História Hogwarts lendo o Ladrão de Raios. - Capítulo 5


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Categorias Harry Potter, Os Heróis do Olimpo, Percy Jackson & os Olimpianos
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Palavras 8.122
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), FemmeSlash, Romance e Novela, Saga, Shoujo (Romântico), Slash
Avisos: Adultério, Bissexualidade, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Capítulo 5 - Grover de repente...


-Sinistro, e sarcástico ao mesmo tempo- comentou Rony e muitos concordaram.

-Quem gostaria de ler agora?- perguntou Luna suavemente, porem antes que alguém pudesse responder uma luz branca iluminou o Salão e dela saíram cinco pessoas.

Todos olhavam abismados para as cinco pessoas(menos Aura que sorria largamente por rever os amigos), o primeiro era um garoto alto e de pele bastante bronzeada, seus cabelos eram negros e extremamente rebeldes e seus olhos eram verdes como o mar. Ao seu lado estava uma garota um palmo mais baixa que o garoto e muito bonita, ela tinha cabelos negros e longos que estavam presos em uma trança, sua pele era bastante clara e seus olhos eram da mesma cor do cabelo.

Ao lado dela tinha um outro garoto também um pouco mais alto que o garoto e muito bonito, ele tinha cabelos negros arroxeados, pele alva e olhos da mesma cor que o cabelo que o cabelo. Ao lado dele estava um garoto um pouco mais baixo e incrivelmente bonito, seus cabelos eram loiros levemente bagunçados, pele alva e olhos azuis. E por último estava um garoto da mesma altura que o loiro e que parecia um elfo latino, porem ele também era muito lindo, seus cabelos negros e levemente encaracolados, pele bronzeada e olhos castanhos escuros.

-EU NÃO ACREDITO- berrou Aura e se levantou pulando em cima da garota e a abraçando e a mesma retribuiu o abraço.

-AURA- exclamara todos surpresos.

-AONDE VOCÊ SE METEU? EU FIQUEI EXTREMAMENTE PREOCUPADO, CLARISSE FALOU QUE VOCÊS ESTAVAM LUTANDO QUANDO DE REPENTE VOCÊ DESAPARECEU, PENSAMOS QUE ERA MAIS UMA BRINCADEIRA IDIOTA SUA, MAS VOCÊ NÃO VOLTOU FAZ ALGUMAS HORAS, QUER ME MATAR DO CORAÇÃO? TEM IDEIA DO QUANTO EU FIQUE PREO...- Leo não pode terminar de berrar pois seus lábios foram tomados por Aura, que o beijou rapidamente, um beijo urgente e cheio de sentimentos que o garoto rapidamente retribuiu colocando suas mãos na cintura de sua namora e aproximando seus corpos, enquanto Aura colocou uma de suas mãos no cabelo dele puxando levemente eles, enquanto a outra estava na blusa de seu namorado puxando ele mais para si, o beijo foi esquentando a cada minuto, eles nem lembravam que estavam em um Salão cheio de pessoas, Aura nem lembrava mais que tinha dois irmãos idiotas que estavam bastante irritados vendo a cena do beijo. Ela não ligava para mais nada, só queria o Leo, o seu Leo, assim como ele só queria ela.

-Tá bom, já chega de demonstração de afeto por hoje- falou Percy separando os dois, fazendo os dois olharem para ele irritados.

-Só tá assim por que sua namorada não veio- debochou Leo.

-Cala a boca Valdez- rosnou Percy.

-Bem senhores, vocês poderiam por gentileza se apresentarem- pediu Dumbledore sorrindo para os semideuses.

-Claro, sou Leo Vadez, sou do Acampamento Meio sangue e sou namorado da Aura- falou sorrindo e abraçou a cintura da ruiva por trás e beijou sua nuca fazendo a mesma se arrepiar e ele sorrir mais ainda, por saber os efeitos que causava na ruiva.

-O que eu disse sobre demonstrações de afeto- rosnou Percy irritado.

-Cala a boca céu- murmurou  Aura revirando os olhos.

-Bom..eu sou Percy Jackson, primo e irmão da Aura e sou do Acampamento Meio Sangue- falou cruzando os braços e olhando de cara amarrada para Leo.

-Olá, sou Reyna Avila Ramírez-Arellano, sou do Camp Júpiter e sou amiga da Aura e desses idiotas- falou sorrindo de leve.

-Bem..eu sou Dakota, sou do Camp Júpiter e sou amigo deles- falou de um jeito como se estivesse bêbado e sorrindo loucamente.

-E ai Dake- falou Aura sorrindo para o amigo e o mesmo retribuiu o sorriso.

-Bom..sou Jason Grace, eu era do Camp Júpiter e agora sou do Acampamento Meio Sangue e sou primo da Aura- falou sorrindo e Aura saiu dos braços de seu namorado e deu um abraço no seu amigo.

-E ai bela adormecida, onde está Pipes e seu namorado?- perguntou sorrindo divertida e Jason a encarou confusa.

-Pipes está bem, mas que namorado? Eu namoro a Piper- falou Jason ainda confusa e Aura saiu do abraço do amigo e foi para perto de Leo.

-Ah..eu sei, tava querendo saber do seu outro namorado o tijolo, como ele está?- perguntou e ela, Percy, Leo, Dakota e Reyna caíram na gargalhada deixando Jason com a cara fechada e olhando reprovador para os amigos.

-Fala sério vocês não vão parar de me zoar com isso não?- pediu ele e os cinco se entreolharam.

-Não- responderam juntos e logo depois voltaram a rir.

-O que eu fiz para merecer eles- falou olhando para o céu.

-Ah..qual é você não vive sem a gente Grace, mas Aura, por que estamos aqui mesmo?- perguntou Percy para a irmã.

-Vou explicar...- então ela começou a falar tudo que estava na carta e também que eles já iam começar a ler o terceiro capítulo.

-Pera...então você tem um irmão por parte de pai- falou Jason ainda achando tudo confuso.

-Sim, Harry- chamou Aura e Harry foi até a irmã e seus amigos.

-Hum..olá, sou Harry Potter- falou um pouco sem graça e coçando levemente a nuca, gesto que foi copiado por Percy, que estava bastante nervoso.

-Uau, você é a cara do Jackson- falou Reyna olhando os dois garotos que estavam lado a lado.

-Agora que eu percebi, vocês são mesmos parecido, bom tirando que o cabelo do céu é mais escuro, e seus olhos mais claros, e o Harry usa óculos- falou Aura olhando para os dois irmãos.

-Verdade- concordou Reyna.

-Bem, acho melhor voltarmos a ler, por favor senhorita Potter, poderia fazer um puff aparecer para os nossos novos convidados- pediu Dumbledore calmamente.

-Claro Tio Dumby, a propósito gente, esse ai é Alvo Dumbledore diretor dessa escola- falou simplesmente e com um aceno de mão fez alguns puffs aparecerem para perto do seu, Dakota sentou em um roxo que tinha um símbolo de cacho de uva, Reyna se sentou em um roxo que tinha as siglas SPQR em dourado, Percy se sentou em um azul que tinha um tridente verde mar, Jason se sentou em um azul que tinha um raio branco, e Leo se sentou no puff de Aura com a mesma sentada em seu colo e com a cabeça em seu peito, enquanto uma mão de Leo estava em sua cintura e a outra fazendo carinho nos cabelos ruivos e negros de Aura.

-Será que o você não poderia fazer um outro puff, para o Valdez sentar não e de preferência bem longe de você- pediu Percy irritado.

-Não poderia, e não reclama, daqui a pouco sua namorada chega- falou se aconchegando mais no peito do namorado.

-Quem quer ler agora?- perguntou Luna e os cinco( Leo, Jason, Percy, Dakota e Reyna) olharam para ela de olhos arregalados, e depois olharam para Aura como se pergunta-se algo e a mesma assentiu.

-Hum..eu poderia- pediu Astória Grengrass.

-Claro- falou a loira sorrindo e usando a varinha levitou o livro para a sonserina.

-Bem...capítulo 03: Grover de repente perde as calças.

-Ele o que?- perguntou Leo incrédulo e um pouco ciumento, apertando de leve a cintura da namorada.

-Ei relaxa, não é esse tipo de perder as calças- falou risonha.

-Acho bom, se não eu mato o Grover- rosnou e Aura riu de leve.- Você é somente minha.- sussurrou no ouvido da namorada mordendo de leve a orelha da mesma, e a mesma se arrepiou completamente.

-Eu sei- sussurrou no ouvido de Leo beijando seu pescoço, fazendo o mesmo se arrepiar.-Assim como você é meu Valdez.

-Será que dá para vocês dois pararem de se pegar e deixarem a garota ler- pediu Jason e os dois reviraram os olhos, mas concordaram.

Hora da confissão: descartamos Grover assim que chegamos ao terminal rodoviário.

-Isso foi rude- declarou Astória.

-Ele estava nos assustando- defendeu Percy.

Eu sei, eu sei. Foi muito rude da nossa parte.

-Bom eu reconheci- falou Aura dando de ombros.

Mas Grover estava nos deixando malucos, me olhando como se eu fosse um garota morta, murmurando:

―Por que sempre tem de ser na sexta série?

E claro com isso Jackson ficava o tempo inteiro preocupado.

-É claro que eu ficava, você é minha irmãzinha- falou como se fosse óbvio.

Sempre que Grover ficava nervoso, sua bexiga entrava em ação, portanto não fiquei surpresa quando, assim que descemos do ônibus, ele me fez prometer que o esperaria e foi direto para o banheiro. Em vez de esperar, eu e Percy pegamos nossas malas, e saímos discretamente e chamamos o primeiro táxi saindo do Centro.

- Cento e quatro Leste com a Primeira Avenida – Percy disse ao motorista.

Uma palavra sobre a minha madrinha, antes que você a conheça. Seu nome é Sally Jackson e ela é a melhor pessoa do mundo, o que apenas prova a teoria de Percy  que as melhores pessoas são as mais azaradas.

-Concordo- falou Harry.

-Eu sei sou ótimo com teorias- disse Percy sorrindo de lado.

Os pais dela morreram em um desastre de avião

Jason abaixou a cabeça e suspirou tristemente, Aura vendo a reação do amigo saiu do colo de Leo e sentou ao lado de Jason no mesmo puff que ele, e abraçou ele de lado.

-A culpa não é sua Jay- falou suavemente.

-Eu odeio quando ele faz isso, ele mata varias pessoas simplesmente por nada, sem nenhum motivo- falou colocando a cabeça no ombro da ruiva e a mesma estava fazendo leves carinhos em seu cabelo.

-Você conhece nossos pais, fazem isso só para se mostrarem superiores, o Popai e o Pikachu vivem fazendo isso somente para demonstrar que são melhores do que os outros, acho que o mais controlado é o Tio Suquinho, mas só por que o reino dele já esta lotado demais. Não se culpe por uma coisa que é culpa deles, eles que deveriam ter um pouco de peso na consciência e pensar nas pessoas que eles matam todos os dias somente para se mostrarem superiores.

-Aura esta certa, não devemos nos culpar pela atitude idiota dos nossos pais- falou Percy colocando a mão no ombro do amigo.

-É mas vamos cortar esse clima pesado, volte a ler loirinha- falou Dakota para a sonserina e a mesma revirou os olhos.

-Meu nome é Astória, Astória Grengrass- respondeu e voltou a ler.

quando estava com cinco anos, e ela foi criada por um tio que não lhe dava muita bola.

-Coitada dela- falou Hermione e Aura, que ainda estava ao lado de Jason, concordou com um aceno na cabeça.

Queria ser escritora, assim passou o curso de ensino médio trabalhando e economizando dinheiro para pagar uma faculdade com um bom programa de oficinas literárias. Então o tio teve câncer e ela precisou abandonar a escola no último ano para cuidar dele. Depois que ele morreu, ela ficou sem dinheiro nenhum, sem família e sem diploma.

-Que azar- murmurou Gina.

A única coisa boa que lhe aconteceu foi conhecer o pai de Percy.

-Que fofo- falaram Gina e Hermione.

Percy não tem nenhuma lembrança dele.

-Não?- perguntaram todos os bruxos.

-Agora eu tenho- Percy garantiu e Aura sorriu de leve para ele.- Mas na época não tinha.

Eu também não tenho nenhuma lembrança dos meus pais, Tia Sally contou que minha mãe morreu no meu parto, e meu pai era casado com uma outra mulher e tinha um filho da minha idade. Então minha suposição é bem óbvia, ele havia me abandonado com minha madrinha para ficar com sua esposa e seu filho, não ligando nenhum pouco para mim, que era apenas um bebê, e como minha madrinha não fala dele, isso só prova que eu estou certa.

-Ou não, não foi isso que realmente aconteceu- falou Harry olhando a irmã incrédulo.

-Eu sei disso agora, na época não sabia- falou se levantando do lado de Jason e sentando no colo de Leo que a abraçou dando um beijo no topo de sua cabeça.

-Volte a ler Ast- pediu Luna gentilmente.

Ela vivia de trabalhos esporádicos, estudava à noite para tirar o diploma de ensino médio e criou eu e Percy sozinha. Nunca se queixava ou ficava zangada. Nem uma só vez. Mas eu sabia que Percy não era uma criança fácil.

-Só eu?- debochou Percy da irmã.

-Sim só você Jackson- falou Aura dando língua para o irmão e o mesmo sorriu para ela.

-Volte a ler senhorita Grengrass- falou Minerva achando bonita a interação dos dois.

Acabou se casando com Gabe Ugliano, que foi simpático nos primeiros trinta segundos em que o conhecemos e depois mostrou quem realmente era, um imbecil de marca maior. Quando Percy e eu éramos pequenos Percy o apelidou de Gabe Cheiroso. Motivo? O cara fedia a pizza de alho embolorada enrolada num calção de ginástica.

-Que nojo- falaram as meninas e Draco.

-Nossa, nem lembrava mais dessa morsa- falou Percy.

Em nosso fogo cruzado, tornávamos a vida da minha madrinha bem difícil. O modo como Gabe Cheiroso a tratava, o jeito como ele, Percy e eu nos relacionávamos... bem, um bom exemplo é minha chegada em casa. Entramos em nosso pequeno apartamento, esperando que minha madrinha já tivesse voltado do trabalho.

Em vez disso, Gabe Cheiroso estava na sala de estar, jogando pôquer com seus cupinchas. Na televisão, o canal de esportes estava no volume máximo. Havia batatinhas e latas de cerveja espalhadas pelo tapete. Mal erguendo os olhos, ele disse com o cigarro na boca:

- Então vocês estão em casa.

Não, não estamos na esquina não percebeu não?- pensei comigo mesmo sorrindo irônica.

-Você é mesma filha de James- falou Remo risonho, assim como todos no Salão, Aura que ouviu o comentário do padrinho sorriu discretamente e afundou o rosto no pescoço do namorado.

- Onde está a minha mãe?- perguntou Percy.

- Trabalhando – disse ele. – Vocês tem alguma grana?

-Ele não te deu nenhum bem vindo ao lar?- perguntou Draco surpreso.

-Ou como foi na escola?- perguntou Blasio Zabine.

-Não, e vocês são?- perguntou Percy.

-Eu sou Draco Malfoy- respondeu calmamente.

-E eu sou Blasio Zabine.

E foi isso. Nada de Bem-vindos ao lar. Bom ver vocês. O que fizeram nos últimos seis meses? Até parece que eu me importava.

-Pois é- concordou Neville.

-Desculpe você é..

-Neville Longbottom- respondeu para Jason.

Gabe tinha engordado. Parecia uma morsa sem tromba com roupas de brechó. Tinha uns três fios de cabelo na cabeça, todos penteados por cima da careca, como se isso o deixasse bonito ou coisa assim. Preciso dizer que não dava certo?

-Não- Gina fez careta.

-Entendemos bem- falou Fleur com seu sotaque francês.

Era gerente do Hipermercado de Eletrônica, no Queens, mas passava a maior parte do tempo em casa. Não sei por que ainda não tinha sido demitido. Ele só fica recebendo o pagamento, gastando o dinheiro em charutos que me dão enjoos e em cervejas, é óbvio. Sempre cerveja. Toda vez que eu estava em casa ele esperava que eu e Percy lhe fornecesse fundos para jogar. Chamava isso de "nosso segredinho". Isto é, se eu contasse para minha madrinha, ele me batia.

-Se ele encostar um dedo dele em você eu mato ele- falaram Leo, Jason, Remo, Reyna, Harry e Dakota irritados.

-Tá tudo bem, ele nunca me bateu- falou Aura olhando para Percy.

Mas isso nunca chegou a acontecer...

A maioria suspirou aliviados, e Aura levantou do colo do namorado e sentou-se no puff de Percy abraçando sua cintura e o mesmo colocou os braços ao redor dos ombros da irmã.

..por que Percy sempre levava a surra no meu lugar.

A maioria olhou para Percy penalizados, mas o mesmo não disse nada, só aconchegou a irmã mais ainda em seus braços, colocando seu queixo no topo da cabeça dela.

-Isso é um absurdo bater e ameaçar crianças que não fizeram absolutamente nada- falou Molly irritada.

-Já estava acostumado, e eu faria de tudo para proteger minha irmãzinha- falou Percy beijando a testa de Aura.

-Volte a ler, Astória- pediu Harry gentilmente e a sonserina assentiu sorrindo.

-Não temos nenhum dinheiro – falei.

Ele ergue uma sobrancelha oleosa. Nojento.

-Concordo- falaram a maioria das meninas.

Gabe era capaz de farejar dinheiro como um cão de caça, o que era surpreendente, já que seu próprio cheiro deveria encobrir qualquer outro.

-Isso explica muita coisa- falou Reyna, que não conhecia essa parte da história dos amigos.

- Vocês pegaram um táxi no terminal de ônibus – disse ele. – Provavelmente pagaram com uma nota de vinte. Receberam seis ou sete dólares de troco. Alguém que espera viver embaixo deste teto deveria ser capaz de se sustentar. Estou certo, Eddie?

-Como ele conseguiu?- perguntou uma lufana incrédula.

-Era um dom, nunca conseguimos descobrir como ele fazia- Percy explicou aconchegando Aura em seus braços e a mesma colocou a cabeça no peito do irmão.

Eddie, o síndico do prédio, olhou para mim e Percy com uma ponta de solidariedade.

- Vamos, Gabe – disse ele. – As crianças acabaram de chegar.

- Estou certo? – repetiu Gabe.

Eddie fez uma careta para sua tigela de pretzels. Os outros dois caras soltaram juntos seus gases. Que nojo- pensei fazendo uma careta.

Todos fizeram cara de nojo.

- Tudo bem – Percy disse e tirou um maço de dólares do bolso e jogou o dinheiro em cima da mesa. – Tomara que você perca.

-Os boletins de vocês chegaram, Geninho! – gritou ele às nossas costas. – Eu não ficaria tão metido!

-Que cara mais mal educado- resmungou Luna.

-Você nem tem noção Luninha- disse Aura.

Bati a porta do meu quarto e de Percy, que na verdade não era nosso. Durante os meses de aulas era a "sala de estudos" de Gabe. Ele não "estudava" coisa nenhuma lá, exceto revistas de automóveis, mas adorava socar as nossas coisas no armário, largar as botas enlameadas no peitoril da janela e fazer o possível para deixar o lugar com cheiro de sua colônia detestável, charutos e cerveja choca. Argh.

Larguei minha mala em cima da minha cama.

Lar doce lar.

-Entendo o sentimento- murmurou Harry.

O cheiro de Gabe era quase pior que os pesadelos com a Sra.Dodds ou o som da tesoura daquela velha enrugada cortando o fio de lã. Mas assim que pensei naquilo, minhas pernas bambearam. Lembrei-me da expressão de pânico de Grover – como ele me fez prometer que não iria para casa sem ele.

-O que você não cumpriu, devemos ressaltar- disse Reyna e Aura fez uma careta para ela.

Um calafrio repentino me percorreu. Era como se alguém – alguma coisa – estivesse procurando por mim naquele momento, talvez subindo pesadamente a escada, com garras compridas e horrendas crescendo.

Então ouvi a voz da minha madrinha.

- Percy, Aura?

Ela abriu a porta do quarto e meus medos se foram.

-Que fofo- falaram a maioria das meninas.

A simples entrada de minha madrinha no quarto já consegue me fazer sentir bem. Seus olhos brilham e mudam de cor com luz. O sorriso é quente como uma manta. Ela tem alguns poucos fios grisalhos misturados com os longos cabelos castanhos, mas nunca penso nela como uma pessoa velha. Quando me olha, é como se estivesse vendo todas as coisas boas em mim, nenhuma das ruins. Nunca a ouvi levantar a voz ou dizer uma palavra indelicada para ninguém, nem mesmo para mim, Percy ou Gabe.

-Caramba é preciso ter a paciência de Hestia, para aguentar vocês- falou uma voz suave e infantil vindo da porta do Salão Principal, todos olharam para a entrada e viram uma garotinha de aparência de 10 anos, ela tinha cabelos ruivos e ondulados que batiam na altura de seus ombros, pele bastante pálida e seus olhos eram prateados como a luz da lua.

-Arty- exclamou Aura sorrindo e Ártemis retribuiu o sorriso, Aura levantou e Ártemis correu até a garota pulando em seus braços e a abraçando fortemente.

-Lady Ártemis- falaram Percy, Leo, Jason, Reyna e Dakota se levantando e se curvando respeitosamente.

-Podem se levantar- falou gentilmente.

-O que faz aqui Arty? Pensei que os deuses não iriam vir- falou Aura depois de ter soltado-se do abraço de Ártemis.

-E não íamos, mas recebemos uma carta no Olimpo, e nela exigiu nossa presença aqui também, então decidimos que em cada capítulo um deus talvez venha, eu queria vir logo, queria ver você- falou com um sorriso carinhoso para Aura.

-Também estava com saudades de você- falou sorrindo para a pequena ruiva.

-Bom, é melhor você se apresentar Ártemis- falou Percy sorrindo de lado para a pequena ruiva.

-Olá meu nome é Ártemis, e eu sou a deusa da lua- falou calmamente.

-Deusa? Deuses não existem- afirmou Hermione.

-Está dizendo que eu estou mentindo criança?- perguntou Ártemis com os olhos semicerrados olhando diretamente para Hermione.

-Sim estou- falou não se deixando abater pelo olhar da ruiva.

-Vamos nos acalmar por aqui, e garota, amenos que você seja suicida ou eu, o que da na mesma coisa, é melhor não irritar uma deusa, se você não quer acreditar agora o problema é seu, depois de ler todos esses livros sua perspectiva muda, acredite, e não é para melhor- murmurou Aura.- E para todos dessa escola, sim deuses existem, se não quiserem acreditar, fodam-se o problema é de vocês.

-Super gentil você- debochou Leo.

-Cala a boca Valdez- falou Aura irritada.

-Vem calar- mandou ele com um sorriso malicioso.

-Por mais que seja uma enorme tentação, eu não vou dessa vez Valdez- falou sorrindo e Leo resmungou alguma coisa incompreensível, enquanto Percy, Ártemis, Reyna e Jason riam da cara que Leo fez.

-Bem acho que seria melhor retornarmos a leitura, não?- perguntou Dumbledore gentilmente.

-Claro- falou Aura e estalou os dedos, fazendo dois puffes aparecerem um prata com um arco dourado, e um marrom com um martelo em chamas.- Você senta ali Valdez- apontou para o puff marrom que estava ao lado do seu, Leo mesmo que contragosto sentou no puff.

-Pode voltar a leitura, Astória- falou Harry, assim que todos se sentaram em seus devidos puffes.

- Ah, Percy, Aura. - Ela nos abraçou apertado. - Eu não acredito. Vocês cresceram desde o Natal!

O uniforme vermelho, branco e azul, da Doce América, tinha cheiro das melhores coisas do mundo: chocolate, alcaçuz e tudo o mais que ela vendia na doceria da Grande Estação Central. Tinha levado para mim e Percy um belo saco de "amostras grátis", como sempre fazia quando nos íamos para casa.

Sentamos juntos na beirada da cama. Enquanto eu atacava os chocolates e Percy os doces de mirtilo, ela passava a mão no meu cabelo e queria saber tudo o que eu não havia escrito nas cartas(Já que eu sempre escrevo quase tudo). Nada mencionou sobre o fato de nos termos sidos expulsos. Não parecia se importar com isso. Mas nos estávamos ok? Suas criancinhas estava bem?

Harry se sentiu um pouco enciumado, sua irmã havia tido uma ótima madrinha, quem dera ele tivesse tido está chance.

Percy disse a ela que estava me sufocando, pediu que desse um tempo e tal, mas, secretamente, eu sabia que aquilo era ciúmes pois ela tava dando mais atenção a mim.

-Não é verdade- resmungou Percy emburrado.

-É sim, dava para ver na sua cara Prissy- Aura falou zoando ele.

-Já não basta Clarisse, ainda tenho que aturar você, o que eu fiz para aturar essas garotas- falou olhando para o teto dramaticamente.

-Não reclama, tem sorte de Thalia e Clarisse não estarem aqui, imagine ia ser pior ainda- falou Jason e Percy estremeceu.

Do outro cômodo, Gabe berrou:

- Ei, Sally! Que tal um pouco de pasta de feijão, hein?

Percy e Aura azedaram as expressões só de lembrar desse idiota.

Eu rangi os dentes. Minha madrinha é a mulher mais gentil do mundo. Deveria ter se casado com um homem bondoso, não com um imbecil como Gabe.

-Concordo- disse Leo segurando a mão da namorada e a mesma colocou a cabeça no seu ombro.

Por ela, tentei parecer otimista em relação aos meus últimos dias na Academia Yancy. Disse-lhe que não estava chateada(o que é verdade só para constar) com a expulsão. Dessa vez, conseguira durar quase o ano inteiro.

-Gostei mais ainda de você- falaram Fred e Jorge sorrindo marotos.

-E vocês são?- perguntou Leo olhando para os gêmeos com os olhos semicerrados.

-Eles são Fred e Jorge Weasley, me lembram muito os Stoll- falou Aura sorrindo de leve e Leo fechou a cara mais ainda.

-Está com ciúmes Leo- debochou Jason.

-Cala a boca Super man- rosnou Leo irritado.

-Você não tem motivos para ficar com ciúmes foguinho, eu amo você, somente você- sussurrou Aura beijando carinhosamente os lábios de Leo.

-Eu também amo muito você, mas...fico inseguro as vezes, me desculpe- sussurrou somente para Aura ouvir.

-Não precisa ficar inseguro, eu não gosto mais do Connor nem ele de mim, nos somos apenas amigos, além do que ele está afim da Eliza- disse sorrindo e Leo sorriu.

-Hum..sem querer atrapalhar o momento fofo, mas já atrapalhando, eu posso voltar a ler?- perguntou Astória e o casal assentiu, fazendo ela sorrir de leve.

Eu havia feito novos amigos. Tinha me saído muito bem em latim. E, honestamente, as brigas não tinham sido tão ruins como o diretor havia dito. Eu tinha gostado da Academia Yancy. De verdade. Enfeitei tanto os acontecimentos do ano que quase convenci a mim mesmo. Comecei a ficar com a voz embargada só de pensar em Grover e no sr. Brunner. Até Nancy Bobofit de repente não pareceu assim tão má. Não pera...retiro o que disse, aquela garota é filha do satanás.

Todos riram(Até os professores- menos o Snape).

Até aquela excursão ao museu...

- O quê? - perguntou minha madrinha encarando Percy.- Alguma coisa assustou vocês?

- Não, madrinha.

Eu me senti mal por mentir, queria contar a ela sobre a Sra.Dodds e as três velhas com o fio de lã, mas achei que aquilo ia parecer bobagem. E olhando para Percy percebi que ele achava a mesma coisa que eu.

-Muita bobagem- comentou Dakota sarcástico.

-Eu só tinha 11 anos, parecia bobagem na minha perspectiva- falou Aura se defendendo.

Ela apertou os lábios. Sabia que eu estava escondendo alguma coisa, mas não quis me pressionar.

-Tenho uma surpresa para vocês - disse ela. - Nós vamos à praia.

Meus olhos se arregalaram de terror.

-Sabemos como é- falaram Jason, Leo e Dakota solidariamente.

-Vocês são muito dramáticos- falou Percy balançando a cabeça negativamente.

- Montauk?- Percy perguntou sorrindo largamente.

- Três noites... no mesmo chalé.

- Quando?- Ela sorriu.

- Assim que eu me trocar.

Mal pude acreditar. Minha madrinha, Percy e eu não tínhamos ido a Montauk nos últimos dois verões porque Gabe dissera que não havia dinheiro suficiente(O que internamente eu agradeço). Gabe apareceu no vão da porta e rosnou.

- Pasta de feijão, Sally. Você não ouviu?

-Se esse cara não morrer nós fazemos fila para mata-lo- rosnou Remo.

-Tô contigo- falou Harry e muitos concordaram.

Tive vontade de dar-lhe um soco, mas meus olhos encontraram os de minha madrinha e entendi que ela estava me oferecendo um acordo: ser gentil com Gabe só um pouquinho. Só até ela estar pronta para ir para Montauk. Então sairíamos dali.(Bom eu não estou nenhum pouco afim de ir para Montauk, mas como Percy e minha madrinha amam o lugar vou fazer um esforço).

-Por que você não gosta de Montauk?- perguntou Gui Weasley.- A propósito sou Gui Weasley.

-Detesto praia, e...todos os ruivos são Weasley?- perguntou Aura e ele assentiu.

-Tem os gêmeos como vocês já sabem, o Rony- apontou para o ruivo que estava ao lado de Harry.- A Gina.- Gina fez uma careta para Aura que revirou os olhos para a mesma.- O Carlinhos.- apontou para o irmão que estava do lado direito dele.- E meus pais, Molly e Arthur- apontou para o casal que sorriu para os meio sangues.

-Uou..vocês são muitos- falou Leo surpreso.

-Deve ser legal ter bastantes irmãos, quero dizer eu tenho o Percy, o Jason e a Arty de consideração- eles sorriram gentilmente para ela.- E também tenho o Harry.- Harry sorriu para a irmã e a mesma retribuiu.- E também tenho dois outros irmãos, um idiota e um super gente boa, e também tenho vários outros de consideração.

-Meia parte do Acampamento você quis dizer, mas eu acho bom você não me considerar um irmão de consideração- falou Leo com um sorriso divertido.

-Não você fica em outra área- falou beijando levemente os lábios do namorado.

-Tá bom chega de beijos, continua loirinha- falou Percy e Astória revirou os olhos, mas voltou a ler.

- Eu já estava a caminho, meu bem – disse ela a Gabe. – Estávamos só conversando sobre a viagem.

Os olhos da mors...quero dizer Gabe se apertaram.

Algumas pessoas riram levemente.

- A viagem? Você quer dizer que estava falando disso a sério?

-Não, imagina- Hermione disse sarcástica.

- Eu sabia - Percy murmurou. - Ele não vai nos deixar ir.

- É claro que vai - disse minha madrinha calmamente. - Seu padrasto só está preocupado com o dinheiro. É tudo. Além disso - acrescentou - Gabriel não terá de se contentar com pasta de feijão. Vou fazer para ele uma pasta de sete camadas suficiente para todo o fim de semana. Guacamole. Creme azedo. Serviço completo.

Gabe amaciou um pouco. Contive o impulso de revirar os olhos.

Ao contrario dela, todos reviraram os olhos.

- Então esse dinheiro para viagem... vai sair do seu orçamento para roupas, certo?

-Para cervejas ele não liga de gastar dinheiro- murmurou Molly indignada.

- Sim, meu bem - disse minha madrinha.

- E você não vai com meu carro para nenhum lugar, só vai usar na ida e na volta.

- Seremos muito cuidadosos.

Gabe coçou seu queixo duplo.Argh

- Talvez se você andar logo com essa pasta de sete camadas... E talvez se os garotos pedirem desculpas por interromper meu jogo de pôquer..

Talvez se eu chutar você no seu ponto sensível, pensei. E fizer você cantar com voz de soprano por uma semana. Ideia tentadora. Pensava seriamente em executa-la...

Todos riram.

-Boa Potter- falaram os gêmeos Weasley rindo.

Mas os olhos da minha madrinha advertiram a mim e Percy para não deixá-lo zangado.

Por que ela aturava aquele cara? Eu quis gritar. Por que ela se  importava com o que esse porco pensava(Se é que ele pensa)?

Muitos risos, a maioria já estava com a barriga doendo.

- Desculpe- Percy murmurou. -Sinto muito ter interrompido seu importantíssimo jogo de pôquer. Por favor, volte a ele agora mesmo.

Os olhos de deles se viraram para mim, me fazendo me perguntar se perderam algo na minha cara, mas me controlei e sorri o mais sarcástica que pude.

-Sinto que tenha perdido no seu maravilhoso e incrível jogo de pôquer, o senhor deve voltar para lá , para ver se consegue ganhar, pelo menos uma vez na vida, vai que consegue né? Vai que essa é tua.

Os olhos de Gabe se estreitaram. Seu cérebro de ervilha provavelmente estava tentando detectar o sarcasmo em minha voz. Deve ter falhado, porcos não pensam.

-Para! Por favor- Leo segurava sua barriga de tanto rir.

- Está bem, seja lá o que for - convenceu-se.

E voltou para o jogo.

- Obrigada, crianças - disse minha madrinha. - Depois que chegarmos a Montauk, vamos conversar sobre..o que quer que vocês tenham se esquecido de me contar, certo?

Por um momento, pensei ter visto ansiedade nos olhos dela - o mesmo medo que vira em Grover na viagem de ônibus - como se minha madrinha também tivesse sentindo um estranho calafrio no ar.

Mas então o sorriso dela voltou e concluí que devia estar enganada. Ela despenteou o cabelo de Percy e foi fazer a pasta de sete camadas para Gabe.

Uma hora entediante depois estávamos prontos para partir.

Gabe interrompeu o jogo de pôquer por tempo suficiente para observar Percy arrastando as malas da minha madrinha e as minhas para o carro.

-Preguiçosa- murmurou Jason e Aura deu o dedo do meio para ele.

Ficou se queixando e se lamentando por ficar sem a comida dela - e mais importante, sem seu Camaro 78 - durante todo o fim de semana.

- Nem um arranhão nesse carro, Geninho - advertiu Percy quando eu estava sentada no banco de carona. -nem um arranhãozinho.

-Como se você fosse dirigir aos 12 anos- disse Luna.

-O cérebro dele é pequeno demais para ele lembrar desse fator- falou Percy e todos riram.

Revirei os olhos. Como se Percy fosse dirigir aos doze anos.Mas isso não importa para Gabe. Se alguma gaivota fizesse cocô na pintura, ele arranjaria um jeito de culpar Percy.

-Tecnicamente seria sua culpa, elas estão no reino do seu pai- falou Ártemis encarando Percy.

-Ainda bem que ele não sabe disse- falou sorrindo discretamente para a deusa da lua, que retribuiu o sorriso.

Observando-o voltar em seu passo desajeitado para o prédio, Percy  ficou tão zangado que fez uma coisa que não consigo explicar. Quando Gabe chegou à porta de entrada, fez um gesto com a mão, uma espécie de gesto para afastar o mal, a mão em garra sobre o coração e depois um movimento de empurrar na direção de Gabe. A porta de tela bateu tão forte que o acertou no traseiro e o mandou voando até a escada, como se tivesse sido disparado por um canhão.

-Como você fez isso?- Rony perguntou boquiaberto.

-Até hoje eu não sei- respondeu dando de ombros.

Talvez tenha sido apenas o vento, ou algum acidente maluco com as dobradiças, mas não ficamos lá tempo suficiente para descobrir. Percy entrou no carro e disse para minha madrinha pisar fundo.

Nosso chalé alugado ficava na margem sul, lá na ponta de Long Island. Era uma pequena cabana de cor clara com cortinas desbotadas, quase enterrada nas dunas. Havia sempre areia nos lençóis e aranhas nos armários, e na maior parte do tempo o mar estava gelado demais para nadar.

-Que depressivo- comentou Reyna e Aura concordou.

Eu odiava o lugar.

-E ainda odeio, só para constatar- falou sorrindo de leve.

Íamos lá desde que eu e Percy éramos bebês. Minha madrinha ia ainda havia mais tempo. Ela nunca disse exatamente, mas eu sabia por que a praia era especial. Era o lugar onde conhecera o pai de Percy. Fofo não?

-MUITO- berraram a maioria das meninas.

À medida que nos aproximávamos de Montauk, ela parecia ir ficando mais jovem, os anos de preocupação e trabalho desaparecendo do rosto. Os olhos ficavam da cor do mar, a mesma cor dos olhos de Percy.

Chegamos lá ao pôr-do-sol, abrimos todas as janelas do chalé e passamos por nossa rotina de limpeza. Caminhamos pela praia, demos salgadinhos de milho às gaivotas e mascamos jujubas azuis, caramelos azuis e todas as outras amostras grátis que minha madrinha levara do trabalho. Doces são deliciosos.

-Exato- concordou Leo e Rony.

Acho que eu deveria explicar a comida azul, certo?

-Sempre tive curiosidade, para saber por que vocês são viciados em comida azul- falou Jason.

Veja bem, Gabe uma vez disse à minha madrinha que isso não existia. Eles tiveram uma discussão, que pareceu uma coisinha de nada na época. Mas, desde então, minha madrinha fez tudo o que era possível comer em azul. Ela assava bolos de aniversários azuis. Batia vitaminas com mirtilos azuis. Comprava tortilhas de milho azul e levava para casa balas azuis da loja. Isso - junto com o fato de conservar o nome de solteira, Jackson, em vez de se chamar sra. Ugliano - era prova de que ela não tinha sido totalmente domada por Gabe. Tinha uma inclinação para rebeldia, como eu e Percy.

-Amor, ela em a inclinação, vocês tem a queda toda- falou Leo para Aura e a mesma fez uma cara de brava, junto de um bico muito fofo que fez ele beijar os lábios dela, desmanchando o bico.

Quando escureceu, acendemos uma fogueira. Assamos o cachorro-quente e marshmallows. Minha madrinha contou histórias sobre quando ela era criança, antes de seus pais morrerem no acidente de avião. Contou-me sobre os livros que queria escrever um dia, quando tivesse dinheiro suficiente para largar a doceria. Finalmente, Percy pareceu reunir coragem para perguntar sobre o que sempre lhe vinha a cabeça sempre  que vinhamos a Montauk o seu pai. Os olhos dela ficaram cheios d’água. Imaginei que iria contar as mesmas coisas de sempre.

- Ele era gentil, Percy – disse ela. – Alto, bonito e forte. Mas gentil também. Você tem o cabelo dele, você sabe, e os olhos verdes.

Madrinha pegou uma jujuba azul do saco de doces.

- Gostaria que ele pudesse vê-lo, Percy. Ficaria muito orgulhoso.

Sorri sabendo do que ela estava falando, Percy é um garoto que todo pai se orgulharia de ter, ele é gentil, amoroso, carinhoso, rebelde, leal e sempre está ao seu lado quando mais precisa. Meu sorriso logo desmanchou lembrando que meu pai havia me abandonado, ele não me quis, simplesmente preferiu ter outra família e me deixar para viver com minha madrinha, não que eu reclame pois sinceramente foi a melhor coisa que ele já poderia ter feito por mim.

Harry suspirou pesadamente e encarou sua irmã, a mesma se levantou do seu puff e sentou ao lado do irmão.

-Eu sei da verdade agora, não precisa me encarar assim, eu não odeio ele, nem Lilian e nem você, não tenho motivos para isso- falou Aura segurando o queixo de Harry e fazendo ele lhe encarar nos olhos.- Eu nunca vou odiar você- falou fazendo leve carinhos na bochecha dele.

Harry não aguentou e a abraçou, e a mesma retribuiu o abraço, colocando a cabeça no pescoço do irmão e inalando o seu cheiro que lembrava hortelã e canela, uma mistura que combinava perfeitamente com ele.

-Pode voltar a ler, Astória- falou Aura ainda abraçando o irmão.

- Que idade eu tinha? - Percy perguntou. - Quer dizer...quando ele se foi?

Ela olhou para as chamas.

- Ele só ficou comigo por um verão, Percy. Bem aqui nesta praia. Neste chalé.

-Awwwn...- falaram todas as meninas.

- Mas...ele me conheceu quando eu era bebê?

-Óbvio que não, se não Titia Zeuza daria um piti- falou Aura e um barulho de trovão foi escutado.

-Você gosta de provocar- falou Ártemis balançando a cabeça negativamente porem com um sorriso no rosto.

- Não, meu bem. Ele sabia que eu estava esperando um bebê, mas nunca o viu. Teve de partir antes de você nascer.

Ótimo, outro pai desnaturado onde esse mundo vai parar.

Outro trovão foi escutado no céu.

-Dramático- falou Aura revirando os olhos.

- Você vai nos mandar embora de novo? - perguntei a ela. - para outro internato?

Ela puxou um marshmallow do fogo.

- Eu não sei, meu querida. - Sua voz soou muito séria. - Acho... acho que teremos de fazer alguma coisa.

- Por quê você não nos quer ver por perto? - Ótimo Percy- pensei comigo mesma.- Você vai ganhar o premio de cara mais insensível do ano.

Os olhos de minha madrinha ficaram marejados. Ela pegou nossas mãos e apertou com força.

- Ah...Percy e Aura, não. Eu...eu preciso, meu bem. Para o próprio bem de vocês. Eu tenho de mandar vocês para longe.

Suas palavras me lembraram o que o Sr.Brunner tinha dito - que era melhor para nos deixar Yancy.

- Porque nos não somos normais? - Percy perguntou.

Normal é chato- pensei com um sorriso divertido.

-Concordo- falou Leo sorrindo de lado.

-É por isso que vocês são perfeitos juntos- falou Jason para o casal.

- Você diz isso como se fosse uma coisa ruim, Percy. Mas não se dá conta do quanto vocês são importantes. Pensei que Yancy seria bastante longe. Pensei que vocês finalmente estariam em segurança.

- Em segurança por quê?- perguntou Percy confuso.

-Só dos monstros que querem comer vocês- falou Jason com um sorriso sarcástico.

Ele não sacou o duplo sentido da frase, até Leo, Percy, Dakota e Aura se entreolharem com sorrisos maliciosos e logo depois rirem.

Os olhos dela encontraram os meus, e me veio uma enxurrada de lembranças - todas esquisitas, assustadoras que sempre aconteciam, algumas que eu tentara esquecer.

Na terceira série, um homem de capa de chuva preta me seguiu no recreio. Quando os professores ameaçaram chamar a polícia, ele foi embora resmungando, mas ninguém acreditou em mim quando contei que, embaixo do chapéu de aba larga, o homem tinha um olho só, bem no meio da testa.

-Um ciclope- murmurou Luna.

E depois disso, na minha quarta série, um homem bastante bonito estava me observando, lembro que ele tinha cabelos negros até os ombros, pele pálida e olhos pretos mas que não aparecia seu reflexo quando você encarava ele nos olhos, eles eram vazios e sem brilho.

-Era ele?- Leo perguntou sussurrando no ouvido da namorada e a mesma assentiu.

-Como você nunca me contou isso?- Percy perguntou incrédulo para a irmã.

-Desculpe- murmurou encolhendo os ombros.

Mas o que mais chamava atenção nele era o colar que estava pendurado em seu pescoço, ele tinha o formato de um lobo totalmente negro com os olhos vermelhos como rubi. Lembro que eu estava sozinha sentada na arquibancada da escola quando um enorme cão apareceu, ele ia me atacar quando o homem, simplesmente estalou os dedos e uma cratera apareceu no chão e o cão foi sugado por ela, depois ele apenas me encarou com curiosidade e sumiu como se nunca estivesse estado lá, como se aquilo fosse apenas um sonho bizarro e assustador que minha mente havia criado, mas eu sabia que não era pelo simples fato do colar estar pendurado no meu pescoço e deis de então eu nunca havia tirado ele, me sentia protegida com ele. Eu nunca havia contado aquilo para ninguém, nem mesmo Percy, pois eu tinha medo de me acharem maluca.

-Devia ter contado- murmurou Percy.

-Sinto muito, mas você ia me achar maluca, nem adianta mentir- falou Aura e Percy contragosto concordou.

Em cada uma das escolas, algo de horripilante acontecera, algo perigoso, e eu e Percy fomos forçados a sair. Eu sabia que devia contar à minha madrinha sobre as velhas na banca de frutas e a Sra.Dodds no museu de arte, sobre a estranha alucinação em que Percy havia transformado a professora de matemática em pó com uma espada. Mas não consegui me forçar a contar. Tinha a sensação esquisita de que a notícia iria acabar com nossa viagem a Montauk, e isso eu não queria, não por minha causa e sim do meu irmão, sabia que ele amava aquele lugar.

Percy sorriu agradecido para a irmã e a mesma retribuiu o sorriso se levantando do puff que estava com Harry e sentando no colo de Leo.

- Tentei manter vocês tão perto de mim quanto pude - falou minha madrinha. - Eles me disseram que isso era um erro. Mas só havia uma outra opção, Percy... o lugar para onde seu pai queria mandá-lo. E eu simplesmente... simplesmente não poderia aguentar ter de fazer isso.

- Meu pai queria que eu fosse para uma escola especial?

- Não uma escola - disse ela suavemente. - Um acampamento de verão.

-O Acampamento Meio Sangue- falaram Reyna, Leo, Jason, Percy, Dakota e Arty.

-Melhor lugar do mundo- falou Aura sorrindo divertida.

Minha cabeça estava girando. Por que o pai de Percy - que nem sequer ficara por perto tempo suficiente para vê-lo nascer - teria falado com minha madrinha sobre um acampamento de verão? E, se isso era tão importante, por que ela nunca mencionara antes?

- Desculpe, Percy - continuou ela ao ver a expressão no rosto do meu primo- mas não posso falar sobre isso. Eu... eu não podia mandar você para aquele lugar. Significaria dizer adeus a você para sempre.

- Para sempre? Mas se é apenas um acampamento de verão...

Ela se voltou para o fogo, e eu percebi pela sua expressão que, se Percy fizesse mais perguntas, ela começaria a chorar.

Naquela noite eu tive um sonho muito real.

-Odeio os seus sonhos- murmurou Leo, puxando a namorada mais para si.

-As vezes conseguem ser pior do que os do Percy- falou Jason e Percy concordou.

Eu estava em uma casa, mas precisamente no corredor, quando de repente um homem subiu a escada, um homem muito feio seu rosto era parecido com o de uma cobra, ele apontou um tipo de graveto na minha direção, na direção do meu coração, eu tentei sair, mas não consegui, era como se estivesse colada ao chão. De repente uma luz verde veio em minha direção, mas ela não me atingiu, eu ouvi um baque e olhei para trás, e um vi corpo caído no chão, eu vi ele. Um homem muito bonito, seus cabelos eram negros como os de Percy mas em um tom mais suave e completamente rebeldes, sua pele estava mais pálida, e seus óculos um pouco soltos, mas por debaixo dele era possível ver dois olhos avelãs esverdeados, que estavam sem vida, senti uma enorme angustia e vontade de chorar, como se meu coração tivesse se quebrado em mil pedaços, e eu nunca mais pudesse junta-los.

Aura chorava no peito do namorado, e o mesmo fazia carinhos em sua cabeça, enquanto murmurava palavras de conforto. Harry olhou para a irmã penalizado, ele não queria que ela tivesse visto a morte do pai, preferia que tivesse sido ele e não ela.

-Volte a ler Astória- pediu Dakota.

Acordei assustada.

Do lado de fora, havia realmente uma tempestade, o tipo de tempestade que racha árvores e derruba casas. Não havia nenhum homem com graveto na mão, somente relâmpagos que criavam uma falsa luz do dia e ondas de seis metros golpeando as dunas como artilharia.

Com o trovão seguinte, minha madrinha acordou. Ela sentou na cama, os olhos arregalados, e disse:

-Furacão.

Olhei para a cama de Percy e vi ele sentado assustado. Eu sabia que aquilo era loucura. Nunca houve furacões em Long Island tão cedo no verão. Mas o oceano parecia ter esquecido isso. Por cima dos rugidos do vento, ouvi um bramido distante, um som furioso, torturado, que fez meus cabelos se arrepiarem. Depois um ruído muito mais próximo, como de malhos na areia. Uma voz desesperada - alguém gritando, esmurrando a porta do nosso chalé.

Minha madrinha pulou da cama de camisola e abriu a porta de um safanão.

Grover estava lá, emoldurado no vão da porta contra um fundo de chuva torrencial. Mas ele não era...ele não era exatamente o Grover.

-Como assim?- perguntou Hermione louca por respostas.

-Você já vai entender- falou Aura com sua voz um pouco rouca, por causa do choro, mas já estava mais calma.

- Procurei vocês a noite toda - arquejou ele. -O que você estava pensando?- perguntou olhando para mim.

Minha madrinha olhou para mim e Percy aterrorizada - não com medo de Grover, mas da razão de sua chegada.

-Aura- disse ela, gritando para se fazer ouvir mais alto que a chuva. - O que aconteceu na escola? O que você não me contou?

Fiquei paralisado olhando para Grover. Não conseguia entender o que estava vendo.

-O Zeu kai alloi theoi!- gritou ele. - Está bem atrás de mim! Você não contou a ela?

Eu estava chocada demais para registrar que ele acabara de praguejar em grego antigo, e eu tinha entendido perfeitamente.

-Como?- Gui perguntou.

-Os cérebros dos semideuses são treinado para falar em grego antigo e não o inglês- explicou Ártemis.

Estava chocada demais para me perguntar como Grover chegara ali sozinho no meio da noite. Porque Grover não estava usando calças - e onde deveriam estar as pernas dele... Onde deveriam estar as pernas dele..

-Estava o que Merlim?- Rony perguntou curioso.

Minha madrinha olhou para mim com expressão severa e falou em um tom que jamais usara antes:

-Aura, Conte-me agora!

-Isso ai Tia Sally põe ordem nessa bagaça- falou Jason.

Eu respirei fundo e falei sobre velhas senhoras na banca de frutas e a Sra.Dodds, e minha madrinha ficou olhando para mim, o rosto mortalmente pálido aos clarões dos relâmpagos.

- Vão para o carro. Vocês três.Vão!

-Obedeçam logo- falou Dakota entediado.

Grover correu para o Camaro mas ele não estava exatamente correndo. Estava trotando,sacudindo seu traseiro peludo, e de repente sua história sobre um distúrbio muscular nas pernas fez sentido para mim. Entendi como ele podia correr tão depressa e ainda assim mancar quando andava. Porque onde deveriam estar seus pés não havia pés. Havia cascos fedidos.

-Como assim cascos fedidos?- perguntou Gina confusa.

-Melhor deixar para o próximo capítulo- falou Percy lembrando da discussão boba que rolou no carro.

-Então quem vai ler dessa vez?- perguntou Astória, mas antes que alguém pudesse responder algo uma luz azul iluminou o Salão.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 


Notas Finais


Gente quem vocês querem que venham no próximo capítulo, pode ser seis campistas, e um deus.
O que vocês acharam da Aura e do Leo? Quem vocês acham que é o cara que salvou a Aura no quarto ano? Quem vocês acham que é os irmãos da Aura? O que vocês acharam da relação dela com a Arty, Percy e Jason? O que vocês acham desse presente que ela ganhou?
Comentem a opinião de vocês é importante.


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