História Home to You - Shawn Mendes - Capítulo 28


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Categorias Shawn Mendes
Personagens Personagens Originais, Shawn Mendes
Tags Amor, Romance, Shawn Mendes
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Palavras 8.038
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Comédia, Drama (Tragédia), Romance e Novela
Avisos: Álcool, Drogas, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


OIIII GENTEEE!!!

Então, sobre esse capítulo, eu acho que ele vai surpreender vocês (eu espero kkkkkk). Eu amei muito esse capítulo porque honestamente foi um dos mais difíceis que eu já escrevi, eu espero que vocês amem tanto quanto eu lkkkkkk ❤️.

É isso galera, boa leitura e não esquece de conversar comigo lá em baixo, pq dessa vez tem uma coisa importante que vocês precisam me responder (pela fic gente, relaxa) kkkkkkk

BEIJUUS! Boa leitura!

Capítulo 28 - Confessions



    ⁃    Essa pergunta é séria, Lex? - me fitou, olhos baixos. 

    ⁃    Você está certo, desculpa. - me corrigi, sabendo que o que eu havia dito não fazia o menor sentido e que a última coisa que eu poderia pensar era que o Shawn não queria aquilo comigo. - Eu só... - me afastei um pouco para conseguir encará-lo. - Eu não aguento brigar com você agora! - esfreguei seu ombro com os dedos, tentando fazer com que ele olhasse para mim. - Se nós vamos fazer isso, Shawn, eu preciso que você me prometa que coisas como essa não vão acontecer. - sua cabeça voltou a encarar o mar a nossa frente, abrindo a boca algumas vezes mas nada parecia sair corretamente. 

    ⁃    Eu já disse que foi um ciúme estúpido e que eu sei que exagerei. - me olhou, arqueando as sobrancelhas, mas soando frio. - Mas por favor, não me trata como se eu fosse esse tipo de cara, okay? 

Ele parecia magoado, e aquilo não fazia o menor sentido pra mim. Fui eu que fui carregada pela praia pelo simples fato de que ele é paranóico. Não é que eu não entenda que a intenção dele era a melhor possível, eu sei que o Shawn nunca faria aquilo se realmente não o incomodasse e eu sei que é só o jeito dele de me proteger do que ele acha que é ruim. Eu poderia muito bem deixar aquilo passar, ter simplesmente voltado pra barraca ou deixar que ele tivesse ido comigo para o mar logo de início, mas se eu fizesse isso, eu estaria dando abertura pra esse tipo de comportamento comigo, e isso eu simplesmente não aceitaria. 

O fato de ele estar tentando inverter os papeis agora, me deixava extremamente irritada. Como se eu fosse a namorada horrível que o faz se sentir como um cara ruim. 

    ⁃    Do tipo de cara que faz essa cena porque eu estava de biquini na praia, Shawn? - respondi, controlando meus nervos, rangendo os dentes. - Você acabou de ser esse cara. - respondi esfregando os olhos. - Eu não sou propriedade sua Shawn... - disse mais calma, o vendo imediatamente escorregar os dedos pelo cabelo, parecendo irritado, tampando o rosto.

    ⁃    Meu Deus! Eu nunca disse isso! Será que dá pra parar de tirar palavras da minha boca? - se deitou ali, como se quisesse por tudo que eu parasse de falar. - Você é tão difícil... - reclamou baixo, como se não fosse pra eu escutar, mas eu escutei.

Eu definitivamente não esperava que ele disesse aquilo. Com as mãos sobre o rosto, tampando completamente sua expressão que parecia estar tensa e sua voz soava cansada, eu o observei olhar para o outro lado, fazendo meus olhos lacrimejarem. Como assim? Eu sei que eu sou difícil, mas tão difícil a ponto de isso ser algo que o incomoda tanto que ele precise jogar isso na minha cara? Tão difícil a ponto de ele não conseguir mais discutir comigo? Me senti horrível escutando aquilo dele, e não hesitei em me levantar brutamente, atraindo seu olhar confuso. Me enrolei violentamente naquela toalha estúpida, porque apesar de tudo eu ainda não queria que ficasse magoado ou mais irritado. 

    ⁃    Obrigada por me fazer amar a praia, Shawn! - respondi pegando minha bolsa ao seu lado e saindo as pressas dali. 

    ⁃    Lex! - o ouvi gritar, mas eu não me virei, e segui andando até o carro, do qual eu felizemente havia guardado as chaves na bolsa. 

Se a situação fosse outra, eu sairia dali imediatamente e voltaria para casa, mas estávamos com a Aali, que não tinha culpa de nada, e não devia estar entendendo mais nada a essa altura. Sendo assim, me sentei ali no banco do motorista recostando a cabeça sobre o voltante e voltando a chorar desesperadamente, como se estivesse em casa.

Não demorou muito até que eu visse Shawn e Aaliyah chegando perto do carro, não me tocando em destravar as portas até que o Shawn tentasse abrir a porta ao meu lado. Destravei e assim que os dois entraram no carro, não demorei em começar a dirigir pra casa, casa de verdade. O caminho estava silencioso, e o ambiente era óbviamente tenso. Eu me segurava pra não chorar na frente dele, e ele parecia se segurar para não brigar comigo da frente da Aali. Vi que os dois pareciam confusos, trocando olhares quando o caminho começou a mudar.

    ⁃    Onde vamos? - a voz de Aali me fez desparalisar meus sentidos.

    ⁃    Pra casa, baixinha. - respondi com uma respiração funda, tentando soar o mais calma possível.

    ⁃    Alex, minha mochila ficou no seu apartamento. - me lembrou, me amaldiçoando por não ter trago as coisas de praia dentro dela. 

    ⁃    Tem alguma coisa de que você vai precisar até amanhã? - perguntei, esperando que a resposta fosse não, mas disposta a voltar. - Podemos pegar agora. - a encarei pelo retrovisor, forçando um sorriso. 

    ⁃    Não, são só algumas roupas. - deu de ombros, me lançando um sorrisinho. 

    ⁃    Certo, então eu pego pra você amanhã. Tudo bem? - sorri mais uma vez.

    ⁃    Claro. - respondeu, já não dando a mínima pra mochila e colocando de volta os fones de ouvido. 

Shawn estava inquieto e suas mãos foram até o painel, ligando o rádio, que foi imediatamente desligado por mim. Ele não insistiu, se virando novamente para a janela, com o maxilar travado como se tentasse se conter, não contive uma bufada sarcástica com aquilo, o fazendo revirar os olhos. 

Vi Aali pelo retrovisor e ela parecia estar em outro mundo com os fones de ouvido, encarando a janela. Olhei minhas mãos no volante me obrigando a encarar o metal fino e preto enrolado no dedo, me martilizando por amar tanto aquele idiota. 

Já era quase fim de tarde quando chegamos em casa, que infelizmente estava vazia, o que fazia com que fossemos apenas nós três pelo resto do dia até a hora do jantar. 

Shawn destrancou a porta da garagem, nos deixando passar e trancando-a por dentro. Aali avisou que iria tomar um banho e subiu as escadas, um silêncio tão intenso que conseguíamos ouvir nossas respirações baixas entre os passos leves da menina. Eu poderia ter subido, mas eu não conseguia, eu não queria, meu corpo todo parecia inerte ali, e senti seus braços me envolverem e seu rosto descançar no vão do meu pescoço, beijando meu ombro. 

    ⁃    Eu sou um idiota. - falou contra a minha pele.

    ⁃    Você é. - respondi tentando não sorrir, me virando com os braços cruzados. 

    ⁃    Eu sinto muito, não foi o que eu quis dizer, sabe disso Alex. Consegue me perdoar dessa vez? Eu nunca mais vou fazer isso, nada disso, eu prometo. - pousou as mãos no meu rosto, me fazendo olhar para cima, encarando seu olhos. - Você tem todo direito de andar como se sentir bem, pelada se quiser, por favor só não me pede pra gostar disso, mas eu realmente não devia ter exagerado. Eu sinto muito. - sorri fraco, deixando que meu coração derretesse, o abraçando forte e pousando um beijo em seu pescoço. - Você não é difícil... Não pra mim. - me abraçou forte. 

    ⁃    Eu sinto muito por ter sido tão dramática. Eu sei que você não fez por mal. E me desculpe por tirar palavras da sua boca, eu sei que você odeia e é por isso que eu faço. - confessei contra seu peito o fazendo rir. A única coisa que ainda passava pela minha cabeça, era se mesmo depois de hoje ele ainda achava uma boa ideia falar com todo mundo hoje. Isso é tudo o que eu quero, mas eu não quero correr o risco desse tipo de coisa acontecer de novo e interferir na vida dentro de casa. Eu nunca me perdoaria se o clima da casa ficasse tenso ou desconfortável por nossa causa. - Shawn? - me respondeu com um murmurrio. - Ainda vamos falar com eles, não vamos? 

    ⁃    É claro que vamos Alex, que pergunta... - seu tom pareceu óbvio e tão certo que eu não tive coragem de encher a cabeça dele com tudo que tinha na minha, afinal, o coitado não sabia de metade da bagagem que estava carregando só de estar comigo. 

    ⁃    Eu estou com tanto medo Shawn, e se...- pensei antes de falar algo do tipo “e se não der certo?”, tentando encontrar expressões semelhantes que teriam menos probabilidade de fazer ele ter um chilique. - E se nós brigarmos assim e eles... - esfreguei o rosto com as mãos me soltando dele e me sentando no braço do sofá.

    ⁃    Alex... - ele disse com um sorriso quase debochado na minha direção, se sentando ao meu lado e abraçando minha cintura, me permitindo deitar a cabeça em seu ombro. - Se um dia nós brigarmos tanto, tanto, a ponto de eu não aguentar olhar mais pra você sabe o que eu vou fazer? 

    ⁃    O que? - fitei seu olhar alto, que logo alcançou o meu. 

    ⁃    Eu vou tentar imaginar como teria sido a minha vida sem você nela, e que tipo de pessoa eu seria. - sua mão pegou a minha, tentando me acalmar. A real é que não adianta nada, mas é uma coisa muito fofa. - E  sabe o que eu vou perceber? - respondi com um suspiro. - Que você, Alexandria, é o que movimenta a minha vida e torna ela menos chata, você não me deixa ficar sem inspiração, e não tem briga que vai conseguir mudar minha cabeça, é por isso que eu prometo que vai dar tudo certo. 

Ele era sempre tão bom com as palavras. Isso me irrita e me faz cair de amores ao mesmo tempo. Mas a única coisa que ele havia dito até hoje que realmente me chocou tinha sido aquilo. Não aquilo tudo, só o meu nome. Eu acho que ele nunca tinha falado meu nome, eu nem sabia que ele sabia que esse era o meu nome. Comecei a sorrir, sem conseguir responder qualquer coisa, achando aquilo fofo mas ao mesmo tempo engraçado pelo fato de que ele provavelmente se obrigou a dizer isso, já que eu duvido que isso tenha saído espontâneamente.

    ⁃    Você disse o meu nome. - cerrei os olhos e crispei os lábios, o deixando sem graça, o que me fez achar ainda mais engraçado. 

    ⁃    O que tem eu dizer o seu nome? - olhou para os lados como se estivesse confuso. 

    ⁃    Nada é que... - dei de ombros, batendo as mãos sobre as coxas, ainda sorrindo com aquilo. - Eu acho que você nunca tinha falado o meu nome. O que faz total sentido já que é um nome muito estranho. - falei a verdade, por isso a quantidade absurda de apelidos que eu já tive na minha vida, não era mais uma coisa tão ruim. 

    ⁃    Eu gosto do seu nome. - ele disse, obviamente tentando me deixar menos bolada, mas eu já não era mais uma criança.

    ⁃    Não, você está falando isso pra me agradar. - o empurrei de leve com o corpo. - É um péssimo nome. Não é nem um pouco sonoro, e faz qualquer coisa que você fala parecer uma novela mexicana. - Shawn riu me encarando e arqueei as sobrancelhas, confirmando com a cabeça.

    ⁃    Não, não parece não. - respondeu. 

    ⁃    “ Por favor Alexandria, apague a luz do quarto.” “Volte aqui agora mesmo, Alexandria!” “Alexandria, acabou.” “Parabéns, Alexandria!” - respondi, imitando a entonação com que a minha mãe fala, fazendo com que Shawn gargalhasse ao meu lado. 

    ⁃    Tudo bem... Parece um pouco. - tomou fôlego. - E agora eu vou usar toda vez que você me irritar.

    ⁃    Se fizer isso, nós vamos brigar muito. - brinquei. - Ei garotão... - chamei sua atenção, o fazendo me olhar. - Porque eu e você não aproveitamos o resto do dia na piscina? 

Considerando que o sol já estava baixo, teríamos pouco tempo para aproveitar um ao outro antes da casa lotar. Era sempre assim. Todos saiam ás 8 da manhã, eu ficava sozinha o dia todo até o Shawn voltar de Durham lá pelas 4 da tarde, o que nos dava exatamente uma hora e meia até Karen chegar com a Aali e logo depois o Drew, meus pais e o Manny. Apesar de tudo era bom poder jantar na mesa grande, cheia de gente, rindo de besteiras e escutando as histórias do dia, era como se fosse festa todos dias. 

Eu me sinto uma verdadeira inútil ali por ser a única que não faz nada o dia todo. Eu sinto falta do trabalho, sinto falta de estudar e não existe nada que eu queira mais que terminar meu internato. Coisas horríveis já passaram pela minha cabeça desde a ligação para o banco e uma delas é a de voltar ao trabalho, afinal, eu não acho que depois de tanto tempo alguém ainda se lembre do escandalo, ou que alguém possa tentar alguma coisa. 

    ⁃    Lex? - a voz de Shawn me despertou, me fazendo perceber que ele já estava na porta da varanda. - Você vem? - ascenti, tirando o vestido. 

Entramos na piscina e aproveitamos um pouco a água quente que acalmava nossas mentes agitadas, me dando um bom tempo pra pensar em tudo. Minhas costas doloridas se apoiaram sobre seu peito e suas mãos brincavam com as minhas sobre a borda de pedra. Olhei para o lago, e tantas coisas passavam pela minha cabeça que um detalhe quase passou despercebido. 

    ⁃    Tem um galpão ali. - observei. Não era um galpão gigante nem nada assim, na verdade parecia bem aconchegante. Um pouco estragado por fora, o que provavelmente estava pior por dentro, mas ainda sim, era um detalhe adorável do qual eu nunca havia me tocado. 

    ⁃    É. Mas não tem nada lá, é abandonado. Provavelmente o dono morreu. - Shawn respondeu, parecendo desinteressado. 

    ⁃    Eu não te vejo mais escrever, você quase não toca mais... - me toquei disso, me perguntando o porque. 

    ⁃    Quem disse isso? - riu como se nada daquilo fosse real, mas eu sabia que era, e que ele sentia. 

    ⁃    Eu estou dizendo. - reforcei. - Eu não quero que você pare de fazer o que gosta pra ficar comigo o tempo todo, sabe? - dei de ombros.

    ⁃    Esse é o seu jeito fofo de dizer que não quer ficar comigo? - perguntou debochado e bati em seu peito com as costas da mão, o fazendo voltar a rir. - Tudo bem. - riu puxando meu rosto para um beijo. - E sobre o que eu escreveria? - voltei a encarar o tal galpão. 

    ⁃    Eu não sei. - cruzei os braços com frio, me afundando um pouco mais na água. - Inventa. Você passava horas naquele lago, com aquele caderno estúpido. Eu odeio que não faça mais isso. - rolei os olhos. - E eu quero mais algumas músicas. - ri baixo.

    ⁃    Eu avisei que você precisaria me magoar pra ganhar uma música. - brincou, abraçando minha cintura e me colocando mais perto. 

    ⁃    E eu já disse que isso não vai acontecer, então eu acho melhor você trabalhar a sua criatividade. - respondi o fitando sobre os ombros me arrancando um sorriso. - Eu acho melhor nós dois dois entrarmos e eu vou tomar um banho. Vou me preparar psicologicamente. - rolei os olhos saindo da piscina em um empulso, ouvindo Shawn sair atrás. 

Entrei para o banho e repassei tudo o que eu precisava dizer, tudo. Minha cabeça estava tão cheia que eu nem me lembrava que meus pais ainda não sabiam sobre Banff, nem sobre os remédios que eu tanto tomava. 

O meu maior medo em contar essa parte da história é a culpa ficasse com o Shawn. Ele já se torturava demais com essa história e eu não sei como ele ficaria se meus pais colocassem ainda mais esse peso sobre ele. O pior era que eu não conseguiria nem mostrar o quanto ele foi maravilhoso e como ele não disse nada só porque eu pedi. 

Hoje eu sei que se eu tivesse o deixado ligar pra casa, preocupar todo mundo, nós não teríamos ido até Dakota, ou Chicago. E só Deus sabe como nós dois estaríamos vivendo agora, por que eu não aguentaria voltar a estaca zero quando estivessemos em casa, e agir como se nada tivesse acontecido, como era o plano daquela pausa estúpida. 

O barulho constante das risadas vindas da cozinha dedava que minha mãe e Karen já conversavam sobre alguma coisa muito divertida. Meu pai provavelmente estava tomando banho já que a porta do quarto estava fechada, olhei pela fresta da porta de Aali e vi que ela havia dormido, e como não tinha ninguém vendo, fechei a porta do meu quarto e fui até o Shawn. Me lembrei porque eu estava passando por tudo aquilo no momento em que eu coloquei meus olhos sobre o garoto deitado que ria sozinho pra tela do celular. Me joguei ao seu lado na cama, bufando.

Decidimos como e quando iriamos falar, sendo a minha parte um pouco mais complicada. Não é que eu pense que meus pais vão dar a louca, eu só acho que eles não vão conseguir entender o que realmente aconteceu e acontece nesses últimos meses, e é claro que eu não vou tentar explicar. Provavelmente o clima vai ficar estranho e eles vão ficar decepcionados por eu ter mentido e bom, eu só conseguia esperar a pior reação vinda do Drew, quando eu finalmente contar a eles. 

A conversa com Karen e Manny parece já nem ser necessaria por outro lado, o Shawn já tinha contado para o pai, e eu tenho certeza disso, ou não teria toda aquela calma. E ele parecia bem tranquilo com o fato da mãe dele ter me dito pra praticamente chamá-lo pra sair. 

As coisas eram realmente muito diferentes pra nós dois.

O cheiro da comida estava diferente quando saimos do quarto, instantaneamente eu já percebi que não era Karen cozinhando. Ao chegar na cozinha e ver a minha mãe mexendo com as panelas, a bagunça que o Shawn havia feito com o molho naquele dia o fazia parecer um verdadeiro chef profissional. 

    ⁃    Mãe? - tampei o nariz, contendo a ânsia de vômito. - O que é isso? - perguntei respirando pela boca. Shawn ao meu lado fazia uma careta engraçada olhando as coisas sobre a bancada.

    ⁃    Eu estou fazendo um ensopado! Seu pai pegou um peixe e não havíamos feito nada... - sua explicação fez o meu queixo cair, encarando Shawn, que parecia nem ter forças para discutir diante daquele fedor.

    ⁃    Mãe! Isso tem quase um mês! Está cozinhando um peixe que está morto há um mês? - perguntei indignada, apesar de estar com pena dela pela sua expressão animada.

    ⁃    Estava no congelador, Alex! - respondeu como se fosse óbvio e estivesse tudo bem. 

    ⁃    Mãe!? - falei alto, indignada. 

    ⁃    Alexandria, eu sinto muito, mas a única coisa que posso dizer é que você não precisa comer. - respondeu, limpando as mãos no avental e pegando um pouco do caldo na colher, e vindo em nossa direção, eu rapidamente me afastei daquilo. - Toma Shawn, experimenta. - minha mãe enfiou a colher no rosto do Shawn, que tentava por tudo não respirar, me lançando um olhar desesperado. 

    ⁃    Não, não... - ele tentou recusar, mas minha mãe se mantinha ali insistentemente. - Loretta eu não... 

    ⁃    Vamos! Se não gostar, não precisa comer. - insistiu sorrindo. Aquele sorriso, aquele sorriso esperançoso, que me machucava ter que arrancar dela, mas aquilo estava definitivamente incomível. 

    ⁃    Não, Loretta... - Shawn tentou. - Obrigado eu... - antes que ele conseguisse terminar, minha mãe enfiou a colher em sua boca de uma vez, provocando nele uma careta repentina.

    ⁃    Mãe! - a repreendi. 

    ⁃    Hm... - Shawn me olhava, quase chorando. - Isso está... - encarou minha mãe que o olhava orgulhosa do que havia cozinhado. - Está ótimo Loretta. - ele comoletou, ainda com a careta, mas sem coragem.

    ⁃    Eu disse! - ela sorriu, voltando ao fogão. 

    ⁃    Tem gosto de que? - sussurrei no ouvido dele, prendendo o riso. 

    ⁃    De morte com molho. - brincou, e me afastei, acariciando seu ombro. 

Em alguns minutos a sala já enchia, cada um tomando seu devido lugar na mesa grande de madeira, o que despertou a curiosidade de todos, já que geralmente a mesa só era usada para quando tinhamos visitas para o jantar. Antes mesmo que a minha mãe pudesse definitivamente surpreender a todos com seu ensopado de peixe, ou de esgoto, a campainha toca e Shawn se levanta da mesa para atender a porta. 

Vi sua expressão mudar da água para o vinho segundos antes de ver os longos cabelou loiros de Melissa invadirem a casa, ignorando completamente o sorriso que ela o atribuia e voltando a se sentar na cadeira a minha frente. Drew desceu as escadas com passos rápidos recebendo a garota com um carinho quase nojento de tão falso, me fazendo voltar á pessimas lembranças de uma noite horrível. 

Shawn me olhava, e nós praticamente tentávamos conversar mentalmente, já que na frente das pessoas, pelo menos até depois do jantar, eu estava de mãos atadas. Era torturante precisar de um abraço dele e precisar manter a distância. Vi Shawn se levantar bruscamente da cadeira, tomando a taça de vinho em suas mãos. Meu pai, Manny e Karen pareciam concentrados na conversa e com certeza não dariam minha falta ali, então peguei minha taça e fui até a varanda dos fundos onde o Shawn se apoiava sobre o parapeito. 

    ⁃    Ainda bem que esse inferno acaba hoje! - ele murmurrou ao notar minha presença. Me aproximei, acariciando suas costas e beijando seu ombro. - Você disse alguma coisa sobre isso pro Drew? 

    ⁃    Não... Aqueles dois adivinham. - lancei um sorriso amarelo, me apoiando ao seu lado. 

    ⁃    Eu não acredito nisso! - ele fechava os olhos, frustrado. - Isso é ridículo! Qual a necessidade? Eu pedi pra minha mãe... - rolava os olhos, como se tentasse justificar a presença dela ali, lhe tirando a culpa, sorri com aquilo. 

    ⁃    Shawn, eu acho que a sua mãe não vai proibir o Drew de receber a namorada dele aqui. - ri daquilo, achando extremamente fofa a forma como ele se incomodava com aquilo, e eu sabia que era por minha causa. 

    ⁃    Você fica tão mal, toda vez. - sorri com aquilo, acariciando seu rosto com a palma da minha mão, sentindo sua cabeça reclinar sobre ela, como sempre, me fazendo sorrir. - E eu não posso nem, sei lá... - revirou os olhos, cedendo a um sorriso como o meu. - te poupar disso. É horrível.

    ⁃    Ei! - ri boba. - Olha pra mim. - pedi, tendo seus olhos finalmente alinhados aos meus. - Eu não ligo. - bufou. - Shawn, eu juro, eu não ligo. - insisti, deixando a taça no encosto e acariciando seu pescoço com minhas mãos geladas. - Eu estou bem, nós estamos bem. - conclui entre beijos, sem me preocupar com qualquer um que pudesse ver, como ele disse, esse pesadelo acaba hoje e agilizar isso era tudo o que eu queria. - E eu acho ótimo que ela esteja aqui hoje. - disse entre o beijo e ele entendeu porque, sorrindo também.

    ⁃    Só... - não terminou de falar, balançando a cabeça e me puxando pra um abraço forte. 

    ⁃    Podemos participar? - escutei a voz de Drew surgir, juntamente com o rangido da porta que separava a varanda da cozinha, me soltando lentamente do abraço. 

    ⁃    Drew, por favor cara. - Shawn pediu, impaciente, segurando os punhos, com olhos fechados tentando manter a calma. Eu vi Melissa perceber aquilo, estalando os lábios, parecendo indignada. 

    ⁃    Shawn, porque você me trata assim, cara? - a loira se soltou da mão do meu irmão, vindo até nós, apontando agressivamente para si mesma. - Parece até que eu te fiz algum mal, eu te conheço desde sempre e nunca te vi tão... - começou a falar e Shawn balançava a cabeça e ria de uma forma quase violenta demais. 

    ⁃    Não! - falou alto. - Não, Melissa!Você não vai querer usar esse argumento. - riu. - Porque você não para com esse teatrinho? Você vem me perguntar porque eu te trato assim? Ele sabe das coisas que você fez em Banff? Toda a confusão? 

    ⁃    Sabe, Shawn! Porque vocês não conseguem aceitar que nós estamos juntos! Que droga! Se você ainda está apaixonado por mim eu te dei a oportunidade de dizer! - ela falava alto. Me fazendo olhar para os lados, me preocupando caso a pesar da musica alta alguém nos ouvisse. 

    ⁃    Apaixonado por você?- franziu os olhos. - Eu não sou apaixonado por você desde que você resolveu “expandir os seus horizontes” com a cidade toda! - respondeu debochando. 

    ⁃    E quanto tempo tem isso Shawn? Uns 5 meses? - riu. - E você tratou logo de arrumar umazinha pra brincar também, não foi? Aliás... Uau! - fingiu bater palmas, se aproximando ainda mais de nós. - Eu te admiro muito Alex, eu não conseguiria ficar com um cara que definitivamente só queria transar comigo por distração e depois... - ela começou a falar e eu não sabia se ria daquilo ou não, ela estava descontrolada, chegando muito perto de mim e o Shawn parecia muito irritado. 

    ⁃    Você está ficando louca? - Shawn entrou na minha frente, segurando seu dedos antes apontado pra nós, o empurrando para baixo. - Você não fala com ela! Você não olha pra ela! Você nem respira perto dela porque eu não quero que ela sinta nem o cheiro do seu veneno! - a forma como ele falava não me deixava nem sorrir de felicidade de tão agressivo que ele parecia. - Eu sei que você só está rondando essa casa pra fazer inferno na nossa vida, Melissa, e quer saber, desiste! - gritou. 

    ⁃    Vocês dois são muito mais arrongantes do que eu pensava se tudo isso isso ainda é por causa daquela historinha boba, mas adivinha, nem tudo gira em torno dos dois. Estamos felizes e... - Drew começou, parecendo indignado, mas não muito firme, mas aquilo me irritou profundamente, depois de tudo o que ele me disse sobre ela, ficar se fazendo de namorado do ano era a coisa mais ridícula que ele poderia fazer. 

    ⁃    Você é um bosta dissimulado! - passei na frente do Shawn novamente, me colocando muito próxima ao meu irmão, empurrando seu peito com o indicador. - E você é uma manipuladora de quinta! - encarei a loira descabelada. - Os dois sabem muito bem que não tem nada de felicidade no que seja lá o que for que vocês tenham! - ri com satisfação. 

    ⁃    Alex, eu achei que tinha deixado bem claro o fato de que eu não quero mais nada com o Shawn! - Melissa começou, e revirei os olhos, ainda rindo. - Você pode não acreditar, porque eu realmente acho que não tenha conhecido muitos, mas ele não é o melhor homem do mundo, e nem todas as mulheres tem a sua cabeça louca obcessiva! - ela estava tentando me irritar, mas ela não conseguiria. 

    ⁃    E eu achei que tivesse deixado bem claro que eu não acredito no que você diz nem por um segundo! - respondi a altura, elevando meu tom, assim como ela havia feito. Eu posso ser boa, mas quando eu sou má, eu sou muito melhor. 

    ⁃    Mesmo? Então vamos lá... - assim que ela passou a língua pelos dentes, cruzando os braços me encarando, eu me preparei para todo tipo de insulto e ofensa baixa que ela poderia pronunciar. - Eu não queria, porque ao contrário de algumas pessoas aqui eu não tenho o mínimo interesse em estragar o relacionamento de ninguém, mas você está me deixando sem opções pra me defender. - disse, parecendo, ao contrário do que dizia, extremamente satisfeita em começar a falar, seja lá o que fosse, mas que já fazia meu coração acelerar, pelo simples fato de sentir as mãos de Shawn se afrouxando nos meus braços. 

    ⁃    Você não vale nada. - o Shawn disse, com a voz baixa, balançando a cabeça quase imperceptivelmente. 

    ⁃    Eu? - ela riu. - Pergunte ao Shawn onde ele estava naquela noite que ele chegou bêbado em casa. 

Aquelas palavras me levaram de volta  pra aquela noite. O Shawn chegando bêbado, quando eu amaldiçoei até a última geração do Tyler por tê-lo deixado dirigir até em casa naquele estado. Ou pelo menos era o que eu pensava que ele tinha feito até então: saído da casa do Tyler, e ido direto pra casa. Eu havia entendido o que ela estava dizendo, mas ainda tentava me convencer do contrário, eu não acreditava nela, não era verdade, ele não faria isso, não o Shawn. Minha expressão confusa, tomou várias formas, raiva, tristeza, uma dor imensa começava e eu reprimi o choro que queria sair, levantando a cabeça que caira sem eu se quer perceber, voltando a olhar os olhos verdes da garota que me torturavam. Olhei sobre meu ombro, vendo Shawn encarando o horizonte, parecendo desconfortável e evitando meu olhar. 

    ⁃    Melissa... - Drew a repreendeu, finalmente fazendo alguma coisa.

    ⁃    Vamos! - ela gritou rindo estericamente. - Vocês não são tão centrados e verdadeiros um com o outro? Qual é Alex!? - conforme ela falava e eu revezava meu olhar entre ele e ela, as lágrimas passaram a cair constantemente, e eu nem tentava mais prendê-las. - Pergunta pra ele quem trouxe ele pra casa naquele estado deplorável! - ela martelava minha cabeça com as palavras, gritando-as duramente. - Pergunta o que ele foi fazer no meu apartamento e quem disse não pra quem! - riu. - Eu estou realmente curiosa em saber se ele consegue ser homem o suficiente pra te responder. - ela terminou, chegando perto de onde estávamos agora, parados com um silêncio constrangedor. Chorando quieta, olhei pra cima, vendo seu rosto tenso e seu maxilar travado, por favor garotão, fala qualquer coisa, por favor. 

    ⁃    Shawn... - chamei seu nome, tão fraca que o som mal saía, e vi uma lágrima quase imperceptivel sair dos seus olhos, me fazendo desmoronar, chorando sem fazer nenhum barulho, conseguindo escutar as batidas do meu coração fazendo minha cabeça doer. 

    ⁃    Alex eu... - Drew começou, e o encarei, deixando cair a lágrima presa no canto dos meus olhos.

    ⁃    Você sabia. - constatei revezando meu olhar entre os tres, sem ter muito tempo para prestar atenção em suas expressões embassadas pelas lagrimas. 

    ⁃    Sabia, aquele dia eu não pude... - Drew começou, parecendo procurar palavras. - eu... - tentou continuar, mas meu choro ficava mais forte, e me coloquei alguns passos para longe do Shawn, sem o encarar, tentando fazer com que sua presença ali fosse insignificante, quando não era, e estava começando a me tirar o chão. 

    ⁃    Eu estava me preocupando que nem uma imbecil, porque o Tyler tinha deixado você vir dirigindo sozinho naquele estado! - me virei repentinamente criando coragem para falar um pouco mais alto do que minha garganta entupida e seca me permitia. - Tirando os seus sapatos feito uma idiota! - andei trêmula em sua direção, pela primeira vez na vida o encarando e não sentindo absolutamente nada ao olhar seus olhor avermelhados. - Eu me torturei a noite toda por não ter ido te buscar! - eu tentava me controlar, mas eu só sabia chorar, e não conseguia conter o desespero na minha voz enquanto eu empurrava seu peito com força. - Por não ter ido atrás de você durante aqueles três dias infernais, e você faz isso!? - o batia com mais e mais força, e ele simplesmente não fazia nada além de baixar a cabeça e franzir sua testa, escondendo o rosto de mim. - E a burra aqui desidratando de tanto chorar por ter chateado um pouquinho! - comecei a rir sarcásticamente, ainda chorando com desespero evidente, sem medo de que alguém escutasse devido a música alta que tocava na sala de estar. - E todo aquele papinho... Tudo conversa mole! - o bati com mais força. - Você é um merda, Shawn! - me afastei, percebendo que se eu ficasse ali tão perto por mais algum segundo que fosse eu iria explodir. - E com você... - limpei meu nariz e boca com o antebraço, me obrigando a encarar Melissa, que se sentava em uma das cadeiras, bebendo um pouco de vinho. - Eu não vou perder o meu tempo. - minhas palavras se engasgaram, porque eu não queria ter que dizê-las, mas eu realmente estava sendo, e seria sincera em cada uma delas. - Você ainda é uma vadia venenosa e perversa, mas tudo o que eu consigo pensar em te dizer agora é: - encarei o garoto que tinha o rosto apoiado sobre as mãos, agora sentado no outro canto da varanda, ficando em silencio até ter seu olhar fico em mim. - obrigada por trazer ele a salvo pra casa. - agradeci, recebendo um sorriso em resposta. 

    ⁃    ALEX! - Shawn gritou me fazendo desmoronar enquanto eu andava em passos rápidos até o lago.

    ⁃    Não! - ouvi a voz de Drew, mais forte do que eu jamais ouvira. - Você NÃO vai! Alex! - o escutei me chamar, mas também ignorei. 

Continuei andando até o lago, ignorando completamente Drew que corria atrás de mim. A última coisa que eu precisava agora era de alguém pra dizer: “eu tentei avisar” ou “vai passar”, por que a verdade é que eu estava tão chocada que mal conseguia sentir direito a dor. Senti sua mão pousar sobre meu ombro quando parei repentinamente, por não ter confições de dar nem se quer mais um passo. Não consegui mais e cedi ao abraço dele, chorando sobre minhas mãos. 

    ⁃    Eu amo ele, Drew. - falei, tentando me acalmar ali, sentindo meu irmão me levando até o banco improvisado do Shawn, nos sentando ali. 

    ⁃    E ele te ama. - ele respondeu esfregando minhas costas. 

    ⁃    Não. - neguei. - Bom, eu não teria como saber, de qualquer forma, mas quem ama não faz isso... - respondi, tentando ser forte, mas aquilo parecia me rasgar por dentro. - Eu juro que eu ficaria feliz em viver sem saber disso pelo resto da minha vida. - confessei, limpando meus olhos. 

    ⁃    Não aconteceu nada, Lex. Ele não fez nada. - tentou me acalmar. 

Sinceramente, eu estava com muita raiva do Drew por ter sido um merda naquela briga, por não ter me defendido quando ela me ofendeu, por ter deixado que ela falasse tudo o que quisesse, por tudo mais. Mas eu não estava em condições de recusar consolo da única pessoa que poderia me oferecer naquele momento. 

    ⁃    Mas é o fato de ele ter ido atrás dela que me enlouquece! Olha, Drew, sinceramente, eu não sei se o que ela diz é realmente a verdade, eu não sei o que ele de fato foi fazer lá, mas não me importa, porque pra alguma coisa ele foi até ela e eu duvido muito que tenha sido pra pedir concelhos. E eu sou tão burra. Você ficava falando, me olhando daquele jeito e me afastando e eu não consegui ser racional o suficiente pra perguntar o porque... - chorei em seu ombro. 

    ⁃    Eu não te diria. - confessou com um estalar de lábios. - Eu ia... Mas eu não consegui. Você estava parecendo um cão de guarda medonho ao redor daquele sofá e se eu te disesse isso você ia pirar e provavelmente não ia acreditar em mim... e eu te perderia completamente. - ele dizia tudo aquilo, e eu queria acreditar, mas por algum motivo eu havia perdido boa parte na confiança dos sentimentos do meu irmão por mim. 

    ⁃    E você achou que o melhor seria me deixar descobrir isso depois de me envolver tanto assim? Drew, o que eu sentia naquela noite no sofá não é metade do que eu sinto por ele agora! - fiz força para conseguir manter minha voz audível até o fim. - Você sabe de tudo... Porque deixou isso acontecer? - chorei sobre minhas mãos molhadas. 

    ⁃    Você estava feliz e agora adora falar que eu tento sabotar vocês dois, então eu decidi parar de te pedir pra tomar cuidado com isso, com aquilo, não faz isso, o papai, a mamãe... - deu de ombros, tentando me acalmar. - Eu simplesmente resolvi te deixar feliz porque a última coisa que eu quero é a minha irmã me odiando. 

    ⁃    Isso que você disse, não tem nada a ver. - tentei fazer com que ele não desviasse do assunto. - Eu estou falando daquela noite. Naquela noite, eu nunca fiquei tão feliz quando ele voltou pra casa, tão destruído Drew, ao mesmo tempo eu só pensava: “meu Deus, porque eu fui tão estúpida em tê-lo feito passar por isso? ”, sendo que eu também sofri! E eu sou tão louca que meu coração aperta só de imaginar que nesse momento ele possa estar sofrendo também. - me deixei soluçar com todo o choro, gritando sem me preocupar com vizinhos ou qualquer coisa, ele esperou pacientemente até que eu me acalmasse, deitando minha cabeça sobre seu colo e deixando que eu me deitasse ali. 

    ⁃    Lex, você não vai terminar com ele, vai? - me perguntou, parecendo um pouco mais culpado do que deveria, mas agora tudo era suspeito pra mim. 

    ⁃    Porque? Isso atrapalharia muito o bom andamento da casa e nós estaríamos ferrados... conta outra Drew. - forcei um riso. 

    ⁃    Esquece isso, eu quero saber de você agora. Essas coisas nós resolvemos depois. - ele disse sério. 

    ⁃    Drew eu não sei. - dei de ombros. - Eu só penso em voltar pra casa e abraçar o Shawn até amanhã. Mas eu me sentiria um lixo se o perdoasse assim... - confessei. 

    ⁃    Alex não aconteceu nada! - insistiu. 

    ⁃    Isso é o que ela diz, o que ele pode dizer, mas quem dos dois diria a verdade pra gente Drew? - me levantei, alterando meu tom. - Você acha mesmo que qualquer mulher por pior que ela seja, vai dizer na frente do namorado que traiu ele? - ri sarcasticamente. 

    ⁃    Ela, talvez não mesmo. Mas ele faria isso? Acha mesmo que ele iria tentar esconder de você se alguma coisa realmente tivesse acontecido? - ergueu as sobrancelhas tentando virar minha propria fala contra mim, mas eu não queria discutir sobre a Melissa. 


- Alex... - falou trancando a porta e deixando meu pijama sobre a estante. - A Melissa quis falar comigo. - fingi ignorar completamente a frase encarando as páginas amareladas do livro.

- E... - fingi ainda mais descaradamente não ligar pra isso, desviando o olhar pra cima, encarando Shawn em pé encostado na estante.

- E ela pediu pra voltar. Falou muita coisa... Pediu desculpas. Mas eu falei pra ela que não ia acontecer porque, eu gosto muito dela mas eu não queria e... - falou tão rápido que eu quase não entendia o que ele falava, mas ao mesmo tempo não estava nem tentando segurar o meu sorriso ao perceber o quanto ele estava nervoso me levantei e fui até ele de braços cruzados e olhos serrados - ... Não é como você ta pensando foi... - balancei a cabeça o interrompendo e o abraçando forte. - Nada.- riu.

- Você não existe mesmo... - apertei forte minhas mãos em suas costas como se ele fosse fugir dali, e senti seus braços me envolvendo em resposta imediata.

- Então não está brava? Não vai me bater que nem hoje de manhã? Me chamar de nojento ou sei lá? - o encarei soltando o abraço.

- Claro que não! Eu acredito em você... Se você diz que não aconteceu nada, não aconteceu nada. Além do que, você sabe que não me deve satisfação.


    ⁃    Eu não acho mais nada Drew. - voltei a me sentar, desistindo. - Eu estou desesperada! Eu só quero ele comigo, eu preciso conversar mas eu não sei se eu vou conseguir olhar pra ele sem lembrar do que ele fez. - disse, quase desesperada por um concelho, vendo seu rosto se virar, como se me escondesse algo. 

    ⁃    Eu falei com ele. - bufou. 

    ⁃    C-como assim? - meu olhar se ergueu, curiosa. 

    ⁃    No dia seguinte, quando ele acordou, eu pedi pra ele me visitar no escritório. Eu falei com ele. - disse encarando o lago, como se lembrasse exatamente do dia. - Eu estava com tanta raiva, eu não podia conversar com ele em casa, eu iria explodir. Eu não gostei disso também, faz mal pro ego. Mas eu queria falar de você, não dela. Eu deixei bem claro o quanto eu não gostava dele, passei muita confiança pra ser sincero, coitado. - riu, me fazendo rir e finalmente entendendo porque o Shawn achava que o Drew não gostava dele. - Eu falei que a Melissa tinha me ligado e contado tudo, e ele jurou que não foi lá atrás da Melissa mas só ela estava em casa, então ele entrou, foi uma bagunça... Mas o ponto é: qualquer idiota com olhos consegue ver que ele realmente te ama, vocês dois desfilam com uma placa enorme em cima da cabeça afirmando isso constantemente. Eu não estou te dizendo pra perdoar, nem pra continuar com ele se isso vai te fazer sofrer, mas eu estou te contando toda a verdade. 

Eu podia acreditar, ou eu podia manter a minha cabeça no lugar, reafirmando diversas vezes que pelo simples fato de ele procurar uma outra pessoa por estar com raiva de mim, já era uma traição, ainda mais se considerando que essa pessoa era ela. Eu estou tão decepcionada, eu acho que esse é o maior sentimento aqui dentro agora, decepção. Tristeza, dor, angústia, amor e raiva, estavam me fazendo delirar ali. 

    ⁃    Por favor, avisa a mamãe que eu não vou jantar, diz que eu estou passando mal ou sei lá... eu não ligo mais. - pedi, recebendo carinho na cabeça e logo depois ele voltou pra casa, me deixando ali sozinha. 

Eu precisava daquele tempo pra pensar. Eu sei que eu não morreria se seguisse meus instintos e terminasse logo com tudo aquilo, abrindo mão do Shawn, e de tudo o que eu havia pensado pra nós, mas eu com certeza não teria a mesma leveza em viver sem ele. 

Uma parte de mim me dizia que tudo isso era um grande exagero, e que se nada aconteceu, mesmo que na versão de Melissa tenha sido por iniciativa dela, eu não podia me considerar traída, mas então porque eu me sentia assim? 

Pensei que fosse só ciúmes bobos, e que com certeza se fosse uma outra garota eu não ficaria tão frustrada, pelo menos foi o caso da criança que apareceu no outro dia, certo? 

Martelei na minha cabeça tantas possibilidades, tantas formas de lidar com isso, tantas soluções mas nada resolvia, nada fazia parar a dor que cortava meu peito e que parecia machucar todos os outros orgãos também. 

Com o passar da noite, vi as luzes da casa se apagando, e decidi voltar e tentar dormir. 

Quando finalmente entrei no quarto bagunçado, ouvi alguém entrar, eram os passos do Shawn, então parei imediatamente de me mover, sem olhar para trás, sentindo a raiva consumir o que a tristeza já havia cansado de dominar. 

    ⁃    Posso falar com você?  - ele veio andando na minha direção, com a voz mansa e ao olhar para trás, seu olhar pesado me fez respirar fundo.

    ⁃    Pode. - me sentei na pota da minha cama, o encarando de braços cruzados. - Eu estou ouvindo. - o incentivei a continuar, a pesar de ter a impressão de que me arrependeria disso. Ele se aproximou um pouco mais, um pouco aflito.

    ⁃    Eu juro que nunca aconteceu nada. - insistiu, juntando as mãos como se me pedisse pra acreditar naquilo. 

    ⁃    Eu sei, isso ela mesma fez questão de dizer. - respondi friamente, mesmo que por dentro eu estivesse estraçalhada.

    ⁃    O que eu estou tentando dizer é que... - começou, e fiz sinal pra que parasse. Fui até ele, conseguindo finalmente ver seus olhos marejados. 

    ⁃    Shawn, eu vou fazer tudo ficar bem mais simples pra nós dois, tudo bem? - perguntei calma, prendendo meu próprio choro. - Eu só preciso que você me diga, com todas as palavras que você não foi até o apartamento dela naquela noite. - finalmente me permiti chorar quando vi que suas lágrimas estavam prestes a cair. - Só me diz isso, meu bem, e eu acredito em você. - acariciei seu rosto, e ter sua cabeça deitada sobre minha mão pelo que parecia ser a última vez, fez com que o que antes eram apenas algumas lágrimas, se transformasse em uma expressão constrangedora em meu rosto vermelho. - Me diz isso e eu juro que eu não vou precisar de provas... Mas, não ouse mentir pra mim de novo. Então me diz que você nunca esteve lá, e está tudo bem. - ele deixou cair uma lágrima, e a limpei rapidamente, negando com a cabeça, quando sua expressão o entregou, confirmando o que Melissa havia dito. - Foi o que eu pensei. - me afastei dele, limpando meu próprio rosto. 

    ⁃    Alex... Não foi daquele jeito! Não foi como ela contou. Você tem que acreditar em mim. - disse agora um pouco mais aflito.

    ⁃    Pode ao menos me dizer que não foi ela quem te trouxe pra casa, Shawn? - negou limpando o rosto. - Então eu não consigo ver onde ela mentiu. - me sentei novamente exatamente onde estava, encarando seu rosto travado.

    ⁃    Eu não fui atrás dela! Ela mora com o June! Acontece que ele não estava em casa, ela estava... Eu sei que eu bebi demais, eu sei que eu não deveria ter entrado, mas eu juro que ela não me negou nada porque eu não pedi nada a ela! Eu sei que ela deu a entender que eu queria alguma coisa, mas eu nunca tentei nada! Precisa acreditar em mim, Lex. - engoliu seco. - Eu juro que durante aqueles dias insuportáveis a última coisa que eu senti foi raiva, ou vontade de te fazer sofrer, muito pelo contrário, eu senti sua falta a cada segundo. Eu não procurei pela Melissa. Eu não queria, não quis e continuo não querendo nada com ela, e quem está falando sou eu sóbrio, bêbado, drogado ou com demência, você é a única pessoa que eu quero, e naquela noite não foi diferente. Ela me trouxe pra casa, ela veio dirigindo mas eu juro, nada aconteceu. Então por favor, me perdoa, se eu fiz alguma coisa que te fez pensar que eu te trairia assim, me perdoa por ter sido um idiota e entrado no maldito apartamento, me perdoa porque eu prometo que eu nunca mentiria pra você, Alex. -  eu estava sentada no pé da cama, escutando tudo aquilo, mas parecia que só o meu corpo estava ali. Eu olhava para o Shawn, e eu só queria conseguir parar de chorar. - Tudo bem se precisar de um tempo pra pensar. - concluiu, com um olhar pesado que apesar de me fazer querer correr até ele, eu me mantive quieta, imóvel ali, até que eu consegui erguer as sobrancelhas e ameaçar o responder. 

    ⁃    Eu já pensei muito, Shawn. - o encarei, de pé a minha frente, me fitando ansioso. - Não. - disse em um tom quase inaudível mas ele entendeu. Seus ombros caíram e seu rosto tomou uma expressão interrogativa, triste. 

    ⁃    O- oque? - perguntou com a voz fraca, fazendo meu coração se quebrar em mil pedaços, mas eu me mantive ali, o encarando, sem derramar mais nenhuma lágrima. 

    ⁃    Não, eu não perdoo você Shawn.

 

 

 


Notas Finais


GALERAAAAAA!!! E ai? Gente sério, eu não sei mais o que fazer com esses dois então vocês precisam me ajudar kkkkkkk!! Me fala aqui em baixo duas coisinhas?

A primeira coisa, é mais sobre esse capítulo, quero saber o que vocês acharam? E vocês acreditam no Shawn?

A segunda, é um pouquinho mais importante, porque eu gosto de fazer o que vocês gostam: Vocês gostariam que a história tivesse fluxo de consciência? Tipo, que de vez em quando eu colocasse algumas partes do ponto de vista do Shawn? Talvez até de outros personagens se vocês gostarem.

E ai galera? Conversa comigo!!! Eu preciso saber o que vocês gostam.

Muitooo obrigada!!! BEIJUUUS!


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