História Hope - Capítulo 1


Escrita por: ~

Postado
Categorias Capitão América, Os Vingadores (The Avengers)
Personagens Natasha Romanoff, Steve Rogers
Tags Drama, Natasha Romanoff, Romanogers, Steve Rogers, Tragedia
Visualizações 72
Palavras 4.673
Terminada Sim
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Famí­lia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá

*Perdoem qualquer erro

*Atenção a passagem de tempo

*Texto em itálico são lembranças

*Capítulo narrado por Natasha Romanoff

Capítulo 1 - Capítulo Único


Fanfic / Fanfiction Hope - Capítulo 1 - Capítulo Único

Sabe o que as pessoas dizem? Quando se é mãe, seu sono torna-se tão leve que uma simples pluma indo de encontro ao chão é capaz de te despertar de um sono profundo. Bem, eu não acreditava muito nisso, pelo menos, até me tornar mãe. 

Leves passinhos chegam até minha audição apurada. Audição de mãe. Me desvencilho de Steve e, rapidamente, me levanto da cama, pegando meu robe antes de sair do quarto e caminhar em direção ao quarto ao lado. 

—O que pensa que está fazendo, mocinha? -indago, assim que empurro a porta de cor branca. Meu olhar encontra com o de minha filha, sei que ela está sonolenta por todas as vezes que já esfregou as mãos em seus olhinhos.- são exatamente...hum...-olho para o relógio em formato de urso que enfeita uma das paredes do quarto.- três da manhã, você deveria estar dormindo. 

Me aproximo e logo Jennifer procura meu colo. 

—Sonho mau. -minha bebê, de três aninhos, resmunga, apertando-me de forma agonizada.- 

—Oh, então vamos dar um jeito nisso. -coloco-a deitada confortavelmente em meu colo e faço algo que sempre a acalma.- "maus sonhos, maus sonhos, vão embora...bons sonhos, bons sonhos, venham agora" "Maus sonhos, maus sonhos, vão embora...bons sonhos, bons sonhos venham agora." -repito por mais quatro vezes e quando meu olhar recai em Jen, minha menina já está dormindo profundamente com o dedo polegar na boca. Sorrio, constatando o quão sortuda sou por ter essa garotinha em minha vida. Jennifer trouxe de volta um sentimento que há muito achei ter perdido.- 

O bebê que você tem é o bebê destinado a ter.. “Era para ser assim”. Isso é o que todos dizem.. Enfim… Eu gosto de pensar que é verdade. Mas tudo no mundo parece tão completamente aleatório. E se uma pequena coisa que eu tivesse dito ou feito pudesse fazer tudo desmoronar ou mudar o percurso de toda uma vida? E se eu tivesse escolhido outra vida para mim? Ou outra pessoa? Talvez nunca nos encontrássemos. E se tivesse sido criada de modo diferente? E se a minha mãe nunca adoecesse? E se aquele dia cruel nunca tivesse acontecido? E se… 

Me espreguiço na cama, sentindo um delicioso calor irradiar por meu corpo. Calor esse que vem do corpo que está colocado ao meu, me viro e passo a olhar o bonito e sereno rosto de meu marido. Steve dorme de forma tranquila, sua respiração pesada indica que ele está em um sono profundo, também, pudera, esticamos a noite de ontem para a madrugada a dentro fazendo um amor gostoso e sensacional. 

Ouço pequenos passos se aproximarem da porta do quarto, em seguida, a porta é aberta e meu pequeno garotinho se aproxima da cama. Nem mesmo a fria manhã de Londres é capaz de fazer meu pequeno filho perder toda a euforia de mais um dia de escola.

—Levanta, mamãe.  

Gemo de dor ao sentir o pequeno corpinho pular sobre mim. 

—Steve, seu filho já levantou. -resmungo.- 

—Meu filho? Quando ele está elétrico ele é só meu, né? 

—Sim, esse lado da família ele puxou de você. 

—Mamãe, faz o papai levantar. 

—Steve! 

—Natasha! 

—James! -meu bebê grita seu próprio nome e é impossível segurar a risada.- tem escolinha hoje? 

—Tem sim, meu pequeno príncipe. -sento-me na cama e puxo James para os meus braços.- dormiu bem? 

—Dormi. 

—E o que você sonhou? Se lembra? 

—James piloto de avião! -ele da um grande sorriso.- 

—Uau, é mesmo? -recebo um aceno positivo.- e que tal esse piloto me ajudar a acordar esse papai preguiçoso?  

Meu filho pula em cima de Steve, meu loiro resmunga pelo impacto, mas, no final, ele sorri. Completamente encantado com nosso garotinho que não para de falar um segundo sequer. 

***_***_***

O café da manhã em família é uma tradição. A risada é geral e diversos assuntos estão em pauta, grande parte da conversa sendo dominada por James que não para de fazer perguntas. Ele está na famosa fase onde tudo precisa ter um por quê. 

—Mamãe? 

—Hum? 

—Poi que o suco de uva é roxo?  

Ele faz uma carinha confusa 

—Por causa do corante que colocam nele. -respondo, tomando um gole de meu café.- 

—Hum...papai? -Steve olha para ele.- 

—Oi 

—Poi que James pe—precisa ir na escola? 

—Para aprender. 

—Aple...-dou uma olhadinha para ele que logo volta a falar de forma mais calma e pausada.- aprender o quê? 

—Várias coisas. A ler, escrever, fazer amiguinho...você não gosta de ir a escola? 

—Eu gosto. Tem a Grace! 

Ele grita alegre. Reviro os olhos, ação que não passa despercebida por meu marido.

—Sim, tem a Grace. -Steve me olha com um sorriso divertido e debochado.- agora, vá escovar esses dentinhos antes que os bichinhos coma eles. 

James pula da cadeira 

—Não corra nas escadas. -pronunciou um pouco mais alto.- 

—Então, Senhora Rogers, já se acostumou com sua norinha? 

—Vai a merda, idiota. 

—Adoro implicar com você. -ele beija minha bochecha.- a garotinha é um amor, não sei o por quê de você não gostar dela. 

—Ela quer roubar meu filho de mim. 

—Amor. -Rogers se levanta, coloca a louça suja do café na lava louças, logo após ele cruza os braços e se encosta na bancada.- você tem noção que a menina tem apenas cinco anos, né? 

—Não interessa. -resmungo, sabendo que meu marido tem razão, mas não consigo não ligar. James é o meu pequeno príncipe. O meu bebê...e garotinha nenhuma jamais será boa o suficiente para ele.- 

—Desmancha esse bico, Natasha. Teremos mais onze anos pela frente antes de James nos apresentar a primeira namorada. Também temos tempo antes do nosso filho chorar por causa da primeira decepção amorosa. 

—Steve...-choramingo.- Não quero que nosso filho passe por nenhuma decepção, principalmente amorosa. 

—Deixa de show, amor. Decepções fazem parte da vida, elas nos tornam fortes para aguentarmos as adversidades. 

—Nossa, acordou filósofo hoje, hein... 

—Foi o amor que fizemos durante toda a madrugada. Noite e madrugada fenomenais, Senhora Rogers, fenomenais. 

—Rogers! -brado, envergonhada, no entanto, o que ganho é a sonora gargalhada de meu adorável marido.- 

—Vou apressar nosso filho.  

Sorrio, agradecendo a Deus pela linda família que tenho. 

***_***_***

—James, filho, vamos logo. Desse jeito a mamãe vai chegar atrasada no escritório. -arrumo meu casaco e continuo parada ao lado do meu carro.-  Tá rindo do que, Rogers?  

—De você toda nervosinha. -arqueio a sobrancelha esquerda e encaro meu loiro.- é tão sexy. -ele abraça minha cintura.- 

—Vai trabalhar, detetive.  

—Está querendo se livrar de mim, juíza?  

—Oh sim, com toda certeza. -debocho.- James! Não corra!  

—Como sabe que ele está correndo? 

—Apenas sei.  

Logo meu filho passa pela porta da frente, correndo pelo gramado enquanto trás em suas pequenas mãozinhas um avião de pelúcia. 

—Pronto! -ele para ao meu lado.-  

—Pronto para voar, comandante James Romanoff Rogers? 

—Eu tá. -ele grita animado, sua gargalhada soa ainda mais alta quando Steve o pega no colo e faz com ele uma brincadeira como se ele fosse um avião.- mais alto, papai, mais alto. 

—Steve, nós já estamos atrasados. 

—Vai lá, garoto. -ele beija e abraça nosso filho.- a noite nós brincamos mais.  

—Amo você, papai. 

—Também te amo, filhão. -após colocar nosso filho na cadeirinha e fechar a porta do carro, Steve vira-se para mim.- hoje o jantar é por minha conta. 

—Okay, mas nada de pizza. -ouço James resmungar.- 

—Chata.  

Beijo o biquinho lindo que Steve faz.  

—Preciso ir. Até mais tarde, Rogers. 

—Até. -entro no carro.- psiu? -olho para ele.- eu te amo, ruiva marrenta. 

—Também te amo, loiro bobão. -pisco, divertida.- 

O caminho até o colégio de meu filho é feito de forma tranquila. James cantou todas as musicas do CD infantil que Pepper deu para ele. Estaciono próximo a entrada do colégio, tiro e o cinto de meu menino e juntos caminhamos para perto de seus coleguinhas. 

—James!  

Uma garotinha grita assim que vê meu bebê. 

—Grace! 

James solta minha mão e corre até a garotinha, eles embarcam em uma conversa animada, tento não deixar claro o ciúmes que estou sentindo. Quando o sinal toca, meu filho larga a mãozinha da tal Grace, que o puxava para dentro do colégio, e corre até mim. Pego-o no colo, enchendo seu rostinho de beijos, sentindo seu cheirinho de bebê e apertando-o em meus braços. 

—Tchau, mamãe. 

—Tchau, filho. Até mais tarde. 

—Eu te amo. -ele me encara, logo depois beija minha bochecha.- 

—Eu te amo mais, filhote. 

O coloco no chão, James corre de volta para Grace e juntos entram no colégio, antes, novamente, ele me olha, sorri e faz um tchauzinho com as mãos. Assim que meu filho some do meu campo de visão, volto para o carro, seguindo para mais um dia de trabalho. 

***_***_***

A porta de minha sala se abre com um estrondoso baque, dou um leve pulo de minha cadeira com o pequeno susto que me acomete. Olho rapidamente para a pessoa que entra como um furacão prestes a colocar tudo no chão. 

—Você deve ter um motivo muito forte para invadir minha sala dessa forma desgovernada, Pepper. -resmungo de forma brava.- 

—Natasha? -desvio meu olhar dos papéis em minha frente e volto a olhar minha amiga. Virginia está em pranto.-  

—Pepper? O que aconteceu? 

—Na-Natasha, onde está James? 

Franzo o cenho 

—Como assim: "onde o James está?" -levanto de minha cadeira.- ele está no colégio. 

Então, em um gesto inesperado, minha amiga cai de joelhos no chão. Seu choro compulsivo me assusta, olho para a porta onde Wanda, minha secretária, está vermelha de tanto chorar. 

—Que merda está acontecendo aqui?  

—Natasha...-Wanda pronuncia, mas não a deixo continuar.- 

—O que está havendo? 

Ela apenas aponta para a recepção, caminho até lá e vasculho com o olhar algo que poderia estar errado, é quando me atento a notícia na TV. Não! Não pode ser! Não comigo! Não com a minha família! 

Seguro as lágrimas e tento me concentrar em qualquer coisa que não seja aquela maldita repórter falando. Minha cabeça gira e sinto meu corpo tremer, preciso fazer algumas ligações, preciso ver James, saber se ele está bem...preciso de... 

Steve! 

Meu marido já deve estar lá. Sim, Steve está lá e James deve estar bem, não há motivo para pânico. 

Repito diversas vezes em minha mente tal frase, para que ela possa se tornar verdade. Tento ignorar o medo e o pânico que estão prestes a tomar conta de mim. 

James está bem! James está bem! Meu filho de quatro anos está bem! 

Não me atenho aos chamado de Wanda ou Pepper, desço os seis lances de escada correndo, parando o primeiro taxista que passa por mim. Não tenho a menor ideia de como passei o endereço da escola de meu filho, nem como desci três quadras antes do colégio, pois a rua estava fechada. Ouço o taxista gritando por seu dinheiro, não ligo. Corro, corro o máximo que posso, me desvencilhando de policiais que encontro no caminho e que tentam me barrar. O grito de "Eu sou mãe de uma das crianças que está lá dentro. Saiam da minha frente, idiotas." era o que queria sair de minha boca, no entanto, tudo que consigo pronunciar é "Meu filho, meu filho está lá. James." 

Olho ao meu redor, a confusão está instaurada. De onde veio esse povo todo? Avisto alguém que reconheceria em qualquer lugar. 

—Steve! -grito, passando por um dos policiais e me jogando nos braços de meu marido.- Ste...James, ele... Oh meu Deus!  

—Vai ficar tudo bem, amor. -encaro—o tendo a certeza de que ele não acredita nenhum pouco em sua fala.- droga, ninguém fala nada. Hill? -ouço-o gritar.- Alguma notícia? 

—Nada, Rogers. 

—Merda, não consigo obter informações, meu filho está lá dentro e.... 

—Nós já identificamos o atirador. -meu corpo treme ao ouvir tal frase.- 

—E onde ele está? -meu marido torna a perguntar.- 

Porém, não temos respostas. O que temos são pais gritando por seus filhos, desesperados por notícias, a mídia por todo lugar e, quando começo a perder a força em minhas pernas, ouço a voz de crianças. Foco na entrada do colégio infantil e vejo muitas crianças saindo correndo de encontro aos seus pais, outras chorando procurando pelos mesmos, os policiais tentando encontrá-los. Procuro James, a cada nova criança que sai, meu coração se aperta ao perceber que não é meu filho. Alguns minutos depois e então começo a ver macas, muitas macas saindo do colégio, macas com corpos infantis cobertos com lençóis, macas com crianças que foram vítimas de um assassino cruel. Meu olhar vai até uma determinada maca, a expressão "meu coração gelou" nunca fez tanto sentido. Corro o mais rápido que posso, esbarro em todo mundo que está em meu caminho, empurro os legistas e descubro a maca. Minhas pernas fraquejam, meu coração afunda no peito, meus olhos enchem-se d'água, o grito de pavor e dor rompe minha alma que se dilacera ao encarar aquele corpinho inerte, já sem vida. Meu bebê, meu filho de quatro anos, meu James. A criança que meu marido e eu tanto queríamos, a sementinha que me apaixonei instantaneamente assim que soube que estava grávida, o amor incondicional que criei durante nove meses, o menininho que veio ao mundo após longas quinze horas de contrações, o garotinho que nasceu chorando alto e que pesava três quilos e duzentas gramas, o neném que me fez enxergar o maior dos sentimentos, o super herói que fazia um dia de trabalho exaustivo se tornar um imenso nada, aquele que me chamou de "mamãe" pela primeira vez e que trouxe lágrimas de felicidade a minha vida, o meu menino que hoje de manhã ostentava um sorriso lindo e inocente enquanto me dava tchau e entrava para mais um dia de aprendizado junto com seus coleguinhas. O meu filho que agora abraço e sinto o corpinho gélido, sem vida. 

Sem sorrisos 

Sem mamãe 

Sem carinho 

Sem amor 

Sem super herói 

Sem brincadeiras 

Sem James 

Tudo a minha volta torna-se um borrão. Caio no chão gritando, chorando, implorando, para que meu filho volte. Para que o buraco em seu peito se feche, para que seu sorriso lindo novamente me faça feliz. Meu James. Meu bebê. Meu filho. Sinto braços rodearem meu corpo e de James, sei que é meu marido, ele chora, assim como eu, ele implora por um pouco de misericórdia.  

Grito, esbravejo, quero meu filho de volta! Quero meu James.         

Quero matar o homem que o tirou de mim, quero arrancar seu coração e fazê-lo sentir a dor que sinto. Quero bater em todos até que todos se sintam tão mal quanto eu. E, acima de tudo, quero que a morte me acolha, como uma velha amiga, se isso significa ficar junto de meu filho.

***_***_***

Acordo assustada, meu coração bate de forma descompassada, minha mente está confusa, o suor desse por meu rosto, jogo o cobertor para o lado e me sento na cama. 

—Natasha? -a voz de Steve rompe o silêncio, tento normalizar minha respiração enquanto meus olhos se acostumam a escuridão do quarto.- Amor? 

—James. -sussurro.- James está chorando. -olho para o lado, a essa altura, Steve já acendeu o abajur que fica no criado-mudo ao lado da cama.- preciso ver nosso filho. -não dou chances para que ele retruque, me levanto e apresso meus passos, abrindo a porta do quarto ao lado do meu. A realidade me atinge.-

 O quarto continua igual. Do mesmo jeito que meu filho deixou quando saiu para ir a escola, isso foi há oito meses. Me aproximo da cama de meu menino e me deito, fechando os olhos, abraçando seu dinossauro preferido e sentindo o seu cheirinho que continua ali.  

Oito meses sem o meu bebê. 

Oito meses que James foi tirado dos meus braços por um psicopata. Sim, um psicopata, pois é assim que classifico alguém que entra em um colégio infantil e atira contra crianças indefesas. 

—Nat? 

—Hum? 

—Amor, não podemos continuar assim. 

Abro os olhos e encaro Steve

—Assim como? -minha voz sai um pouco mais rude do que pretendo.- 

—Assim. -ele aponta para mim.- você não dorme, quase não come, parou de trabalhar, se isolou de todo mundo. Natasha, -ele se aproxima.- é como se você tivesse desistido de viver. Desistido de nós. -meu loiro engole em seco.- eu te amo, te amo demais, mas estou cansado de lutar sozinho. Você acha que é fácil chegar em casa e te ver chorando pelos cantos? Isso me destrói. 

—E você acha que é fácil saber que meu filho não vai mais voltar? Que ele está morto? Que um louco atirou nele e agora.... 

—Seu filho? James também era meu filho, Natasha. 

—Não parece, já que, para você, foi fácil voltar a trabalhar e simplesmente seguir com sua vida. 

Sei que minhas palavras soam duras e cruéis, mas estou tão machucada, tão perdida, que só quero que todos a minha volta me deixem em paz. 

Rogers apenas balança a cabeça de forma negativa, seus olhos não retém as lágrimas. 

—Você não é a única que está sofrendo. -sussurra e é quando sei que preciso de Steve e que ele tem aguentado todas as minhas crises, tem segurado a minha barra e lidado com meu sofrimento enquanto coloca o seu de lado. Me jogo no colo de Rogers e juntos choramos. Choramos tudo que podemos, choramos para colocar a dor para fora do peito.- 

—Sinto muito. -sussurro.- m-me desculpa. Fico pensando o quanto ele sofreu, o quanto ele estava com medo e eu...nós não estávamos lá. 

—Isso também passa pela minha cabeça, todos os dias me pergunto se poderia ter feito algo diferente. Algo que pudesse evitar o que aconteceu. 

—Sinto falta dele, sinto falta do nosso filho. 

—Eu também, meu amor. Mas precisamos lutar, precisamos nos reerguer. Promete pra mim. -suplica.- promete que vai tentar. 

—Eu vou. -tomo uma longa respiração e encaro o homem que tanto amo.- por nós e principalmente por James. 

***_***_***

—Steve, lembrou de fechar a porta da lavanderia? Vai chover e você sabe que detesto quando o corredor fica cheio de água. 

—Sim, fechei a porta da lavanderia. -meu marido liga o carro.- seu corredor estará sequinho quando voltarmos. -pisca.- mais alguma coisa ou podemos ir? 

—Vamos logo, Clint já me ligou tantas vezes que estou a ponto de mandá-la para aquele lugar. -pronuncio divertida, o que causa um riso em Rogers.- como foi no trabalho? 

Meu loiro da de ombros 

—Normal. Investigação, correria, gente gritando e querendo mandar e ah, fui promovido. -sorri.- Chefe do departamento de investigação do FBI. 

Me viro no assento 

—Promovido? Meu Deus, isso é ótimo, meu amor. -pulo, empolgada demais para me conter. Beijo, rapidamente, os lábios de Steve.- 

—Devagar, ruiva, estou dirigindo e não quero nos meter em um acidente. Use essa empolgação toda para o que tenho planejado para depois desse jantar. -rimos e, admito, o tom malicioso de Rogers me causa arrepios.- e o seu trabalho? Como foi? 

—Relatórios, reuniões longas e chatas e, eu ainda estou brava por estar indo com a roupa que trabalhei o dia todo. 

—Nat, se fôssemos para casa, acredite em mim, nós não iríamos a jantar algum. 

—Safado. 

—Seu safado, gostosa. -pisca em minha direção.- 

O restante do caminho até o restaurante italiano foi feito de forma descontraída e divertida. 

—Finalmente, já estava chamando a polícia.  

Reviro os olhos para todo o drama de meu amigo/irmão 

—Exagerado. -respondo. Sorrio para meu esposo que puxa a cadeira para que eu me sente.- obrigada, amor. 

—De nada, linda. 

—Vai começar...-novamente, o inconveniente do meu amigo se faz presente.- você já viu um casal tão pateticamente romântico, Laura? 

Minha cunhada sorri 

—Nós. 

A risada é geral e enquanto fazemos e aguardamos nossos pedidos, a conversa flui de forma agradável. 

—E como está esse garotinho? -meu loiro indaga, olhando para o ventre de Laura.- dando muito trabalho? 

—E como. -suspira, cansada.- ele não tem me deixado dormir, me chuta a madrugada inteira. 

—E eu que fico sem dormir, já que Laura não consegue ela acha justo me acordar e ficarmos os dois com cara de múmia no dia seguinte. 

—Claro que sim, afinal, o filho também é seu. 

Eles se beijam e é impossível não sorrir com a cena. Por um momento, deixo a saudade fluir em meu peito. Se James estivesse aqui, ele estaria com seis, quase sete, anos e tenho certeza que adoraria ter um priminho. Sinto Steve apertar minha mão direita, sei que seus pensamentos são iguais aos meus. 

—Hey, casal, temos uma novidade. -meu marido introduz um outro assunto.- 

—Não me digam que finalmente vão aceitar meu conselho e vão a Roma?! -Laura é pura alegria.- 

—Nada disso. -respondo.- Steve foi efetivado, meu marido é o mais novo chefe do departamento de investigação do FBI. -não contenho meu orgulho.- 

—Parabéns, Rogers. 

—Parabéns, Steve. Você merece. 

—Isso merece um brinde. -Clint faz sinal para o garçom.- Suco para todos, pois vamos apoiar a minha esposa super grávida aqui. 

Ao final do jantar, vamos embora leves e prometendo marcar algo para a próxima semana. A forte chuva faz com que Steve reduza a velocidade enquanto estamos a caminho de casa. 

—Barton está todo bobo com a chegada do bebê.  

—Ele se faz de durão, mas, no dia do parto, tenho certeza que ficará mais maluco que Laura. -gargalhamos.- foi uma noite deliciosa, obrigada, querido. 

Um bonito sorriso estampa os lábios de Steve. 

—Oh, nada disso, a noite mal começou.  

—Você não presta. -desvio meu olhar para fora. Franzo o cenho ao notar algo estranho na praça, estreito o olhar, tentando definir o que estou vendo. Arregalo os olhos.- Steve, para o carro. 

—O quê? 

—Para o carro, agora! -mal ele encosta no meio fio, abro a porta do carro e caminho apressada até a imensa praça que fica a poucos quarteirões de nossa casa.- 

—Natasha! Volte aqui! 

Sinto meu sobretudo pesar, provavelmente já encharcado da chuva. 

—Hey, o que está fazendo aqui? Ainda mais esse horário. 

A pequena figura me encara, seu corpinho treme por conta da chuva e do frio. Seu olhar me causa sentimentos que não sei definir. 

—Droga, Natasha. Está querendo pegar um resfriado? -Steve chega com um guarda-chuva.- o que você...? Oh meu Deus! 

—Você está perdida? Por favor, diga alguma coisa. -uma agonia toma meu âmago. Então, a garotinha sai de debaixo do banco do qual tentava se proteger da chuva. Suas roupinhas rasgadas e o rostinho sujo indicam que ela é uma menina que vive nas ruas. Alguém que erradamente classificamos como mendiga. Tiro meu sobretudo e o coloco ao redor do corpo da garotinha que me parece não ter mais de dois anos e meio. Seu corpinho treme, dessa vez, de medo. Sei disso pelo olhar que ela lança em minha direção.- 

—Amor, precisamos sair dessa chuva. 

Olho para meu marido 

—Não podemos deixá-la aqui. Steve, ela é só uma criança. 

Steve está tão em dúvida quanto eu sobre o que fazer, por fim, decide por algo mais sensato. 

—Vamos levá-la com a gente, assim que chegarmos em casa farei algumas ligações. -afirmo.- 

—Você vai conosco, tudo bem? Nós não vamos te fazer mal, prometo. -sorrio, tentando encorajá-la, a menina pondera, por fim, estica seus bracinhos em minha direção. Um pedido mudo que prontamente é atendido. Voltamos para o carro, decido ir no banco de trás com aquela pequena bebê. Só então reparo nela, a pele negra, os olhos castanhos claros, a cabeleira cacheada, Deus, como alguém é capaz de deixar essa lindeza sozinha? Como puderam abandoná-la? Não consigo pensar em algo, senão abandono. O quanto essa pequena criaturinha já sofreu? Saio de meus devaneios quando Rogers estaciona o carro, ao entrarmos em casa, tiro da menina o pesado sobretudo e percebo que ela olha tudo ao redor com bastante curiosidade.- 

—É melhor dar um banho nela. -concordo.- faça isso, vou ligar para algumas pessoas. -ele beija minha testa.-  

—Tudo bem, amor. Vamos, pequena, vamos tomar um banho bem quentinho. 

A empolgação da menina ao ver a imensa banheira, me faz rir. Decidi por bem levá-la para tomar banho no banheiro de meu quarto, encho a banheira, jogo alguns sais e verifico a temperatura.  

—Acho que está ótima. Nem muito quente, nem muito fria, não é? -as coisas caminham bem, até que tiro os trapos que cobrem a pequena, as lágrimas escorrem por meu rosto mesmo sem minha permissão, o corpinho todo marcado e cheio de cicatrizes. Imploro a Deus para que o pior não tenha acontecido com aquela criança. Sinto mãozinhas passarem por minhas bochechas, um gesto de carinho que me faz fechar os olhos por breve segundos. 

—Não choia. 

Oh Deus, como não chorar? O tom de voz mais lindo desse mundo, tenho certeza. Respiro fundo, retomando o controle. 

—Chega de lágrimas, okay? -ela afirma. Coloco-a na banheira e em poucos minutos ela está brincando com a espuma. Uso meu shampoo de maçã para lavar os cachinhos castanho escuro.-  

—Parece que alguém está gostando do banho. -viro levemente o corpo, Steve está parado no batente da porta, seu sorriso me trás calma e conforto. Ele sussurra um "depois conversamos" e sei que meu loiro está com tudo sob controle.-  

—Boinha de sabão. 

Ela aponta ao redor, demonstrando toda a espuma para Steve. Após o banho, levo a pequena para o quarto, uma camisa grande, meias e uma fralda estão dispostas sobre a imensa cama de casal. Sinto-me emocionada ao ver que a única coisa que Ste pegou do quarto de nosso filho foi uma fralda descartável, pomada e talco. Meu marido pensa em tudo, inclusive no quanto ainda não estou pronta para dar ou dividir nada de James com ninguém. Troco a menininha e a deixo deitada embaixo do grosso edredom. 

—Vou tomar banho, tudo bem? Não precisa ter medo -emendo quando vejo um biquinho de choro se formar.- serei rápida e, qualquer coisa, é só gritar "Natasha" ou "Steve". -me debruço sobre ela e lhe dou um beijo na testa. Ligo a TV em um canal infantil e logo a atenção da garota está no desenho colorido.- 

Tomo um rápido banho e ainda assim tenho tempo para pensar no turbilhão de emoções que me invadem. Não quero, não posso sentir isso. Prometi que meu amor seria apenas de James e então...como uma simples criança pode por isso a prova? Não que eu não ame meu filho, mas achei que, depois de sua morte, não haveria espaço para mais ninguém. Pelo visto, errei. Errei feio. Saio do banheiro enrolada em meu roupão, a cena que deslumbro a seguir trás lágrimas de emoção e alegria, Steve está deitado ao lado da tal garotinha, ajudando-a comer. Seu pijama indica que ele optou por tomar banho no banheiro de um dos quartos de hóspedes. 

—Ali está ela. -meu marido aponta para mim.- acha que agora está preparada para nos dizer seu nome? -sento-me do outro lado da menina e minha expressão confusa deixa claro que não estou entendendo nada.- aparentemente, ela quis esperar você. -da de ombros.- e então? Como você se chama? 

A garotinha termina de mastigar o biscoito e pronuncia pausadamente 

—Jennifei. 

Jennifer. 

Eu não sabia, mas, a partir daquele momento, Jennifer se tornaria a criança que me trouxe algo de volta.

Ela me trouxe esperança. 

—Babando na cria, mamãe coruja?  

A voz divertida de Steve arranca-me das lembranças. 

—Estava recordando como essa pequena veio até nós. -acaricio o rostinho de minha filha. Rogers se aproxima e se senta no braço esquerdo da poltrona.- Quando iríamos imaginar que uma noite chuvosa nos traria esse presente? 

—Ela é linda, não é? 

—Perfeita. -beijo a bochecha de minha filha.- eu a amo tanto. -então, olho para meu marido.- eu te amo, Steve. Obrigada por nunca desistir de mim. De nós. 

Sou premiada com o sorriso mais lindo do universo, vindo da pessoa que significa meu mundo. 

—Você é meu tudo, Natasha.  

Rogers une nossos lábios, o beijo é repleto de amor, saudade, paixão, carinho, companheirismo, superação, e, acima de tudo, esperança. 

Sua vida é um bênção. Aceite isso. Não importa quão ferrada ou sofrida pareça ser. Algumas coisas irão acontecer como se estivessem destinadas a acontecer. Como se fosse destino.


Notas Finais


Muito obrigada a quem tirou um tempinho e leu :)

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Um Beijo
Tia J sz


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