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História Home partner. - Na Jaemin fanfic. - Capítulo 26


Escrita por: ceci_kxy

Notas do Autor


oi oi, cecilinha gameplays voltou cedo, quem amou?

Estou muito feliz por ter conseguido voltar mais cedo do que eu mesma esperava e por estar conseguindo planejar bem as próximas short fics/fics/one shots que eu pretendo lançar! aaaa então preparem-se, vai ter muita fanfic para vocês ainda, okay?
Mas como nem tudo se faz de só alegria... Eu estou passando por um momento complicado comigo mesma, sem conseguir me aceitar direito e tendo minha autoestima abaixo do inferno, então... Está complicado ter autoconfiança, por isso espero que vocês gostem bastante desse cap :( <3

Falando em tristezas, sinto em dizer que estamos no penultimo capítulo da nossa fanfic. Eu sei, eu deveria ter avisado bem antes, já que vocês foram surpreendidos agora, mas... É isso, nosso penultimo capítulo chegou :( choremos amgs
Nas notas finais vai ter uma pergunta muito importante para que eu possa fazer o proximo cap, então se puderem responder, serei extremamente grata!

Esse capítulo é mais uma vez um desabafo disfarçado, principalmente na parte do pai dela, então se sentir vontade de chorar, não hesite pois estou aqui para entender sua dor *abraço*

Como pedido, as cenas tristes acabaram... Na verdade temos apenas uma e é com Jeno.
Peço que coloquem uma música que consideram triste na hora de ler... Eu recomento: "Let you go" do Joshua Bassett. (link nas notas finais.)

Boa leitura!

Capítulo 26 - Spend the night.


Fanfic / Fanfiction Home partner. - Na Jaemin fanfic. - Capítulo 26 - Spend the night.

Gong Minji ೃ

 

Eu não entendi o porquê de eu ter reagido daquela maneira com Jaemin, foi como um impulso que nem mesmo olhou se Jaemin estava desamparado ou se precisava de contato com a minha pele. Quando parei para raciocinar, simplesmente já tinha puxado meu pulso de volta, quebrando o contato físico que ele tinha criado.

Virei-me para a minha mãe, apenas dando um ultimo abraço nela e entregando sua bagagem em mãos, vendo-a partir pela sala de embarque logo em seguida. Assim que voltei meu corpo em direção a Jaemin, ele parecia confuso, tentando entender algo enquanto desviava o próprio olhar para a sala de embarque e para mim, agora com mãos vazias. Ele ainda não tinha secado suas lágrimas, o que me incomodou um pouco de ver, pois não queria vê-lo naquele estado.

Mas eu tenho que resistir a isso.

— Vamos conversar. — Falei séria, esperando que ele se levantasse.

Assim que o fez, comecei a andar em direção a uma pequena cafeteria dentro do aeroporto, sendo seguida por Jaemin. Ao entrarmos no estabelecimento, sentei-me em uma mesa mais próxima a saída e mais ao canto, sem demorar tanto para escolher.

— Boa noite. — A garçonete veio até nós, abrindo seu próprio bloco de notas para anotar o que queríamos.

— Eu vou querer um café com leite quente, por favor. — Pedi antes que ela perguntasse sua clássica fala. Eu estava avoada, pois não sabia o porquê de Jaemin estar ali, então com toda certeza, um café com leite me ajudaria a ficar mais calma.

— Eu vou querer um chá de camomila. — Ela anotou nossos pedidos e saiu, deixando-nos a sós naquele silêncio angustiante.

— Por que você não foi para os Estados Unidos? — Iniciou, ainda hesitando um pouco. — Por acaso você desistiu por mim? — Seus olhos tinham um brilho esperançoso.

— Eu nunca disse que eu iria para os Estados Unidos? Ou disse? — Cruzei os braços, vendo o garoto parecer mais confuso. Nossos pedidos chegaram rapidamente, então apenas agradeci e vi a garçonete partir mais uma vez.

— Mas... E-eu vi a passagem em cima da mesa de centro no dia que você estava se mudando. — Perdeu-se em palavras, parecendo estar em uma guerra interna com si mesmo.

— Você interpreta tudo muito mal mesmo. Já passou na sua cabeça perguntar, ao invés de deduzir sozinho? — Ri fraco, descruzando meus braços e pegando aquela xícara pela alça, direcionando-a até meus lábios e assoprando suavemente o líquido de dentro, dando um curto gole em seguida. Era irônico falar isso, quando esse era um defeito meu. — Eu comprei a passagem para minha mãe porque ela é péssima com esses assuntos, por conta disso a passagem ficou comigo. Depois eu entreguei para ela. Eu não comprei passagem nenhuma para mim. — Expliquei simplista.

— Eu fiz todo aquele show por nada? — Jaemin parecia constrangido, tapando seu rosto com as mãos.

— Você viria mesmo sabendo que eu não iria embora? — Perguntei, sentindo meu coração gritar de alívio. Jaemin mordeu o lábio inferior, parecendo estar segurando as palavras para dentro da própria boca. — Esquece isso. Por que veio? — Fiquei meio decepcionada, porém não queria me aprofundar naquilo também.

— Eu percebi que não poderia deixar você escorregar de meus dedos assim. — Jaemin falou baixo, após o primeiro gole na xícara de chá. — Eu tentei te ligar algumas vezes, mas você não atendeu e eu pensei em deixar para lá, só que ai... Jeno apareceu. — Passei a pensar bem mais atenção a partir do momento que Jeno foi mencionado. — Ele disse que você estava no aeroporto, dando a entender que você estaria indo embora também.

Então apenas paramos um pouco para raciocinar, ficando em silêncios por alguns minutos.

Jeno disse-me a verdade que ele sabia, disse o que ele fez e mesmo não se arrependendo, se sentia mal por isso. Talvez Jeno assumir isso foi uma maneira de se redimir conosco, foi uma maneira de amenizar um pouco a dor que ele acabou causando em mim e em Jaemin. Jeno de fato quis nos ajudar falando essas coisas para nós, falando a verdade para mim e dizendo onde eu estava para Jaemin, ele quis nos ajudar mesmo que isso o fizesse ficar mais para baixo.

— Ele estava nos ajudando. — Murmurei, vendo Jaemin assentindo enquanto tomava seu chá para se acalmar um pouco mais.

— Sobre o Jeno... Ele te disse o que fez? — Se perdeu um pouco nas palavras até falar o que queria.

— Sim. Desde a conversa com meu pai, até as informações que ele passou. — Senti-me um pouco triste, notando que na verdade não fui eu e Jaemin que o traiu, mas sim ele que nos traiu.

— Ele te disse sobre o que sei pai fez comigo? — Balbuciou, levando agora toda minha atenção para ele. Assenti negativamente, o vendo tirar o celular do bolso, desbloqueá-lo e colocar virado em minha direção em cima da mesa. — Eu recebi mensagens durante as últimas semanas, de início o remetente era desconhecido, mas depois descobri que era seu pai... Tudo foi facilitado para ele após as informações que Jeno passou. — Explicou enquanto eu começava a ler aquelas mensagens.

Li cada palavra atentamente, trincando meu maxilar pela raiva de maneira inconsciente. Eu estava comprimindo toda aquela raiva, pois agora não era o momento, mas ainda sim, me sentia extremamente enraivecida e triste, por conta da maneira que Jaemin sofreu calado. Eu não iria diminuir meus sentimentos e nem a maneira que sofri, de maneira alguma, porém ainda me sentia triste por ver tudo que Jaemin teve de aguentar calado apenas por ter escolhido seguir com o que me deixava bem — e que provavelmente deixava ele bem também.

— Por que não me disse sobre isso antes? Eu poderia resolver rapidamente isso. — Devolvi seu celular, sentindo algumas lágrimas escorrerem.

— Eu tive medo. — Segurou uma de minhas mãos, acariciando levemente. — Eu tive medo de seguir com isso e machucar mais você e as pessoas ao meu redor. Tornou-se mais difícil ter forças para continuar com o que começamos quando eu via que não apenas você, mas Jeno e sua mãe estavam descontentes com a gente. — Retribui seu carinho na mão. — Eu sou um idiota por ter sido tão inseguro e ter pensado que poderia segurar tudo nas minhas costas, certo?

— Sim, você foi um grande idiota. — Concordei e acabamos rindo. Sequei minhas lágrimas com as costas da minha mão, vendo que Jaemin tinha também algumas lágrimas acumuladas em seus olhos. — Você disse a verdade naquela hora? — Mordi os lábios um pouco hesitante, vendo o rosto confuso de Jaemin. — Sobre me amar... Era verdade?

— Sim... — Jaemin estava vermelho pela timidez, afinal ele nunca demonstrou coisas assim tão abertamente.

— Então prove. — Terminei de tomar o café que se encontrava em minha xícara. — Prove que me ama e me faça sentir amor. Eu já esperei demais por você, agora é sua vez de me mostrar que vale a pena. — Levantei-me da cadeira, tirando a quantia em dinheiro de nossas bebidas do bolso, repousando na mesa e saindo do estabelecimento em seguida.

— Minji! — Jaemin correu até mim, seguindo meu ritmo assim que chegou ao meu lado. — Eu prometo que vou fazer por onde! Você não vai se arrepender! — Ele sorria feito bobo enquanto me olhava.

Por que você agora está tão bobão? — Tive de me segurar para não sorrir ali, não poderia mostrar que amoleci tão facilmente por conta da animação do garoto para me conquistar.

[***]

Eu estava sentada naquele sofá, esperando que meu pai chegasse a casa para que eu enfim pudesse falar o que eu queria. Ele iria ouvir, ele seria obrigado a fazer isso, pois a minha ira não me permitiria ficar calada.

Pude vê-lo entrando em casa, observando-me surpreso ao passar pela sala. Seu olho direito estava roxo, deixando mais gratificada ao vê-lo daquela maneira.

— Aigoo, você está aqui? — Sentou-se no sofá em frente ao meu. — Aquele garoto, Na Jaemin, ele é um selvagem! Olha o que ele fez em meu rosto! — Apontou para o olho roxo, enquanto eu agradecia mentalmente a Jaemin.

— Eu não me importo com isso, então serei breve aqui. — Cruzei os braços, respirando fundo. — Eu sei o que você fez para Jaemin e quero saber o por quê. — Decidi ser direta, vendo a expressão de meu pai ficar séria. — Por que ainda por cima enfiou Jeno no meio de seus assuntos e de sua ganancia? Ele era inocente nessa história toda!

— Ele também tinha certa ganancia, se não, não faria isso! — Meu pai ergueu uma de suas sobrancelhas.

— Isso não vem ao caso, não tente esconder seus erros. — Interrompi-o antes que ele falasse mais coisas que pudessem me desagradar. — Você tem que aceitar que nem tudo vai de acordo sobre como você quer! Muito menos pessoas! Então você não deveria tentar manipular pessoas, seja eu, Jaemin, Jeno ou minha mãe.

— O meu mundo é assim e as coisas devem correr assim! — Esbravejou. — Você e sua mãe me abandonaram, então eu tive de arranjar um jeito de fazer que vocês voltassem para onde pertenciam, ou seja, para o teto que eu sustento.

— Você usa o sustento como isenção de toda sua culpa, isso é ridículo. — Cerrei os punhos. — As pessoas se afastaram de você exatamente por isso, por você achar que o mundo está a mercê de tudo que você decidir sozinho! Você não é mais adolescente, tenho mesmo que falar que o mundo não gira ao seu redor? — Senti-me cada vez mais irritada. — Nem minha mãe, muito menos eu, vamos voltar. Aceite que o marido que você não foi, o pai que você não foi, está mostrando seus resultados agora, foi apenas consequência de tudo que você fez.

— Como minha filha, é sua obrigação se manter ao meu lado! — Insistiu, fazendo-me revirar os olhos.

— Seria minha obrigação se você fosse um pai bom, se você realmente fizesse por onde! Eu percebi que você nunca vai mudar e vai morrer entupido pelo seu orgulho, então, você merece ficar sozinho. — Levantei-me daquele sofá. — Eu não consegui nada de você, então apenas... — Fui em direção à porta.

Virei meus calcanhares apenas mais uma vez em direção ao meu pai, analisando-o.

— Quebre quanto móveis da casa, surte o quanto quiser, apenas esteja ciente de que se você mexer mais uma vez com Jaemin, eu chamo a polícia para você. — Apenas saí daquela casa, enquanto prometia para mim mesma que não voltaria ali.

Eu tinha inveja das pessoas que conseguiram ter bons pais na vida, já que eu nunca tive isso. Um pai seria algo extremamente importante para mim em todas as fases da minha vida, seja na infância me mostrando como eu deveria lidar com o meu comecinho de vida, na adolescência brigando com meus paqueras ou me aconselhando sobre como homens não prestavam, até mesmo agora na minha vida adulta me dizendo sobre como eu deveria me policiar e seguir os caminhos certos. Doía não ter tido esse privilégio, assim como muitos outros puderam ter, porém eu sabia que isso era o melhor para mim. Eu sabia que não ter um ótimo pai seria o que traria a minha força e me ajudaria a lidar com as coisas, sozinha, aprendendo tudo sozinha.

Ele não mudaria, eu sabia que não, mas eu tinha poucas esperanças. Mesmo com minhas esperanças, isso não o faria mudar, então preferi apenas aceitar agora a minha realidade e notar como eu nunca precisei dele em algum momento da minha vida, mesmo que tenha me deixado feridas abertas até hoje. Eu nunca fui importante para ele, então decidi deixa-lo no passado.

Ao chegar a minha casa apenas tirei meus sapatos dos pés e deixei em um canto da entrada, fechando e trancando a porta em seguida. Cambaleei pela pequena casa até chegar ao meu quarto, onde eu me joguei na cama assim que me aproximei do móvel. Antes que eu fechasse os olhos, meu celular soou de dentro de meu bolso, recebendo uma ligação.

Peguei o aparelho, vendo quem era. “Jaemin”, eu apenas atendi ao ler o nome do contato.

— Alô? — Perguntei com minha voz sonolenta, enquanto me colocava debaixo das cobertas, ignorando o fato de eu estar de calça jeans por alguns instantes.

Minji, oi. — Jaemin parecia meio sem jeito.

— Aconteceu algo? — Perguntei enquanto tirava aquela calça jeans, ficando apenas de calcinha.

Não, eu apenas queria saber do seu dia...

— Ah, eu fui falar com meu pai. — Fui direta, ouvindo o garoto se desesperar do outro lado da linha. — Ya, se acalma! Eu apenas fui questionar as ações dele. — Suspirei, jogando a calça no chão. — Eu percebi que não teria como conversar com alguém que nunca está disposto a mudança... Então, que ele morra daquele jeito.

Você está bem? Ele te chateou? Ele te machucou?!

— Eu estou chateada... Mas logo tudo passará. E não se preocupa, não apanhei dessa vez. — Eu tentava disfarçar meu tom abatido. — Você fez um estrago na cara do meu pai. — Ri junto a Jaemin. — Você tem o braço bom para isso, hein.

Não apenas para isso. — Ele disse e eu pude sentir meu corpo ficar tensionado, pensando em coisas que eu não deveria. — Minji?

— A-ah, oi? — Merda, eu gaguejei.

No que você estava pensando? — Perguntou, parecendo adivinhar meu nervosismo. — O que passou na sua mente suja?

— Ya, minha mente não é suja, você que disse coisas com duplo sentido! — Rebati, ouvindo-o rir. — Nem parece que o virgem aqui é você. — Ele ficou quieto, arrancando-me um riso vitorioso.

Vamos parar de falar isso. — Disse após segundos. — Minji... — Chamou-me mais uma vez, fiquei apenas calada esperando que ele dissesse o que queria. — Eu fiquei bastante preocupado assim que você disse o que fez hoje, não gosto de quando se arrisca assim... Pode, por favor, ser mais cautelosa?

Sorri boba com sua fala, afundando o rosto no travesseiro para esconder meu sorriso bobo dos possíveis espíritos que podiam estar me observando.

— Aigoo... Você está preocupado demais, por acaso gosta de mim, hm? — Brinquei, tentando disfarçar o quanto eu me senti feliz ouvindo aquilo.

Sim... E por isso eu quero que você não se arrisque... Essa agora é a minha função, então deixe todos os riscos para mim e viva apenas foque em voltar para mim, okay? — Jaemin disse aparentemente constrangido, afinal, ele jamais se abriria dessa maneira tão diretamente. — Chega por hoje, vamos dormir! Boa noite, Minji! — Desligou antes que eu pudesse responder algo.

Apenas conectei o celular no carregador e repousei-o na mesa de cabeceira ao lado da minha cama, ajeitando meu corpo no colchão e fechando os olhos para logo cair no sono. Meu sorriso não conseguia ser desmanchado nem mesmo pelo sono que me matava, e nem mesmo a sonolência me fez parar de pensar em Jaemin implorando para que eu ficasse quando estávamos do aeroporto.

[***]

Passou-se dois dias desde a minha conversa com meu pai e até então ele não tinha vindo me incomodar de novo, acho que o aviso deu certo. Enquanto isso, Jaemin ainda é um romântico contido, demonstrando seus sentimentos discretamente, principalmente quando estamos na faculdade — mesmo que todos já tenham notado os sentimentos dele por mim. Já Jeno tinha faltado esses dois dias, me preocupando um pouco, afinal eu ainda me importava com ele, mesmo depois de tudo.

Ele me chamou para conversar em um parque que costumávamos passear, onde tinha um lado e agora um belo pôr do sol. Eu estava sentada em um banco, observando meu all star preto já meio gasto amarrado em um laço borboleta e meu vestido rosa pastel mais solto, que voava um pouco para o lado por conta do vento.

— Você está linda. — Ouvi a voz de Jeno ao meu lado.

— Jeno. — Levantei-me ficando frente a frente com o garoto, sorrindo de leve para ele. — Vamos sentar. — Segurei de leve seu pulso e puxei-o para sentar ao meu lado naquele banco. Ele assim fez, deixando-me um pouco mais nervosa. — O que você queria falar? — Entrelacei meus dedos uns nos outros, respirando fundo.

— Eu vim aqui me desculpar diretamente com você. — Assumiu me deixando surpresa. — Sei que não vai ser me desculpar agora que vai mudar as coisas ou corrigir meus erros, porém sei que isso pode ao menos mostrar meu real sentimento sobre toda essa situação agora, depois de bem analisada. — Suspirou, buscando coragem e ar em seus pulmões para continuar.

— E aonde você quer chegar com isso? — Perguntei ainda um pouco hesitante.

— Eu quero assumir meus erros de maneira madura. Eu gostaria muito que apenas me desculpar pudesse concertar tudo, principalmente minha amizade com você e Jaemin... — Seu tom de voz ia esvanecendo aos poucos. — Me basta apenas aceitar os estragos e recomeçar. Vou começar uma nova fase.

— Jeno... — Eu queria falar algo, mas eu não sabia o que deveria falar naquele momento.

— Não precisa falar nada, eu já sei. — Riu fraco, mas seu tom estava um pouco embargado e grave. — Eu ainda gosto de você, gosto muito, mas sei que para o bem de todo mundo eu devo me afastar. Para eu, você e Jaemin ficarmos bem, eu terei que me desvincular e matar esse sentimento que apenas cresceu dentro de mim. — Eu queria segurar minhas lágrimas, mas inevitavelmente deixei que algumas escorressem.

— O que você fez machucou muitas pessoas, principalmente eu e Jaemin, mas entendo a sua irracionalidade... Eu sei como é ser impulsivo e querer fazer de tudo para ficar com quem gosta. — Olhei para ele. — Eu quero que saiba que eu te desculpo e espero que possamos recomeçar de maneira amigável e saudável, afinal, você marcou muito muitas partes da minha vida... Não viva carregando o peso da culpa em seus ombros, hm? Nem tudo deve ser um fardo que precisamos carregar até o dia de nossas mortes. — Ele me olhou e se encontrava no mesmo estado que o meu.

— Eu... Eu vou recomeçar em outro lugar. — Sorriu em meio às lágrimas. — Eu vou para os Estados Unidos terminar minha faculdade lá... Depois disso irei voltar. Vamos nos encontrar daqui a três anos, okay? — Perguntou se levantando e secando as lágrimas que deslizavam pelas suas bochechas.

— Não ouse em desaparecer, hm? Se não, eu mato você. — Ameacei, rindo com ele em seguida, tirando um pouco do clima pesado que ficou.

— Eu vim apenas me despedir de você... — Falou, vendo-me levantar.

— Não seria melhor se despedir no aeroporto?

— Na verdade, você é a única pessoa depois de meus pais que sabem dessa viagem inesperada... Eu não quero me despedir de ninguém no aeroporto, eu tenho coração mole e posso aceitar ficar se alguém pedir. — Rimos juntos. — Minji... Eu posso ao menos ter um abraço decente seu antes de ir?

— Jeno... — Mais lágrimas se formaram em meus olhos. — Claro que pode, seu idiota. — Estendi os braços, o sentindo abraçar minha cintura e afundar a cabeça na curvatura de meu pescoço, fungando por conta do seu choro presente.

— Desculpa mesmo Minji... Eu pensei apenas em mim... Eu nem sei se mereço mesmo esse abraço. — Murmurou após um soluço, enquanto me apertava mais e recebia um cafuné de mim.

— Você foi o único que se manteve fiel a mim durante todos esses anos desde o ensino médio, o seu único erro foi achar que deveria fazer de tudo para poder me ter... — Falei baixo, fechando os olhos e sentindo as lágrimas escorrerem pelo canto de meus olhos. — E tá tudo bem agora... O primeiro passo para corrigir um erro e evoluir é aceitar e reconhecer o erro. Como eu disse, não carregue esse peso para sempre nas suas costas...

Passamos mais muitos minutos assim, até Jeno se acalmar e quebrar o abraço, olhando bem para o meu rosto e dando o seu melhor sorriso.

— Quero que a sua última memória, antes de eu viajar, seja eu sorrindo, então grave bem meu sorriso. — Sorriu mais, me fazendo rir. — Agora eu irei arrumar o resto das minhas malas... Vê se cuida da sua saúde e dos seus problemas com cálculos, okay? — Perguntou e eu apenas sorri, assentindo.

— Vou sentir sua falta, Jeno...

— Isso é necessário para você ter do lado uma melhor versão de mim no futuro, então, pense nisso como uma coisa boa. Eu vou voltar mil vezes melhor, confie em mim, hm? — Segurou minhas mãos e me chacoalhou um pouco. — Até mais, Minji. — Despediu-se, mas eu pude ver seus olhos começando a brilhar de novo.

Ele apenas me sorriu mais uma vez, dando-me as costas e saindo andando rapidamente, logo escapando do meu canto de visão.

Sentei-me lentamente no banco, vendo o pôr do sol em seu fim, refletindo leves fleches de luz na água do lago. Deixei que meus ombros caíssem e então as lágrimas finalmente voltassem, entrando em prantos mais uma vez.

Aish Jeno, você ainda tem um ser tão puro por dentro... Mantenha isso, por favor...

[***]

Passou-se um mês, Jeno já estava do outro lado do mundo, a faculdade corria normalmente — um pouco mais difícil agora — e minha relação com Jaemin estava bem melhor do que antes. Eu e ele estávamos obviamente flertando, porém não passava disso, não tínhamos voltado com os beijos, nem com as carícias, mesmo que eu quisesse.

Quando citei acima que a faculdade estava um pouco mais difícil, não era nem pelos conteúdos que complicaram, mas sim pela dificuldade de ter que lidar com pessoas enquanto faço trabalho em grupo, assim como agora. Eu, Jaemin, Renjun e Haechan — que se infiltrou como penetra — estamos fazendo um trabalho sobre estruturas das igrejas europeias católicas na época de sua ascendência, ou seja, no período da Idade Média.

Estávamos fazendo esse trabalho na sala de minha casa, onde tinham vários livros e cadernos espalhados pelo chão e pela mesa de centro. Eu digitava rapidamente em meu notebook os fatos e fontes que encontramos até agora sobre o assunto estudado, enquanto Haechan não parava de reclamar sobre estar fazendo coisas demais.

— Que tal ir para a sua casa então? Você deveria focar nos trabalhos do seu curso na faculdade, não no nosso. — Perguntei estressada, lançando-o um olhar afiado como uma faca.

— Aish, eu consigo organizar meu tempo bem... — Reclamou.

— Eu sei que você é um vagabundo, não vem com essa para cima de mim. — Vi a cara ofendida dele.

— Aish, chega de briga. Melhor fazermos uma pausa mesmo, estamos a três horas pesquisando. — Jaemin disse e me estendeu uma garrafa de água, com um sorriso leve.

— Quando eu disse para você que eu estava com cede e que deveríamos parar você só faltou me dar um murro. Agora com a Minji é cheio de amores, e abraços — Haechan me abraçou de lado. —, e beijinhos. — E então dei três beijos na minha bochecha, me fazendo fazer careta.

— Ya Haechan! — Jaemin esbravejou, pegando o garoto pelos cabelos e puxando, fazendo com que ele me soltasse e se afastasse. — Seu tarado! Como pode beijar ela assim?

— Foi na bochecha! — Gritou, tentando se soltar. — Minji, Renjun, ele vai me matar!

— Já chega Jaemin. — Renjun disse paciente, fazendo Jaemin soltar Haechan e se ajeitar no chão, ficando emburrado. — E não faça mais isso Haechan. — Olhamos para Haechan, que revirou os olhos, ajeitando seu cabelo.

— Vocês realmente parecem dois animais. — Falei frustrada, abrindo a garrafa de água e dando um longo gole. — Você não pode fazer isso e você não pode machucar ele assim. — Briguei com Jaemin e Haechan, que apenas assentiram quietos.

— Afinal, que tipo de relação vocês tem agora? — Haechan tornou a fazer perguntas, após menos de cinco minutos em silencio. — Vocês vivem flertando na nossa frente, mas nunca demonstram carinho, e também morrem de ciúmes e brigam como um casal! Isso está me enlouquecendo!

— Você é dramático hein. — Renjun riu. — Eu confesso que também estou bastante curioso sobre o que vocês têm... — Disse o chinês, sorrindo sem graça.

— Isso é ótimo! Vamos fazer uma entrevista então! — Haechan bateu palmas, começando a organizar os papeis em apenas um canto da mesa. — Eu pergunto primeiro! — Olhou-nos. — Vocês estão se pegando escondidos da gente, né?

Engasguei com a saliva, olhando para Jaemin pedindo silenciosamente que ele respondesse.

— Não, não estamos. Eu estou esperando que Minji se sinta confortável comigo mais uma vez. — Jaemin admitiu, olhando para as próprias mãos.

— Vocês são tão chatos. — Haechan reclamou outra vez, decepcionado. — Sua vez, Renjun hyung!

— Hm... — O citado pensou por um pequeno tempo. — Você quer beijar Jaemin? — Olhou para mim.

Engoli seco, sentindo minhas mãos soarem e o nervosismo invadir meu corpo. Consegui apenas assentir fraco com a cabeça, vendo um sorriso bobo surgir nos lábios de Jaemin.

— Então beijem! Pelo menos um selinho! — Haechan começou a repetir a palavra “selinho” várias vezes, arrastando até mesmo Renjun para o meio de sua insistência.

— Eu já falei que não vou fazer isso enquanto Minji não estiver confortável! — Jaemin reclamou, iniciando outro sermão.

Antes que ele pudesse chegar ao fim de todo aquele texto pré-pronto, puxei-o pela mão e o virei para mim, segurando as laterais de seu rosto com minhas mãos logo trazendo para perto, dando um selar longo em seus lábios macios. Aquela atitude foi apenas a adrenalina do momento liberada pelo meu corpo, trazendo consigo mais uma vez as borboletas no estômago que já há um tempo que não apareciam.

Decidi deixar aquilo de lado e então voltamos a fazer o que deveríamos, terminando as pesquisas que tínhamos que fazer, separando o que cada um deveria pesquisar mais a fundo e fazer um resumo e apresentação em slides, deixando para elaborar essas outras coisas depois. Haechan e Renjun tinham ido juntos, deixando eu e Jaemin sozinhos dentro daquela casa.

— Trabalhamos bastante hoje. — Falei depois de guardar tudo com Jaemin e me jogar no sofá. — Estou cansada... Meus ombros doem. — Sentei-me de novo, alongando os braços.

— Sim, acho que vamos terminar um pouco mais cedo esse trabalho, então poderemos descansar mais. — Sentou-se ao meu lado do sofá, segurando uma de minhas mãos, acariciando de leve. — Você precisa descansar bastante, então vamos terminar logo tudo isso... Descobri que você conseguiu outros trabalhos independentes e quase não dorme, então, vamos terminar isso o mais rápido que conseguirmos! — O olhei um pouco surpresa por ele ter descoberto aquilo, porém sorri fraco sentindo o carinho leve em minha mão.

— Você deveria parar de querer saber tanto assim sobre mim. — Falei e tombei o corpo para frente, descansando minha cabeça na curvatura do pescoço dele. — Você tem um cheiro bom. — Respirei fundo ali, sentindo mais daquele aroma.

Os pelos do corpo de Jaemin se arrepiaram, causando certa tensão no clima. Ele tinha arfado baixo quando meus lábios roçaram na pele de seu pescoço de maneira não proposital, fazendo aquela tensão subir.

— Jaemin... Quer comer lámen? — Perguntei baixo.

E foi aí que me arrependi profundamente. Eu me arrependi por falar coreano, por ser coreana, me arrependi até mesmo pela língua coreana ser assim e por esse dialeto vir carregado de duplo sentido.

Quando eu chamei Jaemin para comer lámen, eu queria dizer para realmente comer o lámen, não para eu ser comida. Mas a língua coreana não me ajudaria assim, afinal, falar isso equivale a um flerte totalmente safado.

— A-ah, não é isso que você está pensando. — Levantei-me rapidamente, vendo o rosto de Jaemin um pouco surpreso. — Eu estava falando de comer...

— Eu não pensei em nada... — Riu de lado com um sorriso ladino e uma sobrancelha erguida. Merda, ele percebeu meu desespero. — O que você pensou Minji?

— Ah, nada! — Falei de imediato. — Eu não pensei em nada, só no lámen mesmo. — Ri de maneira forçada, desviando o olhar. — Vou preparar o lámen. — Corri para a cozinha, deixando Jaemin para trás com seu riso divertido.

Abri o armário, tirando de lá dois pacotes de lámen sabor frango. Repousei-os no balcão e fechei as portas de madeira do móvel, indo para o outro lado da cozinha, pegando uma panela prateada média e enchendo de água, levando até uma das bocas do fogão em seguida. Liguei o fogo e coloquei uma tampa em cima da panela, para que a água fervesse mais rápido.

Senti braços rodearem minha cintura e uma respiração bater suavemente da minha nuca, fazendo meu corpo ter um pequeno espasmo pelo susto.

— Calma, sou eu. — Jaemin disse com sua voz mais grave próximo ao meu ouvido, causando-me arrepios.

— O que está fazendo? — Perguntei com a voz falha, me afastando do foção e ficando de frente para outra bancada, com Jaemin ainda abraçando-me.

— Nada demais... — Distribuiu leve selares pelos meus ombros. — Por quê? Quer que eu me afaste? — Seu tom de voz continuava baixo, o que me deixava ainda mais tensa.

Virei-me para ele, observando bem seu rosto com um sorriso ladino. Respirei fundo, tomando coragem para selar nossos lábios. Aquele simples selar logo virou um beijo lento, com direito a arfares e leves puxadas no cabelo de Jaemin. Ele apertou minha cintura com suas mãos, puxando-me mais para perto, como se quisesse nos fundir em apenas um. Dei uma leve mordida em seu lábio inferior em meio ao beijo, o que o fez suspirar e apenas me beijar mais intensamente, descendo as mãos lentamente chegar ao meu bumbum, onde ele fez questão de apertar com força, obrigando-me a segurar um gemido.

— Jaemin... — Falei, separando aquele beijo aos poucos. — A água está borbulhando... — Tentei mudar nosso foco, tentando não demonstrar como toda aquela situação tinha sido excitante.

— Ah, certo. — Deu-me apenas mais um selinho se afastou a contragosto, deixando que eu fizesse o que tinha que fazer.

Enquanto eu abri aqueles pacotes e despejava o macarrão dentro da panela, eu pensava muito sobre tudo, principalmente sobre o olhar do garoto que ardia em minhas costas. Eu queria falar algo, mas não sinto que devia. Eu queria deixar aquele impulso apenas escapar de meu corpo, mas sinto que talvez seja cedo demais.

Aish, que se dane!

— Jaemin. — Chamei-o e virei meu corpo em sua direção rapidamente, assuntando um pouco o garoto ali. — Você quer dormir aqui essa noite?

Deixei com que as palavras que eu tanto pensava se escapassem pelos meus lábios.


Notas Finais


Let you go - Joshua Bassett: https://youtu.be/eytB_k_1aGA

Cabaré abriu cedo né?

Então, o que vocês acharam? Gostaram do que aconteceu? E sobre a Minji e Jaemin, alguma opinião? E o nosso probrezinho do jeno :((

Enfim, a pergunta importante que eu tinha para fazer é algo que eu sempre pergunto pq tenho insegurança e indecisão demais para decidir sozinha KKKKKK.
A pergunta é: vocês querem hot nessa fic?
Assim, eu estava pensando em trazer um hot no ultimo capítulo e até dei pretexto para isso nesse capítulo, porém a opinião de vocês também é bastante importante para a formação dessa fic, então caso a maior parte não queria, eu não farei.
A resposta de vocês é muito importante!!! <3

Obrigada por lerem e caso haja algum erro ortográfico/gramatical peço que me digam que corrigirei assim que possível!

Até breve!


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