História Hopeless Fountain Kingdom - Capítulo 6


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Tags Bangtan Boys (BTS), Jeon Jungkook, Jhope, Jikook, Namjin, Park Jimin, Taehyung, Vhope
Visualizações 9
Palavras 9.365
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Hentai, Lemon, LGBT, Musical (Songfic), Romance e Novela, Shonen-Ai, Shoujo (Romântico), Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Oi pessoinhas ><
Já peço desculpas pelo cap enoooorme. Essa mania de escrever, parar uns dias e depois voltar me faz perder a noção do tanto que já escrevi. Espero que não fique mt maçante de ler :c
Eu particularmente gosto desse :3

Boa leitura, perdoem os errinhos e até as NF!

Capítulo 6 - Now or Never


Fanfic / Fanfiction Hopeless Fountain Kingdom - Capítulo 6 - Now or Never

Hoseok

Era uma mania hedionda aquela que eu havia desenvolvido e mesmo tendo a mais clara consciência disso, eu não conseguia deixá-la em momentos como aquele. No caminhar de meu cotidiano, eu poderia facilmente ser o galanteador confiante com um sorriso ladino sempre guardado no canto dos lábios. Mas eu ainda era tão homem e humano quanto todos os outros, eu ainda sentia os dias ruins entorpecerem meu otimismo e acumularem demasiadamente pensamentos negativos em mim.

Antes eu os dispersava com álcool, música alta e alguns parceiros esporádicos para ocuparem mais de minha mente do que meus próprios questionamentos internos. Mas a eficiência desse escape tende a se reduzir conforme é utilizado e eu extrapolei sua data de validade. Não sei quando comecei a preferir a vista de minha cobertura ao pub do bairro ao lado, a solidão ao aglomerado de corpos suados que dançavam contra o meu, um copo solitário de gin tônica do que a garrafa mais onerosa da casa. Independente dos motivos para as minhas mudanças tão drásticas, o filtro branco e a fumaça condensada que eu expelia de meus pulmões eram a maior novidade dentre elas. Minha nova mania hedionda.

Quando o efeito de distintos alívios físicos deixara de me suprir, eu – fadado a ser o clichê que era – apelei à nicotina. O tênis branco cruzava meu tornozelo esquerdo por cima do moletom preto e meus braços descobertos pela camisa cinza apoiavam-se nos limites de minha cobertura. Eu ri amargo e sozinho admitindo para mim mesmo que eu era totalmente ciente de quando havia deixado minha boemia de lado para me entregar a essas solitárias noites reflexivas.

Foi quando Taehyung aconteceu.

No momento em que eu o tive e que o permiti me ter, me tornei invalidado para qualquer outro. Talvez fosse a simples consciência de que tínhamos assuntos inacabados e como um obcecado por finalizações, eu precisasse de uma digna para nossa história. Me irritava que com apenas uma noite, Taehyung exercesse tanto poder sobre mim. Poder o suficiente para mudar minha essência, o suficiente para tornar mais difícil a fachada de homem resolvido que eu tão facilmente impunha a mim mesmo. É que naquela noite singular, eu senti – pela primeira vez – que não precisava ser o que todos esperavam de mim.

Taehyung era sincero demais e ele só se deixaria envolver se eu fosse sincero na mesma medida. E eu fui. Me despi de cada máscara e barreira que me mantinha distante de toda as relações passageiras de meu histórico, fui eu – no mais humano da palavra. E aquilo foi o suficiente para satisfazê-lo. Durante toda a madrugada, todas as conversas que iniciávamos em pausas do contato íntimo eram ornadas de veracidade. Não tinha como ser diferente quando se tinha aquelas esferas da sinceridade examinando sua alma. Taehyung parecia me ler por inteiro, então não adiantaria mentir ou me esconder. Seus olhos faziam uma varredura por toda a minha alma e era como se minha essência transbordasse ante seu olhar atento. Ele se interessava em quem eu era, foi ao Jung Hoseok que quase ninguém conhecia que ele se entregou e foi uma parte desse Jung Hoseok que ele levou consigo no dia seguinte.

Pois ser sincero o suficiente ao ponto de se mostrar – em seus erros e falhas e acertos – a alguém é ceder uma parte sua a essa pessoa. Confiar seu íntimo a ela. Dessa forma, não era apenas uma saudade ilógica que insistia em me ater em Taehyung, não era o desejo carnal levado pela luxúria ou uma obsessão em uma transa de uma noite. Taehyung tinha me despido facilmente e eu me sentia magoado com seu distanciamento, pois – mesmo sabendo que era muito mais complexo do que isso – meu interior insistia em me martirizar e me fazer pensar que o que ele viu em mim não foi o suficiente. Que o Jung Hoseok sem a máscara da confiança não o havia conquistado e ele fugiu o menos tardar possível.

Eu suspirei ao passar os dedos entre meus fios – uma consciência parcial de que logo deveria cortá-los – pouco da nicotina ou do álcool fazendo, de fato, algum efeito em espantar meus demônios internos. Meus problemas comigo mesmo não eram culpa de Taehyung, mas interferiam quando eu tendia a pensar demais em nossa situação. Eu não possuía um objetivo fixo em mente quando deixei meu prédio e caminhei pelas ruas obscurecidas pelo anoitecer, mesmo que no fundo eu soubesse que algo sempre me levaria até ele. Foi uma casualidade que me fez observá-lo entrar em um prédio simples próximo a faculdade em um dia comum no meio da semana. Ele tinha o mesmo sorriso retangular que me ofereceu em nossa noite juntos. Os mesmos fios cobrindo sua sobrancelha e quase tocando a armação dos óculos redondos, um suéter amarelo sem mangas por cima da camisa branca e risadas graves dirigidas ao seu companheiro de apartamento.

Desde esse dia, me pego observando as janelas fechadas do prédio, conjecturando em qual delas Kim Taehyung possa estar, qual é o andar em que habita. Imagino ele preparando e se servindo uma boa xícara de chá ou café, sentando com um suspiro no sofá da sala e se entregando às leituras clássicas de seus livros em capa dura. E mais uma vez me vejo observando e imaginando todas essas cenas ao me deparar com seu prédio, afundando minhas mãos nos bolsos do moletom e demorando meu olhar em cada um dos quadrados parcialmente iluminados por trás das cortinas. Em dado momento, me via pensando se ele também pensava em mim. Eram os momentos que me sentia mais diminuto em mim mesmo, ansiando por alguém que não me dera mais sinais de me desejar ou se importar. Palavras e olhares vagos eram tudo o que sustentava a ideia de que Kim Taehyung poderia – um dia – voltar para mim. Mas havia dias em que isso não era o suficiente.

Arqueei minhas sobrancelhas quando uma nova luz se fez percebida, o barulho seco do arrastar da janela foi captado por mim com facilidade e minha respiração se perdeu em seu compasso ao mesmo tempo em que o mesmo acontecia com as batidas de meu coração. Assim como imaginava, Taehyung segurava uma caneca onde seus dedos batiam de leve, um de cada vez, vez ou outra. Parecia usar um pijama de listras azuis, pelo o que a pouca luminosidade me permitia ver, tinha o olhar perdido no horizonte de Busan, pensativo e contemplativo. Cogitei novamente na possibilidade de ser eu a ocupar seus pensamentos, mas não me prendi muito nesses questionares, pois – causando um arrepio em toda a minha linha corporal e eliminando qualquer linha lógica de raciocínio de mim – Kim Taehyung desceu seus olhos até a rua em frente a sua casa, a rua cuja calçada era onde eu me encontrava. Eu pude ver como seus olhos se prenderam em mim em assombro e, assim como eu, ele momentaneamente não soube o que fazer. Éramos atraídos um pelo outro, não podíamos negar esse sentimento sem explicação que nos preenchia, e talvez pensando da mesma maneira, Taehyung sumiu para dentro do que eu acreditava ser seu próprio quarto em um giro rápido do próprio corpo. A luz continuou iluminando aquele quadrado do segundo andar solitariamente e meus olhos só se desprenderam de lá quando escutei o portão vermelho ser aberto.

Taehyung carregava as mesmas características que me fizeram cair por ele na primeira vez: os traços firmes do rosto de olhos suaves que equilibravam a energia que emanava dele, os lábios finos que sempre me remeteriam ao sabor doce e ao formigar que causavam nos meus, os fios úmidos que eu sabia serem tão macios ao toque e a pele bronzeada que quase me pedia por carinhos. Ele andava com os braços cruzados e sua expressão não me permitia desvendar o que pensava, seus espelhos da sinceridade eram encobertos pelos óculos e era difícil interpretar seu olhar: havia certa dor no incômodo que me passavam, era o que eu poderia dizer. Naquele momento, quando ele parou os movimentos a um passo de me alcançar, eu percebi – mais uma vez – o quão física era a falta que ele me fazia. Pois me vi irritado por ele não ter completado o espaço que nos separava, por ainda não tê-lo em meus braços, por ainda não comprovar se o cheiro dele era o mesmo de minhas lembranças. Me vi irritado por não poder ter Taehyung.

- O que faz aqui? – não foi rude o questionar, Taehyung parecia tão cansado quanto eu. Cansado de renegar seus pensamentos e sentimentos, cansado de confrontar o próprio coração todos os dias e – pelo fato de, apesar de tudo, ele ter descido – cansado de manter distância.

Por um momento, os braços cruzados não me pareceram um sinal defensivo ou irritadiço, mas uma forma de ele se segurar para não me tocar como eu queria fazer com ele. O incômodo nos olhos era saudade e os lábios franzidos, anseio por mim. Poderiam ser delírios de um homem apaixonado, mas vi em Taehyung eu mesmo e isso revirou todas as minhas crenças dentro de mim, todas as forças que me mantinham de pé naquela farsa que era fingir que ele não me afetava tanto todos os dias. Ele separou os braços quando dei um passo curto em sua direção, as sobrancelhas arqueadas pelo aproximar que não previra e um ligeiro inclinar para trás – reflexo do hábito de se manter distante.

- Hoseok, não podemos-

Eu não permiti que ele terminasse a frase, pousando minha testa em seu peito e fechando os olhos enquanto suspirava intensamente. Cortei suas palavras com minha sinceridade mais uma vez, mostrei – novamente – o que Jung Hoseok realmente estava sentindo por Kim Taehyung. E eu sentia saudade. Daquela distância, podia escutar o acelerar de seus batimentos e foi tudo o que me deu forças para subir meu rosto até a curvatura de seu pescoço, deitando-me ali e apertando sua cintura em um abraço unilateral.

- Seu cheiro – sussurrei, ainda de olhos fechados, ainda sentindo o coração e a respiração dele contra mim – Ainda é o mesmo.

Escutei e senti quando ele engoliu em seco, podia sentir na tensão de seus músculos o quanto ele estava perdido nas próximas ações que tomaria. Suspirei, apertando-o ainda mais.

Eu não quero brigar agora, Taehyung – disse, gostando de como o calor dele aquecia meu corpo. Era hilário como eu achava que álcool e nicotina pudessem suprir algo que só Taehyung poderia me dar, essa calmaria que apenas a presença dele estabelecia – Eu sei que você está certo sobre nós, eu apenas... Sinto saudades.

Foi um silêncio denso o que se instalou, mas ao qual eu não dei a devida importância quando o tinha tão perto. Pude notar que as listras eram realmente azuis marinhas e vestiam perfeitamente seu peito largo. Sorri pequeno quando observei suas pantufas amarelas, para logo depois engolir em seco, arqueando minhas sobrancelhas quando ele retribuiu meu abraço. Foi um ato hesitante, mas o suspiro que atingiu meus fios quando ele – enfim – contornou meu tronco também, me deixando mais perto, me mostrou tudo o que eu precisava saber. E se havia qualquer pedaço daquele frágil Jung Hoseok que duvidasse da veracidade daquela cena, a comprovação veio no timbre grave próximo ao meu pescoço quando ele se inclinou em minha direção.

- Também sinto a sua falta.

Quando eu tinha seis anos, meus pais se atrasaram para me buscar na escola. O alívio de quando vi meu pai saltar do carro e vir em minha direção me fez chorar e o apertar contra mim até que chegássemos em casa, temendo que ele se esvaísse como fumaça se eu o soltasse. Era algo como essa sensação a que me tomava naquele momento, nos braços de Taehyung. Me senti protegido, seguro novamente após tanto tempo desabrigado. Ouvir seus sentimentos, sua sinceridade, perceber que eu estava tanto nele quanto ele estava em mim, era o que eu precisava para renovar minhas forças.

Eu poderia sobreviver ao tempo que ainda me mantinha longe dele sabendo que ele também me esperava, também enfrentava as dores que me acometiam. E eu podia ser fraco, vulnerável, mostrar o verdadeiro Hoseok a ele. Pois era a ele a quem Taehyung respondia com mais facilidade, mais honestamente. Taehyung não conseguia mentir ou se esconder quando eu não mentia ou me escondia. E eu pude me afundar em seu abraço, em seu cheiro, me deixar acolher por seus toques naquele momento, apertando-o com a mesma força de volta agora que eu sabia que ele também precisava da renovação de suas energias.

Energias para que pudesse esperar por mim.

▪▪▪▪

Jungkook

Eu sentia como se um enxame de abelhas tomasse todo o meu corpo por dentro. Eu sentia as asas zumbindo em meus ouvidos e o agitar de meu sangue pela movimentação apressada. Eu estava desesperado por me sentir tão impotente. E não era a primeira vez.

Me lembrava com perfeição de quando minha mãe adentrou a porta da sala com o sorriso mais luminoso que esse mundo jamais verá novamente, seus olhos brilhavam mais do que as luzes do natal e as duas mãos pousavam em seu ventre em uma demonstração singela de carinho. Eu vi no sorriso de dentes grandes como os meus que ela atingira um novo patamar de felicidade ao descobrir que carregava meu irmão. E ela me levou junto para dentro daquele torpor de euforia. Eu fui o primeiro a descobrir que ganharia um irmão, fui sua companhia enquanto ela escolhia o enxoval e segurei sua mão quando ela contou a novidade para o restante da família. Eu já o amava tanto quanto ela antes mesmo de ver seu rosto no ultrassom 3D e era minha responsabilidade também escolher seu nome.

Mas eu nunca cheguei a compartilhar minhas idéias sobre o nome de meu dongsaeng.

Um erro genético impedia meu irmão de se desenvolver e a idade de minha mãe não tornava sua gestação mais fácil de forma alguma. Eu já tinha meus quinze anos completos quando tudo aconteceu e por isso entendia a gravidade do que nos cercava. Eu vi o brilho que aquecia os olhos de minha mãe se perder cotidianamente sempre que voltávamos de alguma consulta e o prognóstico não progredia. Ficaria inviável para ela, em algum momento, seguir a diante com a gestação e o impacto da informação me atingiu como uma bigorna caindo em alta velocidade. Mas eu não tive tempo de me afligir, não tive tempo de chorar pelo irmão que eu não seguraria mais em meus braços, pois foi minha mãe quem desenvolveu o pior quadro que eu poderia imaginar: a depressão.

Meu dongsaeng ainda estava em seu interior quando ela começou a demonstrar que se entregaria à desistência. Parecia mais cômodo deixá-la debaixo das cobertas, não incomodar seu sono apenas pelo almoço estar pronto, não insistir quando ela negava sair com as amigas de infância. Meu pai só vinha para casa nos finais de semana, seu trabalho exigindo viagens longas demais para que ele fosse presente em um momento tão delicado. Eu cheguei a ter esperanças que ela se reergueria, que minha companhia e meus cuidados a ajudariam melhorar. Mas quando a vida começou a voltar ao seu rosto, meu irmão resolveu partir. O dia em que o aborto espontâneo ocorreu não passa de um borrão em minhas lembranças, um borrão de lágrimas, correria e a pele pálida de minha mãe. Não sei como chegamos ao hospital, o nome do doutor que a socorreu ou como acordei na cadeira ao lado de sua maca. Acredito que fiz tudo por instinto, guiado pela intensa vontade de salvá-la, ajudá-la mais uma vez. Mas assim que abri meus olhos, pude sentir no olhar perdido dela o vazio que meu irmão havia deixado.

Eu me escondi nos primeiros dias, doía sentir que havia perdido duas pessoas ao mesmo tempo, pois minha mãe não era mais a mesma de antes e meu irmão nunca chegou a chorar nesse mundo. Mas eu me reergui sabendo que ela não o faria sozinha. Diligentemente me responsabilizei por suas refeições, conseguindo alimentá-la uma colherada de cada vez, pequenas vitórias com o passar dos dias. Às vezes ela conseguia conversar e esses eram o mais próximos dos meus bons dias; outras o único som que eu escutava era o de seus gritos na madrugada quando ela acordava de um pesadelo. E eu sempre a socorria, embrulhando-a em meu abraço até que ela voltasse a dormir. Mas então eu perdia meu sono, sentindo a culpa e o peso da impotência, o sentimento de nada poder fazer.

Foram dias obscuros nos quais eu evitava pensar e eu agradecia aos céus por ela já estar frequentando a terapia quando meu pai anunciou o divórcio. Ele não via as lutas diárias dela tentando se recuperar, tudo o que ele conseguia enxergar era a mudança, o quanto ela se distinguia da mulher por quem ele se apaixonou. Eu não o odeio, eu vi o quanto ele sofreu quando saiu de casa, o quanto queria ter sido forte para ser o pilar que ela precisava. Mas ele não foi e, então – mais uma vez – ela só tinha a mim. Era por isso que não conseguia comparar nossa relação com qualquer outra. Mesmo ainda precisando de sua dose matinal de fluoxetina, minha mãe parecia se esforçar em reaprender a sorrir e tomava de volta – dia a dia – a responsabilidade do cuidado. Ela sabia o quanto exigia de mim e, assim que teve forças para me ajudar, me acompanhou em minha primeira consulta ao psicólogo, onde pude enfim chorar e sentir o luto por meu irmão, descarregar o peso que era ter que cuidar de mim e dela ao mesmo tempo. Éramos dois sobreviventes de um naufrágio, cheio de traumas e marcas, mas sobreviventes. E sobrevivíamos juntos.

Toda a fase sombria havia durado dois anos e eu a deixei para trás assim que ela chegou ao seu fim, assim que nos estabilizamos mais uma vez. Mas agora, andando em círculos em meu próprio quarto com o celular na mão, eu me sentia – mais uma vez – impotente. Eu vi nos olhos de Jimin um desespero que me era muito conhecido, um medo infundado característico de uma crise de pânico. E foi inevitável não relacioná-lo à minha mãe em suas noites de pesadelo. Eu não queria reviver uma era sombria, mas exatamente por já ter passado por ela eu não podia deixar Jimin sozinho. Ele não demonstrara, em nosso escasso tempo juntos, qualquer sinal que eu relacionaria com a depressão que acometeu minha mãe. Mas eu podia entrever uma preocupação entranhada em uma tristeza fria em seus silêncios esporádicos.

Park Jimin carregava o peso dos mundos nos ombros e eu soube que ele não fugira de mim no parque, mas por mim. Ele não queria me deixar ver seu lado sombrio, não queria que eu me preocupasse com o peso que carregava. E era exatamente esse o motivo de meu transtorno.

- Se você completar mais uma volta vai abrir um buraco no chão – e ali estava, a voz que poderia ser comparada à uma sinfonia angelical e tinha o dom único de acalmar todos os meus nervos. Me virei para o batente da porta suspirando quando a vi sorrir e mergulhei em seu abraço como fazia desde que me entendia por gente – O que tanto te incomoda, anjinho?

O jeito que ela acariciava os fios de minha nuca e meu braço quase me fazia esquecer que eu já a passara em bons centímetros de altura, tendo que me inclinar completamente para alcançar seus braços. Mas eu sorri com esse pensamento, que independente de qualquer espaço de tempo ou circunstância, o que tínhamos era imutável.

- Acho que alguém precisa de ajuda, mas não tenho certeza se posso ajudar – soltei e ela apertou meu braço para que no separássemos, olhando em meus olhos – Também não sei se ele quer minha ajuda.

Vi quando ela se controlou para não sorrir quando escutou o “ele”. Depois de tudo o que passamos, não seria minha sexualidade a separar minha mãe de mim. E desde que revelei que me identificava muito com a letra B na sigla representativa, ela desempenhou o bom papel que uma mãe dos contos clichês faria: me encher o saco para que eu leve logo um genro ou nora para ela conhecer.

- É alguém importante? – ela perguntou em um tom suave e baixo enquanto passava os dedos pelos fios cumpridos caídos em meu rosto. E lá estava outro dom exclusivo dela, o de me fazer corar como o garotinho em quem ela dava um beijo de esquimó antes de deixar na creche.

- N-não é o que você pensa... – disse, mas ela se limitou a erguer uma das sobrancelhas cinicamente para mim, me fazendo bufar frustrado e desviar o olhar, completando com um muxoxo – Ainda.

Ela riu e aquele som sempre me aqueceria o coração e me faria rir junto – mesmo que o alvo da diversão fosse eu. Depois de tanto tempo sem isso, esse sorriso caloroso com som de esperança, cada vez que ela o produzia enviava uma onda de alívio que se alastrava em minhas veias. Eu estaria feliz se ela também estivesse.

- Bom, nem sempre nós usamos palavras para demonstrar que precisamos de ajuda – ela disse, os olhos sábios presos nos meus enquanto eu me atinha em cada uma de suas palavras. Os cabelos presos de forma desleixada caindo sobre o ombro parcialmente coberto pela camisa laranja e o macacão jeans a deixavam ainda mais jovem – Alguns conseguem demonstrar nos gestos, outros fazem o completo oposto, erguendo uma barreira entorno de si mesmo. Se você realmente quer ajudar, cabe a você ser insistente na medida certa para não ultrapassar o limite dele. Consegue me entender?

E eu sorri novamente enquanto assentia e estalava um beijo em sua bochecha, seguindo o corredor em direção à sala com um objetivo fixo em mente. Mas claramente ela não poderia respeitar o lindo momento que criamos, minha mãe não era assim. Então, assim que puxei a maçaneta e a porta abriu em minha direção, sua voz soou de dentro do quarto diretamente em minha reta.

- E faça o favor de trazê-lo aqui depois que se resolverem.

É interessante como trabalhamos sob pressão. Horas antes me parecia impossível contatar Park Jimin, pois ele simplesmente rejeitava minhas ligações e não retornava minhas mensagens. Mas movido pela dose de energia injetada por minha mãe, as soluções pareciam se pintar a minha frente. Eu sabia que ele era companheiro de apartamento do professor Kim e eu era o melhor amigo da maior fonte de informações sobre ele. Por um momento, agradeci – culposamente – o jeito de meu pai tentar suprir sua ausência causada pelo trabalho com bens materiais, pois a moto que roncava abaixo de mim e rasgava Busan com velocidade até a casa de meu melhor amigo era de grande serventia para uma pessoa ansiosa como eu.

Não teria paciência em esperar Hoseok responder minhas mensagens e logo estava cumprimentando o porteiro em roupas engomadas com um acenar de cabeça enquanto ele liberava minha subida à cobertura. Bati os coturnos constantemente dentro da caixa metálica, a jaqueta preta sobre a camisa vermelha duplicando o calor que toda a minha exasperação causava. Vez ou outra jogava os fios longos para trás com a mão que não segurava meu capacete, incomodado em ter minha visão limitada. Logo estava invadindo a cozinha em tons de cinza de Hoseok, sorrindo para os cabelos despenteados de quem acabou de acordar. O moletom cinza e a camisa amarela clara pouco falavam das fartas condições financeiras que engordavam a conta bancária dele e era isso que eu mais admirava: dinheiro nenhum moldava sua personalidade.

Hyung – chamei e ele se virou assustado, me fazendo sorrir. Não que eu fosse um ladrão, não me deixariam subir se eu não tivesse autorização, mas sempre era cômica a forma que ele nunca estava esperando que eu aparecesse por lá sem avisar.

- Meu Deus, garoto. O que te custa mandar uma mensagem dizendo que está subindo? – reclamou, colocando o copo de suco no balcão que nos separava – Eu moro sozinho, sabia? Não estou acostumado com vozes que não sejam a minha ou as das minhas playlists do Spotify.

Eu ri, mas não foi de sua frase. Hoseok se mostrava extremamente abatido nos últimos dias desde a cena com o professor Kim. Mas ali, parado em sua cozinha e o observando bem de perto, eu podia ver uma luz misteriosa em seu olhar, um repuxar incessante e discreto dos lábios – que apenas um melhor amigo detalhista como eu poderia reparar – e a forma saudável como sua voz soava animada aos meus ouvidos. Eu não sabia o que havia trazido ele de volta e sabia que quando achasse oportuno ele me contaria, mas não pude prender o sorriso de alívio ao notar sua melhora.

- Preciso da sua ajuda.

Me expliquei de forma sucinta, estava desesperado para ver Jimin novamente. Hoseok me ouviu com calma, os braços ora cruzados e ora levando o café da manhã até a boca. Ele coçou a própria nuca e suspirou, girando o pescoço como se eu o tivesse estressado, mas sabia que ele apenas se preocupava com minha exasperação.

- Eu sei, sim, o endereço deles – começou e eu soube que ele percebeu a luz de esperança em meus olhos – Mas não sei se devo te passar essa informação, Kookie. É pessoal e não sei que tipo de relacionamento vocês têm.

Queria dizer o quão hipócrita era aquele pensamento porque eles não tinham relacionamento algum e mesmo assim, ele detinha essa informação. Mas suspirei, entendia sua relutância. Eu não era alguém que levava qualquer relacionamento à diante, tendo um histórico de zero paixões em minha vida. Mas Jimin era diferente, eu só não sabia como explicar isso para ele.

- Não é como das outras vezes, hyung – eu disse, procurando ser o mais sincero possível para que ele me entendesse – Nós nos encontramos por duas vezes, mas ainda assim... Eu sinto que já vivi uma vida inteira ao lado dele, e esse sentimento me assusta. Porque me faz querer realmente viver uma vida ao lado dele para descobrir como é a sensação. Ou relembrar – suspirei, sem conseguir observar suas reações – Eu tento não pensar muito nisso por ser meio desesperador, nós nem nos conhecemos. Mas eu sinto que precisohyung. Eu não sei explicar.

Foi um mínimo momento de silêncio entre o final de minha frase e a resposta suspirada de meu amigo.

- Eu entendo – e eu ergui meu olhar enquanto ele digitava algo no próprio celular, sentindo o meu vibrando em meu bolso logo em seguida – Te enviei a localização. Use isso de forma sensata, Jungkook-ah.

O movimento que fiz para alcançar o celular foi tão repentino que meu capacete bateu com estrondo na bancada, arrancando uma risada de Hoseok enquanto eu olhava maravilhado e sorria para o endereço iluminado na tela do meu celular.

- Obrigado, hyung – exclamei, completando a volta na bancada para abraçá-lo de um jeito não muito usual entre nós, mas que eu sabia que ele gostava e o constrangia na mesma proporção – Obrigado, obrigado, obrigado...

- Sai, moleque – que exclamou, mas senti quando ele apertou meus braços antes de me desvencilhar, ambos sorrindo – Agora vai logo, antes que eu me arrependa. E faça dar certo, Kookie.

Eu sorri solidário, pois sabia das lutas que aconteciam no coração de meu amigo. Por um momento, me senti na obrigação de fazer dar certo não só por mim, mas para provar a ele que poderíamos conseguir.

Mesmo me concentrando para não avançar demais a velocidade da moto, cheguei com rapidez ao prédio indicado por Hoseok. As paredes eram tons degradê de cinza e amarelo, que nada combinavam com o portão vermelho da entrada, mas me fez sorrir. Nada nunca seria usual com Jimin. Toquei o interfone, relativamente ansioso pela voz que me atenderia, sem ideia alguma do que poderia acontecer dali para frente. Minhas palmas estavam pegajosas de suor e eu mordia a pele ao redor da unha do polegar enquanto batia incessantemente meu pé no chão.

Sim? – a voz grave se fez ouvir do outro lado e, internamente, eu estava feliz que não fosse Jimin. A chance de não me ouvir até o final era maior.

- Hm... Professor Kim? – aquilo realmente era estranho e quase pude sentir a apreensão dele do outro lado do interfone – É Jeon Jungkook, o Jimin está?

Jungkook?! – seu tom surpreso me deixou constrangido, mas não perderia a coragem de forma alguma – Como sabe onde mo... – mais uma vez, constrangedor. Ouvi o professor Kim pigarrear do outro lado e tive certeza de que era ele quem corava naquele momento – Vou chamar o Jimin para você.

- Não! – soltei, mais alto e rápido do que pretendia. Jimin falaria que não estava em casa ou inventaria qualquer outra desculpa para não me ver, eu sabia. Teria que ousar um pouco mais – Será que o senhor não poderia me deixar subir? Não sei se ele... Gostaria de falar comigo assim, mas eu realmente preciso falar com ele.

Silêncio. E eu não o julgaria. Se fosse o contrário, eu ficaria ao lado de Hoseok e se ele não quisesse falar com Taehyung, eu não liberaria sua subida. Mas isso apenas momentaneamente, pois eram Jung Hoseok e Kim Taehyung e eu sabia que eles dois deveriam ficar juntos. No final, eu liberaria sua subida e torceria para que tudo desse certo. E como se lesse minha mente e trocasse os personagens por Jimin e eu, ouvi o estalo sutil do portão sendo aberto e sorri enquanto agradecia ao interfone ainda mudo. Evitei subir os degraus de dois em dois apenas para me dar um pouco mais de tempo para pensar. Eu não sabia ao certo o que faria ali, fui guiado apenas por aquele sentimento insistente – quase uma coceira no coração – que me impelia na direção de Jimin, na preocupação de ver se ele estava bem e ajudá-lo se a resposta fosse negativa. Suspirei quando parei no apartamento marcado como 201 e dei três toques na porta com o nó dos dedos. Senti quando meu peito doeu no pulsar mais forte do meu coração provocado pela ansiedade e me surpreendi quando o professor Kim abriu a porta.

- Entre – ele disse e era uma sensação engraçada ver o elegante senhor Kim em suas calças folgadas e camisa surrada – Jimin está na cozinha, vou para o meu quarto.

Agradeci com uma reverência sutil e deixei meu capacete no sofá enquanto seguia para o portal que daria para cozinha, ao lado do corredor por onde Taehyung seguiu e eu deduzi se encontrarem os quarto.

- Quem é, Taehyung? – a voz de Jimin me paralisou na entrada e eu observei seus movimentos suaves enquanto ele preparava o próprio café.

Eu havia presenciado a mesma cena minutos antes, as costas de meu melhor amigo se preparando um bom suco de laranja. Mas, Deus, como as sensações eram diferentes. A camiseta branca de Jimin moldava todos os músculos de seu corpo magro e os braços faziam movimentos precisos ao cortar os legumes de sua refeição. Alguns fios despontavam em direções opostas, mas a visão só me fez suspirar ante o charme que o proporcionavam. Não previ quando ele se virou, levando o polegar aos lábios por ter sujado com algum ingrediente, e parando todos os seus movimentos quando seus olhos me encontraram ali. Era cômico e eu riria mais tarde ao me lembrar da cena, Jimin completamente atordoado com a borda do polegar na boca e os olhos arregalados. A calça cinza moldava seu quadril e coxas, mas sobrava nos pés e eu só conseguia ver seus dedos rechonchudos despontando pela barra. Queria eu ter tirado uma foto daquele momento para enquadrar depois, mas a imagem seria tão vívida em meus pensamentos futuros quanto naquele momento.

- Oi, Jimin-hyung – cumprimentei, sabendo que o silêncio não poderia se prolongar para sempre. Ele pareceu acordar aos poucos do torpor da surpresa e abaixou o polegar da boca, umedecendo os lábios e desviando o olhar ao engolir em seco.

- O que está fazendo aqui? – questionou, baixo e distante, diferente do tom que usou para perguntar ao professor Kim quem havia chegado. Suspirei quando ele me deu as costas para limpar a mão no pano de prato, mas eu sabia que era apenas para não me encarar. Podia ver na tensão de suas costas.

- Vim porque precisamos conversar.

As mãos dele agarraram a borda da bancada formada por armários, apertando-a até que os nós de seus dedos ficassem brancos. Quase pude ver seus olhos se fechando enquanto ele suspirava em busca de controle.

- Sobre o que? – a pergunta me incomodou, a frieza e a distância também. Como se para suprir isso, caminhei para mais perto, parando atrás dele com o corpo escorado na pequena mesa que compunha o cômodo.

- Você fugiu, Jimin! – exclamei, esquecendo-me até dos honoríficos quando me exasperei. Suspirei quando ele apertou ainda mais a bancada – Eu não vim te cobrar explicações, eu sei que não tenho direito nenhum disso, mas... Eu fiquei preocupado, hyung. Eu não conseguia parar de pensar que você estava sofrendo sozinho em algum lugar – sem mim, minha mente completou, mas era cedo demais para externar os sentimentos confusos que me acometiam.

Eu vi que tinha atingido Jimin quando seu corpo tremeu e arrisquei a me aproximar mais dois passos e estava tão perto que podia sentir seu calor. Ele tremeu e vi que se arrepiou quando subi minhas mãos para sua cintura. E, por Deus, havia me esquecido o quão fina era, o quão perfeitamente cabia na minha mão. A constatação me fez apertá-lo ligeiramente, apenas para senti-lo um pouco mais. Ele não havia se afastado – o que era um bom sinal –, mas tão pouco me correspondia, o que mostrava que ele ainda estava em um dilema interno.

Hyung – disse, mais baixo dessa vez por ter meus lábios próximos ao seu ouvido. Eu não sabia explicar o que me atraía sempre para tão perto de Jimin, o quanto senti-lo contra o meu corpo me parecia uma necessidade fisiológica, mas quando ele tombou a cabeça por reflexo e fechou os olhos, foi como se uma estrela entrasse em combustão dentro de mim. Saber que eu o afetava com tão pouco também me deixava inebriado. Selei toda a linha exposta de seu pescoço, calmo e cuidadoso, inspirando seu cheiro e relembrando se gosto, sentindo meu corpo inteiro responder por isso – Não me afaste.

Meu sussurro foi sincero e ouvi ele arfar com minhas palavras. Logo sua mão pousou sobre uma das minhas em sua cintura e eu sabia que era aquele o momento, onde ele me aceitaria ou me empurraria para longe novamente. Meu coração errou uma batida e eu prendi minha respiração enquanto arqueava minhas sobrancelhas ao que senti sua mão esquerda subir até minha nuca. Era isso? Jimin realmente estava me dando permissão?

- Jungkookie – ele também sussurrou e aquilo teve um efeito extremo em mim. Estávamos próximos demais, seu quadril tão junto ao meu que eu sabia que a fisgada que sentia entre minhas pernas logo surtiria efeito e ele sentiria. Eu podia sentir a respiração ofegante no subir e descer de seu peito e o carinho forte em meus fios me levavam cada vez mais perto, eu simplesmente não me afastaria de sua pele até ele me ordenar – Por que você tinha que deixar tudo mais difícil?

Eu não entendi a totalidade daquela frase, mas reafirmei minha teoria que ele fugia para me proteger de algo que preferia carregar sozinho. Mas nesse ponto nossos pensamentos eram distintos. Eu não tinha planos de deixar Jimin sozinho novamente desde o momento que pus meus olhos no Pequeno Príncipe de semblante triste. Eu o apertei mais contra mim, levando minha mão à que fazia carinho em meus fios e descendo meus dedos por toda a pele exposta de seu braço até que o arrepio o fez recuar o toque. Fui sutil ao virá-lo lentamente em minha direção, deixando nossos rostos tão próximos que eu podia ver a vermelhidão dos lábios que ele mordia e o brilho de desejo no olhar. Não era apenas desejo, era uma expectativa do que eu falaria a seguir e eu sabia o que Jimin queria ouvir.

- Porque eu não pretendo te deixar sozinho, hyung – respondi e vi quando ele prendeu uma inspiração, olhando dentro de meus olhos como se procurasse minha veracidade – Eu não sei o que te transtorna, mas você não vai usar isso para me afastar. Eu não vou deixar.

- Jungkook... – e eu sabia que ele temia esse sentimento inominável que nos envolvia daquela forma, de um jeito que antes que percebêssemos sua mão já se fechava na camisa abaixo de minha jaqueta e as minhas apertavam sua cintura. Eu me aproximei só um pouco mais, o pouco que ainda me impedia de esbarrar os lábios nos seus.

- Não vou, hyung – reafirmei antes de juntar nossas bocas.

Tudo com Park Jimin era de uma intensidade aterradora. O leve encostar dos lábios logo era uma confusão de ofegos e línguas saudosas. E ele afundava os dedos com tanto gosto em meus fios, apertava-me contra ele com tanta sede que eu gemi no primeiro contato que nossos músculos tiveram. Ele parecia querer coordenar os movimentos que eu fazia, sua mão firme em meus cabelos de forma que eu sentia suas unhas em meu coro cabeludo vez ou outra. Os dedos em minha cintura também faziam a pressão certa para me tontear e eu deixei Park Jimin fazer o que quisesse comigo, deixei que ele visse que eu estava ali por ele. Mas isso não me impediu de apertá-lo com a mesma vontade, trazê-lo para mim até que sua coluna precisasse formar um ângulo curvo de tanto que eu me inclinava em sua direção. Jimin era habilidoso em um patamar que eu desconhecia. A forma que sua língua parecia saber exatamente o movimento certo para me causar um ofego era quase ilegal, o jeito que ele mordia meu inferior para logo depois lambê-lo com a ponta da língua fazia meu corpo responder com mais uma onda de calor em meu organismo. Quando ele chupou minha língua e a contornou por fora de nossas bocas, eu soube que ele queria brincar com minha sanidade.

Foi instintivo tomar Jimin em meu colo e o ofego delicioso que ele soltou contra meus lábios me fez arfar contra ele também. Seus músculos firmes contra meus dedos me fizeram ousar mais, subindo as mãos até seus glúteos, apertando-o contra mim até que ele rebolasse involuntariamente em meu colo. Deixei-o sobre a mesa e agradeci aquela camiseta que marcava tudo o que eu queria tocar, mas ainda assim, eu precisava de um contato mais direto. As pernas de Jimin rodearam minha cintura com naturalidade e com a mesma facilidade, o toquei por baixo da camiseta. Precisei descer os lábios ao seu pescoço, nada era suficiente e eu queria prestar atenção nos músculos que eu tinha contra a ponta de meus dedos. Arfava baixinho a cada quadrado que eu contornava e apertava e senti suas mãos afoitas tentando se livrar de minha jaqueta. Me separei de seu pescoço apenas para ajudá-lo, mas logo uma de minhas mãos já se espalmava em sua coxa, apertando-o ainda mais contra mim enquanto sugava, mordia e lambia a pele delicada do pescoço. Sua camiseta se erguia com facilidade ante meus toques ansiosos e eu impulsionei meu quadril para frente quando uma das mãos de Jimin foi para meus glúteos, me puxando, enquanto a outra também desbravava os músculos que minha camisa escondia.

Eu me rendia tão fácil aos seus toques, mas não era amedrontador, porque a resposta de Jimin era ceder na mesma proporção aos meus. Era uma troca equivalente, ninguém saía perdendo. Eu tomava o beijo da forma que eu queria agora, Jimin havia me passado essa honra. E, nossa, se eu não rodeasse aqueles malditos lábios cheios com a língua eu não me perdoaria. O beijo de Jimin... Você pode beijar quantos milhares de pessoas quiser, mas nada no mundo vai se comparar aos lábios que eu tenho contra os meus nesse momento. E eu não pretendo deixar mais ninguém descobrir sobre isso. Era inevitável mordê-lo – você faria o mesmo se tivesse a oportunidade – e Jimin ria esporadicamente ao ver que eu não conseguia me controlar. A situação dentro de minhas calças era cada vez mais complicada e eu estava em êxtase ao perceber que com Jimin não era diferente. Suas mãos estavam em minhas costas e nuca novamente e eu estava a um passo de perder meus sentidos quando um som nos retirou do torpor.

- Pelo amor de Deus, Jimin. Você tem um quarto e não é de enfeite.

A voz do professor Kim era a única coisa que me faria afastar dos lábios de Jimin. E eu estava muito constrangido naquele momento. Jimin não pareceu se importar com a presença dele, apenas com a intromissão em nosso momento. Ele revirou os olhos e me afastou ligeiramente ao espalmar a mão em meu peito, descendo da mesa emburrado.

- ‘Tá para nascer um empata foda pior que você, Kim Taehyung – ele exclamou, me deixando perplexo enquanto saía da cozinha para logo virar corredor adentro. Olhei para o senhor Kim quase em um pedido de desculpas, mas ele tinha um sorriso divertido enquanto terminava o copo de água. Senti um tremer estranho em meu peito quando percebi o quanto ele se assemelhava a Hoseok em alguns pontos de sua personalidade e ficava cada vez mais raso enxergá-lo simplesmente como o professor Kim, me parecia que éramos mais íntimos agora – e não só porque ele me pegou aos amassos em sua cozinha, era mais pessoal que isso – Vai ficar aí?

Jimin só se preocupou em despontar a cabeça pelo corredor ao lado da entrada da cozinha, uma sobrancelha arqueada como se ele estivesse impaciente, mas sua expressão era divertida e eu inclinei minha cabeça uma vez ainda para Taehyung antes de seguir Jimin pelo corredor. No final do estreito espaço, havia uma porta central e duas nas paredes paralelas, uma de frente a outra. Um banheiro e dois quartos, pelo o que deduzi. Jimin abriu a da esquerda e me esperou entrar antes de nos fechar ali dentro. Com o passar do torpor, eu sentia a aura embaraçosa que tentava se erguer ao nosso redor, mas eu não a queria. E quando Jimin caminhou em minha direção e tomou minha mão para que sentasse em sua cama, percebi que ele também não. O quarto era pequeno. A cama ficava logo a frente da porta, perto da janela de cortinas brancas. Havia uma escrivaninha na parede à direita, ao pé da cama, ao lado de um guarda-roupa embutido, e na parede onde ficava a porta, um armário sem portas com divisões quadradas onde Jimin deixava livros e alguns enfeites.

- Obrigado por ter vindo – sua voz chamou minha atenção, me desligando dos detalhes do quarto quando ele abaixou o olhar para nossas mãos – E me desculpe ter fugido daquele jeito.

Entrelacei nossos dedos, ganhando o olhar dele para mim.

- Vai me contar o motivo de ter fugido? – questionei, no tom mais brando que consegui encontrar. Vi ele morder a parte interna da boca e seus olhos brilharam em uma súplica para que eu não tocasse naquele assunto, pelo menos por ora. Suspirei e ergui nossas mãos, beijando os nós de seus dedos que apertavam os meus sem ao menos perceber – Está tudo bem. Você pode me falar quando se sentir melhor.

Os olhos dele aumentaram ligeiramente de tamanho e eu sorri pequeno sem mostrar meus dentes. No momento seguinte, Jimin me surpreendeu ao laçar meu pescoço e me puxar em um abraço tão afoito que caímos na cama antes mesmo que eu conseguisse retribuir, o máximo que consegui foi amparar um dos lados de sua cintura enquanto ele me apertava cada vez mais.

- Meu Deus, onde eu fui achar você? – escutei ele questionar sozinho e me constrangi enquanto tentava me ajeitar de forma mais confortável. Mas assim, eu estava nos braços de Park Jimin recebendo um puta de um abraço apertado. Não tem nada mais confortável que isso. Então tudo o que fiz foi apoiar em seu peito e erguer o olhar quando senti que ele olhava para mim – Você é muito precioso, Kookie.

Senhor dos céus, esse olhar carinhoso dele na minha direção... Eu sabia que estava corando e me surpreendi, pois apenas minha mãe me causava isso. Mas era estranho ouvir elogios, estranhamente bom.

- Não fale esse tipo de coisa – pedi, desviando o olhar do seu. Momentaneamente, pois logo seus dedos ergueram meu queixo em sua direção.

- Falo sim, porque você se importa, Jungkook. E isso é precioso demais – ele disse e dessa vez não consegui desviar o olhar, havia tanto nos olhos de Jimin, todas as verdades que ele ainda não compartilhava em palavras, mas estavam ali – Nós acabamos de nos conhecer e você veio até aqui por saber que eu não estava bem. Quem no mundo faria isso?

Seria muito cedo para dizer que eu simplesmente não conseguia deixar Park Jimin ir? Que nunca existiu a possibilidade de eu o ver mal e deixar por isso mesmo?

Hyung? – chamei, mesmo que nossos olhos ainda estivessem conectados e ele murmurou uma concordância para que eu continuasse, mas eu não sabia por onde. Desviei o olhar por um momento, mordendo os lábios enquanto procurava as palavras – Eu sinto diferente com você.

Jimin arqueou as sobrancelhas e eu temi ter falado demais. Estava prestes a retirar o que eu disse, dizer que era uma brincadeira ou qualquer coisa do tipo, mas ele me apertou ainda mais em seu abraço, me mostrando o quanto seu coração estava acelerado. Inclinando-se minimamente, selou meus lábios com doçura, e foi quando eu descobri que não precisávamos de nenhum toque intenso para Jimin revirar tudo dentro de mim.

- É estranho, Jungkookie – ele começou e eu segurei seu olhar com o meu. Era um momento de confidência que não poderíamos perder – Mas você me fez sentir diferente desde o início também.

Não era uma declaração, era externar o quão confuso ficávamos um com o outro, o quanto aqueles sentimentos eram novas descobertas em ambas as vidas. Mas me causava uma paz interior, um alívio absurdo saber que Jimin se sentia como eu. Suspirei contra seu corpo, me entrelaçando o máximo possível nele. Acariciei seu abdômen enquanto ele deslizava os dedos por minhas costas. Não foi difícil pegar no sono, difícil foi acordar com a escuridão da noite do lado de fora e nenhum sinal de Park Jimin na cama de solteiro. Me sentei atordoado e – jamais admitiria – me sentindo um pouco abandonado depois de tudo o que aconteceu. Mas era Park Jimin e ele nunca deixaria de me surpreender.

Quando esfreguei o rosto para me despertar, um post-it amarelo caiu do dorso de minha mão e em uma caligrafia que eu me acostumaria no futuro, um recado singelo havia sido deixado.

 

Tenho um compromisso, desculpe sair antes de você acordar. Volto só pela madrugada.

Você pode ficar... Se quiser.

- Pequeno Príncipe

 

Eu sei que seria ridículo sorrir de forma infantil para um minúsculo pedaço de papel amarelo com apenas três linhas escritas, mas foi exatamente o que eu fiz. Eu abri um sorriso enorme com todos os dentes que Jimin usara para me apelidar e me joguei em sua cama, suspirando contra o travesseiro que guardava o cheiro dele. Sorri porque ele se preocupou em me avisar, sorri porque – de certa forma – ele também queria que eu ficasse. Sorri, porque, depois de tudo, ele ainda era – e sempre seria – meu Pequeno Príncipe. E eu pensei seriamente em seguir suas palavras e ficar, mas não queria que Jimin pensasse que já tinha responsabilidades para comigo. Ele parecia já ter o suficiente para lidar e a última coisa que eu queria era ser um fardo, eu queria ajudá-lo. Foi por isso que me levantei com pesar e atravessei a casa, me despedindo de Taehyung com um aceno educado e descendo de encontro a minha moto.

O caminho todo foi ornado por pensamentos sobre Park Jimin. Sobre o quanto ele me atingia, o quanto parecia ser atingido por mim e, principalmente, o quanto eu queria zerar qualquer distância entre nós.

Eu queria saber quem Park Jimin era em sua integralidade. E eu não me negaria a explorar o máximo possível de sua persona.

▪▪▪▪

Jimin

Eu não quis pensar no quanto foi difícil me desvencilhar do corpo de Jungkook quando a noite começou a cair do lado de fora, nos minutos que perdi apenas contemplando seu semblante sereno ao que ele agarrava os lençóis vazios pela minha ausência. Jungkook parecia ter ligado um interruptor em meu coração, um que eu mantinha desligado por defesa própria, o que me impedia de me envolver além do necessário com alguém que não poderia ficar.

Mas Jungkook queria ficar e isso me enchia de uma perigosa esperança de que talvez eu pudesse me dar ao luxo de permitir sua estadia, pois ele me fazia tão bem com tão pouco. Eu não me sentia capaz de abrir mão dele ainda, parecíamos prestes a iniciar um feito grandioso nos abrindo assim, aos poucos, um para o outro. E eu sabia que era seguro me afastar enquanto estávamos estagnados nesse início, sem nenhum grande vínculo e sem representar nenhuma grande perda para quem se afastasse primeiro. Ao mesmo tempo sabia que tudo isso era uma grande mentira: eu já estava sim envolvido demais com Jeon Jungkook, como se ele sempre tivesse sido metade de minhas fitas de DNA, entranhando em minha essência em estado de dormência até que nos encontrássemos e despertássemos esse sentimento que nenhum outro era capaz de acender. Era bizarro e assustador perceber que eu não me afastava de vez porque não queria e Jungkook não deixaria. E essa última parte, de maneira ainda mais assustadora, era o que me permitia encher um pouco mais desses sentimentos tortos.

Quando cheguei ao restaurante rústico no final de uma esquina ao sul de Busan, parei meus passos e repreendi qualquer pensamento sobre Jungkook, como se temesse que ele descobrisse sobre sua existência. E não era como se eu não confiasse nele, Seokjin era o mais confiável dos cafajestes com quem me envolvi. Ele mal ficava na sede escura e abafada que foi o cativeiro de minha sanidade por meses, onde Yoongi se encontrava. Seokjin era um informante com fontes fartas de informações certas pelo preço razoável. Era um vínculo externo que a Organização possuía e era sempre com quem me encontrava antes de realizar uma missão para saber mais sobre o que eu deveria fazer e com quem me envolveria. Ele era o mais compreensível deles e me orientou mais de uma vez em desistir da ideia de conseguir dinheiro dessa forma. Queria eu tê-lo escutado antes. Adentrei o restaurante que continha pouco mais de três mesas ocupadas, o que facilitou o meu trabalho de achá-lo ao fundo do estabelecimento, já desfrutando de uma taça de seu vinho branco. Apesar da simplicidade elegante do local, Kim Seokjin trajava um blazer azul marinho e lustroso que fez minhas calças rasgadas e regata pretas parecerem completamente inconvenientes para a ocasião. Suspirei tomando o lugar a sua frente, ele quem havia se arrumado demais.

- Para que toda essa engomação? – questionei quando ele levantou o olhar em minha direção – Até parece que vai se encontrar com alguém importante.

Ele sorriu ladino, cínico e duro. E naquele gesto estava o motivo de eu esconder Jungkook de seu conhecimento: ele poderia ser mais maleável e flexível, talvez o mais humano deles, mas ainda era parte da Organização. E qualquer coisa além de mim que viesse da Organização estava expressamente proibida de entrar em contato com Jeon Jungkook, era isso o que eu tinha em mente.

- E com certeza não é você, Park – ele disse, arrastando a taça ligeiramente para o lado entre os dedos. Gostava de como a parte da negociação com ele não me fazia sentir sufocado e sorri de seu comentário antes que ele tirasse a costumeira pasta preta de dentro de sua bolsa e me fizesse engolir em seco ao arrastá-la em minha direção – As informações sobre seu alvo.

A palavra parecia ácida até mesmo proferida por ele. Não queria abrir a pasta, não queria descobrir quaisquer informações necessárias para colocar um plano em prática. A verdade era que eu não queria mais nada disso e o desgosto vinha em gosto de bile no meu paladar, me enjoando enquanto eu tentava pensar em uma forma de evitar as futuras fatalidades.

- Como consegue tantas informações assim? – questionei sem um verdadeiro interesse, apenas protelando abrir a pasta e encontrar um rosto sorridente cuja vida eu teria de tirar.

- Eu sou advogado, Jimin. Poucas profissões terão mais acesso a contatos do que a minha – ele disse simplista e só então reparei que o garçom nos servia porções de frios e uma taça do mesmo vinho que Seokjin tomava. Agradeci, o álcool parecia empurrar um pouco do bolor para baixo de minha garganta.

Depois de virar uma boa quantidade – eu não nascera para beber socialmente como meu companheiro – percebi o olhar afiado de Seokjin em meus movimentos e estremeci, voltando a taça à superfície fria. Ele me analisava com atenção e os lábios pareciam se puxar em escárnio.

- O que foi? – questionei, desconfortável.

- Você não é homem para esse serviço, Jimin – disse e eu arqueei as sobrancelhas – Não está em você o que se precisa para tirar a vida de alguém.

E eu suspirei aliviado por ele ter visto em mim, pois começava a duvidar de minha própria índole mesmo sabendo ser incapaz de ferir outro ser humano. Seokjin continuou me analisando com curiosidade enquanto experimentava os petiscos, me fazendo desviar o olhar.

- Também não acho que seja, Kim – disse por fim, erguendo meu olhar para ele – Mas não é como se fosse eu quem escolhesse meus serviços.

- Vai até o final, então?

Eu não respondi, mas sabia que não precisava. Seokjin era inteligente e ardiloso como os mais belos demônios devem ser e percebi quando ele sorriu ladino.

Precisa definir o que quer, Park – ele disse enfim, ganhando novamente minha atenção – Você não tem tempo de ficar em cima do mundo, precisa se decidir.

Eu tremi dos pés à cabeça com a frase dele, sentindo em meu interior tudo o que ela poderia significar, mas atordoado demais no momento para entendê-la propriamente. Seokjin se levantou com sua bolsa em mãos e deixou seu cartão – pela primeira vez em dois anos – a minha frente.

- Me deixe saber quando chegar a alguma conclusão.

E apertando meu ombro quase em sinal de forças, ele partiu após pagar a conta. Eu terminei a garrafa do delicioso vinho branco sozinho naquela madrugada, perdido tão longe pelas janelas de vidro que mal notei a quantidade exorbitante de vibrações em meu celular. Vi chamadas perdidas de Taehyung, mas a maior parte delas era de Jungkook. Apertei os lábios, não poderia atendê-lo antes mesmo que tivesse escutado o tocar. Havia certa distância que ainda precisava manter de Jungkook e essa realidade que me rondava as costas. Pressionei nossa conversa na intenção de dizê-lo algo, mas Jungkook fora mais rápido. Como se lesse meus pensamentos ou sentisse meus próximos atos, uma mensagem sua chegou e eu pude sentir todos os meus questionamentos profundos e difíceis se desfazendo como névoa solta ao vento enquanto eu sorria até meus olhos se fecharem com sua mensagem, efeito que apenas Jeon Jungkook poderia provocar em mim.

[Bunny | 05/10 - 00:43]

Eu não fiquei, hyung.

Mas já estou com saudades, então comecei a me questionar se foi uma boa decisão.

E como se para terminar de salvar completamente minha noite, quando enfim me deitei e enrolei meu corpo contra meus lençóis, fui agraciado pelo perfume residual de Jungkook entre os panos e – pela primeira vez desde que recebi aquela missão – dormi sorrindo serenamente. Era como estar em paz.

 


Notas Finais


É isso, galeris!
Me digam o que estão achando dessa confusão toda e oq esperam pros próximos caps ~
Vhope sempre mais denso e jikook mais jujubinha pra equilibrar a história sheuehuse

Obrigada por lerem até aqui e até o próximo ~
XOXO


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