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História Honra e Paixão - Capítulo 8


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Notas do Autor


Tem alguém aí?

Eu estou postando conforme o prometido...

Capítulo 8 - Distancia - parte 2


Fanfic / Fanfiction Honra e Paixão - Capítulo 8 - Distancia - parte 2

Jenevieve raramente acordava após as nove horas, mas naquele dia ela achou que merecia esse mimo. O jantar havia sido maravilhoso, e a jovem ficou até de madrugada pensando no tempo que passou com George. Ele lhe contou sobre a França, e a jovem estava encantada com as histórias do Lorde. Já havia conhecido muitos rapazes da região, mas nenhum dava valor a sua inteligência, George ao menos lhe preguntou sobre o que gostava de ler.

— Bom dia senhorita — Diana sorri entrando no quarto — ainda se recuperando do jantar com o Lorde?

— Não aconteceu nada demais… apenas estava com sono, fiquei tão ansiosa que nem dormi direito na noite anterior.

— Certo… desculpe a intromissão.

— Está tudo bem, Diana. Você pode se intrometer, só não fale nada assim perto dos meus pais.

As duas riram. Se Arthur sequer imaginasse que George não era um homem correto, qualquer ideia de casamento estaria cancelada.

— Pode ter certeza de que não vou. Vamos arrumar seu cabelo?

— Claro. — A jovem se senta em frente ao espelho — o que acha de me ajudar hoje? Estou pensando em fazer novas mantas de lã, para combinar com os vestidos que consertei.

— A senhorita sabe que adoro ajudá-la. É bem mais divertido do que lavar as roupas da sua irmã.

— Imagino que seja menos trabalhoso.

— A senhorita Katrina deveria inventar uma roupa de trabalho que não fique tão suja.

— Vamos dar essa ideia para ela. Talvez seja exatamente o que ela procura: algo que mude o mundo.

Assim, Jenevieve e Diana continuaram conversando. Após a morena terminar de se arrumar, desceu para tomar café, deixando a criada arrumando sua cama. Diana era uma boa amiga, por isso Jenny sempre tentava diminuir seu trabalho mantendo o cômodo organizado. Após o café, as duas se sentaram em uma das salas com vários cestos de lã colorida.

Tricotar, costurar, cozinhar… eram coisas que toda jovem prendada deveria saber fazer. E Jenevieve aprendeu tudo desde pequena. Entretanto, ela gostava disso. Eram atividades calmas, que serviam para ocupar seu tempo. Ser boa e algo produtivo a deixava feliz. Ela também sabia escrever e tocar piano muitíssimo bem, talentos que sua mãe adorava.

Margareth sempre foi exigente com a filha. Ela deveria se esforçar para ser o melhor possível em tudo. Isso nunca foi difícil, Jenny era boa em tudo que gostava de fazer, e ela gostava de fazer muitas coisas. Sabia dançar, pintar, cavalgar, entendia de política… não havia do que reclamar, qualquer coisa que fosse necessário saber, ela aprendia.

Apesar disso tudo, a morena tinha consciência que sua maior vantagem era ser bonita e jovem. Já havia recebido muitos pretendentes, apesar de ter apenas dezessete anos, sua mãe fazia questão de que ela tivesse opções. Desde que nasceu, Jenny foi criada para seu casamento. Aprendeu tudo o que podia para impressionar qualquer homem. Suas roupas eram as mais caras da província e seu cabelo era tão bem cuidado que nem parecia real.

Ela não escolheu essa vida, apenas obedecia à mãe. A jovem sabia que não tinha muitas opções. Deveria se casar para deixar os pais felizes. Jenny poderia ser a esposa perfeita para qualquer cavalheiro, mas poucos homens eram dignos de sua mão. Tanto seu pai quanto Katrina tratavam de interrogar e assustar todos que se aproximavam da morena. A garota não reclamava, pois cedo ou tarde ela mesma os dispensaria. Se era isso que teria de fazer, ao menos se casaria com quem lhe agradasse.

Um marido ideal deveria ser culto, educado, interessante. Ser bonito era apenas um bônus, enquanto o dinheiro era um fator determinante. Margareth Predston não aceitaria um plebeu como genro. Não valeria a pena tanto trabalho para continuar na esma classe. A única função de um casamento na vida de uma mulher era lhe proporcionar dinheiro. Já que é função do homem sustentar a família e a casa, ele deveria ter uma boa renda.

— Diana, posso lhe perguntar uma coisa? — A morena olha para a criada que lhe ajudava com o tricô.

— Claro senhorita, algum problema?

— Como teve certeza de que Jaime seria um bom marido?

— Bem… ele sempre me tratou muito bem, sempre fez me fez sentir mais bonita do que eu sou. E ele também foi compreensivo com Daniel, o que me fez decidir de vez pelo casamento.

— Você o ama?

— Acho que sim, senhorita. Apesar de não termos muito, sempre me sinto feliz quando estou com ele. Nossa casa é simples, mas não sinto como se faltasse algo.

— Isso é lindo, Diana.

— Se me permite a reflexão, Senhorita, acho que nós pobres temos mais sorte do que vocês.

— Acha mesmo?

— Em alguns aspectos… Sim. Uma empregada não tem a chance de se casar com um lorde, mas podemos ao menos nos casar com alguém que gostamos. Sem obrigações.

— De fato. Minha irmã, com certeza, lhe acha mais sortuda do que nós.

— Mas por que a pergunta?

— Estava pensando em Lorde George… gosto muito de estar com ele, mas não tenho certeza sobre o casamento ainda… nunca achei que isso fosse acontecer tão cedo.

— A Senhora sua mãe costuma dizer que, quanto mais cedo se casar, menos tempo terá para se preocupar com o dinheiro.

— Mas eu ainda nem me preocupo… acha que ela está certa?

— Bem, eu não tive muita escolha na minha vez, as coisas aconteceram rápido demais. Mas a senhorita ainda é, de fato, muito jovem.

— Se ao menos Katrina considerasse se casar, eu poderia esperar mais alguns anos.

— E se pedisse tempo ao Lorde?

— Como assim?

— Ele parece um cavalheiro muito compreensivo, talvez possa pedir a ele que estenda o cortejo até que se conheçam melhor.

— É uma boa ideia, Diana. Lorde George parece mais fácil de convencer do que minha mãe, ao menos.

 

As duas voltaram para a tarefa, mas Jenny ficou pensando sobre o que a criada falou. Realmente, aqueles de classe mais alta raramente têm escolhas. Nascem em determinada família, precisam seguir um determinado destino, e cumprir as obrigações recebidas pela tradição. Sem opções. Diana ao menos teve a chance de começar de novo. Quando Kat e Jenny convenceram o pai a contratá-la, não esperavam que se tornasse uma boa amiga. Apenas queriam ajudar a pobre moça.

As Predston eram apenas adolescentes quando a encontraram na cidade. A jovem Diana deveria ter dezoito anos, mas seu olhar era de alguém que viveu o bastante para conhecer o pior do mundo. Sua família não era tão pobre, possuíam uma padaria na cidade, e ela estava sendo cortejada pelo filho de um sapateiro. Mas o rapaz a convenceu de quebrar as regras e fugiram para uma noite romântica no bosque sem que ninguém notasse.

Entretanto, alguns dias depois o jovem pretendente estava indo embora para sempre. Sua família estava passando por necessidades, e aceitou casá-lo com a filha de um empresário de Londres. Iriam se mudar definitivamente. Diana chorou por dias pelo coração partido, mas ficou ainda pior quando descobriu as consequências de sua imprudência. Seus pais ficaram furiosos com a gravidez da jovem. Chamaram um médico para tirar a criança, mas Diana não deixou. Fugiu de casa e acabou nas ruas. Não era mais a filha o padeiro. Não era ninguém.

Katrina e Jenevieve viram a jovem grávida pedindo comida na cidade, e foram falar com a mesma. Após saber de toda a história, levaram-na par a fazenda e imploraram ao pai que lhe desse um emprego e uma casa. Arthur era um homem sério e respeitado, mas seu coração era bom, e nunca negaria um pedido das filhas, principalmente ao ver que estavam se importando tanto com alguém que nem conheciam. Diana ficou. Ganhou uma pequena casinha para si e seu filho, Daniel, que nasceu alguns meses depois.

A jovem não era apenas uma empregada, fazia parte da família. Jenny e Kat a mimavam como irmã. Suas principais obrigações eram ajudar as garotas com as roupas e cabelos, trazer chá e fazer companhia. Nada de trabalho pesado, nada de ficar até tarde.

Um fato interessante na fazenda dos Predston era que, enquanto as empregadas ficavam lá e até eram amigas da família, os homens iam embora e chagavam o tempo todo. Sempre que o Sr. Predston viajava com seus produtos, levava dois empregados para ajudá-lo, e na maioria das vezes, estes ficavam em outra cidade e novos voltavam. Foi assim que Jaime apareceu. Vindo de Brighton, o rapaz se apaixonou pelo olhar doce e jovem de Diana, e aceitou de bom grado o pequeno Daniel, que o tomou como pai.

A história de Diana era o que mais inspirava Jenny e Katrina para serem unidas. Não importava se seus gostos e objetivos eram distintos, as irmãs prometeram ficar juntas e se apoiarem em qualquer situação. Mas agora, a morena começava a pensar em outros pontos de sua vida. De fato, tanto as famílias da cidade quanto os empregados na fazenda pareciam felizes com seus cônjuges. Não havia obrigações do tipo “case-se com alguém mais rico”, apenas alguém que amassem e fosse da mesma classe social já era suficiente.

A jovem ainda não tinha certeza do que fazer. Nunca havia realmente pensado no casamento, a ideia nunca pareceu real. Jenevieve sabia que se casar abriria algumas portas, mas também fecharia outras. Como esposa de um nobre, ela não poderia mais passar horas lendo, teria de comparecer a muito mais eventos do que estava acostumada. Entretanto, com o dinheiro que os Fearwits tinham, poderia viajar muito, aprender sobre outros lugares pessoalmente.

Jenny gostava de aprender. Sempre foi fascinada pelo simples fato de saber algo que não sabia antes. Ela lia sobre poesia, aprendendo sobre a forma de pensar das pessoas ao longo da história. Lia sobre moda, como as vestimentas e penteados mudavam de um lugar para o outro. Lia sobre outros países, com outras crenças e costumes. Sua maior diversão era descobrir coisas novas. Seu maior sonho era conhecer as coisas sobre as quais lia.

O casamento com George lhe permitiria isso. Viajar quando e para onde quisesse. Mas sabia que não poderia nunca apenas sair andando. Estaria sempre acompanhada do marido ou de alguma criada. Jenny sempre soube que teria de fazer sacrifícios. Sua mãe a criou para o casamento, e o simples fato de ter aceitado isso era um sacrifício de sua liberdade. Ela fez isso porque Katrina não o fez, a ruiva não foi capaz de abrir mão, então cabia a Jenevieve realizar o sonho da mãe.



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