História Home Sweet Home - Capítulo 6


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Categorias Good Omens
Personagens Aziraphale, Crowley
Tags Good Omens, Ineffable Husbands, Oneshots
Visualizações 66
Palavras 1.098
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drabble, Fluffy, LGBT, Romance e Novela
Avisos: Homossexualidade, Insinuação de sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


espero que apreciem. ❤

Capítulo 6 - Inseguranças


Fanfic / Fanfiction Home Sweet Home - Capítulo 6 - Inseguranças

Crowley nunca deixou de usar seus habituais óculos escuros, desde que eles foram inventados. Aziraphale só o viu sem eles em algumas raras ocasiões, incluindo a época em que não havia nenhuma forma de cobrir ou esconder os olhos. O anjo não fazia ideia dos motivos de Crowley por trás daquele pequeno hábito — a suposição mais óbvia seria porquê olhos de serpente não eram normais, mas o demônio nunca se preocupou, de fato, em ser alguém normal. 

Mesmo agora, apesar de estarem em um relacionamento estabelecido há quase dois anos, Aziraphale só tinha visto os olhos de Crowley duas vezes durante aquele período de tempo. Uma quando os dois haviam ficado bêbados antes do não-apocalipse e outra quando eles se reuniram na base aérea de Tadfield por aproximadamente trinta minutos.

Aziraphale refletia sobre isso enquanto estava sentado em uma poltrona na sala dos fundos da livraria, ao lado de Crowley. O demônio, ainda de óculos, roncava alto no sofá, com o corpo completamente esticado por toda a extensão do móvel. Aziraphale sorriu quando viu a cena. Crowley parecia muito mais tranquilo quando estava dormindo, por mais que ele ainda estivesse usando seus óculos escuros. Sua postura era relaxada e sua expressão era mais serena do que a habitual. O anjo pensou em tirar os óculos do demônio, mas logo deixou a ideia de lado, achando que aquilo seria uma invasão de privacidade. 

Então, em vez disso, ele apenas deixou o namorado roncar, beijando sua testa antes de sair da sala para procurar o romance que estava lendo há algumas horas atrás. 

— ★ — 

Enquanto eles percorriam as ruas do centro de Londres a uma velocidade exagerada e desagradável, Aziraphale vasculhou os compartimentos do Bentley, procurando por outras músicas além das do Queen — embora ele soubesse que não encontraria absolutamente nada. O anjo abriu um dos compartimentos e encontrou os óculos extras do demônio. Havia pelo menos quinze deles guardados ali. 

"Crowley." Aziraphale chamou, ainda com a mão no puxador do compartimento. 

"Sim, anjo?"

"Por que você tem tantos pares de óculos?" 

Os olhos de Crowley desviaram rapidamente da estrada e se fixaram no compartimento do Bentley, fechando-o às pressas, com o rosto completamente vermelho. "São apenas para o caso de um deles quebrar, anjo. Não há nenhuma outra razão. Não se preocupe." 

Crowley manteve o olhar na estrada, segurando o volante firmemente. Aziraphale estreitou os olhos, percebendo que havia tocado em um assunto doloroso para o demônio, então ele preferiu não comentar mais nada sobre aquilo. Em algum momento Crowley contaria o que estava o incomodando.

Enquanto eles passavam pela rua, a música "Under Pressure" do Queen preencheu o silêncio que reinava no Bentley.

— ★ —

Crowley estava bagunçando completamente a sala dos fundos da livraria de Aziraphale — desorganizando os livros, puxando as almofadas do sofá e jogando-as no chão, e até mesmo movendo as estantes de lugar, procurando por algo.

"Por Deus, Crowley, o que você está procurando?" Aziraphale reclamou quando entrou na bagunça que agora era sua sala dos fundos.

"Meus óculos, anjo! Onde eles estão?" Crowley jogou outra almofada, olhando ao redor do da sala freneticamente.

"Seus óculos? Crowley, querido, eles são tão importantes assim para você?" Aziraphale perguntou, enquanto observava o demônio completamente desesperado à sua frente.

"Sim, eles são!" Crowley exclamou, finalmente olhando para o anjo para que ele pudesse ver seus olhos serpenteantes. "Porque eu não posso–" Crowley se interrompeu e olhou para baixo, antes que falasse mais do que deveria. "Eu apenas preciso encontrá-los." Ele suspirou e virou-se novamente para continuar sua busca.

Aziraphale deixou de lado a caneca de chocolate-quente que estava segurando e agarrou o braço de Crowley, fazendo-o se virar para encará-lo.

"Olhe para mim, querido." Aziraphale pediu. Crowley olhou para cima, hesitante, mal conseguindo manter os olhos fixos nas íris azuis de Aziraphale. "Você sabe que não precisa usá-los quando estiver perto de mim, não sabe?"

Crowley balançou a cabeça negativamente. "Não, anjo. Eu preciso."

"Por quê, querido? Não há nada de errado com os seus olhos." Aziraphale disse, se aproximando de Crowley. "Me diga o que está incomodando você, Crowley. Por favor." Ele pediu.

Crowley balançou a cabeça novamente, os  ombros caídos de vergonha. "Eu–" O demônio tentou, mas as palavras ficaram presas em sua garganta. Ele ergueu o olhar e encontrou os olhos de Aziraphale, observando-o atentamente. "Eu só–" 

O anjo abraçou o mais alto, fazendo-o apoiar a cabeça na curva de seu pescoço. Crowley o segurou com força, inspirando o cheiro tão característico de livros antigos e cacau que Aziraphale possuía. Ele se afastou levemente do anjo, apenas o suficiente para olhá-lo nos olhos.

"Eu..." Crowley começou, tentando forçar as palavras a saírem de sua boca. Ele não estava acostumado a isso — ele estava acostumado a reprimir seus sentimentos e emoções, para não precisar falar sobre eles. "Eu estava... com medo." O demônio finalmente falou. "Meus olhos lembrariam você de quem eu era, quem eu ainda sou, e eu–" Ele limpou a garganta. "Eu tenho medo de perder você." 

Aziraphale segurou as mãos de Crowley. "Oh, querido." Ele disse, sorrindo gentilmente para o demônio. "Você nunca vai me perder. Você sabe disso, não é?"

Crowley balançou a cabeça mais uma vez, ainda incerto.

"Eu não te vejo como 'o demônio' ou 'um demônio', Crowley. Eu vejo você como você. O homem que grita com suas plantas, que dirige a velocidades extremas nas ruas de Londres, o homem que é capaz de amar tão profundamente quando realmente deseja isso. Vejo você apenas dessa forma, querido." Aziraphale contou, deixando um beijo singelo nos lábios de Crowley. "Estamos do nosso lado, lembra?" 

Crowley sorriu. "Claro que sim, anjo." Ele envolveu Aziraphale fortemente por entre seus braços. "Obrigado." Ele fungou no pescoço do anjo e fechou os olhos brevemente, antes de olhar rapidamente ao redor da sala e ver toda a bagunça que ele havia feito. "Eu sinto muito por isso." Ele apontou para os livros e as almofadas jogadas no chão.

Aziraphale acenou com a mão, como quem dizia que não havia importância. "Nada que um milagre não possa consertar." Ele disse, estalando os dedos e fazendo a sala voltar ao seu estado original. 

Crowley riu. "Pensando bem, não parece tão diferente de como estava antes." Ele brincou. 

Aziraphale cutucou-o com o cotovelo. "Ora, fique quieto, querido."

Crowley sorriu carinhosamente e puxou Aziraphale em direção ao sofá, aconchegando-o por entre seus braços. Eles permaneceram assim pelo restante do dia, os óculos perdidos de Crowley agora completamente esquecidos.



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