História Hole in my soul - Buraco na minha alma - Capítulo 3


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Categorias Good Omens
Personagens Anathema Device, Aziraphale, Crowley, Personagens Originais
Tags Angst, Aziracrow, Aziraphale, Crowley, Gabriel, Good Omens, Good Omens Fanfic, Hurt, Hurt/confort, Injued
Visualizações 32
Palavras 1.883
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Luta, Magia, Romance e Novela, Shonen-Ai, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá novamente...

Capítulo 3 - Chapter three - My life without you


Fanfic / Fanfiction Hole in my soul - Buraco na minha alma - Capítulo 3 - Chapter three - My life without you

 

                Crowley acordou numa pilha de cerâmica quebrada, o cheiro da terra dos vasos amanava por todo o enorme salão. Ele sentiu os cacos cortando sua pele mas não se importou. Não havia mais necessidade de parecer bonito: seus cabelos agora caiam em seus olhos e se depositam pelos ombros, visto que 6 meses se passaram desde que tinha saído pela última vez de casa. Seis meses desde que vira o anjo. A saudade doía em sua essência. Crowley havia deixado o telefone do lado de sua cama junto da flor de Aziraphale. Ele havia criado aquela espécie exatamente para ele - pensou sorrindo. Ela estava tão radiante que o demônio teve medo de tocá-la e sujar com seus dedos enegrecidos de terra. Ele estava aguardando até que desabrochasse naturalmente para entregar ao seu amado. O demônio se levantou e abriu outra garrafa de Whisky: a terceira da manhã. Bêbado, ele podia esquecer.

               Uma batida na porta o tirou de seus pensamentos. O demônio sorriu ao pensar que talvez fosse seu anjo. Ele havia repensado! Talvez agora ele poderia saber o motivo a qual Aziraphale havia agido daquela forma. Crowley fez um milagre para que pelo menos suas roupas ficassem apresentáveis diante da bagunça de sua aparência. Ele correu até a porta sem pensar, sem imaginar o perigo. Mas antes que pudesse girar a maçaneta, a porta foi arrancada por um chute. Crowley sentiu o impacto da madeira contra seus ossos, a dor latejando por todos os meus membros. Ele caiu no chão se contorcendo. Notou rapidamente que o ataque havia vindo de um ser sobrenatural assim como ele tamanha era a força. O demônio tentou se recompor apesar de sentir alguns ossos quebrados. Rapidamente tentou curá-los enquanto ainda tinha algum tempo. Mas logo esse tempo cessou. A passos longos e pesados  ele viu Gabriel se aproximar. Ele estava maravilhoso em suas vestes brancas. Alguns arcanjos o acompanhavam e o demônio estremeceu pelo medo do que fariam em seguida. Afinal, ele não estava em condições para um combate.

                _ Você está um caco - Gabriel disse sorrindo ironicamente. Se Crowley tivesse forças, quebraria todos aqueles dentes perfeitos.

                _ Sou seus olhos - o demônio respondeu tossindo um pouco de sangue negro. Os anjos riram em união _ A que devo a honra da visita? Reunião de família?

                _ Ah não... Você nunca seria convidado.  Você não tem família, ou melhor, se me lembro bem você foi expulso - o arcanjo disse tentando fazer piada. Deu um riso forçado quando notou que o demônio continuou com o mesmo semblante de antes.

                _ Aquele que nenhuma família quer, aquele caído que ninguém quer… até mesmo seu anjo, não é mesmo?!

                _Cala sua maldita boca! - Crowley gritou trincando os dentes. Ele segurou as lágrimas, não feriria seu orgulho diante deles. Por mais que fosse destruído, nunca abaixaria a cabeça para os arcanjos. Não quando se lembrava tão nitidamente de sua queda _ Você não ouse toca-lo! Está me entendendo?! - vociferou. Suas costelas trincadas doeram com a força de suas palavras.

                _ Estou disposto a barganhar… afinal, é pra isso que vim até aqui… - a face do arcanjo obscureceu. Os olhos pareceram mais diabólicos que os seus.

                _ O que você quer? Abre a boca logo!

                _ Olha a boca, ou você quer que eu torça o belo pescoço gordo do anjo de uma vez?

                - Por favor, diga… -Crowley implorou. Lágrimas de puro se formavam no canto de seus olhos.

                - Eu quero a espada flamejante - finalmente disse.

                - Mas eu não sei mais onde ela está... Não posso encontrá-la.

                - Ah… você pode sim. Seis mil anos de convivência e você me dá essa resposta? Acho que te superestimei… enfim, a espada pelo anjo. Você sabe muito bem como encontrá-la.

                - Se você sabe, então por que não a pegou senhor Inteligência? - o demônio perguntou de modo irônico.

                - Você vai saber quando for na livraria - ao acabar de dizer aquilo os arcanjos desaparecem, deixando apenas um rastro de destruição para trás. Crowley se arrastou como há muitos anos não fazia  se lembrando quando ainda era chamado de Crawley.

                Algumas horas se passaram desde o acontecido e o demônio se preparava para entrar na livraria. Seu coração acelerado pelo o que teria que fazer, mas também em pânico pela possibilidade de encontrar Aziraphale depois de tanto tempo. Crowley pegou o Bentley atravessando toda a cidade até a livraria. De frente a porta, ele deslizou pelas roupas lisas e negras, se transformando numa cobra. Ele sentia repugnância daquela forma, apesar da necessidade de toma-la. De modo sinuoso o demônio foi até os aposentos que julgava mais secretos encontrando portas que davam a lugar nenhum, sigilos de proteção contra demônios. Mas finalmente uma luz ofuscou seu olhar, no final de um corredor numa redoma de vidro encontrava-se a espada flamejante. Sempre tão bonita como se lembrava, ainda mais bela nas mãos de seu amado. Ele sentiu o cheiro demoníaco ao redor do objeto, o vidro estava energizado de uma pura fonte demoníaca. Aziraphale não queria que nenhum anjo o tirasse de lá, nem mesmo que fosse ele próprio - ponderou. Crowley novamente se transformou e materializou uma capa preta pra esconder sua face. Com toda a delicadeza que pode, o demônio abriu a portinhola sem qualquer dificuldade pegando o objeto sagrado. Sua mão começou a queimar em contato com o metal santificado, e num impulso o objeto caiu no chão causando um ruído metálico. O demônio curou sua mão, e em seguida embalou a espada num manto que trouxera consigo. O medo de ser pego crescia em ondas por sua garganta. Ele abriu as asas procurando a primeira janela do lugar. Avistou uma no final do corredor, dando para um jardim dos fundos. Assim, ele estava fora do recinto e de encontro a rua. O peso do objeto sagrado pesada em seus braços, e o demônio sabia que precisa descansar. Não conseguiria voar por muito tempo. Ele agradeceu por seu Bentley ainda estar ali a sua espera. Colocando no banco de trás do carro, Crowley levou o objeto de volta a sua casa, exausto o bastante para pensar em qualquer coisa.

                O demônio apagou assim que sentiu o chão gelado abaixo de si, se sentindo revigorado por poder finalmente se deitar. A espada jazia próxima aos seus pés e orgulhoso sentiu que finalmente o trabalho estava feito. Que pelo menos por um instante Aziraphale estaria bem, por mais egoísta que fosse o motivo, uma espada santificada não poderia destruir um anjo.

               Em seus sonhos, Crowley via o Éden. Em qualquer lugar estava o sorriso puro de Aziraphale. A sinceridade de seus sentimentos. Crowley invejava aquela capacidade de amar, a pureza. Ele havia perdido tudo isso quando caiu, até mesmo suas asas brancas. Mas com o tempo, toda a inveja e ressentimento se transformou em admiração. Ao acompanhar sua ingenuidade e até mesmo o carinho para com ele, Crowley se viu amando-o.  Naquele instante sabia que não havia mais volta.

O demônio se permitiu ser dele, entregando-se completamente, mesmo que o processo de ser aceito tenha sido doloroso e longo. Milênios em que suas trocas de carinho se resumiram apenas a olhares, até que Crowley tivesse protegido seus livros na Segunda Grande Guerra. Então por que Aziraphale havia se afastado novamente? Crowley não conseguia qualquer outro motivo que não fosse sua culpa. O sonho era agora um pesadelo sem fim de medos e incertezas, fazendo com que o demônio acordasse pelo desespero. Ele tateou o escuro a procura de seus óculos.. A cama era apenas um lençol improvisado jogado pelo salão gelado, alguns travesseiros já puídos pelo tempo. Crowley esfregou os olhos ajeitando o cabelo em se seguida  e se levantou em seguida. Ele estava disposto a falar com Aziraphale, afinal ele ao menos devia uma explicação por mais simplória que fosse. "Alguém não devia sair da vida do outro sem uma explicação"- ponderou. Porém mais um pensamento o perturbava: o por que de Gabriel querer tanto a espada flamejante. Certamente não seria dos melhores motivos altruístas. O arcanjo havia demonstrado muitas vezes não possuir um senso de compaixão e empatia. Além disso, ele se sentia culpado de tê-la roubado de Aziraphale e pensava nas consequências que isso traria. 

   O demônio tomou um banho, pois precisava do relaxamento que a água lhe traria. Afinal, não havia milagre algum que curasse seu coração. Logo, penteava os cabelos que agora tinham longos cachos vermelhos, sua aparência havia adquirido uma feminilidade por conta de seus traços finos. Deitado em seu sofá, ele ouviu alguém entrando. Os passos pesados pelo salão de visitas seguiram até ele. Num susto pulou quando sentiu o cheiro e a aura do ser que vinha. Seu coração que até o momento estava inerte, palpitou brutalmente em seu peito. 

     Aziraphale o encarava com uma expressão difícil de compreender. Um misto de raiva e decepção que fez com que Crowley desse um passo pra trás. Ele certamente havia se dado conta que a espada não estava mais lá. Crowley precisava argumentar por mais que o trato com Gabriel fosse manter a troca no mais absoluto sigilo. A segurança de Aziraphale dependia disso. 

_ Anjo, eu posso explicar... Você vai compreender um dia, eu… 

_ Eu nunca esperei algo assim de você - o principado começou caminhando a frente _Que você se venderia tão facilmente a uma vingança. Roubar minha espada ?! Pensei que fosse mais íntegro que isso demônio.

_ Vingança? Eu não ... Nunca me vingaria de você por nada. Eu não poderia fazer isso, você sabe muito bem que eu te…. - Crowley não pode terminar as palavras, um tapa poderoso bateu pesadamente em seu rosto. Ele sentiu seus dentes rangerem com o impacto. A dor seguida do sangue que escorria de seus lábios. Ele tentou esconder com uma das mãos sua face afetada que muito provavelmente tinha algum corte. Crowley não conseguia erguer o olhar, sentia vergonha, humilhação, tristeza... Não conseguia encara-lo. 

_ Eu sinto muito, muito... Eu… - balbuciou. Se Aziraphale tivesse olhado mais atentamente teria visto as lágrimas que começavam a se formar no canto dos olhos. O demônio passou a manga da camisa em seus lábios e nariz a fim de secar o sangue. Ele estava imóvel, seus músculos tremendo pelo estresse. Tinha medo de olhar, medo de alguma outra reação de Aziraphale. Estava tudo acabado, ele sabia. Não havia mais nada que pudesse fazer, até mesmo implorar. Talvez a Deus tivesse razão: ele era imperdoável e talvez Aziraphale tivesse notado isso. Não havia futuro algum ao seu lado. 

_ Eu não sei o que deu em mim em confiar em um demônio-  o anjo disse rangendo os dentes _Nunca mais chegue perto de mim - Aziraphale completou fazendo com que Crowley voltasse de seus pensamentos. O mero som de sua voz fez com que uma vertigem atravessasse sua espinha. Novamente, o demônio estava sozinho no salão. Ele não se curaria de uma ferida da alma por um milagre, e por isso não se importou com as feridas físicas. Elas ficariam ali até que seu corpo físico julgasse necessário. Crowley deitou na banheira de porcelana e deixou que seus pensamentos divagassem. Estava tão cansado que dormiu quase que instantaneamente, noite ou dia, tempo… nada fazia mais sentido pra ele. 


Notas Finais


Sad... :\


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