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História House of Cards - Jeon Jungkook - Capítulo 6


Escrita por:


Notas do Autor


❤️OLHA SÓ QUEM APARECEU?! Quem é vivo sempre aparece, não é?! E aqui estou eu.

💜Quem me conhece sabe que com esse negócio de fanfic eu sou bem organizada (de resto, nem tanto) então eu não gosto de aparecer com um capítulo aqui sem ter um próximo para poder publicar; gosto de estar sempre preparada, então além de tudo o que eu contei no capítulo anterior, esse é um dos motivos de eu ter sumido um pouquinho.

🖤Ah! E eu tô terminando de montar a playlist da fic! Depois eu coloco o link dela aqui.

💕Boa leitura.

Capítulo 6 - VI - Planejamentos


Fanfic / Fanfiction House of Cards - Jeon Jungkook - Capítulo 6 - VI - Planejamentos

 — Mãe, eu realmente acho que…

— Não! Escute… — Apontou para o papel com o cardápio do buffet novamente, indicando dezenas de pratos que as pessoas normalmente gostavam e os que seriam necessários em um casamento. Eu suspirei quando o falatório do quão importante era escolher o buffet adequado começou novamente.

Eu estava cansada demais para poder pensar naquilo. Certo, faltavam menos de seis meses para o meu casamento, mas eu sinceramente preferia resolver tudo isso em cima da hora do que lidar com mais aquela pressão absurda quanto ao que fazer e qual decisão tomar. Eu não tinha preparo mental para poder lidar com aquilo naquele instante.

No entanto, a empolgação da minha mãe ao finalmente ver um de seus filhos se casar parecia tão grande que se eu jogasse todas aquelas tarefas agonizantes sobre suas costas ela resolveria tudo em menos de um mês, sozinha e sem achar ruim por pelo menos um segundo. Eu me sentia péssima por não estar tão empolgada como ela; não porque eu não queria me casar com Jungkook ou algo parecido, mas porque a situação com o W.A.W. era tão desesperadora que minha cabeça não conseguia pensar em outra coisa.

— Ah, mãe… — Sussurrei, grunhindo em seguida. Eu realmente não conseguia pensar naquilo, não agora.

— Por que você está tão desanimada com seu próprio casamento? — Perguntou, agora parecendo preocupada. — Meu Deus! Vocês brigaram? Jungkook mudou de ideia?... Você mudou de ideia? — Eu abri a boca para argumentar, mas ela me interrompeu quando disparou a falar novamente. — Ouça, filha: sei que você vai ficar confusa com isso durante alguns momentos, mas se vocês se amam…

— Mãe! — A interrompi, puxando os fios do meu próprio cabelo com força em seguida, respirando fundo para não acabar explodindo com minha própria mãe. — Está tudo bem. Mesmo! Ninguém mudou de ideia nem nada assim; eu só estou com muita coisa na cabeça e não consigo pensar em buffet's agora. — Ela suspirou.

— Quer fazer algo mais fácil então? — Seus olhos foram levados até os meus e ela colocou a mão sobre a minha, em algum tipo de consolo que apenas mães conseguiam dar. — Quer escolher seu vestido? Você me disse que não conseguiu fazer isso até hoje. 

Eu ia negar, com toda a certeza dentro de mim, porque minha cabeça estava ocupada demais para eu conseguir pensar em tecidos brancos, camadas de saia e desenhos de renda; mas ao ver os olhos da minha mãe brilhando, implorando para eu aceitar, eu balancei a cabeça sem pensar duas vezes. Eu não podia privá-la daquilo, de ajudar a sua única filha a escolher algo tão importante quanto um vestido de noiva. 

Balancei a cabeça uma única vez, com um estranho medo de me arrepender presente dentro de mim; mas assim que minha mãe soltou um grito animado e bateu palmas antes de correr para buscar sua bolsa, qualquer resquício de dúvida ou medo evaporou do meu corpo, me fazendo soltar um sorriso animado. Talvez não fosse tão ruim a final. Fora que o vestido era extremamente importante para uma noiva e eu iria adorar ter a opinião da minha mãe sobre isso.

Enquanto ela ia buscar suas coisas eu peguei meu celular e mandei mensagem no nosso grupo de amigos, desmarcando qualquer coisa durante o período da manhã de sábado porque eu iria passar aquele tempo com minha família, principalmente com minha mãe. Além disso, pedi para as garotas me encontrarem aqui em casa em dez minutos, para elas poderem me acompanhar também —afinal, eram minhas melhores amigas e seriam minhas madrinhas, a opinião de todas elas era fundamental para mim. Por último eu mandei uma mensagem no privado para o Jungkook, dizendo que eu iria provar alguns vestidos e tentar encontrar um ideal para o nosso casamento; e ele disse que iria reunir nossos amigos para ele ir procurar um terno adequado também.

Mamãe quase não quis esperar as meninas chegarem para irmos todas juntas, mas cedeu com muito ansiedade e desespero para sair logo; e praticamente me empurrou para dentro de seu carro e guiou as garotas quando elas chegaram, e elas vieram logo atrás sobre a direção de Jisoo. Fomos discutindo alguns modelos do meu agrado durante o caminho, e por incrível que pareça ela conseguiu tirar toda aquela bagunça do W.A.W. da minha cabeça durante aquele pequeno período de tempo. Quando eu disse que fazia questão de usar um vestido estilo princesa, com muitas saias e que brilhasse um pouco, eu tive a certeza de que seus olhos brilharam em entusiasmo. Éramos idênticas no quesito moda.

Começamos com alguns mais simples, que não fossem tão chamativos ou tão avantajados, mas toda vez que eu saia do provador e caminhava até elas eu recebia um verdadeiro não em uníssono. Todas elas me conheciam, sabiam que aquele não era o meu verdadeiro gosto e que eu conseguiria encontrar algo que fosse mais o meu estilo. De repente, eu fiquei tão rodeada de saias e rendas que o Christian e toda a bagunça que ele causou sumiram completamente da minha cabeça; não havia como pensar em outra coisa a não ser aquilo.

— Ai meu Deus! — Rosé gritou, se levantando do puff onde estava sentada e batendo palmas animadas. — É esse! Tem que ser esse! — Mamãe se levantou também, batendo palmas e soltando um sorriso admirado.

Eu me virei de frente para o espelho, segurando as saias pesadas e me encarando por alguns segundos. A saia era de um tule liso, em um branco que parecia brilhar na luz do local, e o corpete era completamente trabalho com rendas suaves e brilhos que foram espalhados, até mesmo as mangas ombro a ombro tinha desenhos iguais ao do corpo. Dei um sorriso, concordando com a cabeça enquanto elas comemoravam a escolha, dizendo que tinha ficado perfeito. Outras escolhas também me agradaram muito, mas aquele, definitivamente, era o melhor de todos para mim.

Mamãe e eu discutimos por alguns segundos, mas ao invés de alugar o vestido nós pedimos para a mulher separá-lo para um mês antes do meu casamento; porque se eu fosse mesmo usar aquele queria que fosse meu. 

Tive que morder o lábio inferior ao imaginar o que aconteceria depois da festa; o desespero de Jungkook em tirá-lo do meu corpo.

Definitivamente teria que ser meu.

Acertamos alguns detalhes necessários e caminhamos para o lado de fora, e enquanto Rosé comentava no meu ouvido que desejava ser pedida em casamento de uma forma tão romântica quanto eu tinha sido, meus olhos ficaram presos em uma certa movimentação do outro lado da rua. Cabelos negros balançavam em um rabo de cavalo aparentemente perfeito, e antes da dona deles dobrar a esquina eu pude ver uma pequena parte de seu rosto; o que me fez franzir o cenho e semicerrar os olhos, tentando enxergar melhor. 

Eu conhecia aquela garota, tinha certeza de que sim; mas mal pude pensar no assunto antes de ser puxada para dentro do carro e Rosé —que resolvera voltar conosco; me lotar de perguntas.

— Seu casamento vai ser totalmente perfeito! — Exclamou, como uma criancinha se animando com os finais felizes dos contos de fadas. Eu soltei um sorriso, ainda com a imagem daquela garota na minha cabeça.

Quem era aquela?

— Vai sim. Mas nós temos que resolver um único problema ainda. — Balancei a cabeça, afastando os fios negros da minha mente; agora dando total atenção a minha mãe, que me deixou intrigada com a afirmação. Mamãe suspirou pesado.

— Que problema? 

Sua respiração pesada espalhou uma onda de calafrios pelo meu corpo.

— Seu pai. — Apertou levemente o volante, parecendo um pouco irritada. — Ele ainda não concorda com esse casamento; não totalmente. Diz que quer te ver feliz, e é notável o quão feliz Jungkook te deixa; mas seu pai tem medo de ele te magoar. 

— Mas… — Engoli em seco. — Por conta da história do Jungkook? Só por que ele não era “politicamente correto"? 

Mamãe parou o carro, encostando em frente a uma loja com um letreiro brilhante.

— Jungkook tem motivos para temer as reações do seu pai para tudo o que ele faz. — Puxou o ar com força, parecendo criar coragem para me contar aquilo. — Deve fazer uns três meses que seu pai ligou para ele; eu estava com ele naquela hora. Seu pai parecia mais ameaçar o Jungkook do que alertá-lo.

— COMO É? — Esbravejei, me impulsionando para frente em um ato de ódio.

— Por favor, não o julgue. — Tive que respirar fundo para não explodir. — Você sabe que seu pai nunca gostou muito dele, desde a época em que o Jeon era apenas mais um dos amigos do seu irmão. Jungkook vivia se metendo em confusão, S/n; vivia em situações ilegais e tinha milhares de multas por alta velocidade. Acha mesmo que esse é o tipo de coisa que os pais desejam para as filhas?

— Idai?! — Quase gritei. — Jungkook nunca me desrespeitou ou fez algo ruim comigo! Fora que ele também não é uma pessoa toda errada, ele só gosta de se divertir! Eu também saía para festas e fazia dezenas de coisas erradas! — Meus olhos arderam levemente. — O que ele disse?

— Que era melhor Jungkook ter certeza do que estava fazendo, porque se ele desistisse do casamento e você saísse machucada dessa situação toda ele iria se arrepender. — Pressionei as pálpebras com força e praticamente afundei meus dedos no banco do carro; tentando buscar autocontrole. Eu não conseguia acreditar que meu pai tinha mesmo feito aquilo; havia motivos para meu irmão ser como é então. — Seu pai está inseguro com isso, filha; tem medo de você se machucar e sair de coração partido disso tudo. Não tem como tirar a razão dele nessa questão. Eu também odiaria te ver sofrendo.

— Mas você ameaçou o meu noivo por conta disso? — Perguntei, erguendo as sobrancelhas. Ela desviou o olhar do meu. — Então aí está a sua resposta. 

— S/n… — Me virei, só então me lembrando que Rosé estava no carro com a gente. Minha raiva tinha sido tanta que meu cérebro simplesmente ignorou a presença da minha amiga. — Você precisa se acalmar, hun?! — Tocou meu ombro gentilmente.

— Vamos para casa. Vou conversar com o papai.

Eu me despedi das duas tão rapidamente quando chegamos em casa que não cheguei a ouvir a resposta de nenhuma delas —apesar de que Rosé ainda tentou me barrar para tentar me impedir de perder a cabeça. Uma das funcionárias da mansão me confirmou que meu pai estava em casa, provavelmente no escritório; mas que estava com a cabeça tão quente por conta da nova coleção da empresa que era melhor nem conversar com ele até o jantar.

Mas que se foda, eu estava dez vezes pior do que ele; tinha certeza disso.

Segui em direção ao terceiro andar praticamente batendo os pés no chão de tanta raiva; mas apesar de ter tentado fazer uma entrada que já demonstrasse todo o meu ódio de uma vez, não encontrei papai do outro lado da porta. Soltei um bufar e fechei a porta novamente, olhando ao redor e observando as mudanças que haviam sido feitas nos últimos dois anos. Duvidava de muitas coisas, mas do gosto para design interiores do meu pai nunca.

No fundo um móvel de madeira escura ocupava toda a parede, com diversas divisões e diversos objetos diferentes, variando dos livros sobre marketing até uma televisão colocada no centro. As paredes cinzas davam um ar moderno para o lugar, juntamente das poltronas de couro coladas uma de cada lado, e o piso era uma cerâmica que imitava com precisão madeiras de uma árvore desconhecida por mim.

Eu me perguntei mentalmente por um segundo se eu teria capacidade de decorar minha casa sozinha futuramente. Compramos a casa em Washington com os móveis já presentes; então foram poucas as alterações que fizemos até hoje.

Caminhei em direção a mesa que ficava ao fundo, me jogando na cadeira do outro lado e mordendo o lábio inferior ao inspecionar o escritório mais uma vez. Liguei o abajur e encarei os diversos papéis jogados sobre a mesa, resolvendo não tocar em nada daquilo por conta do perfeccionismo do meu pai; mas como minha curiosidade era maior eu passei o olhar por cima de alguns deles, antes de chegar na gaveta aberta da mesa.

Franzi o cenho.

A parte de baixo da capa de uma pasta preta estava à mostra, por conta da parte aberta da gaveta; e no canto direito meu nome completo estava estampado em uma etiqueta. Retirei com cuidado os papéis que estavam por cima, na intenção de tentar encontrar alguma informação do que era aquilo ainda na parte de fora da pasta; mas ao perceber que com exceção da etiqueta a capa era completamente lisa. Eu franzi ainda mais o cenho e puxei o objeto para fora da gaveta —com um pouco de dificuldade, já que a pasta tinha exatamente a largura da mesma.

Com a curiosidade me dominando por completo eu abri a pasta. A primeira página me parecia uma espécie de rascunho, já que com exceção do nome de uma advocacia na parte superior, o restante da folha eram alguns documentos necessários para algum tipo de ação. No entanto, eu não consegui ler a primeira linha da segunda página, já que assim que eu passei a folha a porta do escritório fora aberta novamente; revelando meu pai com uma aparência física cansada. Havia até mesmo certa dor em seus olhos, como se toda a confusão estivesse desgastando seu psicológico por completo.

Seu olhar caiu sobre a pasta em minhas mãos e ele rapidamente arregalou os olhos; o que me fez franzir ainda mais o cenho.

— Filha eu… — Seus olhos pareceram perdidos por um instante. Eu não demonstrei nenhuma reação, nada positivo nem nada negativo; e talvez isso tivesse entregado para o pai que eu não tinha realmente lido o conteúdo da pasta. — Por que está mexendo nas minhas coisas? — Se aproximou em passos rápidos, tomando a pasta de mim antes que eu pudesse ler o que tinha ali.

— Minhas coisas, aparentemente. — Cruzei os braços em frente o meu corpo. Ele balançou as mãos, negando.

— Foi a primeira pasta que eu vi pela frente. Tem coisas da empresa aqui. 

Seria fácil acreditar nele se eu não o conhecesse tão bem; mas eu sabia que minha habilidade de atuação havia sido puxada de papai. Ele estava mentindo, era óbvio para mim, mas como eu não queria entrar naquele assunto por enquanto e tinha diversas outras coisas com que me preocupar; e uma delas era o motivo de eu ter ido até seu escritório; eu resolvi ignorar.

— Conversamos sobre isso depois. — Suspirei. — Por que você ligou para o Jungkook? — Papai arregalou os olhos novamente, me olhando com uma expressão falsamente ofendida. — E nem tente me enganar; mamãe já me contou tudo. Por que fez isso? — Perguntei, dando a volta na mesa para poder ficar frente a frente com o mais velho. Papai colocou a pasta sobre a mesa e suspirou.

— Porque eu não quero que você se decepcione. 

— Pai…

— Não. Você quer saber; agora me escute. — Puxou a gravata que pendia em seu pescoço, desfazendo completamente o nó que já estava pela metade e jogando o tecido azul sobre a mesa, em cima da pasta. Aquilo parecia estar incomodando-o. — Conheço Jungkook, os próprios pais dele sabem as merdas que aquele garoto já fez. Jeon se envolvia em rachas ilegais e com dezenas de garotas diferentes; S/n. Já se envolveu com drogas, com filhas de mafiosos e tem uma lista de multas por conta de alta velocidade e por brigas nas ruas. É com esse tipo de garoto que você quer se casar? Com um moleque que nem virou homem ainda? — Prendi a respiração, tentando conter a vontade de acertar um tapa nele. Era o meu pai, acima de tudo.

— Você quer mesmo fazer uma esse jogo aqui então? Tudo bem… 

— Não é bem assim…

— Não, vamos lá! Você gostava do Christian, não gostava?! Achava que ele era um garoto de ouro. Queridinho pelos pais e pelas empresas, modelo de diversas capas, comportado e com responsabilidade o suficiente para herdar a empresa do pai. — Me inclinei em sua direção, apoiando uma das mãos na mesa e quase rosnando de ódio. — E sabe o que ele fez? Tentou me MATAR!

Papai sabia que Christian vivia atrás de mim e que tentou me pegar uma vez, mas não sabia que tinha sido ele quem me sequestrou alguns anos atrás e nem sonhava com os motivos daquele psicopata fazer tudo isso.

— Eu me enganei! Errei com ele e me arrependo amargamente disso todos os dias! — Esbravejou, socando a madeira da mesa com força.

Mesmo assim, eu não recuei.

— E o que te faz acreditar que não está enganado agora? — Rebati, quase gritando também.

Papai se calou, ficando sem argumentos.

— Eu também tive a minha fase de imprudência na adolescência; fiz dezenas de coisas erradas e você me perdoou por todas elas! Por que não consegue fazer o mesmo com o Jungkook? — Meus olhos arderam violentamente; a ideia de ter que me afastar do meu noivo parecia partir meu coração. — Por que não consegue acreditar em mim quando eu digo que ele mudou, amadureceu?

— Eu só tenho medo de você se decepcionar. — Suspirou. — Se algo acontecer com você… 

Eu vi o homem à minha frente hesitar antes de continuar a falar:

— Eu sei o que aconteceu com Seo-yun e…

— Não coloca a prima dele no meio disso! — Gritei. — A culpa não foi do Jungkook! Eu já expliquei para todos vocês o que aconteceu!

— Nós não sabemos a verdade. Sabemos apenas o que ele contou a você. — Eu abri a boca, incrédula. Papai achava mesmo que o Jeon tinha feito a própria prima se suicidar e estava mentindo sobre isso para nós? — Não o conheço completamente, S/n. Mas conheço bem o suficiente para saber que consegue manipular as pessoas.

— Você… — Eu estava em choque, não tinha a mínima ideia do que dizer.

— Só quero proteger você, filha. — Tentou tocar meu ombro, mas eu me afastei com um movimento bruto; não querendo nem mesmo encará-lo naquele momento. Meu pai suspirou baixinho. — Não estou tentando te impedir e sim te alertar… ele vai te machucar, eu sei que vai; conheço garotos como ele.

— Que bom que você não está tentando me impedir; porque isso não vai acontecer. — Me afastei, puxando meus fios de cabelo com força. — Vou me casar em breve. Você decide se vai aparecer ou não. Mas na minha decisão você não interfere.

Caminhei em direção a porta, ainda com a cabeça girando por conta de tudo o que eu tinha acabado de ouvir, não conseguindo acreditar que meu pai tinha mesmo aquela visão completamente errada de Jungkook e que, além disso, tinha ligado para o meu noivo e tentado fazer ele desistir do nosso casamento. 

Foi me lembrando disso que eu parei na porta, apoiando a mão na borda da mesma e respirando fundo. Não tive forças para me virar antes de proferir:

— E nunca mais ligue para Jungkook para ameaçá-lo. Se tiver algo contra o meu casamento fale diretamente comigo.


[...]


— Por que não me contou? — Perguntei para Jungkook, segurando-o pelo braço para impedi-lo de entrar no hospital. 

Jeon estava tentando fugir, mas eu sentia que precisávamos ter essa conversa; de preferência antes de começarmos mais uma investigação; porque eu sabia o quão estressada eu iria ficar com tudo o que iríamos fazer e queria resolver isso de uma maneira mais calma.

Ele suspirou antes de se virar para mim.

— Acho que eu só queria evitar tudo isso. — Encolheu os ombros, aparentemente desconfortável com aquela conversa. — Sabia que essa seria sua reação, ou algo bem parecido com isso; e não queria causar mais discórdia na sua família do que eu provavelmente já causo.

— JK, não é bem assim… — Acariciei seu braço. — Minha mãe te adora.

— E seu pai me odeia. Vai odiar as minhas próximas dez gerações também; eu aposto. — Dei uma risada fraca. Envolvi seu pescoço com ambos os braços e fiquei na ponta dos pés para meu rosto ficar de frente para o seu.

— Não vai não! Seus filhos vão ser os meus filhos. Ele vai amar todos. — Jeon soltou um sorriso enorme antes de se inclinar para frente e deixar um selinho na ponta do meu nariz. — A opinião do meu pai não muda o que eu sinto por você, JK. Eu te conheço, convivi mais de dois anos contigo. Meu pai não sabe das coisas que eu sei. Entendeu?

— Então você ainda vai se casar comigo? — Perguntou, com os olhos brilhando.

— Você vai ter que fazer uma besteira muito grande para me fazer mudar de ideia. — Ele sorriu, envolvendo minha cintura e me beijando com tanta força que meu corpo se inclinou para trás.

— Ei, seus melosos! — Jisoo exclamou, atravessando a porta do hospital e se virando para nós dois. — Podem se concentrar no plano, por favor?! Eu estou com fome; quero voltar para casa logo.

Dando risada eu me separei do moreno e caminhei para o lado de dentro do hospital.

Respirei fundo, encarando o local por um momento e me preparando psicologicamente para a confusão enorme em que eu iria me meter agora. Puxei a touca da minha capa preta para cima antes de atravessar a porta, abaixando a cabeça para ter certeza de que ninguém iria ver o meu rosto. Jungkook me acompanhou, puxando o capuz de seu moletom e caminhando lado a lado comigo, e fora questão de segundos até Lisa aparecer também, escondendo o rosto com uma das máscaras do hospital e ajeitando a roupa de enfermeira que nós tínhamos conseguido pegar.

Eu olhei para trás, piscando para Jisoo antes de voltar para o meu caminho. Ela soltou um grito, fingindo sentir dor, e fora questão de segundos até ser rodeada por dezenas de pessoas e toda a atenção ser voltada para o teatrinho que tínhamos planejado. Aproveitamos a confusão para nos enfiarmos em um corredor escuro, e Lisa usou um cartão de acesso roubado para poder conseguir chamar o elevador.

Apertei o botão que nos levaria para o subsolo e abaixei minha touca enquanto erguia a cabeça para poder encarar a porta do elevador se fechando. Meio ao longe eu ainda pude avistar a roda de pessoas que havia se formado perto da recepção; enquanto a voz de Jennie soava no meu ouvido, dizendo que os dois já estavam desativando as câmeras de segurança.

Naquele segundo, enquanto o elevador descia para o último andar do hospital; minha mente vagou pelos acontecimentos de hoje de manhã. Me lembrei da minha mãe tentando defender meu pai enquanto eu explodia de ódio, minha briga com papai e, de repente, aquela pasta invadiu minha cabeça mais uma vez.

O que tinha lá?

Certo, não é como se eu fizesse questão de saber da sujeira em que a Chanel se envolvia, principalmente com assuntos que envolvessem o governo ou algo parecido; e papai também não fazia questão de me mostrar nada daquilo, já que eu não iria herdar a empresa —o que era até bom, porque pela regra, se eu descobrisse tinha que expor pelo W.A.W..

Mas aquilo, sua reação; tinha sido muito estranho. Mesmo que fosse algo super secreto envolvendo a empresa, algo sujo, como aquele dinheiro interno que circulava entre a Elite e o governo para nada de ruim acontecer com nenhum de nós; eu era da família, papai acreditava que podia confiar em mim.

Engoli em seco ao pensar em uma possibilidade.

Jimin podia ter deixado escapar que eu era do W.A.W.? Isso com certeza explicaria a expressão apavorada do meu pai ao me ver segurando as pasta e sua raiva por estar com medo de eu mexer em seus documentos. Tinha medo de ser exposto por mim.

Mas, mesmo assim; mesmo odiando o W.A.W. com todas as forças possíveis, papai ainda seria capaz de me perdoar por fazer parte daquilo? Por ser líder do grupo que ele mais odiava nesse mundo?

— Patricinha — Jungkook me chamou, me puxando de volta para a realidade. —, nós já chegamos. Você está bem?

Assenti com a cabeça algumas vezes.

— Só pensando em algumas coisas. 

Avançamos pelo corredor mal iluminado, seguindo uma planta que eu tinha decorado algumas horas antes exatamente para aquele momento. Eu nos guiei meio às cegas, tendo que bater a mão em algumas paredes por conta da carência de luz em muitos lugares; mas depois de quinze minutos nós finalmente chegamos na sala correta. Depois que os dois passaram para o lado de dentro eu tranquei a porta atrás de mim e bati a mão na parede, buscando pelo interruptor. A luz forte me fez fechar os olhos por alguns segundos, mas eu logo os abri novamente, me acostumando com a claridade repentina.

— Muito bem... — Bati uma palma, atraindo a atenção dos dois para mim novamente. 

Antes de tudo eu dei um tapinha no meu aparelho auditivo, para ter certeza de que os que estavam de fora pudessem ouvir o que estava acontecendo e, se fosse o caso de alguma urgência, nos prestar socorro quando necessário. Além disso, era importante que eles também dessem opiniões do que poderia ter acontecido ou algo relacionado.

— Lisa, você procura nos documentos pelo nome dele: Anderson, Jacob. — Ela assentiu uma única vez e correu em direção aos armários ali presentes, onde as fichas dos corpos ficavam guardadas; apenas após ajeitar as luvas em suas suas mãos. — Você — Apontei para o JK. —; ajeite suas luvas e me ajude a achar o corpo dele. — Jeon concordou, puxando as luvas de plástico e caminhando para o outro lado da sala junto a mim, buscando por um “Anderson, Jacob” em uma daquelas gavetas.

Tínhamos muita coisa para investigar, muitas pessoas inclusive; mas os simples fatores de que esse garoto foi colocado perto de uma grade e recebeu quase que total atenção da polícia me deixaram claro que ele era importante. E como eu não podia perguntar o porquê para não levantar suspeitas, eu resolvi descobrir.

Fora necessário alguns minutos até conseguirmos encontrar tudo o que era preciso; mas meia hora depois o corpo de Jacob já estava sobre uma das macas e sua ficha em minhas mãos. Apesar de as informações na pasta serem básicas, eu li tudo em voz alta; para que todos pudessem ouvir e me ajudar a tirar alguma conclusão.

Seu nome, sua idade, sua formação, sua cidade natal, até mesmo o horário em que ele nasceu estavam presentes ali. Sua profissão não estava anotada, mas foi fácil deduzir que ele era um professor da universidade por conta das dezenas de fotos com uniformes da matéria que ele dava aula e por conta da formação anotada. Haviam outros detalhes também, mas eram coisas irrelevantes para aquele momento.

Não havia uma autópsia em si —o que era de se esperar, já que o corpo nem parecia ter sido tocado; mas em uma página isolada estava anotado que ele tinha sido baleado durante o ataque a universidade, e por conta do tiro ter acertado em cheio em seu coração —de fato havia um buraco naquela área, o que indicava que pelo menos aquela informação era verdadeira; era bem provável que aquela tinha sido a causa de sua morte. Também estava anotado em um rascunho que apesar de ele ter tido uma hemorragia interna em outro ponto nada indicava que aquela tinha sido a causa da morte. Mas, com exceção dessas informações, não tinha mais nada naquela droga de ficha que pudesse ser útil.

— Muito bem… Teremos que investigar com nossas próprias mãos. — Lisa fez uma careta de nojo e horror; simultaneamente.

Troquei minhas luvas, pedindo para Jungkook guardar as que eu estava usando anteriormente em seu bolso —para ter certeza absoluta que eu não iria esquecer isso para trás; e Lalisa pegou duas luvas de látex em uma caixinha para mim. Em seguida eu peguei alguns equipamentos que estavam ali separados e me aproximei do corpo do garoto, puxando o lençol que o cobria até ficar na altura de seu quadril. Encarei o rosto pálido por alguns segundos, não conseguindo deixar de me sentir extremamente culpada; e tive que morder o lábio inferior para não chorar, antes de me inclinar na sua direção e analisar o corpo superficialmente.

— O que é isso? — Jungkook perguntou, se aproximando e tocando a pele de Jacob, em um ponto pertíssimo da costela.

Pedi para ele se afastar e dei a volta na mesa de metal; finalmente notando o motivo de toda a sua surpresa. Tão perto dos ossos da costela que um deles estava à mostra; tinha uma perfuração enorme, com uma abertura de mais ou menos cinco centímetros, apesar de que o comprimento em si não era um muito grande, não devia passar dos sete centímetros. 

Lisa mirou uma lanterna naquela área enquanto eu puxava uma das facas ali presentes. Tive que prender a respiração e desviar o olhar ao passar a lâmina por parte da pele morta, sentindo ânsia ao fazer aquilo —e eu pude jurar que minha amiga virou o rosto para poder vomitar; mas a situação se tornou ainda pior quando eu puxei a pele para poder tentar enxergar o que tinha ali —na intenção de tentar encontrar algo que pudesse explicar o corte largo. Lalisa jogou a lanterna no chão e correu para o lado de fora da sala, provavelmente buscando por algum banheiro —ou ao menos alguma lixeira.

Eu rezei mentalmente para ela conseguir chegar ao banheiro.

Peguei a lanterna e respirei fundo antes de voltar a me concentrar naquilo. Jungkook chegou a me oferecer ajuda, mas eu disse que era melhor eu tentar fazer sozinha primeiro. Mesmo assim, ele ficou parado perto de mim para ter certeza de que se eu precisasse de algo ele estaria perto o suficiente para poder ajudar. Mirei a lanterna dentro do corte que eu tinha feito e usei a outra mão para poder tocar alguns pontos e empurrar para o lado quando necessário. Alguns segundos depois uma pontinha brilhante me chamou a atenção.

— JK, pega uma pinça para mim; por favor?! — Ele assentiu antes de correr para buscar o objeto; e assim que o encontrou me estendeu, ficando do outro lado da mesa para ter certeza de que não iria atrapalhar. — Vou precisar de você. Vem aqui amor. 

Jungkook se colocou ao meu lado e fez exatamente o que eu pedi, mirando a lanterninha enquanto eu tentava me aproximar para poder olhar melhor sem ficar na frente da iluminação. Quando eu já estava quase conseguindo puxar o pedacinho do que quer que fosse que havia ali; a porta da sala fora aberta, me fazendo levar um susto e dar um pulo para trás, mordendo o lábio inferior com força para conter um grito. Jeon agarrou a minha cintura para me impedir de ir de encontro ao chão, usando uma força extrema para me puxar para perto do seu peito; e mesmo com a posição desfavorável eu pude vislumbrar Lalisa passando para o lado de dentro, ainda com o rosto levemente pálido.

— Ah! Eu atrapalhei…? — Ela perguntou, se virando para nós e apontando para a porta; como se dissesse que se tivesse interrompendo algo poderia sair mais uma vez.

Analisei a situação em que nós dois nos encontrávamos, e percebi que além do braço firme em minha cintura, a mão livre de Jungkook segurava meu antebraço, bem perto do meu cotovelo; me segurando forte para ter certeza que não iria me deixar escapar. Eu estava com os punhos fechados por conta da sujeira causada pelo sangue, mas mesmo assim eles estavam apoiados no moletom escuro do maior. A posição dava a entender que estávamos prestes a entrar em um amasso intenso.

— Atrapalhou, mas não o que você está imaginando. — Me recuperei, afastando o Jeon gentilmente e evitando tocá-lo com as mãos. Em seguida ele iluminou o chão para me ajudar a encontrar a pinça que tinha escapado das minhas mãos.

Me concentrei mais uma vez, apesar de agora a voz de Lalisa soar no meu ouvido com um eco leve; já que ela estava explicando para o restante do grupo que tinha desligado o microfone porque sentiu ânsia de vômito e despejou tudo dentro da privada segundos depois. Eu prestei bastante atenção em sua voz enquanto ela explicava como tinha limpado toda a bagunça que tinha feito, na intenção de não deixar nenhum indício de que estivemos ali para trás; e praticamente no segundo que a maior terminou de falar eu puxei o pedacinho do objeto de dentro do corpo de Jacob.

Franzi o cenho, era um pouco maior do que eu imaginava.

Usei um algodão que havia ali para tirar o excesso de sangue, e aos poucos o que eu notei ser um papel fora revelando que havia algo em escrito. Meus olhos se arregalaram no mesmo segundo.

No canto esquerdo do papel o rasgado quase que cortava completamente o que estava escrito ali; mas o final da letra e o ponto final em alto relevo e em um prata brilhante deixavam claro o que aquele pequeno papel significava, e explicavam também o motivo de a polícia ter escondido de onde eles conseguiram o papel do W.A.W. e por que estava mergulhado em sangue.

Por que estava dentro do corpo de uma das vítimas.

Dei um passo cego para trás, não sabendo ao certo o que fazer; e dezenas de pensamentos e explicações rodavam pela minha cabeça, fazendo ela girar completamente. No entanto, nenhum deles me pareceu correto em nenhum ponto; nem mesmo algo perto do viável.

Por quê? 

De tantos lugares… Por quê?

S/n? Você está aí? O que aconteceu? — A voz de Rosé era apenas um eco na minha cabeça. Eu me sentia incapaz de raciocinar corretamente ao ponto de encontrar, dentro da minha própria cabeça, algo que explicasse aquilo dentre as dezenas de teorias que eu tinha elaborado.

— Estado de choque. — Jungkook respondeu, e ele teve que estalar os dedos na frente dos meus olhos algumas vezes para me trazer de volta a realidade.

— Esperem… — Engoli em seco quando me concentrei em uma das possibilidades. A discussão sobre o meu estado mental se encerrou no mesmo segundo. — Não foi feita uma autópsia… nada prova que ele foi morto por uma bala.

Acha que ele foi morto antes? — Jisoo perguntou, pelo tom de sua voz eu notei o quanto ela estava confusa com a minha teoria.

— Não faria sentido ele ser operado depois de sofrer um tiro… e se ele morreu antes de ser baleado e fizeram isso apenas para todos acharem que ele foi morto no meio do atentado? — Propus, notando em seguida o quanto aquilo fazia sentido. — No meio de tantas outras vítimas por que os especialistas iriam analisar algo que já era "óbvio"?! É um tiro no coração! Quem iria contra isso?

O que você quer dizer? — Desta vez a pergunta viera de Seok-jin.

— E se ele morreu durante o procedimento? E se Christian quisesse ele vivo depois disso? — Engoli em seco mais uma vez. — E se o plano inicial fosse outro e algo deu errado?

— Então queriam ele vivo… — Jungkook comentou, com o cenho franzido. Aparentemente, ninguém conseguiu ter o mesmo campo de visão que eu estava tendo naquele momento. Algo que estava claro para mim era invisível para eles.

— Esse não é o ponto principal. A pergunta é, se o plano inicial era deixá-lo vivo… por que ele faria isso? Por que iria deixar alguém que o viu, que provavelmente iria denunciá-lo futuramente, procurar polícia, prestar queixa… Por que Christian iria se arriscar tanto?

 — Porque ele não ia denunciar nenhum deles… 

Me virei para Lalisa, soltando um sorriso incentivador; desejando que ela visse no meu olhar o quanto eu queria que completasse a frase.

Porque Jacob estava com eles.

Meu sorriso se tornou orgulhoso no mesmo segundo.







Touché.


Notas Finais


❤️Okay, vamos por partes porque aconteceu MUITA coisa nesse capítulo. Preparem os corações:
1→ Quem é a garota misteriosa, hun?! Alguma teoria?
2→ Podemos concluir com esse capítulo que o pai da S/n é um idiota desinformado.... Mas será que ele está tão errado assim em relação ao nosso amado Jungkook?
3→ E essa pasta aí, hun?! Que segredo bem guardado será esse?
4→ Elas finalmente descobriram alguma coisa🎉🎉🎉🎉

💜Eu já falei pra vocês que eu amo muito esse "touché" da S/n?!

🖤Os looks (sobre a capa, é só uma ideia de como é, okay?! Mas lembrando que a da S/n é preta):
https://pin.it/3XOqWFp
https://pin.it/5SMFxZJ (o estilo da capa)
https://pin.it/WuyRUyr (o nosso princeso, amor da nossa vida; Jeon Jungkook).

Xoxo, Juju💕


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