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História Hope - Entre amor e poder - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Hope


Fanfic / Fanfiction Hope - Entre amor e poder - Capítulo 2 - Hope

Antes que qualquer pessoa presente ali se desse conta da minha presença, Katherine sussurrou no meu ouvido.
— Essa mulher chegou aqui com um grande interesse em falar com você, eu não escutei nada demais, mas mamãe ficou muito nervosa e me mandou te levar até o poço, estava falando algumas coisas incoerentes e queria que ela fosse embora. Eu achei melhor te chamar para tentar resolver isso e acalma a mamãe, não deixe que ela brigue comigo quando descobrir que eu net tentei te levar até o poço. — Ela falou rapidamente e só então reparei de verdade na mulher desconhecida em pé na minha cozinha.
Ela tinha uma beleza encantadora, eu nem consegui prestar atenção no que elas falavam, estava observando cuidadosamente aquela desconhecida. Seu cabelo ia até o quadril, em um negro estonteante, suas roupas impecáveis, pareciam caras demais. Seus olhos, eu fiquei assustada ao notar que eles estavam completamente negros, sem diferença da esclera para a íris do olho, mas o preto que cobria o branco do seu olho foi absorvido completamente pela íris assim que notou a minha presença ali.
— É ela, não é? — Sua voz tinha um timbre encantador e ao mesmo tempo assustador, será que ela me conhecia?
Mamãe se pôs na minha frente, ela estava trêmula, eu não estava entendendo nada daquela situação toda. Ela segurou minha mão com força, aquela que eu achei muito bela, fez uma reverência.
— Minha senhora, me chamo Elizabeth e estou aqui para lhe servir de hoje em diante. — Eu engasguei com minha própria saliva ao escutar isso.
Me servir? Eu não era ninguém para ter uma espécie de criada, e de repente tenho uma pessoa aqui na minha frente dizendo que irá me servir. Quantas voltas o mundo deu nas últimas horas?
— Você não conseguiu proteger sua própria filha, o que te faz pensar que vou deixar a minha em suas mãos? — Kate estava observando tudo de um canto, ela parecia tão confusa quanto eu em relação às palavras de nossa mãe, mas Elizabeth pareceu levar punhaladas em seu coração enquanto ela falava.
— Você se afastou do clã sabendo que tinha uma grande chance dessa baboseira recair sobre seus filhos ou filhas, você não tem poder nem ao menos para proteger a si mesma, eu sou a única chance da sua filha continuar viva. — Ela disse calmamente, se recompondo do que acabará de ouvir.
— Alguém pode me explicar o que está acontecendo? — Eu finalmente perguntei e ambas me olharam, eu parecia um ser excepcionalmente extraordinário, digo isso por conta da expressão nos rostos delas.
— Se a senhorita me permitir. — Ela disse fazendo outra reverência rápida.
— Hope, poderia ser gentil e ir até o poço trazer um pouco de água, essa senhora está indo embora. — Ela disse apontando para os baldes ao pé da mesa.
Eu iria continuar sendo ignorada enquanto ela ficavam naquela discussão na qual eu não estava entendendo nada. Mas não, eu não iria permitir isso, eu não ia ser posta de lado quando o assunto principal daquelas duas estava sendo eu.
— Não, ela não está. Você quer que ela vá, mas eu não vou deixar enquanto não me explicarem o que diabos está acontecendo aqui! 
— Querida, não seja grosseira, faça o que eu te pedi. — Minha mãe insistiu. 
Cruzei meus braços em frente ao corpo e fiz minha melhor expressão convincente. A mulher de cabelos negros parecia orgulhosa pelo meu posicionamento. Ela finalmente cedeu, mas antes deu um jeito de tirar Katherine de nossa casa, quando ela retornou minha ansiedade já era palpável.
— Você começa ou terei que explicar tudo? — Elizabeth perguntou se direcionando a minha mãe, ela começou a falar de má vontade.
— Querida, não existe uma maneira ideal para eu lhe contar isso.. É uma história bem complicada e.. — Minha mãe parecia que não iria continuar, então Elizabeth tomou a palavra, ela era bem direta e eu poderia jurar que ela era louca.
— Você é a herdeira do clã das bruxas e o mesmo está dividido em dois agora. — Eu ri, era uma total falta de respeito interrompê-la daquele jeito mas aquilo só podia ser uma piada.
— Me desculpe! — Eu pedi entre os risos — Não pode estar falando sério, isso é completamente ridículo.
— Não é. — Seu tom de voz ganhou uma nota mais séria, mas eu não conseguia ver como aquilo poderia ser sério.
Ela estendeu a mão delicada para o centro da mesa e a fechou, poucos segundos depois abriu lentamente, uma chama azul escuro quase preto cintilava sobre sua mão. Meus olhos não decidiam se olhavam as formas que a chama tomava ou a expressão suave de Elizabeth ao me ver tão impressionada. 
— Acho que agora vê que não é uma piada.
— Mas.. Eu não entendo. Que droga é essa? Como fez isso? — Minha voz tinha sumido quase por inteiro, só me restaram os sussurros. 
— Você é complicada menina, como que ainda não entende que não estou brincando? Estou aqui para te ensinar e proteger de tudo que está por vir.
— Me proteger? De quê? 
— Haverá uma grande guerra e você está bem no meio dela, eles iram guerrear por você. Vão querer estar do seu lado, para ter certeza que vão ter a vitória certa. — Ela respondeu no melhor tom possivel. 
Eu sabia que existia um mundo das trevas, várias mulheres na nossa aldeia já tinham sido acusadas de praticar bruxaria, mas não que aquilo poderia fazer parte da minha vida.
— Mamãe.. — Eu estava tentando assimilar toda aquela informação. — Você escondeu isso tudo? Isso é verdade? Porque?
— Eu achei que seria melhor ter vocês longe de tudo isso, eu não acreditava que isso poderia recair sobre você ou a Katherine.. — Eu impedi ela de continuar com aquela desculpa, eu julguei que ela seria bem longa.
— E preferiu nos deixar viver no escuro, mesmo que às chances fossem poucas, nós tínhamos o direito de saber! — Gritei deixando o restante da paciência se esvair do meu ser. — E parece que às chances não foram tão poucas assim, afinal, eu sou uma maldita bruxa. Aquele livro? O que diabos é? É a droga de uma história que deveria ser minha?
— Uma profecia, a que você acabará com a guerra entre os clãs.. 
Senti lágrimas se formarem nos meus olhos, eu não poderia acreditar que algo tão insano fosse verídico, Elizabeth já estava calada havia algum tempo, sua expressão não revelava nada que pudesse ter passado pela sua mente.
— Eu preciso que venha comigo, mas não posso te obrigar a vir, a decisão é toda sua. — Meu serzinho interior me disse que aquilo era só uma maneira de acalmar os ânimos, eu não tinha aquela opção, não conseguia me acalmar.
— Eu preciso de tempo pra engolir isso tudo, eu preciso.. — Eu não sabia bem do que precisava, mas não queria estar ali, tinha que estar em outro lugar eu tinha que respirar.
Eu corri até o rio, deixando os gritos delas por mim para trás, sabia que ali ninguém poderia escutar todos os xingamentos e maldições que eu estava soltando aos sete ventos. Que diabos era aquilo? Eu ser uma bruxa? Gritei até meus pulmões sentirem a falta do ar, então eu caí de joelhos, deixando o ar voltar a entrar e sentir algum alívio. Minutos se passaram e eu senti aquelas lágrimas quentes descerem pelo meu rosto e eram tão pesadas que eu não era mais capaz de segurá-las. Foram 18 anos, 18 longos anos e ela não me contou nada! Ela teve tantas oportunidades para isso, mas escolheu me deixar no escuro e agora tenho que assimilar essa droga toda de uma vez, da melhor maneira possível e não surtar completamente.
— Querida? — Me assustei quando aquela mão tão conhecida tocou o meu ombro. — Estava indo para casa quando te escutei, o que aconteceu? Porque está chorando?
Ele havia saído para caçar ontem à noite, parecia que não tinha dado muita sorte, ele tinha apenas alguns coelhos amarrados em uma corda, isso significava que ele sairia hoje à noite novamente.
— Eu não sei o que está acontecendo, papai. — Enterrei a mão nos cabelos para manter minha voz estável. — Tinha uma mulher na nossa casa, eu vi os olhos dela completamente negros, ela me disse coisas estranhas, coisas que são verdade e que me assustam. Ela me disse que sou uma herdeira.
Olhei em seus olhos e senti o pavor, ele não estava surpreso. Senti como se uma lâmina tivesse acabado de dilacerar meu peito, eles eram mentirosos, quantas vezes eles arranjaram desculpas para todas as coisas estranhas que eu fazia sem nem ao menos tentar me contar.
— Você também sabia, você sabia! — Eu sussurrei tirando sua mão do meu ombro.
— Querida, tente entender, achávamos que não seria possível. — Mais uma justificativa que não servia para consertar nada.
— Vocês esconderam isso de mim, esconderam da Kate, ela merecia saber tanto quanto eu.. Isso poderia ter acontecido com ela.. — Não quis escutar mais nada que ele pudesse dizer. Eu senti que tudo que pudesse sair da sua boca poderia ser uma mentira.
Eu comecei a me afastar dele, enquanto ele me olhava de um jeito estranho e desconhecido para mim.
— Aonde vai? Filha, vamos voltar para casa e conversar, eu prometo que eu e sua mãe vamos es colocar tudo.
Dei as costas para ele e corri, para o mais longe possível, a floresta tinha deixado de ser assustadora naquele momento. Me encostei numa árvore e tentei respirar normalmente, era quase impossível, eu tremia de nervosismo. Não sei por quanto tempo fiquei ali, mas o céu já estava ficando escuro, a noite veio chegando de mansinho enquanto eu estava sentada no chão. Depois de travar uma gigantesca batalha com meus pensamentos, levantei e andei pisando firme no chão, como se a qualquer momento ele fosse se desprender dos meus pés e eu fosse cair em algo bem pior do que a situação em que já estou, demorei muito para chegar em casa, eu realmente tinha tentado fugir de tudo aquilo, me afastar o máximo que pude.
Todos estavam no lado de fora da casa, suas expressões estavam preocupadas ficaram aliviadas quando me viram. Elizabeth parecia querer falar, mas eu a cortei antes mesmo que começasse. 
— Eu quero que eles fiquem seguros, eles mentiram e omitiram fatos sobre mim, mas são minha família. — Eu disse sem nem ao menos olhar pra minha mãe, eu não poderia, não deixaria que as lágrimas voltassem a cair.
— Se assim desejar, eles podem ir comigo até o instituto, será mais fácil protegê-los caso soframos algum ataque. — Elizabeth mexia em seus dedos enquanto falava.
— Eu ainda tenho uma dúvida.. O papai e a Kate, eles são.. — Não terminei minha pergunta e nem sabia a que estava dirigindo aquela pergunta.
— Seu pai não, ele é um ser humano comum. — Mamãe respondeu enquanto roía uma de suas unhas, que apesar do trabalho, sempre estavam impecáveis.
— Comum até demais — Elizabeth tomou a palavra — mas a pequena Katherine, ela tem uma pequena chama dentro de si e pode se tornar uma bruxa maravilhosa, mas se ela não treinar esse poder, não saberá nem como acioná-lo, bruxas normais precisam de treino para realizar qualquer façanha. Não é o seu caso, por exemplo, você não precisou disso por que acho que já deve ter feito algumas coisas sem ter a intenção. Você tem muito poder, ele não preciso de um "empurrão" ele vem ao mundo por conta própria, terá que aprender a controlá-lo.
— Então eu nunca poderei ter uma vida normal, porque terá um pouco de magia me rondando?
— É pouco agora, porque você ainda é muito jovem, quando for ficando mais velha, vai ficar impossível viver com tanto poder descontrolado. Por isso vim até aqui, para ajudá-la a moldar toda a sua força.
Depois de toda a explicação e coisas insanas acabaram de ser ditas, Kate finalmente me olho com seus olhos grandes e brilhantes de ansiedade, o resumo de toda aquela situação ficaria comigo.
— Porque não podemos ficar aqui? — Perguntei enquanto notava que minha aparência estava péssima.
— Assim que eu descobri a sua existência, foi muito fácil te achar. Outras pessoas, menos simpáticas do que eu, podem te achar com a mesma facilidade.
— Então eu não tenho escolha? 
— Se quiser proteger sua família.. — Ela respondeu simplesmente e aguardou que eu decidisse.
Balamvei minha cabeça afirmativamente e uma olhar aliviados tomou conta do seu rosto. Aquela noite foi quase impossível de suportar, não consegui dormir em nenhum momento. Pela manhã eu estava com olheiras enormes abaixo dos olhos, a viagem deveria ser longa e eu nem consegui comer nada pelo café da manhã.

Chegamos num lugar tão enorme que parecia mais uma mansão exuberante, a viagem foi tão longa que chegamos quase ao anoitecer, um dia inteiro sem comer e eu cheguei naquele lugar sem a menor fome, diferente de Katherine, acho que se tivéssemos demorado um pouco mais ela teria tentado comer algumas plantinhas que estavam o por todo o caminho. 
Eu estava sentada em uma cama exageradamente gigantesca, com a Kate. Eu lhe contei tudo em mínimos detalhes, ela ficou interessada por cada palavra que saia da minha boca.
— Isso é tão incrível! — Ela sorriu, foi o sorriso que me trouxe um grande alívio.
— É, acho que é incrível. — Menti, ela sorriu novamente, queria tanto estar animada como ela. — Já está na hora de dormir mocinha, eu canto pra você.
Eu a cobri com um lençol delicado, porém, muito quente. Comecei a cantarolar uma canção que nem mesmo lembro onde aprendi, não demorou muito e ela dormiu. Como eu invejo, essa serenidade nesse belo rosto adormecido. Me certifiquei que Kate estava bem aquecida e só então fui até o meu quarto, assim que fechei a porta, deslizei até aquelas maravilhosas cobertas. Pela primeira vez no dia eu me senti segura o suficiente para chorar livremente, sem precisar encarar os olhares de pena que iriam jogar sobre mim. Chorei até que não existissem mais lágrimas a cair, finalmente senti alívio de verdade, senti que podia voltar a respirar normalmente, como se o peso que estivesse me impedido de tomar o ar tivesse ido embora. Caí no sono até que ouvi uma voz rouca junto à um hálito quente próximo a mim.
— Boa noite, Hope. — Eu deveria ter corrido até a porta e fugir logo dali, mas ao invés disso, me virei para ver o intruso que adentrou o quarto. Ele estava agachado junto a cama, esperando pacientemente que eu lhe desse atenção.
Ele sorriu, era um sorriso alinhado e belo naquele rosto que parecia ter sido esculpido por anjos, mas o que me tirou completamente do ar foram seus olhos, havia algo de misterioso e excitante naqueles olhos.
— Não fique nervosa, estou aqui apenas para alertá-la. — Ele disse em uma voz baixa.
— Quem é você? — Perguntei quando finalmente me dei conta de que precisava falar algo. Eu deveria estar louca para ficar ali, mas as últimas horas da minha vida foram insanas.
— Você logo irá me conhecer logo e eu vejo que vai ser um prazer te conhecer também.
Eu fiquei totalmente envergonhada com a situação mas não conseguia sair dali, senti mais vergonha ainda quando notei que no fundo, eu havia gostado.
— Mas você já está aqui. Como diabos conseguiu entrar nesse quarto? 
— Não, meu bem. Eu não estou exatamente aqui, estou só na sua mente e isso aqui é só um sonho. — Ele explicou e eu fiquei cada vez mais confusa, ele passou sua mãe pela minha, ela atravessou direto. — Você precisa saber que está com as pessoas erradas, Elisabeth mente pra você.
— Não.. Ela me contou o que eu sou, minha mãe não queria que eu soubesse e quando ela me visitou, me contou tudo que foi possível. — Eu disse de uma maneira apressada e ele fez um gesto insinuando que eu respirasse de maneira mais calma.
— Ela não é a peça boazinha que aparenta ser, ela não é uma bruxa branca, aquele rostinho bonito é só um disfarce, ela só mostra sua verdadeira face quando está sozinha, ela deve ter cicatrizes longas e grossas no rosto e no resto do corpo esse é o preço que as bruxas que se desviam para o mal caminho pagam, sem falar nos olhos negros. — Eu me calei. — Você os viu, não é? 
— Eu vi os olhos dela.. Mas o que é uma bruxa branca?
— Uma bruxa branca usa a magia da luz, aquela que vem da natureza, é uma magia pura e do bem. Elisabeth usa a magia da escuridão, uma magia vinda de todas as criaturas ruins do mundo. É uma magia muito poderosa, mas o preço dela é muito alto. — Ele sussurrou a última parte. — É melhor estar preparada, não ficará aqui por muito tempo.
— Ficar preparada? Eu acabei de descobrir tudo isso, como sei que não está mentindo? — Ele suspirou perante a minha dúvida. 
— Nós nos conhecemos a muito tempo, ainda lembro de você, mesmo que não lembre de mim, mas mesmo assim, eu peço que tente. Lembre das asas. Tente ver o rosto real de Elizabeth e saberá que não estou mentindo, ela terá uma aura muito ruim em torno de si. Mas tome cuidado, não deixe que ela a veja se não terá muitos problemas. Quando souber a verdade eu a levarei daqui. Mas agora, eu irei te soltar e quando o fizer você vai acordar. Aproveite a oportunidade e verá que não estou mentindo. — Ele deu um sorriso antes de passar a mão sob meus olhos, quando os abri novamente, ele havia sumido.

Levantei de maneira sorrateira e caminhei até o quarto de Elizabeth, estava tudo muito calmo, nenhum ruído estava vindo do outro lado da porta. Abri o mínimo possível, ela estava deitada na cama e roncava baixinho, então eu as vi. Eram quatro longas cicatrizes em seu rosto, espalhadas por sua bochecha, seus braços também tinham quatro idênticas. Isso não podia ser nada bom, ou ela não teria escondido. Eu não podia acreditar, aquele estranho do sonho tinha razão, eu gelei quando ela abriu os olhos e senti o medo por estarem completamente negros.



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