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História Homem de Gelo e os Novos Mutantes (Marvel 717 1) Interativa - Capítulo 26


Escrita por:


Notas do Autor


Oi oi gente!
Trago boas notícias: acabei de escrever Marcas de Guerra. Agora eu tenho tempo e respiro nas coisas, acho que os atrasos vão diminuir bastante. Obrigada por terem paciência comigo por esse período complicado, de verdade. Nem sei como agradecer <3
Espero que gostem do capítulo de hoje :D

Capítulo 26 - Rendição


Fanfic / Fanfiction Homem de Gelo e os Novos Mutantes (Marvel 717 1) Interativa - Capítulo 26 - Rendição

Por tudo o que fiz

Eu vou começar novamente

E seja qual for a dor que vier

Hoje isso acaba

Eu estou perdoando

O que eu fiz

Eu vou enfrentar a mim mesmo

Para apagar o que me tornei

Apagar a mim mesmo

E deixar ir embora

O que eu já fiz

 

What I’ve Done — Linkin Park

 

07 de março de 2020

 

Nala não entendeu bem o que estava acontecendo nos primeiros minutos. Bem, estavam sendo atacados, isso era claro. A parte escapando de sua compreensão era o ataque ter sido muito bem orquestrado por mutantes, e habilidosos. Ela conseguiu reconhecer os dois das notícias na televisão. Era a Irmandade. Não deveria ser um problema, certo? Ela ia conseguir se virar sozinha.

Mas essa era a diferença fundamental. A Irmandade não lutava sozinha, como os Carrascos, e não eram destreinados, como os Morlocks. Qualquer chance de resistência de Nala foi subjugada no instante no qual teve de prestar atenção em dois combatentes lutando juntos, e pela primeira vez em muitos e muitos anos ela sentiu medo.

A dor do choque percorrendo seu corpo foi muito forte no momento, e depois se espalhou para as extremidades, deixando queimaduras por onde percorria. Nala sentiu o corpo convulsionar, mas perdeu a consciência muito antes dos choques pararem.

Nala viu sua casa. Cresceu em um lindo povoado na Nigéria. A vida era difícil, seu povoado era bem pobre, mas tinha seus pais lá. Seu irmão. Seus amigos. As noites de festa e música eram as memórias mais agradáveis dessa época de sua vida. Sua família tinha escolhido deixar a vila e tentar a sorte nos Estados Unidos, e aquele dia tinha destruído sua vida. Foi ao sair do povoado em direção ao Porto de Apapa, em Lagos, que  ela e sua família foram atacados.

Mutantes eram uma praga. Tinham matado seu irmão e seu pai. Capturaram-na, prenderam na vila deles por meses e meses até perder também sua mãe e fugir, sozinha, para Lagos e seu barco para América. Meses vendo os mutantes capturarem mais e mais pessoas, guerrearem, pilharem e destruírem. E até ali, agora, eram eles quem colocariam um fim em sua vida. Nala só queria justiça para seu irmão e seus pais, mas no fim das contas, encontraria o mesmo fim deles.

Ela ouviu, distante, um murmurar. Não conseguia identificar quais palavras eram aquelas, mas tinham um tom reconfortante. E foi o último som a chegar em seus ouvidos.

Nala nunca saberia, mas era a voz de Héctor. Ele tinha chegado ao topo da escada a tempo de ver o ataque contra Nala, mas não de impedi-lo. Os atacantes fugiram, e para Héctor só restou descer até a sala e ver a garota respirando com bastante dificuldade no chão.

Mesmo ele poderia dizer, olhando para a garota, que ela não sobreviveria àquilo. Héctor sentiu um nó se formar em sua garganta. Não gostava dela, até tinha medo, mas vê-la no chão coberta de queimaduras e sem conseguir nem mesmo respirar direito…

O mutante se ajoelhou ao lado dela, segurando a mão da garota. Nala sequer reagiu ao toque, e Héctor não soube se ela teria consciência dele ali. Ele puxou o terço do bolso e começou a rezar, em um murmúrio baixo. Não sabia se aquilo traria paz a ela, não sabia se ela era religiosa. Não sabia nem se ela podia o ouvir. O fez ainda assim, até ela parar de respirar.

— O que está acontecendo?

Ele virou o corpo para trás, de uma vez. Percebeu só nesse instante estar com os olhos marejados, chorando silenciosamente. Não sabia colocar em palavras o motivo, sequer sabia o que estava sentindo agora. Ele viu Eremita parado atrás de si e, cansado, retirou a máscara do rosto.

— A Irmandade a matou — murmurou.

E era culpa dele. Agora sabia de onde a garota do protesto lhe era familiar. Era da televisão. Tinha certeza de tê-la guiado até ali. Era mais um corpo empilhado ao seu lado. Mais um que ele não tinha conseguido salvar.

— Ah — Eremita respondeu, parecendo um pouco desconcertado. — Bem, não vou dizer que sinto muito. Podemos ir embora agora.

Ir embora para onde? Fugir, de novo? Esperar a Irmandade o encontrar e sofrer o mesmo destino da garota aos seus pés? Héctor não conseguia pensar muito bem agora, mas conseguia pensar o bastante para sentir como aquele era um péssimo plano. Ia passar o resto da vida fugindo com a consciência tão pesada quanto pudesse aguentar.

Ou podia esperar ali até alguém chegar e o levar. Poderia descansar finalmente, não é? Nem se estivesse preso em algum lugar, ao menos tudo isso teria acabado.

— Eu não vou — respondeu. — Estou cansado, Eremita. De tudo. Vou deixar me levarem. Você não precisa ficar aqui.

Héctor esperava que o outro fosse sair correndo logo ao ouvir essas palavras, mas ele não o fez.

— O que está falando? Calavera, eu não vou conseguir me virar lá fora sozinho depois de uma coisa dessas, você não pode me deixar na mão desse jeito!

— É Héctor. E eu já tomei minha decisão. Você pode ficar aqui comigo ou sair, mas se quiser sair, faça isso rápido. Não sei quanto tempo vai demorar para…

Antes de terminar a frase a dúvida implícita de Héctor foi respondida. Um forte barulho de turbinas tomou conta do ar, e nos instantes seguintes a Lince Negra surgiu atravessando o telhado da casa abraçada em Pyro, e os dois pousaram no chão. Por um instante encararam Héctor e o Eremita, e o garoto se perguntou sinceramente se Eremita ia tentar resistir. Não queria lutar de novo, não queria ver mais briga. Não queria…

Lince Negra olhou em silêncio para o corpo no chão, e então para os outros dois.

— Coloquem as mãos para frente — ela pediu, em seguida tirando um par de algemas do cinto do uniforme.

Pyro fez o mesmo, e Héctor, sem dizer nada, obedeceu. Houve uma nota de cuidado na forma como Lince Negra, ainda muito surpresa, fechou as algemas nos pulsos dele. Pyro pegou Eremita, também rendido, e no instante seguinte foram carregados pela mulher até o avião.

A partir dali, Héctor apenas observou. Não esparava que Eremita fosse se render daquele jeito, talvez fosse falta de opções ou ele estivesse pensando em algo. Não conseguia saber sem ver o rosto dele. Héctor percebeu rapidamente que as algemas deviam ter algum tipo de tecnologia dos Sentinelas, porque não conseguia usar seus poderes com elas em seus pulsos. Eremita, ao seu lado, percebeu isso tarde demais e começou a se debater contra o metal. Talvez ele só tivesse se rendido por achar ter facilidade em escapar depois.

Ele suspirou, recostando-se contra o banco. Lince Negra voltou ao avião, agora com o corpo de Nala, e colocou a garota ali também. Ela conversou com Pyro de forma inaudível para os outros presentes e o mutante foi até o cockpit, deixando Lince Negra ali atrás com os Carrascos. Por um bom tempo ela não falou nada. Pegou um tablet, escaneou o corpo e o rosto de Nala. Murmurou algumas coisas. Fez o mesmo com o rosto de Héctor, e depois arrancou a máscara de Eremita, escaneando-o também.

Aquela era a primeira vez na qual Héctor via o rosto do outro. Foi uma sensação estranha, de não ser o esperado por ele ao mesmo tempo não sabendo exatamente o que esperar. Héctor era um garoto completamente comum. Não tinha olhos diferentes, ou chifres ou uma pele colorida. Eremita tinha os olhos levemente puxados e cabelos pretos cortados curtos, e apenas isso, normal como qualquer garoto. Não sabia se algo mudava quando ele usava suas habilidades, mas sinceramente, nem queria saber.

Enquanto o avião voava para algum lugar, Héctor só pode parar para pensar no fato de ter jogado sua vida fora. Como poderia ter achado ser uma boa ideia se juntar a um grupo de mutantes assassinos para se sustentar? Como poderia ter imaginado ser uma boa ideia perseguir alguém por ser diferente, por algo impossível de ser controlado? Como tinha sido capaz de submeter um grupo inteiro de pessoas à uma versão da pior parte de todos os seus dias?

Suspirou, abaixando o rosto sobre as mãos. Merecia ir preso, se fosse essa a decisão dos X-Men. Merecia outras coisas também, se fossem elas as escolhidas. Merecia pagar por ter simplesmente considerado uma coisa dessas, já tinha sido errado o suficiente.

Lince Negra voltou até eles, sentou-se em outro banco à frente dos dois e cruzou as pernas. Ela mexeu mais algumas coisas em seu tablet e então disse algo para eles pela primeira vez desde a casa dos Carrascos.

— Héctor Hernandez e Alexis MacLean. Consegui encontrar os seus dados no banco de identidades do país. Ela, porém, não tem documentos americanos. Quem é esta garota?

Alexis. Era esse o nome dele então. Não parecia nada interessado em responder as perguntas. Héctor, por outro lado, queria acabar com tudo de uma vez.

— Nala. Não sabemos o sobrenome. Ela não é daqui, veio de algum país na África eu acho, mas não sei dizer qual.

Lince Negra concordou, digitando mais alguma coisa. Ela suspirou em seguida, frustrada, e Héctor assumiu não ter ajudado muito com sua informação.

— Vamos conversar melhor quando chegarmos ao Instituto. Não vai demorar muito.

E ela não precisava dar detalhes para Héctor saber o significado de “conversar melhor”. A mulher foi se juntar a Pyro no cockpit, deixando os dois garotos sozinhos ali atrás.

Alexis ainda contorcia os pulsos na tentativa de se livrar das algemas, mas eventualmente teve de reconhecer, não ia conseguir se soltar. Ele suspirou, cansado e abaixou a cabeça sobre as mãos. Aquilo era péssimo. Se seus pais ficassem sabendo… ou Han. Não podia deixar isso acontecer, precisava conseguir fugir dali. E se Héctor não iria com ele, teria de se virar sozinho.

— Você vai nos colocar em mais problemas? — Héctor perguntou.

Alexis se questionou o quão claras suas intenções estariam para Héctor recear uma retaliação imediata. Não ligava para os sentimentos feridos do garoto, mas se estava óbvio assim, qualquer escapada surpresa seria impossível sob os olhos dos X-Men.

— É você quem está nos colocando em problemas! — Alexis exclamou, deixando uma boa dose de irritação escapar em sua voz. — Você vai fazer o quê, contar a eles que era parte de um time de mutantes destinado a caçar outros? O que acha que vão fazer com a gente?

Héctor deu de ombros, e Alexis sentiu uma vontade muito forte de socar a cara dele.

— Não sei, não quero saber. Minha consciência está limpa. O resto é problema seu.

Não tinha jeito. Héctor ia deitar e rolar como um cachorrinho e, se perigar, entregá-lo no processo. Ia acabar pegando uma punição pesada, e tudo culpa de Héctor,  impedindo-o de fugir.

Não. Não mesmo.

Alexis se levantou, de repente. O avião tinha começado a entrar no hangar, mas os solavancos do pouso não abalaram o equilíbrio do mutante, muito bem treinado em manter seu balanço. E nisso, ele atacou.

Héctor podia ser forte, mas sem seus poderes não teria chances contra si. Alexis passou os braços por cima de Héctor, puxando-o para perto e pressionando as algemas contra o pescoço dele.

O garoto começou a se debater. Tudo bem, não ia matá-lo, só precisava de uma boa vantagem para escapar. Porque ia conseguir escapar, é claro. Eram X-Men, uns ridículos barulhentos inclinados a fazer qualquer coisa para proteger outros da laia deles. E com Héctor tão disposto a cooperar, tinha muita certeza de ter ganhado simpatia suficiente dos X-Men para eles quererem proteger o garoto.

Héctor ainda se debatia, mas Alexis conseguiu travar seu balanço para nem mesmo sair do lugar.

— Pare com isso — Alexis praticamente ordenou. — Só me deixe te usar para sair daqui, e você pode ficar para trás com esse bando de mutante de quinta categoria, entendeu?

Entendido ou não, Héctor não parecia disposto a concordar. A essa altura, ele se agarrou aos braços do assento mais próximo, e quando o avião desligou os motores Alexis acabou perdendo sua chance.

Héctor deu uma forte cotovelada nas costelas do garoto, e ele acabou soltando o outro a tempo de Pyro e Lince Negra se virarem para trás e verem a leve confusão ali, com Héctor tentando recuperar o fôlego e Alexis em posição de fuga.

— Garoto — Lince Negra comentou, levantando uma sobrancelha de incredulidade. Ela soltou uma risadinha de escárnio bem contida e discreta, mas que Alexis percebeu —, não seja idiota, ok? Sente aí, já estamos descendo.

Ela mesma apertou o botão para abrir a porta do avião. Alexis olhou incrédulo para a porta se abrindo, seu caminho para o lado de fora. E para alguma forma de sair dali, sejá lá qual fosse. Ele correu assim que a porta se abriu o bastante, correndo hangar afora. 

— Deus, garoto, fala sério…

Ele ouviu Kitty resmungar atrás dele, mas não deu atenção. Tudo bem, era uma ideia bem estúpida. Como ia fugir do Instituto sem ter alguma vantagem, como Héctor de refém? Bem, o Instituto estava cheio de Morlocks, talvez pudesse pegar outro refém, só precisava sair dali!

Só precisava fugir, de algum jeito, só precisava…

De repente, a temperatura despencou, e Alexis viu o chão se congelar aos seus pés. Ele escorregou, já amaldiçoando o nome do Homem de Gelo antes mesmo de ser pego por ele pelo braço e colocado de pé.

— O que é isso? — O X-Men perguntou, visivelmente demorando os olhos nas algemas em suas mãos.

Alexis viu Héctor sair do avião obedientemente atrás de Pyro, e Lince Negra vindo logo depois, com um olhar bem irritado no rosto.

Isso é um mutante encontrado em uma cena de crime, embora eu não ache que tenham sido responsáveis.

— Não somos! — Alexis esbravejou. — Foi a Irmandade! Aquela garota da televisão entrou em nossa casa e fritou a Nala até a morte!

— Isso eu consegui deduzir — Lince Negra prosseguiu, cruzando os braços. — O que eu não entendo é o motivo pelo qual fariam isso, embora tenha minhas desconfianças. Você — ela apontou para Héctor — se encaixa em detalhes na descrição dada pelos Morlocks que vieram nos pedir ajuda dos mutantes que os alertaram do ataque para poderem fugir. E a garota dentro do avião se encaixa na descrição da responsável pelo ataque. O que eu não entendi ainda é qual a relação que todos vocês tem um com o outro, ou onde ele entra.

Alexis bufou. Podia saber lutar, mas o Homem de Gelo era forte e duro como pedra. Como ia acertar algo com uma consistência dessas? Ele resmungou, mas foi obrigado a desistir, enfim.

— Eu não fiz nada! — Respondeu, puxando o braço para o Homem de Gelo o soltar, sem sucesso. — Eu desci com Nala para os esgotos? Sim. Mas fugi. Não quis… não consegui. É isso que querem saber? Eu tenho pais, e exijo ir para casa!

Lince Negra suspirou.

— Se você quiser ir para a casa, eu vou ser obrigada a chamar a polícia para deixar eles descobrirem o motivo de vocês dois serem encontrados do lado de um corpo. Ou vocês podem colaborar, ficar aqui e deixar que nós lidemos com a questão dos “pais” de uma forma que seja menos danosa para você. E aí, qual vai ser?

Polícia! Não. Não a polícia…

— Ok, ok! Mas sem polícia, eu não fiz nada, eu juro!

— Pyro, leve eles pras celas do andar de baixo por favor.

— Cela?! Você não pode…

Alexis se impediu de terminar ao ver Lince Negra levantar a sobrancelha. Prisão ali ou com os policiais. E sua situação não era nada boa.

Ele parou de reclamar. Conseguia ver sua situação.

Com isso, Simon encaminhou os dois Instituto adentro, deixando Bobby e Kitty no hangar. Bobby esperou até Simon sumir no fim do corredor com os outros dois e se virou para Kitty.

— Ele pediu para ir com você?

A mutante sorriu, alongando os braços devagar.

— Pediu. Acho que está ficando bem investido na coisa toda, mesmo sem você por perto.

Bobby abriu um sorriso, começando a derreter o gelo de sua forma e ficando com um leve tom vermelho no rosto. Bem, não que não esperasse isso, mas ainda assim era uma adorável surpresa.

— Ele é um bom homem.

— Aham. Escorre a baba que eu preciso falar com você. Como foi nos protestos?

Ah, isso. Bobby tinha ido ajudar os Vingadores e Defensores em conter a confusão, motivo pelo qual não tinha podido acompanhar Kitty e Simon no chamado emergencial.

— Não precisavam de mim, exatamente, mas acho que pode ter sido bom ter um mutante lá para conter tudo. Conversei com Jones e Cage, me disseram que estava tudo indo bem até os policiais começarem a ficar imparciais demais, o que culminou naquela mutante da Irmandade atacando um deles.

Kitty suspirou, revirando os olhos.

— Deus do céu, essa garota tem um problema de nervos severo.

— Nem me fala. E os dois ali, qual é a história? — Perguntou, agora enquanto começavam a caminhar para dentro do Instituto.

— Fui chamada para atender uma ocorrência de suposto ataque mutante em uma casa na cidade. Quando cheguei lá, encontrei uma garota morta, eletrificada, e os dois que trouxe para cá ao lado do corpo.

— Eletrificada? Quer dizer…

— Provavelmente sim — Kitty completou. — A história dos dois bate com a dos Morlocks. Nenhum deles viu Alexis no local do crime, aquele que você pegou tentando fugir. Acho que só tentou escapar por desespero. Já o outro, Héctor, com certeza é o que avisou aos Morlocks que Logan encontrou na rua do ataque. E a garota bate com a descrição da autora do Massacre.

Bobby franziu a testa. Fazia sentido, mas não parecia ser a história toda. Estavam perdendo alguma coisa.

Ele acompanhou Kitty até as celas onde Héctor e Alexis já estavam. A forma como Alexis se virou de costas para os dois ao vê-los chegar deixou claro não ter intenção nenhuma de colaborar. Bobby achou melhor nem insistir. Foi direto para a porta da cela de Héctor, apertando um botão para abrir o canal de comunicação do interfone.

— Héctor, correto? — O garoto concordou. — Nós estamos tentando entender a situação — prosseguiu, trocando um olhar breve com Kitty. Ela deu de ombros. Ele estava no comando das perguntas, então. — Sabemos que Nala foi a responsável pelo ataque, e que você foi quem avisou aos Morlocks para fugirem, o que indica que de alguma forma você tinha informação privilegiada. Como é que vocês três se juntam nessa história?

Bobby não sabia muito bem qual tipo de explicação elaborada estava esperando, mas como tantas vezes em sua vida, a resposta era bem mais simples que o imaginado por ele.

— Éramos todos Carrascos. Digo “éramos” porque acredito estar claro que a equipe acabou. Fui contatado por um homem, mas não sei seu nome e nunca vi o rosto. Não posso dar uma descrição. Eu… eu precisava muito do dinheiro e… e mutantes mataram meus pais. Não sei, eu pensei que fôssemos caçar mutantes infratores, como a Irmandade, não assassinar um monte deles nos esgotos. Então eu tentei fazer algo para impedir tudo isso. Não fiz o suficiente.

Um homem? Mais alguém para encontrarem? Bobby suspirou, massageando a ponte do nariz devagar. Seus problemas só pareciam crescer.

— Vários mutantes foram salvos pelo aviso que você deu. Podemos salvar mais se puder nos dizer qualquer coisa sobre esse homem. Qualquer detalhe que souber.

Héctor pensou, por alguns instantes, mas acabou negando com a cabeça.

— Desculpe. Ele ia sempre direto aos assuntos, e não falava muita coisa por fora.

— Tudo bem. Descanse um pouco. Não vou deixar seu amigo saber ainda, ele parece um pouco instável, mas sabemos que vocês dois não fizeram nada. Achamos melhor manter vocês aqui para a sua segurança, mas não parece uma boa ideia ceder um quarto. Ainda há muita animosidade entre os Morlocks.

Com isso Héctor concordou. Bobby esticou o dedo para apertar o botão, cancelando a chamada, mas se impediu ao ouvir Héctor o chamar mais uma vez.

— Espere! Ah… Homem de Gelo, senhor, eu… eu posso pedir uma coisa? Só uma?

— Uma, pode.

— Eu quero ver alguém… ele se chama Paul Lantom, é padre na Igreja de Clinton, em Hell’s Kitchen, mas às vezes trabalha na de São Patrício em Manhattan. Não consegui me encontrar com ele mais cedo e… bem, eu quero confessar. Você pode trazer ele aqui? Nem que seja só assim, através do vidro?

Bobby verdadeiramente não esperava isso. Ele impediu por pouco seu queixo de cair e olhou para Kitty ainda pasmo e procurando por uma resposta. Esse tipo de decisão sobre trazer alguém dentro do Instituto precisava passar por ela.

— Vamos procurar por ele — a líder respondeu. — Descanse. Depois vamos mandar algo para vocês comerem. E roupas limpas.

Mais uma vez, Héctor concordou, e Bobby desligou o interfone. Isso tinha sido… esclarecedor, para dizer o mínimo. Mas preocupante também.

— Mais uma mente do crime para nos preocuparmos — Bobby comentou, caminhando de volta para o andar principal do Instituto com Kitty. — E aliciando crianças. Sinceramente, quando isso vai acabar?

— Não sei. Ainda estamos perdendo alguma coisa, se quer saber. Vou pedir a Simon para fazer uma limpa na casa, ver se encontra alguma pista lá.

— É uma boa ideia. Eu preciso encontrar Luke, ele tinha um relatório para me passar.

Nesse momento, o telefone de Bobby apitou. Ele suspirou, só torcendo para não ser mais um problema como tinha certeza de estar prestes a receber de Luke. Dessa vez, porém, a sorte estava do seu lado. Ele abriu uma conversa e foi inundado de fotos muito gráficas de alguém muito, muito ferido. Partido em pedaços, até. Teria se assustado, se não fosse aquela circunstância específica.

— Logan encontrou Daken — comentou, virando o celular para Kitty.

— Oh, uau. Pesado. Até para Logan.

— Ele ainda está respirando. Foi pouco, mas basta por hora — completou, guardando o celular. — Vou procurar Luke. Me chame se precisar de algo.

Kitty concordou, e Bobby tomou a direção das escadas, indo até o quarto de Luke. Na sala, nas escadas e pelos corredores havia sempre uma quantidade razoável de Morlocks caminhando. Tinham enviado alguns para suas casas, mas o fato sobre Morlocks era da maioria não ter uma casa para onde voltar. Ele cumprimentou cinco crianças diferentes pelo caminho, mantendo um sorriso no rosto. Era um alívio saber que podiam manter todos aqueles mutantes à salvo, mas ainda assim, olhando para eles, não conseguia deixar de lembrar daqueles com menos sorte. A responsável estava morta, mas havia alguém por trás disso tudo. Mais alguém para Bobby encontrar.

Ele tentou não pensar nisso ao bater na porta de Luke. Passaram-se alguns minutos para o garoto abrir, saindo do aposento rapidamente e fechando a porta atrás de si.

— Queria falar comigo?

— Ah, sim — Luke respondeu, tirando um papel do bolso.

Foram três minutos com Luke lendo uma lista. Uma garotinha que estava chorando de noite por ter perdido uma boneca. Balu e Riya queriam fazer um pequeno altar para seus deuses no quarto, e precisavam comprar algumas coisas. Outro mutante tinha perdido coelho de estimação. Outro era alérgico a glúten e tinha ficado sem jeito de comunicar isso até agora, mais de um mês depois.

— Ok. Entendi — Bobby respondeu, contendo um suspiro e pegando a lista de Luke. — Vou ver o que posso fazer sobre… hm… tudo isso. Mais alguma coisa?

— Mais duas. Uma detetive está aqui para pegar um depoimento de Riya, mas ela não quer falar com a mulher sozinha. Kitty já chegou? Ela disse que está esperando.

— Chegou sim. Que detetive veio?

— Detetive Misty Knight. Tem um braço enorme de metal, inconfundível.

— Ah! Ela é uma ótima pessoa, não sabia que estava de volta a serviço da polícia. É o melhor dos cenários. Kitty está procurando por Simon lá embaixo, é só achar ela.

Luke concordou, coçando a nuca devagar.

— Tem mais uma coisa… mas não é um pedido dele, exatamente, é uma coisa minha… — Ele suspirou, enrolando as mãos na frente do peito, devagar. — É o Nathaniel. Ele comentou comigo que perde a audição sempre que troca de pele.

— Sim. Me contou também, está na ficha dele.

— É… bem, ele não me diz nada, mas acho que está assustado, sabe. Não só com a coisa toda da audição, mas ele me disse que tem medo de não conseguir ajudar mais os amigos se isso acontecer. Eu… eu não sei bem o que estou pedindo, na verdade, mas você já lidou com muitos mutantes com problemas com os poderes, né? Não sei, talvez… talvez soubesse alguma forma de o acalmar um pouco.

Bobby não se impediu de sorrir. Depois de recolher tantos pedidos de tantos mutantes o dia inteiro, ainda tinha encontrado tempo para colocar uma preocupação com um amigo percebida por ele mesmo no meio de tudo isso. Ele ia ser um grande líder um dia.

— Vou pensar em algo. E você, Luke?

O garoto franziu a testa. Já estava se adiantando para ir procurar por Kitty, mas se virou de volta para Bobby.

— Eu?

— É. Do que está precisando?

Luke franziu a testa, dando de ombros.

— Nada, acho. Estou bem. Obrigado, senhor Drake.

Bobby poderia ter insistido, mas por hora, deixou Luke ir. De alguma forma se viu naquele momento. Por vezes já tinha se preocupado demais com os outros e esquecido de cuidar de si. Luke parecia estar indo pelo mesmo caminho. Ele ia sim ser um grande líder, mas líderes também precisavam de alguém para cuidar deles. Só esperava que Luke não fosse cometer os mesmos erros, e se isolar, como tinha feito tantas vezes em sua vida.


Notas Finais


Por favor, comentem pra mim <3

Lembrando que há história nesse universo com vagas abertas!

https://www.spiritfanfiction.com/historia/shield-guerreiros-secretos-marvel-717-2-interativa-19120164

E há também vagas para outra interativa, original:

https://www.spiritfanfiction.com/jornais/a-rosa-do-tempo--interativa-19269445

Leia a duologia Hunters! (em andamento). Comece aqui: https://www.spiritfanfiction.com/historia/hunters-hunters-1-18352562

Leia minha original de fantasia urbana, Carmim! https://www.spiritfanfiction.com/historia/carmim-18579979/

Leia minha fanfic de Harry Potter! https://www.spiritfanfiction.com/historia/marcas-de-guerra-historias-de-bruxos-1-17408067


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