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História Hope - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Anéis do Apocalipse.


Fanfic / Fanfiction Hope - Capítulo 2 - Anéis do Apocalipse.

“Castiel está com ela”.

“Provavelmente os Winchester também”.

“Eles sempre estão metidos em tudo o que diz respeito ao céu ou inferno”.

“Precisamos encontra-la. Ela é um risco não só para ela mesma, mas para todo o universo”.

“Vai ser um pouco difícil, considerando que Castiel é ótimo em esconder as coisas”.

“Não importa, daremos um jeito. Vamos encontra-la e elimina-la”.

 

Lucy abriu os olhos num susto, sentindo como se seu corpo acabasse de receber uma descarga elétrica. Sua cabeça latejou ao ver a claridade que entrava no cômodo e ela virou o rosto contra o travesseiro macio embaixo de sua cabeça, gemendo em frustração com aquilo. Sua cabeça parecia girar, assim como seu estomago. Ela tinha despertado depois de ouvir a ultima parte sobre “elimina-la”. Não sabia quem estava falando, de quem eram aquelas vozes. Elas haviam começado quando ainda estava na encruzilhada, foi como se alguém tivesse sintonizado um radio em sua cabeça e depois de todo o chiado horrível, ela desmaiou. E inconsciente, começou a ouvir aquelas vozes, como se houvesse pessoas ao seu redor. Discutindo.

Sobre ela.

O assunto era ela. Era a única coisa na qual tinha certeza. Eles estavam falando dela e iriam mata-la.

Quem era Castiel? Ouviu as vozes mencionarem muito aquele nome e sempre com um tom raivoso. Ela tinha escutado aquele nome ainda na encruzilhada, ele estava lá. Ele a colocou para dormir de alguma forma. E os Winchester? Será que seria a dupla de rapazes armados?

Gemeu mais uma vez, se encolhendo embaixo do cobertor com a nova pontada em sua cabeça. Estava cansada, mas a frustração era muito maior. Estava com raiva de si mesma, se sentindo uma inútil por não conseguir nem ao menos vender sua alma e ter uma garantia com o diabo. Nem para fazer coisas erradas ela prestava, já que as certas também nunca foram seu forte.

Ouviu uma porta se abrir e logo se fechar tranquilamente. Ergueu a cabeça contra sua vontade e encontrou novamente o mesmo homem de sobretudo que estava com os outros rapazes naquela encruzilhada.

Ela se sentou sobre a cama, puxando o cobertor para lhe cobrir, como se aquilo fosse o bastante para lhe proteger daquele estranho. Lucy o encarou de cima abaixo, assim como ele também parecia fazer com ela, se aproximando da cama com uma bandeja em mãos, aonde havia um prato com comida e um copo de suco, ao qual ele deixou sobre o criado mudo, próximo a ela.

- Você precisa comer, está muito fraca. – Sua voz era tranquila, suave, como a de um anjo. E só então ela se lembrou de que ele realmente era um, viu as asas dele, luminosas assim como seus olhos. Coisa que ela não conseguia ver no momento, a não ser a sua versão humana, de um homem simples. – Ainda sente dor? – Seus olhos azuis se encontraram com os dela, como se estivesse lhe avaliando.

Lucy apenas balançou a cabeça de forma negativa, mesmo que estivesse mentindo. Sua cabeça ainda latejava, mas ela não queria arriscar dele lhe apagar novamente. Tinha muitas perguntas para fazer para acabar dormindo mais tempo.

- Onde eu estou? – Disparou, depois de olhar mais uma vez envolva. Era um quarto bem arrumado, com móveis antigos e uma janela pequena no alto, parecia mais com uma cela de prisão aconchegante.

- Em um lugar seguro. – Ele respondeu de forma paciente, permanecendo estático na frente dela, como uma estátua com os braços pendurados ao lado do corpo.

- Você me sequestrou?

- Não. Nós salvamos você.

- Nós? – Arqueou as sobrancelhas em confusão.

- Eu, Dean e Sam. Eu precisei colocar você para dormir, estava sentindo muita dor. Me perdoe por isso. Nós te trouxemos para cá, é seguro, nenhum demônio vai te achar aqui.

Ela piscou mais confusa do que antes, sua cabeça mal conseguia processar tudo o que o anjo falava. Levou uma mão até a testa, massageando sua têmpora, algo que teve de disfarçar já que ele inclinou a cabeça para o lado, numa breve avaliação dos gestos dela. Não podia demonstrar dor, mesmo que estivesse quase implorando que o mesmo fizesse aquele truque de coloca-la para dormir novamente.

- Você é um anjo. – Ela afirmou, sem conseguir deixar de lembrar da cena das asas dele praticamente lhe cobrindo em meio a surto de sua mente. – Eu vi as suas asas, você estava brilhando.

- Isso é impossível. Nenhum mortal pode ver a real essência de um anjo sem entrar em combustão. – O tom de surpresa e choque nas palavras dele, deixou a garota um tanto receosa.

- Você está me ofendendo? – Cuspiu sem ao menos pensar na forma como aquelas palavras saíram.

- Não. Só estou curioso. – Seu tom manso e pacifico voltou novamente, como se nada estivesse acontecendo. -  O que você é, Lucy Morgan?

Aquela pergunta a deixou desprevenida, fazendo a mesma pender os ombros pra baixo e deixar um suspiro escapar de seus lábios. Estava cansada de fazer aquela pergunta para si mesma e nunca obter uma resposta. Ela não sabia o que ela era, só sabia que carregava uma maldição dentro de si. E não sabia o quanto aquilo a estava mudando, porque tudo o que acontecia ao seu redor... Ninguém podia toca-la...

- Ninguém pode me tocar. – Seu pensamento foi dito em voz alta, enquanto novamente ela se aquecia com as lembranças do anjo lhe abraçando. Ele havia tocado nela e ainda estava ali de pé, inteiro, parecia bem. Lucy o encarou de cima abaixo, completamente chocada com a boa aparência dele, mesmo depois do que tinha acontecido. – Por que você não morreu ou surtou? Isso não afeta anjos? – Seu olhar caiu para suas mãos, ela encarou suas palmas, nunca havia nada de novo ali, mas era como se houvesse. Ela matava pessoas com aquelas mãos.

- Do que você está falando?

Morgan escondeu suas mãos contra o corpo, balançando a cabeça e tentando voltar a realidade daquela conversa. Ele parecia não saber o que ela era, ou o que tinha consigo, seria bom se manter assim, talvez pudesse ir embora mais rápido. Ela precisava ir atrás de outro demônio da encruzilhada e fazer um pacto, já que o anjo havia matado o anterior.

- Quem é você?

- Eu sou Castiel, um anjo do Senhor. – Respondeu prontamente, se colocando em uma posição mais ereta como se fosse um soldado.

- Castiel... – Ela sussurrou mais para si mesma, se recordando das vozes em sua cabeça que repetiam aquele nome com certo desgosto. Se ele era um anjo, a probabilidade daquelas vozes em sua cabeça também serem de anjos, estava aumentando a cada segundo. E junto dela, novas questões. Por que anjos estariam falando em sua mente? – Estão caçando você.

- Quem? – Antes mesmo que ele pudesse dar uma chance a ela de responder, sua expressão mudou para o choque novamente. – Os anjos? Você estava ouvindo a rádio dos anjos quando caiu naquela encruzilhada. – Ele agora afirmava, como se estivesse montando um quebra cabeça em sua mente. – Como você pode ouvir a rádio dos anjos se é humana? Eu... – Ele quebrou a distancia entre ele e a cama, subindo sobre o móvel e agarrando os braços da garota, a puxando para perto dele, de forma que Lucy foi obrigada a se colocar de joelhos, assim como ele também estava. Encontrando aquela imensidão de azul dos olhos dele, que lhe observavam atentamente. Sentiu seus braços serem pressionados pelas mãos do mesmo, uma luz começando a refletir entre os dois, um brilho intenso que saia das palmas das mãos do anjo e aquecia todo o corpo da garota. – Tem uma energia muito poderosa dentro de você, é familiar, mas não consigo decifrar o que seja. Já senti isso antes. Mas... Você ainda é humana. Como isso é possível?

A garota tentou se desvencilhar das mãos dele, aquela energia era boa, gostava da sensação que lhe causava, mas ele estava tentando olhar dentro dela, tentando descobrir seus segredos e ela não podia permitir aquilo. Mas ele era muito mais forte, todos os esforços que a mesma fazia, não surtiam efeito algum, ele não se movia um centímetro. E no instante em que as mãos dele a soltaram, ela caiu pra trás sobre o colchão, tamanha a força que ela usava para se afastar dele.

Castiel permaneceu a encarando com confusão, enquanto Lucy se arrastava para longe dele. Ela foi seguindo para trás, se enroscando em meio ao cobertor, até não encontrar mais o apoio do colchão. Seu corpo cedeu e ela foi parar no chão, sentindo o golpe forte de seu corpo contra o piso frio, o que lhe arrancou um gemido de dor.

A porta foi aberta no segundo seguinte e os mesmos rapazes que estavam na encruzilhada, entraram como se só os dois fossem um batalhão do exército invadindo o campo inimigo. Os dois pararam para encarar o anjo ainda sobre a cama e depois a garota no chão do outro lado.

- Castiel, o que está acontecendo aqui? – O maior questionou enquanto trocava olhares entre os dois.

O anjo se levantou da cama se recompondo rapidamente, ainda com uma expressão de confusão, como se nem ele mesmo soubesse explicar o que estava acontecendo.

O loiro passou pelo maior, seguindo direto até onde a garota estava. Ele se inclinou, estendendo as mãos para ajuda-la a se levantar. Mas Lucy deslizou seu corpo para longe dele, se encolhendo no canto da parede como um animal ferido.

- Não me toque... Por favor. – Pediu num tom choroso, abraçando seus próprios joelhos.

- Eu não vou machucar você, garota. Só quero te ajudar a levantar. – Seu tom era mais rude, áspero, mesmo que os gestos parecessem ser de boas intenções.

- Dean, não encoste nela. – Agora foi Castiel quem havia feito o pedido. Atraindo olhares dos dois rapazes para ele, buscando por uma resposta para aquilo. – Se vocês tocarem nela, podem acabar morrendo.

- Eu continuo sem entender nada. – O loiro se reergueu, olhando mais uma vez para a garota no canto do quarto, antes de encarar o anjo novamente. – Da pra explicar melhor, Castiel?

O anjo balançou a cabeça, suspirando de forma pesada. Encarou o chão por alguns segundos, como se ponderasse falar ou estivesse pensando em uma resposta que ele ainda não tinha.

- A única coisa que eu sei, é que tem um poder muito forte e familiar dentro dela. Mas ainda não consegui descobrir o que é. – Ele olhou para Sam ao seu lado e novamente para Dean. – Ela anda ouvindo a rádio dos anjos e também enxerga a minha real essência. Coisas que nenhum humano normal conseguiria fazer, sem acabar morrendo no processo...

- Ta dizendo que ela não é humana? – O maior se adiantou com certa ansiedade. – Ela também é um anjo?

- Não, Sam. Ela é humana, não sei como isso é possível, mas ela ainda está viva, mesmo com todo esse poder percorrendo o corpo dela.

Todos olharam na direção de Lucy ainda encolhida no chão, os olhos azuis dela os observavam com certa cautela e pavor. Não conseguia esconder seu medo, apesar de saber que eles realmente não podiam encostar nela além do anjo. A primeira criatura que lhe tocou sem acabar morrendo diante dos olhos dela. – Ela sentia vontade de ir embora, de sumir da-li, ir para bem longe e conseguir concretizar seu plano, mas algo em seu intimo a alertava de que ela não iria conseguir sair da-li tão fácil assim.

- O que vocês querem comigo? – Sussurrou com certo receio.

- Te ajudar. – Sam respondeu prontamente, parecia ser o mais racional ali de todos e até chegava a passar um pouco de segurança, mesmo com toda a sua estatura. – Nós sabemos que tem demônios atrás de você, ainda não sabemos porque, mas esse poder que você carrega deve ser a explicação para todo o caos lá fora. Vamos dar um jeito de te proteger, aqui eles não podem entrar.

- Não. – Lucy se exaltou, esticando seu corpo e se levantando quase num salto, sentindo a tontura lhe atingir, o que por um breve momento ela teve de parar e respirar bem fundo, estava fraca, precisava se alimentar, mas a raiva que começava a sentir lhe impedia de raciocinar direito. – Eles não estão atrás de mim, sou eu quem estou atrás deles.

- Por que? – O loiro a encarou com certo julgamento no olhar.

Mesmo com a intimidação no tom de voz dele, ela não se permitiu abalar.

- Eu sei o que eu tenho, todo o poder que carrego. Sou a única coisa que pode abrir a jaula do inferno e libertar Lucifer e Miguel. Eu estava quase selando um pacto de acordo quando vocês chegaram, uma garantia de que eu faria o feitiço e traria Lucifer de volta.

- Você é maluca, garota?

- Não! – Ela gritou em resposta.

- Você não pode trazer o diabo de volta. – Sam prosseguiu, tentando soar calmo, apesar de seu timbre também entregar certo nervosismo. – Ele vai destruir o mundo, acabar com todas as pessoas.

- Ótimo. Porque é isso mesmo que eu quero!

- Por que quer que o diabo destrua o mundo? – Castiel finalmente quebrou o silencio depois de um longo tempo observando.

- Uma pergunta melhor. Por que eu deveria salvar um mundo que fez de tudo pra me destruir? – Ela fraquejou no final da questão, sentindo as lágrimas inundarem seus olhos mais uma vez. Levou as mãos até a cabeça e sentiu elas escorrerem quentes por seu rosto. – Só um arcanjo pode me matar, eu preciso dele para que ele me mate.

Ela desmoronou sobre a cama, caindo sentada, enquanto as lágrimas insistiam em descer por seu rosto como se a queimassem, o soluço preso na garganta soou alto por todo o quarto, como se pelas lágrimas ela tentasse eliminar uma dor enorme que estava carregando dentro de si.

Os três permaneceram parados a observando com certa pena da situação. A garota chorava de forma tão compulsória, que eles nem ao menos sabiam o que fazer. Sam sentiu vontade de lhe dar um abraço, ela parecia precisar daquilo, mas nem se quer podia encostar nela. Imaginava o sofrimento daquela garota, não poder ser tocada por ninguém, carregando algo dentro de si que ainda era desconhecido para eles.

- Eu acho melhor deixarmos ela sozinha por um momento. – Castiel sugeriu, encarando os dois caçadores, depois se voltando pela ultima vez para a garota sobre a cama. – Tente se alimentar um pouco e descansar, você está fraca demais. Você não é uma prisioneira aqui, a porta ficará apenas encostada, pode sair se achar que deve. – Por fim, ele se virou e seguiu para fora do quarto, sendo seguido por Dean e Sam logo ao seu encalço.

&&&

 

Dean e Sam estavam sentados em respectivas cadeiras espalhadas entorno da enorme mesa da sala central do bunker. Castiel estava em pé, próximo a estante de livros, deslizando os dedos pelas fileiras com enormes clássicos dos Homens de Letras, tudo sobre lendas, monstros, fantasmas e até mesmo feitiços. Os caçadores o encaravam sem entender nada, buscando respostas nos gestos do anjo, algo que parecia extremamente impossível. Até ele parar em meio há alguns clássicos, puxando um pequeno livro grosso de capa preta, com o desenho da chave de Salomão grifada no centro, num formato redondo, constituído por anéis. A mesma imagem os faziam se recordar dos anéis dos quatro cavaleiros do apocalipse, que desapareceram logo depois da jaula ter sido aberta há quatro anos atrás.

- Eu acho que sei o que tem de errado com ela. – Começou, enquanto folheava ao livro, abrindo em uma pagina especifica e pousando sobre a mesa, para que os dois observassem a imagem dos anéis dos cavaleiros. – Ela tem a chave de Salomão dentro dela, os anéis estão dentro dela. Todo o poder que eu senti naquela garota, são dos quatro cavaleiros. Não é atoa que ela não pode ser tocada e o porque de ter matado tantas pessoas. Lembram dos corpos?

- Sim. – Sam concordou. – Uma pessoa morreu de tuberculose cinco minutos depois de ter encostado nela, ou então aquela garota que se matou de tanto comer chocolate.

- Também teve aquele assaltante que teve um ataque cardíaco depois de ter tentado assaltar ela. E a lanchonete inteira que surtou de raiva e todos brigaram até a morte. – Dean prosseguiu, começando a contar nos dedos. – Peste, fome, morte e guerra. Todas as profecias estão nela.

- Isso. – Castiel balbuciou enquanto deslizava o dedo sobre o livro, virando para a outra pagina que explicava melhor sobre os anéis. – Mas isso ainda não explica muitas coisas. Como ela conseguiu eles? E por que esse poder todo não a matou?

- Já pesquisamos sobre a vida dela. – Sam começou puxando o computador que estava ao seu lado e abrindo a tela. – Ela cresceu em um orfanato, sem registros de quem são seus pais biológicos. Com 14 anos foi adotada por uma família, Milligan, George e Sophy Milligan. Morreram há 4 anos num incêndio. Lucy sumiu e nunca mais foi vista desde então, as autoridades estão atrás dela, buscando por respostas sobre o acidente. Considerando o que aconteceu, ela deve ter matado os pais e fugido.

Houve um período de curto silencio, aonde os irmãos trocaram olhares misericordiosos, conforme Castiel apenas olhava para o nada, pensativo.

- Ela está com dor.

- O que? – Dean arqueou uma sobrancelha.

- Dor, ela sente muita dor. Eu nunca vi isso em nenhum humano. Ela não é uma pessoa ruim, eu senti isso nela, só está com medo, triste e desesperada.

- Mas como ela conseguiu os anéis? – Foi Sam quem questionou agora.

- Eu não sei. – O anjo balançou a cabeça frustrado.

Sam puxou o livro das mãos de Castiel e começou a foelhar desde o principio, varrendo os olhos pelas palavras para ver se encontrava algo que pudesse ser útil. Mas nada ao qual eles já não soubessem sobre os anéis. Castiel puxou uma das cadeiras e se sentou próximo a Dean, enquanto o loiro puxava o computador de seu irmão para perto dele. O anjo apenas observava os dois, Dean coçando o braço bem sobre a marca recém ganhada, um problema que eles tinham em mãos, além do de uma garota com os quatro anéis do apocalipse dentro dela.

- Nós ainda não paramos para conversar sobre essa marca. – Castiel começou, puxando o braço do loiro para avaliar aquela mancha vermelha que quase brilhava sobre a pele dele.

- Han... Eu acho que temos coisas mais importantes no momento, Castiel. – Ele puxou o braço de volta, voltando os olhos para a tela do computador.

Sam apenas ergueu o olhar do livro para seu irmão, Castiel não era o único que queria falar sobre aquela marca, a enorme maldição que agora o Winchester mais velho tinha o fardo de carregar. Mas ele fugia de qualquer tentativa de menção sobre o nome de Caim. Apesar de ter muita consciência do grande problema aonde tinha se metido.

A única coisa ao qual os três concordavam no momento, é que tinham uma outra grande encrenca para resolver. Uma que estava instalada em um dos quartos do Bunker como se fosse uma visita, isso se ela não destruísse o local todo. O que Dean rezava para que não acontecesse, mal haviam acabado de se mudar e ele já amava aquele local, se sentia em casa e confortável. A garota que dividia o teto com eles, poderia até ser um monstro, ou não, mas eles precisavam dar um jeito de ajuda-la. Não só por ela, mas também para que pudessem evitar outras mortes.

O loiro digitou o nome dela na internet, mas não haviam muita coisa, só o que já sabiam. Ela não tinha ficha policial, aparentemente também não tinha nada sobre sua infância ou adolescência, nenhum histórico que tivesse ocorrido no orfanato, ou relato da família que a adotou. Apesar dele já desconfiar que ela provavelmente tenha matado os pais, antes disto não havia nada de negativo em relação a ela. Mesmo assim, ela parecia carregar um ódio tão grande dentro de si, que ele ainda não sabia dizer se pertencia a ela, ou se era apenas mais uma influencia dos anéis.

- Aqui não diz nada sobre como os anéis podem possuir o corpo de alguém. – Sam quebrou o silencio, folheando mais paginas de forma frustrada.

- Ela pode só ter engolido, ué.  – Dean brincou, recebendo um olhar de advertência de seu irmão e do anjo. – Olha, também estou preocupado, não só com ela, mas o que pode fazer com a gente. Ela nos mata se encostarmos nela. Mas precisamos achar uma forma de ajuda-la, sem que ela precise abrir a jaula do inferno e trazer mais problema pra gente.

- Mas por que o Lucifer? – O caçula encarou o anjo um tanto confuso. – Existem outros arcanjos.

- Aparentemente, Sam. Os únicos vivos são Miguel e Lucifer, ela não tem muitas escolhas. Se abrir a jaula saem os dois. – Castiel explicou como se falasse com uma criança. Levou as mãos ao rosto e esfregou a ponta dos dedos sobre a testa, não conseguia pensar em nada que pudesse ser útil no momento, o que estava lhe deixando irritado. – Eu vou ver como ela está. – Se levantou da cadeira num salto, sem mesmo esperar uma resposta dos Winchester, lhe deu as costas e seguiu para o corredor que dava acesso aos quartos.

Milhares de coisas passavam em sua cabeça naquele momento, aquela garota era uma caixinha de surpresas e ele odiava surpresas como aquela.

Ele alcançou o quarto, que estava com a porta aberta, parou na soleira e observou Lucy terminar de apoiar a bandeja já vazia sobre o criado mudo novamente. Os olhos azuis dela se encontraram com os dele e uma sensação de formigamento percorreu todo seu corpo. Não soube se foi pelo poder que ela carregava, mas aqueles olhos azuis eram intensos demais, apesar de parecerem tão apagados e deprimidos.

Observou ela puxar as mangas de seu casaco e prender na ponta dos dedos. A roupa parecia ser o dobro do tamanho dela, o que a fazia parecer muito menor do que já era. Suspeitava que ela até mesmo vivia na rua, ou se mudava demais para manter um padrão ou estilo. Os cabelos negros estavam totalmente bagunçados, mechas rebeldes moldavam o rosto dela, quase se comparando a juba de um leão.

- Eu preciso ir embora. – Ela começou, ao ver que o anjo não falaria nada.

- Você não pode ir.

- Eu vou acabar machucando alguém, ou coisa muito pior.

- Não vai acontecer nada enquanto estiver aqui. Sam e Dean vão achar um jeito de te ajudar. E acredite, eles são os melhores nesse trabalho. – Castiel chegou até mesmo esboçar um pequeno sorriso confiante, algo que não pareceu reagir como ele queria na garota.

- Vocês não sabem com o que estão lidando.

- Sabemos. Já lidamos com isso antes, conhecemos o poder dos quatro anéis do apocalipse. Só não entendemos. Como eles foram parar dentro de você?

- Eu não sei! – Ralhou exasperadamente, batendo com as mãos fechadas em punho sobre o colchão. No segundo seguinte, ela já estava se levantando da cama e seguindo até o anjo parado na soleira. – Por favor, me dê licença para que eu vá embora. – Pediu educadamente, apesar de seu timbre ainda estar exaltado.  Recebendo como resposta, apenas um aceno negativo do anjo, o que a deixou mais irritada ainda. Lucy fechou as mãos em punho e bateu contra o peito dele, desferindo vários socos com toda a força que tinha, mas não tendo feito nenhum contra o mesmo. Era como se ela estivesse lhe fazendo carinho. – Eu quero sair daqui! – Exigiu em meio aos socos.

Castiel permanecia inexpressivo, apesar de não sentir nada dos golpes dele, já começava a se irritar com a atitude birrenta da garota. O que o fez agarrar os pulsos dela e segura-la com força até demais, seus dedos pressionarem os braços dela de forma que ele recebeu um gemido choroso em resposta. Os olhos dela ficaram marejados de lágrimas enquanto sua face se contorcia de dor.

- Me desculpe. – Ele sussurrou de forma arrependida, a soltando e vendo a mesma andar para longe dele, tremula, ela acariciou os pulsos cobertos pelas mangas longas de sua blusa. Ele se arrependeu amargamente daquilo, tinha a machucado sem ao menos querer. As vezes se esquecia do limite de sua força e de como os humanos eram frágeis, apesar de já ter tido a experiencia como um. – Deixe-me ver isso. – Começou a se aproximar dela, esperando não ter feito nada muito grave contra a mesma.

- Não! – A garota jogou as mãos para trás de suas costas, enquanto seguia andando para trás. – Fique longe de mim.

- Eu não quero machucar você.

- Eu não preciso de ajuda, apenas me deixe sozinha.

- Apenas me deixe ver isto, Lucy! – E novamente ele começava a se irritar com ela. Nem mesmo Dean eram tão teimoso como aquela pequena garota de cabelos rebeldes. Ele se aproximou mais, até que ela caísse sentada na cama, a deixa perfeita que ele arrumou para terminar de quebrar a distancia dos dois e puxar um dos braços dela para cima. Ouviu ela gemer em reprovação e tentar puxar o braço de volta, mas Castiel se adiantou em abaixar a blusa da mesma, sem ao menos conseguir esconder o choque pelo que viu. – Mas... – As palavras pareciam não conseguir sair de sua boca, enquanto o anjo ficava cada vez mais horrorizado com os diversos cortes espalhados pelos braços dela. Cortes e cicatrizes que se ligavam umas as outras, o braço inteiro dela estava totalmente mutilado, o que impedia de ver perfeitamente o tom de sua pele. – O que aconteceu com você?

- Por favor, me solte. – Ela implorou em meio a novas lágrimas de desespero.

Castiel soltou o pulso dela e rapidamente a menor puxou a manga de sua blusa para baixo, cobrindo todos os machucados. Ele queria avalia-la, saber se havia algo mais parecido com aquilo pelo restante de seu corpo. Mas algo dentro de si, dizia que a resposta não lhe agradaria nem um pouco.

Olhou-a de cima abaixo, o pavor estava refletido em seus olhos, assim como medo e o mesmo desespero que chegava a lhe deixar angustiado. Ela estava sofrendo e mesmo assim, ele não conseguia entender o porque dela estar se mutilando totalmente, mesmo sabendo que não poderia morrer enquanto aquele poder habitasse dentro dela. Era como se ela não visse outra opção a não ser se torturar. Causar dor e sofrimento a si mesma, como uma penitencia pelas mortes que tinha causado.

Queria poder cura-la, aliviar todo seu sofrimento, mas pelo que já tinha conseguido sentir da ultima vez em que lhe tocou para adormece-la, era que seus poderes eram quase inúteis com ela. Lucy só tinha desmaiado porque estava vulnerável, porque a radio dos anjos deixou seus poderes vulneráveis e nem ela mesma havia suportado tamanha conexão com o céu.

Fechou os olhos por breves segundos e respirou bem fundo. Agora estava irritado por se sentir inútil, por não poder ajuda-la e também por sentir uma sensação horrível de pena daquela pobre criatura que não tinha culpa do problema que a consumiu. Ao abrir os olhos de novo, Castiel a viu ainda lhe observando com aquelas íris azuis banhada em lágrimas. Era sofrimento demais para uma pessoa só, até mesmo para ele permanecer assistindo. Lhe deu as costas e saiu do quarto, tão rápido o quanto podia. Parando no meio do corredor, para tentar se ajustar, se concentrar em qualquer coisa que não fosse toda aquela dor que parecia pressionar o ar envolta dela.

Pobre alma.

Agora ele começava a acreditar que Deus realmente não se importava.

 

&&&

 

Lucy rolava sobre a cama de um lado pro outro, além de não conseguir encontrar uma posição confortável, sua cabeça parecia estar funcionando a mil. Sempre era assim, ela nunca conseguia dormir, já que as lembranças lhe atormentavam constantemente. Seus anos de inferno no orfanato, depois mais um pesadelo com seus pais adotivos, a morte deles, a morte de pessoas inocentes sem que ela ao menos quisesse. A culpa lhe pesava na consciência, fazia seu peito apertar e ela era obrigada a se sentar na cama para tentar respirar direito, já que o quarto parecia estar começando a lhe sufocar.

Odiava aquelas crises de pânico, a ansiedade não lhe abandonava nenhum segundo. Seu coração batia forte no peito e suas mãos tremiam, ela sabia que não estava tendo uma crise de asma, mas respirar estava sendo difícil, cada vez mais sufocante e desesperador.

Ela colocou os pés para fora da cama, calçou seus tênis e se levantou, seguindo para fora daquele ambiente. O corredor era iluminado por diversas luzes, mas o local inteiro parecia silencioso. Pelo horário, todos já deveriam estar dormindo.  Desde que tinha chegado naquele “esconderijo”, não tinha se atrevido a sair do quarto, ainda não conhecia todo o local. Por isso, andava devagar, para não fazer barulho e acordar ninguém. O corredor tinha várias saídas, mas ela seguiu reto, aonde uma claridade maior estava a frente. Alcançando uma enorme sala, com diversas estantes de livros e uma mesa enorme.

Olhou pra cima e encontrou uma escadaria que dava acesso a uma porta, provavelmente a saída daquele lugar. Lucy olhou envolta, tentando encontrar vestígio de alguém, por sorte, nem mesmo o anjo parecia se encontrar por perto. O que a fez desatar em passos mais rápidos até a escadaria, subiu degrau por degrau rapidamente, com medo de que alguém pudesse aparecer e atrapalhar a sua fuga, que até ali parecia estar sendo fácil demais.

Ela alcançou a enorme porta de metal e puxou a tranca, estava aberta, ela rangeu ao abrir. Lucy tentou buscar a escuridão da noite, mas a única coisa que encontrou, foi um par de olhos verdes e uma expressão de poucos amigos do loiro que mais cedo estava em seu quarto. Ela saltou para trás, tropeçando em seus próprios pés até alcançar a grade de proteção daquela área.

- Aonde você pensa que vai? – Seu tom era intimidador, como sempre. Parecia que ele estava sempre estressado com algo.

- Eu... Eu preciso ir embora daqui.

- Mas não vai, você não vai sair daqui enquanto não acharmos um jeito de tirar essas coisas de você. – O loiro terminou de entrar e fechou a porta atrás de si com um baque.

- Vocês não podem me manter aqui, isso é sequestro. – Ela estava uma pilha de nervos, apesar do tom tremulo, tudo o que queria era sair correndo o mais rápido que suas pernas pudessem aguentar.

- E pra quem você vai nos denunciar? Para os mesmos policiais que estão te caçando pelos assassinatos que cometeu?

A ultima frase dele foi como um soco no estomago de Lucy, ela novamente sentiu o peso de todas as mortes em si. O que aumentou ainda mais o seu desespero, a fazendo sentir seu corpo todo tremer, numa mistura de medo, raiva e dor.

- Cale a boca! – Rosnou se controlando para não chorar diante dele. – Saia da minha frente, eu quero ir embora! – Exigiu, vendo o mesmo balançar a cabeça de forma negativa. – Eu vou machucar você se não sair da minha frente.

A garota que encarava o chão, tentando buscar um pouco de folego para se acalmar, ergueu a cabeça com o barulho de um estalo.  Dean estava segurando um revólver e apontava na direção dela, segurando o gatilho com o indicador e terminando de destravar com o polegar.

- Você não seria tão louca a esse ponto. Eu sei que não posso te matar, mas garanto te causar muita dor se tentar qualquer gracinha. – Ele maneou a cabeça pro lado, indicando para que ela começasse a andar em direção a escadaria.

Todo o ódio dela se dissipou em medo, o que a fez girar sobre os calcanhares e caminhar de volta para a escada para descer os degraus. Se segurando no corrimão, já que suas pernas pareciam que iriam vacilar a cada segundo. Nunca tinha levado um tiro em sua vida e mesmo sabendo que aquilo não a mataria, não estava nem um pouco afim de experimentar a dor. Sua única opção foi ficar quietinha, enquanto era seguida por seu carrasco que vinha logo em seu encalço a fazendo sentir a presença do cano da arma em suas costas.

Ao finalmente alcançar o piso, ela continuou andando reto, seguindo até a enorme mesa no centro da sala. Sam surgiu logo em seguida com os cabelos bagunçados e a cara amassada como de quem estava dormindo e tinha acordado num susto. Não escondendo o choque em seu olhar ao ver o irmão apontando o revolver para a garota.

- Dean? O que está fazendo? – Ele se aproximou aos poucos, com certo receio.

- Ela estava tentando fugir. – Ele balançou  o revolver no ar enquanto explicava.

Lucy deu alguns passo a frente e se virou para o loiro, erguendo as mãos no ar como quem estivesse se rendendo, com uma expressão de suplica e pavor.

- Dean, abaixa essa arma. Você está assustando ela.

- Ela me ameaçou primeiro, Sammy. – O loiro rebateu com indignação.

- Ninguém vai machucar ninguém aqui. – O moreno falava de forma mansa, se aproximando do irmão e encostando no cano da arma para que ele a abaixasse. – Guarde isso, vamos conversar. Não tem necessidade alguma de sermos primitivos. Ela só está com medo, é compreensível. Não sabe aonde está e nem quem somos, você agiria da mesma forma.

O Winchester mais velho levou alguns segundo processando as palavras de seu irmão, antes de abaixar a arma e guarda-la atrás de sua calça. Só então, ele pode observar melhor a pequena garota, estava assustada, tremia dos pés a cabeça e ele se sentia culpado pela forma como a tinha tratado. Não costumava falar com as pessoas dessa forma, não sabia o que tinha dado nele para agir de maneira tão fria e insensível.

A marca coçou em seu braço e ele se segurou para não esfregar a mão sobre a mesma. Agora entendia o que estava lhe influenciando, mas não queria que seu irmão também percebesse isso.

- Me desculpe. – Foi a única coisa que conseguiu dizer, antes de passar por Sam e seguir em direção ao seu quarto.

Assim que o loiro sumiu de vista, Sam se virou para observar a pequena garota. O estado dela não era um dos melhores, o que o deixava preocupado. Ela estava vestida num enorme moletom, calças jeans largas e tênis. Parecia magra demais embaixo daquelas roupas, tinha olheiras de quem não dormia há muito tempo e estava pálida. Ela claramente precisava ir em um hospital, mas ele sabia que não podia arriscar que ela acabasse machucando alguém sem querer, ainda mais que não podia ser tocada, o que só dificultava as coisas.

- Sam... – Ela o chamou com certo receio, mais como se estivesse tentando se recordar se aquele era o nome dele mesmo. – Me deixa ir embora, por favor. – Implorou a ele, assim como tinha feito com Castiel mais cedo, a diferença era que Sam parecia ser um pouco mais racional de todos. – Você sabe que não é uma boa ideia eu ficar, eu não quero machucar vocês.

- Eu sei que não. Mas nós também querermos proteger você de si mesma... Dessas coisas que estão em você. E eu prometo, que assim que acharmos uma forma de te ajudar, deixaremos você partir. Enquanto isso, eu sugiro que se comporte, Dean e Castiel não tem um bom temperamento, é melhor não testar a paciência deles. – E as palavras dele novamente eram gentis demais para que ela quisesse discutir com ele. Se limitou apenas a balançar a cabeça concordando, enquanto se sentava em uma das cadeiras entorno da mesa. – Você está com fome? Eu vou trazer algo para você comer. – O Winchester confirmou antes mesmo que ela respondesse.

- Sam. – Ela o chamou antes que ele terminasse de lhe dar as costas para seguir até a cozinha, atraindo mais uma vez as íris azuis esverdeadas dele. – Posso ler um desses livros?

- Claro. – Ele deu um meio sorriso e finalmente seguiu seu caminho.



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