1. Spirit Fanfics >
  2. Hollywood Vibes (Segunda Temporada) >
  3. Acampando com as Estrelas - Parte 4

História Hollywood Vibes (Segunda Temporada) - Capítulo 23


Escrita por:


Notas do Autor


Acho que eu exagerei no tamanho do capítulo. Mas ao mesmo tempo, compensou pelo tempo da demora.
Fiquem agora com um capítulo de 10 mil palavras.

Capítulo 23 - Acampando com as Estrelas - Parte 4


Fanfic / Fanfiction Hollywood Vibes (Segunda Temporada) - Capítulo 23 - Acampando com as Estrelas - Parte 4

Los Angeles - 16h08

P.O.V Max

Assim que tiramos a segunda foto e discutimos sobre ela, Rachel e eu nos dirigimos até as escadas da lateral do prédio e andamos até chegarmos na parte de trás. Lá haviam alguns telescópios que podiam ser usados por uma pequena quantia e uma vista linda da cidade. É incrível como Los Angeles não fica feia de nenhum ângulo. Você pode observá-la de qualquer ponto de vista que ainda vai se encantar com a sua beleza. Igual a Rachel.

Atrás do prédio do Observatório havia uma pequena ponta que se destacava e gritava por uma fotografia. Chegando lá, é óbvio que foi a primeira coisa que eu notei, então eu logo peguei no braço de Rachel e apontei para o local. Não podíamos deixar a oportunidade de uma foto perfeita passar.

Max: - Ei, espera. Nós podemos usar aquele espaço pra tirar uma foto.

Rachel: - Sim, eu já tava indo pra lá. Acha mesmo que eu não notaria esse magnífico ponto de observação?

Max: - Foi o que pensei. - Respondi com um sorrisinho. - Isso aqui vai dar uma foto perfeita.

Rachel: - Claro que vai, Max. Eu vou estar nela.

Max: - Auto-estima é tudo. - Falei com um sorriso no rosto. - Nunca duvidei da capacidade de Rachel Amber.

Rachel: - E eu nunca duvidei do profissionalismo de Max Caulfield.

Max: - "Insira uma melação aqui".

Ao ouvir o que eu acabei de dizer, Rachel deu uma risadinha e foi até o local que mencionamos. Quando chegou lá, se posicionou adequadamente e olhou para mim.

Rachel: - Então... Quer que eu faça a terceira e última pose ou o quê?

Max: - Se você quiser, pode ser. Ou pode fazer alguma outra pose que achar melhor. Você quem sabe.

Rachel: - Hm... - Pensou ela. - Deixe-me ver.

E então, Rachel começou a se mexer e foi avaliando a si mesma enquanto fazia várias poses. Era incrível ver o quanto ela se dedicava a algo que nem fazia parte da vida dela ainda. Ela sabia fazer cada pose linda e tão bem posicionada que eu comecei a acreditar que aquilo era não só um dom, mas também um talento natural dela.

Rachel: - Ok, eu achei uma boa. - Disse a loira enquanto a fazia. - Pode ser essa?

Max: - Perfeito. - Falei enquanto posicionava minha câmera. - Não se mexa...

Com a minha câmera em mãos e já posicionada, capturei aquela foto sem o uso do flash e a retirei de dentro da máquina. Quando ela saiu, dei algumas sacudidas na mesma e a enfiei no bolso.

Max: - Ok, vamos tirar mais uma.

Rachel: - Certo.

Em seguida, Rachel apoiou suas costas na beirada daquele pequeno muro e colocou seus dois braços acima dele. Com extrema naturalidade, a loira fez uma pose um tanto provocadora e lançou um olhar sensual para a câmera.

E mais uma vez, capturei aquela foto sem o flash e a retirei da máquina dando algumas sacudidas.

Rachel: - Deixa eu ver. - Disse ela ao se aproximar de mim.

Assim que entreguei a fotografia para a loira, ela a pegou com as duas mãos e deu uma boa observada. Diferente de mim, Rachel conseguia observar todos os detalhes com rapidez e sutileza. Ela não era aquele tipo de pessoa que precisava chegar mais perto da foto pra conseguir notar todos os mínimos detalhes. Coisa que eu euzinha aqui faço o tempo todo.

Rachel conseguia distinguir facilmente a diferença entre duas fotografias que pareciam ser iguais ao olho humano. Se uma parte estivesse mais iluminada que a outra, ela com certeza notaria. Talvez um dia eu arranjo um tempo pra pegar duas fotos, uma editada e outra não, e entrego pra ela tentar decifrar qual é qual. Não duvido nem um pouco de sua capacidade, mas sei que Rachel Amber tem uma falha. Afinal, todos nós seres humanos temos. Só é preciso explorar mais a fundo pra poder encontrá-la.

Sei que eu não sou lá uma pessoa que consegue ter mais vantagens que Rachel Amber, tanto na sabedoria quanto no físico (apesar de ninguém conseguir também), mas de uma coisa eu tenho certeza: eu tenho um dom. Não gosto de me lembrar do motivo que me tornou capaz de saber disso, mas, ainda assim, eu sou obrigada a falar: se não fosse pela sinceridade de Mark Jefferson, eu nunca seria capaz de reconhecer isso. Sei que não posso confiar nas palavras de um psicopata, mas eu sei que ele estava falando a verdade quando me disse isso. É até estranho pensar nisso, pois, olhando assim, fica parecendo até que eu finalmente encontrei um lado bom pra toda essa loucura que aconteceu lá em Arcadia Bay. Procurar lados bons não é algo que eu gosto muito de fazer quando se trata desse assunto. Toda vez que eu tento procurar pelas vantagens desse estranho período em que vivenciei, acabo me lembrando dos lados ruins e logo perco o ânimo. Por isso eu procuro não fazer mais isso.

Depois de uma boa observada, Rachel voltou o seu olhar para mim e me devolveu a fotografia.

Max: - Sem comentários dessa vez?

Rachel: - Às vezes, não dizer nada é o suficiente pra uma fotografia que saiu em perfeitas condições.

Max: - Hm...

Rachel: - Ah, espera. Na verdade, acho que eu acabei de avaliar sem perceber.

Max: - É. Eu notei isso. - Falei enquanto observava a foto. - Mas me diz aí. O que foi que você mais reparou dessa vez?

Rachel: - Bom... Minhas roupas estão com um contraste perfeito. Só não entendi por que você desfocou a paisagem. Eu não quero ofender e nem ser estraga-prazeres, mas, na minha opinião, acho que ficaria melhor se o fundo ficasse mais destacado.

E aí está a falha de Rachel Amber. Não achei que seria fácil de decifrar, porque ela costuma ser um labirinto na maioria das vezes, mas até que foi bem rápido. Obviamente, não teria como a foto sair perfeita se a Rachel e a paisagem ficassem destacadas. É necessário trabalhar com o foco pra poder informar ao espectador o que a fotografia está querendo mostrar. Sei que é ousadia minha falar desse jeito, até porque eu não passo de uma estudante de fotografia amadora, mas eu estou apenas utilizando os conhecimentos que adquiri ao longo dos anos. Eu até cheguei a pensar que a falha de Rachel poderia ser essa, mas não achei que seria tão óbvio assim.

A falha? Rachel tem a mania de observar fotografias pelos lados errados. Não sei se ela costuma fazer isso com frequência, mas, ao menos, foi o que Mark Jefferson me disse. Pelo visto, ele não estava mentindo sobre isso também.

Max: - Se eu destacasse a paisagem, você seria eliminada da foto, Rachel. Não tem como tirar uma foto perfeita sem trabalhar com o foco.

Rachel: - Eu não vejo dessa forma.

Max: - O que você sugere?

Rachel: - Eu acho que você poderia deixar a foto meio a meio. Nem muito desfocado de um lado e nem muito desfocado de outro. Basta algumas mexidas na lente da câmera e você consegue.

Max: - Eu não acho que nós teríamos um bom resultado se fizéssemos isso. Não sei nem se isso é possível.

Rachel: - Bom... Não custa nada tentar.

Depois de ouvir a proposta de Rachel, voltei a olhar para a câmera e pensei um pouco antes de agir.

Rachel: - E aí? Como é que vai ser?

Max: - Tá bom. Vamos tentar.

Rachel: - Certo! - Disse ela animada.

Em seguida, Rachel retornou à sua posição inicial e reproduziu a mesma pose de antes. Assim que me distanciei um pouco e dei uma ajeitada na câmera, ergui a mesma e apontei para Rachel. Com precisão, alternei o foco da lente até achar o ponto certo e capturei a foto.

Feito isso, a loira veio até mim e observou a fotografia junto comigo. Nossa primeira reação ao olharmos a foto foi de cerrar os dentes.

Max: - Eita... Essa saiu meio esquisita. Eu te disse que isso não funciona, Rachel.

Rachel: - Bom... Não foi de todo mal. Nós ainda temos a outra foto, então já dá pra incluir ela no álbum. Pelo menos nós tentamos.

Max: - Não, não. Eu não vou colocar suas fotos no álbum de Los Angeles.

Rachel: - Não vai? - Disse ela com um sorriso que ia desaparecendo lentamente.

Max: - Não. Pra você, eu separei algo especial.

Rachel: - E o que é?

Max: - Na verdade, você pode considerar como um presente de aniversário adiantado. Um álbum único e exclusivo de Rachel Amber.

Rachel: - Hm... - Disse ela voltando a sorrir. - Interessante. Confesso que tô me sentindo lisonjeada agora. E especial.

Max: - Todos nós somos especiais, Rachel Amber.

Rachel: - Exato.

Após comentarmos sobre a foto, levei-a até o meu bolso e a guardei juntamente com todas as outras.

Max: - E aí, quer continuar explorando aqui atrás ou podemos voltar lá pra frente?

Rachel: - Bom... O único local perfeito e adequado pra tirar fotos já foi utilizado, então não deve ter mais nada pra fazer aqui a não ser andar um pouco mais.

Max: - Acho que esse local era o que nós precisávamos pra tirar uma foto.

Rachel: - Pois é. Mas você decide. O que você quiser, tá bom pra mim.

Escolhas:

>> CONTINUAR EXPLORANDO.

>> VOLTAR PARA O LADO DA FRENTE.

Max: - Acho que já deu por aqui. Vamos voltar.

Rachel: - Ok. Vamos lá.

Enquanto voltávamos pela longa rampa que tinha uma curva meio demorada, avistamos algo a uma boa distância de onde estávamos. Logo que isso aconteceu, Rachel quase deu um berro de tão empolgada que estava. Acho que, por um momento, ela não se lembrou que ali na frente, naquelas grandes montanhas, estava algo que ela idolatrava há anos: o famoso letreiro de Hollywood.

Rachel: - Puta merda! - Disse ela ao enfiar o braço na minha frente.

Max: - Ai! Que foi, Rach? Tem alguma coisa errada?

Rachel: - Para tudo! Para tudo!!

Max: - O que aconteceu? Você tá bem?

Rachel: - M-Max... - Disse ela apontando para o letreiro com as mãos trêmulas. - Aquele é... - Falou com uma pausa. - Aquele é o letreiro de Hollywood...?

Max: - Ah... Verdade. Eu nem reparei que ele tava ali. - Falei enquanto cruzava os braços e me aproximava um pouco mais. - Caramba, ele é bonito... E grande.

Rachel: - Max, nós temos que ir até lá! - Gritou a loira agarrando o meu braço. - Nós temos que ir até lá e tirar uma foto agora!

Max: - Wow, espera aí. Agora?

Rachel: - Sim! Agora, Max!

Max: - Rachel, nós não podemos ir até lá agora.

Rachel: - O quê?! E por que não?!

Max: - Nós não podemos simplesmente nos separar do grupo e sair por aí andando até sei lá aonde!

Rachel: - Max, é o letreiro de Hollywood! Meu sonho sempre foi tirar uma foto lá! Vamos, por favor!

Max: - Eu sei, Rachel. Mas nós não podemos fazer isso agora.

Ao receber a resposta, Rachel cruzou os braços e olhou para baixo chateada. Eu já tinha uma certa noção de que ela era dessas. Se ela não consegue o que quer, já faz birra e desconta em tudo à sua volta. Mas acho que eu posso tentar acalmar essa fera.

Max: - Mas ei, relaxa. Amanhã de manhã, quando formos embora, vamos dar uma passada lá pra tirar quantas fotos você quiser. Vai ser até bom pra você, porque a iluminação vai estar mil vezes melhor do que agora.

Após isso, Rachel desfez sua cara de chateada e franziu as sobrancelhas. Talvez ela tenha finalmente percebido que eu tenho razão.

Max: - Afinal, é bem melhor ter fotos perfeitas pra colocar no seu álbum do que fotos tiradas de qualquer jeito, certo?

Rachel: - É... Acho que você tem razão.

Max: - Sim. Pode deixar que hoje mesmo eu falo com o Josh a respeito disso.

Rachel: - Ok.

Max: - Relaxa. Ele vai aceitar na hora. O Josh é gente boa.

Rachel: - Sim, sim! - Respondeu ela se animando novamente. - Josh Stones é incrível!

No momento em que Rachel disse essas palavras, pude ouvir ela sussurrando bem baixinho as palavras “e lindo também”. Ou talvez eu só esteja louca. Não sei se foi realmente isso que eu ouvi, mas, se for o caso, então já posso deduzir que Rachel Amber tem algo a mais com Josh Stones. Talvez um sentimento especial? Não me surpreendo se isso for verdade. Eu mesma já sabia que havia uma chance bem alta de ela acabar se apaixonando por ele se tudo isso desse certo. E que garota não se apaixonaria, afinal? Josh Stones é um garoto super incrível e extremamente lindo! Sim, eu disse isso mesmo.

Max: - Você disse alguma coisa?

Rachel: - O que? Não.

Max: - Eu ouvi um sussurro. Não foi você?

Rachel: - Um sussurro? Não, não fui eu. Se eu tivesse que falar alguma coisa, eu falaria em voz alta.

Max: - Tem certeza?

Rachel: - Sim. Por quê?

Max: - Esquece. Eu só tava curiosa.

Rachel: - Relaxa. Isso acontece de vez em quando.

Após esse estranho momento, continuamos atravessando aquela rampa. Enquanto fazíamos isso, eu decidi tentar mudar de assunto pra cortar o clima constrangedor que presenciamos ali atrás.

Max: - Mas e aí. Você acha que dá pra andar no letreiro? Digo... No chão de lá? Suponho que exista uma trilha, certo?

Rachel: - Pelo que eu me lembre, não. O solo que segura aquelas letras é muito íngreme. Não dá nem pra passar andando.

Max: - Hm... Então quer dizer que aquilo que eu vi nos filmes era tudo mentira.

Rachel: - Pois é. Eu também achei que dava pra andar lá.

Assim que Rachel soltou essas palavras, chegamos no fim daquela rampa longa e cansativa. A primeira coisa que eu reparei quando chegamos na parte da frente foi uma moça escorada na parede daquele enorme prédio do Observatório. Ela estava segurando um iPhone rosa com uma capinha decorada de glitter e se vestia com uma jaqueta de couro preta. Além disso, usava calças jeans e botas marrons. Seus cabelos eram longos, ruivos e bem produzidos. Ela também usava um óculos que ela mesma havia erguido até a sua cabeça e tinha vários braceletes nos dois braços. A garota era jovem e se parecia muito com uma modelo. Já que ela estava bem vestida e agia naturalmente, imaginei que ela poderia ser uma pessoa que mora em Los Angeles há um longo tempo. Não custava nada tentar.

Max: - Ei, moça. - Falei enquanto me aproximava dela. - Com licença.

???: - Sim? - Respondeu ela enquanto tirava os olhos do celular e nos observava.

Max: - Eu sei que essa pergunta é meio idiota, mas... Por favor, não ria.

???: - Relaxa. Tá tranquilo. Pode me perguntar o que quiser.

Max: - Obrigada. Você sabe me dizer se é possível caminhar por aquele letreiro? Existe alguma trilha por lá?

???: - Não que eu saiba. Tudo o que existe lá é apenas mato ou deslizamento de rochas. Eu não recomendaria tentar subir, se fosse vocês. A não ser que tenham intenções suicidas.

Max: - Ah... Entendi.

???: - Desculpa falar desse jeito. - Disse ela sorrindo. - É que eu tô meio eufórica, sabem? Depois de muito tempo vivendo nessa cidade, você já começa a ficar com o tempo corrido. Hollywood faz isso com você.

Rachel: - Eu sei muito bem como isso é. - Falou a loira se aproximando.

???: - Perdoem-me a pergunta, mas vocês são novas aqui?

Max: - Sim. Nós nos mudamos há pouco tempo e ainda precisamos nos adaptar à toda essa barulheira. Não estamos familiarizadas com essa rotina corrida de Los Angeles.

???: - Vocês se acostumam. É sempre assim no começo. Eu comecei da mesma forma, e vão por mim, vocês vão amar esse lugar.

Max: - Na verdade, nós já amávamos antes mesmo de chegarmos aqui.

???: - Ótimo. Já é um passo a mais pra não quererem sair daqui.

Rachel: - Você mora aqui há muito tempo?

???: - Quase 4 anos de pura convivência. Na verdade, eu vim de Nova York.

Max: - Você saiu de uma cidade grande pra ir pra outra cidade grande? Uau! Queria eu ter essa sorte.

???: - Eu fiquei me equilibrando numa ponte de decisões há muito tempo até que finalmente tomei um rumo na minha vida. Minhas opções eram: ficar em Nova York ou vazar pra Los Angeles.

Rachel: - E então, você escolheu viver na terra de Hollywood.

???: - Bom... Aqui estou eu, certo?

Max: - Talvez você tenha feito a escolha certa. Você se parece muito com uma modelo.

Rachel: - Pois é, eu já ia dizer o mesmo.

???: - Quase isso. Na verdade, eu ainda tô fazendo alguns testes. Por mais que L.A. seja uma cidade muito corrida, os resultados demoram uma eternidade pra sair. Logo eu, que quase não tenho paciência pra ficar esperando. Minha ansiedade me mata nessas horas.

Rachel: - Em qual agência você faz os testes?

???: - A que tem mais destaque, é claro. L.A. Models.

Rachel: - Hm...

Em seguida, a garota olhou para Rachel e pensou por um momento antes de falar.

???: - Por que? Você tem interesse?

Rachel: - Se eu tenho interesse? - Disse ela super animada. - Totalmente! É o meu maior sonho desde criança!

???: - Bom... Isso vai depender do seu porte físico. Quanto você tem de altura?

Rachel: - 1,65.

???: - Eita... - Respondeu ela cerrando os dentes.

Rachel: - Que foi?

???: - Olha, eu não quero te desanimar e nem nada, mas... Com a sua altura, pode ser que você encontre algumas dificuldades pra entrar.

Rachel: - Sim... - Disse ela enquanto olhava para baixo. - Eu já tô ciente disso.

???: - Mas não perca o ânimo! Não é o fim do mundo. Existem outras áreas que podem te interessar. Uma modelo não precisa ser necessariamente alta pra poder participar.

Max: - Não precisa mesmo. Com a capacidade que ela tem, vão querer deixá-la entrar bem rápido. Basta você mostrar o seu conhecimento avançado na área que eles logo mudam de ideia.

???: - Exato. Além do mais, você tem cara de quem seria uma ótima atriz. Hollywood sempre se interessa por garotas bonitas como você.

Rachel: - É exatamente o que eu pretendo ser. Junto com a profissão de modelo, é claro.

???: - Então somos duas. Se a agência não ficar satisfeita com o meu trabalho, eu já tenho um plano B pra pôr em ação. Primeiro alguns testes em Hollywood, depois fama e sucesso. E então, direto pras telonas!

Rachel: - Parece um sonho tão distante olhando daqui... Você não acha?

???: - Sim, mas ninguém pode nos impedir. Basta você querer. - Falou ela com um sorriso. - E brilhar lindamente, é claro.

Depois de toda essa conversa, dei uma olhada no relógio do meu celular e percebi que já havíamos passado da hora.

Max: - Bom... Nós já vamos indo, então. Já tá ficando tarde e nós temos que voltar pro lugar de onde viemos.

???: - Claro. Sem problemas. Podem ir.

Max: - Foi um prazer conhecer você. Espero que dê tudo certo com a agência.

???: - Muito obrigada. Boa sorte pra vocês duas também. Sejam bem-vindas à Los Angeles.

Max: - Obrigada.

Em seguida, olhei para Rachel e chamei a sua atenção.

Max: - Vem, Rach. Vamos embora.

No momento em que fui me virar para seguir o caminho, Rachel olhou para baixo e pensou um pouco. Depois disso, ela voltou a olhar para a ruiva com uma cara de dúvida e logo em seguida me impediu de sair.

Rachel: - Espera. - Disse ela ao segurar o meu braço. - Nós ainda não sabemos o seu nome.

Assim que Rachel chamou sua atenção, a ruiva desgrudou os olhos do seu celular novamente e voltou a olhar para a loira.

???: - Ah, sim. É verdade. - Falou ela enquanto estendia sua mão direita como forma de cumprimento. - Sou a Jessica. Jessica Sparks. É um prazer.

Assim que ouviu esse nome, Rachel ficou totalmente paralisada. Ela olhou para a ruiva com os olhos arregalados e fez uma cara de surpresa enquanto soltava o meu braço. O que aconteceu, afinal? Será que ela já a conhece? Por que ela ficou assustada assim de repente?

Jessica: - Ahn... E você é?

Rachel: - Ah...! - Disse ela voltando ao normal. - Desculpa.

Após se recuperar do susto, Rachel disfarçou e voltou a agir normalmente.

Rachel: - Rachel Amber. - Falou enquanto estendia a mão direita. - É um prazer.

Jessica: - Hm... Nome bonito. Combina com você.

Rachel: - Obrigada.

Jessica: - E você é?

Max: - Eu sou a Max. Max Caulfield.

Jessica: - É um prazer te conhecer, Max Caulfield.

Max: - Igualmente.

Depois desse momento esquisito com a Rachel, levei minha mão até o seu braço e a puxei.

Max: - Nós já vamos indo, então. Até mais.

Jessica: - Tchau, tchau. - Despediu-se ela acenando para nós duas.

Assim que nos despedimos de Jessica, a ruiva deu uma última olhada para nós duas e logo grudou os olhos na tela do seu celular novamente. Por fim, Rachel e eu passamos pela grama do Observatório e caminhamos até a trilha. E finalmente, seguimos o caminho de volta para o nosso acampamento.

>> Algum tempo depois >>

Depois que atravessamos a trilha inteira, viramos à esquerda e passamos por algumas plantas. Mais à frente, próximo da barraca, estava Josh sentado sozinho e cabisbaixo. Vendo daqui, ele parecia estar meio triste, mas tudo mudou no momento em que nós nos aproximamos dele. Por um segundo, pensei que alguma coisa ruim tinha acontecido, mas ele só estava mexendo no celular.

P.O.V Rachel

Depois que Max e eu saímos do caminho da trilha, andamos até a barraca e notamos que o caminho agora estava livre. Não havia mais todas aquelas coisas jogadas pelo terreno. Foi como um toque de mágica. Antes estava tudo uma bagunça e agora já está tudo novinho em folha! Nem parece que isso aqui tava uma zona há pouco tempo atrás!

Assim que avistei Josh sentado no tronco e concentrado na tela do celular, me lembrei daquela cena que presenciei lá atrás. Aquela era mesmo a Jessica Sparks? A mesma Jessica Sparks que beijou o Josh naquela festa? A mesma ruiva que quase deu uns amassos nele? Bom... Não tenho dúvidas de que seja ela, pois o perfil bate muito com o que o Josh descreveu. Mas o que ela tá fazendo aqui, afinal? Tem algum motivo pra ela estar no Observatório logo no dia em que nós quatro decidimos acampar? Será que foi pura coincidência? Não achei que aconteceria isso se um dia eu a encontrasse, mas agora eu confesso que tô MORRENDO de ciúmes. Embora isso não seja novidade...

Estando próximas do tronco, conseguimos ouvir uma música saindo diretamente da barraca. Provavelmente Chloe havia colocado uma música pra relaxar enquanto fumava deitada. Mesmo que ela tenha acabado de fumar um cigarro inteirinho agora há pouco.

Eu sabia que o motivo da música era pra relaxar porque aquela era uma música indie. Chloe nunca ouve músicas indie apenas por ouvir, e sim pra relaxar. Apesar disso, acredito que ela deve ter adquirido uma forte paixão por esse tipo de música nos últimos tempos. Como? Não faço ideia. Cortesia de Max Caulfield, imagino.

Na mesma hora em que passamos pela barraca e nos aproximamos de Josh, o mesmo olhou para trás e nos percebeu chegando por conta do barulho de nossos pés na grama. Logo, o mesmo se levantou daquele tronco e caminhou até nós.

Josh: - E aí. Se divertiram? - Falou ele enquanto guardava o celular no bolso da frente.

Max: - Sim. Demais. - Disse ela retirando as fotografias do bolso. - Nós tiramos várias fotos incríveis de várias poses diferentes. Quer ver?

Josh: - Peraí. Poses diferentes? O que você quis dizer com isso?

Max: - É que a Rachel se ofereceu pra posar pra mim. Bom... Na verdade, fui eu quem deu a ideia. Ela é muito boa no que faz. Tem um baita talento pra isso.

Em seguida, me virei para Rachel, que estava meio distraída, e lancei uma pergunta.

Max: - Não é mesmo, Rachel?

Rachel: - Ah... - Respondeu a loira voltando ao normal. - Sim, é verdade. Eu posei pra Max. As fotos dela são sensacionais. Você tem que ver, Josh.

Josh: - Imagino que deve ser mesmo.

Max: - Depois disso, nós avistamos aquele gigantesco letreiro de Hollywood e a Rachel ficou empolgadassa. Ela quase deu um berro de tanta vontade de ir pra lá.

Rachel: - Claro! É Hollywood, Max. Só de ver aquelas letras gigantes com os meus próprios olhos já me faz ficar toda arrepiada. A minha vida toda eu sempre olhei aquele bendito letreiro através de fotos. Mas agora que eu consigo ver pessoalmente, quase desmaio de tanta felicidade.

Max: - Eu também acho aquilo incrível.

Josh: - Pois é. Antigamente, eu sempre ficava surpreso quando me lembrava que morava na cidade do cinema. Às vezes, demorava um pouco pra ficha cair, mas depois eu me sentia um tanto lisonjeado por ter nascido aqui. Vocês vão sentir isso bastante também.

Max: - Com certeza.

Rachel: - Sem sombra de dúvidas.

>> Alguns segundos depois >>

Depois disso, ficamos calados por alguns segundos até que Max se lembrou de uma coisa extremamente importante. Justo no momento em que eu já havia me esquecido!

Max: - Ah, já ia me esquecendo! Nós também conhecemos uma garota muito bonita e super simpática. Ela se parecia muito com uma modelo. Até deu uma dica pra Rachel do que fazer caso não fosse aceita pela agência de modelos.

Rachel: - Sim, ela... - Falei com uma pequena pausa. - Ela era muito bonita mesmo.

Max: - Nós falamos com ela logo depois que avistamos o letreiro. Eu queria muito que houvesse mais tempo no dia pra continuar conversando com ela. Ela parecia ser uma pessoa tão legal.

Josh: - Deve ser mesmo.

Max: - Só não consigo me lembrar do nome dela... Tudo o que sei é que ela era ruiva e estava bem vestida. Era uma garota bem estilosa, se me permite dizer.

Josh: - Típico de Los Angeles.

Max: - Exato.

Logo após isso, Max se virou para mim e me lançou a pergunta que eu estava torcendo pra não lançar. Pela primeira vez, eu estava desejando ficar de fora do assunto.

Max: - Você se lembra, Rach?

Rachel: - Me lembro do que? - Respondi me fazendo de desentendida.

Max: - Do nome daquela garota. Aquela que vimos no Observatório. Você se lembra qual era?

Escolhas:

>> DIZER O NOME.

>> ESCONDER O NOME.

Eu não vou fazer isso. Não quero deixar o Josh constrangido logo no dia em que estamos passando um tempo juntos. Por mais que eu esteja morrendo de ciúmes, eu tenho que mentir.

Rachel: - Foi mal, Max. Eu também não me lembro.

Max: - Ah... Que droga.

Rachel: - É que ela me cumprimentou muito rápido. Não deu pro nome dela ficar memorável na minha cabeça.

Após ouvir a resposta, Max olhou para a barraca por um tempo e voltou a falar.

Max: - Bom... Deixa pra lá, então. Pelo menos nós tivemos a chance de conhecer ela.

Rachel: - Sim. Ela parecia ser uma pessoa super gente boa.

Max: - E linda também. Desculpem, não consegui resistir.

Josh: - Hm... Parece que Max Caulfield arranjou uma nova crush.

Rachel: - Eu estava prestes a dizer o mesmo. - Falei com uma risadinha.

Max: - Ei, qual é. Eu não quis dizer nesse sentido. Só disse que achei ela muito bonita.

Josh: - Ué, já que ela é tão incrível assim, então por que não chamaram ela pra cá? Vocês podiam continuar conversando. Quem sabe ela até passava um tempo com a gente.

Max: - Eu até queria, sabe? Mas não tive coragem de dizer. Eu tinha acabado de conhecer ela, então isso poderia soar meio estranho.

Josh: - Lá se foi a chance.

Max: - Acho que eu devia ter aproveitado.

Rachel: - Talvez ela aceitaria. Ela parecia ser do tipo de pessoa que é super animada com as coisas. Que topa qualquer parada. Assim como eu.

Josh: - E é melhor já irem se acostumando, pois as pessoas daqui de L.A. são muito animadas. Não é lá aquela vibe de Arcadia Bay.

Rachel: - Sim, eu sei bem como é isso. E pra falar a verdade, eu já tô bem acostumada. Long Beach, lembra?

Josh: - Claro que me lembro.

Rachel: - E sinceramente, eu acho que a Califórnia inteira é assim. Não só Los Angeles.

Josh: - Bom... Talvez você tenha razão.

De repente, Chloe apareceu com a cabeça para fora da barraca, ainda deitada, e chamou as nossas atenções.

Chloe: - Vem cá, vocês vão ficar aí de papinho, é? Tragam essas bundas pra cá e entrem logo na barraca. Tão atrapalhando a minha música com toda essa conversa.

Após isso, Chloe se enfiou para dentro da barraca e voltou ao seu lugar.

Max: - Acho melhor a gente entrar.

Rachel: - Sim. Antes que ela saia de lá e jogue a gente montanha abaixo.

Josh: - Ok. Vamo lá, então.

P.O.V Josh

>> Algumas horas depois >>

Assim que entramos naquela barraca azul, passamos a tarde inteira lendo gibis, algumas HQs e avaliando algumas modelos que haviam na revista de Rachel. Depois que a maioria dos meus votos foram para mulheres loiras, Max e Rachel começaram a desconfiar de alguma coisa em relação às minhas escolhas. E foi aí que eu acidentalmente acabei admitindo que tinha uma quedinha por loiras. BOOM, lá se foi o meu segredo!

Rachel deu um sorrisinho discreto e ficou com as bochechas avermelhadas quando me ouviu dizer isso e Max começou a me zoar por ter deixado isso escapar por acidente. Mas não foi uma zoada do tipo que deixa a pessoa constrangida, e sim uma zoada meio desesperada por dentro. Tá aí uma coisa que eu nunca sequer cheguei a pensar: Max Caulfield tem ou já teve um tipo de crush secreto em mim? Será que ela sempre gostou de mim e eu nunca fiquei sabendo? Não tô dizendo que é 100% certeza, mas eu já consegui notar que algumas vezes ela fica um pouco envergonhada quando chega muito perto de mim em uma conversa. E agora que ela demonstrou um possível sinal de ciúmes, desconfio que isso possa ser verdade.

Nosso lanche da tarde foram alguns salgadinhos que a Rachel havia pegado naquela lojinha que passamos mais cedo e algumas latinhas de refrigerante que a Max pegou numa máquina de bebidas. Primeiramente, eu pensei que ela nos forçaria a beber sucos naturais, mas ela acabou liberando os refrigerantes hoje à tarde. Provavelmente os sucos vão ficar pra hoje à noite, então espero que eles combinem com o alimento que a Chloe pegou pra janta e com os marshmallows que a Max arrumou.

Já era noite e nós já estávamos prontos pra atacar seja lá o que fosse a janta. Depois de termos devorado aqueles salgadinhos de hoje à tarde, ficamos deitados um pouco em nossos sacos de dormir e conversamos sobre a vida. O mais legal é que nós nunca ficávamos sem assunto. Vez ou outra, sempre surgia um assunto diferente pra gente debater. Era quase como se fosse automático. Sem falar que nós rimos muito também.

Depois de um longo tempo dentro daquela barraca, Max deu uma olhada no relógio do seu celular e resolveu se levantar. Logo, ela engatinhou até a saída da barraca, abriu o zíper e me chamou pra ir lá fora com ela. Apenas eu. Nada de Rachel, nada de Chloe. Só eu.

No momento em que me levantei e a acompanhei até o lado de fora, um pensamento repentino invadiu a minha mente e eu logo comecei a me perguntar por que ela fez isso. Será que ela tinha algo importante pra me dizer? Será que, de tão importante que era, ela precisava de privacidade? Será que ela iria se confessar pra mim? Droga, por que será que ela fez isso?!

Vários tipos de perguntas começaram a surgir na minha mente e eu logo fiz uma varredura em minha memória pra ver se eu me lembrava de ter feito alguma merda no passado. Continuei me perguntando se eu havia feito alguma coisa errada até que Max parou de andar e olhou pra mim no meio de todos aqueles troncos. E foi aí que eu percebi que eu estava apenas viajando na maionese.

Max queria apenas ajuda pra fazer a fogueira. Não era nada demais. Pfff... E pensar que eu tava quase me matando por achar que havia feito algo de errado pra ela. Parece que ela me enganou bonito dessa vez. Mesmo que essa não fosse a intensão.

Max: - Então... Você tem alguma ideia de onde podemos achar madeira?

Josh: - Bom... - Falei enquanto olhava em volta. - Tem aquelas árvores ali atrás. Mas eu acho que nós não trouxemos um machado de guerra, então vamos ter que improvisar.

Max: - Se ao menos pudéssemos socar as árvores e retirar madeiras sem derrubá-las...

Josh: - Ahn... Isso foi uma referência a Minecraft?

Max: - Na mosca. Você pegou rápido.

Josh: - Uau... Não sabia que você conhecia esse jogo.

Max: - Na verdade, não conheço. Só ouvi falar por aí e depois dei uma pesquisada pra saber do que se tratava.

Josh: - Ele é até legalzinho. Já joguei algumas vezes quando era menor, embora nunca tenha conseguido comprar. Mas é óbvio que eu dei o meu jeito. Sempre faço isso.

Max: - E que jeito foi esse?

Josh: - Já ouviu falar de pirataria?

Max: - Hm... Esperto.

Josh: - Então. Eu consegui achar uma versão pirateada na Internet que liberava muita coisa de graça. Mas depois de um tempo, o jogo parou de rodar. Ficava dando erro quando eu tentava abrir e a janela logo se fechava sozinha. Mas pelo menos eu consegui aproveitar os poucos segundos de felicidade que tinha antes disso acontecer. Foi bom enquanto durou.

Max: - Isso foi meio triste.

Josh: - Bom... A vida é assim, né? No fim das contas, a gente acaba ficando com o que tem mesmo.

Max: - Sim. Eu sei como isso é. Comigo não foi esse mar de rosas também. Minha família sempre foi daquelas que toma muito cuidado com o tal do dinheiro. Mas eu agradeço por não ter sido tão mimada assim. Senão, eu não seria a garota que sou hoje.

Josh: - Pois é. Mas cai entre nós, esse lance do mar de rosas só aconteceu com a Rachel. Só ela recebeu o dom do privilégio.

Max: - Isso é verdade.

Após isso, permanecemos calados por alguns segundos enquanto observávamos a cidade repleta de luzes lá embaixo. Aquela noite estava tão fria e tão arrepiante que chegava a transmitir uma brisa super gelada acompanhada de uma temperatura de 14ºC ou 15ºC. Sorte que trouxemos nossas blusas de frio.

Josh: - Agora voltando a falar sobre a fogueira.

Max: - Tem alguma ideia?

Josh: - Nós podemos usar aqueles gravetos que tiramos do chão hoje cedo. Aqueles da barraca.

Max: - Hm... Verdade. Bem lembrado.

Josh: - Também podemos arrancar aqueles galhos que tão meio soltos. - Falei enquanto apontava para o local. - Aqueles ali do tronco.

Max: - Ou podemos atear fogo nele assim mesmo.

Josh: - Só se tiver a fim de chamar a atenção da polícia, dos jornais e da metade da cidade. - Respondi com uma leve risada. - Se esse for o caso, então vá em frente. Só não conte comigo pra essa doideira.

Em resposta, Max virou o seu olhar para mim e me deu uma risadinha.

Max: - E como última opção, temos aquelas árvores que tão ali atrás. Aquelas que você mencionou.

Josh: - Sim.

Max: - Mas é claro que nós só precisamos dos galhos.

Josh: - Pois é. - Falei enquanto me virava para as árvores. - E nada de dar socos.

Max: - Entendido. - Respondeu ela com outra risadinha. - Nada de dar socos.

Em seguida, Max e eu decidimos partir logo pro que interessa e começamos a catar galhos de tudo que é lugar. Pegamos alguns dos gravetos que achamos jogados ao lado da barraca, retiramos alguns galhos daqueles troncos tombados e pegamos muito pouco daquelas árvores que haviam lá atrás. O motivo? Max ficou com dó de machucá-las e só deixou eu retirar dois galhos bem pequenos.

Tendo madeira suficiente em mãos, levamos todos os galhos até o meio daqueles troncos e começamos a montar a nossa fogueira. Rachel e Chloe também saíram da barraca e nos ajudaram.

Depois de um tempo juntando todas aquelas madeiras, fizemos o formato exato de uma fogueira e jogamos alguns papéis de jornal antigos que trouxemos de casa. Feito isso, Chloe se agachou próxima daqueles galhos, retirou o meu isqueiro prateado do bolso e colocou fogo nos papéis. Logo, a chama que estava naqueles papéis entrou em contato com os pedaços de madeira e tudo começou a queimar.

Após isso, Chloe se levantou daquela grama, me devolveu o meu isqueiro e foi até a barraca. Max e Rachel também a acompanharam, deixando apenas eu esperando sentado num dos troncos em frente à fogueira. Pelo menos agora eu ia poder aproveitar o fogo e me aquecer enquanto elas pegavam o resto das coisas.

Depois de vasculharem a barraca inteira atrás de itens específicos, Max saiu de lá com um saco de marshmallows, Chloe saiu com quatro comidas enlatadas e Rachel saiu com o meu violão.

Enquanto elas andavam até mim, dei uma mexida naquelas madeiras e as deixei mais juntas para que o fogo pudesse se manifestar entre elas. Também tive que assoprar e jogar um pouco mais de papel pra garantir que a fogueira resistisse ao vento frio que estava passando por ali.

No momento em que as garotas se aproximaram, me levantei daquela grama fria e caminhei até elas. Estando todos juntos, Chloe distribuiu as comidas enlatadas de uma por uma e sossegou-se em um dos troncos. Max também se acomodou num dos troncos e colocou o saco de marshmallows ao seu lado. Rachel me entregou o violão e se sentou no mesmo tronco que eu decidi me sentar. Assim que deixei aquele violão escorado no tronco em que eu estava sentado, me lembrei de algo importante.

Josh: - Ué, cadê a caixa térmica? Vocês não pegaram?

Max: - Merda... - Disse ela com a mão sobre a própria testa. - Esqueci de trazer.

Josh: - Relaxa. - Falei enquanto me levantava do tronco. - Pode deixar que eu pego.

>> Alguns segundos depois >>

Assim que voltei com a caixa térmica e me sentei no meu tronco, notei que o meu violão havia sumido. Logo, olhei para os lados à procura do mesmo e o encontrei escorado no tronco de Max.

Max: - Tá aqui comigo, Josh. - Disse ela enquanto dava dois tapinhas no instrumento. - É que eu quero começar a tocar primeiro. Bom... Se você permitir, é claro.

Josh: - Não, relaxa. Pode tocar à vontade. - Falei enquanto pegava a minha comida enlatada. - Na verdade, eu quero ver todas vocês tocando depois que terminarmos de comer aqui.

Chloe: - Peraí, como é que é? - Falou ela se engasgando com a comida.

Josh: - Foi isso mesmo que vocês ouviram.

Chloe: - Foi mal, mas acho que comigo não vai rolar. Eu nunca aprendi a tocar violão em toda a minha vida. Eu só finjo que sei. Só pra puxar conversa, sabe?

Rachel: - Eu nunca toquei em mais de três cordas de um violão. Na verdade, a primeira e única vez que eu toquei foi na sala de música da Blackwell. E ainda foi só deslizando os dedos. Nunca sentei pra tocar um de verdade.

Josh: - Bom... Valeu a tentativa.

Max: - Eu só sei tocar uma única música que aprendi na Blackwell. Claro que não vai sair perfeito como o nosso Josh Stones sabe fazer, mas eu posso tentar descolar alguma coisa. Espero que eu ainda esteja afinada depois de todo esse tempo sem praticar.

Chloe: - Peraí. “Que eu aprendi na Blackwell”? Como assim? Até onde eu sei, você não participava do grupo musical de lá, sua hippie. Como aprendeu a tocar?

Max: - Não, não teve nada a ver com grupo musical. Eu tocava no meu quarto. Toda vez que eu era liberada da aula e ficava num tremendo tédio, eu sempre voltava pro meu quarto e pegava o meu violão pra praticar um pouco. A única parte ruim de fazer isso é que eu sempre tocava a mesma música. Por isso não fazia questão de praticar com frequência.

Rachel: - Naquela época você ainda não tinha um Josh Stones pra tocar músicas pra você. - Falou ela enquanto olhava pra mim com um sorrisinho.

Max: - Pois é. Queria eu que tivesse.

Chloe: - Pô, até eu queria. Nem ia precisar fazer esforço pra ligar o rádio.

Pensamento do Josh: E lá vem elas fazendo eu ficar vermelho...

Josh: - Ok, acho que eu posso tocar algumas músicas pra vocês depois. Mas só porque eu sou uma pessoa boa.

Max: - Não só pode, como deve. - Falou ela após engolir a comida. - E sim, Josh. Você é uma pessoa muito boa.

Rachel: - Boa pacas.

Em seguida, disfarcei a minha vergonha e levei minhas mãos até a minha comida enlatada. Na mesma hora em que a abri, senti um forte cheiro de comida italiana invadir as minhas vias respiratórias.

Josh: - Hm... Parece que vocês gostaram mesmo do Ravioli que comemos aquele dia. Até pegaram de novo.

Max: - Na verdade, foi a Chloe que pegou o mesmo pra todo mundo.

Rachel: - Sim, eu percebi. Só não falei nada pra não ser estraga-prazeres.

Chloe: - Peraí, o quê?! - Disse ela se engasgando novamente. - O de vocês também é Ravioli?!

Max: - Sim, Chloe. Você pegou errado.

Chloe: - Ah, merda! Eu pensei que cada fileira era uma comida diferente!

Max: - Devia ter olhado a embalagem antes de sair pegando tudo de uma vez. Pelo visto, você não aprendeu nada com aquele lance das barracas, não é?

Chloe: - Ei, qual é... - Respondeu ela com uma leve risada. - Eu não te dei liberdade pra sair espalhando isso, Max Caulfield.

Max: - Então trate de acertar da próxima vez, Chloe Price. - Falou ela também rindo.

Josh: - Ei, relaxa. Eu não tava reclamando. Eu gosto de Ravioli.

Chloe: - Viu? Ele gosta de Ravioli. Vocês que são frescas.

Rachel: - Você também não é lá uma pessoa que aceita qualquer coisa que te derem numa boa, Chloe Price.

Max: - Não mesmo. Ela faz muita birra.

Chloe: - Aí, relaxem, ok? Fazer birra é o meu novo “tanto faz”. Vocês que não interpretam direito.

Max: - Ah, é sim. Acredito. - Falou ela sendo irônica.

Rachel: - É claro que eu acredito. - Disse a loira fazendo o mesmo.

Depois de toda essa conversa, levei minhas mãos até um garfo que Chloe havia me entregado antes e o peguei. Com ele em mãos, comecei a comer aquele delicioso Ravioli enquanto me aquecia naquela confortável fogueira.

Max: - Nossa... Que sede. - Falou ela enquanto colocava sua lata ao lado. - Acho que vou tomar alguma coisa.

Em seguida, Max se levantou daquele tronco e se agachou próxima da caixa térmica. A partir do momento em que ela levou suas mãos até a abertura da caixa, a primeira coisa que pensei foi: Fodeu.

Chloe: - Não, peraí! Não abre isso!                                                   

Antes mesmo que Chloe pudesse impedi-la, Max já havia aberto a caixa. Apesar de haver várias latas de suco na frente, a primeira coisa que Max notou foram as duas garrafas de cerveja em meio a todo aquele gelo. Logo que isso aconteceu, ela as retirou de dentro da caixa e as ergueu com uma cara de surpresa.

Max: - Não acredito nisso...

Chloe: - Droga, Max! Não era pra você ter aberto essa caixa agora. Por que você sempre estraga as surpresas?

Josh: - Acho que fomos pegos no flagra.

Rachel: - Hm... Parece que alguém se ferrou.

Max: - É sério isso, gente? O que foi que eu falei pra vocês hoje cedo? Nada de bebidas alcoólicas no acampamento. Nós vamos apenas passar um tempinho ao ar livre, não precisam ficar desesperados a ponto de levar cervejas pra cá.

Chloe: - Qual é, Super-Max. É só uma cerveja. Não tem nada demais nisso. Deixa a gente beber em paz.

Max: - Não é disso que eu tô falando, Chloe. Vocês podem sim beber cerveja à vontade e o quanto quiserem. Mas não hoje.

Chloe: - Mas é só uma cerveja, Max. Uma só não vai fazer mal a ninguém.

Max: - Chloe, tem duas cervejas aqui na minha mão. Você ia beber as duas que eu sei.

Ao ouvir isso, decidi ajudar Chloe dizendo a verdade.

Josh: - Max, relaxa. Essa outra é minha. Fui eu que peguei.

Max: - O quê? Josh, por que você fez isso? Nós não tínhamos combinado que ninguém levaria cerveja pro acampamento?

Josh: - Sim, nós combinamos. - Falei enquanto colocava a lata ao meu lado. - Mas eu não consegui resistir. Foi um erro da minha parte. Me desculpa.

Após ouvir as minhas palavras, Max ficou me encarando por alguns segundos e começou a sentir dó. Talvez tenha sido porque eu fui pedir desculpas e pedi até demais. Nem eu acreditei no que eu acabei de falar. Talvez ela tenha achado isso fofo e resolveu deixar pra lá.

Max: - Relaxa... - Disse ela enquanto devolvia as garrafas até a caixa. - Tá tudo bem, Josh. Eu não te culpo. Você não faz nada de errado.

Josh: - Tudo bem.

Max: - Querem saber?

Em seguida, Max retirou uma lata de suco e fechou a caixa térmica.

Max: - Podem beber o quanto quiserem.

Chloe: - Ahn... - Disse ela estranhando. - Tá bom, então.

Max: - Só não me peçam pra dar um gole. Sabem que eu não gosto disso.

Rachel: - Relaxa, Super-Max. Não vamos pedir.

Depois de todo esse momento juntos, terminamos de comer nossos Raviolis e começamos a beber. Chloe já foi logo pegando a cerveja e o resto de nós bebeu apenas suco. Acabei decidindo que seria melhor deixar a cerveja pra mais tarde. Ou quem sabe pra amanhã.

E finalmente, Max pegou aquele violão bege e me pediu a paleta emprestada. Depois que retirei a minha fiel paleta do bolso e a entreguei para Max, a mesma se ajeitou naquele tronco e começou a tocar a sua música.

Enquanto ela fazia isso, nós decidimos que já era hora de abrir aquele saco de marshmallows e assar alguns. Feito isso, pegamos alguns gravetos que deixamos de reserva e começamos.

>> Depois da música >>

Assim que Max finalizou sua música, todos nós batemos palmas e ela fez um gesto de agradecimento.

Josh: - Uau... Pra alguém que dizia não ter mais prática, você mandou bem pra caralho.

Chloe: - Eu tava prestes a dizer a mesma coisa. Super-Max manda bemzão no violão!

Rachel: - Caramba, Max. Primeiro as fotografias e agora isso? Você não se cansa de me surpreender!

Max: - É só um talento vão que eu tenho. - Disse ela enquanto escorava o violão no tronco. - Não é nada demais.

Chloe: - Nada demais?! Max, você conseguiu tocar a música perfeitamente! Se fosse eu, tenho certeza que erraria quase todas as notas! Talento vão é o cacete!

Max: - Ok, eu aceito os elogios. Talvez eu tenha conseguido acertar a maioria das notas, mas não da mesma forma que Josh Stones sabe fazer.

Josh: - Qual é, você acertou grande parte, Max. Mais do que a maioria, pra falar a verdade. Só de ter conseguido tocar até o final, já é um grande avanço.

Rachel: - Queria saber tocar assim também...

Josh: - Bom... Se você quiser, eu posso te ensinar, Rach.

De nós quatro, Rachel era a única pessoa que estava apenas calada em seu canto observando tudo sem poder fazer nada. Em outras palavras, Rachel estava se sentindo excluída. E já que agora alguém finalmente a notou, a loira acabou desenterrando um sorriso repentino ao me ver tentando inclui-la na conversa.

Rachel: - Sério? - Disse ela enquanto colocava o cabelo atrás da orelha.

Josh: - Claro. Vai ser legal. Você vai gostar.

Rachel: - Tá bom, então. - Respondeu com outro sorrisinho. - Valeu, Josh.

Após isso, Rachel levou os seus olhos até o violão apoiado no tronco de Max e pensou por um momento.

Rachel: - Hm... E já que você vai me ensinar a tocar, então por que não me mostra o que sabe fazer?

Josh: - Você já não me viu tocando uma vez?

Rachel: - Que desculpa eu preciso arranjar pra fazer você tocar de novo? - Disse ela com o mesmo sorriso de antes. - É que eu adoro ouvir as suas músicas, Josh. É muito bom.

Josh: - Ok. Já que insiste...

Em seguida, estendi as mãos para o rumo do violão e Max o trouxe até mim.

Assim que o peguei, me ajeitei naquele tronco e levei a ponta da paleta até uma das cordas. Com a paleta já posicionada, comecei a tocar uma música chamada “Obstacles”.

Max: - Hm... - Disse ela enquanto ouvia os primeiros toques. - Acho que eu conheço essa música.

Josh: - Ótimo. Porque é você quem vai me ajudar a cantar.

>> Depois da música >>

Depois que dei o último toque naquela corda, todas as garotas me aplaudiram e eu fiz o mesmo gesto que Max fez quando terminou a sua música. Além disso, fiz questão de finalizar a música dando uma deslizada com a paleta do começo ao fim daquelas cordas, como sempre faço no final de todas as minhas músicas.

Josh: - Eu sei. Eu sei. - Falei enquanto guardava a paleta no bolso e escorava o violão no tronco ao meu lado. - Eu sou incrível. Podem falar.

Max: - Incrível?! Isso foi uma divindade! Você não errou uma nota sequer!

Rachel: - Josh Stones é o rei dos violões! E também não se cansa de me surpreender!

Chloe: - Meu Deus... Acho que eu fiquei sentimental depois de ouvir toda essa música. Isso é normal?

Rachel: - Totalmente normal! É o poder que Josh Stones transmite através de suas músicas!

Max: - Eu fiquei toda arrepiada quando decoramos o refrão e começamos a cantar todos juntos.

Josh: - Quem me dera se todos os problemas do mundo fossem resolvidos com um simples toque de violão.

Rachel: - Com o seu, pode apostar que se resolvem sim, Josh. E se eu estiver errada, então que se dane. Nós temos a música!

Max: - Peraí, peraí! - Falou ela enquanto estendia a mão para Rachel parar de falar.

Assim que Max nos alertou, olhamos para onde os olhos dela estavam apontando e vimos Chloe olhando pra baixo de uma forma estranha. Ela estava sentada com os braços cruzados acima de suas coxas enquanto observava a grama e denunciava o fato de estar pensando em alguma coisa.

Max: - Chloe, o que foi? Tá tudo bem? Aconteceu alguma coisa?

Chloe: - Não. Não aconteceu nada. - Disse ela ao levantar a cabeça. - É que eu tava pensando aqui, e...

Após ter dito essas palavras, Chloe parou e pensou novamente. Mas, depois de um tempo, voltou com tudo.

Chloe: - Porra, gente! Vocês têm noção do que tá acontecendo aqui?

Rachel: - Do que você tá falando, Chlo?

Chloe: - Eu não me sentia assim há anos e pensei que nunca mais fosse voltar a sentir! Parece até que foi ontem mesmo que eu tava perdida e solitária lá em Arcadia Bay e agora eu já tô em Los Angeles com as melhores pessoas do mundo! Vocês tão ligados no quanto isso é o máximo?!

Acho que esse foi o momento em que a ficha de Chloe finalmente caiu e ela percebeu o quanto estava feliz. Mesmo sabendo que eu não estava lá, é muito bom ver que Chloe finalmente saiu daquela vida fodida em Arcadia Bay e veio passar o resto dela com a gente em Los Angeles. Sem contar que também é muito satisfatório saber que a grande felicidade da vida dela é basicamente nós três.

Josh: - Sabem o que isso significa? - Falei enquanto me levantava e erguia a minha lata de suco. - Tá na hora de fazermos um brinde!

Rachel: - Concordo totalmente! - Disse ela enquanto se levantava do tronco. - Vamos! Levantem!

Ao entrarem na vibe, Max e Chloe se levantaram de seus troncos e ergueram suas bebidas.

Josh: - Um brinde aos lendários sobreviventes de Arcadia Bay! Bom... Mesmo que eu não tenha nascido lá.

Rachel: - Digo o mesmo.

Feito isso, todos batemos as nossas latas e brindamos ao o que eu acabei de dizer. Porém, antes mesmo de bebermos, nos lembramos que aquelas latas estavam vazias.

Max: - Ah, droga... Acho que acabamos de desmanchar o brinde.

Josh: - Bom... Dane-se. O que vale é a intenção.

E então, continuamos comendo mais alguns marshmallows enquanto conversávamos sobre a vida.

>> Alguns minutos depois >>

Já estava ficando tarde e nós precisávamos ir dormir. Porém, antes de irmos até a barraca, Rachel e eu decidimos ficar um pouco mais de tempo acordados.

Eu e ela estávamos sentados num tronco em frente à fogueira, Max havia acabado de se levantar e foi diretamente até a barraca com uma cara de sono e Chloe já estava dentro da barraca deitada.

Na mesma hora em que Max entrou na barraca, Rachel e eu começamos a conversar sobre assuntos delicados enquanto dividíamos aquela garrafa de cerveja restante. A propósito, Max e Rachel já haviam destrocado suas roupas. Agora Rachel estava usando novamente a minha jaqueta, na qual não parava de cheirar a manga, e Max voltou a usar a blusa xadrez azul de Rachel.

Rachel: - Mas você acha que ela vai ficar bem lá? Porque tipo, ela é só uma simples cachorrinha. Acha que ela vai se dar bem com aqueles dois?

Josh: - Claro que sim. Noah e Jessie não são selvagens, Rachel. Eles sabem cuidar de um cachorro. E além do mais, é só por essa noite. Ela vai sobreviver.

Rachel: - Eu sei. Só tava preocupada com ela, já que nós acabamos de adotá-la e já tivemos que deixá-la na casa de alguém pra ficarem olhando.

Josh: - Eu até teria levado a Sera com a gente, mas ainda não sei se podemos confiar naquela danada. Tenho certeza que ela é daquelas sapecas que saem correndo quando você não tá olhando.

Rachel: - Confesso que eu pagaria pra ver você correndo atrás dela por todo o Observatório. - Disse a loira rindo.

Josh: - Não, você é quem iria sair correndo atrás dela por Los Angeles inteira.

Rachel: - Hm... Pelo menos assim eu teria a chance de conhecer a cidade melhor.

Depois de um tempo calados, Rachel se lembrou de algo e me questionou sobre isso.

Rachel: - Josh?

Josh: - Oi.

Rachel: - Posso te fazer uma pergunta?

Josh: - Claro.

Rachel: - Sei que isso parece ter acontecido há quase uma década atrás, e você provavelmente não se lembra, mas... Qual foi o seu pedido da estrela cadente?

Josh: - Hm... Essa foi interessante. Não sabia que você ainda se lembrava disso.

Rachel: - Talvez eu esteja adquirindo uma memória boa por andar há muito tempo com você, Josh Stones.

Josh: - Já que é assim, então eu tô virando ambidestro.

Rachel: - Engraçadinho. - Disse ela ao me dar uma empurradinha com o ombro. - Mas me diz aí. Qual foi o seu pedido da estrela cadente? Você pode me contar?

Josh: - Por que não me diz qual foi o seu?

Rachel: - Ei, qual é. Eu perguntei primeiro. Isso não vale.

Josh: - Claro que vale. Vai, me conta aí.

Rachel: - Não, é sério. Me conta o seu primeiro.

Josh: - Tem certeza que vai continuar insistindo nisso? Nós vamos ficar aqui a noite inteira contradizendo um ao outro, então acho melhor você pensar direito.

Rachel: - Tá bom, tá bom. Eu conto.

Josh: - Certo. - Falei enquanto me preparava. - Tô te ouvindo.

Em seguida, Rachel deu um profundo suspiro e observou o fogo por um tempo. Depois de alguns segundos calada, a loira voltou a falar.

Rachel: - Eu pedi pra você ser a pessoa que me mostraria qual é o sentido da vida e que estaria sempre ao meu lado.

Josh: - Hm... E você acha que eu sou essa pessoa?

Rachel: - Me diz você. Acha que alguma vez já me mostrou qual é o sentido da vida?

Josh: - Não sei dizer. Tem muitas coisas que podem levar a isso, então não é fácil de saber.

Rachel: - Sei.

Josh: - Mas a parte em que eu estaria sempre ao seu lado é verdade. Bom... Eu tô aqui agora, não é?

Rachel: - De fato.

Após ter confessado o seu pedido, a loira se virou para mim e voltou a insistir.

Rachel: - Agora me conta o seu pedido.

Josh: - Ah, olha só... Já tá ficando tarde. - Falei enquanto me levantava. - Acho melhor a gente voltar pra barraca agora.

Rachel: - Não, não, Josh Stones! - Disse ela enquanto ria e me puxava de volta. - Você não vai sair daqui enquanto não me contar!

Por mais que Rachel tenha insistido bastante, ela pareceu ter gostado da minha tentativa de esconder o meu pedido. Ela simplesmente adora quando eu dou uma de misterioso.

Josh: - Relaxa, era zoeira. Eu já vou contar.

Rachel: - Acho bom.

Josh: - Na verdade, o meu pedido foi bem parecido com o seu. - Falei enquanto estendia as mãos para frente e me aquecia no fogo. - Eu pedi pra que você e eu ficássemos sempre unidos pro que der e vier. Que ficássemos juntos no futuro, não importa o que acontecesse.

Rachel: - Hm... - Respondeu ela com um sorriso envergonhado e discreto.

Josh: - Entenda como quiser.

Na mesma hora em que Rachel foi me dizer algo, ouvimos o barulho de uma câmera disparando e vimos a luz de um flash contornando as nossas sombras no chão. Assim que olhamos para trás, avistamos Max, que havia acabado de tirar uma foto de nós dois juntos com a sua câmera Polaroid.

Josh: - Caramba, por um momento eu pensei que fosse um relâmpago.

Rachel: - Qual é, Super-Max. Trabalhando com fotos a essa hora da noite?

Max: - Foi só uma fotinha básica pra fechar o meu álbum. Essa era a última.

Em seguida, Max retirou a foto de sua câmera e deu uma sacudida. Depois, a mesma abaixou suas mãos e olhou para nós dois.

Max: - Vocês vêm? Já deviam estar na cama, caso não tenham percebido. Já tá tarde pra caramba.

Rachel: - Sim, nós sabemos. Já estamos indo agora.

Max: - Certo. - Falou ela enquanto entrava de volta na barraca. - Fechem o zíper quando entrarem.

E então, Rachel e eu nos levantamos daquele tronco e nos dirigimos até aquela barraca azul. Quando entramos lá dentro, fechamos o zíper e fomos pra cama. Ou melhor dizendo, pros sacos de dormir.

Estávamos deitados nessa exata ordem: Chloe no canto esquerdo, Rachel ao seu lado, Max ao lado de Rachel e eu por último.

Depois de um tempo, quando já estávamos deitados, Max se aproximou de mim e colocou o meu braço direito em volta do seu pescoço. Assim como Rachel sempre faz, Max deitou sua cabeça em meu ombro e apoiou o seu braço no meu peito.

Sim, nós já tínhamos intimidade a esse nível. Mas não passávamos daí.

Passado alguns segundos, Rachel se levantou repentinamente do seu saco de dormir, passou engatinhando por Max e veio até mim. Após isso, ela se deitou ao meu lado e fez o mesmo que Max. Eu não sabia o motivo de ela ter feito isso, mas desconfio que podem ser os ciúmes atacando de novo.

Estando no meio das duas, meu coração começou a bater mais rápido. Só que, dessa vez, ele bateu um pouco menos. Talvez eu já estivesse me acostumando a ficar perto delas.

Por fim, conversamos um pouco sobre a vida e Max acabou dormindo. Quando eu já estava quase pegando no sono, Rachel chegou bem pertinho de mim e me deu um beijo no rosto. Depois, colocou a sua cabeça de volta em meu ombro e voltou a dormir. Tudo isso no meio da madrugada.

Não sei qual foi o motivo disso também, mas acho que deve ter sido porque eu falei aquelas palavras pra ela. Parece que Rachel Amber gostou do meu pedido da estrela cadente.


Notas Finais




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...