História Hoje eu não quero acordar sozinho - Capítulo 2


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Categorias EXO
Personagens Chanyeol, D.O
Tags Câncer, Chansoo, Deathfic, Greysun, Kyunyeol, Lupus, Short 10/10
Visualizações 52
Palavras 2.486
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Ficção Adolescente, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Linguagem Imprópria
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olá meus anjinhos, eu voltei com mais um capítulo espero que gostem e sim, os capítulos são bem curtinhos. Não queria fazer algo muito grande e acabar colocando tudo em um só.

Capítulo 2 - Hoje eu não quero respirar


Fanfic / Fanfiction Hoje eu não quero acordar sozinho - Capítulo 2 - Hoje eu não quero respirar

Kyungsoo olhava de maneira desinteressada para os pacientes ao seu redor. Todos eram jovens, em uma média de dezesseis anos beirando aos dezoitos, e alguns um pouco mais velhos que si. Suas mãos relaxaram sobre seu colo, seus cabelos escuros eram cobertos pelo gorro preto de Chanyeol que ao seu lado ajustava o tubo em seu nariz. A cabeleira rosa desbotada dele caía entre seus olhos, revelando as raízes ‘num tom castanho cacau original de seus fios.

No centro, o orador falava sobre o quão importante era ter pensamentos positivos acerca de seus tratamentos, que no fim a fé era a única coisa que deveriam se importar. Para ele tudo se resumia em crer em uma cura “milagrosa” e tudo se resolveria. Para Kyungsoo, o mais aceitável era acreditar no tratamento ou desistir de uma vez.

— Bom, quero que contem para todos nós o que aconteceu de bom e de ruim nesses últimos anos ou meses de tratamento. — O orador sorriu alegre, causando náuseas no Do, que apenas revirou os olhos e olhou para o amigo que não estava muito diferente de si e se continha para não rir. — Quero que falem sobre esses últimos dias, vamos, todos aqui estamos juntos com você!

Incentivo. Era aquilo que o orador, Jooheon, tentava passar para sua turma e bem, uns até se arriscam a levar aquele incentivo para o tratamento, mas outros como Kyungsoo preferiam acreditar que pensamentos não curavam sua doença, afinal, ela realmente não tem cura, apenas um controle com ajuda dos remédios e das bolsas que recebia, já que o próprio organismo tentava se matar.

Uma menina que estava ao lado do orador se levantou. Suas bochechas coraram de vergonha quando começou a falar, mas seu sorriso alegre faleceu quando começou a falar sobre sua condição. Seu nome era Yoo Jihyo, Yoo estava com um tumor no coração. Um tanto tímida e com uma touca na cabeça contou aos poucos sobre suas dificuldades. Sobre a saudade que sentia de casa, dos cabelos e dos passeios que antes fazia com uma frequência fora do comum. Mas que estava bem, o tratamento para conter o tumor estava dando certo e acreditava que no final tudo iria se resolver.

Todos ali acreditavam na cura, que parecia ser tão utópica para Kyungsoo.

A contragosto, Kyungsoo sorriu para a menina, enquanto as outras pessoas aplaudiam a garota que novamente tinha seu rosto num tom avermelhado, enquanto tentava falhamente esconder com o cachecol em um tom pastel.

— E você Kyungsoo, quase não fala durante nossos encontros. Gostaria de saber como você está, se seu tratamento está dando certo. — Jooheon chamou atenção do mais baixo, ouvindo um riso baixo do Park que apenas encarou o moreno ao seu lado, recebendo um tapa fraco no braço coberto pela camisa listrada. — Todos queremos, certo?

— Certo! — os pacientes da roda falaram em uníssono, enquanto encarava o mais baixo.

O Do contou até dez mentalmente, mas acabou parando no quatro e suspirando fundo, enquanto fechava os punhos batucando a calça antes de começar a falar.

— Meu nome é Do Kyungsoo, tenho dezete anos. — Ajustou o gorro que escorregava de sua cabeça, ao mesmo tempo que suas mãos pararam atrás de suas costas. — Diferente da maioria de vocês, eu não tenho um tumor ou qualquer outra coisa que seja sinônima de câncer. Não tive essa sorte. — Riu sem humor, recebendo um olhar inquisidor de uma garota. — Eu tenho uma doença um pouco mais complicadinha de se entender. Eu nasci com ela. Eu tenho lúpus. Existem dois tipos de lúpus, um que atinge a pele e outro que é o meu caso, que atinge em especial os órgãos. Vou dar uma aula básica de lúpus: sabe as células que nosso sangue produz para combater as bactérias e as outras coisas nojentinhas que nos deixam doentes? Então, o meu sangue produz um tipo diferente e esse tipo de diferente, funciona como um cavalo de Tróia. — Ouviu Chanyeol rir com a comparação feita, olhou para o lado e sorriu doce, amava a risada do mais velho. — No lugar delas combaterem, ela agrava, então eu não consigo me autoproteger. Como se o Darth Vader estivesse dentre o exército do Luke, invadindo a própria estrela da morte, mas antes disso ele inicia um ataque enquanto estava infiltrado. O lúpus funciona basicamente, mais informações perguntem a qualquer médico, já que eles explicam melhor, mas vão usar aqueles termos difíceis. — Agora era a sua vez de rir, escutou todos os outros pacientes rirem e cochicharem entre si. — Mas eu ultimamente estou muito bem, meu tratamento não é um dos mais fáceis de suportar, porém eu tenho o Chan ao meu lado, ele torna tudo um pouco mais confortável e suportável. — Sentiu a mão do amigo procurando pela sua. Os dedos largos se entrelaçaram nos seus, junto com o sorriso que surgiu em seus lábios. — A parte ruim, bem, eu ultimamente me sinto mais cansado. Meu corpo não tem uma das melhores condições, eu não consigo correr como antes, tem dias que eu não consigo levantar sozinho. Isso me deixa péssimo, sinto que sou incapaz e essa é a pior parte. Nesses dias eu só fico jogado na cama, tomando meus analgésicos e chorando embaixo do lençol. Nesses dias eu lembro o quão difícil é ser portador de qualquer tipo de doença. Nesses dias eu não tenho tanta esperança, porque no final deles eu tenho que ir para o hospital às pressas, o ar não percorre como deveria e me sinto como se estivesse no fundo de uma piscina, sem fôlego, apenas no fundo, esperando por uma mão que me tire de lá e diga “está tudo bem, você ainda pode lutar para viver”. Acho que todos nós sentimos isso em algum momento. — Sentiu seu estômago se contrair, olhou para a mão entrelaçada a sua. As manchas de furos, as veias que se destacavam na mão fria e sem oxigenação o suficiente. Sentiu vontade de chorar, não se sentia tão forte quanto tinha chegado ali. — Nesses dias, eu só preciso de uma salvação. Espero que todos tenham a sua própria válvula de escape.

— Obrigado por ter exposto seus pensamentos e sentimentos conosco, sabemos que não é fácil fazer is-  

Antes que Jooheon pudesse responder. Kyungsoo se levantou de maneira silenciosa e saiu da sala. As mãos soltaram rapidamente as de Chanyeol, que por alguns segundos manteve seu olhar congelado na cadeira preta que antes o amigo sentava. Segurou a bolsa de correr em que o oxigênio portátil estava e foi atrás de Kyungsoo. Não se importou se por alguns minutos sentiu seu peito arder, seus pulmões de vidro estavam frágeis então teve que diminuir a velocidade em que corria e por fim achou o amigo, sentado na calçada do pequeno consultório.

— Você… corre… muito. — Parou algumas vezes para poder recuperar o ar que faltava em seus pulmões. — Nunca mais faça isso com seu amigo que tem um pulmão e meio.

— Desculpa te fazer correr, esqueci dos seus pulmões portáteis que não fazem o trabalho completo. — Suspirou, ajudando o amigo a se sentar ao seu lado. — Me perdoe por realmente ter te feito correr, eu não queria. Mas, não ia suportar chorar na frente deles.

— Vou aceitar as desculpas, se você me deixar ficar aqui. — Sentou-se e depois relaxou o corpo, ajustando o tubos em seu nariz. — Eu entendo, você nunca foi fã de chorar na frente das pessoas. Ainda me lembro quando nos conhecemos e você não queria me deixar ficar do seu lado, porque você estava ocupada tentando se suicidar “mas tinha medo demais de deixar a humanidade sem alguém tão incrível e inteligente”. — Repetiu as palavras do amigo, que riu ao seu lado. Juntou suas mãos novamente e olhou enquanto o moreno deitava a cabeça em seus ombros. — Você nunca muda e é isso que te faz especial. Você é único, não pode se deixar levar. Você é a única pessoa que eu conheço que consegue explicar a própria doença sem soar algo melancólico e digno a um drama americano. Mas já conversamos sobre isso. Chorar é algo normal.

— Pode ficar, só não vai embora depois. — Fechou os olhos enquanto descansava a cabeça em seus ombros. — Não acredito que você ainda lembra da forma que nos conhecemos! Qual é, eu tinha treze anos, eu não tinha muita coisa na cabeça naquela época. — Riu baixinho. Por mais que fosse difícil admitir, no início da adolescência a morte sempre foi mais atrativa para si. Era tão atrativa que além de tratamento médico, recebia acompanhamento de psicólogos e remédios para dormir. Havia sido uma das piores fases de sua vida. — Eu nem preciso agradecer por você estar aqui comigo, certo?

— Na verdade, você precisa sim agradecer. — Sorriu enquanto encarava o amigo. De perto, poderia ver todos os detalhes em seu rosto. As sardas quase invisíveis em seu nariz, castanhas que quase não se destacavam na pele meio bronzeada e entre as manchinhas rosadas causado pela própria doença. Os olhos grandes e escuros, que faziam o Park se perder e mergulhar naquele mar. Tudo em Kyungsoo era belo, e era aquilo que fazia seu coração palpitar tão forte quando estavam muito próximos. — Mas só me prometa uma coisa — sussurrou, estavam tão próximos que não era necessário falar alto para escutarem. O calor do hálito de Chanyeol batia próximo às bochechas de Kyungsoo que não desviava o olhar do amigo, atento as todas as palavras do mesmo. — Fique ao meu lado até o fim, me prometa que não vamos nos separar. Eu não quero acordar sem ver você.

— Eu prometo, Chanyeol — sussurrou estendendo a mão mostrando o dedo mindinho. O Park encarou por alguns segundos sem entender bem o que aquilo significava. — Vamos, Chan, precisamos confirmar a promessa.

O Park sorriu, levantando a mão e entrelaçando os dedos mindinhos uns nos outros. Antes de fechar os olhos e repetir a promessa.

A primeira promessa que haviam feito fora no térreo do hospital onde tinham se conhecido. Chanyeol prometeu a Kyungsoo que nunca iria abandonar o garoto, que se dependesse de si, não deixaria ninguém maltratar o pequeno e que eles seriam melhores amigos. Um juramento infantil que para eles havia sido sério e depois de tantos anos juntos, tantos tratamentos que faziam, tantas dificuldades encontradas em ambas as doenças, independente de serem diferentes. A dor parecia ser carregada na mesma proporção.

Com um sorriso infantil no rosto, Kyungsoo se levantou animado. As mãos estavam dentro do casaco largo para esquentá-las. Esperou que Chanyeol o acompanhasse, antes de começar a andar sem falar nada.

— Para onde vamos? — Questionou o amigo, mas não recebeu resposta. Balançou a cabeça em um sinal negativo, voltando a acompanhar o garoto, agora ‘num ritmo mais calmo.

Lado a lado. Em um silêncio confortável, Chanyeol se perguntava o que se passava na cabeça do pequeno enquanto o acompanhava.

Aquilo de certa forma era uma atitude esperada vinda de Kyungsoo, que vez ou outra dava um de seus surtos de silêncio e arrastava o amigo para um lugar em que pudessem conversar sem serem interrompidos.

Mas daquela vez, estavam sendo levado a um lugar diferente. Uma biblioteca, silenciosa e com um movimento que deixava a desejar: apenas algumas mulheres vagavam entre as largas prateleiras. Chanyeol seguiu os passos do amigo e foi levado à seção de poesias, ainda sem entender viu o mesmo chamá-lo e entregá-lo um livro com uma capa clara em letras negras. Conhecia o autor do livro, sabia que era um dos favoritos de Kyungsoo.

Viu o amigo sentar-se no chão daquele corredor. As costas apoiadas na parede branca e os pés balançando.

— Você pode ler para mim? — Chanyeol sorriu ao ouvir a pergunta e se sentou ao lado do amigo. Sentiu ele deitar a cabeça em seu colo e logo passou a acariciar os cabelos negros que antes estavam cobertos pelo gorro. — Senti falta de te pedir isso.

— Claro que eu posso, amo ler livros com você. — Riu baixinho, olhando para o livro que estava aberto em suas mãos. — Você pode pedir quando quiser, não me importo de ler nada para ti, contanto que não sejam artigos sobre câncer.

— Eu odeio artigos sobre câncer, são tão melancólicos.

— São terrivelmente chatos e autodepreciativos. — Ouviu o amigo concordar e logo suspirou. — Vamos começar, então…


Homem livre, o oceano é um espelho fulgente
Que tu sempre hás-de amar. No seu dorso agitado,
Como em puro cristal, contemplas, retratado,
Teu íntimo sentir, teu coração ardente.

Homem e o Mar, Charles Baudelaire.


— Você gosto dessa filosofia certo? — Perguntou de forma retórica, observando o menor se acolher em seu colo. A cabeça sobre seu peito, a respiração sonolenta e os pedidos mudos por carícias. Às vezes, Chanyeol achava que seu amigo era uma criança bastante carente. — Usando metáforas envolvendo o mar, como se de alguma forma ele te representasse.

— Na verdade, eu tenho uma fissura um pouco estranha pelo mar. — Sussurrou para que não ouvissem reclamações acerca do barulho que poderiam estar fazendo. — Gosto dos poemas que envolvem ele, não é bem pela mensagem, mas pela maneira que ele pode abordar tantas coisas em uma só condição. Isso se torna bastante profundo se você observar direito, entende?

— Entendo — respirou fundo, sentindo um certo incômodo em seu peito, mas ignorou buscando continuar o diálogo que tinham. — Mas quando começou essa fissura? Não me lembro de você ter me falado sobre ir para praia.

— Não me lembro da última vez que fui, mas, quando eu me sinto mal, fecho os olhos e me imagino vendo o pôr do sol na praia, a areia fria e fofa. As ondas indo e vindo e molhando meus pés, a brisa, tudo vem de uma maneira tão tranquila. Nenhum remédio me faz sentir assim. — Por alguns minutos seus olhos se fecharam, seu corpo se encolheu mais e os braços de Chanyeol o rodearam num abraço que emanava proteção e carinho. Como se aquilo fosse uma barreira, impedindo que tudo de ruim pudesse chegar perto do menino.

— Sentir assim? — Questionou, esperando que o garoto completasse a frase.

— Como se não tivesse nada, como se eu fosse livre de tudo. Como se não houvesse lúpus ou câncer, apenas eu e o mar. Eu e a imensidão. — Kyungsoo sorriu, abraçando de maneira tímida o corpo grande do amigo. — Apenas, eu e você.

E Chanyeol, no meio daquele silêncio gostoso que invadiu o corredor, pensou em responder o rapaz, mas preferiu deixar de lado. Respondeu através do abraço e do carinho ali presente.


“Mesmo sem saber, Kyungsoo, você é a minha própria imensidão. Aquilo que me separar das coisas ruins.

O que me faz esquecer do tumor que tem dentro de mim, você, Kyungsoo, é a imensidão e a cura para o vazio que há em mim.”


Notas Finais


Até o próximo capítulo!


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