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História Holy Hell - Capítulo 2


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Notas do Autor


Oi! Acho que seria bom avisar que a Claire é de uma família ultraconservadora como vocês perceberam, mas queria destacar que ela vai ter atitudes preconceituosas no início, algumas falas ou atos podem ser de gatilho de alguns, então peço que tenham atenção.

Capítulo 2 - The Begining


Fanfic / Fanfiction Holy Hell - Capítulo 2 - The Begining

Tudo parecia um filme, como se eu assistisse minha vida como uma telespectadora. Eu não lembrava nada antes de me jogar na cama e rapidamente adormecer, eu temia que tudo não passasse de uma alucinação da minha cabeça e logo em despertasse em meu quarto em Saint Michel cercada de uma paisagem rural que eu vi por vinte e um anos da minha vida.

— Eu estou em Paris. Eu irei me matricular na Sorbonne. — repeti a frase que ecoa na minha cabeça desde o momento em que desci do ônibus que me deixou na rodoviária às quatro horas da manhã.

A imagem do automóvel se afastando e da imagem de meu irmão parado acenando para mim me fez lacrimejar, com um misto de euforia e incredulidade. Meu estômago revirou de ansiedade, mas uma parte de mim estava triste. Minha mãe não falava comigo desde o jantar, só nesse processo foram cinco longos dias de preparação da documentação, do apartamento de Paris e finalmente minha partida.

Meu pai não estava lá. Três dias atrás o mesmo viajou a negócios, sem entrar em detalhes como sempre, então a única pessoa que estava lá comigo foi meu irmão, o único que se despediu, o único que me abraçou antes do início desse momento da minha vida.

Mandei uma mensagem para meu irmão, eu ainda não sabia muito bem como mexer no meu celular e em redes sociais - antes disso, minha mãe não me deixava ter um smartphone ou usar coisas como Instagram ou Twitter, ela dizia que nisso só existia diferentes formas de pecar ou ceder ao mesmo.

Como se o pecado não estivesse por aí, em todos os cantos. A cada esquina, a cada rua.

Fui olhar a janela, sair não estava dentro dos meus planos, mas meu bairro contava com muitos cafés e livrarias. O bairro de Quartier Latin ficava perto de Sorbonne o suficiente para eu não precisar de um alojamento, coisa que faria minha mãe surtar definitivamente.

A rua estava movimentada para um típico fim de tarde, pessoas diferentes estavam circulando, com piercings, tatuagens, cabelos coloridos, roupas indecentes. Torci o nariz apertando meu crucifixo com força, como se eu estivesse diante do maior mal do mundo.

Quando desviei o olhar de dois homens que se beijavam no meio da rua, percebi um homem parado, escorado em um poste. Olhei-o de cima a baixo, trajava roupas pretas, e seu cabelo era do mesmo tom, brilhante e claramente bem cuidado. O que me despertou a atenção não foi o destaque que suas roupas sombrias tinham, mas a maneira como ele olhava.

Um arrepio percorreu minha espinha, ele olhava diretamente para a minha janela enquanto soltava pelos lábios uma espessa fumaça. Quando apertei os olhos, como que tentando decifrar sua imagem, um sorriso ladino decorou seu rosto.

Meu coração acelerou. Tão rapidamente quanto percorri sua imagem. Aquele rosto não saia de minha mente, sua postura e a maneira como ele parecia olhar diretamente para mim, seu sorriso era maldoso... beirava o diabólico.

Ainda sentia cansaço da viagem, das coisas da universidade que resolvi desde que cheguei. Amanhã eu deveria comprar os materiais de arquitetura, papéis, compassos, grafites, fui tomada por uma onda de ansiedade que fez qualquer sentimento estranho desaparecer. Felizmente eu não deveria me preocupar com nada referente a dinheiro, meu pai se certificou de que eu recebesse uma boa quantidade de dinheiro, afinal, oque era da nossa família também me pertencia.

Meu celular vibrou com a chegada de uma mensagem de meu irmão que dizia "finalmente conheceu o mundo exterior, boa noite, maninha". A mesma me fez sorrir na hora, aquela sensação era inexplicável, de finalmente ter deixado a apatia de lado.

Era como finalmente estar acordada, e tudo foi tão repentino e tão rápido que se tornou completamente inexplicável, mas eu não iria questionar, apenas viver cada segundo dessa oportunidade. O apartamento não contava com muitas coisas além de móveis antigos e as coisas de cama e banho que eu trouxe. 

Fazer a limpeza me cansou, mas como o lugar estava fechado a anos meu verdadeiro problema foi arejar e deixar o vento entrar naquele lugar. De qualquer forma fiz tudo de grande bom grado, agradecendo em uma prece cada privilégio que eu estava tendo.

Tomei banho, me sentindo fresca e pronta para me deitar, mesmo que sendo cedo. Coloquei minha camisola, rezando ao pé da cama antes de me deitar. Senti aquele mesmo arrepio, o apartamento era realmente gelado.

Pegar no sono não foi um problema, eu me sentia me deitando sobre as nuvens de tão exausta que eu me encontrava com toda a mudança, a limpeza e a arrumação. Logo adormeci como se estivesse caindo em um poço até tudo ficar escuro.

E então a claridade tomou conta do quarto. Parecia o por do sol, alaranjado e brilhante, mas era quente. Eu me sentia fervendo enquanto lágrimas escorriam pelo meu rosto, não era o sol, e sim o fogo que tomava conta de meu quarto enquanto eu permanecia deitava vendo a estrutura queimar.

Ele estava de pé, tão belo e casto, sua mão era semelhante a uma escultura de mármore, daquelas que adornam as igrejas de Notre Dame. Ele a estendia para mim, seu corpo parecia incandescer como o fogo ao nosso redor, suas asas negras eram grandes, e eram as únicas coisas que cobriam a sua nudez.

— Eu passei a eternidade esperando por você, Claire. — sua voz era sedutora e grave, como se falasse exatamente não só o que eu queria, mas o que eu precisava ouvir.

Meu corpo tremia, toquei meu pescoço atrás do crucifixo rezando em voz alta, rezando pela minha alma pois eu sabia que ali era o meu fim. O colar não estava lá, mas a marca sobre meu busto sim, como se o mesmo tivesse me machucado até sangrar.

— Claire, você sabe o que é verdade. — ele repetiu, ficando centímetros distante de mim.

Era como uma força magnética que me atraia, o fogo aumentava a medida que ele chegava mais perto e eu sabia que ele era tudo aquilo que eu temia. Eu não tinha mais uma escolha. 

Me levantei, estendendo a mão para que eu o tocasse. Eu poderia jurar que nossos dedos se encontraram, porém antes de saber o que ia acontecer, acordei. O suor pingava por minhas têmporas, pescoço, tronco, mãos, pernas. Lençol grudado em mim e a escuridão que me impedia de distinguir o que estava ao meu redor. 

Era tudo tão real, eu sentia algo caótico se apoderar de mim. Espiei pela janela, a rua estava movimentada, esperado para um bairro estudantil em uma madrugada de sábado, mas o garoto de cabelo preto não estava lá.

Voltei a me deitar, chorando de nervoso até novamente adormecer e o maldito sonho não passar de flashes. Minha vontade real era de esquecer completamente o que eu vivenciei, e tão rapidamente dormi novamente indo de encontro com nada além de escuro. Naquela noite não sonhei novamente, e não era como se eu quisesse.



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