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História Hotel Kurama - Capítulo 1



Notas do Autor


Olá, minna-san! Tudo bem com vocês?

Talvez vocês tenham percebido que ultimamente eu estou postando muita investigação policial, mas tudo isso é influência do meu estágio na Polícia Civil ~ e da minha paixão adolescente por livros da Agatha Christie, devo acrescentar.

Essa fanfiction é uma resposta ao Desafio 02/2020 do Projeto Caverna Ryuchi com o tema Animes & Celebridades, onde devíamos escrever em universo alternativo com pelo menos um dos personagens de anime sendo famosos. Pela descrição vocês já sabem quem é o famosinho, não é?

Serão cinco capítulos ao todo e eu postarei à medida que forem ficando prontos até o dia 29/02, que é minha data limite (Jashin me ajude, não tenho a mínima noção se vai dar tempo).

Antes de deixar vocês prosseguirem com a história quero vender meu peixe — nós inauguramos um projeto com o pessoal mais foda do Spirit, e vou deixar o link nas notas finais para vocês seguirem o perfil onde vocês poderão encontrar outras histórias desse tipo, caso tiverem gostado da proposta do desafio.

Jashin abençoa quem lê e comenta.
Vem comigo!

Capítulo 1 - Parte I


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O crepúsculo alaranjado envolvia os céus índigos da pequena cidade de Konoha. As nuvens acinzentadas que flutuavam serenas eram tingidas de dourado, e as montanhas de cumes escarpados no horizonte eram contornadas por um reflexo vermelho vivo, como se o manto celeste estivesse em chamas.

E todos diriam que esse era um entardecer como todos os outros – o vento fresco tremulava as copas das árvores dos bosques da região, as folhas secas do outono margeavam as ruas estreitas de paralelepípedos, os comerciantes giravam as placas penduradas nos vidros das portas, mostrando que o expediente tinha se findado.

O Hotel Kurama, o grande acolhedor dos forasteiros, recepcionava os recém-chegados, acendendo as luzes acobreadas das lâmpadas fluorescentes nas varandas abertas. Esse estabelecimento imponente fora construído em um pequeno desvio da longa rodovia que cortava Konoha, uma gigantesca via asfaltada que serpenteava comércios decadentes e abandonados.

Um posto de gasolina desativado, do outro lado da estrada, propagava rangidos assustadores quando as correntes enferrujadas eram atritadas pelo vento. Os tecidos plastificados das propagandas ondulavam como bandeiras, rasgados e puídos, e seus movimentos faziam sombras estranhas aparecerem nas passagens de cimento quebrado.

Os arbustos cresciam entre as fendas, e as plantas trepadeiras se esgueiravam pelas paredes e muros, tomando o galpão antigo de assalto. Além do local de abastecimento esquecido, não havia outras construções nas proximidades do Hotel Kurama, que também não aparentava estar em perfeitas condições.

A tinta laranja da fachada estava descascando, formando trincados superficiais e irregulares. Uma grande parte das luzes do letreiro neon, que tinha o desenho de uma raposa, estava queimada – uma ou outra letra reluzia embaçada no escuro, e o mal contato do circuito elétrico fazia as esferas piscarem, causando arrepios desconfortáveis.

O Hotel Kurama parecia assombrado por fora, contudo, por dentro, era aconchegante. No térreo estava a recepção e o restaurante, de onde tinha origem o cheiro de rámem fumegante e levemente apimentado, com muita carne de porco e acompanhamento de folhas verde-escuras.

Os hóspedes eram guiados pela fumaça aromática até um amplo salão, onde se instalavam nas mesas de madeira e poltronas com almofadas confortáveis, criando uma redoma de ruídos peculiares – o tilintar dos talheres e copos, o burburinho das conversas amenas, as risadas guinchadas entre as sugadas do macarrão ensopado.

Uzumaki Kushina andava de um lado para o outro, com um avental encardido sobre seu vestido verde-oliva, agitando uma colher de pau com uma mão enquanto tinha a outra presa à cintura, repetindo ordens aos seus subordinados que insistiam em lhe desobedecer – ou não obedecer adequadamente.

Naruto cuidava dos pedidos, dando assistência cordial aos freguezes, com um sorriso tão radiante que aumentava o valor de suas gorjetas. Hinata, esposa de Naruto, dividia-se em dar suporte ao marido no trabalho e cuidar do curioso Boruto, de cinco anos de idade. O pequeno Uzumaki era tão parecido com o pai quanto este era com seu avô Minato, que a propósito era responsável pela entrada e saída de hóspedes, e de solucionar quaisquer problemas que as encanações enferrujadas e os vasos entupidos pudessem causar.

O Hotel Kurama era um monumento sendo lapidado pelo tempo, envelhecido como papiro pincelado com vinho, entretanto era motivo de orgulho daquela pequena família. Esse estabelecimento era herança dos avós de Kushina, os antigos Uzumakis que vieram de um país distante para criarem raízes no vilarejo de Konoha, erguido entre um mar de folhas, que ainda rodopiavam em pequenos redemoinhos de vento nos espaços abertos.

O fluxo de hóspedes era mais denso no passado, conforme mostravam as anotações precárias dos antigos livros de registros. Contudo, depois que a estação de trem, há dois quilômetros de distância, tinha sido fechada, e as estradas de ferro que passavam atrás da voluptosa pousada fossem tragadas pelas folhagens insistentes, não havia mais motivos para que o Hotel Kurama se tornasse uma opção viável.

Um caminho asfaltado foi planejado na época do prefeito Hashirama, e depois a estrada foi duplicada na administração de Tobirama, trazendo os caminhões para as proximidades, e a presença dessas latarias pintadas com logotipos de empresas tornava a região ainda mais desolada.

As garotas de programa aproveitaram a clientela para oferecer seu próprio tipo de negócio, o que atraiu os cafetões e os comerciantes de entorpecentes, e logo uma rede de crime se instalou próxima ao Hotel Kurama, que tentava sobreviver em meio à violência e o terror que acometiam Konoha.

— Eu aposto que se fosse no governo de Tobirama não haveria essa pouca vergonha. — Uma senhora distinta falou um pouco mais alto em uma das mesas, indignada com a situação que a cidade emergente se encontrava. — Eu sinceramente não sei o que esse prefeito Sarutobi Hiruzen está fazendo, está caducando, não tem outra explicação. Kushina, eu acho que está na hora de elegermos um novo candidato. Seu marido não teria interesse em concorrer ao cargo?

— Minato seria perfeito como prefeito, um homem tão educado e atencioso, deveria se candidatar para as próximas eleições. — A companheira desta concordou com a proposta, e Kushina servia as mesas com eficiência e rapidez, sorrindo sem se ater muito ao assunto. — Ele teria meu voto.

Kushina adoraria se Minato fosse eleito. Eles poderiam reformar o Hotel Kurama e fazer as melhorias que a população precisava, mas no momento os pedidos exigentes não podiam esperar, e ela ainda tinha que obrigar o marido a lavar as tigelas de rámem porque Naruto tinha saído da cozinha para tomar conta de Boruto por um momento, para que Hinata descansasse um pouco.

— Dizem que aquele macaco velho sai ganhando com todo esse caos. — Um senhor de meia idade comentou, sussurrando como se contasse um segredo às madames na mesa ao lado. — Ele passa o dia inteiro fumando aquele cachimbo, às vezes solta um cheiro estranho e eu duvido que seja tabaco. Com toda essa má vontade de fazer alguma coisa por nós, só pode estar fumando maconha ou haxixe.

— Hoje em dia qualquer pessoa está usando esse tipo de coisa. — A mulher idosa crispou o lábio, temendo que fosse contaminada caso proferisse o nome da substância. — Não vê aquele menino do Fugaku? Ele montou aquela banda de rock de garagem, depois que entrou para aquela coisa de fazer tatuagem e cantar aquelas letras que ninguém entende, ficou famoso e se enterrou nessas porcarias.

— Ah, o pequeno Sasuke! — O senhor assentiu com entusiasmo. — É a única celebridade que nós temos de Konoha. Eu era muito fã da banda Sharingan, quando começou. Eu também tive minha fase rebelde na adolescência, apesar das bandas serem um pouco melhores na minha época.

— Mas aposto que você não usava drogas e não levava prostitutas para dentro do quarto. — A mulher ralhou com ele. — Depois que ficou viciado, Sasuke acabou indo parar em uma clínica de reabilitação. Agora está aí, um homem feito, herdou o cargo de xerife de Fugaku. Só não faz mais por Konoha por causa do prefeito, e é por isso que eu volto a insistir, precisamos colocar Minato no lugar de Hiruzen.

A terceira idade continuou a conversa anacrônica de discutir política atual misturada com historias da cidade que quase ninguém se recordava. Não havia um lar para idosos em Konoha, então Kushina alugava quartos mensalmente por um bom preço, para que os velhinhos da cidade tivessem onde morar e preencher os dias vazios com conversas tolas na companhia de outros da mesma época.

O Hotel Kurama agradecia esses freguezes fixos, por causa deles não haviam ido à completa falência nas baixas temporadas. Kushina se apertava entre as cadeiras para chegar à cozinha e ver Minato esfregar calmamente uma tigela de rámem com o pano de prato.

— Pare de polir a cerâmica, isso não é de prata! — A Uzumaki ralhou com o marido, tirando os itens da mão dele. — Agora vá ver se Naruto precisa de ajuda com Boruto, não sei porque a Hinata ainda não voltou.

O homem levantou as mãos admitindo a derrota, não iria discutir com a esposa. Kushina era esquentada como uma pimenta vermelha, se um dia acordasse disposta poderia expulsar os usuários de drogas da beira da estrada com uma colher de pau, sem qualquer tipo de remorso ou dúvida.

Minato estava para sair da cozinha quando as solas de seus pés se tornaram chumbo, impedindo-o de se movimentar. Kushina parou de reclamar sobre a falta de ânimo de seus empregados, sua boca estava entreaberta, segurando a respiração por tantos segundos que ela não chegou a contar. O salão amplo mergulhou em profundo e completo silêncio, até mesmo o atrito sutil da brisa nos vidros da janela era ouvido perfeitamente.

Um grito estridente tinha percorrido o ambiente, como um objeto afiado riscando uma superfície resistente, a voz feminina atingiu seu volume máximo de decibéis, antes de desaparecer tão rápido quanto surgiu. Depois de despertos do transe, todos começaram a se mover ao mesmo tempo, criando um alvoroço colossal assim que seus nervos descongelaram do choque.

Eles conheciam a mulher em apuros.

Aquela era a voz de Hinata.

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O clarão dos flashes iluminava a escuridão segundos depois do estalo que o clique do botão da máquina fotográfica fazia. Havia fitas amarelo fluorescente cercando a lateral do Hotel Kurama, e os poucos policiais tentavam manter os clientes curiosos à distância – o que era muito difícil porque todos queriam entender a situação.

Os cartões numerados estavam espalhados pelo chão de terra batida, e cada um deles simbolizava um detalhe da cena macabra - os cartuchos dourados vazios, os rastros de sangue coagulado, pedaços de roupa e cabelo que foram arrancados no confronto. A perícia técnica registrava com fotografias para a confecção de um laudo que explicasse as causas da morte, e que, com sorte, os levasse ao verdadeiro autor do crime.

Um assassino estava à solta em Konoha.

Kushina estava abraçada à Minato, dividida entre a dor da perda e a preocupação por seu negócio ter sido o local de um homicídio, como se o Hotel Kurama precisasse de qualquer outra coisa para espantar os clientes. Naruto estava um pouco mais atrás, segurando Boruto no colo e conversando com ele para explicá-lo o que estava acontecendo, e o pequeno fazia perguntas capciosas demais para uma criança de cinco anos.

Hinata estava ajoelhada na terra, abraçando o cadáver enquanto soluçava. A areia e o sangue sujavam suas roupas, o cheiro dos órgãos internos expostos no tempo ventoso embrulhava seu estômago, mas era praticamente impossível se levantar dali, quando todo peso do mundo parecia se acomodar sobre seus ombros. A mulher acariciou os longos cabelos castanho-escuro, e encarava as íris cinzentas de uma tonalidade tão clara quanto pérola, as pupilas estavam nubladas, olhando o céu estrelado como se não o visse.

Neji estava morto.

Os policiais discutiam hipóteses enquanto seguiam o protocolo – um deles fazia o boletim de ocorrência, o outro acionava o xerife que não estava na sede, e um terceiro orientava os peritos e tentava acalmar em vão os espectadores curiosos.

Como se o aglomerado não estivesse agitado o suficiente, uma mulher tentava romper a multidão, afastando as pessoas até chegar no olho do furacão, o centro de todo caos, o eixo sobre o qual o mundo sem graça dos habitantes de Konoha girava naquele instante.

Naruto segurou a mulher pelos ombros, e ela se virou com brusquidão, encarando os olhos azuis com suas íris esmeraldinas, as pálpebras levemente arregaladas, como se previsse o que veria a seguir.

— Você não vai querer que o Shinsuke veja isso. — O Uzumaki sentenciou ao olhar de relance para o próprio filho, segurando suas pernas, e o olhar de ambos recaiu sobre a criança que estava de mãos dadas com a mulher de cabelos rosados.

— Fique aqui com o tio Naruto por um momento, sim, meu amor? — Sakura acariciou a bochecha da criança de sete anos, com cabelos negros rebeldes e olhos ônix estreitados, tentando entender o que sua mãe queria esconder dele.

Sakura rompeu entre a confusão e chegou até o limite das fitas amarelo fluorescente. Ela observou Hinata desconsolada, debruçada sobre um corpo, e seu cérebro passava a processar com dificuldade as características ocultas pelas sombras, já que a iluminação do ambiente era feita pela lua encoberta pelas nuvens e pelas lâmpadas da varanda do Hotel Kurama, um pouco afastada.

E aos poucos reconhecia a vítima, que era o centro de toda a comoção, e a medida que fazia isso, seu sangue acelerava o circuito em suas veias, o coração batia mais rápido e a respiração tornava-se insustentável. Sakura enfrentou situações de vida ou morte, nas quais pensou que nunca iria sobreviver para ver o próximo dia. Entretanto, nada a tinha preparado para o que seus olhos se recusavam a acreditar.

Um homicídio em Konoha havia feito sua vítima.

Seu namorado estava morto.

A mulher não saberia informar por quanto tempo permaneceu em transe até ser despertada pelo brilho vermelho e azul do giroflex da viatura do xerife. O veículo escuro de um modelo antigo estacionou no espaço de terra ao lado, seguido pelo carro da funerária. Um homem alto saía do lado do motorista com impaciência.

Ele vestia calças negras com uma camisa de mangas compridas escura, que na lateral dos ombros ostentava o símbolo da guarnição policial. Seus cabelos desgrenhados e seus coturnos surrados, amarrados com pressa e desleixo, transmitiam uma aparência de rockstar, apesar de sua intenção ser passar a imagem de guardião da lei.

As pessoas se afastavam de imediato à medida que os passos do xerife se aproximavam, dando espaço para que o homem tomasse seu lugar de direito, embora os moradores da cidade associassem este ato à um microfone no palco, e não ao processo de investigação de um crime hediondo. Sakura deu um passo para trás quando avistou a figura que não via há sete anos, e voltou apressada para onde tinha deixado seu filho.

— Por que não me contou que o xerife era o Sasuke? — A mulher pegou a criança no colo, andando apressada para o Hotel Kurama, a fim de se proteger do desconforto que sabia que era inevitável, mas poderia ser adiado.

— Eu não sabia que isso era importante. — Naruto murmurou, mas depois se corrigiu sob o olhar acusatório de sua amiga. — Eu só queria te ajudar, Sakura. Talvez, se eu dissesse isso, você não aceitaria se mudar para o Hotel Kurama com Neji, e continuaria sofrendo com aquela vida difícil em Suna.

— Como se Konoha fosse um lugar muito melhor do que Suna. — Sakura debochou, seus passos fortes levantavam poeira em suas calças jeans, mas essa era a menor de suas preocupações. — É claro que eu sabia que ele era filho do xerife Fugaku, mas ele estava sempre viajando pelo mundo em suas turnês, jamais pensei que ele aceitaria suceder seu pai em uma profissão que ele sempre desprezou.

— Mamãe, o que está acontecendo? — Shinsuke perguntou assim que Sakura colocou-o no chão em uma sala de estar no primeiro andar.

— Nós ainda não sabemos, meu amor, uma pessoa se machucou e agora nós temos que nos afastar para deixar que os policiais e os socorristas façam o trabalho deles, não é mesmo? — A mulher mentiu com um sorriso.

Sakura sempre foi assim – nunca foi capaz de sentir suas próprias emoções, como a morte do namorado, porque sempre tinha coisas ainda mais importantes em primeiro plano. Ela não poderia se dar o luxo de sofrer a morte de Neji, porque agora ela tinha que esconder Shinsuke de Sasuke, e tentar ela mesma evitá-lo a todo custo.

— Pode voltar se quiser, Naruto. — Sakura ligava a televisão para colocar um desenho animado no aparelho analógico, ajustando a antena acoplada. — Eu cuido deles.

Shinsuke e Boruto estavam entretidos, deitados no sofá entre as cobertas e travesseiros, e a Haruno se aproximou sorrateira da janela empoeirada, afastando um pouco a cortina cor de creme para observar a movimentação no andar debaixo. Naruto voltava à se entranhar no aglomerado, abraçando os pais e depois ajoelhando ao lado da esposa para levantá-la. Sakura tinha perdido o namorado, mas Hinata tinha perdido o irmão, e ela não poderia imaginar esse sofrimento porque era filha única.

Os olhos esmeraldas, muito vivos, escaneavam o desenrolar da ação policial, e de tempos em tempos encaravam o xerife taciturno, que tinha acendido um cigarro e agora expelia a fumaça cinzenta no meio aberto. Ele estava um pouco mais musculoso do que se lembrava, agora que não era mais dependente químico, mas sua expressão estava mais cansada e suas olheiras mais fundas.

Depois de inspirar e expirar, inalando a nicotina, o homem olhou para a janela do primeiro andar, e Sakura recuou dois passos para trás, saindo de seu campo de visão. Aquela seria uma longa noite, cheia de segredos, mistérios e tentações.

Uchiha Sasuke seria sua perdição.

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 Sasuke estava começando a perder a paciência quando a entrevista se estendia noite a dentro. Misteriosamente, todos diziam que tinham uma informação importante a comunicar e que só poderiam fazer isso em um ambiente seguro e recluso.

O Uchiha sabia que isso era uma desculpa para que os habitantes de Konoha tivessem cinco minutos de fama com o ex-vocalista da banda Sharingan, e essa teoria se confirmava com a entrada de duas senhoras idosas em um dos quartos do Hotel Kurama, que fora cedido por Kushina para servir como sala de interrogatório.

— Sasuke! Como você cresceu! Eu peguei você quando estava no colo da Mikoto! — Uma das senhoras começou sem rodeios, demonstrando o verdadeiro interesse por trás de suas intenções. — Agora eu já sou uma idosa, mas você pode retribuir a gentileza, se quiser.

— Não ouse a sugerir que o xerife Uchiha a pegue no colo, sua velha caduca. — A irmã desta cutucou a costela da outra, que gargalhou cobrindo os dentes implantados com a mão. Depois, aprumou a postura e dirigiu-se com elegância para Sasuke. — Por favor, não se incomode com a falta de educação da minha irmã, ela não sabe manter a compostura na presença de pessoas tão distintas e deslumbrantes como o senhor, um verdadeiro pedaço de mau caminho nesse uniforme, devo acrescentar.

— Vocês disseram que poderiam contribuir com o caso. — Sasuke respondeu com a voz monótona. Eram duas horas da manhã, e ele estava longe de ter descoberto alguma coisa relevante suficiente para orientar as investigações.

O que a população lhe informou foi que Hyuuga Neji era irmão de Uzumaki Hinata, casada com Uzumaki Naruto, filho dos proprietários do Hotel Kurama, Kushina e Minato. Neji era residente da cidade vizinha de Suna e tinha se mudado para Konoha há dois meses. Não trabalhava, contudo não causava problemas aparentes.

Essas informações ainda eram muito vagas, uma pessoa tão decente não seria capaz de ser envolvida por um tipo de morte que era comum em execução de criminosos – queima de arquivo, como os próprios assassinos chamam o ato.

Havia muito para ser trabalhado, e o xerife precisava esgotar todas as fontes possíveis, aproveitando que eles se mostravam tão solícitos, apesar de estarem muito mais interessados em passar um tempo com o cantor do que ajudarem propriamente na investigação.

— Claro, podemos contar tudo o que você quiser saber, meu brotinho. — Uma das senhoras assentia vigorosamente, e a pele fina do rosto tremulava no movimento.

— O que vocês sabem sobre Hyuuga Neji?

— Ah, quem diria que aquele homem tão bonito era um Hyuuga. — A outra senhora negou com a cabeça, lamentando o fato. — Pode ser que ele seja filho do antigo líder da gangue Byakugan, Hiashi.

— Gangue Byakugan? — Sasuke repetiu.

— Os Uchihas vivem na região norte da cidade, a área mais abastada de Konoha. É até mesmo compreensível que não conheçam os Hyuugas. — Uma delas pontuou, em tom de crítica. — A Gangue Byakugan foi formada por Hiashi, um excelente lutador de rua, que defendia os mais frágeis, e depois passou a ser respeitado como um líder da comunidade. Era uma causa nobre, antes de se envolverem com o crime.

— Que tipo de crime?

— Drogas e armas.

— E onde eu posso encontrar Hiashi?

— Ele morreu.

— O que aconteceu com a Gangue Byakugan?

— Acho que uma gangue rival tomou o poder. — A senhora colocou o dedo no queixo, tentando se lembrar de algo importante. — Não posso dizer mais do que isso porque agora moro no Hotel Kurama, não sei como as coisas estão por lá.

— A senhora se lembra a época que Neji passou a morar em Suna? — O Uchiha rabiscava o bloco de notas, traçando novas possibilidades de investigação.

— Acho que foi logo depois da morte de Hiashi. Parece que os subordinados não aceitaram a liderança dele, e sem um líder, a gangue se desintegrou, e os outros membros foram trabalhar para outra pessoa.

— A senhora ficou sabendo por que motivo ele decidiu retornar à Konoha?

— Essa informação não vai sair daqui, não é? — A mulher se inclinou na cadeira para sussurrar com a voz tremida. Diante da negação do xerife, ela se recostou na cadeira. — Acho que eu ouvi pelos corredores do hotel que ele veio para acompanhar uma mulher.

— Uma namorada?

— Acho que sim.

— E ela também tem um filho. — A outra senhora, que apenas observava, decidiu acrescentar, sentindo que estava sendo tão útil quanto a irmã.

— Filho dela, com certeza. — Ela crispou os lábios em desaprovação a filhos bastardos. — A criança não se parece com ele.

Sasuke sentia-se desperto novamente. De acordo com suas experiências de campo, os parceiros de relacionamento são geralmente os suspeitos, ou escondem informações importantes que podem solucionar o caso. As investigações poderiam até mesmo serem concluídas naquela noite se ele fosse capaz de falar com a mulher.

— E onde posso encontrá-la?

— Ela mora aqui no hotel.

— Ela estava na multidão antes do senhor chegar.

As suspeitas tornavam-se mais palpáveis. Ele poderia suspender todos os outros curiosos, que provavelmente pediriam autógrafos, se ele vacilasse, e interrogar diretamente a namorada de Neji.

— Mais alguma coisa, senhoras?

— Ah, eu queria tantas outras com o senhor, xerife. — Uma delas corou, abraçando o próprio corpo magro.

— Então terminamos aqui. — Sasuke se levantou da cadeira. — Obrigado pela ajuda.

O Uchiha saiu da sala e atravessou o corredor até a recepção, onde encontravam-se Minato e Kushina.

— Encontrou o que procurava, xerife? — A ruiva questionou.

— Neji mudou-se de Suna com uma mulher e seu filho. De acordo com as informações que consegui, ela está hospedada aqui mesmo. Poderiam chamá-la para mim, por favor?

— Senhor xerife, com todo respeito, ela está muito abalada. Imagine só, o namorado morrer dessa forma. Se Minato morresse, eu morreria junto com ele. Acho que deveríamos respeitar o momento de luto. — Kushina passou a se explicar eufórica, tentando a todo custo afastar Sasuke da pista mais quente que ele tinha conseguido.

— Com todo respeito, senhora Uzumaki, a investigação policial é imparcial, não podemos deixar de seguir o protocolo porque as pessoas estão desconfortáveis, porque é a reação normal de qualquer pessoa sob suspeita. Como a senhora está agora, é claro.

— Eu sou uma suspeita?!

— Ele morava no Hotel Kurama. Por que não seria?

— Eu jamais faria uma coisa dessas! É uma afronta o que o senhor está fazendo, senhor xerife! Eu me recuso a submeter aquela pobre garota a uma situação constrangedora com um sujeito tão grosseiro quanto o senhor!

— Se a senhora não colaborar com a Polícia, eu a prenderei por obstrução da justiça. — Sasuke cruzou os braços, fechando o semblante. — E eu posso pedir um mandato a qualquer momento para revirar esse lugar de cima a baixo, e se eu não encontrar essa pessoa imprescindível para a solução desse caso, posso considerá-la como foragida e ela será presa temporariamente até prestar depoimento sobre o que sabe.

— Kushina, não podemos evitar isso, de qualquer forma.

— Isso é um absurdo, Minato! — A ruiva gesticulava desolada.

— Quarto 109. — O homem suspirou, resoluto.

Sasuke voltou pelo caminho de onde tinha vindo antes de escutar qualquer outra reclamação de Kushina e prendê-la por desacato à autoridade. Ele olhou para a placa metalizada pendurada na porta de madeira, com o número gravado, e bateu com os nós dos dedos na superfície.

Esperou poucos segundos, conferindo o horário em seu relógio de pulso, certificando-se de que poderia ter pelo menos duas horas de sono antes de voltar ao expediente. Suas pálpebras pesavam, sonolentas, e seus globos oculares pinicavam, como se tivessem grãos de areia incomodando a pele fina.

A porta se abriu lentamente, e quando percebeu de quem se tratava, seu coração pulou algumas batidas. Sasuke sentiu a saliva evaporar de seus lábios ressecados, suas mãos e pés se tornaram tão gelados depois que o sangue se concentrou no seu peito, aumentando o funcionamento cardíaco e acelerando a respiração precária pelo uso contumaz de tabaco.

O Uchiha reconheceria esses olhos verdes como jade em qualquer lugar do mundo. Olhos esses que protagonizaram muitas de suas canções, e que por um segundo refletiram medo antes de se estreitarem, reconhecendo com pesar as íris ônix que lhe eram tão familiares.

— Sakura?!

Sasuke fez um esforço monumental para obrigar suas cordas vocais a proferirem o nome de sua musa, mas ela deu um passo para atrás e segurou a porta, planejando fechá-la com violência. Entretanto, o xerife foi mais rápido e espalmou a madeira, empurrando-a junto com o corpo de Sakura para o quarto escuro.

O moreno fechou a passagem com um baque surdo que ecoou de súbito no corredor vazio, e sua mão áspera tratou de tatear a parede a procura do interruptor. Entretanto, o mais assustador não era se encontrar com Sakura depois de sete anos separados, e perceber como estava linda como sempre fora.

Havia um magnetismo que atraía o corpo do Uchiha para a direção contrária, em um ponto mais distante no cômodo, onde um garoto amedrontado estava parado. A criança tinha a pele tão branca quanto alabastro, seus cabelos negros e rebeldes foram ajeitados em um corte repicado, com longas franjas nas laterais do rosto, o mesmo estilo que o próprio Sasuke usava quando era mais novo.

E os olhos, negros como carvão, de uma tonalidade que era muito difícil de se encontrar em outras pessoas que não tivessem parte da genética predominante da família Uchiha, mostravam-se tão atordoados quanto os do próprio xerife.

Se Sasuke pegasse uma fotografia de quando era criança e dissesse que a pessoa era o menino desconhecido, nem mesmo Fugaku e Mikoto seriam capazes de perceber a diferença. Sakura percebeu como a autoridade policial encarava obcecado seu filho, e com um salto se posicionou ao lado dele, como uma leoa defendendo o filhote.

— Meu amor, vá ficar com a vovó Kushina por um momento, sim?

— Mamãe, tem certeza que não tem problema você ficar sozinha com ele? — O garoto sussurrou com a voz falha.

— A mamãe vai ficar bem. O xerife só quer conversar, eu prometo não demorar, tudo bem? — Sakura segurou nos ombros do filho e o guiou para um caminho mais afastado do homem temível que se portava como se tivesse uma síndrome crônica de divindade. E esse narcisismo a Haruno conhecia perfeitamente, inclusive, ela foi uma das que ajudaram o ex-vocalista da Sharingan a construir esse egocentrismo indissolúvel.

Sasuke não se mexeu quando a criança passou correndo para deixar o ambiente, e seus nervos anestesiados recobraram a sensibilidade quando ele se viu sozinho com Sakura no quarto e percebeu que tinha prendido a respiração.

Uma forte dor de cabeça lhe acometeu, fazendo-o apertar o rosto com ambas as mãos, sentindo todo o esgotamento físico e mental invadir seu organismo – seus pensamentos não lhe obedeciam, embora ele tentasse controlá-los, enquanto dava voltas em um circuito sobre o piso velho de tacos, que rangia sob o peso de seus coturnos.

— O que você quer, Sasuke? — Sakura rompeu o silêncio, cruzando os braços em uma posição inconsciente de defesa.

— Eu quero entender o que está acontecendo, Sakura. — A voz rouca do Uchiha era ríspida e cortante. — E não é por causa de um capricho, é o meu trabalho, mas parece que eu estou descobrindo coisas que estão sendo muito difíceis de processar. Eu tenho um homicídio lá embaixo, custei a descobrir uma informação relevante que, no fim, me levou a você, e quando eu penso que esgotei o limite de surpresas eu vejo uma criança que é a minha cópia e eu nem mesmo sabia da existência dela. Eu quero uma coisa muito simples, Sakura. Eu quero entender.

— Eu não tenho nada para falar com você. — A Haruno ousou a levantar a voz aguda, ainda que abafada pela ferocidade de seu olhar. Sasuke sentiu seu sangue ferver, e em um rompante ele pressionou seu corpo contra o de Sakura na parede, fazendo suas respirações quentes se misturarem. Sakura fechou as pálpebras mediante a proximidade exacerbada, mas o xerife deu um soco na parede de tijolos podres, afundando a precária camada de argamassa, chamando a atenção da mulher para si.

— Você tem muitas coisas para falar comigo desde que terminou nosso relacionamento por telefone há sete anos atrás. Não sabe o inferno que eu passei depois que você se foi. E não se dignou nem ao menos a me dar uma explicação. — Sasuke vociferava tudo aquilo que tinha ficado entalado em sua garganta depois de todos esses anos. Havia ódio e mágoa em suas palavras, mas o sofrimento não era unilateral.

— Agora você vai se fazer de desentendido?! Isso é bem a sua cara, Uchiha Sasuke. — Sakura riu sem humor. — Eu não sabia que tinha que entrar em detalhes sobre ter encontrado você e Ino dormindo nus na cama. Ela era minha melhor amiga, seu idiota! E eu te amava! Como você pode fazer isso comigo e ainda exigir explicações?!

— Sakura, não é isso que você está pensando!

— E você acha que eu ainda vou acreditar em você? Depois disso eu não queria olhar na sua cara! Eu estava indo te contar que estava grávida e você estava lá, me traindo com a minha melhor amiga. Só por curiosidade, você engravidou ela também? — A voz feminina saía debochada, mas um bolo se formava na garganta dela, e seus olhos ardiam como se pegassem fogo.

— Sakura, eu e Ino não estávamos transando. — Sasuke suspirou, abaixando o tom de voz para narrar com constrangimento o que aconteceu. — Eu estava injetando heroína, e ela apareceu no meu quarto, completamente alterada. Ino me pediu ajuda porque alguém tinha drogado a bebida dela, ela não estava sabendo lidar com o efeito da substância. Então ela começou a ter alucinações, e como se tivesse surtado ela tirou a roupa. Eu estava sozinho, não sabia lidar com a situação, e acabei errando a dosagem de heroína na seringa, e tomei mais do que realmente usava.

— Eu vi vocês dois caídos sobre a cama...

— Sakura, eu estava tão anestesiado pelo efeito da heroína que eu sequer era capaz de ter uma ereção! Eu não preciso explicar isso para você, uma médica sabe disso melhor do que ninguém.

— Eu não terminei o curso de medicina.

— Como não? Você... você amava essa profissão.

— Como você acha que eu poderia intercalar um curso integral com a ocupação vergonhosa de ser mãe solteira?! — As lágrimas que ela reprimia não podiam mais ser contidas, e escorriam pelas bochechas inchadas e vermelhas como ácido corroendo a pele. — Eu tive que me mudar para Suna pensando em conseguir ajuda dos meus pais, mas nem mesmo eles aceitavam que o neto deles não tinha um pai. Suna é ainda menor que Konoha, e por causa disso as pessoas falavam, e eu escutei tantas coisas que... se não fosse a ajuda de Neji...

A recordação da existência de Neji fez com que a consciência da morte dele surgisse como uma explosão em sua mente. Ela abraçou Sasuke, segurando com punhos fechados o tecido escuro da roupa, soluçando enquanto permitia-se aliviar o sofrimento de ter perdido mais do que um namorado – um amigo, que a ajudou no momento em que ela mais precisava de alguém, e que fora tomado dela sem nenhuma explicação. Talvez fosse a vida lhe trazendo o karma de ter tomado os direitos de Sasuke sobre Shinsuke.

O Uchiha não sabia o que fazer, sentia desprezo por ver Sakura chorando em razão de outro homem, mas seu corpo o traiu e seus braços a envolveram, deixando com que ela se derramasse sobre seu peito. A raiva de saber que outra pessoa esteve no lugar dele nos primeiros anos de vida de seu filho tirava-o do eixo, e as chamas do ciúme cresceram tanto dentro de si como se tivessem jogado gasolina.

Ele poderia matar Neji nesse momento se ele já não estivesse morto. Usando de todo exercício mental que aprendeu durante seu período sabático, o xerife direcionou seus pensamentos para a percepção de que a mulher que amava e seu filho precisavam dele mais do que tudo nesse momento.

Eles necessitavam de alguém que lhes desse amor e segurança e, acima de tudo, alguém que os tirasse do meio desse episódio tão horrendo quanto um filme de terror – o protagonismo de um inquérito de assassinato – e afastar a sombra sorrateira que tentava envolvê-los como suspeitos do crime.

Apenas Sasuke poderia fazer isso por eles.

— Por que não me procurou depois, Sakura? Eu poderia ter te ajudado a cuidar do nosso filho. — Essas palavras assumiram um gosto adocicado na boca de Sasuke, embora seu tom de voz estivesse carregado de ressentimento.

— E implorar o seu amor? — A mulher levantou a cabeça para perscrutar os olhos ônix cravados sobre si. — Você era o vocalista de uma banda em ascensão, Sharingan estava no auge, dificilmente você deixaria seu estilo de vida por minha causa, ainda mais no estado avançado de dependência química que você se encontrava.

Então, usando de uma assertividade que não possuía, Sasuke confortou a mulher em seus braços com uma voz tão melodiosa quanto uma de suas canções.

— Você sempre teve o meu amor, Sakura. — O Uchiha acariciava os cabelos rosados, forçando-a a se acomodar em seu peito novamente, enquanto apoiava o queixo sobre o topo de sua cabeça. — Nunca precisou implorar por ele. Eu só estava cego demais para conseguir enxergar além das drogas e da fama. Depois que me vi em uma clínica para dependentes químicos, meus olhos se abriram para enxergar o quão longe eu tinha ido. Eu nunca parei de me culpar pela forma como eu tratei você. Por isso... você não precisa me perdoar... mas, se for possível, saiba que eu sinto muito por tudo.

Sakura sentia sua aflição se desintegrar com essas palavras. A respiração regulava-se de modo progressivo, e por conta disso ela foi capaz de sentir o cheiro de amaciante do uniforme policial, mesclado com o perfume amadeirado que ele sempre usava. Uma sensação confortável arrepiava sua pele, era como estar de volta em casa depois de um longo tempo vagando por terras estrangeiras.

Sasuke sentia o mesmo – a maciez dos cabelos pintados de rosa bebê, a textura hidratada da pele feminina, o cheiro de alecrim e lavanda do sabonete preferido de Sakura. Por muito tempo, tudo o que o Uchiha queria era estar com Sakura de novo, envolvido pelos braços dela, como estava agora. Se a vida estava lhe dando uma segunda chance, ele não deixaria essa oportunidade escapar por nada nesse mundo.

— Eu vou cuidar de você, e também vou cuidar dele. — Isso definitivamente não era um pedido. — Como é o nome dele, Sakura? Como nosso filho se chama?

— Shinsuke. — A Haruno suspirou, enquanto apertava ainda mais seus braços envolvidos nas costas largas de Sasuke. — O nome dele é Shinsuke.

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Notas Finais




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