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História Hope Keeper - Capítulo 3


Escrita por: Reis284

Capítulo 3 - O Abrigo II


Fanfic / Fanfiction Hope Keeper - Capítulo 3 - O Abrigo II

Sons de motor podem ser ouvidos do lado de fora da caverna, logo em seguida, passos na areia, se aproximando. Logo abaixo da cortina de seda, na entrada, uma sombra pode ser vista, e quando a cortina se move, revela ser o homem que anteriormente partiu.
  O homem fica surpreso, parado na entrada segurando a cortina ao lado de seu ombro, observando sua caverna. A primeira coisa que se nota, é um corpo, com o rosto desfigurado e grandes quantias de sangue ao redor da cabeça, e ali próximo, Serina sentada em posição fetal, com suas costas apoiadas na parede. O homem tira seus óculos e a bandana que usava, colocando os acessórios em um pino de ferro, preso à uma placa enferrujada, em seguida ele se aproxima de Serina, e pergunta:
-Está tudo bem?
  Serina apenas levanta seus olhos, o fitando por alguns instantes, depois ela tira os braços da frente de seu rosto, e apenas limpa a sujeira na própria face, com suas mãos que também estão um pouco sujas de sangue, balançando sua cabeça como um sim. O homem permanece a encarando, com uma expressão mais receptiva, logo depois, ele a ajuda a se levantar, perguntando:
-Quanto tempo faz que isso aqui aconteceu?
-Duas horas.
  Respondeu Serina, ainda com um tom abalado. O homem se aproxima do corpo, analisando-o e faz um comentário:
-Um carniçal. Vamos ter que queimar o corpo e partir. Vou sair amanhã, durante o amanhecer. Deixarei para você alguns recursos, comida e água principalmente.
  Serina fica com uma cara de espanto, mas logo em seguida ela volta ao normal e fica pensativa, até que o homem a joga algumas roupas e uma esponja. Ela apanha os itens e o encara:
-Lave-se e vista essas roupas. Tem uma caixa d’água improvisada ao lado da minha cama.
  Disse o homem, enquanto posicionava o corpo da criatura sob seu ombro. Serina prossegue até onde foi indicada, em seguida fechando o lugar com uma pequena cortina verde.

  Momentos depois, Serina começa a terminar de se vestir, enquanto se encara em um espelho preso à parede. Ela olha profundamente os seus próprios olhos verdes, enquanto passa a mão em seu longo cabelo castanho, agora mais limpo, terminando de ajeitar sua nova camisa bege. Enquanto isso, ela começa a se lembrar dos dias que passou caminhando pelo deserto, pensando sobre a fome e sede que tanto passou, mas o que mais a incomoda, é quando tenta se lembrar para onde estava indo, pois consegue recordar-se de ter um objetivo claro em ir para uma cidade, ainda assim, não se lembra o que deveria fazer lá. Serina desiste de pensar a respeito, e sai.
  Quando sai do chuveiro improvisado, ela se direciona para fora, sentindo um forte cheiro de queimado, e vê bem distante da caverna, um buraco em chamas, e o homem, saindo de perto do buraco, indo em direção a Serina. Quando ele se aproxima, Serina pensa em realizar um comentário, mas ela apenas escuta o homem dizendo para ela entrar na caverna.
  Quando os dois entram, o homem indica para ela se sentar, e logo depois, ele vai até a bancada, pegando duas latas de carne, ele se senta próximo de Serina e entrega uma das latas, enquanto pergunta:
-O que aconteceu aqui dentro no tempo em que fiquei fora?
  Serina abre o enlatado e responde:
-Quando você saiu, eu fiquei um tempo sem fazer nada. Achei até uma bolinha e fiquei jogando ela na parede mas perdeu a graça, daí, quando eu decidi sair um pouco da caverna, eu vi o… Aquele coisa… O carniçal, chegando aqui. Acho que você já consegue entender o resto.
-Sim, consegui entender. E agora por causa dele teremos de sair daqui.
-Por que?
-Os carniçais soltam partículas, um rastro, que outros carniçais conseguem detectar, assim, conseguem se juntar para atacar, e já que um carniçal entrou aqui, teremos de sair, a não ser que você queira ficar aqui e ser atacada.
-Nunca! Mas, como você sabe disso tudo?
  O homem fica alguns instantes quieto, como se não fosse responder a pergunta, no entanto ele responde:
-Eu fui um soldado, lutei nos dois anos da guerra.
-Está dizendo a guerra que aconteceu oito anos atrás?
-Sim.
  Serina fica surpresa, ela então abre o enlatado, vendo uma carne estranha para comer, e quando come, ela faz uma careta. O homem percebe e diz:
-Isso é carne de lagarto que matei dois dias atrás. O gosto ruim vem do que eu coloquei dentro. Não coma tudo, senão você não vai ter o que comer para sua jornada.
-Espera… Nós poderíamos conversar sobre-
-Serina, eu vou te dizer uma coisa, aproveite a oportunidade que estou lhe dando, o deserto não é qualquer lugar para andar.
-Não é isso, é que… é que…
-É que o que?
-É complicado explicar…
-Eu já sei, você quer que eu te leve junto comigo. Já vou dizendo que não.
-Não senhor, não me entenda mal, mas é que, eu não lembro onde tenho que ir.
  O Homem estranha um pouco as palavras de Serina e retruca:
-Como assim você não lembra? Perdeu a memória?
-Não. Eu posso ter batido a cabeça, mas faz tanto tempo que ando no deserto, com o objetivo de chegar a uma cidade, que acabei esquecendo para onde eu deveria ir depois. Esqueci meu caminho.
-E o que eu tenho haver com isso?
  Serina permanece quieta por algum tempo, percebendo que o homem está certo, ele não tem nada a haver com sua memória. Ela come mais um pouco e pergunta:
-O senhor vai aonde quando sair daqui?
  O homem apenas à encara novamente, um pouco incomodado, como se já soubesse o que Serina iria dizer depois, mas mesmo assim, ele responde:

-Vou para o norte.
  Serina abaixa um pouco sua cabeça e em seguida, questiona:
-Você pode pelo menos me dar uma carona até a cidade?
  O homem fica pensativo, ele observa pela entrada da caverna, a cidade no horizonte, porém mesmo que fique incomodado com isso, ele se lembra do estado em que Serina estava quando ele a salvou, logo, ele responde para ela:
-Tudo bem. Mas você vai ter que me ajudar a colocar a bagagem na minha moto e na sua mochila, caso contrário, não irei dar carona nenhuma.
  Serina levanta sua cabeça, como se um brilho ofuscasse em seus olhos, ela abre um sorriso, e responde que sim com sua cabeça ao homem.

                                                                                                          ⫴⫴⫴

  Os dois passaram horas empacotando e guardando, enchendo as duas malas laterais da moto com mantimentos, e depois, duas mochilas para cada um, sendo a mochila preparada para Serina, um pouco maior e mais cheia que a do homem. Ambos passaram horas ocupados, se ajudando, e quando terminam, o sol já está se pondo.
  Eles se sentam um pouco, descansando depois de tanto trabalho, até que o homem decide fazer algo para comerem, se direcionando até uma caixa ao lado da bancada, ele apanha um pequeno caldeirão e uma garrafa d’água, depois, o homem monta um suporte em cima da fogueira, onde pendura o caldeirão, e coloca água para ferver. Serina o observa, curiosa com o que ele irá cozinhar. O homem pega um pacote de macarrão, enquanto se senta aguardando a água ferver.
 
  Serina então, pergunta algo ao homem:
-Agora, será que você poderia me dizer seu nome?
  O homem coloca o macarrão cru dentro do caldeirão e responde:

-Robert.
-Muito prazer, senhor Robert- Disse Serina, estendendo sua mão para cumprimentá-lo.
  Ambos permanecem quietos, acompanhando os estalos da fogueira, e o borbulhar da água, até que Robert pergunta para Serina:
-Já decidiu onde irá após chegar na cidade?
  Ela olha para ele, enrolando um pouco para responder:
-Bom, eu ainda tenho dificuldade de me lembrar para onde eu devo ir, mas acho que depois de chegar na cidade, vou ir para o sul. - Logo em seguida, Serina faz outra pergunta: -Sabe me dizer se a cidade é segura? Não quero ter que enfrentar outro carniçal.
-Não sei dizer garota. Sei que você deve se cuidar, não importa aonde você esteja.

  Serina observa a caverna, perguntando em seguida:
-Como você veio parar aqui?
-Depois da guerra ter acabado, e eles terem ido embora, sobrou uma parte do meu batalhão. Decidimos fazer uma espécie de vilarejo, mas os recursos foram se acabando, então eu saí em busca de algum lugar novo para ficarmos, daí encontrei essa caverna e me abriguei aqui.
-Desculpe a pergunta, mas quem seriam eles?
  Robert olha para Serina com uma cara de surpresa:

-Como assim você não sabe quem são eles? Eles foram a causa da guerra.
-Eu não lembro o por que a guerra aconteceu, só me lembro de que teve uma grande guerra, e ela que deixou o mundo assim.
-Espera, de onde você veio?
-Eu não me lembro muito bem, sei que eu vim de umas ruínas muito longe daqui.
-Quanto tempo você estava caminhando?
-Vinte dias, talvez um mês…
  Robert fica surpreso com a informação que acabara de ouvir, pensando em como foi possível, uma garota como ela, ter sobrevivido por tanto tempo no deserto. Ele então pergunta:
-E seus pais? Você se perdeu de-
-Não. Meu pai morreu na guerra, e minha mãe me abrigou com ela nas ruínas em que eu saí. Lembro ter ficado anos com ela naquele lugar, até ela ter me mandado embora.
-Então você quer me dizer, que é uma garota, que foi expulsa de casa e perdeu suas memórias?
-Acho que sim.

  Robert tira o macarrão de dentro do caldeirão, servindo uma tigela para ele e outra para Serina. Ficando em silêncio enquanto come, refletindo a respeito da conversa com Serina.
  A garota no entanto, de uma forma amigável, tenta continuar a conversa, perguntando:
-E qual é sua idade?
  Roberto olha para ela com um tom sério, porém de forma amigável responde:
-Cinquenta e três. E você?
-Dezesseis.



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