História Hotter Than Hell - Capítulo 13


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Categorias 50 Tons de Cinza, Barbara Palvin, Dakota Johnson, Jamie Dornan, Justin Bieber
Personagens Anastasia Steele, Christian Grey
Visualizações 221
Palavras 4.807
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ficção, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Drogas, Estupro, Heterossexualidade, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Volteeeei com mais um capítulo inédito ❤❤

Capítulo 13 - Therapy


Fanfic / Fanfiction Hotter Than Hell - Capítulo 13 - Therapy

Anastasia Steele

Se passaram alguns dias, mais precisamente uma semana, e posso dizer que as coisas estão se encaixando novamente. Eu não estou tão mal como antes e Christian tem grande parcela de culpa nisso, ele está fazendo de tudo para fazer dos meus dias mais alegres, e está sempre comigo na maior parte de tempo, seja na escola ou fora dela. Também estou tentando algumas seções de terapia por semana que estão me ajudando bastante, preciso manter as crises controladas e por enquanto eu estou conseguindo. Kate tem faltado as aulas, sei que ela está me evitando mas estou muito preocupada, que ela não tenha feito nenhuma besteira depois do que eu lhe contei. Mia foi a única que não se sujou com essa história, ninguém contou a ela, principalmente seus pais, mas uma hora ela terá que ficar sabendo, por que eu irei contar.

Posso dizer que estou quase voltando ao meu eu normal, mas não totalmente, algumas questões dentro de mim precisam ser resolvidas. Hoje eu estou em casa, o que era raro já que eu vivia mais na casa do Christian do que aqui, mas eu resolvi dormir em casa para Carla parar de encher o saco, ela estava quase ligando para o meu pai e importunando a sua viagem com  Samira, eles estão viajando pelo mundo em uma segunda lua de mel. Não quero preocupar o meu pai a toa, ele merece se divertir com a mulher dele sem ser bombardeado pelos problemas da filha problemática dele.

Quando o despertador toca, eu me levanto da cama e ando até o banheiro, escovo os dentes e levo o rosto para tirar a cara de sono. Tiro o meu pijama e entro no chuveiro e início um banho rápido, não molho os cabelos para não perder tempo ao seca-los. Saio do banheiro enrolada em uma toalha e pego o meu uniforme que a empregada deixava separado todas as manhãs para eu usar, visto uma lingerie vinho e em seguida o uniforme, coloco uma meia arrastão por baixo da saia e calço as minhas botas. Enrolo as mangas da blusa até os antebraços e vou até a penteadeira, penteio os meus cabelos e dou um jeito na minha franja, marco meus olhos com lápis preto e em seguida passo uma camada de rímel nos cílios, coloco as lentes de contato, e nos lábios um gloss rosado, coloco pulseiras nos meus pulsos para esconder as cicatrizes. Finalizo borrifando um pouco de perfume em mim, saio do closet, pego meu celular e minha mochila saindo do quarto em seguida.

Desço as escadas com rapidez e vou até onde todos estão tomando café, sento a mesa e começo a me servir. Carla, Bob e Leila me olham estranho, não sei o que está acontecendo e nem sei se quero, só vou tomar o café e dar o fora daqui.

— Ultimamente você tem andando estranha, Anastasia.— Carla começa, olho para ela.— Uma semana, anda cabisbaixa e como se tivesse chorado o tempo inteiro, e na outra você age como se nada tivesse acontecido, o que deu em você?

— Não fale como se você se preocupasse comigo, mamãe.— digo irônica.— Todos nós sabemos que você não se importa nem um pouco com o que eu estou passando.

— Tem razão, eu não me importo.— dá um gole em seu café.— Mas mesmo assim, eu gostaria de saber o que está acontecendo.

— Não foi nada de mais.— eu rio um pouco.— Eu só fui estuprada, pelo irmão do Christian. Olha que incrível.

— Como é? — Leila me olha.— Você está dizendo, que Elliot Grey estuprou você?

— É Leila, é isso que eu estou dizendo.— reviro os olhos.— Você é tão burra que não consegue entender nem o que as pessoas falam?

— Onde você estava quando isso aconteceu? — Carla me olha desconfiada.— Você provocou o garoto Anastasia?

— É Ana.— Bob fala.— Você provavelmente fez algo para isso ter acontecido.

— Puta que pariu.— levo a mão a testa e fechos os olhos tentando me acalmar. O que não surte efeito por que eu explodo.— Sabe o que eu fiz? Nada! Eu não estava fazendo absolutamente nada, eu não provoquei o garoto, eu não dei espaço, eu não fiz nada.— grito.— Eu só estava me divertindo em uma festa como qualquer outra pessoa! Mas o nojento se achou no direito de me tocar, mesmo depois de eu ter dito não um milhão de vezes.— lanço um olhar para o Bob.— E você sabe bem do que eu estou falando não é Bob?

— O que está dizendo? — ele me olha sem entender.— Não sei do que você está falando, Ana.

— Sabe, sabe sim.— solto uma risada irônica.— Aliás, todos aqui nessa mesa, sabem do que eu estou falando.

— Anastasia.— Carla me chama antes que eu saia.— O que aconteceu com o Elliot?

— Até onde eu sei, ele está em coma.— olho para ela.— Mas vai sobreviver, e quando acordar, a cadeia está esperando por ele.

Pego as minhas coisas e saio com rapidez, coloco os meus óculos escuros e saio de casa. Vou até o meu carro, entro e dou partida começando a dirigir, ligo o rádio e está tocando uma música animada, o trânsito está tranquilo então eu consigo chegar no colégio a tempo. Estaciono no estacionamento do colégio e em seguida saio trancando o carro, vejo Christian na sua moto conversando com um dos alunos, ele passa alguma coisa para o menino e em seguida o garoto paga Christian. Imediatamente, eu sei do que se trata, começo a caminhar rapidamente até eles, Christian não nota a minha presença.

— Vaza.— digo para o garoto.— Já consegui o que queria, agora cai fora.

— Opa calma aí Anastasia.— Christian diz quando o garoto sai.— Você não pode atrapalhar meus negócios assim.

— Você é idiota Christian? — começo a dar tapas nele.— Vender droga no estacionamento da escola? Já pensou se pegam você fazendo isso? Quer ir para a cadeia de novo cara? Não é possível!

— Eu tenho que ganhar grana de alguma forma não é? — Christian me olha impaciente.— Eu tenho muita mercadoria guardada em casa, tenho que me livrar dela de algum jeito! O que você queria que eu fizesse?

— Sei lá cacete, que fosse mais discreto? — sento na sua moto também e ficamos de frente para o outro.— Não pode dar bandeira Christian, e se algum aluno certinho te dedura? Você está fodido.

— Eu quebraria a cara do engraçadinho.— Christian diz e eu cruzo os braços o olhando de forma seria.— Eu sei, você está certa, prometo que tomarei mais cuidado.

— Eu acho bom mesmo.— abraço o seu pescoço e lhe dou um selinho.— Quanta grana você está fazendo?

— 15.000 por semana.— ele diz e eu arregalo os olhos.— É, muito dinheiro.

— Você deve cobrar caro pra caralho Christian.— afirmo chocada.— A mercadoria não deve nem valer tanto assim, como consegue enganar esses otários?

— Eu garanto que vale, o produto é de primeira.— Christian diz.— Óbvio que eu aumento um pouco mas nada de mais, esses riquinhos não estão interessados no preço, só querem a droga. É como uma troca, eles tem dinheiro o suficiente para gastar e eu forneço o que eles querem. Simples assim.

Ouvindo Christian falando assim, algo ascendo em minha cabeça, não sei foi curiosidade pela coisa, ou por estar conhecendo mais um pouco desse lado do Christian que desde que nos conhecemos, ele não fazia questão de me mostrar. Acho que era um pouco das duas coisas.

— Quero ser sua sócia.— digo de repente e Christian nega imediatamente.— Qual é! Por que não?

— Por que não, é perigoso.— Christian me olha sério.— Não vou meter você em encrenca.

— Christian, eu tenho vários contatos.— reviro os olhos.— Todos riquinhos mimados que você se interessa, eu tenho todos eles. As garotas do meu time também, embora não admitam.— solto uma risada.— Se soubessem que eu vendo, teria milhares de clientes pra você, e quanto mais gente, mais grana. Vai por mim, eu sei que você quer.

— Digamos que eu aceite a sua proposta.— Christian cruza os braços e levanta uma sombrancelha.— 70% pra mim e 20% pra você?

— Só nos seus melhores sonhos Grey.— digo divertida.— 50 a 50, essa merda tem que ser justa. Afinal, sou eu que trarei a maioria dos lucros.

— Metida.— Christian diz e eu solto uma risada.— Tudo bem, eu topo trabalhar com você.

— Então, estamos combinados? — estendo a minha mão para ele.— Sócios?

— Sócios, minha gata.— ele puxa a minha nuca e me dá um beijo.— Vamos fazer rios de dinheiro.

— Nós vamos ser, tipo Bonnie e Clyde da era moderna.— digo sorrindo.— Já imaginou, parceiro?

— Eu acho melhor essa cabecinha parar de viajar.— Christian ri. O sinal toca.— Vamos entrar, depois nós acertamos todos os detalhes das vendas, ok?

— Certo.— desço de sua moto.— Qual é a sua primeira aula?

— Álgebra.— ele desce da moto.— E a sua?

— Francês.— digo começando a caminhar.— Vou correr, nos vemos no intervalo.

Lhe dou um selinho rápido e começo a correr para dentro da escola, vou até o meu armário e pego os meus materiais os colocando na mochila em seguida. Entro na sala de aula e procuro logo um lugar para me sentar, sento e vejo os alunos entrarem aos poucos, esperamos o professor chegar para iniciarmos dois períodos exaustivos de aulas de Francês. O professor chega e inicia as explicações, anoto tudo em meu caderno. Quando o sinal toca anunciando o fim dos primeiros períodos, pego minhas coisas e saio da sala de química, estou andando pelos corredores em direção ao refeitório, estou com muita fome e preciso encontrar o Christian para conversarmos.

Olho para a frente e vejo Kate caminhando em minha direção, ela está abatida e dá para ver que também está muito triste. Ela estava sumida a dias, não falando comigo ou Mia, mas parece que hoje ela resolveu aparecer.

— Podemos conversar Ana? — ela pergunta baixo.— Eu preciso muito falar com você.

— Claro, Kate.— digo tranquila.— Mas por onde andou? Faz um tempo que não vem as aulas.

— Eu estava precisando de um tempo.— ela diz soltando um suspiro.— Mas eu vou te explicar melhor, vamos sair do corredor?

Caminhamos até o pátio e sentamos no gramado um pouco afastadas das pessoas que já estavam ali, afinal, não queríamos que ninguém escutasse o que tínhamos para conversar. Ficamos em silêncio por um tempo, olhando uma para a outra, até que Kate começa a chorar, fico sem saber o que fazer. Me aproximo dela e a puxo para um abraço, tento fazer com que ela se acalme, respiro fundo para controlar o choro que ameaçava vir, mas eu não quero mais chorar. Eu sei como ela se sente, nós duas fomos machucadas por Elliot, de formas diferentes eu sei, mas mesmo assim, ele nos destruiu.

— Eu sinto muito Ana.— ela soluça.— Eu realmente sinto muito.

— Pelo que está se desculpando Kate? — pergunto sem entender.— Não tem com o que se desculpar.

— Claro que tenho.— Kate olha para mim.— Eu não vi quem o Elliot era de verdade, não vi o monstro que ele é.

— Isso não é culpa sua, como você poderia saber? — enxugo suas lágrimas.— Está tudo bem, o que aconteceu ainda me atormenta, mas eu vou superar.

— Eu vou terminar com ele.— Kate sussurra.— Não dá para continuar com ele sabendo o que Elliot fez.

— Ele vai ser preso.— digo depois de um tempo.— Eu o denunciei.

— Você fez o certo, ele tem que pagar pelo o que fez. — Kate enxuga suas lágrimas.— Mia está louca, precisamos contar para ela.

— Ela está muito puta com o Christian também, o que não é bem uma novidade.— rio um pouco.— Mas depois do que ele fez com o Elliot, parece que a raiva aumentou.

— Ela precisa parar de se alienar.— Kate diz.— Precisa ver que o verdadeiro monstro, não é o Christian.

— Até que enfim encontrei vocês duas.— falando nela, Mia aparece.— As coisas últimas semanas estão muito estranhas, ninguém me diz nada! O que está acontecendo?

Eu sabia que ela não aguentaria por muito tempo, eu estava tão imersa a minha dor e aos meus problemas que não tinha tempo para aguentar os chiliques de Mia, mas agora que estou parcialmente sã, acho que posso esclarecer algumas coisas para ela. O que vai ser muito melhor, assim ela para de atacar o Christian.

— Senta aí Mia.— digo seria.— Já que estamos a três reunidas, podemos falar sobre os últimos acontecimentos.

— Finalmente.— Mia suspira se jogando na grama.— E por que não veio as aulas Kate?

— É uma longa história.— Kate diz.— Mas Ana vai explicar tudo melhor.

— Ok, vamos começar do início, e eu não vou ficar dando muitas voltas, por isso eu acho melhor você se preparar.— olho em seus olhos e respiro fundo.— Se você pensa que o seu irmão espancou o Elliot até ele quase morrer por nada, você está muito enganada. Teve um motivo muito forte para ele ter feito o que fez.

— E que motivo seria esse? — ela me olha séria.— Você pode ser mais clara?

— Eu vou chegar lá.— suspiro.— No dia da festa na casa de praia, quando eu me afastei do Christian por um momento, Elliot me estuprou.

— O que você está dizendo Ana? — Mia começa a rir nervosamente.— Você não pode estar falando sério.

— Eu estou falando muito sério Mia, nunca que eu brincaria com uma coisa dessas.— digo indignada.— Elliot me violentou, ele fez a cois mais nojenta que alguém poderia fazer! Ele me pegou em um momento em que eu estava vulnerável e se aproveitou de mim! Ele não se importou com o que eu iria sentir, só se importou com ele mesmo.

— Eu…— Mia engasga com um soluço.— Eu não sei o que dizer.

— Não precisa dizer nada, eu sei que isso está sendo um choque para você.— balanço a cabeça negativamente.— Eu só peço que você reflita um pouco, o modo que você trata o Christian é muito errado, ele errou no passado mas todos nós erramos. Mas diferente do seu outro irmão, ele se importa com as pessoas. Christian não descansou até que eu ficasse bem novamente. Eu tentei me suicidar Mia, Christian me salvou.— nós três estávamos chorando.— Eu estava me mutilando, me punindo por algo que eu não tive culpa nenhuma. Então enquanto você está condenando o Christian por tudo o que ele fez, o verdadeiro monstro é o seu irmão mais velho.

— Eu não acredito que o Lelliot foi capaz de fazer isso, quem é o meu irmão? — Mia soluça.— Então foi por isso que o Christian bateu nele?

— Sim.— concordo.— Ele estava apenas me defendendo. Eu tentei fazer com que ela não fosse, mas Christian estava tão transtornado e eu estava tão mal no dia, que não consegui impedir.

— Está tudo bem, Ana.— Mia se aproxima de mim e me abraça.— Eu sinto muito pelo o que meu irmão fez com você, ai como eu queria colocar ele em coma novamente. Aquele filho da puta.

— Ele acordou? — me afasto e olho para ela.— Então logo ele vai ser preso.

— Você denunciou ele? — Mia pergunta e eu concordo.— É, parece que papai não vai poder fazer nada quanto a isso.

— Não mesmo, ele até me pediu para retirar a queixa.— olho para ela.— Com o meu depoimento, o exame que eu fiz comprovando o abuso, vai ser impossível ele se livrar dessa.

— Ele tem que apodrecer lá dentro para ter o que merece.— Kate diz com raiva.— Só de pensar no que ele fez, eu fico com mais raiva.

— Ele vai pagar, Kate.— digo e me levanto.— Estou morrendo de fome, vou no refeitório comer alguma coisa, vocês não vão me ver hoje na saída por que eu tenho terapia e não vou ficar para o segundo período. Vão para o refeitório comigo?

— Não.— Mia nega.— Acho que vou embora, muita coisa para assimilar.

— Eu também não vou.— Kate diz.— Não estou com fome.

— Ok.— concordo.— Nos falamos por mensagem.

Me despeço delas e começo a andar na direção do refeitório, chegando lá vou pegar meu almoço, pego a bandeja e olho em volta tentando localizar o Christian. O vejo sentado em uma mesa afastada das demais, caminho até lá com passos rápidos. Ele levanta seus olhos do celular e nota minha presença.

— Desculpe a demora.— me sento a mesa.— Eu viria direto para cá, mas Kate apareceu e disse que queria conversar, depois sua irmã apareceu também e a conversa levou mais tempo do que eu imaginava.

— Tudo bem.— Christian sorri.— E como foi?

— Uma choradeira sem fim.— digo rindo e bebo um gole do meu suco.— Soube que Elliot acordou?

— Meu pai me ligou para avisar.— Christian revira os olhos.— Estou frustrado, ele devia ter dormido por mais um tempo. Acho que não foi o suficiente.

— Não importa, você deixou ele muito fodido se quer saber.— digo e Christian sorri satisfeito.— Mas, o próximo passo agora é ele ir para a cadeia.

— Tinha me esquecido desse detalhe, Carrick tento de diversas formas tentar livra-lo de responder o processo.— Christian ri.— Mas parece que não vai ser possível, dei um jeito de garantir que isso não acontecesse.

— Eu não vou nem perguntar.— sorrio em sua direção.— Quando ele será preso?

— Assim que estiver 100% recuperado.— Christian diz.— Mas agora, vamos falar de negócios.

— Ok, manda.— apoio o meu queixo nas mãos.— Quais serão as minhas funções, sócio?

— Bem simples, você vai avisar a todos os contatos que você tem, que agora você está fornecendo.— ele diz e eu concordo.— Mas tem que ser de maneira segura! Não podemos de forma alguma ser pegos, ou você vai para o  reformatório e eu vou para a cadeia.

— Entendi, eu sei de tudo isso.— reviro os olhos.— E ninguém nunca desconfiaria desse rostinho de anjo.

— É, mas ainda sim você precisa tomar cuidado.— Christian ri.— São diversos tipos de droga, maconha, êxtase, cocaína, LSD. Tudo vendido em gramas, quanto mais alta a quantidade, maior o preço.

— Em média você cobra quanto por quantidade?— pergunto curiosa.— Digamos, 20 gramas de cocaína.

— 70 dólares em média.— arregalo os olhos.— Anastasia, nós não estamos lidando com esses drogados de rua, quem compra comigo tem dinheiro o suficiente para pagar.

— Tudo bem, já entendi.— levanto as mãos.— Você vai ter que me mandar uma tabela com todos os preços, não quero fazer besteira.

— Já te passei por mensagem.— pego meu celular.— Aí estão todos os preços,revise bem detalhadamente para você não cometer nenhum erro.

— Alguém deve a você? — pergunto curiosa.— Como eu lido com alguém que não queira pagar?

— Simples, uma puxada de gatilho aqui, uma facada ali, sempre resolve.— cruzo os braços o olhando.— O que? Você sabe que vai precisar de alguma coisa para se proteger não é?

— Sei.— digo e paro para pensar um pouco.— Acho que me dou melhor com facas.

— Ótimo.— Christian sorri satisfeito.— E é só você adotar aquela mesma postura que você tem com as suas companheiras de time, que todo mundo vai ter medo de você.

— Eu não coloco medo nas pessoas.— digo ofendida e Christian gargalha.— Eu não coloco Christian!

— Ok, não está mais aqui quem falou.— Christian levanta os braços.— Você vai lá em casa hoje, vou te ensinar como separa as drogas.

— Isso vai ser só mais tarde ok? — pergunto.— Eu tenho terapia, não vou nem assistir as aulas do segundo período.

— Como tem sido as sessões? — pergunta curioso.— Eu poderia te acompanhar?

— Está tudo correndo bem, é muito bom poder conversar com alguém neutro, Bethany me faz analisar muitas coisas com mais calma, por que você sabe como eu sou explosiva.— nós rimos.— E sim, você poderia me acompanhar, mas você não pode entrar. As sessões são muito íntimas.

— Entendo, eu apenas queria te levar mesmo.— Christian sorri.— Você fala de mim?

— Sim, pode parecer bem ridículo mas…— solto uma risada.— Você está em boa parte das conversas. Não fique se achando!

— Tarde demais Kitten.— Christian sorri galanteador.— É muito bom saber que você pensa tanto em mim, a ponto de até a sua terapeuta me conhecer.

— Ah te odeio.— digo rindo e jogo um guardanapo nele.— Está quase na hora, venha logo se quiser me acompanhar.

Termino de beber o suco e me levanto, Christian me segue, saímos do refeitório e caminhamos em direção a saída. Chegando no estacionamento, eu vou para o meu carro e Christian para sua moto, entro e dou partida, vejo pelo retrovisor que ele me segue. Pegamos um pouco de engarrafamento no trânsito mas nada que demorasse muito, quando chegamos a clínica, estaciono o carro e Christian a moto. Saio e espero por ele, seguro sua mão e entramos na clínica. Vamos até a recepção e a recepcionista diz que logo eu seria a próxima, sento em uma das cadeiras que tinha alí para esperar a minha vez. Deito a minha cabeça no ombro de Christian e solto um suspiro, entrelaçamos nossas mãos. Ele leva minha mão a boca e dá um beijo casto, abro um sorriso de lado.

Pego o meu celular e tiro uma foto das nossas mãos entrelaçadas, em seguida eu vejo a mensagem que Christian tinha me mandado, com a tabela de preços das drogas. Fico analisando por um tempo até que eu tenha tudo memorizado, Christian e eu nos comunicamos baixo para não dar bandeira e ele vai tirando qualquer dúvida que eu tenha, que são muitas por sinal. Eu não quero dar margem para erros, por que se eu der alguma mancada, eu posso perder dinheiro, e Christian e eu não queremos isso. O tempo passa e é chegada a minha vez, deixo minhas coisas com Christian, lhe dou um selinho rápido e entro no consultório de Bethany. Sento no sofá em frente a sua poltrona e coloco as pernas em cima do mesmo as cruzando em forma de índio. Prendo os meus cabelos em um coque por que estava com calor, Bethany me olha com atenção.

— E aí Beth! — digo descontraída.— Como vai?

— Acho que sou eu que devo fazer essa pergunta não é? — Bethany ri.— Como você tem se sentido esses últimos dias?

— Eu diria que bem, os pesadelos não vem com tanta frequência e eu estou dormindo melhor. Faz tempo que não tenho crises.— digo torcendo as mãos.— Mas tem um probleminha, os remédios me deixam bastante sonolenta, as vezes não dá nem pra discernir onde eu estou direito, tem como suspender?

— Você sabe que por enquanto não é o recomendado, Ana.— Bethany diz séria.— Os remédios são necessários para controlar suas crises, com o tempo eu posso ir diminuindo a dosagem até você não precisar mais deles.

— Tudo bem, se não tem outro jeito.— dou de ombros.— Ah! Kate me procurou hoje, pela primeira vez depois que eu contei a ela.

— E como você se sentiu quando a viu? — Bethany anota algo em seu tablet.— Você pode me explicar?

— Primeiramente, eu fiquei muito aliviada por vê-la, ela estava sumida a dias e eu estava bastante preocupada.— digo tranquilamente.— Nós conversamos, dava para ver o quanto ela estava arrasada pelo o que tinha acontecido, e estava com muita raiva do Elliot. Disse que terminaria com ele.

— Agora me fale o que você sentiu.— Bethany me olha.— Quando ela disse que terminaria com ele.

— Eu fiquei muito feliz com a decisão.— digo de uma vez.— Não me entenda a mal, mas se ele resolvesse continuar com ele, isso seria o fim da nossa amizade, entende? Seria como se…

— Se ela se igualasse, ou fosse pior que ele.— Bethany completa.— Era isso que você iria dizer?

— Isso! Era exatamente isso.— eu concordo.— Kate é uma garota maravilhosa, ela fez bem em ter se livrado do monstro agora, vai ter a chance de encontrar um cara legal.

— Entendo.— Bethany anota alguma coisa.— O que mais você tem para mim hoje?

— Eu abri o jogo com a Mia, você sabe, minha melhor amiga e irmã do Christian e Elliot.— digo o último nome com nojo.— Eu contei tudo a ela, contei como me senti, choramos um pouco. Eu me senti um pouco liberta.

— É bom quando falamos sobre algo que nos atormenta não é? Mesmo que seja difícil? — pergunta e eu assinto.— Contou a sua família o que se passou com você?

— Eles não são minha família Beth.— digo com raiva.— Mas sim, eu contei a eles. Carla não se importou comigo, só perguntou se eu tinha feito algo para provoca-lo.— solto um riso amargo.— E não vou nem entrar no mérito que o pedaço de merda do Bob concordou com ela, mas eu não estou surpresa com isso. Depois de tudo o que aqueles dois já fizeram comigo, nada me surpreende.

— Eu vou te fazer uma pergunta, e quero que você me responda ela com sinceridade.— me olha com atenção.— O que lhe impede de sair daquela casa e seguir em frente deixando o sofrimento no passado?

— Eu…— fico sem saber o que falar.— Eu não sei, acho que algo dentro de mim ainda deseja um acerto de contas, uma vingança, como você quiser chamar.— digo e Bethany concorda.— Por tudo o que eu sofri quando era apenas uma criança, eu sinto que mereço ter isso, entende? E eu sei que é errado, que isso não é saudável, mas eu não consigo tirar esse desejo de dentro de mim, sabe? É como se todas as minhas entranhas necessitassem que eles sofressem de alguma forma e que eu fosse a responsável por isso.

— Você acha que se tivesse esse acerto de contas, você ficaria satisfeita? — essa é a pergunta de um milhão de dólares.— Acha que teria paz depois disso?

— Não sei.— fico pensativa mas depois abro um sorriso maldoso.— Mas eu só iria saber depois que tentasse não é?

E depois dessa declaração, ficamos em silêncio. Bethany anotava algo em seu tablet e eu olhava as minhas unhas, acho que essa revelação foi um pouco demais, mas antes de começarmos as sessões, Beth me disse que precisaríamos ser 100 % sinceras  nesse processo, tudo pela minha melhora. E eu fui sincera, não há um dia em que eu não sonhe em acabar com aqueles que me fizeram sofrer, eu sonho com isso a muito tempo, desde que eu saí do lugar onde fiquei trancafiada por anos, não era uma prisão mas é como se fosse. Era uma clínica psiquiátrica. Mas vamos esquecer disso por hora, as lembranças daquele lugar ainda me atormentam.

— Me conte sobre a sua relação com Christian.— Bethany me olha.— Como estão sendo esses dias? Vocês ficam praticamente o tempo todo juntos não é?

— Sim, ficamos bastante tempo juntos.— eu digo.— A gente tem se dado bem, ele tem feito de tudo para eu não voltar a aquele estado, tem estado ao meu lado, cuidando de mim. Sinto que posso contar com ele para tudo.— abro um sorriso.— Mas ao mesmo tempo que ele me faz bem, eu quero fugir disso tudo, ele está me fazendo sentir coisas que eu não estou acostumada. As vezes eu penso que não posso lidar com isso, é intenso demais.

— Já pensou que você pode estar sentindo algo mais forte do que apenas atração? — ela pergunta.— Amor, talvez?

— Eu realmente não sei.— balanço a cabeça.— E o que é o amor afinal? Todo mundo fala dele mas acho que não se iguala ao que eu estou sentindo. Dizem que o amor é paciente, tudo espera, tudo suporta. Mas Christian e eu brigamos o tempo inteiro! As vezes brigas pelas coisas mais idiotas possíveis, eu não tenho paciência e ele muito menos, somos explosivos, tudo é muito insano quando se trata da gente.

— Cada amor é diferente, quando as pessoas são diferentes.— olho para ela.— O amor de vocês pode ser um outro tipo de amor.

— Pode ser.— falo pensativa.— Mas qual seja esse amor, eu não vou falar para ele agora. Então será o nosso segredo.

— Seu segredo está a salvo comigo.— ela diz e nós rimos.— Nosso horário acabou Ana, nós vemos na semana que vem?

— Com certeza Beth.— digo me levantando.— Bom, tenho que ir, Christian está me esperando lá fora.

— Ana? — me chama e eu a olho.— Se mantenha firme ok? Você não pode se deixar abater.

— Pode deixar Bethany.— abro um sorriso.— Vai ficar orgulhosa de mim.

Saio de sua sala e vou até onde Christian estava sentado. Saímos da clínica e eu entro no carro rumo ao seu apartamento, temos muito a fazer hoje e eu também tenho muito o que aprender. Eu posso estar me metendo em uma grande encrenca, mas o que eu posso fazer? Essas coisas perigosas sempre me chamam, eu só não consigo resistir em não atendê-las. Então só resta vocês nos desejarem sorte para que nós dois não sermos mortos no final disso tudo.

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