — Me levantei, e entrei no quarto. Me joguei na cama, encarando o teto. Ouvi os passos de Chaeyoung no piso de madeira, então a cama balançou quando ela se jogou ao meu lado.

— Eu gosto de ficar com você. — Ela sorriu.

— Você tá bêbada. — Ri nasalado, a empurrando para o lado. Parece que em pouco tempo, a garota já estava dormindo tranquilamente. Me levantei em silêncio, e olhei para o relógio: eram 3h45 da manhã.

Andei em passos mudos até a porta, deixando a garota sozinha no quarto. Entrei no elevador e desci até o primeiro andar, saindo do hotel e caminhando pela calçada. Observei a praia de onde eu estava, então deixei meus chinelos ali na beirada da calçada. Andei lentamente pela areia, sentindo-a envolver meus pés.

Sentei-me próxima a onde o mar terminava, não o permitindo me tocar. Eu nunca mais o deixaria me tocar.

Foi esse mesmo mar que encarei admirada uma vez, e o mesmo que me causou a maior crise que tive a minha vida toda. Foi ele quem tirou tudo de mim.

O mais doloroso, era o ambiente me preencher. Eu continuaria vazia para sempre, mas ali me sentia amada. Era ridículo, e me fazia sentir ódio mais ainda.

Eu nunca deixaria de sentir falta dele. Não importa quantos garotos Chaeyoung me apresentasse, ele sempre estaria ao meu lado desaprovando todos. Nenhum era tão bom quanto ele, e sabia disso.

Não é mais tão doloroso. Com o passar do tempo, a ferida se curava.

Foi nesta praia onde tudo começou; e foi nela também, onde acabou. E Jongin... você foi a ressaca que eu nunca tive.

 

 

 


Notas Finais


oikkkk depois de mil anos tá aí, terminei.

1- quem leu, não me mate. o coronga ja vai me pegar.
2- obrigada a quem leu, me empenhei muitoooo pra escrever essa fic.
3- FIQUEM EM CASA E SE PROTEJAM DO CORONGA.

amo vcs, beijoooos


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