História Hopefully Sky - Capítulo 4


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Notas do Autor


Bomi e Namjoo se deram bem, o que não foi o caso de Chorong. Leiam o capítulo!

Capítulo 4 - Caçadoras de sucata


Fanfic / Fanfiction Hopefully Sky - Capítulo 4 - Caçadoras de sucata

Bomi

Com um estalo seco, a corrente que segurava o cadeado se partiu. Enquanto Namjoo guardava novamente o pé de cabra, Bomi empurrou o portão, que soltou um rangido doloroso, cheio de ferrugem. Ela trincou os dentes por causa do barulho. Elas passaram e aguardaram alguns minutos, a fim de se certificarem de que ninguém mais ouviu o irritante rangido. Namjoo tirou uma lanterna da mochila.

– O que mais tem aí dentro? - Perguntou Bomi acendendo sua própria lanterna de bolso.

– Que tal dois subways quentinhos com molho chipotle?

– Muito engraçado.

– Falo sério, não consegue sentir o cheiro?

Bomi respirou fundo e o cheiro que sentiu a fez lembrar que mal comera antes de sair de casa. Olhou incrédula para Namjoo.

– Isso é uma invasão, não um piquenique, Namjoo!

– É sempre bom andar prevenida. Reclame depois.

Elas seguiram em frente. Uma estrada de terra seguia do portão até o interior do depósito. De cada lado, elas podiam ver pedaços de carros e caminhões amassados formando quadrados perfeitos. Namjoo estremeceu.

– Meu Deus! Que tipo de máquina faz isso com um carro?

– Uma de dentes bem fortes.

Elas continuaram caminhando até começarem a ver pequenos montes de sucata, preparados para virarem quadrados perfeitos. Após os montes, a estrada se bifurcava. Elas pararam indecisas.

– Podemos nos separar – sugeriu Bomi.

– E que tal se continuássemos juntas?

– Me dê um bom motivo.

– Se você se perder de mim, vai morrer de fome.

Bomi suspirou resignada.

– Você ganhou. Direita ou esquerda?

– Esquerda.

Elas seguiram a estrada naquela direção. Em pouco tempo chegaram a ver um barracão. Ele tinha a luz acesa em uma das janelas e um cachorro começou a latir. Bomi, que ia na frente, parou de repente.

– Vamos voltar!

– Concordo.

Elas seguiram apressadas até a bifurcação. Ao longe, o cachorro continuava latindo. Bomi tomou o caminho da direita. Namjoo a seguiu, mas manteve os ouvidos alertas e atentos aos latidos. Daquele lado havia muitos carros esperando para virar sucata. Elas começaram a busca. Tinha carros de variados modelos, caminhões e caminhonetes, motocicletas, até que começaram a aparecer os ônibus.

– Você se lembra de como ele era, Bomi?

– Um ônibus de viagem, com faixas azuis e brancas nas laterais. Eu nunca vou esquecer.

Elas começaram a busca. Ali havia pelo menos uma dúzia de carcaças de ônibus, mas nenhum deles era o que procuravam. De repente, os latidos ficaram mais perto. E não eram latidos de um único cão. Elas se entreolharam.

– Apague a lanterna! - disse Bomi, olhando em volta. - Venha!

Namjoo a seguiu até a carcaça de um ônibus escolar cuja porta estava aberta e entraram.

– Espere! - disse Namjoo, abrindo a mochila e jogando os sanduíches, cada um em uma direção diferente. Atrás dela, Bomi gemeu.

– Nosso lanche...

– Não adianta nos escondermos com isso dentro da mochila.

Elas entraram e ficaram agachadas atrás dos últimos bancos. A voz de um homem gritava com os cachorros. Um deles chegou a farejar a porta do ônibus, mas parece ter sido atraído pelo cheiro de um dos sanduíches e correu para longe. O homem saiu atrás, agitado, falando palavrões. Bomi puxou Namjoo. Elas desceram do ônibus e correram em direção à bifurcação. Lá chegando, tomaram o caminho que levava à saída. Os latidos podiam ser ouvidos, mas continuavam distantes. Elas conseguiram alcançar o portão e não tentaram fechar, porque o rangido certamente chamaria a atenção. Atravessaram a rodovia e entraram na caminhonete, onde puderam respirar aliviadas.

– Foi por pouco... - murmurou Namjoo.

Bomi pôs a mão no bolso da jaqueta e passou uma folha de papel dobrada para Namjoo.

– Pronta pra outra? A noite apenas começou.

Namjoo viu a lista e choramingou.

– Tem mais quatro aqui! Se todos tiverem cachorros ferozes como esses, não vamos sobreviver.

– Talvez tenhamos sorte e nosso ônibus esteja no próximo – Bomi falou dando a partida.

 

 

Chorong

A sorveteria geralmente era um lugar de encontro, onde elas gostavam de se reunir e conversar. Mas desde que Abeoji havia voltado, era como se houvesse sempre uma sombra espreitando os passos de cada uma. Naquela noite, Hayoung era a única ali quando Chorong chegou. A mais nova digitava algo em seu laptop e só percebeu a presença da outra quando esta sentou no outro lado da mesa. Hayoung parou de digitar ao ver a expressão preocupada no rosto de Chorong.

– O que foi? - perguntou.

– O voo dos meus pais atrasou.

– Por quanto tempo?

– Vão ter que ficar por lá até o final de semana, não tinha mais vagas.

Hayoung entendeu a preocupação de Chorong.

– Não está pensando em ficar sozinha em casa, não é?

– Não posso ficar mais uma semana na casa de Bomi. Os pais dela podem...

– Desconfiar de vocês?

Chorong estudou o rosto dela. Hayoung não sabia se aquele era um olhar de ameaça ou se Chorong a estava apenas sondando.

– Pode ficar no hotel se quiser – ela falou rapidamente.

Chorong sorriu.

– É uma opção, mas antes do seu comentário sobre nós, a minha preocupação era outra.

– Ah, e qual seria? - Perguntou Hayoung ajeitando os óculos.

Com um gesto discreto da cabeça, ela indicou o outro lado da calçada. Hayoung observou e viu um sujeito alto e barbudo, meio selvagem, de sobrancelhas grossas e roupas pesadas.

– Quem é ele?

– Aquele é Jang Nopeum, o filho mais velho da outra vítima do acidente que matou Adeul.

– Aquela família que mora nas montanhas e raramente vem à cidade?

– Essa mesma. Eu o vi quando vinha para cá, estava conversando com o delegado Abeoji. Depois que passei, notei que ele estava me seguindo.

Hayoung o avaliou com um olhar atento.

– Ele não parece querer atravessar. Está bastante confortável do outro lado, olhando para você. Unnie, essa é mais uma razão para não ficar sozinha.

– Eu sei disso. Se depender de Bomi, eu fico na casa dela, mas não quero abusar da sorte.

Hayoung sorriu compreensiva.

– Vou deixar um quarto no hotel preparado para você, mas não se sinta pressionada.

Chorong tentou relaxar enquanto saboreava seu milk shake, mas ficou impossível quando olhou para o outro lado da calçada e viu os irmãos de Nopeum se juntarem a ele. Jang Juggan era magro e alto, tinha problemas mentais e era calvo, totalmente sem pelos. O mais novo, Jang Najeum, parecia um gigante obeso, com cabelos lisos e espinhas no rosto. Um trio de assustar.

– É melhor você ir embora, unnie – disse Hayoung. – Aproveite que o movimento da rua ainda é grande. Só não acompanho você porque está na minha hora de voltar ao hotel.

– Pode deixar, eu vou sair pelos fundos da sorveteria.

 

Chorong caminhou até o banheiro, sabendo que lá havia uma janela que dava para os fundos da sorveteria. Ela saltou e caiu do outro lado sem chamar a atenção de ninguém. Ela podia alcançar a casa de Bomi atravessando a praça. Ainda era cedo e muitas pessoas se encontravam ali, interagindo e se divertindo. Ela olhou para trás e não viu nenhum membro da família Jang. Aquilo a fez diminuir o passo o chegar na pequena ponte em arco que levava para fora da praça. No meio da ponte ela parou ao ver uma forma volumosa esperando do outro lado. Era uma mulher enorme, parecida com uma lutadora de sumô. Usava uma camisa xadrez e um macacão jeans folgado, o que a fazia parecer maior do que era. Chorong deu meia-volta e parou ao ver a mesma figura do outro lado, trajando a mesma roupa, cuja diferença estava apenas na cor da camisa. Eram as gêmeas Jang. Ela estava tão preocupada com os irmãos que havia esquecido das monstruosas irmãs. Sandungi e Cheoleom. Ela apoiou-se na ponte e olhou para baixo. O medo da água escura e fria não a deixaria pular. De repente, Sandungi a agarrou por trás, num aperto mortal. Chorong deu um grito abafado e sacudiu as pernas. Seu pé atingiu o nariz de Cheoleom, que soltou um grito de raiva e revidou com um murro que lançou a cabeça de Chorong para trás, batendo na testa de Sandungi e atordoando-a o suficiente para que afrouxasse o aperto e a soltasse. Ela caiu sobre a ponte ainda vendo estrelas por causa do murro, sentindo o gosto de sangue na boca. Tentou levantar, mas foi agarrada novamente, agora pelos cabelos. Sandungi a arrastava para fora da ponte enquanto ela esperneava. Cheoleom seguia a irmã estalando os dedos. Quando saíram da ponte, Sandungi jogou Chorong nos braços de Cheoleom, que lhe acertou uma joelhada no estômago. A garota caiu para frente e ficou de quatro, sem fôlego. Em seguida, um chute no lado a jogou rolando na grama. Daquele lado da ponte estava escuro e não tinha ninguém além delas. Chorong estava sem forças para levantar. Ela abriu os olhos e viu a sombra das gêmeas se aproximando. Mas outra sombra se colocou entre elas. As gêmeas pararam. Era Lee Seulegi, um velho catador de lixo reciclado e seu cachorro, que viviam em uma casinha simples no final da rua. Um senhor que sempre as cumprimentava quando passava pela sorveteria. Mas agora ele enfrentava as irmãs Jang com uma pose de Kung Fu. Chorong achou que estava tendo visões.

– Sumam daqui ou vão saber a arte de levar uma verdadeira surra, suas molecas! Gae, mostre para elas!

O cachorro rosnou furioso, eriçando os pelos. As irmãs então resolveram se afastar, mas não sem antes sinalizarem para Chorong que aquilo não acabava ali. Ela tentava se levantar, mas o corpo estava todo dolorido. O senhor Lee a ajudou.

– Precisa aprender a se defender, menina Park.

– É, senhor Lee, eu acho que preciso mesmo... - ela gemeu ao tentar se esticar.

– Espere! - O senhor Lee falou enquanto apalpava suas costelas. Ele fez pressão em um ponto. Chorong gritou, mas logo a dor passou e ela conseguiu ficar ereta. Seu cabelo estava despenteado e sua boca sangrava. Ele pegou um lenço e o molhou na água, dando-o para ela, que agradeceu e se limpou.

– O senhor... luta?

– Sim! Kung Fu! Há muito tempo que pratico. Me traz paz de espírito. Se quiser, eu posso ensinar.

Chorong riu com a ideia.

– É, quem sabe eu aceite esse convite.

 

Quando ela saiu do parque, acabou indo para o hotel. Não teria coragem de chegar na casa de Bomi naquele estado. Hayoung a fitou horrorizada quando ela entrou no saguão. Felizmente nunca havia muito movimento ali.

– Chorong! O que aconteceu? Foram os irmãos Jang?

– Não os irmãos, mas as irmãs. Aquele quarto ainda está aguardando por mim?

– Claro! Vou te dar a chave. Assim que terminar o meu turno aqui na recepção, vou falar com você.

Chorong agradeceu e subiu a escada para o segundo andar.

 

Namjoo

Bomi parecia frustrada na direção. Namjoo riscou o segundo ferro velho da lista. O local era tão pequeno que bastou subirem no muro para ver tudo o que tinha lá dentro. A maioria da sucata era composta de motos e bicicletas. De diferente havia apenas a carcaça de dois carros. Elas seguiram por uma estrada que dava voltas subindo um monte. Bomi bocejou.

– Quer que eu dirija um pouco? - perguntou Namjoo.

– Não, tudo bem, talvez na volta. Acho que estamos chegando.

Ao fazer uma curva fechada, surgiu uma grade de ferro e uma área para estacionar. O local não parecia ser vigiado. Elas estacionaram e desceram, observando os arredores com cautela. Se aproximaram do portão e olharam para o outro lado. Tudo o que viram foi um imenso buraco negro.

– Mas que lugar é esse? - Namjoo perguntou.

– A antiga pedreira – Bomi falou lembrando de uma vez ter passado por ali com o pai. - Foi desativada há tempos.

– Está na lista que temos...

– Depois que ela foi desativada, começaram a usá-la para desovar os restos de carros roubados. Virou um tipo de ferro velho clandestino.

– Um ótimo lugar para esconder algo que não querem que seja achado. Tem como descer?

Bomi pegou a lanterna.

– Vamos descobrir.

Elas foram caminhando pela borda da grade até que encontraram uma passagem aberta de forma nada discreta. Passaram por ela e começaram a descer uma trilha de terra batida. O vento soprava forte lá embaixo. Elas perceberam que os restos de carros que estavam ali permaneciam intocados. Nenhum deles havia passado por nenhum tipo de processo. Eram veículos inteiros. Carros, caminhões e... muitos ônibus. Elas tiveram que se espalhar para procurar. Namjoo acabou esbarrando no modelo que procuravam. Com um assobio, ela chamou Bomi, que em questão de segundos estava ao seu lado. Elas passaram a lanterna pela lateral do ônibus e viram as cores e o desenho da logomarca da empresa.

– É ele! - disse Namjoo. - Eu o reconheceria mesmo que fosse um quadrado de sucata.

– Vamos entrar – disse Bomi.

O ônibus, apesar de sujo e enferrujado, mantinha-se em bom estado para uma sucata. Era como se estivesse ali apenas sendo guardado. Elas passaram pela porta e começaram a vasculhar por dentro. Namjoo foi inspecionar as cadeiras e o corredor. Bomi ficou examinando a área do motorista.

– Nam, vem aqui! Acho que encontrei algo.

Quando Namjoo se aproximou, viu que ela tinha uma coisa na mão. Parecia um vidro de comprimidos.

– O que... - Namjoo estava confusa.

– São antidepressivos. Estavam caídos entre o banco e o batente da porta. Tem um nome no rótulo e um data. A data do acidente.

– Se esse nome for do motorista, isso será suficiente para que o caso mude a nosso favor!

Bomi guardou o vidro no bolso da jaqueta.

– Vamos pra casa agora. Já abusamos demais da sorte.

 


Notas Finais


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