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História Holy (Momo x Ochako) - Capítulo 2


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Notas do Autor


Perdão por qualquer erro que eu venha a tomar, não tenho alguém para revisar mas estou dando meu máximo para não esquecer nada ou deixar algo passar.
Espero que gostem 🥰

Capítulo 2 - Capítulo 2


Fanfic / Fanfiction Holy (Momo x Ochako) - Capítulo 2 - Capítulo 2

I

Ela esteve duas semanas trancada dentro de casa. A pressão de enfrentar novamente a Shiketsu pesava em seus ombros e se tornou ainda mais alarmante do que durante o verão. O esforço em manter os estudos em dia ainda continuava o mesmo, o cronograma de estudos mantido como das vezes que estudava em casa, refeições saudáveis e pausa para atividades físicas regradas e divididas perfeitamente. Seria fácil dizer aos pais que Shiketsu não era o lugar dela e que continuar com a professora Sosaki seria o certo, mas ela sabia que só estaria sendo covarde. Uma Yaoyorozu deveria enfrentar seus medos, ela deveria ir para a Shiketsu novamente, ela teria que se adaptar em estar em contato com as pessoas.

Na manhã de segunda-feira, ela pediu para que ligassem para a instituição e separassem o antigo dormitório. Seus pais brevemente agradeceram pelo esforço da filha, a mãe ainda mais preocupada com como Momo voltaria para a escola, disse em alto e claro antes do carro da filha partir para o internato:

— Leve esse conselho consigo, Momo, você é bonita, interessante e filha de um dos homens bilionários do país, ser sua amiga é mais do que vantajoso para qualquer pessoa. Tenha cautela em escolher quem anda ao seu lado.

Ela preferiu não ter entendido as palavras da mãe mas… Se ela deveria tomar cuidado, como confiaria nas pessoas? Ou melhor, como faria novas amizades?

Mais uma vez, ela colocaria sua máscara de proteção.

 

II

Momo Yaoyorozu estava pasma com o número de meninas que a interceptaram naquela tarde. O início das aulas traria o sentimento de “novidade no ar” mesmo depois da entrada inesperada depois das férias de Agosto do ano interior e do acampamento de verão antes do começo do ano letivo, e apesar de conhecer parte das meninas, ainda se admirou com uma fração das colegas competindo por sua atenção. 

— Yaomomo como foram suas férias?

— Yaomomo, por que você veio duas semanas depois que as aulas começaram?

— Yaomomo, o que acha desse…

— Yaomomo...

A atual representante da sala apenas sorria, esperando que nenhuma pessoa reconhecesse o quanto desconfortável estava toda a situação. A maior parte do tempo conseguiu que Camie, da classe 1B, interferisse no tumulto que ela causava, mesmo quando pensou em se esconder para estudar na biblioteca, o grupo ainda a perseguia e cada vez se tornava mais difícil fingir que a situação era agradável.

— Momo, se quiser eu posso levar essas meninas pra longe daqui — Camie não tinha maldade na voz, ela era a única que reconhecia o desconforto em todo o alvoroço e a única pessoa de Shiketsu que Momo considerava o mais próximo de uma amiga.

— Seria maldade com as meninas, Camie — Cochichou rezando para que nenhuma das colegas percebesse — Se as coisas piorarem, eu te peço socorro.

— Como desejar, bebê.

O momento de paz chegou depois do jantar, a hora em que finalmente pode ficar sozinha em seu dormitório. Ela tentou descansar e não pensar no em como seria o dia seguinte, ou como seria o ano inteiro.

 

III

— Senhorita Uraraka, poderia responder a segunda pergunta?

"Uraraka como a menina da prova de admissão?"

A diretora Kayama conversou pessoalmente com Momo sobre Ochako Uraraka no dia que a representante chegou na escola. A diretora esperava que ela pudesse desfocar a atenção alheia do fato de que Ochako fazia parte do programa de bolsas, ainda que as meninas não fossem agressivas, a hostilidade vinha velada de outras formas, fosse na hora de encontrar um grupo ou manter uma conversa.

— A resposta é 2097, professora.

Acidentalmente, o olhar dela cruzou com ela e o impacto foi grande, sentada na cadeira perto da janela, dois espaços de diferença de onde estava, Momo encontrou a menina mais linda que viu em toda sua vida. A representante não conseguiu enxergar Sekigai ou Hagakure sentadas do seu lado e muito menos ouvir o que a professora Takeyama dizia, no seu lapso temporal o mundo se fechou e todos os sentidos de Momo Yaoyorozu estavam vidrados em Uraraka.

Em seus conhecimentos sobre livros românticos e músicas clichês, ela não esperava que pudesse olhar para uma colega de sala e perceber que a palavra bonita não era certa para descrever alguém. Só que nada a preparou para Uraraka, e “bonita” não era o bastante para defini-la. “Uma obra de arte” essa era a expressão que correu na mente dela, as únicas palavras que encaixavam com a aparência daquela menina.

— Senhorita Yaoyorozu?

— Hum? — Ela se virou ao ouvir uma voz mais elevada a chamando, a metade da sala estava a encarando mas felizmente Uraraka estava dispersa demais para perceber a situação.

— A resposta da quinta questão.

— 11/3 — Olhou no caderno para checar a veracidade do resultado.

— Correto, mas espero que da próxima vez esteja prestando na matéria.

— Sim, professora Takeyama — Respondeu rapidamente, Momo afundou a cabeça no livro esperando que não tivesse se envergonhado o bastante na frente das colegas.

 

IV

No usual horário de estudos tentou manter o foco ao máximo no que Hagakure falava sobre o batom novo que comprou no final de semana, algum meticuloso detalhe sobre a diferença entre a cor carmim e cereja, apesar de gostar do tópico de maquiagem, Momo não conseguia tirar os olhos da aluna sentada do outro lado do salão. Sozinha na mesa, Uraraka lia um livro sem se importar com o que acontecia ao redor dela, uma das mechas maiores da frente sutilmente atrás da orelha enquanto a outra livre, e cobrindo a parte direita do rosto.

— A menina nova te cativou, não foi, Yaomomo? Ou estou lendo a situação de forma errada?

O foco no nome dela. O jeito que as sílabas foram pronunciadas.

Aquela voz.

A representante conhecia aquela voz melhor do que ninguém. Virando lentamente para o lado, ela encontrou um fantasma do verão passado, Saiko Intelli certamente cresceu desde a última vez que a viu, o cabelo com um corte diferente e ainda mais comprido, um pouco mais alta do que Momo se lembrava, mas o olhar foi o que mais a assustou. Uma frieza que se afastava da gentileza que um dia teve prazer de presenciar, “Ela realmente mudou…” A menina se abaixou o bastante para ficar próximo do ouvido de Momo, ela perguntou quase em um sussurro fazendo questão de que apenas a representante a escutasse:

— O que acha dela?

— Ela está sozinha, — Constatou sem tirar os olhos de Saiko, não deixou a voz vacilar — não acha que ao menos deveria me preocupar? Afinal de contas, sou a representante de sala dela.

— Ela é bolsista, apenas uma subordinada comum e que vai se adaptar a qualquer realidade que lhe é oferecida, só que você não liga para isso, não é? Você a acha interessante, e sabe como eu sei disso? — O desgosto veio embargado na voz da menina, uma reação que ela não esperava vindo de sua antiga conhecida — Porque eu olhava da mesma forma pra você.

— Com licença, — Momo se levantou abruptamente chamando a atenção das demais meninas da mesa, ela abaixou o olhar com vergonha demais para encarar Saiko — preciso voltar para o meu dormitório.

— Está tudo bem, Yaomomo? — Yui perguntou com uma certa ingenuidade.

— É um assunto pessoal, mas não precisa se preocupar.

— Te vemos no jantar? — Toru se pronunciou dessa vez.

— É claro — Respondeu mais trêmula do que queria.

Ela saiu da biblioteca sem se dar ao luxo de olhar para trás.

❁❁❁

“— O que quer dizer?

A luz da tarde iluminava a biblioteca, de trás das prateleiras apenas as frestas dos livros retirados clareavam parte do rosto de Momo, os olhos em cor de ônix se mostrando mais claros do que o habitual. Saiko pode admirar de perto os fragmentos da menina que tanto quis impressionar, ela poderia falar sem toda a formalidade de que estava habituada, sem ter que competir pela atenção da menina nova, era sua chance de ouro e ela não desperdiçaria.

— E-eu tenho sentimentos por você que vão muito além da amizade, — A menina mais baixa manteve a mão no rosto de Momo — Foi amor à primeira vista! Eu admirei você do momento que te conheci, sua beleza, sua inteligência, tudo.

— Saiko… — Hesitante, delatando o medo que sentia, Momo afastou a mão pousada no rosto dela.

— Você poderia ser gentil comigo e retornar meus sentimentos.

Antes que ela pudesse processar o que aconteceu, os lábios de Saiko estavam colados aos seus e as mãos a segurando firme querendo que ela se mantivesse no lugar. Momo sentiu os olhos se encherem de lágrimas e piscou diversas vezes para digerir o que estava acontecendo, o primeiro beijo dela tinha sido roubado por uma pessoa da qual ela não nutria sentimentos.

— Saiko, eu não posso! — Exclamou ao segurar em ambos ombros e afastou a colega de sala com o máximo de força que podia, Saiko parou alguns passos de distância de onde ela originalmente estava. Apesar das bochechas avermelhadas, Momo estava tensa e o maxilar rígido era só uma parte da tensão que o corpo sentia. 

— Não pode? — Franziu as sobrancelhas com a rejeição.

— Eu te acho uma boa pessoa, mas… Não posso retribuir seus sentimentos.

— Por que?

— Eu não sinto o mesmo, e não posso fingir que sinto.

— Mas pode ao menos tentar!

— Saiko, por favor, entenda que eu não… — Momo tentou explicar.

— Você é cruel, Yaoyorozu — A menina a cortou — Algum dia você vai se apaixonar por alguém que não vai sentir o mesmo que você e vai saber como eu me sinto agora.”

❁❁❁

Atualmente

Momo pensou que de alguma forma tinha fugido dos encontros de corredor com Intelli, e para ser sincera tinha dias em que ela desejava que a menina não lhe direcionasse um olhar sinuoso ou muito menos um sorriso de vitória. Ela pensou em contar para Ochako sobre o que aconteceu, por algum motivo ainda hesitava quando Intelli estava perto e sua insegurança se intensificava. Yaomomo sabia que não estava apaixonada por Saiko, porém as palavras ditas na biblioteca pesavam demais nas costas, ela tinha muito medo do que Ochako poderia pensar dela.

— Yaomomo, — A voz meiga com uma pitada de provocação chamou a atenção dela e de Ochako — boa tarde. 

— Boa tarde — Respondeu, por educação, ainda com a cabeça firme no caminho.

— Achei que tínhamos intimidade o bastante para você me chamar de Saiko — Momo ignorou o comentário.

— Ela era uma amiga sua? — Uraraka cochichou ao passo que Intelli se afastava de ambas — Ela é bem sofisticada.

— Uma antiga conhecida, — Ela se virou para a menina mais baixa, os olhos suavizando ao ver o rosto de Ochako — não tem muita relevância hoje.

O clima ficou pesado. 

O sentimento de desconforto chegando de forma avassaladora para Momo, Ochako logo reparou que a menina tinha se fechado, os ombros nitidamente rígidos e o inesperado aperto no passo para não continuar no mesmo corredor. Tomando uma atitude inesperada, segurou o pulso de sua representante fazendo com que a menina parasse, ela deu um sorriso para tentar animar o ânimo de Momo. Um sorriso era o que cativava Yaomomo, um sorriso que assegurava que nada de mal no mundo existia.

— O que acha da gente ir estudar no jardim ao invés de ir para a biblioteca? 

No fundo, Yaoyorozu queria ter aquele peso a menos nos ombros e ser como Uraraka, mas baixar a guarda não era uma opção. Todos ao redor dela pareciam cair em um grande campo magnético ao redor dela, precisava se manter as expectativas que esperavam dela e para a felicidade dela Uraraka não estava incluída. Ela acenou positivamente com a cabeça ao murmurar:

— Será ótimo.

Cada vez mais as palavras que Intelli lhe disseram a assombravam. Momo não queria ser rejeitada, porém acreditou que se um dia Ochako não retribuísse seus sentimentos, ela fez por merecer depois de ter rejeitado Saiko. “Os poetas me fizeram acreditar que seria tão fácil…"

 

Ochako continuou chamando Momo para uma sessão de estudos no jardim durante a semana, e depois durante meses. A relação das duas progrediu bem mais do que esperavam, e pelo tempo em que o verão começou a se aproximar em Tóquio, o jardim tinha se tornado um lugar privado das meninas, elas se sentiam mais à vontade longe dos olhares das demais estudantes. 

Aquela altura, elas conversavam todos os dias e algumas alunas diriam que estavam grudadas pelo quadril, outras diziam que Ochako tinha usado bruxaria para enfeitiçar a representante, Momo não duvidou nada de que Intelli que começou todas as fofocas que envolviam as duas. Yaomomo sabia sobre a cor preferida de sua companheira — rosa, mais precisamente, num tom flamingo — sabia que ler sobre astrologia era um dos passatempos preferidos dela, sabia os nomes dos pais dela e que não suporta desperdício de comida. Ochako sabia do amor por matrioskas — “são como bonecas desenhadas!” a voz animada de Momo explicava ao demonstrar os itens pousados na escrivaninha do dormitório dela — a pequena obsessão com obras de artes, sabia o nome do único e melhor amigo que ela tinha, e chegou a aprender um pouco de francês e mandarim.

O único momento em que não estavam juntas eram durante os finais de semana em que Ochako visitava os pais. Apesar de ainda gostar de sair de Shiketsu durante as quinzenas, ela sentia saudade de voltar e ter conversas alegres com Momo enquanto tomavam um chá no refeitório. Da última vez que voltou para casa chegou a conversar com Tsuyu e Deku sobre Momo, eles genuinamente simpatizaram com a descrição que ela deu sobre a herdeira dos Yaoyorozu e esperaram que no futuro pudessem conhecê-la.

— Ochako, o que você vai fazer na primeira semana do verão? — Momo mordeu o lábio inferior sem manter contato visual com a amiga.

O meio de Julho trouxe as provas finais do trimestre, junto dela também trouxe a grande agitação sobre o que as estudantes da Shiketsu fariam durante as férias de Agosto. Como esperado, a maioria viajaria para diferentes partes do mundo com os pais, e Ochako esperava que Momo fizesse o mesmo.

— Provavelmente eu vou para o Festival Tanabata com meus amigos e depois ficar em casa quase todo o verão, quem sabe uma ida ao cinema com a Tsuyu ou com o Deku.

— O que você… É… — Momo fechou os olhos, ela pareceu estar criando coragem para perguntar — Oquevocêachadeirparaminhacasa?

Ochako quase engasgou com o suco, ela tossiu algumas vezes antes de se recompor, com os olhos arregalados se virou para a representante esperando que a situação fosse esclarecida. “Uma semana inteira sozinha com a Momo?!”

— O que?

— Você gostaria de passar uma semana na minha casa? — Yaomomo perguntou novamente ainda sem olhar diretamente para a menina sentada ao seu lado.

— Achei que fosse viajar assim como o resto das meninas — Ochako constatou sem pensar duas vezes.

— Meus pais vão fazer uma viagem de negócios, eles não querem que eu vá na primeira semana, então vou ficar sozinha em casa. Apenas irei me encontrar com eles em Paris na semana seguinte.

— Paris parece bem chique.

— É um dos lugares mais bonitos do mundo, acho que você gostaria de lá. Mas... — Ela notou que Momo apertava a bainha da saia enquanto falava, claramente nervosa com o que diria a seguir — Estar sozinha em casa vai ser um pouco solitário, eu sei que os empregados estarão lá só que ainda sim eu me sentiria sozinha, por isso estou te convidando.

— Meus pais certamente não se importariam, só que eu tenho uma condição.

— O que você desejar — Afirmou sem nem ouvir o pedido.

— Você tem que ir para o festival comigo e meus amigos, eu quero que eles te conheçam.

— Tem certeza? Não acho que eu tenha etiqueta para um evento assim e muito menos sou hábil em conhecer pessoas novas.

— Eles são boas pessoas, você vai se sair bem e se fizer você se sentir melhor. Eu falei de você para eles então não vai ser uma estranheza total.

— Você falou de mim para os seus amigos?

Uma simples pergunta que fez Ochako sentir o rosto ficar quente de vergonha, como ela deixou escapar um detalhe tão crucial? Ela limpou a garganta, Momo se virou para encará-la, os olhos brilhantes de animação do jeitinho que Ochako estava acostumada e adorava.  “Adoro? Sim, Momo é bonita, inteligente e tinha olhos que… O que diabos eu estou pensando? Ela é minha amiga! Recomponha-se Ochako.” 

— É que… Bem… — Ela tentou explicar mas a língua travou mais do que a ajudou — E-eles meio que perguntaram sobre amizades e eu… É, eu mencionei você.

— Espero que tenha dito apenas as qualidades, e tenha passado longe do fato que sou um desastre socialmente.

— Como se você tivesse defeitos.

Ela pensou que Momo não escutaria o elogio, o rosto dela disse o contrário., Yaomomo pousou o dedo indicador na frente dos lábios, as bochechas avermelhadas demonstrando o quão envergonhada ficou e Uraraka tinha certeza que entraria em combustão a qualquer momento, o coração dela teria levado primeiro lugar na prova de atletismo da professora Usagiyama de tão rápido que estava batendo. Engoliu seco procurando como deveria continuar a conversa, seria difícil de esconder que estava se tornando estranhamente afetada por sua representante e ela esperou que o rosto não deixasse evidente toda sua confusão interna.

— Enfim — Ochako começou a falar — Essa é minha condição. O que acha?

— É claro que eu aceito.

O começo do verão seria interessante.


Notas Finais


Obrigada pras 3 pessoas que favoritaram, vocês são maravilhosos ❤
Beijinhos e até a próxima!


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