História Hospital Coincidence - Capítulo 1


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jimin, Jungkook, Personagens Originais, V
Tags Bts, Hospital, Jikook
Visualizações 76
Palavras 4.081
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Lemon, LGBT, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Annyeonghaseyo pessoas! Para os que viram o trailer, me desculpem a demora. Eu estive ocupada com trabalhos (ainda estou, mas queria muito postar, ao menos, o primeiro capítulo essa semana). Espero que gostem! Estou um pouco insegura, porém, boa leitura, e desculpem qualquer coisa.

Capítulo 1 - One


12 de Junho de 2016, 08:13 PM - Rua Qualquer de Seul

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A cada passo que eu dava, uma memória se passava pela minha mente, uma lágrima escorria, um suspiro saia. O óbito de minha mãe havia acabado de ser anunciado. A única pessoa que realmente se importava comigo, que eu podia chamar de família, havia morrido. Minha vida não fazia mais sentido a partir dali. A chuva caia intensamente, me molhando todo. Mas, eu não me importava. Nada mais me importava. Eu só queria chegar em casa e chorar para sempre. Todos que passavam na rua me olhavam diferente, como se eu fosse completamente estranho.

Eu não conseguiria mais viver, isso era certeza. Mas eu não desistiria de viver. Minha mãe não gostaria que eu morresse antes do meu tempo. Ela gostaria que eu terminasse meus estudos, fosse para uma boa faculdade, arrumasse um ótimo emprego, construísse minha família. Então, assim seria. Eu não desistiria, por ela. A mesma sempre disse que não importa o que aconteça, ela sempre estará comigo, independente da situação. E eu acredito nisso. Ela é a única pessoa que sempre esteve comigo. Meu pai, nem cheguei a conhecer. Minha vó, convivi  pouquíssimo tempo, pois a mesma também morreu, quando eu era criança.

Minha vida foi muito turbulenta. Atualmente, tenho 18 anos, e esse tempo todo, foi difícil. Minha mãe me sustentou sozinha, trabalhou duro para nos mudarmos de Busan para Seul, para termos uma boa casa, alimento, boa condição de vida. A vida seria mais fácil aqui em Seul, segundo ela. Ela sempre se importou mais comigo do que consigo mesma, e por isso, adoecer. Ela não me falou, com medo de me preocupar. E às vezes, eu sou assim.

Parei na beirada da calçada, respirei fundo. Fui atravessando a rua para chegar ao outro lado. Na minha cabeça, tudo estava indo lentamente. Eu estava lerdo, não conseguia correr, não conseguia pensar, não conseguia me conter. E, de repente, quando olhei para o lado, voltei à realidade. O farol alto de um carro em alta velocidade ofuscou minha vista, e me desesperou, junto ao som de buzinas e gritos. Por um momento, apaguei.

______

12 de Junho, 10:57 PM - Hospital Changhyak

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Abri meus olhos. Eu estava acordado.

Olhei ao meu redor, eu estava numa sala branca, deitado numa cama, com um suporte de soro ao meu lado, e o soro na minha veia. Do outro lado do quarto, havia outra cama. Fiquei completamente perdido. Não havia mais ninguém onde eu estava, a porta estava aberta, e, vez ou outra, era possível ouvir carrinhos com algo dentro fazendo um barulho parecido com algo de metal. Parei para pensar um pouco.

Hospital?

Entrei em desespero. Por que diabos eu estava num hospital?

Eu tentava me sentar na cama, mas não conseguia. Minhas pernas não se moviam, e eu não as sentia. O desespero ia aumentando, até que uma enfermeira me viu desesperado e entrou no quarto para me ajudar e me acalmar.

—Acalme-se, você está bem. Está no hospital Changhyak. Pelo que eu sei, você é o paciente não-identificado barra número 829. Pode me deixar ver sua pulseira de identificação?– eu assenti com a cabeça e mostrei meu braço para ela. Ela leu e afirmou com a cabeça, logo se pronunciando novamente —Sim, é o 829. Você, até onde eu sei, foi atropelado, e está com algum problema grave na perna. Não sei o que é direito, mas você não conseguirá mexê-las por um tempo. Porém, não tema, não será para sempre. Aliás, qual seu nome, sua idade, onde você mora, contato de alguém que possa vir aqui? Não achamos nada disso em nenhum lugar, por isso você está sem identificação.– ela passou algumas folhas de sua prancheta que estava debaixo de seu braço o tempo todo, e puxou uma caneta de sua orelha, esperando o momento de eu falar.

—Meu nome é Jeon Jungkook, tenho 18 anos. Só isso. Onde eu moro não vai fazer diferença alguma, já que não poderei mais entrar lá. E não há ninguém que vocês podem contar, a única pessoa que poderia vir aqui, para me ajudar e ficar comigo, morreu hoje. –ela me olhou com uma cara de assustada, e escreveu o que eu falei.

—Lamento, Jungkook. Bom, o médico responsável por você, dr. Kim, já está à caminho. Ele poderá lhe informar melhor sobre o que aconteceu com você, sobre o tratamento que você fará e essas coisas. Sempre que for preciso, me chame. É só apertar este botão – apontou para o botão que estava ao lado de minha cama– e eu virei. Seja forte, fighting!– apertou minha mão, deu um sorriso e se levantou. Quando ela estava prestes à sair de meu quarto, ela retornou para meu lado e colocou uma mão em minha testa e a outra na sua, comparando as temperaturas. Suspirou de alívio, correspondendo que eu estava bem. Quando ela fez uma reverência para se retirar do quarto, percebi que ainda não sabia seu nome, então, resolvi perguntar.

        — Qual é seu nome?– ela se virou para mim na hora e sorriu.

        — Kang Sun-Hee. Prazer em conhecê-lo, Jungkook.–sorri de volta, e ela se retirou do quarto.

        Uma enfermeira super simpática e alegre. Nunca presenciei algum caso desse a não ser em doramas. Que bom! Isso me deixaria menos estressado. Ela é fofa e bonitinha, mas não. Nada mais. Sou gay assumido. Ninguém sabe que sou gay, apesar de eu ser assumido. Não tem ninguém para saber, mas, se perguntarem, eu falo a real.

        Ouvi passos apressados no corredor, e, quando olhei para a porta, três -aparentemente- médicos e enfermeira Kang entraram em meu quarto.

        — O nome do paciente é Jeon Jungkook, e tem 18 anos. Acordou faz pouco tempo, e não está com muita febre, estimo que apenas um pouco acima do normal, mas nada grave.– enfermeira Kang, enquanto falava isso, me observava e observava os médicos. Os médicos apenas me observavam.

        O médico aparentemente mais velho puxou a cadeira que estava na mesa ao lado da cômoda e sentou-se ao lado de minha cama.

        — Jeon Jungkook, prazer. Sou o dr. Kim, responsável por sua cirurgia. Você, infelizmente, perdeu a mobilidade nas pernas, mas isso é temporário. Com a ajuda de toda nossa equipe, você conseguirá andar daqui algum tempo. Enquanto esse dia não chega, você terá de andar com muletas ou cadeira de rodas, e usar uma tala. Agora, pelo menos por hora, achamos melhor que use a cadeira de rodas. Você irá tomar remédios e, depois que pudermos tirar a tala, você fará exercícios de reabilitação e terapia física.

        — Eu passei por uma cirurgia?– perguntei, e todos da sala assentiram.

        — Sim, mas foi rápida, sua situação era grave. Quer saber detalhadamente o que fizemos?

        — Não, obrigado, tenho um pouco de aflição dessas coisas– dr. Kim deu uma risada, e logo se levantou da cadeira onde estava.

        — Enfermeira Kang, por favor, faça um exame de sangue nele, troque os curativos, explique para ele o que tem que ser explicado. Nos chame caso algo esteja errado. – dr. Kim disse, se retirando do meu quarto, com os outros três médicos. Enfermeira Kang apenas afirmou com a cabeça e fez uma reverência enquanto eles saiam. Assim que todos foram embora, ela foi até o corredor, onde seu carrinho estava, e pegou um algodão, um garrote e a agulha de tirar sangue. Voltou para meu quarto, fechou a porta, e parou em frente à mim.

______

 13 de Junho, 12:00 AM - Ainda no quarto

______

— Agora sim, posso te levar para "dar uma volta" no hospital. Não está com sono, né?– fiz um não com a cabeça. Ela se abaixou e puxou algo debaixo da cama: uma cadeira de rodas! E eu provavelmente seria dono dela por um bom tempo.– Bom, será difícil para você se acostumar nesses primeiros dias, mas depois você fará isso normalmente. Para você ir para a cadeira de rodas, é só posicionar ela de um jeito que você ache que será mais fácil para você sair. Esta cama está alta agora, mas depois irei abaixá-la para ser mais fácil de você ir para a cadeira de rodas sem a ajuda de ninguém. É só você se apoiar em algo; na cama, na própria cadeira de rodas, na cômoda. Quer tentar?

        — Sim!– ela fez um sinal com a mão para eu esperar. Ela abaixou a cama na altura da cadeira de rodas, e então, ficou me observando. – Não… Agora fiquei com medo.

        — Enfermeira Kang, meu pai está lhe chamando. É urgente. –um sujeito que eu ainda não havia visto no hospital, aparentemente da minha idade, surgiu na porta e falou isso. A enfermeira olhou para nós dois, e o menino, sabendo o que ela ia falar, já respondeu– Eu cuido dele. Pode deixar. Sei o que é para fazer. – os dois se curvaram e ela deixou a sala. O menino que eu nem conhecia se aproximou de mim, e eu estava com um pouco de medo.

        — Ér, oi? – ele me olhou e deu uma risada.

        — Olá, Jungkook.– como ele sabe meu nome? Medo.

        — Como você sabe meu nome?

        — Apesar de ter chegado hoje no hospital, já está fazendo muito sucesso. – sucesso? A surpresa predominava meu rosto.

        — Eu? Sucesso? Desde quando?

        — Desde hoje. A sua ótima aparência chamou a atenção de todos. E, não posso mentir, você é muito lindo. E fofo. Aliás, meu nome é Taehyung. Oi. Tudo bom?– meu Deus, o menino é completamente doido. Ainda bem, as melhores pessoas são doidas.– Venha. Abrace meu pescoço firmemente. –apesar de estar um pouco apreensivo, fiz o que ele mandou. Passei meus braço por seu pescoço e segurei firme. Ele me segurou com seus braços e rapidamente me moveu para a cadeira de rodas. Taehyung parece ser legal. –Você está confortável, Jungkook? Todo desconforto que sentir, me avise imediatamente.

        — Estou bem confortável, obrigado. Você é enfermeiro ou médico?

        — Nenhum dos dois.– a expressão de surpresa voltou novamente.

        — Então, por que está fazendo isso? E por que está no hospital uma hora dessas?

        — Você parece ser legal. E estou no hospital essa hora porque eu durmo sempre aqui. Praticamente vivo aqui, são poucos os dias que não fico. Há um amigo meu que está em coma, e gosto de ficar por perto todos os dias, para ele ter alguma companhia. A partir de hoje, eu irei dormir no seu quarto, para lhe ajudar. Posso, né?

        — Claro. Preciso de uma companhia, também.

        — Você pode ir sempre comigo ir ver meu amigo? Pode parecer bobo conversar com alguém que está em coma, mas ele ouve tudo. E será bom pra ele ter alguém como você perto dele.– Taehyung é meio estranho, nem me conhece e fala que seria bom para o amigo dele me ter por perto. Mas, acho que seria mesmo. Já li um livro em que uma menina conversava com sua mãe que estava em coma, e a mãe ouvia a filha, e respondia, só que como está em coma, a filha não ouvia, mas sentia algo. Sempre acreditei fielmente nesse livro, e acho que as sensações são as mesmas.

        — Claro! Eu não tenho amigos, espero que vocês dois sejam meus novos amigos.– ele bagunçou meu cabelo e soltou uma risada fofa.– Do que você gosta?

        — Hm… Vejamos… Leões, jogar videogame, animes, e coisas do tipo. Você tem cara de que gosta de jogos e de animes também.

        — Sim!! Também gosto muito de desenhar, dançar e ouvir música, basicamente. É uma pena que agora irá demorar para eu dançar de novo.

        — Meu amigo irá gostar de você!– começou a me levar para o banheiro do meu quarto– Bom, você terá que sempre chama alguém para lhe dar banho por enquanto, já que ainda não usa a muleta. Se quiser, eu te ajudo. Não tem problema nenhum, por mim. Sei que vai ser constrangedor, mas quase nem vou encostar em você, fica tranquilo, não é preciso.

        Jesus, eu já estava prevendo minha morte. Eu sempre tive vergonha de mostrar meu corpo para *qualquer* pessoa que fosse. Médicos, amigos, família.

        *Pera. Eu estou só com essa camisola? E nada por baixo? Socorro, e se Taehyung me sentiu mais do que deveria? Que vergonha! EU VOU MORRER!!*

        — Bom, o banheiro não tem muito segredo. Qualquer coisa, é só me chamar. Nós vamos acabar muito íntimos, pois, principalmente nessa primeira semana, vou precisar acompanhar você para qualquer lugar. – ele parecia estar normal, isso me acalmou. E, sim, claramente seríamos bem íntimos. Ele me daria banho, me "vigiaria" 24 horas… Vou acabar me acostumando, mas esse começo será torturante.

        — O quarto de seu amigo fica muito longe? Estou meio que ansioso para vê-lo. – não, não era mentira. Eu realmente queria vê-lo. Ele parecia ser especial. E eu sentia algo sobre ele.

        — Não, fica no fim deste corredor. Que bom que quer vê-lo! Vamos lá agora!– saímos do banheiro e fomos até o corredor. De lá, ele virou para o lado esquerdo, e seguiu reto, até uma porta com algumas mensagens boas escritas. Taehyung me afastou um pouco, abriu a porta, acendeu a luz e me empurrou para perto da cama.

        Eu fiquei surpreso, novamente.

        O menino era muito lindo. Muito mesmo, é a pessoa mais bonita que eu já vi em minha vida. Até mesmo com aparelhos horríveis em sua volta, ele era maravilhoso. Fiquei boquiaberto olhando-o, quase babava.

        — Ele é muito bonito, eu sei. Ele tem que acordar logo para você ver mais de sua beleza. Seu sorriso é radiante, sua personalidade também. Você irá amá-lo.– Taehyung disse, enquanto puxava uma cadeira para se sentar ao lado da cama.

        — Qual é o nome dele?

        — Jimin. Park Jimin. – até o nome é bonito.

        — Me conte mais sobre ele, por favor! Como ele entrou em coma, do que ele gosta, sobre a vida dele. Tudo o que você sabe e pode me contar!– me empolguei para saber desse ser.

        — Bom, ele tem 20 anos, e está em coma faz 8 meses. Ele entrou em coma por uma tentativa de suicídio; misturou remédios, álcool e fez um corte profundo, na horizontal, então não morreu principalmente por isso. Os remédios que ele tomou, graças à Deus, não foram o bastante para ele morrer, mas, por ter misturado com muita bebida, ele entrou em coma. Ele tem depressão, e uma menina que ele gostava o rejeitou, e ficou com o melhor amigo dele–suspirou.

        — Ele é hétero, então?–perguntei. Mesmo sem saber nada sobre sua vida, acho que já havia me apaixonado.

        — Até onde eu sei, sim. Infelizmente. Bom, continuando. Sua maior paixão é dançar, e olha, ele dançava muito bem. Conheceu sua amada em uma escola de dança, e foi um dos motivos por ter se apaixonado por ela, a comum paixão por dança. Ele também era bom no canto, no desenho… Basicamente isso.

        — E onde estão os pais deles? Ou a família?

      — Estão em trabalho nos Estados Unidos. Não vieram vê-lo uma única vez nesse tempo todo que ele está no hospital. Ao menos, o hospital todo ama ele. Todo dia mais alguém vem pra cá o ver, não é apenas eu. Ele sempre veio comigo ao hospital, para fazer companhia aos pacientes, para acalmá-los

, para os divertir… Por isso todos lhe dão tanto amor, pois todos o conhecem. – seus olhos pareciam estar começando a encher de lágrimas, e, eu já queria, mais que tudo, que Jimin acordasse. O celular de Taehyung vibrou, e ele, após ler a mensagem, me perguntou – Meu pai está chamando, terei de ir. Você quer que eu te deixe no seu quarto ou você vai sozinho?

        — Irei sozinho, obrigado. Te vejo mais tarde?

        — Sim! Me espere para dormir, ok?– nós sorrimos, e ele logo deixou o quarto, fechando a porta, e deixando eu e Jimin à sós.

        Ah, que ser perfeito. Me aproximei mais e fiquei o observando. Ao redor do quarto, haviam muitas flores, mensagens boas (como na porta), desenhos, diversos itens bonitinhos. Jimin era realmente muito amado ali, e tinha vários motivos para isso.

        — J-Jimin. Eu espero que você acorde logo. Você parece ser muito legal, espero sermos bons amigos!– tudo me escapou da boca. Eu realmente parecia um bobo falando com ele, mas nem liguei e continuei a falar– Taehyung me disse que você irá gostar de mim. E espero que assim seja! Do pouco que te conheço, já gostei de você. Tu é uma pessoa muito boa, e que merece todo o amor que recebe, sabe? É uma pena seus pais não terem vindo te ver. Talvez não. Só as pessoas que realmente se importam ficam à sua volta, então, é sempre melhor ter as pessoas que realmente te amam e se importam à sua volta do que ter pessoas que fingem sentimentos bons. Fingir um sentimento bom prejudica a gente, sabia? Eu boto tudo pra fora. Eu virei aqui todo dia, e me espere xingar tudo e todos. Fico triste constantemente, e não estou passando por momentos legais e bons em minha vida. Nem família eu tenho mais, isso é trágico. Pelo menos, Taehyung é meu novo amigo, acho. E você também já considero. Desculpe se estou sendo chato. Eu irei embora, ok? Deixarei você sozinho, por hora. Tchau!– peguei em sua mão e dei um beijo. Instantaneamente meu rosto começou a queimar. Eu beijei a mão de uma pessoa que eu nem sei se gosta de mim! Que loucura. Rá, eu percebi que minha vida mudaria drasticamente.

        Consegui controlar minha cadeira de rodas. Saí do quarto de Jimin e fui para o meu, e Taehyung não estava lá, ainda. Entrei, acendi a luz, fechei a porta e fui direto para a janela. Ah, aquilo me acalmou. Ver jardins, água e a luz da lua iluminando tudo, me acalmou instantaneamente.

        Hoje o dia foi muito comprido. Minha mãe morreu, eu sofri um acidente e perdi a mobilidade de minhas pernas, conversei com um menino em coma que eu provavelmente amo. Tudo isso em apenas um dia.

        Minha vida. Ela mudaria completamente. Visitar Jimin provavelmente faria parte de minha rotina, e isso seria meio torturoso. Ver todo dia uma pessoa em coma, que parece estar morta, e conversar com ela, sem ela responder diretamente.

        Não vejo a hora de Jimin acordar. Quero saber como é seu rosto normal, como é seu sorriso, como dança, como é sua voz, tudo. Aquilo era meu maior desejo.

______

 

        13 de Junho, 02:08 AM - Quarto de Jungkook e Taehyung

______

 

        — Você gostou dele?– me perguntou, enquanto trocava meus curativos e passava os remédios específicos.

        — Sim! Apesar de eu ainda não conhecê-lo por completo, gosto dele. – respondi. Taehyung sorriu.– eu acho que ficaremos bem próximos em pouco tempo. Tanto eu e você quanto eu e ele.

      — Concordo. Você parece gostar dele. Ah, e quem não gosta? Um ser humano daqueles é precioso. Todos tinham que conhecer Jimin, ele é incrível. E tenho certeza que ele resistirá e conseguirá sair do coma. Ele é forte, e pelo jeito, você dará forças pra ele. –dei um sorriso. —Amanhã você tomará banho. Eles reclamam quando tomamos banho mais de dez horas da noite. Nessa hora, tudo deve estar silencioso. Os enfermeiros deixam um carrinho com instrumentos médicos no corredor, para assim, não fazerem barulho. Essa é a área mais tranquila do hospital, você deu sorte. Nos andares de baixo, é possível escutar o barulho do térreo.

—Em qual andar estamos? Eu ainda estou um pouco perdido.

—Andar 4. Desculpe por ter chegado mais tarde e não ter te apresentado o hospital todo. Você vai gostar de passear pelos jardins, é como um calmante. –ele suspirou, com ainda seu sorriso no rosto, dessa vez, olhando para a janela.

Minha perna estava horrível. Aquilo me entristecia, pois eu queria muito continuar dançando como antes. Mas, a vida segue. Uma nova fase da minha vida estaria começando. Sem minha mãe, sem poder mexer as pernas, mas, com amigos. Era uma experiência completamente nova para mim.

Taehyung terminou de trocar meus curativos e guardou as coisas no devido lugar. Logo, foi ao banheiro, e quando voltou, tirei minha dúvida:

—Taehyung, quantos anos você tem?

—Não falei? Desculpe. 19.– sabia, ele tinha praticamente a mesma idade que eu.

—Devo lhe chamar de hyung? De Taehyung hyung? De Tae espaço hyung? Estou confuso– ele riu, e se sentou na cama, me olhando.

 —Jungkook, irei dormir. Caso sinta alguma dor, algum incômodo, caso queira conversar, caso queira ir ao banheiro, comer alguma coisa ou beber água, me acorde. Não precisa ter vergonha. É que hoje estou morrendo de sono, pois, se não, iríamos no PC Bang daqui, você provavelmente deve estar sem sono. Talvez amanhã. Boa noite, durma bem.– ele se virou para o lado da parede.

 —Boa noite, hyung. Essa é a famosa hora de pensar na vida.

Meu Deus, o que está acontecendo?

O que importa é que algo está acontecendo. Mal conheço Jimin e ele já é a pessoa que eu mais me preocupo atualmente. Isso é muita tolice de minha parte, pois ele pode não ser daquele jeito que acho que é, pode ser tudo ilusão minha. Taehyung é o amigo que nunca achei que fosse ter, ele é interessante. Enfermeira Kang é muito fofa, e, apesar de eu gostar de Taehyung, quero que ela também cuide de mim. Às vezes parece que sou hétero. Mas tenho certeza que sou gay. E lembrar que sou gay me leva a lembrar de alguns momentos específicos do passado, que me reprimem e me deixam com medo até hoje.

 '                Hoje será legal, verei JinSo novamente. Ele não parece ligar muito pra mim, mas, do mesmo jeito, farei o que for preciso para conquistar ele. A festinha de despedida da escola é hoje, e, coincidentemente, é a minha despedida desta escola, já que irei para Seul. Estou levando flores para JinSo. Tomara que ele goste destas. Ele ama a cor roxa, isso eu sei, mas não sei se ele gosta dessa. Nossa escola tem a tradição de, toda festa de final de ano, os alunos levarem alguma flor/buquê de flores e entregar à pessoa que gosta. Eu nunca recebi ou entreguei uma flor, esta será minha primeira vez, ansiedade corre por minhas veias. ———————

Entrei na escola, todos me encararam, segurando o riso. Não entendi. Mas, acho que não é normal para eles me ver segurando um punhado de flores, já que não falo com ninguém. Não falo nem com JinSo, mas ele é o mais perto que cheguei de ser amigo. Nos trabalhos em dupla, eu ficava com ele geralmente, pois a professora que montava as duplas, e sempre nos colocava juntos. Era bom, pois nós ficávamos nos falando por um tempo depois disso. Era sempre eu que ia na casa dele, pois ele é rico, então era melhor fazer os trabalhos na casa dele.

Apesar de eu não falar com ele, sei quase tudo sobre ele. Sua cor preferida é roxo, tem 14 anos, gosta de cantar, ama comer ramén, andar de patins e nadar em água gelada. Seu maior sonho é ser engenheiro. Seu tipo de perfume preferido é perfume com frescor. Não sabe ao certo sua sexualidade, mas os pais desconfiam que é gay. Seu maior medo é altura. Sua matéria preferida é artes. Basicamente, isso.

-Quebra de tempo-

Chegou a hora. A tão esperada hora. Eu apenas queria que ele me aceitasse. Nunca quis tanto algo na vida.

Fui até onde ele se encontrava, com o punhado de flores roxas atrás de mim. Eu estou nervoso? É claro. Mas, não escondo meu sorriso de vergonha.

—Ei, JinSo.– ele virou seu rosto para mim, e sorriu. Não tem mais ninguém aqui em volta, que bom.

—Oi, Jungkook! Há quanto tempo!

Estiquei meus braços, segurando o punhado de flores com as duas mãos, e escondendo minha face. Eu não sabia o que dizer.

—E-Eu… Eu te amo, JinSo. Por favor, aceite essas flores. Eu colhi do jardim do parque HanRue. E-

—Jungkook, sério isso?– ele riu sarcasticamente —Você acha mesmo que vou aceitar florzinha de alguém como você, e ainda, vindas do Hanrue?? Tá louco, menino?

—Mas–

Ele pegou as flores de minha mão e jogou-as longe, e foi embora para o lado oposto de onde as jogou. Eu entrei em um desespero interno. Eu não tive outra reação, à não ser chorar e correr. Naquele dia, eu corri, corri muito. Corri até chegar numa rua barulhenta. Me escondi num beco, e comecei a chorar. Chorei tudo que eu podia. Aquele foi o pior dia da minha vida.                                               '

Adormeci.

 

 

 


Notas Finais


Oe novamente, pessoas. Estou nervouser. Ah, novamente, peço desculpas. E, dessa vez, é por ter ficado simples o capítulo. Eu queria que essa capítulo fosse mais pra vocês conhecerem um pouco da história, então, aguardem os próximos, que serão mais longos e legais. Comentem suas opiniões, amo ler comentários!
Kissus, annyeonf.


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